Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

07
Abr 17

My name is Trump ... "Dangerous Trump".

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O ataque na Síria com recurso a armas químicas é condenável e desumano. Aliás, como é condenável e desumano qualquer acto que coloque em causa a vida humana.

Mas a resposta dos Estados Unidos, de forma unilateral, à margem da ONU e fora de um apoio no seio do Conselho de Segurança não torna a realidade menos preocupante. Antes pelo contrário... torna o mundo mais perigoso com um Presidente da Casa Branca demasiado narcisista, precipitado, irreflectido e imprudente.

Tornar a "América novamente Grande" através da força e das armas em vez do esforço político, não torna o mundo mais seguro, nem os cidadãos mais tranquilos. Aliás esta forma intempestiva de Donald Trump gerir o destino interno dos Estados Unidos e as suas relações externas revelam-nos um Presidente na cadeira da maior potência mundial demasiado prepotente, irrealista e inconsequente.

E no caso concreto da Síria de nada vale aos Estados Unidos a justificação do seu bombardeamento com base no ataque com armas químicas, ao que tudo indica por parte do governo de Bashar al-Assad, como se apenas esse acto fosse inaceitável ou apenas tal circunstância signifique o ultrapassar das tão referidas linhas vermelhas. Qualquer uso desmedido da força, nomeadamente colocando em causa a vida de inocentes, é criticável e condenável. Mas importa não esquecer a responsabilidade que os Estados Unidos e a União Europeia (nomeadamente a França) tiveram e têm no decurso da história da Síria, no seu declínio e actual situação, seja directamente, seja por omissão ou abandono.

Hoje (ontem) foi a Síria... amanhã, a pretexto de tudo ou qualquer coisa, mesmo que infundado ou falso (como no Iraque nos tempos de Bush) será outro o alvo, com uma reacção isolada e unilateral dos Estados Unidos. Donald Trump é demasiado intempestivo e nervoso, com uma enorme ânsia em colocar "o dedo no botão", sem olhar a qualquer pressuposto diplomático ou político e muito menos às consequências.

O actual presidente dos Estados Unidos não olhará a meios, nem perderá uma oportunidade para usar a relação externa para impor uma imagem interna que não tem conseguido fazer sobreviver politicamente. A sede e a cadeira do poder toldam as opções e as tomadas de decisões; basta recordar qual era a posição em 2013 do improvável candidato e actual presidente, precisamente me relação à Síria.

Estamos mais inseguros... o mundo está mais perigoso. Vivemos num barril de pólvora com o rastilho "à mão de semear". Ontem ficou-nos a prova.

(créditos da foto: Ford Williams/Courtesy U.S. Navy, no DN online)

publicado por mparaujo às 15:51

6 comentários:
O Obama falou muito... deixou cair 50% do Iraque e 40% da Síria, ao mesmo tempo que perdeu 50000 milhões de dólares investidos em 3 anos por ele, nesse locais. E porquê? Porque ficava mal usar a força e os meios de comunicação social criticá-lo. O que fez a seguir? Enviou mais de 125000 soldados, distribuidos em forças especiais ou de formação, para poder dizer que não tinham qualquer missão. No Afeganistão estava a acontecer o mesmo. Quase metade do país já estava a cair de volta para os Talibans. Na Síria o Daesh não conquistou Damasco, porque a Rússia entrou a doer atingido o suporte financeiro do Daesh... enquanto o Obama mandava atacar os líderes.
O equilíbrio é pequeno mas, com radicais, ou se mostra força ou as negociações não passam de nevoeiro enquanto eles conseguem tudo o que querem.
Já agora, o ataque não visou só a base aérea. Metade dos misseis tiveram outro destino que permitiu a conquista de 3 aldeias na entrada de Raqqa.
Manuel a 8 de Abril de 2017 às 10:16

Mesmo que concordando com a maioria dos pressupostos nada legitima que tenha havido uma posição unilateral, sem o apoio ou a legitimidade prévias da comunidade internacional (ONU/Cons.Segurança).
Colocar nas mãos do livre arbítrio político-militar de um país (QUALQUER QUE ELE SEJA) a função/missão de justiceiro é demasiado perigoso para um mundo que vive, hoje, em pleno sobressalto e conflitualidade.
E a Rússia, neste caso concreto, não se pode colocar na imagem de inocente, porque o não é.
mparaujo a 8 de Abril de 2017 às 22:14

Concordo inteiramente que o mundo está mais perigoso.
Acredito que este tenha sido apenas o primeiro acto de maior gravidade que o Trup cometeu. Não duvido que mais se iram seguir
marrocoseodestino a 8 de Abril de 2017 às 08:27

Só receio que essas (também minhas) dúvidas se tornem certezas.
mparaujo a 8 de Abril de 2017 às 22:10

" Vivemos num barril de pólvora com o rastilho "à mão de semear".

Mundo frágil este, e nas mãos de loucos.
O que Trump disse, em 2103,está esquecido naquela cabeça oca e ávida de poder, e de quem o rodeia.


Maria Araújo a 7 de Abril de 2017 às 18:51

Só espero que isto não seja o princípio de uma escalada de confrontos e conflitos onde as armas terão mais força que a política e a diplomacia.
mparaujo a 8 de Abril de 2017 às 22:09

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