Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

21
Fev 17

Já aqui tinha avançado a estranheza no anúncio público da concelhia aveirense do Partido Socialista de uma lista de quatro potenciais candidatos à liderança da Câmara Municipal de Aveiro. Isto porque estávamos a mais de um ano de distância das eleições e, por outro lado, tornar público um conjunto de personalidades como opção para o combate eleitoral com Ribau Esteves era, claramente, condicionar as opções, criar constrangimentos entre os pseudo-candidatos e esvaziar o partido de opções alternativas caso a lista falhasse.

Na política há momentos próprios para que se assumam publicamente determinadas opções. Mas curiosamente a pressa para marcar e demarcar a agenda política autárquica e eleitoral deste ano nunca foi boa conselheira para o PS da região (basta recordar o caso já igualmente abordado de Ílhavo, embora em âmbitos distintos).

A ser verdade o que o jornalista Júlio Almeida publica no seu site informativo - Notícias de Aveiro (para já não há desmentido oficial do PS Aveiro), o que parecia ser um dado quase adquirido transformou-se num riscar de mais um dos nomes sonantes da lista dos quatro honoráveis candidatos a candidatos: depois de Alberto Souto, Armando França e Manuel Ruivo é agora a vez de Gil Nadais (actual presidente da autarquia de Águeda) dar uma valente nega à concelhia do PS Aveiro, apesar das noticiadas influências do líder da distrital e Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, bem como do próprio Primeiro-ministro António Costa. Como diria o próprio António Costa... é a vida.

Eu vou mais longe e vem-me à memória Marques Pereira e um determinado título de um artigo de opinião com a sua assinatura: PIM-PAM-PUM...

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publicado por mparaujo às 14:29

18
Jan 17

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publicado na edição de hoje, 18 de janeiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

De novo… a cidadania e as cidades

O assunto foi abordado pelo Primeiro-ministro, em finais de 2016, aquando da realização, na Póvoa do Varzim do XX Congresso da Juventude Socialista. No discurso proferido aos jovens socialistas congressistas António Costa afirmou que «não há futuro para as nossas cidades se o centro dessas cidades não for reocupado pela vossa geração que é a geração que tem de ter oportunidade para viver no centro da cidade que é onde podemos construir o futuro para todos nós». Com esta afirmação surgem de novo as temáticas da degradação social (económica e demográfica, por exemplo) e urbana (edificado, reabilitação) dos centros das cidades e, ainda, questões ligadas às responsabilidades de cidadania e do Poder Local.

Já por diversas vezes foi mote nestas páginas a defesa do princípio de que, mais do que qualquer outra vertente ou válido conceito, a recuperação dos centros das cidades, das chamadas zonas históricas (no seu sentido lato), só faz sentido, só terá impacto e sucesso, se as pessoas voltarem a viver (e a conviver) nesses espaços urbanos. São os casos concretos aveirenses da Rua Direita e suas envolventes, da zona do Alboi, do bairro da Beira Mar e, obviamente, da cada vez mais desertificada Avenida.

Podemos falar do “estado de alma” do chamado comércio tradicional que proliferou durante muitas décadas nestas zonas dos centros urbanos, umas mais típicas, outras mais históricas; podemos acrescentar a esta anterior vertente a maior ou menor quantidade de oferta de serviços (públicos ou privados) e as suas interferências nestes espaços; podemos falar sobre os impactos, positivos ou negativos, do crescimento (em muitos casos excessivos) do turismo local que tem sido relevante para a estagnação de muito do edificado mas que traz alguns problemas à descaracterização social destes centros; podemos, também, abordar a problemática (porque é, de facto, um problema) da reabilitação urbana e do espaço público; podemos, por último, avaliar os impactos que medidas e projectos de socialização, mais ou menos esporádicos e pontuais, possam ter na revitalização dos centros urbanos; mas a verdade é que sem as pessoas, principalmente, sem as pessoas voltarem a habitar e a dar vida, diária e permanente, a estas zonas emblemáticas das identidades das cidades, tudo não passará de exercícios pontuais, esporádicos, ou de medidas de cosmética.

Deste modo, a questão da requalificação urbana tem mais significado e relevância, numa responsabilidade partilhada entre o Poder Local (aplicação de medidas e políticas como os planos urbanos inseridos nos PEDUs e/ou ARUs, no caso concreto de Aveiro os recém aprovados PEDUCA e ARU) e a responsabilidade de cada cidadão, nomeadamente os proprietários de imóveis, investidores e comerciantes. Não basta, a estes últimos exigir que as cidades sejam devolvidas às pessoas se não houver corresponsabilização no seu cuidado, na sua gestão, no seu desenvolvimento.

Será, neste sentido de responsabilidade cívica e de pleno exercício de cidadania, sem que os cidadãos estejam constante e permanentemente à espera ou dependentes dos poderes locais e centrais, que se aguarda por uma iniciativa inédita em Aveiro e que será realizada a 4 de Fevereiro: o Aveiro Soup, sob o lema “Mudara a cidade, Sopa a Sopa”. Este recente exercício pleno de cidadania (que teve a sua origem há seis anos nos Estados Unidos, em Detroit) tem como objectivo a apresentação, num jantar simples e informal, de quatro projectos com impacto na cidade e na sua comunidade (previamente escolhidos por um colectivo de personalidades ligadas às áreas científicas, empresariais, sociais e culturais) que serão avaliados pelos presentes e destes seleccionado/votado um que será implementado.

Apesar de desconhecer por completo os quatro projectos a serem apresentados, este poderia ser um excelente e interessante momento para que possam surgir propostas sólidas para se revitalizar os vários centros urbanos da cidade de Aveiro. Que seja uma boa “sopa” de ideias e de cidadania.

publicado por mparaujo às 10:48

25
Nov 16

descontos na rua.jpgA ideia e a proposta foram apresentadas à Associação Comercial de Aveiro por um dos seus associados (a Time Out Aveiro, através de Sofia Simões). Conceber um espaço temporal e um evento onde o objectivo fosse promover e valorizar o comércio local com a participação directa dos comerciantes.

A Associação Comercial de Aveiro e os cerca de 140 comerciantes (142 num total de 160 contactos) perderam logo a cabeça e foi colocado em marcha todo o desenvolvimento do conceito "Descontos na Rua" - Aveiro Moda em Movimento.

E é esta a proposta para amanhã, sábado, dia 26 de novembro. Entre as 10:00 e as 20:00 horas (non-stop) o comércio local aveirense vai estar na rua de cabeça perdida com os melhores preços e espectaculares ofertas.

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Segundo a Associação Comercial de Aveiro esta é a lista divulgada publicamente das lojas aderentes ao Aveiro Moda em Movimento - Descontos na Rua.

Resta agora aguardar pelo sucesso e pela adesão dos cidadãos (e esperar que o tempo ajude) a esta excelente iniciativa dos comerciantes aveirenses e da Associação Comercial de Aveiro.

= Avenida Lourenço Peixinho =
Farmácia Oudinot, Gianna Sapatarias, Cavalinho Aveiro, Sapatarias Veludo Carmim, Ribasil, Burgundy Aveiro, Inglot Aveiro, Maria Morena Boutique, Gocco de Aveiro, Pastelaria a Torre, Lacio, Nice Things, Crisálida Concept, VON HAFF Arquitectura Design & Decoração, StefanelAveiro, MARS Perfumes, Tico Tico Aveiro, ZigZag Café - Aveiro, GBody - Prime Clinic, Lanidor Kids, Pastelaria Avenida - RAMOS, Retrosaria MD9, Casa Alvarinho Aveiro, Lion Of Porches Avenida Aveiro, Antoine Sapataria, Best Elegance, Crc Vestuário Homem, October Aveiro, Spar Aveiro, Optivisão, Isabel Castro Cabeleireiros, Flores na Mala Pé de Meia, Maria Amélia.
= Rua Viana de Castelo=
Oculista Vieira, Sapataria Esse, TraquinasKids moda, Pastelaria Riaburguer, Blanc&Noir, Timeout Portugal, Ourivesaria Vieira, Onda Colossal.
= Rua Alberto Souto =
Arcadia Aveiro, Casa Soares, Pastelaria Latina, Latina - Adega, C'est Chouette, BlueBerry, Chana Noivos.
= Rua Alberto Soares Machado / R Guilherme Gomes Fernandes =
Balão Branco Real, Relicário Interiores, Habitare, Aurinella Presentes.
= Rua Conselheiro Luís Magalhães =
Leite Creme, Avant & Aprés, Duda Decor, Caribu Kids Fashion, Jasmim Noir Aveiro, Frutarias Frutilândia 1 e 2, Teens Power Onchik, Boutique Guiducha, Sposa Aveiro, In & Out Cooking.
 = Travessa do Dispensário =
XTREME, Sole Mio Solário
= Rua José Estevão =
A Desconfiada, O BAU, Cabeleireiro Soledade, Florista Detalhes, Capricho Sapataria, Miss's, Bernardete & Dina, Loja da Rua Larga, ABC Livraria E Papelaria
= Largo da Apresentação / Arcadas =
Cafeina NosArcos, La Rosa Cabeleireiros, Moliceiro Dos Sabores, DL Textil Lar, Socodante Aveiro, Lusidoces Lda, Gelataria Milano Aveiro, Sapataria 226, Zeca Aveiro, Tertúlia Bistro, Doce Infusão, Pastelaria Máxima, Medida & Companhia, Oh que lindos, Maria da Apresentação da Cruz, Herds..
= Rossio =
Sapataria Sandrita - Aveiro, Aveiro Emotions, Mercantil Aveirense lda, Pastelaria Rossio, Ria Pão, Padaria e Pastelaria, Loja da Calçada kids, Restaurante Pensao Ferro, À Portuguesa, Mystic Zen, Mercado do peixe, A'Capela Bar Lounge e Tapas, O Boteco
= Bairro Histórico =
Ergovisão, Up2You, Devernois Aveiro, Miyala, Pássaro de Seda Atelier, Lovecraft Beershop, Optica Nascimento, Entre Copos e Chávenas, Aqui à volta, Retrosaria Novo Estilo, Trincaxá, Ourivesaria Riadouro, O Risco, A Portuguesa - Mercearia, Cândida Pascoal-Decoração e Remodelação de Interiores, Maria João Mix and match fashion store, D'Art & Flor, Casa Martelo, Gigões & Anantes, Pippa's Store, Questão de Imagem Cabeleireiros, Gato Malhado, Canteiro Florido, Mg Sport Aveiro, Imagem Moda, MarZoo - Pet Shop, Májóti - Lingerie Senhora/Homem, The North Face Store Aveiro, Árvore de Talentos, sapataria barata, Mercadinho da Sé, José Lopes Marques - Grupo JLM

publicado por mparaujo às 15:43

26
Set 16

A economia aveirense recebeu prenda de Natal antecipada.

Segundo notícias vindas hoje a público (por exemplo, no Expresso online de hoje) a Fábrica da Renault/C.A.C.I.A. (Aveiro-Cacia) recebeu investimento na ordem dos 150 milhões de euros, viabilizando o exercício operacional de uma das mais fortes indústrias da região por mais 15 anos.

Para um sector (o automóvel) que vive momentos de turbulência, de polémica, de crise financeira e de gestão, para uma fábrica que por diversos períodos viveu momentos de incerteza e instabilidade, esta só pode ser uma excelente prenda antecipada de Natal para a empresa, para os trabalhadores e famílias, para a economia aveirense.

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publicado por mparaujo às 14:43

10
Ago 16

Preâmbulo/Adenda ao artigo (actualização)
Qualquer situação que extravase a realidade e cause pânico, perdas pessoais ou públicas, vítimas, merece o respeito e o lamento público e colectivo. Um incêndio é e será sempre um incêndio. Uma casa atingida, um bem patrimonial, o ganha pão de qualquer família que fique em risco ou destruído merece a nossa atenção. Arouca, Aveiro (Águeda e Sever do Vouga), zona do Porto, norte do país (Arcos de Valdevez/Gerês), Viana do Castelo, são disso espelho. Mas há dimensões e impactos que assustam, que inquietam, que preocupam, seja por razões pessoais, por afinidades ou simplesmente por solidariedade: a Madeira (Funchal) merece todo o meu respeito, solidariedade, pelo cenário dantesco que se vive naquela ilha. Mais ainda, conhecido que é o facto de tudo apontar para uma acção premeditada e criminosa. Seis anos após a tragédia das enxurradas na ilha... ABRAÇO SOLIDÁRIO À MADEIRA.

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publicado na edição de hoje, 10 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
É fogo que arde e se vê

Aveiro, na segunda-feira acordou com cinza espalhada, um cheiro a queimado e um ar abafado, um céu sem sol e em tom acastanhado. Uma cidade que é conhecida pela sua característica ventosa e por ser, em pleno verão, uma das cidades mais “frescas” do país, acordava (8:30 horas) nesse dia com uns significativos 30º de temperatura. As razões eram conhecidas e revisitadas na memória colectiva: desde o fim-de-semana, de forma mais acentuada e expressiva, a zona de Aveiro e a Região (Arouca, Estarreja e Águeda, como exemplos) era fustigada por incêndios de dimensão e extensão relevantes (só em Águeda e Estarreja perto de 1000 incansáveis bombeiros combatem, com inquestionável e louvável empenho, as chamas).

O mês de Julho, apesar de registar mais ocorrências que no mesmo período de 2015, registava simultaneamente menos área ardida (um número que pode reflectir o excessivo valor registado em 2015) e também eventos de menor dimensão e expressão. Daí não ser de estranhar a baixa expressão de referências na comunicação social ou a ausência do tema do debate e confronto político, algo que é, por norma e neste período do ano, um expediente recorrentemente usado para atacar o Governo. Corria, pelos factos e pelos dados, tudo bem ao país, aos cidadãos, às comunidades e, claro, ao Governo. Mas eis que, de repente, tudo muda. Apesar de, até à data, apenas se registar (e lamentar) uma vítima mortal (cidadão de 57 anos, no sábado passado, em Valongo) em todas as ocorrências desde que teve início o denominado Período Especial de Combate aos Incêndios (1 de Julho a 30 de Setembro), a verdade é que este arranque do mês de Agosto tem alterado, substancialmente, os factos e a realidade: três planos de emergência accionados (Porto, Arcos de Valdevez, Funchal), uma explosão no número de ocorrências com dimensão e expressão significativos, um considerável e claro aumento da área ardida e da perda de florestação, um esforço dos recursos técnicos e humanos ao ponto do envolvimento das forças militares (Exército) em algumas zonas, a destruição (ou deterioração) de propriedades e património particulares e públicos.

Podíamos recuperar aqui textos de edições deste espaço do ano passado, de há dois, três, quatro, cinco ou mais anos. Infelizmente, mais do que as temperaturas, as praias, as águas do mar mais ou menos quentes, a história do verão português é cíclica e demasiadamente repetitiva no que respeita aos incêndios florestais e ao incansável e inquestionável esforço dos bombeiros portugueses. Isto sem querermos menosprezar histórias irrepreensivelmente louváveis como a que ocorreu, junto da A1 em Estarreja no passado domingo (um casal distribuiu perto de uma tonelada de água às pessoas que ficaram retidas na autoestrada). Mas infelizmente, a história dos factos repete-se, os dramas revivem-se, as perdas (para já materiais) surgem.

Apesar do silêncio político em torno da realidade (e do Primeiro-ministro continuar a “banhos”), da oposição se manter emudecida pelo peso da responsabilidade governativa anterior (mesmo que, nesses períodos fosse politicamente atacada com alguma veemência por quem, hoje, é governo ou coligação); apesar das altas temperaturas que se fazem sentir; apesar da irresponsabilidade cívica dos cidadãos e dos casos criminosos que se conhecem (como a recente detenção de quatro suspeitos na Madeira) este triste e deplorável ciclo na história de cada verão português tem também muito (demasiado) de responsabilidade política que não é de agora, deste ano, nem apenas dos imediatos anteriores, mas sim, infelizmente, de políticas falhadas ao longo da história da democracia portuguesa: falta de políticas na florestação; falta de medidas na prevenção e na responsabilização de particulares e do próprio Estado (o país desconhece a real propriedade florestal nacional, seja particular ou pública); falta clara de políticas de prevenção.

Ano após ano o pais vive estes flagelos, com maior ou menor intensidade mediática em função da proximidade geográfica, do sentir bem perto a realidade, da dimensão dos factos ou das tragédias. O resto é o cíclico entregar na coragem de alguns milhares de homens e mulheres que se entregam, por mera opção voluntária, à defesa do que é “alheio”, individual ou de todos. O resto é o esperar que os ventos acalmem e que o tempo arrefeça. O resto é o desperdício de recursos financeiros, ano após ano, sem qualquer efeito preventivo ou que garante uma menorizarão dos impactos. Em jeito de conclusão e a título de exemplo: o Orçamento do estado para 2016 previu uma verba na ordem dos 84 milhões de euros para o combate aos incêndios. No mesmo plano orçamental do Estado eram consignados cerca de 8 milhões de euros (10% do valor do investimento no combate) à prevenção. Não basta responsabilizarmos os comportamentos negligentes e criminosos dos cidadãos. O verão, cada verão, é o maior flagelo ambiental para Portugal que tem, nos incêndios, a sua maior expressão. Agosto de 2016 não fugirá à regra, infelizmente.

publicado por mparaujo às 09:47

25
Fev 16

Na notícia dá pelo nome de "Licor de Aveiro"... penso que por uma questão de marketing e de comercialização.

Tradicionalmente, entre as gentes da beira-mar (zona antiga da cidade), dos devotos de S. Gonçalinho, também dá pelo nome de "Xiripiti" ou "Licor de Alguidar".

Seja como for... é de Aveiro, bem de Aveiro, e foi premiado em Moscovo.

Obrigado Rússia. Spasibo Moskvu.

Licor de Aveiro - Xiripiti.jpg

 (clicar na imagem para aceder à notícia na Litoral Magazine)

publicado por mparaujo às 11:30

16
Dez 15

Proas Moliceiros 2.JPGpublicado na edição de hoje, 16 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
E se Aveiro for o centro da Europa?

E se Aveiro se tornasse Capital Europeia da Cultura? A perspectiva não foi colocada como interrogação mas foi avançada pelo presidente da autarquia aveirense numa das recentes sessões da Assembleia Municipal de Aveiro: Aveiro poderá avançar com uma candidatura a Capital europeia da Cultura, em 2027.

Coloquemos de parte, por mil e uma razões óbvias, a questão da data. Para muitos poderá parecer distante no tempo mas a verdade é que um conjunto de regras, calendários, a própria proposta de candidatura e a sua preparação (para além da necessária influente campanha de marketing promocional), não permitem, nem possibilitam, uma candidatura mais breve. Apesar dos doze anos de distância, a data não é tão ilusória como pode fazer crer; pouco mais de três exercícios legislativos e estamos lá.

Mais importante que a data é a relevância da iniciativa (pelo impacto que possa gerar na cidade e na região) e a conjugação de esforços e empenhos que pode gerar nas forças políticas, culturais e sociais de Aveiro. Algo que Aveiro há muito necessita: os aveirenses lado-a-lado, focados numa causa comum, identificados e preocupados com a sua cidade e o seu município, e uma cidade referenciada no mapa, obviamente, pelas melhores razões.

Mas numa iniciativa deste género e desta dimensão, com a forte concorrência interna de outras cidades, envolvendo recursos (de toda a natureza) nunca antes despendidos em Aveiro, levam à necessidade de termos os pés bem assentes na terra.

É que a realidade tem-nos mostrado a dificuldade que Aveiro tem sentido para se afirmar cultural e patrimonialmente, e a forma como, há alguns anos, deixou esvanecer a sua identidade. O património (material e imaterial) religioso continua “escondido”; o que foi a fundamentação social, económica e o desenvolvimento regional assente na cerâmica, na azulejaria e no sal, já há muito que desapareceu da memória aveirense; a arte urbana e o urbanismo restam nas referências bibliográficas; entre outros. Há pois um necessário e desgastante, embora igualmente gratificante e promissor, trabalho patrimonial e cultural a desenvolver que terá de ir mais longe do que os Ovos Moles, os moliceiros e os canais da Ria de Aveiro que são, neste momento, as principais referências identitárias da cidade (conforme o recente estudo divulgado à cerca de quatro ou cinco dias pelo curso de Marketing do ISCAA-UA que aponta a Ria, os moliceiros, os Ovos Moles e a própria Universidade de Aveiro como as principais marcas fortes do turismo aveirense).

Acresce ainda que, só por manifesta falta de bom senso ou perfeito desvario megalómano, é que alguém poderia supor ou imaginar todo este exercício sem o recurso a parceiros estratégicos da autarquia, como por exemplo a Universidade de Aveiro, o Turismo Centro Portugal e os agentes culturais da região. O que eleva esta questão para um outro patamar, esperando não parecer descabido ou ilusório.

Hoje é mais que evidente a eliminação das barreiras e dos limites geográficos, seja ao nível local, seja ao nível regional. São por demais claras as identidades que confinam a gentes e terras vizinhas, são óbvias as realidades sociais, económicas e culturais que se interligam e se sustentam reciprocamente. Só a título, meramente exemplificativo, podemos recordar a ligação de Aveiro às gentes das Gafanhas, da pesca e do mar, ou à importância que a azulejaria também tem em Ovar, tal como teve em Aveiro, já para não falar nas questões gastronómicas. A lista seria, obviamente, mais extensa.

Neste sentido, dentro de uma Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, que tem procurado, a outros níveis, um conjunto de medidas e iniciativas comuns ou a perspectiva de relações mais estreitas entre os diversos municípios (veja-se o exemplo da energia ou da mobilidade, mais uma vez como exemplos) esta candidatura seria uma evidente aposta comum muito positiva, com impactos regionais muito fortes, que valorizaria, aos mais diversos níveis, a Região de Aveiro e a colocaria, com sucesso, no mapa cultural Europeu. E 2027 é já “manhã”…

publicado por mparaujo às 11:21

04
Nov 15

publicado na edição de hoje, 4 de novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Até amanhã, Almeida

Para que a memória não se apague...

Se é verdade que a vida deve ser olhada para o amanhã, não será menos verdade que o que vivemos hoje e o que projectamos no futuro é o reflexo do que foi a nossa história, do que são as nossas memórias, do quanto enriquecedor foi o nosso passado. Muito dificilmente alguém me ouvirá dizer que “antigamente é que era bom”… mais facilmente me ouvirão afirmar que “antigamente era diferente”. Mas será inquestionável afirmar que “antigamente havia muita coisa boa” e que as condicionantes da vida nos trazem, felizmente, à memória.

O Diário de Aveiro costuma publicar alguns trabalhos jornalísticos com referência a ruas que identificam personalidades da região. Tal como a maior parte da toponímia, a rua onde eu cresci (apesar de ter nascido na Beira Mar) também tem um nome. E tem um nome importante, na história política e social de Aveiro. Um nome ilustre, de alguém que prestou um inquestionável serviço à cidade e à sua região: Dr. Francisco Vale de Guimarães - preeminente político e governador civil aveirense. Homem de coragem e convicções fortes, ao mesmo tempo de uma inegável capacidade congregadora dos vários quadrantes políticos e sociais. Foi durante a sua governação política do distrito que se realizaram os congressos da oposição democrática, quando muitos teriam naquele tempo (período marcelista), só de pensar em tal processo, perdido noites e noites de sono. Mas a minha rua, a “Praceta”, também é feita de histórias. Daquelas histórias que surgem das coisas simples, do bairrismo, das brincadeiras de crianças, da tradição.

Não é uma rua carregada de simbolismo cultural, social e histórico, apesar de ter dado ao mundo gente ligada à política, ao direito, aos negócios, à cultura, ao ensino. Enquadrada numa zona circundante privilegiada (a Sé, o Museu, o Parque, o Governo Civil, o Tribunal, a Escola Primária da Glória, o Largo de Sto. António, o Hospital e a Universidade, o Convento das Carmelitas) é, acima de tudo, uma zona com a sua história e as suas “estórias”. Uma dessas muitas “estórias” tem a inevitabilidade da ligação ao velhinho Mário Duarte e ao Beira Mar. Primeiro foram as saudades deixadas pelo Zé Domingos. Neste sábado passado, são as saudades de ver partir o António Almeida… o Almeida! Gente que construiu as “estórias” da minha rua, da minha infância, de quem ensinou a tantos de nós os primeiros pontapés “à séria” no futebol, com quem nos fomos cruzando, ao longo da vida, tantas e tantas vezes na mesma esquina, no mesmo passeio, em frente ao Tako.

Alguém que nunca se cruzava connosco sem um sorriso, sem uma conversa, sem uma história, sem tantas vezes nos estancar a ‘pressa’ ao que correspondíamos com o ‘obrigatório’ parar do passo apressado, pelo respeito e amizade. Com o Almeida era assim, não podíamos deixar de parar, de sorrir, de falar, de ouvir, de comentar a vida, a nossa vida, e inevitavelmente o futebol (aquele que nos ensinou quando putos) e o Beira Mar (ou pelo menos, o seu Beira Mar).

Hoje as ruas já não têm estas “estórias”, cada vez têm menos história. As “estórias” das ruas, com o correr do tempo e da transformação da vida, foram-se dissipando das calçadas, do asfalto, das memórias, da realidade… Importante se torna, por tudo isso, não apagar a memória das boas e felizes “estórias”. Em cada encontro a despedida era sempre a mesma: “Até amanhã, Almeida”, porque resistia a certeza de nos encontrarmos no dia seguinte. Hoje, já não posso dizer o mesmo, mas para que a memória, a minha memória, não se apague e não apague as minhas “estórias” fica a minha despedida de sempre: “Até amanhã, Almeida”.

À Cila, ao Tó e ao João

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publicado por mparaujo às 10:51

02
Ago 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 2 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
A onda de choque

Já lá vão quase seis anos quando, em novembro de 2009, se começou a avistar no horizonte do Beira Mar dias muito cinzentos, face ao agravamento das condições de subsistência do clube (até atingir o ponto zero), face ao que era (e continuou a ser) o início da conflitualidade judicial. À data questionava, neste mesmo espaço (“Fundamentalismos e Extremismos”), a necessidade de se rever o projecto desportivo e o futuro da clube, definir realismos e não embarcar em desígnios desmedidos, nem que para tal tivesse que abdicar de tudo e recomeçar do zero.

Em novembro de 2010, nova crise se instaurava no clube com o agravamento da situação da gestão do clube e a usa ingovernabilidade: salários em atraso, contas e receitas penhoradas, dívidas à Segurança Social, etc. Dava-se conta da demissão do presidente Mário Costa e a conferência de imprensa dramática do vice-presidente António Regala. Pelo meio ficava a pairar uma SAD que em vez de se tornar “salvadora” do clube era, a olhos vistos, mais um dos seus carrascos. Importa realçar que a SAD não foi imposta, não tomou de assalto o clube (embora mais tarde, tomadas de assalto fossem mais do que notícia constante), não houve nenhum golpe de Estado; foi decisão livre e democrática dos sócios (ou dos que estiveram na Assembleia Geral e votaram). De novo as mesmas questões, as mesmas interrogações levantadas, as mesmas necessidades de se apurarem responsabilidades escondidas sob a capa da gestão colectiva, como se as responsabilidades (cíveis ou penais) surjam apenas no desempenho de acções individuais. A gota de água surgia no último trimestre do ano passado quando o velhinho pavilhão do Alboi (Santos Mártires) fechava, definitivamente, as suas portas, mesmo que esse fim estivesse mais que anunciado e não tivesse sido acautelado, nem encontrada alternativa. E novamente o mesmo questionar e interrogar (como foi aqui eco em “Um fim mais que anunciado”, a 29 de outubro).

A machadada final surgiu este mês: o Beira Mar bateu no fundo (campeonato distrital da II divisão) apesar dos alertas, dos sintomas, da crescente indiferença e da falta de esperança. O resultado prático é o mesmo do tantas vezes sugerido e apresentado; só é pena que este (re)começar do zero seja tão tardio, tão conflituoso, sem a dignidade da vontade própria do clube (gestão e sócios) mas sim por imposição e por ter sido empurrado para a lama.

E se ainda há vontade (e esperança) em fazer renascer o clube é imperativo que se acabem com as ilusões e com a emotividade que tantas vezes cegou a necessária e urgente racionalidade. Não houve nenhuma onda de choque em Aveiro. Deixem-se disso e parem para pensar. Isso é a emoção de um número, cada vez mais reduzido, de aveirenses ainda ligados ao que restava do Beira Mar. Já lá vai bem longe o tempo da conquista da Taça de Portugal. O clube foi-se esvaziando (mesmo em termos de património que não tem nenhum, zero), foi perdendo a sua identidade e a ligação a Aveiro. Os aveirenses (do concelho e não só da cidade) foram-se afastando do Beira Mar porque este foi deixou de ser referência e quebrou a ligação emotiva às pessoas. E isto não é uma questão geracional, é transversal. Os aveirense, mesmo os mais novos, sabem o que é o Beira Mar (infelizmente, pelas razões menos nobres face ao historial recente) mas já não se identificam com o clube e a sua história. Uns têm outras referências (Recreio Artístico, Galitos, Esgueira, Sporting de Aveiro, CENAP, Estrela Azul, os clubes de remo e canoagem de Cacia, Taboeira, Eixo, entre tantos outros) e outros, mesmo antes dos tempos da crise, deixaram de embarcar em “futebóis”. É que, por mais que algumas vozes (cada vez menos) “gritem aos sete ventos” por socorro, o Beira Mar afastou-se dos aveirenses. E isso é que importa questionar, analisar e projectar, se houver verdadeiro interesse em “salvar” a Instituição.

E de novo, ao fim de seis anos, as mesmas questões: Já alguém analisou as razões do afastamento do Clube em relação aos aveirenses?! Já se apurou quantos, dos cerca de 70000 aveirenses (concelho), são aqueles que se sentem identificados com o Clube e vivem a sua realidade actual? Já se questionaram as gestões anteriores?! Já se repensaram projectos e debateram opções tomadas? Já se repensaram os modelos de gestão? Já se discutiu o insucesso desportivo e a incapacidade de afirmação no futebol nacional?! Porque não se ouviram as mesmas vozes de hoje aquando da construção do novo estádio municipal e todas as implicações que teria no futuro do clube? Porque é que o Clube não consegue encontrar sinergias no tecido empresarial aveirense?! Se é que ainda há tempo e a quem interessar…

publicado por mparaujo às 21:45

23
Abr 15

Faleceu um dos homens que mais lutou e fez por Aveiro, na história desta terra e destas gentes.

Mas há mais, muito mais, na vida para além da política.

E a ligação ao Dr. Girão Pereira era muito mais que isso e desde que me conheço como gente.

Pela primeira vez... faltam-me as palavras. E faltam-me mesmo... por um turbilhão de sentimentos.

Só não me digam "é a vida". Quanto muito... "foi uma vida". Intensa, cheia e dada.

Descanse em paz.

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publicado por mparaujo às 09:40

09
Mar 15

Arcos antigo.jpgpublicado na edição de ontem, 8 de março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Identidades perdidas…

Não sou, nem espero vir a ser, adepto do chavão “antigamente é que era…”. Uma sociedade, uma comunidade, um país, desenvolve-se e estrutura-se na evolução e na dinâmica dos acontecimentos que marcam a sua história. E não agarrado a “amarras” saudosistas.
Não quero dizer com isto, antes pelo contrário, que se deva esquecer e “enterrar” o passado. Longe disso. Manter viva a identidade histórica, cultural e social de uma comunidade (seja qual for a sua dimensão) é tão importante como promover a dinâmica e a evolução, viver o presente e projectar futuros. Não viver amarrado a um tempo passado não é o mesmo que negá-lo ou renegá-lo como se não tivesse sido nesse mesmo tempo que foi alicerçado e se vive o presente.

Veio-me à memória, principalmente num tempo em que face às circunstâncias destes últimos dias a memória parece cada vez mais colocada em causa, o falecimento recente de Amadeu Ferreira, um dos principais impulsionadores do mirandês, segunda língua oficial portuguesa, que, apesar da sua circunscrição regional diminuta, não deixa de ser uma das referências históricas de Portugal (nas suas origens) e uma marca da identidade cultural e social do nosso país (independentemente das nossas ligações ou indiferenças à “terra fria” do Nordeste Transmontano).

Valorizar e promover a identidade de uma comunidade é sustentar a sua história e enriquecer o presente que se vive.
Aveiro tem, nesta vertente, bons e maus (alguns péssimos) exemplos. E também projectos e planos com valor.

Não me parece relevante, a menos que por razões nostálgicas, o ressurgir do “polícia sinaleiro” (que Aveiro teve em tempos e vários) como aconteceu noutras cidades (Porto e Lisboa, como exemplos). Mas a ideia da autarquia aveirense recuperar e dar dignidade aos espaços antigos dos engraxadores nos Arcos, parece-me um excelente projecto. Não pela profissão em si, mas pela revitalização de um espaço nobre na cidade, pela sua identidade e por aquilo que sempre representou no coração urbano. Identidade e referência que serviram de base à escolha do título destas rubricas bissemanais (mais ou menos regulares… e já lá vão nove anos), bem como o título do blogue “Debaixo dos Arcos”. E os motivos são simples. A zona da Praça Melo Freitas e dos Arcos, aos quais se juntou mais tarde, o monumento à Liberdade, para além da sua inclusão no típico bairro da Beira Mar, foi, durante muitos e muitos anos, um espaço de encontro, de diversidades, de tertúlias espontâneas, do escárnio e mal dizer populares e instintivos. Também local de culturas, de comércio e feira (bem antigo, por exemplo a feira das cebolas), de informação (basta recordar os espaços onde eram afixadas as primeiras páginas de jornais como o extinto Comércio do Porto, o Primeiro de Janeiro, o Jornal de Notícias, entre outros, as notícias do Beira Mar e do Galitos, etc) e de ponto de encontro, marcado pela constante presença característica dos engraxadores. Retomar esta identidade é renovar a vida e o centro da cidade e valorizar a sua história.

Pena é que se tenham perdido, no tempo e com o tempo, outras oportunidades de preservação da nossa identidade. Excepção para o aproveitamento turístico dos canais urbanos da Ria, Aveiro, enquanto cidade, deixou de ter que oferecer e mostrar a sua identidade a quem nos visita. Apesar do esforçado EcoMuseu da Troncalhada, uma cidade que se alicerçou na importância social e económica do Sal, perdeu quase toda a beleza das salinas e não tem um verdadeiro Museu do Sal.
Aveiro, enquanto cidade, que foi crescendo em torno das suas cerâmicas e azulejarias, que o tempo e as ‘economias’ foram eliminando, não tem um Museu da Cerâmica e do Azulejo (Ovar tem, por exemplo), apesar de continuar com o edifício da antiga Estação desocupado.
Em contrapartida Aveiro, enquanto cidade, há alguns anos (não muito distantes) integrou a rede de Turismo Religioso, infelizmente sem articulação alguma e com a maioria das igrejas e capelas permanentemente fechadas. A par disto resta a incerteza quanto ao futuro do Museu Santa Joana, outro ícone da história da cidade.

Apesar de Aveiro ter, ao longo dos tempos, perdido muito da sua identidade e da sua história, resta a esperança nestas iniciativas por mais simples que, por mais simples que pareçam, são de um importante valor.

publicado por mparaujo às 09:50

29
Out 14

pavilhao_do_beira-mar.jpgpublicado na edição de hoje, 29 de novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Um fim mais que anunciado

A realidade foi sendo protelada durante algum tempo mas chegou: o pavilhão do Beira Mar, o pavilhão do Alboi, o pavilhão dos Santos Mártires, encerrou portas. O Sport Clube Beira Mar perde, assim, um dos seus últimos patrimónios e um ícone para as modalidades amadoras, nomeadamente o Basquetebol, o Boxe, o Judo, entre outras. Já para não falar na extinta modalidade do Andebol. Como aveirense e após alguns anos como treinador de basquetebol no clube não posso deixar de sentir alguma mágoa pelo rumo dos acontecimentos e pelo desfecho final. Assisti e vivi momentos empolgantes e vibrantes que ficarão, enquanto conseguir, na minha memória, para além de todos aqueles que comigo os partilharam. Ver encerrar este espaço que comporta inúmeras histórias e “estórias” do desporto e da vida aveirense é sempre de lamentar.

Mas a realidade tem um outro lado da moeda.

A continuidade, ou não, do pavilhão do Beira Mar já não é um processo novo. Há mais de 12 anos que já se falava da construção de um novo pavilhão: primeiro na antiga zona da Lota e posteriormente junto ao novo estádio. Toda a polémica envolvendo a anterior SAD e um grupo de ex-directores do clube acabou por ditar o fim do pavilhão.

Só que há, neste processo, um conjunto de interrogações que importa destacar.

Em Portugal há um princípio genético na sociedade de uma tendência questionável para o sentido de posse e de propriedade, muitas das vezes aliada a bairrismos discutíveis. O “ter” sobrepõe-se, maioritariamente, ao “haver”, “ser” e “comunitário”. Durante anos a fio, o país viveu alheado da sustentabilidade dos recursos, da partilha, da dimensionalidade. No caso concreto, Aveiro não foi capaz, por inúmeras e distintas razões, de criar estruturas únicas, comuns, que pudessem ser partilhadas por várias instituições e pelos aveirenses. Relacionando com esta questão do pavilhão do Alboi, teria sido muito mais eficaz e eficiente a construção de uma estrutura única que servisse escolas, comunidade e clubes, nomeadamente o Galitos e o Beira Mar. Nada complicado. Mas a verdade é que não foi feito.

Por outro lado, há ainda uma questão que o próprio clube deve meditar neste infeliz desfecho. Desde a questão do caso “penhora do pavilhão”, ano após ano (e a história não é assim tão recente) que se interroga a continuidade das modalidades naquele espaço. Toda a movimentação que agora surge em torno do pavilhão e do erguer de um novo, deveria ter tido outros desenvolvimentos e outros esforços ao longo deste período. Porque este final era, inquestionavelmente, conhecido e expectável.

Deixou-se cair, um pouco, no esquecimento e no arrastamento de uma solução sustentável para o Pavilhão do Alboi, tal como se arrasta o renascimento e a reestruturação do clube, devolvendo-o de novo aos bons momentos, ou, qui ça, a uma total reformulação da vida do clube que pode passar, sem qualquer tipo de constrangimentos, pela chamada “estaca zero”, como são tantos os exemplos no país (Feirense, Salgueiros, Boavista, etc., etc.)

Há uma certeza nesta infeliz realidade. O Sport Clube Beira Mar perdeu, nas duas últimas décadas, identidade, ligação à cidade e à Região e, principalmente, perdeu património: não tem um estádio próprio, não tem uma piscina, não tem um pavilhão, não tem uma sede e não tem sócios.

Não foi apenas um pavilhão que o Beira Mar perdeu… foi muito da sua alma e da sua história.

Espero que saiba e consiga, a bem de Aveiro e dos aveirenses, renascer destas cinzas.

publicado por mparaujo às 09:23

22
Set 14

Longe vai o tempo das paisagens com os montes brancos de sal a seguir ao Canal de S.Roque ou na marginal em direcção à Gafanha da Nazaré. Não é uma questão de saudosismo, é a constatação de uma realidade.

O chamado "progresso" urbano, a vertente ambiental, as alterações na Ria de Aveiro, razões económicas e sociais, ditaram o abandono da quase totalidade das salinas/marinhas em Aveiro.

Por isso, longe também vão os tempos de um dos grandes pólos económicos e de desenvolvimento da cidade e da região: o Sal.

Há, no entanto, quem ainda resista aos novos tempos e aos novos mercados. Poucos, mas ainda os há e que vão resistindo mesmo nas adversidades.

É o que relata o jornalista Rui Tukayana, da TSF, neste trabalho sobre a produção de sal neste ano de 2014: muita qualidade mas pouca quantidade devido a um verão perfeitamente atípico.

"Pouco sal nas salinas", uma reportagem de Rui Tukayana.

Faz falta em Aveiro um museu permanente (para além do ecomuseu da Troncalhada) da história social, cultural e económica do Sal. Tal como faz falta um museu permanente da história social, cultural e económica do Azulejo, do Barro e da Cerâmica.

Não por saudosismo mas pela preservação da identidade e história aveirenses, projectando-se assim novos futuros.

publicado por mparaujo às 11:41

29
Jul 14

Tinha um convite. Tinha tudo para estar presente. Até que dois dias antes, por razões fortes (só assim teria sentido), INFELIZMENTE, não pude estar presente. E, ao caso, infelizmente até pode ser um eufemismo.

No mínimo e por todas as razões mais que óbvias – amizade, respeito, consideração, orgulho – resta-me a referência pública.

Há um livro a não perder nestas férias de Verão (e sempre): “Até que o Mar nos separe”.

Que mais não seja porque, nesta altura do ano, há sempre uma maior ligação ao Mar e a tudo o que ele possa representar e no qual nos podemos projectar: a pesca (tantas vezes tão longe), o ganha-pão de muitas gentes e vidas, as paixões, o contemplar, o ir e voltar mas também tantas vezes o infortúnio de ir e ficar.

E não duvido que a Maria José Santana o tenha retratado bem. Aliás... nem duvido e tenho a certeza. Só quem a não conheça...

Obrigado Maria por nos devolveres um Mar tantas vezes esquecido… ORGULHO!

Só faltam cinco dias para o poder folhear.

publicado por mparaujo às 14:18

06
Jun 14

De 6 a 22 de junho, Feira do Livro em Aveiro.

À 39ª edição a opção da autarquia aveirense recai sobre um novo espaço, dinamizando, simultaneamente, o Mercado Manuel Firmino.

Em Aveiro, há Livros no Mercado.

publicado por mparaujo às 13:59

20
Abr 14

Publicado na edição de hoje, 20 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Reforço da coesão e afirmação

Aveiro tem tido, ultimamente, uma agenda política recheada de factualidades, umas positivas, algumas nem por isso, outras polémicas. Basta recordar, a título de exemplos, a polémica na saúde que envolve o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (Aveiro, Estarreja e Águeda), a desqualificação da Linha do Vouga como um todo, a perspectiva da importante ligação ferroviária Aveiro-Salamanca, os investimentos previstos para o Porto de Aveiro, mas também a injustiça dos pórticos na periferia urbana, a falta de investimento no Baixo Vouga Lagunar e na Ria de Aveiro, o esquecimento da ligação rodoviária Águeda-Aveiro, para além do flagelo que é a erosão costeira na região. E em causa está a região (e os legítimos interesses de cada um dos seus municípios) e não apenas Aveiro e a sua configuração urbana.

Não falta dinamismo e empenho por parte da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), não é de menosprezar o compromisso da Plataforma A25 (autarquias de Aveiro, Viseu e Guarda), não é menos relevante o facto de Aveiro ter um importante papel na municipalidade nacional com a vice-presidência da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP).

Mas há a outra face da moeda. Por mais dedicação, trabalho, esforço, despendidos pela valorização da região; por mais que a conjuntura actual leve a repensar o papel do Estado e necessidade de serem encontradas alternativas à subsidiariedade da administração central; o poder das principais decisões de gestão está centralizado, principalmente, no Governo e na Assembleia da República. Regressa por isso a tão histórica questão do “peso político”, ou da sua ausência, tantas vezes reclamado por ilustres aveirenses como Girão Pereira e Carlos Candal. O peso político espelhado no papel desempenhado por José Estêvão (Linha do Norte), Luís Gomes de Carvalho (Barra de Aveiro), Mendes Leite, Lourenço Peixinho (Hospital de Aveiro), Homem Cristo. Claro que isto é história… mas reescrever a história é viver o presente e projectar o futuro. E Aveiro precisa urgentemente de reescrever a sua história, sob pena de todo o esforço resultar inglório; precisa de marcar a diferença para ser referência regional, precisa de voltar a ter “peso político”; precisa de reforçar a sua identidade e de desenvolver, reforçar e promover as suas potencialidades (sejam elas culturais, sociais e económicas). É que a realidade é algo divergente deste contexto. Geograficamente, Aveiro sempre balançou entre a indefinição de pertencer ao Norte ou ao Centro, gravitando entre as “pressões” do Porto e de Coimbra. Por outro lado, a reforma administrativa que reconfigurou as regiões substituindo os distritos pelas NUT III foi “madrasta” em relação ao distrito de Aveiro. Antes da reforma (até 2011), o Distrito de Aveiro era composto por 19 municípios que ocupavam uma área geográfica com cerca de 2800 quilómetros quadrados, entre a serra e o mar, e com uma população que rondava os 800 mil habitantes. Além disso, o distrito tinha importantes pólos industriais, instituições académicas relevantes, diversidade cultural. Neste momento a CIRA é composta por 11 municípios, tendo perdido sete municípios para a área metropolitana do Porto e um para a região de Coimbra, com uma população que ronda os 400 mil habitantes.

Mas o paradoxo não se limita à redução da área geográfica e populacional, já que a Região de Aveiro manteve muita da sua identidade e muitas das suas potencialidades. O paradoxo é significativo ao nível político. Como em muitas matérias, o Governo faz as reformas pela “metade”, com incoerências legislativas que acabam por ter repercussões negativas. Extintos os Governos Civis, implementadas as NUT, não houve a necessária correspondência ao nível das leis eleitorais, mantendo-se os círculos distritais. Resultado… Aveiro (curiosamente, o distrito) elegeu 16 deputados, sendo que apenas quatro pertencem à área geográfica da CIRA (Aveiro, Ovar e Águeda), seis à área metropolitana do Porto (anterior zona norte do distrito) e um pertencente à região de Coimbra (os outros cinco deputados eleitos nem sequer são do distrito de Aveiro).

Daí que não se estranhe, para além dos crónicos problemas internos e estruturais, a desvalorização do Centro Hospitalar do Baixo Vouga (apesar de todo o esforço da CIRA, dos aveirenses, dos estarrejenses e dos aguedenses); a ausência das prioridades de investimento público da ligação Aveiro-Águeda; a anulação do curso de medicina na Universidade de Aveiro; o esquecimento da Ria de Aveiro e do Baixo Vouga Lagunar; a manutenção dos pórticos na periferia urbana de Aveiro, entre outros. Daí que não seja de espantar ver um deputado eleito pelo círculo de Aveiro a defender a revitalização da Linha do Vouga (apenas o ramal norte) com ligação à rede de transportes e mobilidade da área metropolitana do Porto.

A Região de Aveiro precisa de mais “braços” a lutar por ela, pela sua coesão e afirmação.

publicado por mparaujo às 15:07

16
Abr 14

Publicado na edição de hoje, 16 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

As prioridades de Investimentos

O Governo divulgou recentemente (na semana passada) uma lista de investimentos públicos prioritários. A lista inicial comportava cerca de 30 projectos que rapidamente se transformaram em 59 projectos prioritários, face às legítimas pressões locais e regionais. Ou melhor, quero eu acreditar que as pressões foram do poder local e regional, sendo óbvio que estes investimentos públicos “mascaram” todo um conjunto de interesses privados.

No entanto, não me vou debruçar sobre a questão da natureza do investimento, da sua fundamentação pública ou privada, da sua sustentação política, ou, mais relevante ainda, da sua sustentabilidade económica já que uma parte do investimento cabe ao erário público.

Que o país precise de infra-estruturas ferroviárias e marítimas acho que é algo que não me parece muito questionável. Precisamos de dimensão portuária e dimensão ferroviária com ligação à Europa, agora que está tão badalada a recuperação das exportações. Já no que respeito às infra-estruturas rodoviárias parece-me ser de primordial bom-senso que as prioridades sejam de facto realidades prioritárias, já que o país sofre de disparidades colossais nos investimentos desta natureza. O Plano Estratégico de Transportes e Infra-estruturas (PETI3+), inserido no próximo quadro comunitário 2020, apresenta 59 prioridades, com um valor global de investimento de cerca de seis mil milhões de euros, em áreas como sector ferroviário (44%); sector portuário e marítimo (25%); sector rodoviário (15%); transportes públicos de passageiros (12%); sector aeroportuário (4%). No sector ferroviário destaca-se, a nível nacional, a reabilitação da Linha do Norte, a fusão entre a REFER e a Estradas de Portugal, a ligação ao Porto de Sines e a privatização da CP Carga. No que diz respeito à área portuária destaque para os projectos de ampliação dos terminais de Lisboa, Leixões e Sines. Quanto ao investimento rodoviário importa referir a conclusão das obras do túnel do Marão, o eixo do IP3 e a ligação final da A25 (Vilar Formo – Espanha), para além do novo sistema de cobrança de portagens, um novo modelo de regulação e a sustentabilidade financeira do sector, nomeadamente com a renegociação das sempre controversas PPP’s. No que respeita aos transportes públicos o Plano incide essencialmente sobre os Metros de Lisboa e Porto e sobre políticas de concessão e exploração de transportes públicos a nível nacional.

E Aveiro? Curiosamente Aveiro surge no “mapa” deste PETI3+ que tem como “lema”: “Para que tudo fique mais perto”. E, felizmente, no caso de Aveiro a Europa parece ter perspectivas de ficar mais perto, já que no sector ferroviário o Eixo (Leixões) – Aveiro (incluindo a plataforma de Cacia) – Salamanca é igual prioridade à do Eixo Sines-Caia, bem como o desenvolvimento da plataforma de Cacia. Também no sector portuário, não como prioridade mas a nível de preferência global, o Plano prevê igualmente intervenções no Porto de Aveiro melhores condições de acessibilidade marítima, melhor logística e infra-estruturas, melhores condições de cargas/descargas.

Mas nem tudo é um mar de rosas. O Plano não prevê a reabilitação da Linha do Vouga entre Aveiro e Águeda (apenas a da zona norte, entre Albergaria e Espinho), nem perspectiva qualquer futuro para aquela rede ferroviária. O Plano não prevê um dos investimentos mais prioritário e urgente para a Região que é o eixo rodoviário Aveiro-Águeda, quer pelos fluxos laborais, quer por razões económicas (a significativa dimensão industrial da região de Águeda e Bairrada). O Plano não prevê mecanismos de recuperação e desenvolvimento de serviços municipais de transportes públicos, como é o caso da MoveAveiro.

Além disso, ainda mais relevante que estas três falhas de investimento em Aveiro, é preocupante que o Governo se preocupe, por mais legitimidade que tenha, apenas com um plano de desenvolvimento nacional sustentado nos transportes e acessibilidades. Porque Aveiro, infelizmente, precisa de mais. E mais que são também preocupação e promoção de valores económicos e sociais. Aveiro precisa de um investimento no seu património natural que é a Ria de Aveiro; Aveiro precisa de investimento na ligação rodoviária Aveiro-Águeda; Aveiro precisa de uma definição do futuro da Linha do Vouga (Sul); Aveiro precisa de um investimento sério e eficaz na área da saúde que combata o esvaziamento do Centro Hospitalar do Baixo-Vouga e promova, a nível regional (numa área com cerca de 400 mil pessoas) uma saúde de referência. Ao contrário, Aveiro ver perder para Coimbra especialidades como estomatologia, oftalmologia, cardiologia, hematologia clínica, ginecologia-obstetrícia, neonatologia e urologia, entre outras.

É que nem só de “betão” vive o país e se desenvolve um país.

publicado por mparaujo às 09:34

26
Mar 14

publicado na edição de hoje, 26 março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Da urbanidade à dimensão regional.
É indiscutível que, neste período pós-eleitoral (apesar dos cerca de seis meses que decorreram desde as eleições autárquicas de setembro de 2013), têm sido significativos os projectos e os planos para o desenvolvimento de Aveiro, quer a nível local, quer a nível regional. Independentemente do que foi feito ou ficou por fazer, são mais que naturais e legítimas as perspectivas que se criam quando há mudanças na gestão municipal.
A nível local, excluindo, por razões óbvias, questões da gestão interna municipal, regressam à agenda pública aveirense temas que preocupam os aveirenses e naturalmente a autarquia: são os exemplos da reabilitação urbana, como a Rua Direita, a Avenida, a zona nascente da Estação, os edifícios devolutos na zona da Beira Mar e na envolvente ao Alboi; são os exemplos ao nível da mobilidade, como o estacionamento, o trânsito, os transportes públicos, os projectos/campanhas de mobilidade saudável (pedonal e ciclável); são os exemplos da promoção do turismo, como a anulação da taxa turística nos passeios de moliceiro na Ria (embora se espere substituída por outro tipo de receitas, já que o que está em causa é a utilização, para fins privados, de um bem e espaço público, tal como se paga o imposto de circulação automóvel, por exemplo) ou ainda a potencialidade que abarca a zona lagunar da antiga Lota e das marinhas envolventes às duas margens do antigo Porto Comercial (zona Tir/Tif); são os exemplos relacionados com a vertente cultural e a promoção do património histórico da azulejaria e cerâmica aveirenses, por exemplo, com o aproveitamento do edifício da antiga Estação, de promoção da identidade gastronómica aveirense, e da promoção da sua identidade relacionada com a Ria e o Sal; são os exemplos na vertente ambiental potenciando espaços com capacidade de implementação de um novo Parque da Cidade como é toda a zona a sul entre Centro de Congressos/Av. 25 de Abril e a EN109; são os exemplos na saúde como a falta das Unidades de Saúde Familiar de Esgueira, Cacia e S. Bernardo. Para além disso, é ainda o exemplo da necessidade de se atrair investimento que desenvolva económica e socialmente Aveiro, como a reabilitação das três zonas industriais (Cacia, Taboeira e Mamodeiro). Há, portanto, espectativas, sonhos e projectos aveirenses mais que suficientes para que, com a vontade de todos, Aveiro tenha qualidade de vida sustentável e atractiva.
Mas a realidade dos contextos locais/municipais dos dias de hoje já há algum tempo que perderam as suas fronteiras e limites. A dimensão regional tem um peso extremamente significativo no desenvolvimento ou estagnação dos municípios que a constituem. E nesta área há questões verdadeiramente importantes e prementes. Mesmo que a realidade não seja, de todo, optimista. Basta recordar a interessante peça publicada no Diário de Aveiro do passado domingo (23 de março), da jornalista Maria José Santana, em que retrata a perda de serviços públicos na região de Aveiro desde 2000: escolas, centros de saúde, tribunais, direcções regionais, repartições de finanças, o que referencia Aveiro como a quarta região que mais organismos públicos perdeu na última década.
Mas Aveiro tem todas as potencialidades para, através da sua região, regressar à merecida referência no mapa regional a nível nacional. Para tal, com todo o significativo esforço que se exigirá aos aveirenses, às entidades privadas, às públicas (como a Universidade, a CIRA, as autarquias, o Porto de Aveiro), Aveiro tem de manter vivas as suas bandeiras do desenvolvimento e do bairrismo político: um Centro Hospital do Baixo Vouga de referência; a gestão regional da Ria e do Baixo Vouga ao nível ambiental, económico e turístico; a ligação rodoviária Aveiro-Águeda; o fim da cobrança das portagens na cintura externa nos quatro pórticos (estádio, Angeja, acesso à A1/A29, Oliveirinha/S.Bernardo; a ligação ferroviária Aveiro-Salamanca que permitirá, entre outros, a afirmação nacional do Porto de Aveiro e o desenvolvimento económico e industrial; ou ainda a intermunicipalização, já há vários anos discutida, dos transportes públicos, não apenas rodoviários (vulgarmente, autocarros) como no caso da reabilitação da Linha do Vouga.
Como se pode ver Aveiro precisa de muito trabalho que não cabe, obviamente, apenas na esfera política, nem demarcado por limites temporais dos mandatos autárquicos. Mas que se afigura urgente, parece claro, a menos que os aveirenses se sintam bem dependentes de outros actores políticos e de outras regiões. Para sermos pequeninos basta estarmos quietinhos.

publicado por mparaujo às 09:41

17
Mar 14

Faleceu (ontem) Zé Penicheiro. Um dos artistas plásticos que me enchia as medidas quando pintava Aveiro, as suas gentes (figuras típicas), as suas tradições (S. Gonçalinho), a sua região (Ria de Aveiro).

Conheci a sua obra, curiosamente, pela mão de um familiar: o saudoso Rodrigo Penicheiro.

Infelizmente, apesra de me ter cruzado duas ou três vezes com ele, não tive o previlégio de conhecer pessoalmente.

Mesmo assim, Zé Penicheiro é destaque e referência nos meus espaços culturais domésticos.

A Arte e a Cultura aveirenses ficaram mais pobres... por força de um dos fundadores da Aveiro/Arte e de tão bem retratar as "imagens e as cores" da região.

Por mim, resta-me a dúvida: e agora, quem vai pintar (tão bem) Aveiro?

R.I.P: Zé Penicheiro.

(painel "Voar mais alto" presente na Universidade de Aveiro)

 

publicado por mparaujo às 11:00

23
Fev 14

publicado na edição de hoje, 23 fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Uma região doente

Veio a público, na passada terça-feira, um ranking que mede o impacto e o valor da “marca do município”. Entre os 308 municípios que compõem o mapa administrativo nacional, Aveiro posiciona-se me sexto lugar, tendo à sua frente os municípios de Lisboa, Porto, Braga, Oeiras e Coimbra. Nos três itens de avaliação, o município aveirense foi classificado como a sexta região com melhor capacidade de atrair investimento, o décimo sexto ao nível da atracção turística e o décimo segundo em qualidade de vida. Os parâmetros que dão origem aos resultados (globais e parciais) estão relacionados, por exemplo, com a taxa de desemprego, o número de hospitais, o valor do salário médio, a taxa de criminalidade ou a oferta turística (por exemplo, dormidas), entre outros.

Um sexto lugar, entre os 308 municípios, é um facto que merece o nosso contentamento e júbilo, para além de ser um dado que deva ser aproveitado politica e socialmente. Mesmo que números sejam números, valem o que valem, e, muitas vezes, “escondem” uma outra realidade. Aquela realidade que os aveirenses vivem no dia-a-dia. É gratificante que Aveiro esteja acima da média no que respeita aos valores da empregabilidade, bem como o dado do valor do salário médio pago que significa uma interessante capacidade empresarial para a valorização do trabalho, mesmo que a produção industrial esteja confinada, essencialmente, ao parque industrial de Cacia e o restante tecido económico se delimite aos serviços (com todo o risco de volatilidade inerentes). Além disso, apesar de acontecimentos pontuais ou limitados a zonas específicas (como a Praça do Peixe), Aveiro ainda é, de facto, um município onde a criminalidade está longe dos valores e da realidade nacional. É ainda relevante o impacto que o sector académico, nomeadamente a Universidade de Aveiro, tem no município, mesmo que haja ainda um percurso significativo a percorrer na relação entre o poder político, empresarial e académico.

Mas há dois dados que merecem especial atenção. Aveiro tem “apenas” uma praia costeira, S. Jacinto, embora tenha um património natural e ambiental invejável: o rio, a Ria, as marinhas, a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, aos quais podemos juntar a gastronomia, a cultura e o património histórico. Apesar do décimo sexto lugar na classificação global na área do Turismo, é evidente que falta muito que explorar nas potencialidades existentes para a captação de turistas, com óbvios impactos na economia local e regional.

Por último, mas mais significativo é o valor atribuído ao “Viver” (12º lugar). Neste aspecto, surgem inúmeras dúvidas e interrogações face a este valor quando comparado com a realidade municipal. Ou então, o panorama nacional da qualidade de vida nos municípios é, deveras, preocupante. Numa primeira análise, basta olharmos para áreas como a acessibilidade (o estado das vias, o trânsito na E.N.109, os pórticos que circundam a cidade ou a ausência das ligações rodoviária a Águeda ou ferroviária a Salamanca, a título de exemplo); a mobilidade (a falta de promoção do projecto BUGA, a deficiência dos transportes públicos ou a diferenciação entre o serviço da CP suburbanos do Porto e regional de Coimbra, e, ainda, a linha do Vouga); a ausência de um novo espaço verde urbano, um novo parque, já aqui defendido na recuperação e um projecto antigo para a zona a nascente da cidade (entre o cruzamento de S. Bernardo e o pavilhão do Galitos). Mas acima de tudo, tendo em conta que um dos parâmetros é a área da saúde, é legítimo questionar a posição de Aveiro face aos recentes dados que revelam um sistema caótico na prestação destes cuidados elementares para o bem-estar das populações. Os problemas estruturais do Hospital Infante D. Pedro (já aqui apontados e que mereceram a aposta num novo complexo hospitalar em Aveiro) ou da distribuição da oferta de saúde pelo Centro Hospitalar do Baixo Vouga (Águeda, Estarreja e a inclusão de Anadia) não são recentes, mas continuam a preocupar: já em finais de 2013 eram preocupantes e graves os problemas de resposta da urgência hospitalar, nomeadamente na escassez de recursos e meios humanos, que originaram a intervenção da tutela e da Ordem dos Médicos. Mas para além desta realidade, é muito mais significativo e confrangedor saber que o Centro Hospitalar do Baixo Vouga não dá uma resposta cabal e eficaz aos cuidados médicos da sua região, isentando, obviamente, os seus profissionais face às condições em que exercem as suas funções. O encerramento das consultas de Hematologia colocou em risco a vida de vários doentes que esperaram cerca de dois anos por uma primeira consulta que deveria ocorre num espaço de uma semana, sendo este um exemplo das dificuldades sentidas na resposta aos cuidados de saúde, em várias áreas, do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, quer por razões estruturais, quer organizacionais.

É importante que os responsáveis políticos e do sector olhem de outra forma para a saúde de Aveiro.

publicado por mparaujo às 11:44

19
Fev 14

publicado na edição de hoje, 19 fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

das liberdades partidárias…

Embora o processo não seja recente (e muito menos uma novidade em processos eleitorais, nomeadamente, os autárquicos) a polémica teve regresso marcado com a concretização dos factos e que foram tornados públicos (com mais ou menos pormenores) na imprensa nacional e local. Falo das polémicas expulsões partidárias no PSD, CDS e no PS (ou sanções disciplinares) no seguimento das opções individuais de determinados militantes nas escolhas eleitorais das eleições autárquicas realizadas em setembro de 2013.

Em causa estão as opções políticas daqueles que não se reviram nas candidaturas oficiais dos partidos e decidiram apoiar publicamente outras candidaturas, maioritariamente independentes. Foi o caso das eleições autárquicas em Aveiro (com maior eco nas hostes centristas, embora sejam já notícia os processos de expulsão de militantes do PSD-Aveiro), em Sintra relacionado com o social-democrata António Capucho ou em Coimbra, neste caso, em relação a militantes socialistas. Como é fácil perceber esta questão não é exclusiva de nenhuma côr ou símbolo partidários; aliás, pela leitura da história dos partidos após o 25 de abril, é bem transversal. Então porquê tanta polémica? Quem tem ou não razão (os partidos ou os expulsos)?

A questão prende-se com o direito à liberdade de opinião e o exercício de um dos mais elementares direitos cívicos da democracia: o voto (que é pessoal e intransmissível). Não é, obviamente, saudável para qualquer força partidária (seja ela qual for) que a construção dos seus princípios, valores e estratégias não se faça na pluralidade das opiniões, no debate interno (e há mecanismos suficientes para tal) na divergência de convicções. Se não for assim os partidos correm o risco de fracturarem, de enveredarem pelo seguidismo e “carreirismo” cegos, de não evoluírem e de se enfraquecerem. Além disso, correm ainda o risco de ‘girarem’ em torno de um líder, com todos os problemas inerentes à personalização do poder.

Por outro lado, o voto é, de facto, um direito pessoal e estritamente condicionado às opções e liberdades individuais.

Mas a verdade é que os partidos políticos, com especificidades muito próprias, têm regras e estatutos definidos e que são da inteira assunção dos militantes. No caso dos processos eleitorais há uma outra realidade relevante. O facto de um determinado militante (seja um “histórico”, tenha tido ou não um papel relevante na história do partido ou na sociedade) ter tomado opções públicas eleitorais (quer no apoio, quer na integração de listas eleitorais) contrárias às do partido não pode ser confundido com a mera divergência de estratégias ou de medidas políticas tomadas internamente pelo partido. Há, neste caso, uma clara rotura com as decisões do partido, como consequências óbvias nos resultados eleitorais (votos) que podem prejudicar o partido (e nalguns casos com consequências que se comprovaram).

Se a qualquer cidadão é lhe condido o direito ao livre e incondicional exercício do voto, não deixa de ser um facto que as opções tomadas devem ser individualmente assumidas, com todas as consequências naturais dessa decisão.

As divergências eleitorais, pelas posições públicas que assumem e pelos impactos que os votos têm nos resultados não podem ser confundidas com questões de pluralidade, de democracia ou de liberdade de expressão.

Graves são as circunstâncias em que as divergências de opinião, as convicções diferentes em função das estratégias internas assumidas, os condicionalismos que limitam a liberdade de exercício das funções em relação a matérias de direitos, liberdades e garantias (como é caso da disciplina de voto parlamentar, quando os deputados são eleitos nominalmente), determinam sanções disciplinares, expulsões ou condicionam o acesso a lugares na estrutura partidária. A “fidelização partidária” (o chamado “carreirismo”) torna os partidos em estruturas obsoletas, estanques e formatadas. Limitações ao exercício do direito de opinião e de expressão são, em todos os contextos, condenáveis.

O “virar as costas” ao partido, o condicionar a nossa acção em oposição ao partido, tem a natural consequência do assumir os actos que a divergência forçou. Por isso é que foi perfeitamente natural, louvável e aceitável que alguns militantes, durante o último processo eleitoral, tenham solicitado a suspensão ou apresentado a demissão do partido, sustentado as suas opções eleitorais.

publicado por mparaujo às 09:37

16
Fev 14

publicado na edição de hoje, 16 fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Os pórticos. É desta?!

Primeiro, o princípio. Excluindo questões do foro ideológico, o princípio do “utilizador-pagador” tem a sustentação da equidade, da justiça fiscal e social, da sustentabilidade. Este é o princípio que merece a concordância pessoal. Mas este princípio não pode gerar, em si mesmo, o antagonismo da sua sustentação. Ou seja, não pode acabar por representar, na prática, o oposto da sua essência. Não pode perder o sentido de equidade, de justiça e de sustentabilidade, quando aplicado sem que se prevejam situações de excepção, de pontualidade, de especificidade. E este é o problema que se arrasta em Aveiro, há demasiados anos, quando do prolongamento da A25 até à Barra ou da construção da A17, e, consequentemente, da aplicação de pórticos na malha urbana e nos acessos à cidade ou à zona de Aveiro. A discussão já tem “barbas” e demasiados enredos políticos. Já meteu “moto-serras”, discussões parlamentares locais, promessas eleitorais, moções e missivas para a Assembleia da República. Ainda em abril de 2013 a questão dos pórticos foi tema de resolução na Assembleia da República com a aprovação de duas propostas curiosamente, ambas favoráveis mas, nem por isso, complementares: o BE propôs a anulação do chamado pórtico do Estádio e o PSD/CDS a sua relocalização. Já na altura, sob o título “Fim do Pórtico? Ilusão...” (17 de abril de 2013), escrevi que entendia, por um lado, que uma mera recomendação ao Governo não produzia, por si só, efeitos práticos, e, por outro, que as recomendações eram redutoras e com impactos mínimos na resolução de uma inqualificável injustiça mais alargada.

O tema veio, recentemente, através do actual Presidente da Câmara de Aveiro, de novo à agenda política local. Desta vez, regista-se, com uma maior abrangência, tal como o referi em abril do ano passado: a eliminação dos pórticos na A25 entre a Barra e Angeja. Mas mesmo assim, continuo a entender que falta incluir também o pórtico do nó (se é que se pode chamar nó) de Oliveirinha/S.Bernardo. Até por uma razão de coerência da fundamentação. Os impactos do pagamento de portagens na cintura externa à cidade são comuns neste troço da A17 (Estádio – Mamodeiro) e na A25 (Angeja – Barra). São argumentos do ponto de vista económico, social, de acessibilidade e mobilidade urbanas: é a ligação ao Porto de Aveiro e as ligações às zonas e polos industriais de Cacia e de Mamodeiro, com as repercussões negativas no crescimento e desenvolvimento económico da região; é a questão de justiça e equidade quando comparadas com outras realidades semelhantes noutras cidades ou as questões de acessibilidade e mobilidade condicionadas no princípio da malha urbana e das circulares externas às zonas urbanas; acresce à vertente da mobilidade as questões ambientais e sociais (segurança) que estão em causa por força do impacto e do excessivo aumento de tráfego em Cacia e na E.N.109 (que circunda a cidade). Além disso, importa não esquecer que grande parte do troço da A25, entre a Barra e Angeja, é construído (redefinido) em cima do antigo IP5.

A A1 e a A29 já têm portagem/pórtico (percurso pago) nas saídas junto a Angeja e voltam a ter sistema de cobrança em Mamodeiro/Aveiro Sul (na A1), e após Ílhavo (na A17). Todo este intervalo torna-se, na prática, um mero eixo de ligação e de acesso à cidade/porto comercial. Não faz sentido o custo de acesso/utilização. Nunca fez.

O erro foi ter-se, apenas, olhado para uma árvore (o pórtico do Estádio) em vez de toda a floresta (a cintura externa a Aveiro). Andou-se demasiado tempo a pensar apenas num mero jogo de futebol de quinze em quinze dias, num estádio com uma média de assistência abaixo dos 1000 espectadores. E entretanto foi-se degradando a qualidade de vida em Cacia, o trânsito e o estado da via na EN109, foram-se criando dificuldades às empresas da região e ao Porto de Aveiro. Curioso é o facto de, proporcionalmente inverso, se ter instalado nos aveirenses, ao longo dos anos, uma estranha acomodação e um estranho conformismo. Nem para nós somos bons.

A ver vamos as novas vontades…

publicado por mparaujo às 11:41

05
Fev 14
http://1.bp.blogspot.com/-ShrdV2qCviA/US3VE7tQUJI/AAAAAAAAMLk/S_EedZRgV7U/s1600/Aveiro.JPG

publicado na edição de hoje, 5 de fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Olhares sobre Aveiro

Vem a propósito a lembrança das mensagens da última campanha eleitoral autárquica e do discurso de tomada de posse (devidamente tornado público) do actual Executivo camarário.

É, para já, notório o cumprimento de um dos pilares anunciados no período eleitoral e reforçado na tomada de posse: recolocar Aveiro como referência de uma região. Presidência da CIRA, vice-presidência da ANMP, relançamento da plataforma A25, integração do grupo europeu do poder local, entre outros. Resta esperar pelos resultados e impactos que isso possa trazer para Aveiro.

Sendo certo que a reorganização interna de todo o universo municipal está pendente das conclusões da auditoria interna, prevendo-se que os seus resultados possam ser conhecidos ao longo deste primeiro semestre do ano; já o desenvolvimento social e económico, e a qualificação urbana estão dependentes do resultado do esforço anunciado para este primeiro ano de mandato no que diz respeito à recuperação e equilíbrio financeiro das contas do Município.

No entanto, volvidos os primeiros 100 dias de mandato autárquico e porque foi determinação expressa pela autarquia acolher as vontades dos aveirenses, as suas sugestões e os seus “olhares” sobre a sua cidade e o seu concelho, resta-me, nessa qualidade, devolver um conjunto de reflexões que foram, por diversas vezes, ao longo de oito anos do “Debaixo dos Arcos”, repetidamente expostas e consideradas relevantes para o desenvolvimento local e a qualidade de vida em Aveiro.

Do ponto de vista da qualificação urbana Aveiro tem carências significativas. Há duas áreas que são vitais: revitalizar, quer do ponto de vista social, quer económico, quer, essencialmente, urbano (espaço público e edificado) o centro da cidade – Rua Direita e Avenida. Mas há ainda a zona a nascente da Estação (entre o túnel e a E.N.109) que urge promover a sua urbanização; a zona da antiga Lota (agora já fora do programa do Pólis da cidade) onde poderia, com uma qualificação urbana e ambiental coerente e consistente, surgir uma marina e equipamentos complementares (lazer, turismo e ciência/educação ambiental) aproveitando ainda toda a zona lagunar e as marinhas/salinas; a zona sul do plano pormenor do centro (toda a área entre o cruzamento para S. Bernardo e o pavilhão do Galitos) onde esteve planeado o novo parque da cidade, qualificando ambientalmente toda aquela área a sul da avenida 25 de Abril (entre esta e a E.N.109) proporcionando uma melhor qualidade de vida aos aveirenses com mais espaço verde e de lazer; e, por fim, a zona a norte das Barrocas, a área das Agras do Norte, entre Esgueira e a A25, requalificando urbanisticamente todo aquele espaço “abandonado”, permitindo o crescimento da cidade.

Mas o desenvolvimento de Aveiro não estará apenas compaginado à vertente urbanística. A cidade precisa, urgentemente, de um planeamento ao nível da mobilidade, integrado e sustentável, com impactos na vertente pedonal, ciclável, da promoção do transporte público (seja ele municipal ou concessionado), do estacionamento e do ordenamento do trânsito (nomeadamente na zona da Vera Cruz).

Por outro lado, Aveiro não pode esquecer o seu património, quer por razões históricas e sociais (identidade colectiva), quer por questões económicas (turismo, por exemplo). Primeiro o seu património histórico, cultural e social, porque o presente e o futuro não se constroem renegando o passado. Seja a gastronomia, a azulejaria (a falta que faz o museu do azulejo), o sal, entre outros, Aveiro precisa de investir na sua preservação e promoção. Segundo, o seu património natural, inserido na região, como são os casos da Ria de Aveiro e das salinas/marinhas. Do ponto de vista turístico, não temos muito mais para projectar e “vender” para captar visitantes e receitas, sem esquecer a tão desaproveitada praia de S. Jacinto, a única praia do concelho.

Terceiro, do ponto de vista do património ambiental, são necessários projectos que promovam a Ria, a zona lagunar do Baixo Vouga, o retomar do projecto do Rio Novo do Príncipe (ao nível ambiental, turístico e desportivo) e a reserva ambiental de S. Jacinto.

Por fim, Aveiro precisa de promoção cultural, de vida nos espaços públicos que traga uma maior qualidade de vida e bem-estar aos aveirenses. As poucas e parcas praças que temos na cidade, Rossio, Melo Freitas, Marquês de Pombal, precisam de dinamismo, de vida, de animação, que promova o convívio, a cultura, entre os aveirenses.

É óbvio que nem tudo poderão ser prioridades, nem tudo poderá ser equacionado, face às contingências económicas do país e da autarquia. Mas, pelo menos, espero que não sejam esquecidas estas realidades, umas mais relevantes que outras, com impacto no desenvolvimento de Aveiro. Fica o contributo.

publicado por mparaujo às 09:43

09
Jan 14

Já lá vão décadas e décadas, a perder de vista. Aliás, tão a perder de vista que não há, hoje, memória do ano em que a festa começou.

Mas um dado é certo: cada novo ano (ou Ano Novo) começa com a maior festa de Aveiro - S. Gonçalinho.

A festa que conquistou um lugar privilegiado na beira-mar (depois da festa em honra da Sra. das Febres ter perdido o seu fulgor - esta era a principal festa), nas suas gentes, na sua história, na sua cultura e também, obviamente, na sua religiosidade. Depois... depois saltou as "fronteiras" do bairro e ganhou lugar na freguesia; saltou as "fronteiras" da freguesia da Vera Cruz e ganhou a devida projecção pela cidade, pelo concelho e pela região.
Começa hoje, até segunda-feira (dia 13)...

Aqui, em Aveiro "Tomates é para os fracos"... aqui "chovem" (literalmente) Cavacas.

publicado por mparaujo às 09:09

05
Jan 14

É curioso como os acontecimentos produzem reacções distintas e nos levam ao encontro de outros factos.
Isto a propósito do falecimento, hoje, do Eusébio, um dos maiores vultos do desporto nacional, um verdadeiro embaixador de Portugal.
Mas o confronto com as nossa realidades pessoais, com as nossa vidas, "encobre" outros mistérios, outros momentos, outras vivências que marcam a "nossa" história.

Isto tudo porque, ao procurar a foto do post anterior, sobre a passagem do Eusébio pelo Beira-Mar (época de 1976, se não me falhar a memória) descobri esta imagem de equipa, dessa época.

Na foto podemos recordar, entre outros, Eusébio, Sousa, Manuel José, Víctor Urbano, Manecas, etc ...
Mas há um que, por razões pessoais e muito particulares, se destaca: o guarda-redes José Domingos (que nos "deixou" há alguns anos).
Para quem cresceu junto ao Parque de Aveiro (onde se situa o velhinho estádio Mário Duarte), na zona da "Praceta" não pode ficar indiferente àquela "imagem de azul". Por mim, restam-me as memórias de quem andou comigo ao colo, da amizade, do cuidado, da relação quase familiar.

E foi bom recordar e sentir um bater forte de inúmeras "imagens/memórias" e de muitas saudades...

publicado por mparaujo às 15:27

15
Dez 13

Publicado na edição de hoje, 15 dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Pode parecer utopia

… mas sonhar não custa (e ainda não paga impostos), mesmo que a transposição do sonho para a realidade possa parecer surreal. Mas factos, são factos; números representam, muitas vezes, a triste (ou a cruel) realidade que vivemos.

Recentemente, o Hospital de Aveiro, ou, para sermos mais correctos e precisos, o Centro Hospitalar do Baixo Vouga, tem sido notícia, não propriamente pelas melhores razões. Embora caiba aqui o parêntesis para assinalar o alargamento de serviços na área oftalmológica, o melhoramento da Unidade de Cuidados Intermédios Neonatais e o projecto de enfermagem “Cuidar de Quem Cuida” que venceu o primeiro dos três prémios do concurso Cuidar’13, lançado pela Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros.

Mas infelizmente são mais os títulos e as referências negativas do que estas excelentes notícias. Para além do conflito entre autarquias (Águeda e Estarreja) e a administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, confinado à desvalorização do Hospital de Águeda e ao encerramento do de Estarreja, têm sido reveladas, publicamente, as dificuldades porque passa o Hospital de Aveiro, quer na sua organização, estrutura, incapacidade de contratação de empresas ou profissionais de saúde, nos serviços e especialidades a prestar, na impossibilidade de resposta do serviço de urgências, na sobrelotação de muitas especialidades e internamentos, … E quem paga? Acredito que não seja nada fácil, nem motivador, para os profissionais que ali exercem a sua profissão/missão nestas condições de trabalho, mas, claramente, são os doentes e as famílias quem mais sente e sofre. Mas há mais… o Centro Hospitalar do Baixo Vouga padece de outro mal: falta-lhe a capacidade de ganhar dimensão e peso regional (e, porque não, nacional). E isso só se conseguirá com a construção de um novo Hospital Central. E começa aqui o “sonho” e a “utopia”. Não por manifesta incapacidade técnica ou porque o país vive momentos de extrema dificuldade financeira. Mas, nitidamente, porque, à boa maneira portuguesa, não se encontram sinergias, vontades comuns, ou porque falha o sentido do bem comum/público.

Esta não é a primeira vez que o afirmo e não me importo de o voltar a fazer, mesmo que pareça irreal ou descabido. Mas a realidade é esta: a autarquia aveirense tem o problema do antigo estádio e do novo para resolver, com a situação financeira grave que atravessa; a administração do hospital e os seus profissionais sentem a dificuldade de prestação de serviços de qualidade aos cidadãos (infelizmente, não são assim tão raros nos doentes os impactos e as consequências desta realidade); paralelamente há ainda a realidade actual do Beira Mar. Regresso ao ano de 2006… implusão do estádio; aproveitamento das infra-estruturas para a construção do novo hospital; rentabilização financeira (imobiliária) dos terrenos do antigo estádio e do actual hospital; construção de uma novo estádio (mais pequeno, cerca de 10 mil lugares) na baixa de Vilar, junto do Parque de Feiras, criando atractividade (pela maior proximidade à cidade) e a gestão conjunta dos dois espaços, com novas infra-estruturas complementares (comercias ou lúdicas).

Resultado… a Câmara poderia beneficiar em relação ao “elefante branco” e aos encargos que tem com o Estádio, o Beira Mar ganharia melhores condições e maior rentabilidade, Aveiro ganharia um novo e moderno hospital central.

No fundo, Aveiro e os Aveirenses ganhariam muito mais, garantidamente. Sonhar não custa.

publicado por mparaujo às 14:16

17
Nov 13

Publicado na edição de hoje, 17 de novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

No aproveitar pode estar o ganho…

Apesar do redondo falhanço que foi a apresentação do Guião da suposta Reforma do Estado (que nem para argumento de filme indiano serve, para não ir mais longe), importa, no entanto, destacar um ponto que merece particular atenção: “Agregar municípios, mais descentralização de competências” (página 50, ponto 3.4). É certo que o referido guião mais não é do que um amontoado de conceitos/princípios (alguns copy paste de documentos ou relatórios da Troika, da OCDE, etc.), sem grande inovação (com raras excepções) que não contempla qualquer fundamentação ou sustentação quantitativa (nem de suporte, nem de impacto), nem qualquer cronologia. Tornou-se mais que evidente que o documento apenas espelha o que deveria ter sido o programa eleitoral de Passos Coelho (e o “seu” PSD… repito o “seu”) e que foi totalmente desvirtuado por um conjunto de promessas não cumpridas ao fim destes mais de dois anos de mandato. Por outro lado, não deixa de ser menos evidente que o Guião da Reforma do Estado apresentado por Paulo Portas, depois de tantos anúncios, tantos prazos falhados, depois de tanto tempo de espera (provavelmente, numa gaveta) acabou por ser divulgado (tosco, confuso, incoerente) mais pela pressão política do que pela vontade do Governo. No entanto, ao contrário do que algumas vozes anunciaram, em vez de se desvalorizarem os raros aspectos positivos apresentados, há que aproveitar as escassas oportunidades para se desenvolverem novas realidades regionais e locais, seja ao nível municipal, seja no plano regional. Neste caso, volta a fazer todo o sentido o que aqui foi proposto na edição de 15 de fevereiro de 2012, sob o título “A oportunidade da (não) Reforma do Poder Local”. Tal como defendi na altura da reorganização administrativa territorial autárquica (infelizmente apenas concretizada ao nível das freguesias… eventualmente onde seria menos necessária), aquela teria sido uma excelente oportunidade para o Governo legislar no sentido de alterar a realidade legislativa eleitoral local e reorganizar o mapa municipal com a agregação/fusão de municípios. O exemplo apresentado prendia-se com a perspectiva de ganhos de escala, dimensão e somatório de potencialidades, para além da contiguidade geográfica e identidades comuns, como a Ria de Aveiro. Desta forma, volta a afigurar-se uma eventual realidade a fusão dos municípios de Aveiro, Ílhavo e Vagos, comunidades confinantes da bacia lagunar (canal de Ílhavo e Mira), com a argumentação sustentada no património natural que é identidade comum e que reserva em si inquestionáveis capacidades de desenvolvimento social, cultural e económico (os três domínios mencionados no ponto 4 do artigo 14º da Proposta de Lei nº 44/XII, à data).

Além do importante valor natural e identitário comum (a Ria de Aveiro), acrescem, ainda, alguns dados que se podem revelar importantes e que fundamentariam o conceito de escala e dimensão, tão importantes para a sobrevivência do municipalismo. Dados que perspectivam um desenvolvimento regional sustentado e forte, com uma rede de serviços fundamentais na área da saúde, ensino e ciência (a Universidade e o Parque da Ciência e Inovação), mobilidade (transportes públicos intermunicipais) e acessibilidades (eixo da A17), o Porto de Aveiro e a ligação Ferroviária; a gestão de resíduos sólidos; novos pólos industriais e a valorização do parque empresarial (Martifer Naval, Heliflex, Portucel, Vulcano, C.A.C.I.A., TEKA, entre outros); a valorização das potencialidades agrícolas (Vagos é reconhecido na produção leiteira) e da pesca; ecossistemas capazes de promoverem com sucesso o Turismo, com uma costa (mar e ria) invejável para as práticas de lazer, desporto, ecoturismo, e a preservação e conservação ambiental (zonas lagunares e as Dunas de São Jacinto).

Não é difícil, nem impossível, desde que haja vontade política que pode ser potenciada pela abertura do Governo apresentada no referido guião. Aliás, concluindo, vontade política expressa, de forma excelente e interessante, na recém-criada “Plataforma A25”, que une Aveiro, Viseu e Guarda, potenciando o desenvolvimento económico, social, a mobilidade e as transacções comerciais, a logística e o turismo, sem minimizar o saber e a investigação proporcionados pelas várias instituições universitárias deste eixo. Uma região centro forte, consistente, sem ”dependências” do Porto ou Coimbra, referência no desenvolvimento do país. E quem sabe, a possibilidade de se ver concretizado o “sonho” da ligação ferroviária ao “corredor atlântico” que não tem passado de uma miragem.

publicado por mparaujo às 12:33

15
Out 13

Publicado na edição de hoje, 15 de outubro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Último monólogo

Na fé e na vida, D. António Marcelino, por razões diversas, foi marcando uma considerável parte do meu percurso de vida. Sucedendo a D. Manuel de Almeida Trindade (de quem resta apenas a imagem de infância), D. António Marcelino foi Bispo a quando da minha passagem pelo seminário, pelo grupo de jovens da Sé, pelos cinco anos no Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, pelos três anos no Movimento Católico de Estudantes. Mas também pela relação familiar e pela presença constante, até bem tarde, no dia-a-dia (por mais espaço que fosse no tempo). A verdade é que D. António Marcelino, mesmo sem me aperceber, esteve sempre presente.

Sem qualquer demérito ou desconsideração por D. Manuel Almeida Trindade ou por D. António Francisco, a verdade é que, pelas razões referidas, pela marca que deixou, pela referência que foi, D. António Marcelino foi (é) o “meu” Bispo. Como, por diversas vezes, pública, a minha ligação com o bispo emérito foi sempre muito forte, com inegável estima, respeito e consideração. Nos bons e maus momentos, nos altos e baixos da vida.

Nem sempre estivemos de acordo, como por exemplo, em relação à “visão” da Igreja no que respeita à vida ou à família, em relação a Bento XVI. Mas, felizmente, foram mais os momentos e as visões comuns: ao papel, ainda por concluir, do Concílio Vaticano II; o mesmo sentimento em relação à missão da Igreja, à sua doutrina social e ao seu papel evangelizador; à sua intervenção política no mundo e nas instituições; à felicidade pela eleição do Papa Francisco. Mas também, sempre olhámos para o mesmo horizonte em relação ao peso da Cúria, à complexidade e meandros da estrutura da Igreja; à rigidez e inflexibilidade do direito canónico (ou da sua aplicação prática), embora aqui reconheça-se uma feliz alteração de convicções após o seu pedido de resignação episcopal. Muitas destas realidades foram publicamente partilhadas (sei que lidas) nos “Monólogos com o meu Bispo – na fé e na vida”.

Muito haveria ainda por partilharmos, mas, acima de tudo, muito (demasiado) ficou por aprender e apreender com a vivência, o crer e o saber do “meu” Bispo. Fica o sentimento do desapontamento do “monólogo” não escrito (seria o décimo segundo) em relação ao seu último texto publicado (18 de setembro), claramente em jeito de despedida, de quem sente o aproximar do juízo final e de partir, de um verdadeiro testemunho pessoal e de/da Fé (“Este amor chama-se Diocese de Aveiro – Ler a realidade social e a própria vida”). Foi neste princípio, nesta concepção da realidade social e da vida, que foi cimentada a minha relação afectiva com D. António Marcelino.

Agora partiu. Os elogios públicos são imensos e mais que merecidos, proferidos por quem “de direito”. Seria de todo abusivo da minha parte estar a sobrepor-me aos mesmos.

Pessoalmente, a Igreja (não apenas a de Aveiro) ficou mais pobre e o céu mais rico. Ninguém é insubstituível mas há, de entre todos, quem nos faça mais falta, por quem a memória e a recordação não terão sossego.

D. António Marcelino tinha como lema na sua nomeação episcopal: “Darei o que é meu e dar-me-ei a mim mesmo pela vossa salvação”. A verdade é que, de facto, deu durante uma vida inteira, concretamente a Diocese de Aveiro e os aveirenses que com ele privaram são disso testemunho. Mas também é verdade que D. António Marcelino recebeu muito da Igreja que “pastorou” e com isso foi igualmente enriquecendo a sua vida.

Para mim, de modo muito pessoal, fica a imagem do “meu” Bispo em cada gesto seu, palavra ou silêncio, espelhados na sua expressão: “a vida também se lê”… já que a morte apenas deixa saudades e vazio. E na “minha casa” morará sempre o meu Bispo.

publicado por mparaujo às 09:34

12
Out 13

vai-se num segundo, em poucas horas, nem é preciso mais que um dia,

Ainda de manhã (ontem) te tinha cumprimentado, junto ao largo Capitão Maia Magalhães. Estavas bem disposto, sorridente... aliás, como sempre te via.

À hora do almoço, de hoje, chegava-me a triste notícia. Partiste... seja lá para onde for.

Descansa em paz. Recodar-nos-emos sempre de ti Zé Lobo.

Até breve, amigo.

publicado por mparaujo às 21:13

02
Out 13

Publicado na edição de hoje, 2 de outubro, do Diário de Aveiro

Debaixo dos Arcos

Autárquicas2013: Aveiro (II)

Este segundo balanço das eleições autárquicas em Aveiro é focado na análise aos resultados eleitorais.

A primeira referência vai para um aspecto da campanha que deveria ter tido mais impacto nos resultados. Nem sempre acontece noutras eleições autárquicas (ou outros processos eleitorais) uma disponibilidade clara e visível para as candidaturas apresentarem de forma objectiva as suas propostas, ideias e reflexões. Não caberá às respectivas candidaturas (todas) a responsabilidade pelo desconhecimento dos respectivos programas eleitorais. O arranque cedo da pré-campanha, o recurso às redes sociais, a tradicional entrega porta-a-porta, os quilómetros percorridos no concelho, foram mais que suficientes para a difusão das propostas das candidaturas. Só quem se alheou deste processo eleitoral é que pode ter ficado “’imune’ à campanha e aos diversos programas.

O principal destaque tem que ir para a abstenção: dos 70132 eleitores apenas 34330 votaram (51.05%). É certo que a falta de rigor dos cadernos eleitorais desvirtua este valor, mas mesmo assim não deixa de representar um elevado número de aveirenses que ‘ficou no sofá’. As razões podem ser várias, embora criticáveis: mau tempo, insatisfação quanto à política e aos políticos, ‘governalização’ do processo eleitoral (descontentamento), a percepção antecipada do eventual vencedor. No entanto, a abstenção significa desperdiçar um direito universal que custou a conquistar; significa desperdiçar a oportunidade de participar, directamente, nos destinos das comunidades; significa que se passas para os outros a responsabilidade que cabe a cada um. A abstenção não altera, por si só, a imagem política da democracia, tão somente resulta na permissão para que essa realidade se mantenha ou se degrade ainda mais. Esta é a classe política e os partidos que existem, também por responsabilidade dos cidadãos, pelo deixar andar, por não se exigir mais dos eleitos, pela fraca participação cívica que intervala os processos eleitorais. Foi um claro ‘ataque’ à democracia aveirense, que no computo final acabou por penalizar todos os partidos e coligações.

Em relação aos votos finais a análise implica três ou quatro aspectos.

A coligação ‘Aliança com Aveiro’ conseguiu desfazer as dúvidas quanto à conquista da maioria absoluta (muito perto de conseguir o sexto vereador) por Ribau Esteves na Câmara Municipal, que soube aproveitar o final de campanha e a decisão do Tribunal Constitucional quanto à limitação de mandatos para convencer os aveirenses da sua mensagem e estratégia de gestão municipal, e por Nogueira Leite na Assembleia Municipal mantendo a maioria no parlamento local (reforçada pela conquista de sete das dez Freguesias).

A flutuação de votos do PSD-CDS e do PS para o movimento ‘Juntos por Aveiro’ ficou abaixo das expectativas geradas pelo apoio inicial a Élio Maia (um lugar de vereador; uma assembleia de freguesia; três deputados municipais; maior número de votos para a Assembleia Municipal do que para a Câmara; percentagem inferior à da sondagem do dia 19.09 - de 14,8% para 10,14%). Mesmo em S. Bernardo, onde conquistou a maioria na Assembleia de Freguesia, as opções dos eleitores para a Câmara e Assembleia Municipal recaíram sobre Ribau Esteves e Nogueira Leite. No entanto, ao nível das freguesias (apesar dos resultados na Glória+Vera Cruz e em Esgueira terem ficado abaixo do expectável) o movimento ‘Juntos por Aveiro’, com uma maioria absoluta e 17 mandatos conquistados, conseguiu dividir algum eleitorado e impedir maiorias absolutas nas freguesias da Cidade, Esgueira, Aradas, N.Sra.Fátima+Nariz+Requeixo, S. Jacinto e em Eixo+Eirol.

Em relação ao PS, os socialistas aveirenses não saem melhor na ‘radiografia’ eleitoral. Menos votos percentuais, menor número de votos absolutos, menos mandatos nas freguesias, menos uma Assembleia de Freguesia, em relação a 2009. Com o mesmo número de vereadores (3), o PS viu gorar-se a expectativa num regresso de uma gestão socialista do Município de Aveiro, fazendo ‘ressuscitar’ a gestão de Alberto Souto. Para além disso, a forte aposta para a Cidade e para Esgueira ficou abaixo das expectativas e dos sonhos socialistas que, apesar do resultado global menos positivo, mantiveram os oito deputados municipais directamente eleitos.

Por último, o Bloco de Esquerda é outro dos derrotados destas eleições: reduziu o número de votos, a percentagem eleitoral, o número de mandatos nas freguesias de três para um, o número de mandatos municipais de dois para um, ficando similar à prestação do PCP que conquistou dois mandatos nas freguesias (Cidade e Esgueira). Por outro lado, ao diminuir a percentagem e o número de votos para a Câmara Municipal, os bloquistas não conseguiram atingir o ‘sonho’ de eleger Nelson Peralta como vereador municipal e fazer a diferença entre uma maioria relativa e uma maioria absoluta.

Daqui a quatro anos haverá mais…

publicado por mparaujo às 10:05

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