Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

25
Mar 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 25 de março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Os Cofres Cheios e a Multiplicação

O discurso desenrolou-se num ambiente restrito embora público e não reservado. A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, encerrou as jornadas da JSD, que tiveram lugar, na passada semana (quarta-feira) em Pombal, com algumas considerações relevantes, como respostas a algumas interrogações levantadas pelos jovens sociais-democratas.
Das afirmações proferidas por Maria Luís Albuquerque importa reter duas, pela sua relevância política e social e pelo impacto que tiveram na agenda e o discurso político nacional.

A primeira diz respeito à preocupação expressa por alguns jovens quanto à questão da natalidade. É certo que a questão demográfica e o seu impacto no Estado Social conforme o estabelecemos hoje é um pilar significativamente importante. Tal como já abordado, por diversas vezes, encontra ainda paralelismo na problemática da emigração: um país envelhecido e desertificado tem resultados negativos do ponto de vista social e económico. E esta é, de facto, uma questão extremamente preocupante face aos dados que o INE e vários estudos têm divulgado no campo da demografia: até 2025 Portugal perder um terço da sua população, para a dimensão do país, é preocupante. Mas também deveria ser preocupante para o Governo o facto de não existirem condições de estabilidade de vida, de futuro, condições de empregabilidade e financeiras, impedindo que saiam, em quatro anos, cerca de 400 mil portugueses rumo ao estrangeiro. Ou que, para os que cá ficam, concretamente para os mais jovens, existam condições de estabilidade profissional, pessoal, familiar, social e económica, que possam transformar o discurso bíblico “crescei e multiplicai-vos” numa realidade concretizável e não num mero discurso político.

A segunda afirmação de relevo político proferida pela ministra das Finanças, diz respeito à questão da recuperação financeira e das contas públicas portuguesas. Maria Luís Albuquerque afirmou que Portugal tem “os cofres cheios” para poder honrar os seus compromissos (salários, pensões, reembolsos da dívida pública) e para fazer face a eventuais perturbações no funcionamento do mercado. Conhecida esta afirmação política da ministra o impacto no discurso político nacional não se fez esperar. A maior reacção teve reflexo na crítica ao custo desses “cofres cheios” e ao seu impacto no aumento da dívida pública. A ministra Maria Luís Albuquerque não nega o reflexo dessa realidade no valor total da dívida pública que tem, como é sabido, aumentado. Isso é óbvio e não deveria ser por aí que a oposição deveria ter criticado as palavras da ministra, que devem ser criticadas. Os “cofres cheios”, as tais almofadas orçamentais, resultam de empréstimos contraídos sobre os quais recaem juros. E isso é um processo financeiro normal e não poderá ser de outra forma. O Estado só consegue encontrar “almofadas” ou “cofres cheios” recorrendo a empréstimos e ao mercado financeiro. A questão passará, eventualmente, pela sustentabilidade da dívida e da capacidade de cumprir com os compromissos dos juros. É mais engenharia financeira, menos engenharia financeira.

A análise a esta afirmação da ministra das Finanças deve ser feita por outro prisma. O que significa ter os “cofres cheios” para o país (economia) e para os cidadãos (Estado Social). Do ponto de vista prático… Nada. Aliás, bem pelo contrário. Também no tempo do Estado Novo, Portugal tinha os cofres cheios de ouro (ou pelo menos constava que) e o país era demasiado pobre e atrasado (social, politica e economicamente). Não será tanto o caso actual… mas a verdade é que, apesar da diminuição, o desemprego é demasiado elevado; a economia e o sector produtivo não desenvolvem, nem crescem, nem recebem investimentos relevantes e significativos; os portugueses continuam a olhar para o seu futuro fora do país; a empregabilidade não estabiliza; o empreendedorismo não explode.

Por outro lado, os “cofres cheios” sem impacto directo na vida das pessoas e das empresas (redução da carga fiscal, melhor saúde, educação e justiça, melhores recursos sociais), espelham ainda uma outra preocupante realidade, aliás expressa pela própria ministra: a eventualidade de um novo desequilíbrio e falha no mercado financeiro. Ou seja, as “almofadas” não servem directamente os portugueses, mas reflectem a incerteza quanto ao futuro, a não garantia do sucesso do colossal esforço pedido aos portugueses nestes últimos quatro anos, e voltam, mais uma vez, para os mercados financeiros toda a atenção e preocupação, à custa de mais sacrifícios aos mais vulneráveis.

publicado por mparaujo às 10:01

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