Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

20
Ago 17

Sem título.jpg

Dois meses passados sobre a tragédia de Pedrógão Grande e do Pinhal Interior o inferno dos fogos não tem dado tréguas às populações e a diversas comunidades. Aliás... tem sido verdadeiramente devastador.

Desculpem-me os meus amigos fotojornalistas e fotógrafos... mas esta imagem (que tem a assinatura de Lucília Domingues (que desconheço, deparei-me com a foto no mural da jornalista Rosa Veloso) espelha de forma perfeita a realidade do flagelo dos incêndios desta ano da graça de 2017: a devastação provocada pelos incêndios; a dor de se perder tudo; o isolamento de muitas aldeias; o envelhecimento demográfico; a solidão a que estão votados muitos idosos por esses meios rurais fora.
Este é um excelso quadro (foto) do Portugal em pleno verão de 2017. Pela dureza da foto... SOBERBO.

Não me vou alongar nas considerações políticas dos atrasos das ajudas, das falhas do SIRESP, da "lei da rolha" com os briefings, se há ou não responsabilidade política governativa por apurar, para além de outras responsabilidades. Já aqui foi abordada, bem ou mal, alguma da vertente política dos incêndios (É fogo que arde e se vê.) e aqui (Deixem o eucalipto em paz).

Acho é que sabe a muito pouco que a acção governativa e parlamentar tenha ficado pela "mordaça comunicacional criada" com os briefings da ANPC e pelo ataque ao Eucalipto e às Celuloses (basta olhar para as localidades e parar as áreas ardidas para perceber o desnexo de tal medida e preocupação política). Assim como é muito pouco ficarmos à espera dos resultados da comissão independente criada para apuramento de responsabilidades e causas dos acontecimentos do final de junho no Pinhal Interior (Pedrógão Grande, Figueiró de Vinhos e Castanheira de Pêra), relatório que só deverá ser apresentado por volta de Outubro, até porque o país não estava preparado para este contínuo devastar do património ambiental, urbano e empresarial de inúmeras comunidades provocado pelos sucessivos incêndios que têm lavrado sem parar. O Pinhal Interior acabou por ser o rastilho e não um caso isolado apesar de trágico e dantesco.

Não vou, por outro lado, entrar em teorias da conspiração que envolvem as tradicionais questões de corrupção, compadrios, whatever, relacionados com o combate aos incêndios. Há umas décadas era a questão do valor da madeira; alterada a legislação os incêndios não pararam. Veio depois o recurso aos incêndios para alterações de PDMs e especulação imobiliária; houve rigor, mais transparência, mais fiscalização mas os incêndios continuaram. Agora vem o fantasma do negócio dos meios aéreos (embora eu defenda que deviam estar sob a responsabilidade da Força Aérea Portuguesa) e das próprias corporações dos bombeiros e da Protecção Civil. Se há desconfianças ou provas dessas teorias há entidades e espaços próprios para serem tratados (Ministério Público, Tribunais).

Pessoalmente continuo a defender que as políticas relacionadas com os incêndios (prevenção e combate) devem abordar a questão da demografia; do envelhecimento das comunidades; da desertificação e despovoamento não só do interior mas de todo o meio rural; a dispersão populacional e territorial; o abandono das terras; da reforma (já iniciada) da floresta mas que vá muito para além do eucalipto; a transferência de responsabilidades na gestão da prevenção e combate para as Comunidades Intermunicipais e para o Poder Local; entre outros...

Mas há duas questões que me provocam alguma inquietação:

1. O INE divulgou um estudo que revela haver, no activo, cerca de 28000 bombeiros (já nem me vou referir às afirmações do Presidente da Liga dos Bombeiros, Marta Soares, sobre estas questão porque são surreais). No entanto, o número máximo eu ouvi/li de operacionais no terreno foi cerca de 6000 (no total das ocorrências) e num espaço temporal muito curto (3 ou 4 dias). Isto é cerca de um quinto (1/5) dos bombeiros no activo. Então os outros 22000?

2. Há uma ânsia partidária e social de haver "fuzilamento político" na gestão do combate dos incêndios. Isto é transversal porque importa recordar o número de militantes socialistas de Pedrógão Grande que se desfiliaram e entraram os seus cartões de militantes. Mas sobre esta questão das responsabilidades há algo que me inquieta. Em toda a fase de prevenção, em todo o período chamado de "época baixa", fora do período charlie, qual foi a acção de fiscalização e de prevenção das autarquias, nomeadamente daquelas que agora exigem toda a responsabilidade e apoios a outrém, aos governos (sim... no plural), à ANPC, etc? E a sua própria responsabilidade na administração e fiscalização do seu território?

Isto não ouvi perguntar, nem encontro respostas.

(créditos da foto:

publicado por mparaujo às 18:38

17 comentários:
Só vou comentar a primeira pergunta.
Sabe que existe uma grande parte de bombeiros que são voluntários e que trabalham em empresas onde os patrões não os permitem sair do seu local de trabalho para irem socorrer quem mais precisa!
por isso os outros bombeiros devem estar a trabalhar
Carina a 23 de Agosto de 2017 às 09:42

Boa noite...
Sei porque sou de família bombeira e trabalhei com muitos que ficaram, por alterações legislativas, nomeadamente pelo próprio Estado, impedidos de muitas intervenções.
A questão é mesmo essa... é que falam em números que depois não os explicam, nomeadamente a declaração de Marta Soares, perfeitamente intempestivas sobre os números do INE, subindo-os até aos 60 mil, só para sobrevalorizar algo que os portugueses reconhecem inquestionavelmente: o papel salvador do trabalho de qualquer bombeiro.
mparaujo a 24 de Agosto de 2017 às 21:47

Em total acordo.
A questão dos bombeiros é um nó muito Górdio. Voluntários? É um mito, que como todos os mitos não passa de fumarada.
Mas um bombeiro que combate incêndios não é um bombeiro com formação para desencarceramentos, socorro a vitimas, apoios sociais, etc...além da logística e dos madraços que roçam o cu pelos quartéis.
E todos recebem dinheiro. Pouco, muito, algum....
Um bombeiro ou um sapador tem de ser um profissional qualificado, bem pago e reconhecido como profissional.
Até lá, andamos a brincar com a vida das pessoas.
E as Câmaras não fazem o trabalho que a Lei os abriga, ter o mato limpo nas áreas circundantes das aldeias (ou obrigar a que os proprietários a tenham) prevenir...prevenir...prevenir.
carlos arinto a 23 de Agosto de 2017 às 08:17

ENFIM NAO DEVES PERCEBER MESMO NADA DE BOMBEIROS VOLUNTARIOS, EU SOU BOMBEIRA VOLUNTARIA E SEI BEM DO QUE FALO, NAO ANDO A ROÇAR O MEU CU NO QUARTEL E OUTRA OS VOLUNTARIOS EM NADA SAO INFERIOS AOS SAPADORES TA COMO INSINUAS!
Carina a 23 de Agosto de 2017 às 11:14

Carina A.
Escusa de escrever com maiúsculas, que não me assusta nem mete medo!
Onde é que foi insinuado que os voluntários são inferiores aos sapadores? O trabalho faz-se com profissionais e não com voluntários, seja nos incêndios, no tratamento a idosos, no apoio social ou nos acidentes (ocorrências, dizem eles e elas)
A trabalho corresponde pagamento. Foi isso que defendi.
Exige formação e competência. Dedicação e não part-time.
Ser voluntário é muito "giro" mas não resolve os nossos problemas: nossos da sociedade, de todos! O que fazem os voluntários durante todo o ano em que não há incêndios? Podiam ir roçar o mato! Não?
Por último, onde está a logistica? Alimentação, vestuário,camas,assistência funcional e mecãnica, apoios médicos e psicológico!!! que têm de fazer parte de um qualquer e todo o exercito, para que seja eficaz.
Dando a volta chegamos sempre ao mesmo ponto de partida: maus comandos, maus chefes, incompetência organizativa, tomada de poder pelos partidos políticos para fins de coação sobre a sociedade e exploração dos jovens.
Fique bem!
carlos arinto a 23 de Agosto de 2017 às 16:52

não é necessário o insulto para argumentar... por muita razão que tenha e que eu possa subscrever.
mparaujo a 24 de Agosto de 2017 às 21:52

Carlos Arinto
Hoje, a maior parte dos bombeiros, uma parte mesmo grande, tem formação, recebe formação e tem à sua disposição formação, inclusive de nível universitário/politécnico ou pós-graduações (que não exigem pré-licenciatura, como se sabe). Em Aveiro, o ISCIA é disso exemplo.
E os bombeiros recebem mesmo muito mal para arriscar tudo e mais alguma coisa (a própria vida) em favor do outro. Receberem um euro e pouco à hora num combate a um incêndio não me parece ser um valor que dignifique a função.
estamos perfeitamente de acordo quanto à responsabilidade do poder local. Falta fazer muito nessa área.
mparaujo a 24 de Agosto de 2017 às 21:51

MPAraujo,
Concerteza. A mania do "voluntarismo" é uma doença que tem de ser combatida. E os voluntários que recebem remuneração por uma entidade e são voluntários (noutra) nos bombeiros a € 1 e tal á hora...possuem formação? Para levar mangueira ás costas não é preciso formação, argumentar-se-á.
(Um fogo como os deste verão - que continua descontrolado em Oleiros na ocasião em que escrevo - combatido por um bombeiro com uma mangueira...é ridículo e absurdo como todos os técnicos e especialistas reconhecem...)
Depois temos bombeiros feridos - alguns com gravidade - e mortos. Um desastre. Uma calamidade. Levar bombeiros do urbano para o rural é amadorismo e irresponsabilidade (autotanque da amadora capotou na serra para os lados da Sertã....ouço nas noticias)
Um bombeiro e a sua (meritória) actividade não é um sem-abrigo. Quem dirige não podem ser os caciques locais e os partidos politicos.
Enquanto não enfrentarmos os problemas de frente continuaremos nos "ai jasus" e no "nossa senhora nos acuda"
carlos arinto a 25 de Agosto de 2017 às 08:42

Caro Carlos Arinto.
O voluntariado, o "voluntarismo", nada tem de errado, muito pelo contrário mas isso seria outro "rosário".
O facto de existir um conjunto de incidentes, de acidentes e, infelizmente, vítimas, nada tem a ver com falta de formação. Se esta não existisse o número de ocorrências seria exponencial.
Basta aceder ao INE ou à PRODATA para constatar o número de situações anómalas, acidentes, incidentes e vítimas, em actividades profissionais e com especialistas.
mparaujo a 25 de Agosto de 2017 às 21:36

pois , entao, avancemos para as perguntas.

Quanto ao marta soares, por mais surreal, é o sindicalista dos bombeiros. Isto é, ele ou outro naquele lugar, o objetivo é o mesmo. Tal qual os sindicalistas da PSP, para quem os policias sao os bons, e aos quais falta tudo, concretamente dinheiro.

Nao pode esperar-se, sejam 28 pu 60 mil os bombeiros, um bombeiro junto de casa casinha e barraco rural.

quanto á 2 pergunta, todos querem dinheiro, mas só existe uma unica soluçao que pior que o soneto, é surreal : acabar com o verao.
s o s a 22 de Agosto de 2017 às 23:24

1º Os 28000 Bombeiros, são VOLUNTARIOS.
2º não podem ir todos para o mesmo sitio, existe um coordenamento feito por uma entidade central. os quarteis não podem ficar desprotegidos. A logística é feita conforme a necessidade, enquanto uns descansam outros apagam os fogos.
Seia irreal estarem 28mil pessoas a apagar um fogo e depois qd fosse para descansar o fogo estaria 8 horas a "comer mato.

Independentemente das desgraças (infelizmente aconteceram) devemos muito a esses homens e mulheres, que por meia dúzia de trocos e MUITO AMOR à Camisola fazem das tripas coração para ajudar quem não conhecem e para nos proteger a todos!

cp a 22 de Agosto de 2017 às 18:54

CP
A minha observação em relação ao número não é, nem de longe, nem de perto, qualquer crítica, acusação ou ofensa a Um qualquer bombeiro que seja. Logo eu que venho de uma família bombeira. Não tem nada a ver com o papel, empenho, dedicação e o trabalho inquestionável e excelso.
mparaujo a 24 de Agosto de 2017 às 21:55

A essas duas perguntas há a acrescentar uma outra.
Porque é que passados 2 meses da tragédia, há ainda tão poucochinho feito em prol das populações atingidas'
Vigia Coelhos a 22 de Agosto de 2017 às 12:33

Eu ouvi na semana 6 a 12 13000
Tony a 22 de Agosto de 2017 às 17:47

Tony... assim sendo, bem acima, de facto, do número que eu retive e ouvi. Indiscutivelmente.
mparaujo a 24 de Agosto de 2017 às 21:57

Resposta: A culpa é do Passos Coelho e do anterior governo. Basta perguntar à Cons(tansinha), virgem e pura, e ao maluquinho do João Galamba E se ainda a alguém restar dúvidas, confirmem-no junto do cínico Carlos César ou do madraço monhé PM.
Anónimo a 22 de Agosto de 2017 às 18:47

Muito poucochinho mesmo... e demorado. Muito demorado.
mparaujo a 24 de Agosto de 2017 às 21:56

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