Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

28
Fev 16

Je Suis.jpgA polémica em torno do cartaz do Bloco de Esquerda sobre a adopção por casais do mesmo sexo e que envolve a figura de Jesus trouxe, nos inúmeros comentários e criticas (pós e contra), o regresso da questão da liberdade de expressão e o caso do ataque ao jornal  Charlie Hebdo há pouco mais de um ano (7 de janeiro de 2015).

Já não bastava a infantilidade da mensagem do infeliz cartaz para vir a despropósito a acusação e a retórica de que somos "Charlie" apenas quando nos convém ou quando não nos toca directamente. Não, não somos... pelo menos não sou.

Como refere o título do post anterior (sobre a polémica) "Não está em causa a liberdade de expressão". E mesmo que se queira usar a demagogia deste argumento, a verdade é que a liberdade de expressão, o seu legitimo exercício, mesmo o direito à ofensa, não implica que quem se sinta atingido não se ofenda e não tenha direito ao recurso ao contraditório.

E sim... continuo "Je suis"... porque mesmo não gostando do Charlie Hebdo reconheço o direito à liberdade de expressão, mesmo que ela me ofenda. A grande diferença é que reconheço o meu direito a sentir-me ofendido e a criticar. A grande diferença é o recurso ao estado de Direito, às leis, à crítica. A grande diferença é que enquanto "Charlie" não me cabe o direito de matar como retaliação à ofensa e à liberdade de expressão.

Não... o cartaz do BE não me ofendeu pelo recurso à figura de Jesus, nem beliscou minimamente a minha fé.

O cartaz do BE ofende (e, como tal, é motivo de legítima critica) pela infantilidade, pelo inconsistência do argumento, pela ironia totalmente falhada, pelo desrespeito pela causa ganha, por todos os que lutaram por ela, pelos próprios crentes (como eu) que aplaudiram a adopção por casais do mesmo sexo porque não é uma questão dogmática, religiosa... é uma questão de princípio de igualdade de direitos, seja de quem adopta, seja de quem é adoptado.

Sim... até por causa do cartaz do BE eu continuo "Charlie", sempre.

publicado por mparaujo às 15:06

26
Fev 16

Limitar o exercício à liberdade de expressão e opinião é uma clara e óbvia afronta à democracia, a uma sociedade desenvolvida e estruturada, a um Estado de Direito.

Assim, não é por aí que o recente cartaz do Bloco de esquerda se torna, eventualmente, polémico.

BE - Jesus tinha 2 pais.jpg

A questão circunscreve-se à recente aprovação na Assembleia da República, após veto (incompreensível e injustificado) de Cavaco Silva), da adopção por casais do mesmo sexo. Legislação que, importa referir, aplaudo e subscrevo (custe o que custar a inúmeras "isildas pegados" deste país). Isto não é uma questão dogmática, religiosa... é uma questão de princípio de igualdade de direitos, seja de quem adopta, seja de quem é adoptado.

E é neste sentido que o cartaz do BE se torna polémico e, simultaneamente, desprovido de qualquer razoabilidade.

Vejamos.

Não está em causa que Jesus tenha dois "pais". Aliás sendo José casado com Maria e sendo Jesus filho de Deus (e, pela trilogia, ele mesmo Deus) é uma observação perfeitamente inocente. O problema é quando a mesma reflexão é associada à homossexualidade. E aí é que o pretenso impacto político e social ou os pressupostos da flahada ironia deixam totalmente de existir. A referência aos dois pais de Jesus nada tem a ver com homossexualidade (até proque os dois não são casal). Ou, por exemplo, uma criança que viva numa nova família, fruto de um processo de divórcio, não deixa de ter dois pais (um biológico e outro afectivo - novo casamento) e não há qualquer questão de homossexualidade.

A outra parte da polémica do cartaz é a afronta e o desrespeito pelos crentes, mesmo não sendo bloquistas, que apoiam e apoiaram a adopção por casais do mesmo sexo.

A liberdade de expressão não deve ser limitada (quanto muito regulada pelo confronto de direitos)... mas a estupidez deve ser mais ponderada e limitada.

Mais valia pegarem no excelente outro cartaz sobre o tema e legendá-lo: "aguentaaaa Isilda" ou com um "E agora, Cavaco?". Era mais frontal e mais intelectualmente honesto.

Aqui sim, está um cartaz com impacto...

BE - Adopcao gay.jpg

publicado por mparaujo às 12:03

25
Fev 16

Na notícia dá pelo nome de "Licor de Aveiro"... penso que por uma questão de marketing e de comercialização.

Tradicionalmente, entre as gentes da beira-mar (zona antiga da cidade), dos devotos de S. Gonçalinho, também dá pelo nome de "Xiripiti" ou "Licor de Alguidar".

Seja como for... é de Aveiro, bem de Aveiro, e foi premiado em Moscovo.

Obrigado Rússia. Spasibo Moskvu.

Licor de Aveiro - Xiripiti.jpg

 (clicar na imagem para aceder à notícia na Litoral Magazine)

publicado por mparaujo às 11:30

24
Fev 16

Diario Economico.jpg

Não é fácil fazer vingar no panorama informativo uma marca com características de especificidade, ainda mais se a particularidade for a economia.

Mesmo que a economia se confronte, no dia-a-dia, com a política para a primazia no "espaço público" e na gestão das sociedades, a verdade é que a tecnicidade e uma área pouco acessível à maioria dos cidadãos leva a uma restrição do público-alvo de uma informação no sector da economia e das finanças.

Apesar disso, o Diário Económico tem sabido marcar uma posição de relevo nesta vertente apesar das conhecidas e, agora, tornadas públicas dificuldades de sustentabilidade, ao ponto de se afigurar como plausível a insolvência do grupo (jornal, tv e online).

Dificuldades financeiras, receitas deficitárias em função dos encargos, insustentabilidade da marca, salários em atraso, diversas saídas de profissionais que deixaram um vazio de saber e profissionalismo, tudo isto tem sido prejudicial ao futuro do Diário Económico (em toda a sua extensão).

Há muita análise a merecer uma reflexão urgente na Comunicação Social, nomeadamente na nacional. São inúmeros os casos de desaparecimento de Órgãos de Comunicação Social, de redução de profissionais nas redacções e noutras estruturas, seja ao nível da imprensa escrita, da televisão ou da rádio. São demasiadas circunstâncias e situações, são demasiados camaradas sem emprego, com sonhos desfeitos, com perspectivas futuras precárias... têm sido demasiadas pessoas como tantas "outras pessoas" (porque também se trata de pessoas e famílias).

E há muito para analisar, discutir, alterar, projectar. É a concepção do jornalismo, a importância da informação para a democracia e para a sociedade, a sustentabilidade da comunicação social, as suas (in)dependências, os seus meios e métodos, as suas organizações (trabalhadores, ordem e sindicato, carteira profissional, etc), ...

Mas enquanto esta reflexão e discussão, que à vista de todos é cada vez mais urgente mas, igualmente, cada vez mais utópica e distante, não surge, os profissionais do Diário Económico não desistem e continuam a lutar pela sua marca, pelo seu projecto profissional, por garantirem e quererem manter um lugar de destaque no panorama informativo nacional, pelos seus sonhos e projectos de vida.

Por solidariedade e respeito profissionais... porque o jornalismo e os jornalistas também têm direito a ser notícia (por mais que, teimosamente, se queira continuar a achar que não).

Comunicado da Comissão Instaladora da Comissão de Trabalhadores do Económico/ETV

publicado por mparaujo às 14:19

21
Fev 16

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 21 de fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Ideologia ou Pragmatismo

Já o afirmei consideráveis vezes que os mandatos de Cavaco Silva na Presidência da República não deixarão saudades, nem terão na história política de Portugal qualquer posição de destaque. Mas houve, ponto a ponto, uma ou outra afirmação e leitura presidencial que merece, mesmo com algum esforço, alguma atenção. No meio do turbilhão pós eleições legislativas de 2015, o ainda Presidente da República alertou para a necessidade de se ponderar entre a ideologia e o pragmatismo. Retirando desse contexto legislativo o terreno exclusivamente ideológico-partidário, importa colocar o objecto na actual conjuntura política assente na questão do Orçamento do Estado para 2016.

Ao contrário do que muitas vezes se afirma e pensa um Orçamento do Estado não é um mero exercício financeiro, embora a sua estrutura seja uma operação económico-financeira. Mas a sua concepção não o é. É um exercício político e, nalgumas realidades, ideológico. E neste último aspecto o orçamento do estado para 2016, que anda de errata em errata, de avaliação em avaliação, de julgamento em julgamento, tem aspectos, mesmo que ténues, ideológicos. O que não tem é, ao contrário do que se supões, menos austeridade e menos sacrifícios; são aplicados de outra forma, com outra concepção. Mas não se pense que não há cortes, não se pense que não haverá dificuldades perante o aumento do custo de vida, não se pense que não há uma significativa carga fiscal (só aí é o que os Estados conseguem receitas, em qualquer lado), não se pense que as tributações por via indirecta (impostos indirectos) não afectarão a vida das pessoas.

Este exercício já está feito, já foi demasiadas vezes alterado e corrigido, já está avaliado com todas as dúvidas e interrogações (seja interna, seja externamente), já tem um conjunto previsível de rectificações e alternativas para serem de novo avaliadas (pela Europa) e apresentadas se for caso disso. O confronto e o conflito entre a ideologia orçamental e o pragmatismo da realidade política, económica e social que actualmente vivemos ditarão o resultado final. Há, no entanto, um aspecto que importa evidenciar: o lado político deste Orçamento do Estado.

Que o mesmo será aprovado não restarão quaisquer dúvidas, mesmo perante a demagogia política do Bloco de Esquerda e do PCP na tentativa dos seus afastamentos de responsabilidades perante o Orçamento. Este não é um Orçamento do Estado do PS; é um Orçamento do Estado do PS, enquanto Governo, e do BE e do PCP enquanto compromisso de maioria de esquerda, celebrado e assinado no final de 2015. Não vale a pena outro tipo de discurso político. É uma enorme irresponsabilidade e uma inquestionável incoerência virem para a opinião pública afirmarem que este não é o seu governo, este não é o seu Orçamento e as suas políticas, quando o acordo tem as suas assinaturas. Não vale a pena… a factura política terá sempre três destinatários. A jogada política de não fazerem parte, directa, do actual executivo governamental não desresponsabiliza o BE e o PCP do apoio político parlamentar e governamental. E é nesta vertente que importa perceber qual o impacto político do Orçamento para 2016. Este Orçamento é viabilizado porque existe uma particular concepção da democracia. O PS sobrevive politicamente e o Governo resiste no poder porque o BE e o PCP tudo farão para que não haja lugar a eleições antecipadas que, em teoria, poderão beneficiar de novo a direita e poderão levá-la novamente à governação. É esta a conjuntura política nacional que temos: não é um esforço conjunto e equilibrado de ideologia e alternativa política em relação ao passado recente, mas sim um combate ideológico claro do BE e do PCP ao arco partidário da direita, usando o PS como arma e argumento políticos.

E para além de eventuais impactos na economia, finanças e desenvolvimento do país, a maior interrogação reside em saber que consequência política terá a execução orçamental do OE2016. Importa saber até que ponto BE e PCP estarão disponíveis para manter esta postura política face a eventuais pressões externas internacionais, face a orçamentos rectificativos que possam vir a ter lugar durante este ano que alterem o quadro ideológico do orçamento e, principalmente, no final deste ano quando se proceder à elaboração do Orçamento para 2017 que muito dificilmente assentará nas mesmas política e premissas do deste ano.

Nessa altura, por mais retórica e demagogia política que seja usada, as responsabilidades caberão a todos: PS, BE e PCP. Sem excepção. É o pragmatismo da vida.

publicado por mparaujo às 11:35

20
Fev 16

Umberto Eco.jpg

Nada é eterno. Nada é imortal. Mas o mundo ficou mais vazio e a nobreza do pensamento crítico mais pobre.

Podia falar dos livros tão "históricos" como "O nome da rosa" ou o "Pêndulo de Foucault".

Recordarei sempre Umberto Eco pela marca que deixou no meu percurso formativo (semiótica e comunicação), a par do "espaço público" de Jürgen Habermas (comunicação).

Por exemplo, o tratado/ensaio "Kant e o ornitorrinco" ou a recentíssima reflexão jornalística "Número Zero".

Não foi só a cultura mas todo o pensamento crítico que ficou bem mais pobre ou vazio.

publicado por mparaujo às 22:09

18
Fev 16

Por uma questão de solidariedade...
Pelos dois anos e meio que fiz parte do projecto...
Por uma questão de justiça pelo inquestionável valor informativo que presta à região...
Pelos inúmeros amigos e camaradas...
Que a "VOZ" da Rádio Terra Nova não se cale...

Não pode ser um temporal, uma antena caída, um mero azar (alguns dirão "do caraças", curiosamente na altura da comemoração do Dia da Rádio) que fará tombar um projecto de décadas, um projecto que se mantém fiel ao espírito da informação local e à essência das rádios locais (a fazer lembrar as velhas "rádios piratas").

Pela Rádio Terra Nova... solidariamente.

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publicado por mparaujo às 11:02

17
Fev 16

Cecilia Carmo.JPG

Ninguém é insubstituível... embora a máxima, em relação à vida, seja, no mínimo, questionável.

Mas no que respeita à sociedade (ao trabalho, à escola, ao círculo de amigos ou de acção) isso será verdade. Uns surgem, outros deixam espaços vazios, mas com mais ou menos esforço há sempre forma de substituir mesmo correndo-se o risco de não serem obtidos os mesmos resultados.

Por outro lado, a vida (toda ela... profissional ou pessoal) é feita exclusivamente de opções. A cada passo, a cada dia, a cada hora, temos que as tomar, umas vezes com maior ponderação, outra com mais emotividade, umas acertadas, outras nem por isso. Mas cada momento que vivemos é consequência de opções que tomamos.

Para além disso, nunca tendo sido adepto de idolatrias e ídolos (tirando a adolescência própria da forragem das paredes e armários com poster musicais) porque acho que são demasiado frágeis e com "pés de barro", entendo que a nível pessoal, social ou profissional (ou ainda o somatório de tudo isto) a vida é demasiada vazia sem as nossas referências. Ninguém consegue viver de forma blindada e isolada. Isso não é vive, é vegetar.

Elencar aqui o rol das minhas referências (passadas e actuais) seria, felizmente para mim, fastidioso e sem qualquer relevância pública.

Mas hoje, por razões pessoais e profissionais, não posso deixar de o fazer, de forma particular.

Podem encontrar todos os substitutos e mais alguns mas a verdade é que a RTP e a Comunicação Social ficaram mais "cinzentos", mais vazios, com o anúncio da saída de "cena", do enquadramento, do plano, dos bastidores, da jornalista Cecília Carmo.

O argumento de "já eram 30 anos" tem o valor que tem. Principalmente se considerarmos que "os 30 anos" deixaram uma marca significativa e uma imagem indiscutível.

Opções pessoais não se discutem, não se comentam. São o que são.

Por isso, com muita pena... felicidades Cecília Carmo.

publicado por mparaujo às 14:42

Ulisses Pereira.jpg

publicado na edição de hoje, 17 de fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Votar pela continuidade

Há uma frase “futeboleira” típica e tradicional que diz: “em equipa que ganha não se mexe”. Nada melhor para ilustrar o momento político local no que respeita às eleições distritais do PSD. A escolha dos militantes (e não as escolhas das Concelhias Políticas porque são os militantes que votam) recairá sobre Ulisses Pereira e Salvador Malheiro. A minha está, por diversas razões, mais que feita.

O exemplar trabalho que Ulisses Pereira desenvolveu enquanto deputado na Assembleia da República em defesa da região e em defesa do mais valioso património natural que Portugal tem e que teima em menosprezar: o mar, merecem todo o respeito de qualquer militante social-democrata do círculo eleitoral do distrito de Aveiro. Para além disto, o papel que desempenhou enquanto líder da distrital social-democrata de Aveiro deixa marcas relevantes e claramente positivas. Aveiro foi o círculo eleitoral onde o PSD não vacilou e, apesar das circunstâncias e da conjuntura eleitoral das últimas legislativas, teve maioria de representatividade nos deputados eleitos (dos 16 deputados eleitos, 10 pertencem à coligação, com 48,14% dos votos). No mesmo sentido, durante o exercício das funções como Presidente da Comissão Permanente Distrital do PSD-Aveiro foi notório e evidente o consenso, a unanimidade sem que tal significasse seguidismo, o sentido colectivo e abrangente em todo o trabalho da Distrital do PSD-Aveiro. Por outro lado, o evidente e natural apoio a um candidato que deu muito ao PSD-Aveiro, que é da Concelhia do PSD-Aveiro e um dos muitos que fundaram ou consolidaram o partido nesta região. O contrário seria impensável e uma enorme falta de respeito, consideração e valor político-partidário. Não posso ainda deixar de voltar a sublinhar aquilo que considero um claro atropelo à democraticidade, à liberdade de expressão e do natural confronto político de opções de cada militante, à defesa da pluralidade como suporte da unidade. Uma ausência de debate interno na Concelhia do PSD-Aveiro sobre as duas legítimas candidaturas (nomeadamente na desmistificação de condicionantes que levaram ao surgimento das duas candidaturas) e a posição pública unilateral da mesma comissão política concelhia no não apoio a Ulisses Pereira. Aveiro ainda aguarda por uma assembleia de militantes por diversas vezes reivindicada.

A falta clara e evidente de argumentação política que contraponha o valor inquestionável e inegável da candidatura de Ulisses Pereira leva ao recurso desesperado de fundamentos desprovidos de coerência e razoabilidade. É a tão badalada e agitada bandeira da renovação. A conjuntura política actual é exigente, difícil, mobilizadora… mas também o foi em 2011, 2013 e em 2015. Os resultados em Aveiro são claros, quer a nível das legislativas, quer a nível das autárquicas (11 das 19 câmaras municipais, em 2013) e nestes resultados não deixa de ser óbvio o papel de Ulisses Pereira enquanto social-democrata e, num determinado período, presidente da Distrital do PSD-Aveiro. Porquê renovar? Só pelo semiologia da conceito de renovação? Os mesmos defensores da renovação distrital, já que se abriu um novo ciclo político no poder governativo em Portugal, também terão a mesma posição e usarão os mesmo argumentos em relação à liderança nacional do PSD? Também estão contra a (RE)candidatura de Pedro Passos Coelho a líder do partido? A coerência do argumentativo quando colide com os interesses particulares esbarra igualmente nestas circunstâncias. Há alturas, momentos e circunstâncias que nos fazem apostar no valor da continuidade em detrimento da incerteza e da ambiguidade da renovação. E Ulisses Pereira dá a garantia da continuidade do trabalho desenvolvido, do sentido de unidade e da riqueza partidária. A 5 de Março não restarão dúvidas.

publicado por mparaujo às 09:50

12
Fev 16

combustiveis.jpg

Há concepções e estratégias que me ultrapassam a anos luz. Obviamente que o defeito será meu pela circunstância ignorante que me assolará em muitas (quase todas) as matérias, certamente.

Mas não consigo evitar a inquietação da dúvida.

Foi publicada hoje a portaria que determina o aumento do Imposto sobre os Combustíveis (ISP) e que implicará um aumento na ordem dos 6 cêntimos/litro (mais cêntimo, menos cêntimo) para um valor final (com o IVA) que rondará os 7,3 cêntimos.

Não restam dúvidas, face ao que é conhecido do OE 2016, que o Governo de António Costa pretende transferir a carga fiscal dos cidadãos para outras áreas. O que não significa que não haja austeridade e aumento da carga fiscal. No caso concreto, esse aumento recaiu sobre um chamado "imposto indirecto". Não vale a pena perdermos tempo com esta questão dos "impostos directos" e dos "indirectos", até porque ela é, na sua essência, claramente técnica.

Mas do ponto de vista político, se não me causa qualquer estranheza que a esquerda mais à esquerda, por razões ideológicas, venha nisto uma conquista (o que não deixa de ser incoerente com outros "dogmas políticos" seus) a verdade é que me surpreende, verdadeiramente, a falta de pragmatismo político e governativo por parte do PS (claramente refém das pressões ideológicas da esquerda mais à esquerda que vai mantendo o suporte político à governação).

Vejamos...

Um significativo aumento do preço dos combustíveis quando o valor do petróleo está consideravelmente baixo para o cidadão comum significa um esforço financeiro mensal acrescido, o que anula a eventual recuperação ou aumento da massa salarial e do rendimento mensal dos cidadãos e das famílias. Primeiro porque o país não é só a Área Metropolitana de Lisboa ou do Porto; é também o Portugal profundo onde os transportes (sejam eles públicos ou privados) escasseiam e são deficientes. Por outro lado, o aumento do preço dos combustíveis terá, mais cedo ou mais tarde, impactos no valor do preço dos transportes colectivos, já por si nada baratos (excluindo os anunciados voos da Raynair, Porto-Lisboa, a menos de 10 euros).

Mas se o comum e mortal dos cidadãos, com mais ou menos esforço, com mais ou menos oferta, ainda vai tendo eventuais alternativas, o caso muda de figura quando entramos no universo empresarial. E aqui é que se desvanece todo o pragmatismo político, mesmo o da esquerda mais à esquerda.

Portugal tem uma economia extremamente frágil, débil, com enormes dificuldades comerciais e de desenvolvimento. Uma economia estruturalmente assente essencialmente em Micro, Pequenas e Médias Empresas ou num comércio que já por si próprio luta por uma desesperada sobrevivência face ao que é a relação entre o "tradicional" e as grandes superfícies comerciais. Se a esquerda mais à esquerda, com a sua obsessão ideológica pelo grande capital e pelas grandes empresas, esperava afundar Sonaes, Jerónimos Martins e afins, deu um colossal tiro no pé. O que acabará por acontecer é um aumento dos preços dos bens e serviços (afectando o tão badalado objectivo orçamental da promoção do consumo como estímulo da economia) que afectará as carteiras dos cidadãos e das famílias; o que acontecerá é um aumento dos custos de produção e comercialização que afectará, grandemente, o tecido empresarial e comercial português, salvando-se as grandes empresas e os tais ditos cujos grandes capitais.

Haverá um aumento do nível de vida com mais sacrifícios para os cidadãos (disfarçados de "impostos indirectos") e haverá um impacto sério na vida económica nacional, estruturada maioritariamente em pequenas empresas.

Tudo com a sentença final do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade: "se o preço do petróleo baixar poderá haver nova subida do imposto".

Depois o Governo admira-se da crítica do "toma lá, dá cá".

publicado por mparaujo às 16:08

02
Fev 16

desemprego.jpg

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou ontem os dados do Desemprego relativos ao mês de Dezembro de 2015.

Segundo o INE a taxa de desemprego desceu 0,4% face ao número de desempregados em Novembro, fixando o seu valor em 11,8% (segundo a estimativa: 604 mil desempregados, menos 22,8 mil que no mês anterior).

Não vou, obviamente, entrar em retóricas ou análises balofas sobre a responsabilidade governativa da queda do valor da taxa dos desempregados. A redução é uma excelente notícia para o país.

Mas politicamente não deixa de ser curioso o silêncio de muitas vozes que, há menos de um ano, contestavam os números apresentados pelo INE com o Valor Real do Desemprego, com a emigração, com as actualizações das listas e parâmetros de análise, com a sazonalidade, com os desempregados de longa duração, com os que deixaram de ter direito ao subsídio de desemprego ou, simplesmente, aos que deixaram de procurar emprego (porque não o há).

É, no mínimo, curioso. Ontem, nem uma palavra, nem uma linha...

publicado por mparaujo às 15:45

01
Fev 16

Boko Haram criancas armadas.jpgInfelizmente... não há só a Síria e a conflitualidade com o Estado Islâmico no Médio Oriente ou os refugiados que atravessam o Mediterrâneo, os que lá morrem e os que esbarram com as portas, fronteiras, muros e arames farpados da Europa.

Há toda uma África votada ao inferno - "Boko Haram queima crianças vivas em atentado" - sem merecer os devidos olhares internacionais.

Até quando?

 

publicado por mparaujo às 21:41

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