Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

28
Dez 16

images.jpg

publicado na edição de hoje, 28 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Sem deixar saudades…

Há que respeitar as tradições… e a tradição impõe que em cada final de ano, em cada fim de ciclo, se faça um balanço. Até porque a vida é (ou deve ser) feita de balanços porque eles ajudam viver o presente e a projectar o futuro. Este é, clara e objectivamente, pessoal, embora transmissível. O ano de 2016 não deixa saudades, apesar de um ou outro aspecto positivo.

Olhemos primeiro para além fronteiras. É indubitável que a crise humanitária dos refugiados (segundo a ACNUR são cerca de 65 milhões em todo o mundo), a guerra e os atentados são a principal “marca” deste ano, com evidente repercussão na Europa. A incapacidade da União Europeia lidar com este flagelo, do qual tem claras responsabilidades, fragilizou a sua existência e abalou os seus pilares fundamentais. Cresceu a divisão e o eurocepticismo que tiveram como ponto alto o Brexit que deixará marcas na unidade europeia; cresceram os fundamentalismos, nacionalismos e extremismos, com notórios reflexos sociais e políticos nos Países Baixos, na Alemanha, em França, na República Checa, na Hungria e na Roménia, por exemplo; cresceu a incerteza quanto ao futuro da União Europeia. Por outro lado, a guerra na Síria, nomeadamente em Aleppo, não é mais que o espelho de um Mundo que há décadas se tornou instável, conflituoso e inseguro. Basta recordar, o Iraque, o Afeganistão, a Turquia (Mossul, por exemplo), o Paquistão, a Síria, a Nigéria, a Somália, a África Central, Burkina Faso, entre outros. A Europa vive em permanente sobressalto, por mais que o dia-a-dia dos cidadãos não se altere e se mantenham as rotinas, tendo a Alemanha (Berlim) “fechado” um ano marcado por atentados extremistas em França, na Bélgica ou na Suíça. É inevitável falarmos de 2016 deixando de fora a política. As surreais, inéditas e depreciativas eleições americanas colocaram na Casa Branca o questionável e criticável Donald Trump que não trará, para muitos, grandes esperanças num mundo melhor. Também a Espanha conheceu uma crise política sem precedentes com a dificuldade criada pelo PSOE na formação de um governo minoritário do PP de Mariano Rajoy, sem esquecermos a grave crise política brasileira ainda sem impactos previsíveis. Duas notas finais neste além fronteiras para o número de jornalistas mortos em 2016 (74) em serviço e ao serviço da informação e da liberdade de expressão; liberdade de expressão que recorda ainda o caso dos activistas angolanos dos quais Luaty Beirão é um dos principais rostos na defesa da liberdade.

Entre portas, por cá, a agenda política marcou este ano que agora termina. Por força do “diabo”, de um previsível e mais que anunciado fim curto o Governo PS, com o apoio do BE e do PCP, manteve a geringonça lubrificada e em funcionamento, não sendo expectável que a mesma termina antes do prazo da legislatura, sendo inclusive conjecturável um forte impacto governativo nos resultados das próximas eleições autárquicas de 2017; isto apesar de uma outra face da austeridade que cobrou aos portugueses mais 516 milhões de euros em impostos que em 2015, do estado do sistema da saúde e de uma ilusória educação e ensino degradados, conflituosos (escola pública vs privada) e em auto-negação face aos resultados estatísticos conhecidos (PISA e Ranking Escolar), sem esquecermos a gestão política falhada no processo da CGD e da instabilidade bancária nacional, com o caso BES à cabeça. Por outro lado, a oposição, nomeadamente o PSD, demorou demasiado tempo a sair do “luto governativo”, a digerir uma vitória eleitoral transformada "parlamentarmente" em derrota mas, acima de tudo, demorou (e ainda demora) a posicionar-se como alternativa e a defender um caminho duro percorrido com alguns sucessos em vez de se manter como a voz da tragédia e o permanente anúncio do apocalipse governativo. Como peso da balança, o ano político de 2016 tem a marca inquestionável da mudança de inquilino no Palácio de Belém com a eleição do carismático e surpreendente Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República. Ficam duas notas significativamente positivas: os sucessos europeus e mundiais desportivos alcançados em 2016, dos quais o título inédito de Campeão Europeu de Futebol, em França, é o apogeu e, independentemente dos gostos e simpatias, das afinidades ou repulsas, a surpreendente eleição de António Guterres para o cargo de Secretário-Geral da ONU é uma referência importante na história política e geopolítica de Portugal.

Por último o ano de 2016 deixa um rasto de tristeza e profundo pesar: por cá o país perdia nomes como Almeida Santos, Barbosa de Melo, Lobo Antunes, Jaime Fernandes, Moniz Pereira e Nicolau Breyner. Mas a lista não termina sem a referência, como exemplo, a Umberto Eco, Shimon Peres, Prince ou Leonard Cohen.

Que o ano de 2017 seja bem melhor que este que agora nos prestamos a fechar.

publicado por mparaujo às 10:28

pesquisar neste blog
 
posts recentes

Sem deixar saudades...

arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

27 seguidores

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
12

20

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


Visitas aos Arcos
Siga-me
links