Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

01
Jun 17

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a propósito da reflexão de ontem, "Falsos Moralismos"...
ou melhor... infelizmente, nem de propósito.

Ainda há poucos meses (finais de março), Donald Trump, perigosamente armado em salvador do mundo, depois de bombardear a base militar síria em Shayrat, decidiu autorizar a que as suas altas patentes militares lançassem, na província de Nangarhar no Afeganistão, a chamada "mãe de todas as bombas" (a maior bomba não nuclear com 11 toneladas de TNT e até agora nunca usada) isto quando a Rússia e o Afeganistão preparavam a sua cimeira bilateral (só por "coincidência", claro).

Na altura foram inúmeros os elogios dos americanos a esta decisão da Administração Trump, bem como do presidente dos Estados Unidos às suas elites militares, enquanto a Europa, mais concretamente, a União Europeia assobiava para o lado repartida entre a dualidade da relação euro-americana (tendo igualmente em conta que esta era ainda uma acção que tinha a Rússia como alvo político) e o receio e a insegurança que Donald Trump, manifestamente, trás ao mundo.

Na altura muitos ficaram admirados pela referência usada de "andar um perigo à solta na Casa Branca".

Agora, no seguimento da última e recente cimeira NATO, já é a própria Europa que questiona e duvida da estabilidade e dos benefícios da sua relação com os Estados Unidos da América (e da própria a Inglaterra).

A verdade é que volvidos cerca de dois meses após o ataque americano a Nangarhar, do qual a propaganda política mediática da Administração Norte Americana se rejubilava publicamente, continuamos a assistir a um aumento da escalada terrorista, à guerra, à violência e à morte de centenas e centenas de inocentes.

Ontem, em pleno Ramadão, a zona das embaixadas e representações diplomáticas internacionais em Cabul, capital do Afeganistão, na zona conhecida como Wazir Akbar Khan, foi devastada por um forte atentado muito perto da Embaixada da Alemanha.

A explosão de um camião-cisterna teve ainda impactos nas Embaixadas da França, Turquia, Japão, Bulgária, Paquistão, entre outras.

Ainda sem ter sido reivindicado, este atentado provocou, segundo os últimos balanços oficiais, 90 mortos e cerca de 400 feridos, sendo já considerado um dos piores atentados dos últimos anos no Afeganistão.

Mas claro que a culpa há-de ser, exclusivamente, dos outros, dos "verdadeiros maus"... enquanto o comércio internacional de armamento vai revigorando forças (com alguns países mais que "beneficiados", como a Arábia Saudita), enquanto o terrorismo não encontrar uma solução política internacional e servir para populismo e extremismos, e enquanto Europa, Estados Unidos, Rússia e China se alimentarem dos interesses geopolíticos e geoestratégicos. A isto acrescentando ainda uma África completamente desprezada e abandonada.

publicado por mparaujo às 12:18

14
Abr 17

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Que legitimidade tem um país, seja ele qual for, ao abrigo das relações e do direito internacional para atacar, por livre e unilateral iniciativa, um outro país? Nenhuma... sejam os Estados Unidos, a Rússia, a China, ou outro país qualquer.

Mesmo com a cobertura da NATO, da ONU ou de acordos pontuais e parcelares, serão mais as interrogações e dúvidas do que as respostas concretas e as certezas sobre os resultados práticos das ofensivas. Basta recordar o que o Mundo vive hoje após a Guerra do Golfo, a invasão do Iraque ou do combate aos Talibãs e à Al-Qaeda no Afeganistão.

Donald Trump sabe que pelo passado recente na história  dos Estados Unidos (após 11 de setembro de 2001) os americanos olham para a política externa com um elevado sentido de unidade, ao contrário do que espelha o comportamento da sociedade americana no que respeita à política interna. E volvidos os quase primeiros 100 dias de administração Trump, a verdade é que têm sido mais as polémicas, os falhanços políticos e o desastre da governação interna do que propriamente um estado de graça que os resultados eleitorais poderiam fazer crer.

Daí que Donald Trump tenha encontrado nas altas patentes militares o seu maior aliado político, mais do que a justiça, do que o poder político (Senado e Congresso), mais do que o sector financeiro (por exemplo, como a recente posição contrária e oposta, por parte do Tesouro, em relação a eventual manipulação de moeda por parte da China) ou mais do que a própria sociedade americana completamente fracturada.

Daí que Donald Trump tenha encontrado a melhor forma de se manter politicamente sobrevivente aos olhos dos americanos: reavivar a história recente dos atentados terroristas em 2001 e do consequente combate aos Talibãs, à fragilizada e reduzida Al-Qaeda ou ao Estado Islâmico.

E é apenas nesta perigosa assumpção de força e de política musculada, de potência geopolítica (mesmo que auto-determinada), de auto-nomeado justiceiro, que Donald Trump se posiciona em relação aos americanos, aos Russos e aos Chineses, sem medir ou pesar qualquer tipo de consequências seguintes e impactos ou danos político colaterais das suas opções e acções.

Foi assim na Síria há poucas semanas com o bombardeamento à base do Governo Sírio em Shayrat e que foi aplaudida pela maioria dos norte-americanos contrapondo com os 40% de popularidade interna de Trump; foi assim com o lançamento, na província de Nangarhar no Afeganistão, da "mãe de todas as bombas" (a maior bomba não nuclear com 11 toneladas de TNT e até agora nunca usada) isto quando a Rússia e o Afeganistão preparam a sua cimeira bilateral sem a presença dos Estados Unidos e sem que daí se conheçam reais resultados práticos; ou esta incompreensível, injustificada e insensata medição de forças e presença provocatória ao largo da Coreia do Norte.

Se os actos geopolíticos consequentes ao 11 de setembro de 2001 trouxeram um mundo mais perigoso e instável, janeiro de 2017 (mais propriamente 20 de janeiro de 2017 - tomada de posse de Donald Trump) agravaram a realidade internacional, potenciam a conflitualidade entre povos e renovam o medo que paira no dia-a-dia de milhões de pessoas.

Não basta ser-se potência económica e militar porque bombardear é simples e fácil para os norte-americanos... é muito mais relevante e importante a capacidade para se ser potência e se ter responsabilidade política e geoestratégica. E política e estratégica é o que mais falta nesta administração norte-americana.

E ainda o mundo se queixava do lado pior de George W. Bush.

publicado por mparaujo às 23:37

25
Nov 07
A morte é sempre estúpida.
A guerra não o é menos.
O direito à vida é inalienável.
A vida é o direito mais importante e fundamental do Homem.
Por outro lado, é discutível se a nossa presença no Afeganistão, no Iraque, Balcãs ou em qualquer outro ponto do mundo é importante, imprescindível, relevante ou compensatória.
Além disso, é argumentável questionar-se a obrigatoriedade ou o voluntariado da presença dos militares nas campanhas externas.
Menos justificável é a razão porque se morre por uma causa que não é a nossa.
Nada justifica a perda da vida humana.
Nem o dever de cumprir a missão…
publicado por mparaujo às 19:43

18
Nov 05
Podemos (e devemos) ser contra a Guerra.
Podemos não concordar com o envolvimento das forças armadas portuguesas em cenários internacionais de guerra.
Não podemos é ficar indiferentes quando um português, no exercício das suas funções de estado, morre... pelo sentido patriótico, pela segurança e liberdade dos outros.
Sem direito a comentários... O meu respeito.
Um militar português morreu esta sexta-feira em Cabul, capital do Afeganistão, depois do carro de patrulha onde seguiam ter detonado uma mina.
publicado por mparaujo às 15:37

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