Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

28
Fev 06
Já não é o que era...
E Este Carnaval foi muito triste e pobre!
Mesmo muito pobre!!!
Alberto João Jardim fartou-se...
O Sr. Presidente do paraíso da Madeira cansou-se de ser atracção turistica.

Mais um rude golpe na economia nacional e do arquipélago.
Portugal está ficar mais cinzento e menos cómico.
Proponho, por SMS, uma manif junto ao ministério dos negócios estrangeiros.
Por solidariedade ao "riso luso" e "à paródia política".
publicado por mparaujo às 16:32

26
Fev 06
"E se..." é uma expressão que traduz o maior dos dilemas humanos.
Será que sim ou que não?! Poderá ou não?! Verdadeiro ou falso?! Real ou imaginário?!
As questões relacionadas com a infelicidade humana, provocaram, desde sempre, um certo irracionalismo colectivo mas simultaneamente uma união comunitária quando solicitada.
Expressão prática do que afirmei é a "facilidade" (às vezes não inocente) com que brotam campanhas de solidariedade (nacionais ou internacionais) e a forma rápida com que os portugueses a elas aderem.
No que respeita às crianças e jovens, tal sentimentalismo solidário ganha, claramente, outra dimensão. Ficamos mais sensíveis, muito dificilmente indiferentes, mesmo que não participativos.
É o caso das situações de mal-tratos, da pedofilia e do homícidio ou mesmo da morte involuntária.
É a apreensão e a inquietação que nos provocam todas as notícias relacionadas com esses factos.
Recebemos inúmeros e-mail's, em casa, no trabalho, de desconhecidos, amigos e colegas com solicitações de apoios no âmbito da saúde e de informações sobre paradeiros desconhecidos.
Confesso que até à bem pouco tempo (cerca de 5 anos), a sensibilização que tais solicitações me provocavam eram diminutas, situando-se no âmbito do comentário restrito ou da simples "pena".
Mas há algo que nos faz mudar.
Dois importantes pormenores:
1. E se isso não acontece só aos outros?!
2. Passamos a ser Pai. E aqui a inquietação é muito, mas mesmo muito, maior. Ficamos mais sensíveis, às vezes menos racionais, muito mais emotivos e protectores.
Só tenho (!) 40 anos... por isso não me assombra a "máxima" - no meu tempo...
Mas, lembro-me, com clara nitidez, das minhas brincadeiras de rua com 5-6-...-10 anos. Jogávamos futebol na estrada, andávamos de bicicleta (mesmo antes das bugas) pelo meio da rua, saltávamos muros, jogávamos a tudo e mais alguma coisa.
Lembro-me de, ainda na pré-primária, me deslocar sózinho de casa (junto ao antigo quartel) até ao conservatório. Hoje vejo inúmeros colegas e amigos meus, também eles com filhos, a fazerem 50/100 metros a pé (e pasme-se... de carro) a acompanharem as crianças à escola primária e a irem buscá-las no final das aulas.
Hoje paira um medo e uma intranquilidade, que há pouco mais de 25 anos não se imaginaria.
Hoje as nossas crianças (a minha tem quase 6 anos) não andam na rua sem a nossa sombra.
E mesmo assim... ouvimos notícias que nos chocam quase diariamente.
Por isso, e porque me tornei Pai "choramingas" e "galinha", faço referência ao site - Porto XXI, que lançou na 'net' (Link) um espaço - Projecto Esperança, ainda em fase experimental, de ajuda na procura de crianças desaparecidas. Só em 2 dias já recebeu cerca de 4 mil visitantes (segundo informação do Público - edição de hoje).
É que há sempre um - E se a seguir me toca a mim - que nos inquieta e que nos deve tornar solidários.
publicado por mparaujo às 23:26

Começa a ter contornos de crise crónica...
Vitor Baía 1 - FC Porto 0
publicado por mparaujo às 21:46

23
Fev 06
Acabei de ver (e ouvir) o Debate do Estado da Nação, na RTP, moderado pelo jornalista José Rodrigues dos Santos e com a presença de ilustres personalidades ligadas aos 5 grupos parlamentares.
Resultado: discussão do sexo dos anjos (sem caricaturas para não ferir religiões).
Isto porque enquanto ouvia mais demagogia menos argumento, só me lembrava de um Portugal (a tal nação) desertificado, repartido, assimétrico...
Aldeias e pequenas vilas do interior e do portugal profundo que vão vendo o seu património cultural e social "a saque":
- fecham-se escolas sem garantias de todas as contrapartidas necessárias às crinaças e aos jovens (transporte, apoio social, alimentação, etc.);
- fecham-se estações de correio, postos e centros de saúde, deixando povoações cada vez mais desertas e isoladas;
- descaracterizam-se social, cultural e politicamente povoações com a futura extinção de freguesias;
- desinveste-se em acessibilidades e reestruturações rodoviárias e férreas para além do eixo Porto-Lisboa;
- desinveste-se na educação, na tecnologia e na indústria, para além das grandes áreas metropolitanas (como é o caso de uma alqueva que teima em "não encher" e nas gravuras de Foz Côa que teimam em "tornar pré-histórica" uma região circunvizinha;
- estreita-se um país, cada vez mais assimétrico, com investimentos no litoral, sustentabilidades nas grandes áreas metropolitanas, esquecendo e abandonando todo o resto tornando-o mera paisagem: o país real é o litoral - o país profundo e pobre segue para além dum traçado de grande velocidade.
Este é o verdadeiro Estado da Nação.
Um mau estado...
publicado por mparaujo às 23:21

Pouco tempo (Março de 1974) depois de ter sido afastado do cargo de vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, mas ainda antes da Revolução dos Cravos, António Spínola publicava o polémico "Portugal e o Futuro", onde expressa a ideia de que a solução para o problema colonial português passava por outras vias que não a continuação da guerra.
A 25 de Abril de 1974, como representante máximo do Movimento das Forças Armadas, recebia do Presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, a rendição do Governo, assumindo assim os seus poderes públicos.

publicado por mparaujo às 21:45

Durante 30 anos de luta armada e confronto directo, primeiro com Portugal pela independência de Angola, depois contra o MPLA pelo poder angolano.
Apesar de muitas polémicas e controversas, um líder carismático da UNITA.


publicado por mparaujo às 21:34

21
Fev 06
Agora entendo algumas personalidades (amigas, conhecidas e outras) do PS aveirense.
A azia dá algum mal-estar.
E ao jantar cairam-me mal as Carlsberg's que bebi.
Que grande azia!

publicado por mparaujo às 21:50


A vida é feita de contrariedades. de convicções distintas: política - religião - futebol - cultura...
A vida é vista com muitos olhos, com muitas visões, com muitos prismas, com muitos pontos e vírgulas.
A comprová-lo está este texto que me enviaram via e-mail.
Um homem muito rico, estava muito doente e à beira da morte.
Pediu papel e caneta, e escreveu o seguinte:
"DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO A MEU SOBRINHO JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO ALFAIATE NADA DOU AOS POBRES".
Morreu antes de fazer a pontuação.
Para quem ele deixou a fortuna?

Eram quatro os concorrentes:
1) O sobrinho fez a seguinte pontuação: "Deixo meus bens à minha irmã ? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres."
2) A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito: "Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres."
3) O alfaiate pediu cópia do original. Puxou a brasa para sardinha dele: "Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres."
4) Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabichão, fez a seguinte interpretação: "Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Dou aos pobres."
Assim é a vida. Somos nós que colocamos, os parágrafos, pontos e as vírgulas...
E isso faz a diferença e faz-nos diferentes...
publicado por mparaujo às 21:09

A verdadeira "Gripe das Aves" à escala mundial:

publicado por mparaujo às 20:59

20
Fev 06
20 de Fevereiro de 1978... Portugal ficava culturalmente muito mais pobre!

publicado por mparaujo às 23:07

19
Fev 06
Nem por isso...
Amanhã, o governo de José Sócrates, celebra um ano de gestão governativa.
Reconheça-se o esforço para alguma reforma da administração pública, o fim das benesses dos gestores públicos e cargos políticos e a prenda de natal europeia com o qaudro comunitário a desenbolsar 22,5 milhões de euros até 2013.
Mas isto é pouco.
Nesta ano de (des)governação, a comunidade saiu insistentemente e crítica para a rua.
A justiça desacreditada, o ensino destruturado (com ou sem banda larga), a saúde doente!
Aumentos dos impostos, aumento do custo de vida.
Para quem prometia 150.000 postos de trabalho, tem o país flagelado pelo aumento galopante da taxa de desemprego.
No Verão o país viu-se devastado por um dos maiores incêndios da história lusa.
Politicamente este primeiro ano do governo socialista ficou marcado pela derrota clara nas autárquicas e pelo recente desastre presidencial.
O plano tecnológico é uma realidade virtual e os projectos OTA e TGV estão longe de consensos nacionais.
Ou seja... escolarmente o governo reprovou.
Segue mais um ano de avaliação contínua. Agora com um novo professor em Belém.
publicado por mparaujo às 21:46

Há questões que. por exclusividade dogmática, são simples de serem tratadas.
Ou se acredita ou não!
Quase toda a gente afirma que não há "bruxas", mas muitos temem-nas e até há quem as consulte.
Muitos negam a existência de milagres, mas no nosso dia-a-dia, todos esperam por um (acendem-se velas e fazem-se promessas, muitas que ficam por cumprir): é no euromilhões, no emprego, na vida familiar e amorosa, na política e no futebol.
No dia em que milhares de portugueses acompanharam, mesmo que pontualmente, a trasladação da Irmã Lúcia, vem à memória do peregrino o "milagre" da cura da pequena argentina Rosário
Curiosamente e de uma forma extremamente ponderada, a Igreja espera ainda por provas concretas.
É que "isto" dos milagres que os há, há... mas com provas.
Aguardemos, com a serenidade com que Lúcia aguarda (agora) em Fátima.
publicado por mparaujo às 21:17

Esse mesmo que rola sobre a relva.
Que o Beira Mar está perto de concretizar o sonho dos aveirenses em concretizar a subida à I Liga, é um facto.
Que o FC Porto é primeiro e que a surpresa apenas reside no facto de a distância para o segundo e terceiro pecar por defeito, basta ver as estatísticas e a classificação para não haver dúvidas.
Mas surpresa... surpresa, veio do Treinador do FC Porto.
Já o referi aqui e continuo a validar essa argumentação: sou um adepto de Co Adriaanse. A sua filosofia de jogo, a sua disciplina, a sua coragem ao assumir riscos e se opôr ao comodismo de muitas vedetas e lugares "garantidos" e "vitalícios".
Como se isso não bastasse, acabo de ouvir o "flash interview" na TVI, no final do jogo Porto - Maritimo, com um enorme espanto.
O entrevistador perguntou em bom português, Co Adriaansen safou-se num engraçado portulandês. Mais um mês e o "mister" acaba por fluir a boa língua lusa.
Bem Haja e Parabéns.
publicado por mparaujo às 20:33

18
Fev 06
Está para muito breve a colocação em prática do projecto de lei que prevê a redução e fusão de freguesiais com menos de 1000 recenciados e que pertençam a municípios com mais de 50000 eleitores.
O Concelho de Aveiro é um dos atingidos, sendo as freguesias de Eirol e S.Jacinto as referenciadas.
Sem querer polemitizar ou "ferir" susceptibilidades das pessoas em causa, parace-me, no entanto, pacífico que o processo de Eirol não traga muitas situações problemáticas, dada a proximidade a outras freguesias: Requeixo e Eixo, por exemplo.
Mas... e São Jacinto?!
Aqui o processo parace-me, de facto, menos pacífico. Não pelo bairrismo (obviamente um direito que assiste à população daquele local), mas pela situação geográfica daquela freguesia.

Já não basta o distanciamento físico, provocado pelo isolamento que a Ria teima em manter. Poderá surgir todo um conjunto de problemas comunitários com a única hipótese plausível que é a fusão com a freguesia da Vera-Cruz (situação aliás antigamente vivida).
Mas será, de facto, esta a única hipótese?!
E se Aveiro perder o exlíbris das dunas e da reserva natural para o Concelho da Murtosa?!
Será que é uma hipótese absurda?!
Será que basta umas notícias nos jornais ou uma simples manif para inverter uma situação tão real como a questionada?!
Aveiro e os aveirenses devem permanecer em alerta... por São Jacinto.

publicado por mparaujo às 22:02

Há algo na questão das nomeações de cargos públicos que me fazem enorme "comichão cerebral".
Raciocinando...
Como é possível que alguém tome posse para um cargo público e passados uns meros 9 dias (repito 9 dias) apresente a sua demissão?
Tal aconteceu com a demissão do General Bargão dos Santos, após 9 dias (volto a repetir, 9 dias) de ter tomado posse como presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.
Das duas três...

Ou o Sr. Major sub-avaliou a proposta que lhe foi dirigida ou não tinha qualquer conhecimento das condições de exercício da tarefa pública de gestão.
Ou o Governo "meteu a pata na poça", ao errar estratégica e políticamente nesta sua opção, escolhendo alguém que não tinha 'condições' para assegurar o cargo.
Já vimos este filme no Plano Tecnológico.
Falta ao governo uma clara preparação do seu "trabalho de casa".
Mais uma nota negativa.
publicado por mparaujo às 21:42

vai revelando-nos a sua "crueldade": uns nascem, outros deixam-nos, seja de forma abruta, seja pela próprio condição do fim da vida.
Este blog, associa-se, à memória de Morias Leitão, um dos fundadores do CDS, a base da minha convicção política.

publicado por mparaujo às 21:23

16
Fev 06
Foi noticia na terça-feira e ontem (aqui, aqui e aqui), a redução do valor de retenção na fonte de IRS.
À primeira vista é, claramente, uma óptima notícia.
Mas...
É óbvio e socialmente justo que se liberte o contribuinte da ilógica de se exigir que os
portugueses adiantem o dinheiro ao estado e vejam retidos montantes para além do imposto que deveriam pagar, para mais tarde serem reembolsados.
Tal medida, na prática, significa aumento salarial. O que, face à realidade de contenção dos aumentos salariais, parece óptimo.
Mas por outro lado, a redução da percentagem de retenção na fonte, implicará alteração (para mais) no valor do rendimento anual.
Sabendo-se que alguns dos encargos familiares dependem da avaliação desses rendimentos (empréstimo da casa, infantários, etc.), esta alteração fiscal vai traduzir-se também no aumento desses encargos, favorecendo o já tão malfadado individamento familiar.

Doutro modo, tenho dúvidas de que tal medida não venha a ser, a curto prazo, complementada com uma diminuição dos benefícios (já curtos) fiscais.
A ver vamos (nos nosso bolsos).
Refira-se, como aqui é noticiado, que esta alteração fiscal não é inédita e assenta em pressupostos previstos no exercício ministerial do ex-minitro das finanças Bagão Félix.

publicado por mparaujo às 22:52

tenho um livro que já li, sensivelmente, até meio.
É, para já, muito interessante e de um escritor que desconhecia (como se conhecesse imensos escritores! Enfim...).
Li hoje no Público uma noticia que referia o encontro de escritores na Póvoa do Varzim, onde o escritor espanhol (catalão) Carlos Ruiz Zafón foi o vencedor do Prémio "Concorrentes d'Escritas".
A sua obra dá pelo nome de A Sombra do Vento (em Portugal - 3ª edição).
Personagens muito bem descritos e imaginados, onde a narrativa nos leva a pensar no poder da palavra, da escrita e do papel dos livros para transformar a realidade (vida) das pessoas.
Um livro a não perder.
publicado por mparaujo às 22:30

15
Fev 06
Eu não entro.
Isto já nada tem a haver com liberdades de expressão, de imprensa.
Muito menos terá a haver com humor ou não humor.
Trata-se de ódio puro, de xenofobia e de racismo. É pura blasfémia.
Segundo o CM de hoje, o Ministro (extrema direita) das Reformas do governo italiano - Roberto Calderoni, não podia ter "incendiado" mais a crise dos ‘cartoons’, ao afirmar que mandou fazer ‘t-shirts’ com as caricaturas de Maomé para quem quiser vestir.
Começam a fazer sentido as palavras do Prof. Freitas do Amaral.
Isto é ridículo! É puramente um absurdo!
Só mesmo num país como a Itália, onde recentemente foi publicada legislação que permite o uso de arma de fogo de uma forma indiscriminada, a encoberto do conceito teórico da auto-defesa.
Estamos na era do 'olho por olho', 'dente por dente'.
Face a mais este grave incidente, que legitimidade temos para condenar o que quer que seja?!
Fui e sou contra qualquer tipo de geração de violência, porque entendo que nada a justifica. Mas o nada dos dois sentidos: o ofensor e o ofendido. E aqui todos têm culpa.
É também triste que a União Europeia só sirva para criticar e penalizar os seus países membros quando em questões económicas. E que em casos como estes venha, através do Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, defender o que seria criticável e que, aos olhos de muitos europeus, é indefensável.
Nestas liberdades não me revejo e por elas não luto!
publicado por mparaujo às 23:33

13
Fev 06
Tudo o que se for dizendo sobre a polémica dos cartoons a partir desta data, começa a saber a "discurso balofo" ou a "dissertações decarteanas".
Para mim, os desenhos não deveriam ter sido publicados, por ausência de contexto, por aniquilação das liberdades (mesmo a de expressão), por atentarem contra a liberdade dos outros, por ser premeditada a sua consequência (lembro que o mesmo jornal recusou a publicação de cartoons alusivos ao catolicismo por os considerar potencialmente ofensivos).
Para mim, nenhuma violência (seja de que tipo for) terá qualquer justificação ou aceitação. Seja por ataque ou defesa.
E esta polémica não é o simples conceito de liberdade de expressão ou da censura. Passou a ser uma questão global, política, racista, fanática e violenta.
Sobre isto já "postei", sobre os acontecimentos resta-me esperar que o fogo se consuma e se apague o mais rápido possível. Porque todos já perdemos... e muito.
Mas há um aspecto que sempre foquei e para mim continua vivo: A Liberdade de Expressão.
Muitas das primeiras críticas ouvidas e lidas faziam referência à necessidade primordial da defesa da liberdade de expressão. Para mim não há absolutismos e muitos dos argumentos usados em defesa da publicação do jornal dinamarquês são irracionais.
Porque não faz sentido que se expresse um fervor tão dogmático pelo direito inalienável à expressão, em contraste com a ausência dessa liberdade (e muitas outras) no mundo islâmico. Porque nós (ditos ocidentais civilizados) somos os primeiros a alienar esse direito inquestionável a pensar e falar livremente.
Deixemo-nos de hipocrisias, argumentações fúteis e demagogias puras.
A liberdade existe e tem lugar enquanto respeitadora e conivente com o direito à liberdade do outro. O que determina que qualquer liberdade tem limites. Excepção ao direito à própria liberdade.
Sejamos práticos, sem a necessidade de entrarmos em situações reconhecidamente extremistas, como a questão religiosa:
Quantos casos judiciais conhecemos nós, directa ou indirectamente, relacionados com processos por "difamação" ou "ofensa"?!!
Quem nunca reagiu mais ou menos violentamente (independentemente da idade) quando sentiu que a crítica dirigida ultrapassou os limites do aceitável e do respeito?!!
Quem é que, verdadeiramente, se sente livre de expressar publica e frontalmente as suas opiniões no seu local de trabalho?!!
Sendo um direito que me assiste exprimir-me livremente, como é possível que exista legislação própria para a administração pública e local (direitos e deveres do funcionário) que me impede, regulamentarmente, de usar esse direito?!!
Seria eticamente aceitável e um direito que livremente me assiste de, neste espaço e sem qualquer tipo de consequências racionais, "desatar" a expressar-me sem qualquer limite de bom senso e respeito para com o anterior executivo, o actual executivo, os membros da Assembleia Municipal, o Governador Civil, etc., etc..?!
Seriam só comentários menos abonatórios as consequências que poderiam surgir?!
Desde quando é que a Constituição Portuguesa delimita o conceito de liberdade de expressão (todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio) ao universo da comunicação social?! E nós outros não somos também livres?!
Estes são exemplos muito simplicistas e concentrados, agora façam o favor do raciocínio global e transponham estas realidades para a publicação caricatural.
Ofendiam-se ou não se ofendiam?!
Deveria ou não deveria ter sido impedida a sua publicação?!
Como, surpreendentemente, José Saramago dizia no público de sexta-feira, era interessante ver o cartoonista dinamarquês a caricaturar ofensivamente, o director do jornal em causa. No dia a seguir não estaria, de certeza, à sua secretária.
Uma boa semana...
publicado por mparaujo às 23:01

Espero sinceramente que não me saia o tiro pelo culatra.
De qualquer forma arrisco.
Pelo que o Diário de Aveiro notícia hoje o Dr. Raúl Ventura Martins (esse mesmo da Margem Esquerda) poderá vir a ser o próximo presidente da concelhia do PS de Aveiro.
O que é que isso tem a ahver comigo e com este blog?!!
Nada e tudo!
Nada...
Porque nada me move em relação ao PS. Não sou socialista, antes pelo contrário. Convicções antigas e dificilmente alteráveis.
Tudo...
Porque é com muito prazer que vejo a política aveirense elevar-se, "rechear-se" de referências importantes, democráticas e pluralistas. Acima de tudo, com grande benefício para o Concelho.
Porque é com muito prazer que (embora muito recentemente e com a curiosidade de ser através destes espaços) vejo alguém por quem tenho muito respeito e estima ser valorizada pela sua capacidade de liderança, capacidade política e intelectual.
Porque acho que vai ser um enorme desafio político para a Concelhia do 'meu' CDS, dado o seu carácter frontal, atento e desafiador.
Bons momentos iremos, de certeza, poder politicamente viver nos próximos anos.
Doutor boa sorte.
Ficaremos, agora, mais atentos.
publicado por mparaujo às 22:33

A 13 de Fevereiro de 1906 nascia uma das maiores referências intelectuais deste pequeno Portugal.
Recorda-se hoje o centenário do nascimento do Prof. Agostinho da Silva.
Mais do que uma questão de liberdade de expressão, uma viva expressão livre.
Senão o maior, pelo menos, A referência filosófica e cultural portuguesa do século XX.

publicado por mparaujo às 22:27

Aproxima-se a data que marcará a presença eterna da Irmã Lúcia em Fátima.
Enquanto se aguarda a sua transladação, memória para o 1º aniversário da sua morte.
Portugal (crente, mais ou menos e até ateu) ficava preso ao acontecimento no, até à data, discreto carmelo em Coimbra. 13 de Fevereiro de 2005.


publicado por mparaujo às 22:09

11
Fev 06
Fui ontem ver...
Soberbo.
História real, argumento excelente, ousadia cativante.
Este é realmente um filme a não perder.
A acção-reacção política, religiosa e cultural.
Uma abordagem interessante à intriga política e ao dilema entre a consciência e o politicamente correcto.
Três horas de excelente "tela".
publicado por mparaujo às 18:24

Após entrevistas na TSF e na Sic Noticias, para além da reconhecida oportunidade no Politica Pura, cada vez me convenço mais que Portugal não sabe aproveitar as oportunidades únicas de se demarcar ou marcar um posicionamento político forte no contexto internacional.
Temos Durão Barroso na UE, Guterres nos Refugiados e tivémos Freitas do Amaral na ONU. Aproveitamento?!! Zero.
E é curioso que o próprio Prof. MNE nada usufruiu (para Portugal, obviamente) da sua passagem pela ONU.
AQUI tinha feito referência ao relevo da possível candidatura de Ramos Horta para a ONU.
É uma dívida moral e política que temos por quem sempre defendeu o povo timorense, pelo seu prestígio internacional (prémio nobel da paz) e pela relação que tem com o nosso País.
Resultado?!!!
Uma falta de responsabilidade e posicionamento políticos na entrevista do Prof. MNE, ao afirmar que Portugal apoiará Ramos Horta para a ONU se outros países o fizerem, numa lógica do politicamente correcto, ou se quizermos da "rebanhada". Se os outros forem eu vou também
E porque não apoiar já e dizer: este é o nosso candidato?!
Medo de quê?!!!!
Subserviência a quem?!!!
É triste.
Portugal tem que ser diferente, tem que ter posição e convicção nas suas opções políticas, saber defendê-las, mesmo que isso implique perder ou não estar do lado da maioria.

Espera-se que ao menos o Dr. Ramos Horta seja eleito.
publicado por mparaujo às 12:33

08
Fev 06
E o ridículo chegou ao ponto de se efectuar uma manifestação de solidariedade para com a Dinamarca. (vi e li aqui, aqui e aqui).
Mas porquê?!
Foi a Dinamarca que publicou os desenhos?!
E porque razão se apela ao espírito solidário e comunitário dos portugueses, sabendo-se que existem muitos (para não dizer a maioria, porque não consegui telefonar a todos) que estão contra a publicação efectuada?!
Nesta questão das liberdades, como em qualquer outra questão, existe para mim um conceito que parece deveras esquecido: as liberdades (sejam quais forem) terminam quando começam as liberdades dos outros. Ou ainda, as liberdades devem coexistir com as outras liberdades.
E as próprias liberdades têm limites. Contrariamente, não viveríamos em liberdade, em democracia, em pluralismo, em respeito mútuo, mas sim em anarquia absoluta.
Quando a liberdade de expressão colide com o princípio do respeito ou da ofensa, não parece que tenha a legitimidade de ser expressa.
E não é só a questão do respeito pela liberdade religiosa e a ofensa (grave) ao islamismo.
Só quem é ingénuo é que acredita que os cartoons foram inocentes, foram meros exercícios de criatividade lúdica ou simples satírica. Foram publicados com um claro sentido anti-semítico e racista.
Que coerência e legitimidade temos para, por exemplo, vir agora criticar o jornal do Irão que se lembrou, a coberto da tal liberdade de expressão, solicitar a tarefa de alguém desenhar um cartoon a ironizar as vítimas do holocausto.
É esta a liberdade que queremos a coabitar connosco?!
A da falta de respeito pela liberdade dos outros, do bom senso e do olho-por-olho?!
Obviamente que condeno toda e qualquer violência ou resposta pela “arma” da agressão, do medo e da hostilização. Mas quem ofendendo não esperaria a resposta extremista do fundamentalismo (seja ele religioso, político, cultural ou desportivo), vive num perfeito sono “naïf”.
E quem “livremente” publicou e desenhou tais ofensas e agressões, não pode a coberto do dogma da liberdade de expressão deixar de assumir as consequências dos seus actos.
Ao não assumir tal facto pactuará com a desconfiança que os desenhos foram claramente usados para ofender e, psicologicamente, agredir.
A ofensa não foi dirigida apenas ao extremismo e radicalismo muçulmano. Mas a todos os que acreditam que o Islão e o Alcorão são de paz e pacíficos.
A todos os que estão cansados de serem constantemente apelidados de terroristas, sem que nada tenham contribuído para tal (antes pelo contrário).
Deste lado, continuamos com aquele sentimento de superioridade civilizacional que, às vezes produz conflituosidades do género, para as quais depois não se tem solução e carácter para assumir o que se afirma como não errado.
Espero sinceramente que a “guerra” por aqui se fique.
Pela liberdade de uns e de outros… pela liberdade de todos.
publicado por mparaujo às 23:49

06
Fev 06
Esta é a sensação que me assombra o espírito quando ouço falar em Regionalização.
O Público de hoje (06.02.2006) refere a 'movimentação' nas hostes concelhias do PSD-Porto, para pressionar Marques Mendes a trazer para a agenda política o tema da regionalização.
Longe vão já cerca de 8/9 anos do último debate público sobre o polémico tema.
Para além de questões nacionalistas (claramente menos interessantes), dos encargos acrescidos para a tão débil economia nacional, da acentuação das consideráveis assimetrias territoriais já existentes (norte-sul / interior-litoral), uma preocupação prioritária me sobressalta: e Aveiro?!
Onde nos podemos situar?!
Que peso político, económico, social e cultural temos como mais valia para nos posicionarmos como uma região lider?!
aqui fiz referência, às dificuldades que encontro na liderança da região aveirense face às "atracções fatais" de Coimbra e Porto, no que respeita às Áreas Metropolitanas.
Se a "simples" GAMA (Grande Área Metropolitana de Aveiro) não conseguiu manter nas suas fronteiras regionais concelhos como os de Espinho (velho posicionamento portista), Feira, S.João da Madeira, Arouca e mais a sul, Anadia e Mealhada, bem como não consegui "capatar" e "assediar" novos concelhos, como por exemplo o de Mira, não antevejo capacidades estratégico-políticas imporatntes para liderar uma região.
E depois?!
Bom depois, resta-nos o triste fado 'habitué' de perder peso estratégico para Coimbra (mais uma vez).
Pela regionalização (se voltar a ser questionada) eu digo NÃO. Por Aveiro.
publicado por mparaujo às 22:42

05
Fev 06
Apesar da Informática ser a minha "habilitação" profissional e laboral, não posso deixar de referir o excelente texto publicado hoje no Público, dessa referência cultural e intelectual que é o Dr. António Barreto.
António Barreto "reflectiu" sobre a visita de Bill Gates a Portugal.
O governo criou um autêntico "show of", um verdadeiro carrocel de feira, com direito a foguetes e bombos. Música também não faltou.
Como não faltaram as condecorações, as reuniões, as vénias e "beija-mãos" e as palestrar selecciondas.
Como refere António Barreto (e para quem vive a informática mais ou menos atentamente) sabe que, pela evolução tecnológica, social e cultural dos tempos, a realidade da banda larga aconteceria a qualquer momento, com ou sem a intervenção espalhafatosa e propagandista que se assitiu.
Todas as escolas primárias, ou melhor, do primeiro ano do primeiro ciclo do ensino básico, em Portugal, têm acesso à internet por banda larga. Feito histórico do ponto de vista tecnológico.
Como tal facto reflecte um país cultural e intelectualmente mais desenvolvido e próximo dos padrões europeus, o investimento feito e todo o circo montado na visita do homem mais rico do planeta (como se na vizinha espanha ou na distante alemanha ou suécia - referências industriais europeias - tal "carnaval" fosse igualmente exibido), vamos, a partir desta data, ter, por este país fora, escolas primárias aquecidas no verão - com cantinas - com água potável e condições de higiene - com telhados que não deixem passar a chuva - com recreios onde se brinque em segurança - com transportes escolares que minimizem o drama do encerramento, algumas vezes indescriminado, de escolas - com materiais didáticos e livros suficientes e em condições.
Escolas onde os Professores se sentissem motivados - onde os alunos aprendessem a ler e a escrever correctamente português - onde a matemática não fosse um 'papão' ilógico - onde as notas a português, matemática e física não fossem tão medíocres.
Um ensino onde os manuais, muitas vezes erróneos e pouco rigorosos, não vivessem ao sabor editorial e onde os programas e os métodos de ensino fossem ajustadamente revistos e rigorosamente planeados.
Desta forma sim... o Ensino seria uma grande banda larga de desenvolvimento.
Num País que vive amargamente a incapacidade financeira de investimento racional, também a "Ota" chegou ao ensino via banda larga.
Que raro conceito de prioridade e desenvolvimento integrado.
Até lá, resta-nos fazer Ctrl-Alt-Delete ou Restart.
Excelente Dr. António Barreto.
publicado por mparaujo às 23:35

03
Fev 06
A comunicação social e a blogoesfera destacam, com especial relevo, a polémica da sátira dos cartoons dinamarqueses a Maomé e consequentemente ao povo muçulmano.
Para os árabes, o seu Profeta (corrigido) (Maomé) não tem (aliada à proibição) qualquer representatividade real ou artística.
Por outro lado...
A liberdade de expressão, por mais inquestionável e inviolável que seja, tem que teminar na fronteira do bom senso e da anarquia.
A critica e a sátira, a opinião nua e crua, mordaz e convicta, não se podem sobrepor à liberdade dos visados, à falta de respeito, à ofensa e ao bom senso.
Quando estes factores estiverem subvertidos, esta liberdade de expressão transforma-se em ofensa e agressão aos princípios e liberdades de outrem.
'Atentar' contra a religião muçulmana foi, neste caso concreto, um claro acto de suícidio editorial.
Criticar o terrorismo extremista (ou outro qualquer) poderia ter sido menos vulnerável se directamente ligados com situações reais e específicas, como por exemplo, os palestinianos e os israelitas.
Usar Maomé, tranformando-o num símbolo do terrorismo foi o mesmo que afirmar que toda a comunidade muçulmana é terrorista.
Sabe-se que a maioria dessa comunidade não revela atitudes e conceitos extremistas e terroristas.
A imprensa dinamarquesa esqueceu-se que já lá vão idos os tempos dos Vikings.
O radicalismo religioso muçulmano (actual) é que não me parece que esqueça tão depressa.
publicado por mparaujo às 23:39

02
Fev 06
A (nova) secreta de Sócrates em plena actividade:
- Xiuuuu é segredo de estado... Já nos descobriram!!
- Raios partam os jornalistas. Descobrem tudo e mais alguma coisa. Será que não sabem fazer mais nada?!

foto 'secretamente sacada' à Skipper.
publicado por mparaujo às 23:49

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