Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

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Nov 14

No sábado, 8 de novembro, a jornalista da RTP, Fátima Araújo, apresentou o seu recente livro “Por acaso…” em terras de Santa Maria da Feira (de onde é natural, ‘por acaso…’) e do qual já aqui dei nota ("Por acaso..." da Fátima Araújo. (ou nada é por acaso) ; Nada acontece por acaso... ; Livro da jornalista Fátima Araújo, "Por acaso...").

Sobre o livro, este é o retrato não ficcionado de uma realidade que a muitos, à maioria, à quase totalidade, dos portugueses passa à margem do seu dia-a-dia, é significativamente indiferente: a deficiência, o ser deficiente, ao caso, a realidade de quem sofre de paralisia cerebral. Ou como, tão bem e com a legítima propriedade intelectual, escreve, no prefácio, o Prof. Doutor João Lobo Antunes, paralisia cerebral ou descoordenação cerebral.

Por outro lado, a autora deste exemplar trabalho vertido em livro, não pode, nem quer (antes pelo contrário) despir a sua identidade profissional. Tal como a Fátima Araújo afirma, na nota introdutória, não por uma vontade justiceira (ao jeito de uma Batwoman ou de um qualquer conto de fadas) mas por um legítimo direito ao exercício da cidadania, cabendo ao jornalista a suprema responsabilidade profissional de espelhar a realidade, de denunciar, de provocar na sociedade massa crítica face à verdade, nua e crua, da complexidade da nossa existência. Neste caso, o exemplo vivencial e determinado de cinco jovens com paralisia cerebral, as suas experiências de vida, as suas determinações, a superação de todo um infinito conjunto de barreiras, dificuldades, entraves, desafios, estão reflectidos num exemplar manifesto de alerta e denúncia, fruto de um trabalho jornalístico que, felizmente, a Fátima Araújo verteu em palavras, dando-lhe uma maior vida, uma maior dimensão, que a realidade das peças jornalísticas (por força do tempo e do espaço) limita.

Mas há mais… se qualquer um de nós está à espera de assistir a uma enfadonha e tradicional apresentação de um livro, desengane-se. Se qualquer um de nós está à espera de ouvir falar de uma realidade, bem presente na sociedade, de forma ficcionada, como em tantas obras que hoje, infelizmente, se publicam “a torto e a direito”, desengane-se. Se qualquer um de nós está à espera de ficar indiferente a este “Por acaso…” e à forma como a Fátima Araújo nos expõe o livro, incomode-se, inquiete-se, desassossegue-se. Nada é ‘por acaso’.

A participação e intervenção dos protagonistas destas verídicas e reais histórias são suficientes para nos fazerem mexer na cadeira; a forma como a Fátima Araújo ultrapassa a fronteira das 134 páginas do seu livro e nos “acusa”, nos incomoda, nos denuncia, nos inquieta e nos alerta para a realidade do dia-a-dia de quem vive com as dificuldades da deficiência, é, no mínimo, desconfortante, incómoda, sensibilizadora (por mais frios e distantes que queiramos ser). Porque, naquele momento, tomamos plena consciência da “deficiência” do nosso viver ‘normal’ (e normalizado), da liberdade que não partilhamos e que não aproveitamos na plenitude; das facilidades e mordomias que assolam a nossa mobilidade, acessibilidade e vivências diárias; da inquietação quando confrontados com o nosso egoísmo pacóvio e indiferença obtusa.

“Por acaso…” incomoda, denuncia e desassossega… felizmente. Que o digam todos quanto encheram (e alguns de pé) o auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira (apesar da chuva e do frio).

Ficam aqui, algumas das datas disponíveis das próximas apresentações do livro da Fátima Araújo. Obrigatória a presença para quem quer e pretende uma sociedade mais inclusiva e justa.

21 de Novembro de 2014, 21h, FNAC do Gaia Shopping, Vila Nova de Gaia;
22 de Novembro de 2014, 18h, Biblioteca Municipal de São João da Madeira, com actuação do grupo de canto Ensemble Vocal;
23 de Novembro de 2014, 17h, FNAC da Rua de Santa Catarina, Porto;
3 de Dezembro de 2014, 18h, Biblioteca Municipal de Espinho;
5 de Dezembro de 2014, 18:30h, Grande Auditório do ISCTE, Lisboa.fatima e livro.jpg

publicado por mparaujo às 16:06

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