Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

17
Ago 14

publicado na edição de hoje, 17 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

E assim (também) vai o mundo

Nos dias de hoje não é possível a um país viver isoladamente. A expressão “orgulhosamente sós”, até há algumas décadas tão badalada em Portugal, hoje não tem qualquer cabimento, nem viabilidade. As várias organizações e instituições internacionais (para além da óbvia ONU) proporcionam e provem um conjunto de relações internacionais nos mais diversos níveis (comercial, político, militar, cultural) que fazem como que, hoje, haja cada vez menos fronteiras. Há, por isso, uma natural tendência para geopoliticamente nos posicionarmos em função de determinados interesses: economia, ideologia, cultura.

Os Estados Unidos alcançaram uma posição geopolítica e geoestratégica determinante no mundo resultante da sua participação/intervenção nas duas Grandes Guerras (nomeadamente a segunda). Primeiro a nível militar, depois política e economicamente. Se, hipoteticamente, houvesse uma invasão a Portugal, obviamente, o primeiro país que gostaria de ver entrar pelas fronteiras lusas seriam os Estados Unidos. Há ainda algumas razões do ponto de vista da democracia e da liberdade que me permitem criar uma afinidade com aquele país. Mas não há bela sem senão. Não posso é aceitar, aliás só posso criticar, que esta inquestionável característica e aptidão para potência mundial (ou “a” potência mundial) confira aos Estados Unidos o papel (que o não tem, nem pode ter) de “dono do mundo”. Mesmo após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001. O que se esperaria vir a ser um aceitável combate ao terrorismo internacional tornou-se num ”cheque em branco” para a governação terrestre norte-americana mais pautada por interesses económico-políticos próprios do que pelo estabelecimento da paz ou dos valores da democracia. E a verdade é que o mundo tornou-se num permanente “barril de pólvora”. Deixando de lado a questão cronológica, importa lembrar acontecimentos recentes: Afeganistão, Sudão do Sul (20 mil mortos e um milhão de refugiados), República Centro Africana, Paquistão, Somália, Síria (100 mil mortos e 2 milhões de refugiados). Actualmente, o conflito na Faixa de Gaza (cerca de mil mortos), a Ucrânia (mais de 2 mil mortos) e o novo medir forças com a Rússia, de novo o Iraque com o conflito entre os curdos sírios e os ‘jihadistas’ islâmicos (cerca de 6 mil mortos e 1 milhão de refugiados apenas em três meses), e o Líbano (170 mil mortos). A verdade é que por onde os Estados Unidos têm potencializado, promovido, influenciado e espalhado o seu hardpower político-militar (já que “softpower político” é algo que os americanos parecem desconhecer) o ‘mundo’ não tem ficado nada seguro e muito menos melhor.

As intervenções meramente arbitrárias e condicionadas pelos interesses exclusivos dos norte-americanos, ou mesmo as da ONU/NATO ‘forçadas’ pela pressão dos Estados Unidos, não têm trazido melhores condições de vida a muitos países, maior liberdade e democracia, mais paz.

Numa semana em que lamentamos a morte do actor Robin Williams, dos portugueses Dóris Graça Dias (escritora e crítica literária) e Emídio Rangel (comunicação social), importa também lembrar os milhões de anónimos que morreram nos vários conflitos, muitos dos quais (se não a maioria) inocentemente.

E assim (também) vai o mundo…

publicado por mparaujo às 11:58

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