Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

21
Dez 16

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publicado na edição de hoje, 21 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Não sabe a Natal…

O calendário não deixa dúvidas, seja para crentes ou para não crentes, seja na esfera religiosa ou na esfera pagã ou laica, seja junto a um presépio ou junto a uma árvore de Natal, seja a contemplar o Menino ou à espera que alguém desça pela chaminé, a verdade é que estamos no Natal. A questão é: mas que Natal?

Por força da condição humana esta época é, por si só, um período de maior sensibilidade social, de maior atenção humanitária e humanista, de uma maior proximidade com aqueles que têm mais dificuldades na vida, seja porque razão for. Embora, seja óbvio, que tais realidades nos deveriam preocupar durante todo o ano. Aliás, não raramente ouvimos como desculpa e como justificação para restringir a proximidade ou alargar distâncias em relação às realidades negativas da vida humana (pobreza, o desemprego, a fome, a morte, o terror e o medo) as vozes críticas acusando quem olha mais global esquecendo os que estão e moram ao lado, mesmo que essas vozes críticas nem se preocupem por uns ou por outros.

Vivências em cenários de guerra, de permanente fuga à morte pelas armas, de fome, de pobreza, de isolamento, da necessidade de acolhimento e refúgio, não têm fronteiros e são da responsabilidade universal. É uma questão óbvia e natural da defesa dos valores dos direitos universais, da defesa do direito inalienável e primário da vida.

São inúmeras, nalguns casos excessivas e questionáveis (porque, não raramente, fraudulentas), as campanhas de solidariedade e humanitárias que proliferam neste período do ano. Surgem no âmbito dos cuidados da saúde, dos apoios sociais, nos contributos para entidades que prestam serviços primários às comunidades, para causas culturais, para a solidariedade com uma comunidade ou com os vizinhos. Raramente, salvo as devidas excepções (também elas raras), apesar do espírito natalício, tenha ele carácter religioso ou não, surgem campanhas consistentes que contribuam para a paz. E este alheamento dos cidadãos, das comunidades e, nomeadamente, dos governos das nações e das instituições internacionais, face ao que é, hoje, a realidade da convivência e sobrevivência internacional é, deveras, preocupante e inquietante. A forma como as pessoas são incapazes de aceitar o outro, de aceitar as diferenças e conviver com elas, respeitar diferentes convicções e opções de vida; a forma como os países sobrepõem interesses questionáveis ao respeito pelo direito universal e internacional à existência de cada povo e nação; a forma como as comunidades excluem em vez de incluir, ostracizam em vez de valorizar e envolverem ou acolherem; tem tornado estas três últimas décadas um verdadeiro genocídio universal, tem transformado a vidas das comunidades e dos cidadãos insegura, turbulenta, infernal, desumana.

Quando no declínio da chamada “guerra fria” o mundo assistia, nos finais de 1989, à impensável queda do Muro de Berlim, ao fim da “cortina de ferro” e da União Soviética e do pacto de Varsóvia, muitos foram os que acreditavam num mundo melhor, mais igual, mais justo, mais fraterno. Puro engano… as nações estão mais agressivas, menos cooperantes, mais dominadoras, e os povos/cidadãos menos tolerantes, mais indiferentes, menos solidários.

Os acontecimentos do início desta semana que dizimaram milhares de pessoas, feriram outras tantas e exilaram ainda mais em Aleppo (Síria), em Berlim, na Turquia, na Suíça, na sempre esquecida e abandonada África ou no Médio Oriente, mais não são que o reflexo de 30 anos (pelo menos) de uma comunidade internacional em constante êxodo, em permanente conflito por imposição de verdades e convicções absolutas que não existem, o reflexo de 30 anos da degradação dos valores e direitos humanos fundamentais e universais. Não bastam, face aos acontecimentos, as mensagens de solidariedade entre algumas nações, quando a União Europeia vê os princípios e valores da sua fundação e estruturação a regredirem permanentemente; quando a comunidade internacional não consegue lidar com as diferenças entre os povos, não consegue aceitar princípios básicos de convivência ou de justiça internacional, não consegue unir esforços no combate a realidades de terror e de carnificina como a que diariamente assistimos, tendo a Síria como exemplo entre outros tantos.

Não faz sentido desembrulhar aquela prenda especial, carregar sacos no centros comerciais, beijar o “menino na Missa do Galo, quando milhares de pessoas vivem em campos de refugiados, vivem debaixo das pontes, fogem por entre as ruínas das suas cidades e tentam escapar por entre as balas e as bombas, sem que disso tenham qualquer responsabilidade.

E 2016 tem sido um forte espelho desta triste realidade… em pleno Natal.

publicado por mparaujo às 10:01

17
Jun 14

Já estivemos juntos em reinados antigos até que D. Afonso Henriques resolveu "insurgir-se" contra a sua mãe.

Vivemos séculos lado a lado, nem sempre com os melhores "olhados e sorrisos".

Agora que terminaram com o Feriado Nacional a 1 de Dezembro...

Agora que regressou ao trono de Espanha um Filipe (más memórias portuguesas para a presença de Filipes no trono de Espanha)...

Agora que ambos os países se envolveram numa crise económica, social e política semelhantes...

Eis que regressa a Peninsula Ibérica... e em força.

Logo agora que estamos no Mundial do Brasil 2014...

upssssssssss... pois é. Até aí Portugal e Espanha com arranques e destinos comuns, às mãos de uma Alemanha e uma Holanda que sempre nos atormentaram e numa América do Sul que já nos agradou muito mais (à alma, aos cofres, às gentes e ao império)

Mau presságio.

publicado por mparaujo às 10:01

26
Mar 13

A minha cara eurodeputada Edite Estrela faz hoje (na sua página do facebook), e bem, referência à data/efeméride, importando "chamar a atenção para a história" e, acrescentando eu, lembrando o facto à chanceler alemã Angela Merkel.

A 27 de fevereiro de 1957, em Londres, era assinado o "Plano Marshall" para a recuperação da Alemanha (e parte da Europa) no pós-guerra. Faz, este ano (fez em fevereiro último) 60 anos.

É bom fazer recordar isso aos políticos e financeiros alemães que, na maioria dos momentos, têm tido uma espiral recessiva de memória.

No entanto, há, gostemos ou não, um outro aspecto que importa ter em conta (a bem da verdade).

A verdade é que os alemães pegaram no dinheiro do plano, e no perdão da dívida, e investiram na economia (na produtividade), gerando sustentabilidade, riqueza e emprego.
E nós não acertamos uma previsão, uma medida com impacto positivo, e geramos cada vez mais dívida, recessão e desemprego (pobreza).

Talvez alguém nos lembre daqui a 60 anos (pena que pelas piores razões).

publicado por mparaujo às 15:59

09
Mai 12

Publicado na edição de hoje, 9.05.2012, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Debaixo de um ataque de nervos.
A Europa, mais concretamente a União Europeia e ainda mais especificamente a Zona Euro, entrou num ciclo preocupantemente incerto e inquieto, para não dizer incerto e controverso. As recentes eleições em França e na Grécia, mesmo que distintos nos impactos e nos resultados, deixam antever um futuro imediato de alguma agitação e alguma preocupação quanto ao rumo da União Europeia e da sua zona euro.
No caso francês, a viragem à esquerda nas opções eleitorais e a proposta apresentada a sufrágio por François Hollande poderá ter duas leituras diferenciadas: ou a França consegue iniciar o debate e a discussão com vista um novo rumo para a Europa (onde a austeridade se submete a planos alternativos de crescimento – nomeadamente com o combate ao galopante aumento da taxa de desemprego), tendo sempre presente a pressão e o domínio económicos da Alemanha; ou, face a uma Europa que não sobrevive sem o papel e preponderância alemãs, manterá a sua subjugação aos critérios económico-financeiras da Sra. Merkel, enquanto esta estiver à frente dos destinos da Baviera, o que representará, a muito curto espaço de tempo, um rasgar das propostas do novo inquilino do Palais de l'Élysée.
E este braço-de-ferro entre uma nova visão para a Europa em crise a as actuais medidas e projectos europeus delineados ou em discussão, com a forte subscrição alemã, irá colocar um evidente ponto de interrogação sobre o futuro da Europa, com evidentes repercussões nos planos de resgate em curso nalguns países membros.
Noutro âmbito, as eleições gregas, com os fracos resultados da Nova Democracia e do PASOK, mais do que criarem um grave problema político interno, vêm trazer um desafio acrescido à Zona Euro.
Tal como aconteceu em Itália, Portugal, Espanha, França (e as pressões políticas na Bélgica e na Holanda), o que o povo grego expressou em voto foi um notório “não” às políticas impostas pelo memorando de resgate e a forma como foram aplicadas, o que significa, por extensão, um redondo “não” à forma como a União Europeia tem lidado com a crise e com a falta de solidariedade e de “união” entre os estados membros.
A incapacidade de formação de governo, com a ausência de consenso entre os partidos gregos, vai ter repercussões ao nível do resgate financeiro e da própria sobrevivência grega no seio da Zona Euro e, eventualmente, na própria União Europeia. O que ainda estará por apurar é se esta realidade da Grécia não terá impacto nos países do sul: Irlanda, Itália, Espanha e, obviamente, Portugal.
Uma última nota para um outro dado resultante das eleições em França e na Grécia, que não deixa de ser curioso e, eventualmente, preocupante: o aumento e crescimento eleitoral de partidos radicais, sejam eles de extrema-direita ou extrema-esquerda. São os exemplos da extrema-direita nacionalista de Le Pen, o partido da Frente Nacional (agora liderado pela sua filha); a extrema-esquerda grega que foi a segunda força eleitoral nestas eleições; a eleição de vinte deputados do partido neo-nazi grego; ou até mesmo o aumento do partido “pirata” nas recentes eleições locais alemãs. Há leituras que não devem deixar de ser feitas quer ao nível da importância e relevância do papel dos partidos, dos políticos e das políticas de quem tem governado a Europa, recentemente.

publicado por mparaujo às 05:24

23
Fev 12
até pode ser falta de memória... mas inclino-me mais para um discurso de pura retórica e demagogia política. Quando não se tem um rumo concreto, quando não se tem uma argumentação consistente e clara, quando não se sabe ser oposição (para mal do PS e do país) só há lugar a banalidade e lugares comuns, para além de uma ausência gritante de propostas concretas.
A propósito desta afirmação pública (difundida pela maioria dos órgãos de comunicação social) de António José Seguro - "Seguro acusa Passos de ser seguidista face à Alemanha (acusando ainda o primeiro-Ministro de estar inactivo e de ser meramente seguidista face à Alemanha)" - convém recordar um período muito recente onde o ex-primeiro-Ministro, José Sócrates, corria para a Alemanha para regressar com um anúncio de mais um PEC. Curiosamente, um governo sustentado por António José Seguro.



E a propósito das frequentes acusações de que a acção do Governo está desenquadrada com o que foi assinado em maio de 2011 com a Troika, é interessante este trabalho produzido pelo Blogue "31 da Armada".
A ver...

publicado por mparaujo às 22:51

27
Jan 12
27 de Janeiro... a História nunca pode ser travada!

67 anos após o encerramento de Auschwitz, hoje é dia de lembrar o Holocausto.
Não só as vítimas dos campos de concentração, como todos os que foram vítimas das experiências médicas medonhas do regime Nazi, bem como as perseguições e execuções sumárias nas cidades dos países ocupados durante a Segunda Grande Guerra...


7 milhões de polacos dos quais 3 milhões de polacos judeus
6.1 milhões de judeus dos quais 3 milhões de judeus polacos
6 milhões de outros civis eslavos
4 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos
1.5 milhões de dissidentes políticos
800 000 roma e sinti
300 000 deficientes
25 000 homossexuais
publicado por mparaujo às 22:56

01
Mar 11
... à segunda só cai quem quer!!!!

Já ninguém acredita neste Governo… se calhar já nem o próprio Governo acredita em si mesmo.

As incoerências e incongruências das medidas e políticas governativas no combate à crise e na necessidade de estancar o défice das contas públicas são por demais evidentes. Infelizmente, para a maioria dos cidadãos que se vêem privados de parte dos seus salários, de direitos sociais, de melhor qualidade de vida, de mais desenvolvimento económico e social, os sacrifícios são muitos e não vão parar por aqui.
 
Mas tal como em Portugal, onde a confiança em José Sócrates roça o limiar do ponto zero, são imensas as dúvidas de que as instâncias europeias e internacionais ainda acreditem no sucesso orçamental deste governo.
 
Daí que a “visita” de Sócrates e de Teixeira dos Santos à Sra. Merkle mais não seja do que a confirmação do desaire da gestão do país e a confirmação da entrada da ajuda externa que, para o comum do cidadão, já tanto faz que seja o Fundo Europeu ou o FMI.
Mesmo que para as hostes socialistas seja conveniente que se entenda e se classifique o encontro como o garante do futuro europeu ou da sustentabilidade da Alemanha… como se Portugal tivesse um peso europeu de relevo ao ponto de servir como referência.

Resta saber até que ponto os portugueses conseguirão resistir mais, conseguirão suportar mais esforços e sacrifícios, conseguirão conter o descontentamento.
publicado por mparaujo às 22:34

09
Nov 09
Lembro-me perfeitamente... tinha 23 anos, ainda estava embrenhado activamente na política.
1949 marcava uma nova era geopolítica (europeia e internacional), com o fim da segunda grande guerra.
Em 1961, Berlim, a Alemanha, a Europa, o Mundo, via, estupefacto, a construção de um muro e de uma cortina de ferro que, mais que envergonhar, fracturava as nações, criava mitos, ideologias opostas, conceitos distintos.
Durante muitas décadas, o Mundo e a Europa viveu suspenso numa guerra fria (ideológica, política, económica, militar, cultural e científica).
Mas o mundo foi acordando para novas realidades...
A aspiração legítima dos povos de sentir a liberdade, a independência, a oportunidade, a união, foi abalando sistemas e "muros".
9 de Novembro de 1989 foi um marco histórico na vida de milhares e milhares de berlinenses e alemães. Mas 9.11.89 foi também um marco histórico para a Europa e o Mundo.
O arame farpado da cortina de ferro foi sendo recolhido na Hungria.
Os militares e tanques soviéticos deixavam Praga, Afeganistão e outros países.
Em Berlim oriental abriam-se as portas e o MURO veio abaixo, sem sangue, sem armas, só com a vontade do povo e o seu sentimento de liberdade e união.
Por outro lado, Gorbachov alterava o curso da história económica e política da ex-URSS.
Se para muitos europeístas, o centro político e estratégico está confinado à França, eu entendo que a Alemanha (e Berlim) pelo seu passado histórico (duas guerras mundiais) e o epicentro de uma viragem política mundial (a queda do muro de Berlim) é, mais do que a vertente económica, inigualável do ponto de vista geopolítico.
As Berlinenses e aos Alemães, obrigado e Parabéns.
publicado por mparaujo às 21:33

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