Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

18
Jun 17

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publicado na edição de hoje, 18 de junho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
O “partido” abstencionista

Tomemos o exemplo dos resultados eleitorais da primeira volta das legislativas francesas, que tiveram lugar no passado domingo, agora que começam a surgir, de forma mais regular e persistente, os sucessivos anúncios das inúmeras candidaturas autárquicas (1 de outubro de 2017).

A relação pode figurar-se estranha mas tem a ver, unicamente, com uma vertente dos resultados: a legitimidade eleitoral.

Como resultado da ida às urnas, o partido do recente eleito presidente francês Emmanuel Macron, recolheu uma maioria significativa dos votos da primeira volta das legislativas francesas. O recém-criado partido República em Marcha, que colocou Macron no Palais de l'Élysée como Presidente da República Francesa, conseguiu mais de 32% dos votos expressos o que levou as projecções a apontarem a conquista de cerca de 430 dos 577 lugares da Assembleia Nacional (perto dos 75% do número de assentos). Os resultados e as projecções para a segunda volta eleitoral fizeram soar os sinos políticos e partidários em França. Por um lado porque estes resultados abalaram muitos dos partidos tradicionais, seja a extrema-direita do Frente Nacional, seja, principalmente, os partidos à esquerda como o Partido Socialista Francês (com apenas 9,51% e que perde cerca de 200 lugares na Assembleia) e a Frente Insubmissa (13,7% dos votos). Mas mais do que a queda abrupta do Partido Socialista e da esquerda francesa o grande destaque foi para o valor histórico da abstenção que se situou perto dos 52% dos eleitores. Valor que leva a algumas análises interessantes. Primeiro, o da legitimidade, não por força da legalidade (essa é inquestionável), mas da representatividade democrática. Se bem que a eventual e hipotética ausência dessa representatividade cabe, em primeira instância, à irresponsabilidade cívica dos franceses que, como a sua ausência nas mesas de voto, legitimam com a própria abstenção (pela indiferença, pelo afastamento, pela apatia e marasmo, pelo desinteresse) os resultados eleitorais. Segundo, pelo que foi possível apurar, as razões que levaram os franceses a não votarem: o excesso de processos eleitorais, muito próximos no tempo; a contestação ao sistema político instalado e aos partidos tradicionais, pela forma como têm estado na política e têm exercido política (o que é demasiado perigoso já que provoca o desgaste da democracia, alicerçada no “sistema”, e promove o surgimento dos extremismos e populismos); e ainda a noção que os eleitores têm, pela própria avaliação e experiência, pelas sondagens ou projecções, de que determinada eleição está previamente garantida. Esta última realidade é, de todas, a mais perigosa para qualquer processo eleitoral e para a própria democracia. E é esta realidade que se projecta para as eleições autárquicas. São várias as candidaturas e, principalmente, as recandidaturas que podem sofrer desta “patologia” democrática em dia eleitoral. Tomemos os exemplos muito próximos de Ílhavo, Aveiro ou, ainda, de Ovar. Pela análise política, por eventuais sondagens e projecções, ou, mais importante, pela avaliação simples e concreta dos cidadãos, Fernando Caçoilo, Ribau Esteves ou Salvador Malheiro, como mais ou menos votos, com mais ou menos maioria, deverão garantir a sua continuidade autárquica. Só que a história política, inclusive alguma bem recente (lembremo-nos do caso da não reeleição de Alberto Souto em 2005, quando tudo apontava nesse sentido e é Élio Maia quem vence as eleições em Aveiro), tem exemplos suficientes para serem bem reflectidos e pensados. Os sucessos políticos dos mandatos exercidos, a maior confiança que exista no eleitorado e nos cidadãos, obrigam a um esforço eleitoral redobrado. Primeiro porque não é saudável para a democracia o alheamento e o distanciamento para os eleitores, pela responsabilidade cívica que estes devem ter nos destinos do país ou das suas comunidades, concedendo-lhes a legitimidade necessária para que possam exigir governações (sejam nacionais ou locais) com rigor, eficácia e eficiência. Segundo, porque um alheamento eleitoral dos cidadãos, crentes em resultados pré-consumados, pode trazer dissabores. Por um lado, a questão de representatividade democrática e, por outro lado, a abstenção pode inviabilizar e impedir, na contagem efectiva dos votos, a eleição ou reeleição de projectos e candidaturas consistentes, expectáveis, desejadas ou esperadas.

É em relação às candidaturas apontadas como eventuais vencedoras que todos os votos são importantes (sendo essa a vontade de cada um, obviamente) e que a abstenção deve ser combatida eleitoralmente, para que a democracia funcione em pleno e para que não haja, no final, dissabores ou surpresas inesperadas.

publicado por mparaujo às 07:10

26
Jan 14

Ontem, o Jornal de Negócios, publicou uma sondagem (produzida pela Aximage) referente às intenções de voto dos portugueses para o próximo processo eleitoral: eleições europeias.

As eleições terão lugar daqui a cerca de quatro meses (em Maio). Os resultados apurados dão uma vitória à já anunciada coligação PSD/CDS com 37,1% das intenções de voto, contra os 35,5% de votos no actual maior partido da oposição, o PS.

Não vou, nem faz qualquer sentido a esta distância temporal, fazer qualquer comentário às intenções de voto nos partidos. Ainda há caminho a percorre, não se entrou em qualquer período de campanha, o Governo ainda terá sobre si o ónus da austeridade e terá de justificar o período pós-Troika que se avizinha. Como diz o ditado popular, muita água correrá debaixo da ponte.

Mas há dois dados sobre os quais importe refletir, porque esses não deverão sofrer significativas alterações e são relevantes.

Primeiro, o facto da sondagem espelhar um significativo valor de votos nulos, em branco e em “outros” partidos, situando este item acima das intenções de voto no PCP e no BE.

Mas mais importante e preocupante, é o número de abstenções: 60,8%. É certo que as eleições europeias sempre tiveram muito pouco impacto nos portugueses. Ou porque os portugueses, ao fim destes anos todos de integração europeia, ainda não entendem o peso e a importância da UE; ou porque, entendendo-a , não a aceitam; ou porque os portugueses continuam alheados da política (por mais que critiquem); ou, ainda, pelo facto, da maioria dos portugueses estarem completamente desiludidos com o rumo do país. Não só pelos 60% de abstenções (e mais 11% de indecisos), mas também pelos resultados da sondagem da Universidade Católica, realizada este mês, e que revele que “mais de dois terços dizem que o país está pior do que antes da Troika”.

publicado por mparaujo às 23:28

24
Jan 11
A propósito deste post ainda o "malfadado" candidato chamado: Cartão de Cidadão / Cartão de Eleitor.

Se no governo estivesse o PSD, o CDS ou ambos coligados, e tivesse ocorrido a mesma situação de pessoas impedidas de votar por causa do Cartão Cidadão, caía o Carmo e a Trindade.
Era logo necessário outro 25 Abril, tinhamos voltado ao tempo do facismo, um atentado à democracia, tal e tal e tal.... Manuel Alegre de certeza movia mundos e fundos para impugnas as eleições.
Como foi um governo de esquerda, social, democrático, pela liberdade e estado social... a coisa passa como um mero e infeliz contratempo...

É o que temos!
publicado por mparaujo às 21:54

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