Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

30
Jun 07
Publicado na edição do dia 28.06.07 (5ª feira) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
Cidadania incondicional.


Esta semana ficou marcada pela instauração de processos judiciais e acusações de difamação que envolvem a figura do Primeiro-Ministro e de um professor universitário, administrador do blog “Portugal Profundo”, António Balbino Caldeira. Tudo isto relacionado com a polémica, ainda por esclarecer satisfatoriamente, da licenciatura do Engenheiro José Sócrates.
Não é minha intenção referir-me aos processos em causa, nem muito menos voltar a revolver a licenciatura “mal explicada”. Porque é-me indiferente que Portugal tenha um Primeiro-Ministro engenheiro, doutor ou nem por isso. Sendo certo que já não me é indiferente a permissividade eventualmente existente entre o sector do ensino superior e a política. Por uma questão de justiça, equidade e transparência.
O que é, para mim, mais relevante neste recente “fait divers” é a questão que se prende com a liberdade de expressão, o exercício do direito à cidadania e o papel da blogoesfera na comunicação e na sociedade.
Porquê?! Porque sim… e porque a maioria dos cidadãos cada vez se alheia mais do seu papel cívico e interventivo e, igualmente, porque na globalização da comunicação e das relações sociais, culturais e políticas (seja a nível individual ou colectivo) a blogoesfera ganha uma dimensão que não pode ser subjugada.
Com o surgimento da Web e o desenvolvimento das novas tecnologias, esta interacção humana ganhou nova realidade, mais global, sem fronteiras e com uma nova realidade espaço-tempo e uma (re)construção social valiosa.
A noção de espaço público, por exemplo no conceito de Habermas, corresponde ao espaço (físico ou virtual) onde se formam as opiniões e as decisões políticas e onde se legitima o exercício do poder. É o espaço do debate e do uso público da argumentação crítica.
A óptica principal do conceito de construção social da realidade, é a de que a mesma é construída, dia a dia, pelas práticas individuais e sociais de cada um, o que conduz a uma permanente redefinição e renegociação das regras, normas, significados e símbolos sociais.
Neste sentido, a blogoesfera constitui um espaço de informação, de comentário e de opinião, de crítica e de análise da vida pública, de manifestação de criatividade e talento pessoal, de estruturação de redes e comunidades de conhecimento. Ela é a combinação de forças que tornam as pessoas parte efectiva das sociedades.
Os blogs envolvem a criação de novas formas de acção e interacção individuais ou colectivas e contribuem para a transformação da organização espacial e temporal da vida social.
Qualquer convulsão social ou acontecimento político ou cultural tem efeito imediato na blogosfera. Foi assim nos seus primórdios com a Guerra do Golfo, o 11 de Setembro, os atentados de Madrid, os processos eleitorais ou mais recentemente a polémica sobre a licenciatura de José Sócrates, o caso Madeleine e a censura à liberdade de expressão na piada “off-record” na DREN.
O século XXI será claramente o século da sociedade da informação e do conhecimento. De facto, já nos encontramos submersos nesta nova realidade social que tem um papel importante no desenvolvimento dos estados e na afirmação individual de cada cidadão.
Desta forma, a blogoesfera tem a capacidade e o poder de implicar e responsabilizar os cidadãos informados e conscientes dos problemas existentes na sociedade, na construção de sociedades mais criticas, onde todo o ser humano tem uma voz realmente activa, conduzindo a um mundo mais democratizado.
A blogoesfera é e será, por isso, o verdadeiro meio de comunicação e de inter-relações, sobre a qual se baseia a nova forma de sociedade em que vivemos, à qual Manuel Castells denominou de “Sociedade em Rede”.
Quais são os efeitos que a blogoesfera gera e que impacto produz na sociedade, seja ao nível individual, social, cultural e político e, até mesmo, histórico?!
Até que ponto a blogosfera consegue influenciar a opinião pública, cumprindo assim uma das motivações mais fortes que levam as pessoas a criar um blogue?
Para responder a esta questão, analisemos o conceito de esfera de visibilidade pública e do espaço público. Esta esfera é filtragem mediática daquilo que acontece na “esfera pública”, ou seja, no debate que ocorre na opinião pública.
Assim, a capacidade desta “esfera de visibilidade pública” influenciar a opinião pública e a sociedade está relacionada com a possibilidade do público poder intervir directamente na estruturação da sociedade, nos seus aspectos culturais, políticos, económicos, religiosos e, até mesmo, históricos.
Para isso, os cidadãos têm a oportunidade de usar uma alternativa participativa e crítica que lhes permita uma intervenção social, através da sua selecção pessoal de alguns acontecimentos; da interpretação desses acontecimentos; publicação da opinião sem qualquer tipo de limitações à liberdade de expressão e a criação de interacções individuais ou colectivas, através da possibilidade de se criarem redes de comentários. No fundo, a vontade de participar numa sociedade verdadeiramente democrática.
Assim, a possibilidade de participar numa comunidade verdadeiramente democrática e crítica é uma forte motivação para quem cria um blog ou participa nesta comunidade.
Para além do aspecto individual, no universo da Comunicação Social, os blogs eram vistos há escassos anos, pelos meios dominantes, como um fenómeno marginal da esfera mediática. Não tardou a que, num segundo momento, eles fossem vistos como seus “rivais” ou, mais recentemente, como seus “parceiros”, como é o caso dos principais jornais nacionais e a sua adesão ao fenómeno, como o comprova a frequência com que aqueles meios de comunicação referem ou citam blogs ou criam, eles mesmos, as sus comunidades.
Além disso, como já aconteceu em repetidos casos – o 11 de Setembro em Nova Iorque, a Guerra no Iraque ou o tsunami no Extremo Oriente, como exemplos, é legítimo questionar se não estará a blogoesfera em vias de se constituir em fonte dos seus próprios temas e notícias, passando também a marcar a agenda mediática, constituindo alternativa, mesmo que complementar, aos meios de comunicação dominantes e tradicionais.
Esta realidade teve já o seu primeiro paradigma com a precedente e polémica decisão da Casa Branca de, pela primeira vez na história da comunicação social, conceder em 7 de Março de 2005, a um blogger - Garrett M. Graf (na altura editor do blog FishbowlDC), a creditação de acesso às conferências de imprensas diárias, equiparando o estatuto do blog e do blogger ao dos restantes órgãos e profissionais de informação.
A realidade comunicacional e de intervenção social, mostra-nos que as fronteiras entre os “velhos” e os “novos” media parecem estar a esbater-se cada vez mais.
O acto de escrever ou comentar num blog libertou o cidadão da sua função de simples consumidor de informação. Esta interacção e participação deram ao cidadão o ensejo para o que hoje se denomina de “jornalismo do cidadão”.
A possibilidade de uma intervenção cívica plena, sustentada numa descomplexada liberdade de expressão, com os riscos inerentes à credibilidade do que se opina, difunde e comenta. Como em qualquer acção informativa, posição pública ou relação interpessoal.
De facto, alguns blogs são miseráveis. Mas outros meios de divulgação de informação também o são. Como as posições públicas de muitos cidadãos. Como em tudo na vida…
publicado por mparaujo às 12:24

29
Jun 07
Sou suspeito e com muito prazer.
Cresci com o Jorge Greno na mesma rua, nas mesmas brincadeiras, no mesmo espírito, durante uma grande parte da infância e juventude (refira-se aliás, entre a geração do Dr. Alberto Souto e a do Dr. Marques Pereira). E somos (penso que orgulhosamente) do mesmo partido político.
Por outro lado, foi com muito orgulho e consideração pela amizade que nos une, que vi o Jorge Greno chegar a vereador da Câmara Municipal de Aveiro (mesmo sem esquecer a sensação de surpresa).
Por isso, é de igual forma que sinto uma tristeza pela suspensão (renúnica) do seu mandato e o consequente abandono das suas funções.
Não conheço, nem me interessam sequer as razões concretas de tal tomada de posição.
O que conheço suficientemente do Jorge Greno basta-me para acreditar nas suas razões e nos seus motivos. Pelas mesmas razões que sempre acreditei nas suas capacidades, competências e valores.
Resta-me o abraço amigo e o desejo, como sempre, das melhores felicidades.
Obrigado Jorge.

Nota: porque este é claramente um post pessoal, não será disponibilizada a opção dos comentários.
publicado por mparaujo às 13:23



Numa semana envolta em constantes trocas de galhardetes, entre oposição e executivo camarário e entre câmara e ex-presidente da câmara, mais lenha para a fogueira. (clicar na imagem para fazer explodir).
publicado por mparaujo às 08:07

Lá diz o chavão: "quem não é por mim é contra mim".
Em Portugal, esta máxima tem tido contornos de relevo.
Desde um Ministro que, por entender que a alternativa da Margem Sul ao seu "bébé" OTA é uma afronta, entende que o País também tem direito a ter um deserto; a um professor demitido das suas funções na DREN por opinar, em privado (mas em sintonia com milhares de cidadãos), sobre o Primeiro-Ministro; passando por um comum cidadão coagido judicialmente por ter exercido o seu direito à liberdade de expressão (em sintonia com centenas de jornalistas e milhares de cidadãos) e pela demissão de uma Directora de um Centro de Saúde pelo acto público de cidadania de um outro médico (que aliás assumiu a responsabilidade e a quem a directora solicitou a retirada do seu manifesto).
Assim, vai este país de sabor a maresia: o Ensino, a Saúde e o exercício do direito de cidadania têm os dias contados.
E depois admiramo-nos do resultado da votação da maior personalidade portuguesa.
publicado por mparaujo às 02:15
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25
Jun 07
O estado de sítio da saúde portuguesa já dava que falar, mas como se isso não bastasse poderá ficar ainda mais cara para os portugueses.
Um relatório encomendado pelo Governo (e disponível num blog do site da TVI) avança várias propostas para o Sistema Nacional de Saúde, como por exemplo, a redução do número de isentos de taxa moderadora, a subida do valor das taxas e a criação de um novo imposto.
Segundo o estudo encomendado pelo Governo, cerca de 55 por cento da população está isenta do pagamento das taxas moderadoras. Face a estes valores é recomendado que apenas sejam abrangidas pela isenção pessoas com dificuldades financeiras e quem necessite de cuidados médicos continuados.
Como se 55 por cento da população não fosse um valor representativo da tal franja de cidadãos com dificuldades financeiras, face à realidade económica nacional.
Além disso, o estudo recomenda ainda uma redução da dedução fiscal no IRS das despesas com a saúde, dos actuais 30 para apenas 10 por cento. É ainda equacionada a criação de um imposto para a saúde, dependente dos rendimentos do utente.
Mas este estudo tem ainda a sua “cereja em cima do bolo”.
Assim, os doentes que fizerem um «uso excessivo» de consultas sem justificação clínica, nos serviços públicos de saúde, devem pagar mais, bem como a compartição pelo SNS das consultas de um utente, que não seja doente crónico ou não tenha de realizar tratamentos prolongados, deveria limitar-se a três por semestre.
Aliás parece-me óbvio que, excluindo os casos patológicos, qualquer cidadão desta república das bananas (mesmo sem bananeiras) tenha o prazer de necessitar de cuidados médicos, sempre que o tédio lhe assolar a alma.
Para o Ministério da Saúde e para o brilhantismo do Sr. Ministro Correia dos Santos, os cidadãos deste país são viciados numa matiné qualquer hospitalar, como o são com o tabaco, o café ou o álcool.
Portanto… taxe-se!
Pela nossa saúde.
publicado por mparaujo às 23:39

Há factos que são históricos e que fazem parte do património cultural português.
No entanto, há, igualmente, realidades sociais, políticas e culturais actuais que "teimam" em negar e contrariar tal património.
Isto lembrou-me a minha amiga cegonha "Matilde".
Pelos vistos ontem teve um daqueles domingos sociais. No chá das cinco, uma das suas amigas (monárquica de sete penas) fez questão de lembrar a data histórica de ontem: 24 de Junho de 1128 - Batalha de S.Mamede.
A Batalha de São Mamede foi uma guerra travada entre Dom Afonso Henriques e as tropas de sua mãe, D. Teresa e do conde galego Fernão Peres de Trava, que se tentavam apoderar do governo do Condado Portucalense. As duas facções confrontaram-se no campo de São Mamede, perto de Guimarães.
Com a derrota, D. Teresa e Fernão Peres abandonaram o governo condal, que ficaria assim nas mãos do infante, futuro primeiro Rei de Portugal. D. Teresa desistia assim das ambições de ser senhora de toda a Galiza.
Resumindo, começou desta forma a nossa desgraça nacional.
publicado por mparaujo às 22:46

23
Jun 07
Publicado na edição do dia 21.06.07 do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
Voka Puro… ou com gelo.

Primeiro as premissas:
1. Os Estados Unidos ainda são a super-potência dominante.
2. Existe alguma emergência das potências regionais.
3. A unipolaridade americana é contrabalançada pela necessidade que a Administração das terras do Tio Sam tem em conciliar posições conjuntas e em estabelecer alianças.
4. A União Europeia e a Rússia não se devem afastar.
5. A Guerra-Fria terminou no princípio da década de 90, ou não!
E esta última questão pode ser particularmente sensível à agenda europeia da presidência que Portugal se prepara para assumir.
Até que ponto as relações NATO ou PESC e a Rússia poderão exercer alguma influência no esfriar do reatar do conflito político e geoestratégico entre a Rússia e os Estados Unidos, a propósito do dossier anti-mísseis? Os laços entre americanos e russos estão, claramente, maus e instáveis.
Porque se pode parecer utópico falarmos no reatar do antigo cenário da guerra-fria, não deixa de ser notório (como ficou demonstrado na recente cimeira do G8) que existe, hoje, um confronto geopolítico emergente entre a Rússia (Putin) e os Estados Unidos (Bush), reavivado pelo anúncio da instalação, por parte dos americanos, de bases anti-mísseis na Europa e mais concretamente em países europeus outrora pertencentes ao antigo domínio da URSS (Polónia e República Checa, como exemplos).
Porque razões?! (pelo menos as mais perceptíveis e mais óbvias).
Esta reacção do Presidente Putin a este novo contexto na defesa europeia, tem como suporte o "complexo" da perda da influência no pós guerra-fria e no desmembramento da antiga URSS, pelo facto de os instrumentos serem instalados em países de Leste, nomeadamente Polónia e República Checa, outrora aliados da Federação Russa.
Além disso, a crescente influência política, económica e militar da zona euro-atlântica (derivada dos processos de solicitação e de adesão dos países de Leste) que se estendeu até às fronteiras Russas, através da NATO e da UE, cria alguma sensação de instabilidade, receio e “estrangulamento” geográfico, bem como o facto de Moscovo manter a determinação em garantir a sua capacidade de dissuasão nuclear em relação a Washington.
Do ponto de vista geopolítico, este é um ponto psicológico crucial para a elite política e militar russa, principalmente numa altura em que se perspectiva uma eventual mudança de poder.
Para Moscovo, o plano americano de defesa anti-míssil, tem como objectivo consolidar a influência geopolítica americana na Europa. Deste modo, o discurso retórico e as ameaças de Putin visam claramente dividir governações e a opinião pública europeias, numa altura crucial para a consolidação (ou não) da fragilizada identidade da União, com o retomar do processo do Tratado Europeu e as consequências dai resultantes para a afirmação do papel e influência da instável e vaga Política Europeia de Segurança e Defesa na sua relação com a NATO.
Por outro lado, em termos políticos, os dois estados vêm-se envolvidos em estratégias internas e externas que, embora semelhantes nos objectivos, têm impactos globais distintos e que condicionam eventuais acordos, consolidando e sustentando este novo “braço de ferro”: para a Rússia a questão da Chechénia, para Washington a invasão do Iraque. E se o desconforto político e social é visível nos dois estados, não deixa de ser relevante que neste campo, apesar da “impunidade” oferecida pelos americanos aos russos nos seus feitos dizimadores internos, os Estados Unidos, recebendo um “aparente” silêncio e apoio no caso Iraque, necessitam mais do apoio político russo para questões fulcrais como os “dossiers” Coreia do Norte e Irão.
Para além do aspecto político, convém relembrar o importante peso económico regional da Rússia, pouco preocupada com a inflação petrolífera da zona do Golfo, resultado de um monopolização das fontes energéticas na zona asiática e o impacto que tem nos países do leste e centro da Europa (a Rússia teima em não ratificar a Carta Energética Europeia, por mais insistência que haja da UE).Assim, é difícil determinar se este recente conflito culminará no retorno ao passado do confronto político e estratégico do período pós II Guerra Mundial (até porque as realidades políticas e geográficas são diferentes). Mas é certo que culminará numa nova guerra-fria, já que é ilusório pensarmos que a Rússia adormeceu militarmente, tecnologicamente, economicamente e estrategicamente. Se tal aconteceu, durante a década de 90, pelas alterações geopolíticas resultantes da queda do muro de Berlim e do desmembramento da URSS, não deixa de ser notória a influência política, militar e económica, as novas alianças geoestratégicas e as recentes movimentações militares que a Rússia tem desenvolvido na zona mais a Leste da Europa e na Ásia.
publicado por mparaujo às 16:43

21
Jun 07
Oh Elvas. Oh Elvas... Badajoz à vista!
Segundo o Público on-line do dia 19.06.07, após o encerramento da maternidade de Elvas, em Junho do ano passado, durante este primeiro ano, registaram-se 260 mulheres portuguesas que deram à luz na maternidade espanhola de Badajoz.
Contributo eficiente para uma mais forte ligação à vizinha Espanha, fazendo prever (que mais não seja por razões afectivas) uma maior expressão percentual num próximo inquérito referente a uma mais que previsível "invasão" espanhola (no último 43% dos portugueses afirmou não ter qualquer complexo em ter nacionalidade espanhola - a bem da verdade... eu também não).
Segundo a referida notícia a maternidade materno-infantil de Badajoz realizou, neste período de um ano, 796 consultas a portuguesas, recebendo 454 mulheres grávidas com problemas durante a gestação.
Oh Elvas. Oh Elvas... Badajoz à vista e Évora e Portalegre cada vez mais longe.
Ainda vamos ver içar a bandeira espanhola naquela localidade e termos mais um dossier tipo "Olivença" para gáudio dos historiadores.
publicado por mparaujo às 08:04

20
Jun 07
Aproveitando esta réstia de calor, mesmo na véspera do dia que marca o início do Verão (onde é que ele pára?), a minha cegonha Matilde teve a visita da sua prima de Paris - Claudette.
Cuscas… ninguém consegue imaginar pior que aquelas duas juntas.
Intrometidas em tudo o que não lhes diz respeito, é uma verdade. Mas nada de mentiras. Isso não… mentir é feio, mesmo para uma cegonha.
Vai daí que a Matilde veio logo a voar contar-me a última novidade lá da Europa.
Então não é que a prima Claudette ouviu dizer (ou melhor - ouviu grasnar) que os salários em Portugal deverão aumentar apenas 0,3% este ano e 0,2% no próximo ano, de acordo com as previsões da OCDE. Os mesmo dados apontam para que o emprego cresça apenas 0,7% este ano, 0,7 pontos percentuais abaixo da média dos 15 mais antigos Estados membros da EU.
A média dos aumentos entre os países da OCDE será, de acordo com o referido relatório 1,4 por cento em 2007 e de 1,7 por cento em 2008.
Ainda tentei argumentar, que não deveria ser bem assim, que não podia ser verdade, que se calhar a Matilde não percebeu bem o francês; mas qual quê. Ainda se virou a mim. Sim porque ela até tirou um curso intensivo de Verão, no ano passado.
publicado por mparaujo às 23:57

Isto faz-me lembrar os jornais desportivos no defeso. Como não há as habituais polémicas de cada jornada (os penaltis, os fora de jogo, os resultados imprevisíveis), inventam-se notícias, histórias, contratações e “descontratações”.
Como no futebol, assim na vida.
Como se no mundo e nos homens não houvesse, de facto, nada mais importante que a condução automobilística. E nem mesmo os dados reais e dramáticos da sinistralidade rodoviária justificariam tal tomada de posição tão terrena.
Vaticano cria os “10 mandamentos” do bom motorista.
Das 10 regras fundamentais para o exercício rodoviário, destacam-se o óbvio - “Não guiarás sob influência do álcool. Respeitarás os limites de velocidade.” (curiosamente falta a questão dos estupefacientes) e a “cereja no cimo do bolo” - “Não considerarás o carro como objecto de glorificação pessoal, nem o usarás como local de pecado”. Soberbo.
Malta nova (e alguma mais velha), acabou-se o rebatimento dos bancos da “voiture”. Isso, para além de poder ter consequências ao fim de nove meses, também dá direito a excomunhão.
E já agora, é possível pedir perdão pelas infracções em vez de pagar a respectiva multa (coima)?
E, por último… será que Deus tem carta de condução?
Valha-nos Deus…
publicado por mparaujo às 23:28

17
Jun 07
No dia em que se celebra o Dia Mundial da Desertificação e da Seca, com o lema «Desertificação e Alterações Climáticas: um desafio global» e segundo a Agência Espacial Europeia, Portugal é um dos três países mais desertificados da Europa, juntamente com a Itália e a Turquia.
A análise é feita com base em imagens do sistema de satélite europeu e insere-se num projecto que está a ser desenvolvido em conjunto com a Convenção das Nações Unidas para a Luta contra a Desertificação (UNCCD).
Segundo o estudo, o nível de desertificação nos três países - Portugal, Itália e Turquia - é dos mais elevados da Europa.
As projecções dos estudos e das análises, até à data, realizadas pela AEE, estimam que a desertificação - processo de degradação da terra provocado, por exemplo, pela actividade humana, põe em risco a saúde e o bem-estar de mais de 1.200 milhões de pessoas em mais de 100 países.
publicado por mparaujo às 12:26

Desta vez não se trata da questão do Iraque e não terá a presença cómica de George Bush.
Mas também não deveremos andar muito longe de alguma comédia ligeira ou então mesmo à beira de uma tragédia grega.
Termina hoje, nos Açores, o Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses.
A principal relevância deste congresso resulta na deliberação aprovada por maioria mandatando a direcção da associação para continuar a negociar com o Governo para transferência de competências na educação, saúde, acção social, ambiente e ordenamento do território.
Mas simultaneamente a esta decisão maioritária, sabe-se da preocupação dos autarcas com os retrocessos dos processos da descentralização, subsidiariedade e autonomia, e da aprovação da nova Lei das Finanças Locais que vem agravar as assimetrias regionais já existentes no nosso país.
Por outro lado, o congresso alerta igualmente para uma gestão extremamente centralizada do próximo Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), para o período 2007/2013.
Sendo assim, se existem estas preocupações legítimas, se os mesmos autarcas têm (ou deviam ter) o conhecimento da realidade do desenvolvimento local e das suas finanças e se existe todo este descontentamento, para quê avançar com estas medidas?
Para quê apostar em estratégias que, face às indifenições das políticas nacionais, nomeadamente no sector da regionalização e descentralização, só vão provocar um maior caos na gestão autárquica deste país?
O Poder Local começa a dar sinais de esvaziamento político e da sua missão, não só pela pressão do Poder Central , mas igualmente pelo recurso à liberalização da sua gestão.
Não tardará o dia em que as Autarquias sejam meros serviços locais da administração central.
publicado por mparaujo às 11:20

Dia da Convenção de Combate à Desertificação - ONU.

O Ministro Mário Lino vai representar Porugal. Não só pelos seus excelentes conceitos geográficos, mas igualmente por ter proporcionado, com o seu recuo (ainda por provar a sua verdadeira intencionalidade) em relação à OTA, o aproveitamento e o desenvolvimento do seu "deserto" a Sul do Tejo - Alcochete.


publicado por mparaujo às 11:07

Esta é a demonstração real da máxima "mais vale tarde que nunca".
E assim foi... Mississipi em Chamas (um dos melhores filmes já produzidos na abordagem da questão racial, de 1988 e realizado por Alan Parker, com Gene Hackman no principal papel) foi a julgamento.
James Seale, ex-polícia e membro do Ku Klux Klan, foi condenado pelo rapto e morte de dois jovens negros em 1964, em plena crise dos direitos cívicos nos Estados norte-americanos do Sul. Para as famílias das vítimas, a justiça foi feita ainda que tarde.
Para a justiça portuguesa e especialmente para os suterfúgios que permitem "esconder" a verdade, desculpar os responsáveis e prescerver a culpabilidade, fica o exemplo.
Mais vale tarde que nunca...
publicado por mparaujo às 10:36

16
Jun 07
Recordemos David de Jesus Mourão-Ferreira, falecido há precisamente um ano.
Escritor, poeta e romancista, foi também director do jornal A Capital e director-adjunto do O Dia. Foi igualmente político, desempenhando em 76-78 e 79 o cargode Secretário de Estado da Cultura.
Da sua poesis destaca-se:
1954 - Tempestade de Verão (Prémio Delfim Guimarães)
1967 - A Arte de Amar (reunião de obras anteriores)
e da sua Narrativa:
1959 - Novelas de Gaivotas em Terra (Prémio Ricardo Malheiros)
1980 - As Quatros Estações (Prémio Associação Internacional dos Críticos Literários)
1986 - Um Amor Feliz (Romance que o consagrou como ficcionista valendo-lhe vários prémios)
publicado por mparaujo às 23:53

14
Jun 07
Estava eu surpreso a ler uma notícia que dava conta de que o Ministro da Saúde, Correia dos Campos, pela primeira vez desde que cismou que tinha de encerrar tudo a torto e a direito (mais para o torto do que a direito), ordenou a reabertura do serviço nocturno no Serviço de Atendimento Permanente de Vendas Novas, em cumprimento de uma decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, quando chegou voando a minha amiga cegonha “Matilde”.
O Serviço de Atendimento Permanente (SAP), responsável pelas urgências durante 24 horas/dia no centro de saúde de Vendas Novas, tinha encerrado as portas a 28 de Maio.
Entretanto, o município de Vendas Novas, tinha interposto uma providência cautelar.
Portanto, pensava eu com os meus botões, a justiça portuguesa funciona.
Mas a “Matilde”, sabedora destas coisas misteriosas, tratou logo de me contrariar.
- Olha que não Migas. É só coincidência e tapar olhos, disse ela! E continuou a "palraria".
É que na, terça-feira (dois dias antes da decisão judicial), uma senhora, de 51 anos, foi vítima de uma paragem cardíaca e morava a 500 metros do tal centro de saúde de Vendas Novas. Morreu a caminho do Hospital de Évora, a cerca de 50 quilómetros de distância.
A política tem cada coincidência… Pela minha saúde!
publicado por mparaujo às 22:57


Ou relembrando essa excelente obra de Herman Hess - "O Elogio da Velhice".
"Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda", afirmou o escritor José Saramago na conferência "Lições e Mestres", em Santilhana del Mar, no norte de Espanha.
Saramago no seu melhor...
publicado por mparaujo às 22:44

publicado na edição de hoje (14.06.07) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
A Leste tudo de novo.

Numa altura em que Portugal se prepara para assumir a presidência da União Europeia, independentemente dos objectivos já traçados pelo Primeiro-Ministro português, há dois desafios relevantes que se colocam: a fragilizada identidade comum europeia e os desafios geoestratégicos e geopolíticos a Leste.
O sucesso da presidência europeia e as implicações que poderá ter para as presidências seguintes passa muito pela forma como conseguir lidar com essas duas problemáticas.
A continuação da construção de uma Europa mais solidária, agrupada em valores, princípios e objectivos comuns, já mostrou num passado recente, com a recusa do Tratado, não ser uma tarefa fácil (independentemente dos apelos do Dr. Durão Barroso). A aceitação do actual modelo europeu começa a dar mostras de muita inquietação e descrédito nos cidadãos. Reflexo disso foram os resultados do último referendo à Constituição e sondagens recentes que revelam, por exemplo, que a maioria dos alemães preferia abandonar a zona Euro e regressar ao Marco Alemão.
A UE “vive” confrontada com o excessivo peso da economia alemã, com a demagogia política francesa e com a relevância geopolítica da Inglaterra. O resto é paisagem… ou se quisermos mesmo, “desertos à moda do sul do Tejo”.
Além disso, a Europa, demagógica e hipocritamente, defende princípios globalizados e tolerantes que, na realidade do dia-a-dia dos seus Estados membros, sabe que não os pratica. Para além da referida crise de identidade comum, existe uma inábil capacidade para lidar e interagir com o crescente confronto social, político e religioso com o mundo islâmico.
Num recente artigo publicado na revista Visão, o Dr. Pedro Jordão referia que é legítimo questionarmos se “a Turquia está preparada para a Europa”. No entanto, não deixa de ser igualmente relevante “inquirir se a União Europeia está preparada para a Turquia”. E isto porque os argumentos que levam a UE a colocar em cada conversação e diálogo com a Turquia, são inúmeros obstáculos que apenas significam uma forma camuflada de não ter a coragem para assumir a sua responsabilidade política. E acima de tudo, argumentações que escondem uma realidade intercultural que é hoje uma realidade social e cultural na Europa, porque a UE não sabe afirmar-se como “integradora”, apenas definindo-se como “assimiladora”, que são conceitos interculturais distintos e com resultados, políticos, económicos e sociais, bem diferenciados.
A União Europeia revela uma insensatez política ao esquecer (ou querer esquecer) que “alberga” hoje mais de 20 milhões de islâmicos, sendo este o grupo com maior crescimento demográfico previsto. E com isto não quero defender que é pacífico e despreocupante este “repovoamento” europeu e sua consequente interacção cultural. Provam-no os conflitos sociais e raciais em França, já para não falar das caricaturas da imprensa Dinamarquesa. Mais importante ainda, sabendo-se que hoje os conflitos ideológicos têm um rosto mais expressivo a que não estávamos habituados: o terrorismo. E sendo esta uma das armas de afirmação política, ideológica, cultural e religiosa recorrente no mundo islâmico (ou numa pequena percentagem que se traduzem em números reais cerca de 50 milhões de radicalistas e fundamentalistas, num universo estimado de 1.200 milhões) não convém a qualquer país ou região descorar esta realidade e combater a proliferação das células terroristas. Mas esta é uma realidade existente com ou sem integração europeia da Turquia. Até porque convém relembrar, que no caso dos incidentes de Madrid bastaram 4 pessoas para efectuar o atentado.
Por outro lado, a UE parece querer esconder outros factos políticos e históricos relevantes na problemática da adesão (infelizmente, cada vez mais virtual) da Turquia: este país é membro efectivo da NATO desde 1952, com a maior força armada dos países europeus (o que significa, em termos muito básicos, que, em situação de confronto bélico, eles “dão a vida” por nós ou, em situação inversa, nós teremos que “dar a nossa” por eles. Além disso, a Turquia é membro da Conselho da Europa há mais tempo que a Alemanha e a Espanha. Acresce ainda que, aquele Estado, aboliu a pena de morte primeiro que alguns estados da UE tão defensores dos direitos humanos e das liberdades.
A Europa comete o erro vital para a sua afirmação geopolítica na região e neste mundo cada vez mais uni-lateral (peso cada vez maior dos Estados Unidos), ao subestimar e travar a adesão a um país com um peso estratégico enorme no Médio Oriente e na Ásia Central, pelo seu património estratégico, histórico, cultural, político e, essencialmente, económico.
A Turquia é uma crescente potência regional numa zona estrategicamente vital do globo.
A Europa uma identidade perdida.
publicado por mparaujo às 12:47

11
Jun 07
O retomar da problemática da OTA começa a ter contornos que ultrapassam o racional, o lógico e o bom-senso.
Tudo parece começar a delinear, não a credibilidade ou racionalidade de um projecto megalómano ou a problemática da sua localização (tendo em conta critérios ambientais, de mobilidade e acessibilidade, de estruturação eficaz), mas um debate que apenas se centra no "combate" e confronto político entre uma governo maioritário (com a sua opção tomada) e uma oposição que apenas tem o objectivo de retirar protagonismo ou eventual eficácia governativa a quem detém o poder.

No encerramento do debate sobre o novo aeroporto de Lisboa, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, afirmou que o Governo vai fazer estudos comparativos entre a Ota e Alcochete, para saber qual destes é o melhor local para construir o novo aeroporto de Lisboa.
(RTP on-line)
A oposição foi unânime na saudação ao "recuo" do Governo por decidir estudar a alternativa Alcochete para construir o novo aeroporto, enquanto que o PS elogiou a "abertura" demonstrada pelo executivo para estudar uma proposta da sociedade civil. (RTP on-line)

Entre saudações e elogios, resta-nos a revolta e angústia.
Mas será que ninguém coloca a questão de não ser necessário, nem fundamental e nem realista, um novo aeroporto?!
(actualização)
Uma voz concordante no Aristália (Susana Barbosa) para ler atentamente aqui:
publicado por mparaujo às 23:23
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10
Jun 07
Anda cá pelo nosso burgo, uma interessante paixão por aves. Daquelas mensageiras e vacinadas contra a gripe. Elas são andorinhas, mochos e mais que tal.
Pois os Arcos entraram na moda. Ora aqui está a minha amiga cegonha, Não sei se mais mentireira que as outras ou não. Nem me interessa. Mas é sabida a minha amiga "Matilde". Oh sim... sabe-a toda a malvada. Isto também porque está habituada a altos voos e tem uma obcessão incurável pelo seu complexo de altivez. Enfim... "cegonhices"!
E não pensem que, lá por não trazer fralda nobico, que a minha cegonha é estéril. Isso não... antes pelo contrário. Já me constou que a deparvada avia tudo o que é macho, ali para os lados das chaminés e postes electréticos da A25, na zona de Cacia e Taboeira.
E a minha amiga cegonha também me segreda ao ouvido. Diz umas coisas!
Como por exemplo, que ali para os lados do Norte, mais concretamente, na zona do Porto, reina a maior das confusões.
Ela (Directora da DREN) diz que ele disse. E afinal, ele (Prof. Charrua) também diz que ela também disse. E quem acaba por ser dito, é sempre o mesmo (José Sócrates).

Shakespeare não diria melhor: "Entre dizer e também dizer, eis a mesma questão". As consequências é que são diferentes.
publicado por mparaujo às 22:19

As Câmaras Municipais deste inovador e sempre surpreendente país, vão passar a ter outro tipo de finalidade pública, com ou sem muito déficit: vão passar a ser Instituições Particulares (públicas) de Solidariedade Social.
Isto porque, se se concretizar o próximo acordo entre o Govenro e a Associação Nacional de Municípios (que terá de mudar de denominação social), o Estado vai transferir para as Câmaras 36.000 funcionários execedentes do sector da educação, e protocolar a transferência de responsabilidades de implementação e de construção de equipamentos na área da saúde e da acção social, para as Câmaras Municipais.
Quando a maioria das câmaras deste país se debate com problemas financeiros gravíssimos e com excessivos quadros de pessoal, eis que o governo decide dar uma "mãozinha" e complicar a realidade já em si preocupante.
Será que se vão transferir competências, ou desresponsabilizar o estado e afundar (ainda mais) o poder local?
publicado por mparaujo às 22:03

09
Jun 07
Publicado no Diário de Aveiro, na edição de 5ª feira (07.06.07).

Crónicas dos Arcos
“3 em 1”. Breves notas…


A OTA não voa.
A economia, a produtividade, o poder de compra, o emprego e o desemprego, o endividamento familiar e empresarial, as taxas de juro, a insegurança laboral, a corrupção, a educação, a saúde, a assimetria regional do país, são temas que, independentemente do posicionamento individual, são uma realidade do quotidiano de cada um dos cidadãos.
No entanto, a agenda do mediatismo político (na maioria dos casos agregado à sua mediocridade) obriga à reflexão de outras questões nacionais.
Depois de muitos estudos e encargos inerentes aos mesmos e depois de polémicas e inúmeros debates (entre muitas prepotências), e quando já nada o fazia prever (apenas o “deserto” da margem sul do Tejo), eis que o tema OTA volta à análise política e pública. Pelo bom senso… Mas será que pelas melhores razões analíticas? O que será mais importante agora debater? A sua localização mais a norte ou a sul? Penso que o país e os portugueses necessitam é de uma análise mais objectiva: é urgente, impreterível e importante para o desenvolvimento nacional um novo aeroporto?! E já agora, por exemplo, esta questão poderia ser referendada. Porque não?!

O ensino informatizado
Há um recém anuncio governamental (e logo pelo voz do seu responsável máximo) do investimento na informatização escolar e como incentivo ao desempenho académico dos alunos.
Embora a realidade do ensino no nosso país tenha outras questões que merecem maior preocupação (a realidade profissional dos docentes, uma reforma do ensino consistente, o descuidado e irrealista encerramento de inúmeras escolas primárias, o insucesso escolar e a inadaptação do ensino, etc.), permito-me concordar, genericamente, com a aposta governativa.
Como refere o sociólogo espanhol Manuel Castells, a realidade actual da sociedade assenta nas novas tecnologias da informação. E esta é uma realidade que já ninguém, nesta dimensão social globalizada pode colocar em causa.
Não aceitar e não perceber este novo conceito de construção social e de interacções através das novas tecnologias, é correr o maior risco que esta realidade comporta: a infoexclusão, que gere maior distanciamento entre aptos e inaptos, entre desenvolvidos e subdesenvolvidos e entre ricos e pobres (sejam eles a nível individual ou colectivo).
É certo que os problemas de fundo que afectam o nosso sistema de ensino (básico, secundário e, até mesmo, superior) devem ser, obviamente, prioritários. Mas que essa prioridade não provoque, simultaneamente, a estagnação da sociedade e do seu desenvolvimento, nomeadamente, através das gerações futuras e da sua capacidade para não perderem o “comboio” (já em andamento) da realidade tecnológica dos dias de hoje.

Cheira a Lisboa…
Não se trata da canção popular ou da antecipação das marchas que se avizinham.
Mas sim da antecipação eleitoral no município da capital.
Lisboa tem esta vertente (goste-se ou não) de ser o espelho e o reflexo da realidade social e política nacional.
E estas eleições intercalares são a prova dessa mesma realidade.
O reflexo do endividamento autárquico e da desajustada lei das autarquias, bem como da gestão de muitos dos municípios.
O reflexo da problemática da corrupção, do compadrio, da promiscuidade e do pouco cuidado (ou nenhum) com o bem público.
O reflexo da questão polémica das reacções do poder político com os outros sectores da sociedade.
Mas também, e acima de tudo, o reflexo da realidade política nacional, com as lacunas governativas e com os erros da fraca oposição. E esta última realidade, colocará duas questões pertinentes, após os resultados eleitorais em Lisboa: Serão estes uma antecipação das próximas eleições legislativas (apesar da distância de dois anos, é relevante o empenho do primeiro-ministro na campanha do candidato do PS - António Costa)? E até que ponto, o descontentamento dos cidadãos para com a classe política e os partidos, possa relançar, de novo em período eleitoral, a temática em torno dos movimentos cívicos e da sua importância sócio-política?
A ver vamos… que Santo António os proteja.
publicado por mparaujo às 11:44

08
Jun 07
A morte é sempre estúpida. Sim! Pura e simplesmente, estúpida. Seja com quem for… seja em que circunstância for.
A desculpa é sempre a mesma: é a vida! Eu diria então que “bosta” de vida.
Todos nós, pelo menos a partir de uma determinada idade, sabemos que a condição existencial do homem é sempre a mesma: nasce, cresce e morre. É este o fado da vida humana. Não há alternativa.
Mas por mais compreensível que seja esta realidade (que, em determinadas circunstâncias e momentos, nos trás à memória a inevitável questão: então que sentido tem tudo isto?), não conseguimos ser indiferentes a uma revolta e angústia interiores, quando alguém deixa esta vida terrena e parte para, por muitos conceitos, crenças e fé que se tenham, não se sabe bem para onde.
Ainda mais nos dói, quando esse alguém nos diz algo, nos é próximo, nos faz recordar a vida nos seus momentos bons e maus e nos obriga a gritar (mesmo que num silêncio agudo) bem alto: NÃO! Todos menos esse…
O problema é que esse (e nós) também faz parte do “todos”.
E faz parte também de nós.
Do nosso imaginário, do nosso tempo de juventude, de quando nos sentíamos donos e senhores do mundo, da sociedade, da intervenção, da nossa fé.
Nos sentíamos no direito e com direito a contestar, a apoiar, a marcar a diferença. A entregarmo-nos de corpo e alma (às vezes mais o corpo outras vezes só a alma) às nossas convicções, às nossas lutas.
Muitas vezes dizemos que o mundo ficou mais pobre quando alguém mediático, importante nos sectores da sociedade, morre.
TRETAS!
O mundo, o nosso mundo, fica mais pobre apenas quando alguém, por quem nutrimos o respeito e a amizade, nos “deixa”. Aí sim… a vida estremece.
O mar tirou-te a vida… O mar ficou mais cheio com a nossa dor e as nossas lágrimas.
Silvino Oliveira… Até sempre, comanheiro.
publicado por mparaujo às 13:00

07
Jun 07
O Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, garantiu ontem, na Comissão Paralamentar das Obras Públicas, que não tem qualquer obsessão pela OTA.

Claro que não, Sr. Ministro!
É mesmo um caso de necessidade de internamento terapêutico.
publicado por mparaujo às 13:06
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Portugal, a sua política, os seus políticos e a sua pequenez governativa (seja ela qual for), tem a interessante vicissitude de instaurar medidas, muitas das vezes com fraca ou total ausência de sustentabilidade e realismo, sem se preocupar com as suas consequências sociais, culturais e económicas e, mais preocupante ainda, sem se preocupar com a complementaridade que essas medidas necessitam e exigem.
É assim em tudo, neste rectângulo à beira-mar plantado.
Fecham-se escolas e desertifica-se o interior do país (e no caso do Ministro Mário Lino - o sul também), projectam-se aeroportos megalómanos, perspectiva-se um país tecnológico mas sem infra-estruturas, sem desenvolvimento sustentado e com uma realidade social degrada, fecham-se centros de saúde, maternidades e urgências sem qualquer base sólida e socialmente coerente, apenas por questões (mesmo essas duvidosas) economicistas.
Provas?! Muito simples...
Na passada terça-feira, mais um bebé nasceu numa ambulância, desta vez na zona de Lamego. A mãe, já em trabalho de parto, estava a ser transportada para o Hospital de Vila Real. No espaço de um mês, esta é a terceira criança a nascer na mesma ambulância.
O parto era para ter acontecido em Vila Real, mas o bébé não "quis" esperar e o parto aconteceu em plena serra de Lamego.
Desde que a maternidade de Lamego fechou que as grávidas da zona são encaminhadas para o Hospital de Vila Real.
Qualquer dia temos a reestruturação dos processos de registo na conservatória: "local de nascimento, por favor?". Resposta: "algures ao quilómetro x da estrada nacional y (ou mesmo um caminho e cabras qualquer)".
Enfim... se morrer é triste, nascer começa a ser patético.
publicado por mparaujo às 12:33

06
Jun 07
A reunião do G8 na Alemanha está envolta na polémica e no confronto USA-Rússia, a propósito do sector Defesa e da instalação do escudo "anti-mísseis na Europa.
Esta reacção do Presidente Putin a este contexto de defesa, tem como suporte o "complexo" da perda da influência no pós guerra-fria e no desmembramento da antiga URSS, pelo facto de os instrumentos de defesa serem instalados em países de Leste, nomeadamente Polónia e República Checa, outrora aliados da Federação Russa.
Por outro lado, a crescente influência (derivada dos processos de solicitação e de adesão dos países de Leste) da NATO até às fronteiras Russas cria alguma sensação de instabilidade e receio.
É difícil determinar se este recente conflito culminará no retorno ao passado do confronto político e estratégico do período pós II Guerra Mundial (até porque as realidades políticas e geográficas são diferentes). Mas é certo que culminará numa nova guerra-fria, já que é ilusório pensarmos que a Rússia adormeceu militarmente e estrategicamente. Se tal aconteceu, durante a década de 90, pelas alterações geopolíticas resultantes da queda do muro de Berlim e do desmembramento da URSS, não deixa de ser notória a influência, as novas alianças geoestratégicas e as recentes movimentações militares que a Rússia tem desenvolvido na zona mais a Leste da Europa e na Ásia, nomeadamente com a China.
Avizinham-se por isso, tempos controvados e inquietantes.
Depois não digam que não avisei.
Como se isso tivesse algum peso, mas enfim... está dito, está dito.
publicado por mparaujo às 13:41
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No dia em que está previsto o anúncio do Banco Central Europeu no aumento das taxas de juro para 4%, relembra-se a divulgação ontem (06.06.07) do Relatório de Estabilidade Financeira de 2006 do Banco de Portugal: as famílias portuguesas vão ter mais dificuldade em pagar as suas dívidas, principalmente aquelas com menores recursos, mais propensas a situações de desemprego ou trabalho temporário e a necessidade do recurso ao crédito. Acresce a referida subida da taxa de juros.
Outro dado relevante, refere-se a 2006 e indica que a taxa de crédito bancário concedido aumento 10%.
É certo que a medida do aumento da taxa de juro é definda pelo Banco Europeu, mas ela deveria ter medidas internas (quer governativas, quer das instituições bancárias) que deveriam minimizar um impacto que tem reflexos ao nível familiar, a nível económico e do desenvolvimento nacional (sendo certo que a nação portuguesa, na versão Mário Lino, é a que corresponde ao deserto do sul e ao oásis do norte).
publicado por mparaujo às 01:59

03
Jun 07
Para quem desejar saber alguma coisa (para já pequena) sobre o que se vai fazendo no curso de comunicação do ISCIA (turma do 1º ano) indico o link para o Blog "COMMUNICARE".
publicado por mparaujo às 20:00

Vem este a propósito das palavras, como sempre eloquentes, do ilustre Terra & Sal, ao comentar o post anterior.

De facto, o ser humano (pelo menos o português, mas penso que é condição universal) tem uma avidez desmedida pelo trágico, pelo macabro, pela infelicidade. No caso luso, esta é uma das características da nossa identidade nacional, como nos diz Eduardo Lourenço: o fado, o destino, a tragédia.
Em pleno século XXI ainda continuamos a ser (para muitos, orgulhosamente) o país dos coitadinhos.
E é em torno desta mistificação da nossa existência que a vida de muito boa gente vai desfilando no dia-a-dia. E se a tragédia tem a potencialidade de tomar proporções mediáticas e de realce público e global, então mais facilmente “afiambramos” a questão.
Infelizmente, como em tudo na vida, esta triste realidade provoca óbvios e legítimos sentimentos de revolta e frustração, a quem, nas mesmíssimas condições, não foi dado o devido destaque e importância.
Foi este um dos aspectos que me interessou focar e demonstrar no post (e artigo no Diário de Aveiro) anterior.
Mas há um outro lado que importa referir e analisar de forma mais abrangente.
E o papel dos media neste contexto? Qual a sua capacidade ou vontade de criar fluxos de informação que gerem verdadeiro conhecimento, sem entrar em mediatismos, populismos e uma informação sem credibilidade?
Esta é outra vertente que pretendi abordar no meu post/artigo anterior.
A comunicação social de hoje, nomeadamente a portuguesa, vive, no meu entender, uma crise de identidade e de afirmação muito grande. Pelo menos uma afirmação que não caia no facilitismo, no populismo ou na mediocridade.
No caso concreto da criança inglesa, os media portuguesas não souberam ser impunes a uma pressão externa (dos media ingleses); não souberam ser isentos na abordagem de uma problemática que já teve casos semelhantes em Portugal e não foram tão exaustivamente abordados (nem apoiados); não souberam ser dominantes, do ponto de vista cultural, por forma a exercer uma capacidade informativa e educativa junto da população; e não foram capazes de não ser influenciados pelo receio do impacto negativo que o caso teve, tem ou poderá vir a ter, numa região que, do ponto de vista turístico, é a mais privilegiada do país.
Infelizmente, é este o cenário dos media que vivemos hoje no nosso país. Um país que vive, no campo da comunicação e da cultura, na triste realidade da “Bela e o Mestre”, dos Big Brothers e afins.
Por outro lado, era já altura de os meios de comunicação social terem a capacidade de promoverem uma país culturalmente mais forte.
Esta incapacidade de afirmação, “receio” de não serem isentos, num mundo globalizado como o do dia de hoje, é preocupante.
Qualquer meio de comunicação social, britânico ou americano (como exemplo), tem a sua tendência política e o seu princípio editorial baseado na finalidade de informar claramente, sem ter que ser “hipocritamente” isento ou imparcial.
Qualquer americano sabe que ao comprar ou ler um Washington Post ou um New York Times está a receber informação ligada ao sector Republicano ou Democrata.
Qualquer britânico que compre e leia um jornal inglês sabe que está a receber informação ligada aos Trabalhistas ou aos Conservadores.
Em Portugal vive-se uma hipocrisia e uma camuflagem desta vertente, obrigando a que os jornalistas sejam muito mais pressionados (até mesmo por questões contratuais e laborais) pelo peso economicista da sustentabilidade dos media.
É já altura para que o Jornalismo em Portugal possa ser visto, lido e ouvido de forma coerente e que seja, de facto, um motor cultural para o desenvolvimento social do país.
publicado por mparaujo às 19:40

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