Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

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Abr 17

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Que legitimidade tem um país, seja ele qual for, ao abrigo das relações e do direito internacional para atacar, por livre e unilateral iniciativa, um outro país? Nenhuma... sejam os Estados Unidos, a Rússia, a China, ou outro país qualquer.

Mesmo com a cobertura da NATO, da ONU ou de acordos pontuais e parcelares, serão mais as interrogações e dúvidas do que as respostas concretas e as certezas sobre os resultados práticos das ofensivas. Basta recordar o que o Mundo vive hoje após a Guerra do Golfo, a invasão do Iraque ou do combate aos Talibãs e à Al-Qaeda no Afeganistão.

Donald Trump sabe que pelo passado recente na história  dos Estados Unidos (após 11 de setembro de 2001) os americanos olham para a política externa com um elevado sentido de unidade, ao contrário do que espelha o comportamento da sociedade americana no que respeita à política interna. E volvidos os quase primeiros 100 dias de administração Trump, a verdade é que têm sido mais as polémicas, os falhanços políticos e o desastre da governação interna do que propriamente um estado de graça que os resultados eleitorais poderiam fazer crer.

Daí que Donald Trump tenha encontrado nas altas patentes militares o seu maior aliado político, mais do que a justiça, do que o poder político (Senado e Congresso), mais do que o sector financeiro (por exemplo, como a recente posição contrária e oposta, por parte do Tesouro, em relação a eventual manipulação de moeda por parte da China) ou mais do que a própria sociedade americana completamente fracturada.

Daí que Donald Trump tenha encontrado a melhor forma de se manter politicamente sobrevivente aos olhos dos americanos: reavivar a história recente dos atentados terroristas em 2001 e do consequente combate aos Talibãs, à fragilizada e reduzida Al-Qaeda ou ao Estado Islâmico.

E é apenas nesta perigosa assumpção de força e de política musculada, de potência geopolítica (mesmo que auto-determinada), de auto-nomeado justiceiro, que Donald Trump se posiciona em relação aos americanos, aos Russos e aos Chineses, sem medir ou pesar qualquer tipo de consequências seguintes e impactos ou danos político colaterais das suas opções e acções.

Foi assim na Síria há poucas semanas com o bombardeamento à base do Governo Sírio em Shayrat e que foi aplaudida pela maioria dos norte-americanos contrapondo com os 40% de popularidade interna de Trump; foi assim com o lançamento, na província de Nangarhar no Afeganistão, da "mãe de todas as bombas" (a maior bomba não nuclear com 11 toneladas de TNT e até agora nunca usada) isto quando a Rússia e o Afeganistão preparam a sua cimeira bilateral sem a presença dos Estados Unidos e sem que daí se conheçam reais resultados práticos; ou esta incompreensível, injustificada e insensata medição de forças e presença provocatória ao largo da Coreia do Norte.

Se os actos geopolíticos consequentes ao 11 de setembro de 2001 trouxeram um mundo mais perigoso e instável, janeiro de 2017 (mais propriamente 20 de janeiro de 2017 - tomada de posse de Donald Trump) agravaram a realidade internacional, potenciam a conflitualidade entre povos e renovam o medo que paira no dia-a-dia de milhões de pessoas.

Não basta ser-se potência económica e militar porque bombardear é simples e fácil para os norte-americanos... é muito mais relevante e importante a capacidade para se ser potência e se ter responsabilidade política e geoestratégica. E política e estratégica é o que mais falta nesta administração norte-americana.

E ainda o mundo se queixava do lado pior de George W. Bush.

publicado por mparaujo às 23:37

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