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26
Jun 16

uk sai da UE.jpgpublicado na edição de hoje, 26 de junho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
A EU em estado de choque

Na quinta-feira, 51,9% dos votantes do Reino Unido (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) decidiram-se, em referendo, pela saída do Reino Unido da União Europeia.

As perguntas que rapidamente surgiram, as de maior projecção, foram: Quem ganhou e quem perdeu? Qual o futuro do Reino Unido e da Europa?

Antes das respostas uma relevante nota prévia: este resultado, ou melhor, o impacto que este resultado possa ter no Reino Unido ou na Europa tem um rosto e um responsável: David Cameron. Não fora a tentação política do populismo fácil, a falta de capacidade e coragem política para enfrentar a crítica e a contestação, e o Reino Unido jamais passaria por uma situação desta natureza. A afronta de Cameron aos seus opositores e a via mais simplista e fácil de responder à crítica vão ficar na história política de Inglaterra e vão julgar a história política do agora ex Primeiro-ministro britânico.

À parte disto a resposta à primeira pergunta afigura-se simples de dar, mas provavelmente difícil de explicar.

De uma forma muito pragmática e sintética, apesar de todos os festejos de quem votou “Out” (BRexit) e após estes momentos de euforia e choque, parece óbvio que todos perderam ou perderão e que ninguém ganhou. Não ganhou uma sociedade britânica que cavou um enorme fosso geracional, hipotecando a vontade dos eleitores mais jovens de permanecerem no seio da União Europeia. Segundo os dados divulgados para uma média de idades na ordem dos 21 anos (com mais 69 anos de esperança de vida) cerca de 69% votaram pela permanência na UE. Por outro lado, para um a faixa etária com uma média de idade de cerca de 73 anos (com mais 16 anos de esperança de vida) a decisão de saída da União Europeia foi expressa por cerca de 58% dos votantes. Além disso, a forma como a Irlanda do Norte e a Escócia se manifestaram (55,7% e 62%, respectivamente) a favor da permanência na União Europeia deixa antever alguma conflitualidade política e uma brecha significativa na coesão britânica. De tal forma que o próprio futuro do Reino Unido afigura-se instável e incerto quando à sua integridade geopolítica, mas também são ainda desconhecidos (por mais prognósticos que se queiram apontar) os impactos ao nível económico que esta decisão possa provocar na economia e sistema financeiro do Reino Unido.

E quanto à Europa? Aqui não há muitas dúvidas. Foi aberta a Caixa de Pandora. Os danos colaterais vão ser significativos com a desintegração da União Europeia no horizonte, com a pressão política interna para referendos similares em países como Holanda, Bélgica, Dinamarca e até Suécia. E a culpa é da própria Europa.

A União Europeia perdeu já há algum tempo a sua génese, a sua identidade e a sua coesão. Subjugada há muito pela vertente e pelo pilar económico-financeiro, excessivamente dependente do poder germânico e de um sistema tecnocrata demasiado pesado e irrealista (aliás, sistema que nem é eleito), a União Europeia descorou o seu fundamento da solidariedade e não soube ou não foi capaz de lidar com a vertente política e social no seu todo.

Porque não haja qualquer dúvida. A saída do Reino Unido da União Europeia nada tem a ver com mercados, sistema financeiro ou questões ideológicas como referiu o líder da CGTP, Arménio Carlos, quando se referiu ao “grande capital e ao capitalismo”. Antes pelo contrário, bem pelo contrário.

A decisão teve uma clara influência da descaracterização política da Europa, da falta de solidariedade entre os Estados-membros, da falta de capacidade de resolução dos graves problemas sociais que atingiram a União Europeia, nomeadamente a questão das emigrações e dos refugiados.

E infelizmente não deveremos ficar por aqui.

publicado por mparaujo às 20:38

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