Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

08
Abr 17

Sem título.jpg

Sim... o título do post está correcto. A indignação é que é outra.

Dias Loureiro, ex-administrador do BPN a quem Passos Coelho, provavelmente motivado pela "zanga de comadres" (Dias Loureiro e Cavaco Silva) um dia não muito distante (abril/maio de 2015) apelidou de um empresário de sucesso (também já tivemos um 'dono disto tudo' com os resultados à vista) viu ser arquivado, esta semana, o inquérito que o indiciava, juntamente com Oliveira e Costa, dos crimes de de burla qualificada, branqueamento e fraude fiscal qualificada, no processo BPN/SLN.

E é nesta ambiência que tenho que concordar com Dias Loureiro e a sua indignação.

O processo de inquérito demorou, pasme-se, oito anos até esta decisão.

E Dias Loureiro sente-se indignado (ponderando até o recurso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem) com todo este desfecho. Sente-se, nas suas palavras, estarrecido e indignado por todo o tempo em que o processo foi arrastado e pelas considerações subjectivas assumidas no texto do despacho pela Procuradora do Ministério Público, Cláudia Oliveira Porto.

No texto do despacho (fonte Diário de Notícias) pode-se ler:

"Pese embora o facto de não ter sido recolhida prova suficiente do recebimento dessa vantagem pessoal, à custa do grupo BPN/SLN, subsistem as suspeitas, à luz das regras da experiência comum". Mais à frente pode-se ler que "toda a prova produzida nos autos revela-nos uma engenharia financeira extremamente complexa, a par de decisões e práticas de gestão que, a serem sérias, são extremamente pueris e desavisadas, o que nos permite suspeitar que o verdadeiro objetivo (...) foi tão-só o enriquecimento ilegítimo de terceiros à custa do Grupo BPN, nomeadamente Dias Loureiro e Oliveira e Costa".

Ora... arquivar um processo que contempla fortes suspeitas e deixa muitas dúvidas no ar, mesmo após oito anos de investigação, é, de facto e no mínimo, motivo forte de indignação geral, na qual me incluo. Porque o que se esperaria é que as dúvidas e as provas fossem desfeitas e debatidas em julgamento e não num processo de arquivamento.

Assim sendo... uma parte significativa do país, aquela parte que ainda tem memória e se recorda do impacto (que ainda hoje se sente) do que foi todo o desfecho BPN, também se sente duplamente indignado e estarrecido.
Primeiro, pelo desfecho. Segundo pela lata, pelo topete e pela falta de vergonha das declarações do ex-Conselheiro de Estado.

publicado por mparaujo às 22:21

12
Mar 17

140825145620-50-billion-offshore-1024x576 (1).jpg

publicado na edição de hoje, 12 de março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Offshore pariu um rato

Andava o país inquietantemente à espera e à espreita trocadas entre o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues, quando, de repente, a modos que caídos do nada, surgem 10 milhões de euros e 20 declarações não tratadas pela Autoridade Tributária de transferências para Offshores e que provocam um tsunami na agenda política nacional e, igualmente, no universo dos provérbios populares ou tradicionais: «março, marçagão.. de manhã no BES… à tarde nas Ilhas Caimão». A verdade é que a polémica tem tido contornos díspares e tem surgido como um tiro no pé no que respeita à sua implicação política, embora não consiga livrar-se dessa amarra.

Primeiro, foi o ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo PSD-CDS, o centrista Paulo Núncio que, não conseguindo dar uma explicação coerente e consistente sobre a polémica, acabou por assumir responsabilidades políticas que, pouco tempo depois, se verificaram serem desajustadas, ao ponto de apresentar a sua demissão de todos os cargos que ocupava no CDS-PP. E quando toda a maioria que suporta o Governo afiava facas e segurava alguidares para a imolação política do ex-Secretário de Estado é, curiosamente, o actual titular da pasta dos assuntos fiscais no Governo de António Costa, o próprio tão badalado interveniente no caso das viagens ao Europeu de Futebol, Rocha Andrade, que acaba por salvar politicamente o seu anterior homólogo e a própria oposição. O actual Secretário de Estado do Governo do PS afirmaria mesmo que não tinha “nenhum facto que indicie qualquer indicação política ou técnica para ocultação de dados”. Mais ainda, justificou o caso como um erro informático na utilização de um software descontinuado que não processou integralmente a informação e não numa intenção política. Mas a vertente política continuaria, apesar de, nessa fase, entrar já em campo a Procuradoria-geral da República por suspeitas de eventual procedimento criminal. Isto porque, nesta fase, o nome BES voltou à estampa. Dos 10 milhões de euros grande parte provinha do antigo banco liderado por Ricardo Salgado, sendo que a este facto acresceria outro que obrigou a maioria que sustenta a governação a redefinir a estratégia política inicial: as vinte declarações que fugiram ao controlo da Autoridade Tributária não eram exclusivas do período de governação PSD-CDS; sete delas já estariam dentro do período de responsabilidade governativa do actual Governo socialista. E nesta fase desabava quase toda a estratégia da “geringonça” para atacar PSD e CDS e desviar as atenções do que era, até então, a marca principal na agenda política nacional: a Caixa Geral de Depósitos.

Ao ser descoberto o envolvimento significativo do BES em todo o processo soaram novos alarmes e as baterias viraram-se, de novo, para o Banco de Portugal, para Carlos Costa e para a questão da supervisão do sistema bancário e financeiro. Só que esta nova realidade deixou isolado o Bloco de Esquerda nesta luta. A questão da falha do sistema de supervisão não é uma realidade apenas imputável a Carlos Costa, ela é muito mais antiga e reporta-nos, por exemplo, até aos anos de governação do Banco de Portugal pelo socialista Vítor Constâncio. O problema não está em Carlos Costa mas sim procedimento de regulação e supervisão, ou seja no próprio sistema. Mas o “voo” dos 10 milhões para offshores, apesar das reviravoltas, teima em manter-se na esfera política. O Bloco de Esquerda sabendo, apesar dos anúncios, que muito dificilmente o Partido Socialista demitirá Carlos Costa, já que o mesmo foi reconduzido pelo actual Governo, a estratégia do BE passa agora por partidarizar o Banco de Portugal (basta recordar a recente escolha de Francisco Louça para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal) e pela desvalorização do papel do banco central português e do Governador ao ser avançada a eventual criação de uma entidade que fiscalize e se sobreponha à actividade reguladora bancária e financeira em Portugal. No fundo, uma polícia financeira do Estado que coloca em causa a independência institucional do Banco de Portugal.

Infelizmente, à parte disto tudo, as questões que importaria discutir e avaliar ficaram esvaziadas: há ou não matéria criminal no processo (relembre-se a afirmação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, Paulo Ralha: «nas transferências para as offshores, os impostos já foram pagos, o problema é a origem do dinheiro»)? Há ou não vontade política e governativa para alterar legislação e procedimentos que tornem a supervisão mais eficaz e eficiente? O que irá ser feito para impedir novos “apagões” na Autoridade Tributária? É ou não possível acabar ou limitar as offshores? Isto para que tudo não fique na mesma, com mais ou menos publicação de listagens. Já chega de Portugal assistir a montanhas a parirem, constantemente, os respectivos ratos.

publicado por mparaujo às 11:28

15
Jun 16

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpg

publicado na edição de hoje, 15 de junho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Nem só as vacas voam

Confesso que não me trouxe estranheza nenhuma a alegoria usada pelo Primeiro-ministro na apresentação da reforma do Programa Simplex quando usou a imagem da “vaca voadora”. É do senso comum o recurso a essa analogia, como a do “já vi um porco a andar de bicicleta” ou igualmente “já vi um porco a voar”, para reforçar a ideia de que não há, em determinados contextos, tarefas ou objectivos impossíveis.

O que me causa maior estranheza e consequente repúdio é que não sejam apenas as vacas a voar na actual conjuntura. Lamenta-se é que seja também a ética, a moral e a responsabilidade política, a voarem.

O Partido Socialista e o Governo tiveram ainda muito recentemente, pelo menos a um nível interno (a ver vamos se a coragem política será a mesma no confronto com as instituições europeias e/ou a Alemanha), a coragem de enfrentar a Europa criticando e repudiando as eventuais sanções que possam vir a ser aplicadas a Portugal por incumprimento das metas e por défice excessivo. E muito bem. Aplauda-se. O que se estranha é que esta força política, esta coragem para o confronto, não seja aplicada internamente no que diz respeito ao sector da banca nacional. Ainda há, e com toda a certeza haverá, muito por explicar no que diz respeito ao negócio Banif/Santander. Muitas responsabilidades, sejam de quem for, ainda terão de ser assumidas ou atribuídas. E, em cima do processo, eis que surge o que para o comum dos cidadãos seria impensável: uma crise no banco do Estado, Caixa Geral de Depósitos.

Em causa estão cerca de 2,3 milhões de depósitos em risco; foi já anunciada ou está prevista a injecção de capital no valor de mais de 4 mil milhões de euros; em cima da mesa está o despedimento colectivo de cerca de 2000 funcionários em cerca de três anos. De novo a deficiência do nosso sistema financeiro, de novo as contas públicas e os contribuintes a sofrerem mais sacrifícios, de novo mais desemprego. E qual a medida do Governo, aprovada em Conselho de Ministros? Abrindo um perigoso procedente com uma excepção á regra que será pouco perceptível e aceitável, o Executivo de António Costa deliberou acabar com a limitação salarial da figura de gestor público na Administração (para os 19 administradores, repito, dezanove) da Caixa Geral de Depósitos. Isto não é, na actual conjuntura, minimamente moral e politicamente aceitável.

Mais… Muito mais estranhas são as posições do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português. Aqui a hipocrisia política, a falta de ética, a forma como se contraria todo um discurso e retórica desde sempre utilizados só porque agora sentem o conforto do poder é condenável. A cada passo, em momentos importantes na gestão do país, se vê confirmado o único objectivo que move BE e PCP na aliança com o PS na governação: apenas, pura e simplesmente, o impedimento de uma alternativa e governação à direita. Não há um interesse pelo país, pelos portugueses, apenas um móbil ideológico.

Para quem nos seus discursos políticos e programáticos sempre defendeu transparências e combateu a corrupção, sempre se disse ao lado dos mais fracos, dos que mais precisam, sempre se mostrou pronto para lutar pela justiça e equidade, sempre defendeu o bem público… nem uma palavra de condenação da decisão do Conselho de Ministros, nem uma dúvida sequer em relação à situação da CGD e, pior ainda, contra tudo o que tem sido exemplo até à data, um feroz bloqueio a uma comissão de inquérito parlamentar.

Também é assim que a ética, moral e responsabilidade políticas voam neste país.

publicado por mparaujo às 10:28

21
Mar 16

bancos portugueses.jpg

ou neste caso em particular o mais correcto seria titular "das incoerências da banca".

A questão é simples... alguém anda claramente a tentar iludir ou a querer minar o mercado bancário.

Corre uma obsessão e um histerismo infundamentados contra a presença de Espanha na banca portuguesa ao ponto de haver quem queira aludir a uma "espanholização" monopolista da banca portuguesa.

Tudo isto vem no seguimento da compra do BANIF pelo Santander Totta e de alguma polémica em torno da decisão do Governo no processo de venda do banco do Funchal.

Mas a verdade é que há quem queira, propositadamente, demonstrar lapsos de memória ou de análise.

E a pergunta, para todos os histerismos actuais, é simples: então o BIC, o BPI e a pretensa entrada no BCP são de que nacionalidade? Será que Angola é província espanhola e todos nós desconhecíamos?

Vêm agora os puritanismos e os patriotismos camuflados de outros interesses... até já há quem surja com manifestos sustentados em inocências escondidas. Mesmo que não responda à legítima questão: quanto custará a Portugal (e à banca portuguesa) o apoio de Angola à candidatura de António Guterres à ONU (excelente candidatura, refira-se a bem da verdade)?

Demagogia por demagogia é simples... é bem mais preferível o capital espanhol na banca nacional do que termos tido os "supremos" exemplos da gestão bancária portuguesa que tanto nos estão a custar a todos: BPP, BPN e BES. Isto sim... é que é triste, lamentável, criticável e condenável.

publicado por mparaujo às 15:48

21
Dez 15

banif.jpgÉ sempre evitável e lamentável quando, politicamente, se pretende atirar "pedras ao telhado do vizinho" esquecendo-nos que o nosso é de "vidro". E em política para além de lamentável é criticável.

Vem isto a propósito do caso e da venda do BANIF.

Já o afirmei em outras ocasiões e expressei recentemente aqui ("No mealheiro não se pode tocar") que tenho alguma dificuldade em aceitar (perceber, percebo) esta obsessão por "salvamentos à banca". Tomara o país que o Estado/Governos tivessem a mesma posição em relação ao tecido económico e produtivo quando uma empresa gere mal o seu negócio, há corrupção, gestão danosa e incumprimentos legais.

E importa afirmar expressamente que, perante o que tem sido a informação divulgada e circulada, o anterior-anterior Governo (o XIX Governo) tem claras culpas no cartório. Facto.

Além disso, nesta matéria de "salvamentos bancários" nem a realidade é justa e equitativa, basta recordar as posições perante o BPN, BES e agora BANIF e, por exemplo, BPP. E por mais retórica argumentativa que queiram produzir e promover a verdade, e essa tem sido a verdade dos factos e dos números, há sempre uma factura final para o contribuinte. Curiosamente, neste tipo de exercícios o Estado acaba não por salvar os bancos (esses quem salvam são os depositantes, obrigacionistas e os contribuintes) mas sim, sempre, os banqueiros.

Mas ainda a propósito do BANIF, do ponto de vista político, o PS volta, como no caso BPN, a atirar as pedras sem acautelar efeitos boomerang. Tal como no caso BPN os tiros direccionados ao PSD resultaram numa necessária operação de resgate/nacionalização que ainda hoje tem um peso significativo nas contas públicas. Tal como há uns anos, agora a história parece repetir-se.

Mas há ainda mais uma contradição/incoerência política na indignação socialista/governativa que, para o comum do cidadão "mais que mortal", é de difícil digestão. António Costa vem afirmar publicamente que "Esta venda tem um custo muito elevado para os contribuintes", custo que deverá rondar os cerca de 1,7 milhões de euros. Passar para opinião pública a responsabilidade de odiar e a condenar terceiros (ao caso, Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque) tem o seu reverso da medalha e, raramente, corre bem. Faz bem, António Costa, lembrar o que sempre foi dito em relação ao BPN, ao BES e afins. O problema é que António Costa e o Governo têm uma posição totalmente oposta e contraditória quando pretendem reverter o processo de venda da TAP (como se esta fizesse alguma falta ou diferença no universo público nacional) como se isso não trouxesse os mesmos (ou até mais) custos para os contribuintes e para as contas públicas.

Entretanto, afigura-se um período muito fértil de confronto polítco em sede de (mais uma) comissão parlamentar de inquérito.

publicado por mparaujo às 11:28

18
Dez 15

mealheiro antigo - CGD.jpgMuitos de nós estarão recordados dos mealheiros de infância (muito antes destes Ágata Ruiz de la Prada), de mil e um feitios, para mil e um objectivos de poupança. A maior parte deles com chave ou sem abertura (apenas a ranhura para a introdução dos escudos - notas ou moedas) mas que, por força da tentação, facilmente se descobriam formas e trejeitos de sacar sempre uma ou outra moeda para gastos adicionais ou extraordinários.

No último roteiro presidencial, curiosamente por terras de Aveiro, Cavaco Silva tinha a sua última tirada "presidencialista": «É preciso medir bem as palavras quando se fala do sistema bancário».

Ora para um economista da escola/filosofia da Univ. Católica para quem, mesmo que contrariando as leis divinas e os evangelhos, a seguir a Deus vem o dinheiro, não há nada de extraordinário nas palavras de Cavaco Silva.

A menos que alguém se lembre de opor e recordar que, se calhar, o melhor era que o cuidado em relação ao sistema bancário fosse direccionado para a sua regulamentação e fiscalização, para o seu rigor e transparência, para a sua justiça e equidade.

Isso sim... seria um importante Cuidado, quando se fala do sistema bancário.

publicado por mparaujo às 16:24

10
Dez 14

Vendetta - BES.pngO caso despoletou um misto de surpresa e apreensão há mais de meio ano.

Um dos maiores bancos portugueses, aquele sobre quem recaía a epíteto de “o coração da economia e das empresas, aquele que tinha na sua cadeira do poder “o dono disto tudo”, colapsou embrulhado num manto de ilegalidades graves.

Daqui resultaram investigações judiciais, a intervenção (mesmo que demasiadamente tardia) do Banco de Portugal, a intromissão do Governo no processo, detenções, acções judiciais ainda em curso e prolongadas Comissões de Inquérito Parlamentares como à maratona de audiências que o país assistiu ontem e que levou Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi à Assembleia da República.

Quando se esperavam intervenções (e já agora, também muito maior acutilância por parte dos deputados) que clarificassem os enredos financeiros que levaram ao naufrágio do BES, quando se esperavam intervenções que esclarecessem os processos e procedimentos ilegais cometidos, quando se esperava o reconhecimento de responsabilidades e, no mínimo, algum arrependimento (Ricardo Salgado, em poucas horas, passou de “Dono Disto Tudo” para “ Vítima Disto Tudo”), eis que a audiência na Assembleia da República (CIP – caso BES) de ontem dos primos Salgado (Ricardo e Ricciardi) resultou numa fotonovela siciliana (ao jeito do confronto entre “famílias da máfia italiana”) em que um primo “apunhala” o outro pelas costas apenas para garantir a “cadeira do poder”.

Os pequenos accionistas, os depositantes, as pequenas e médias empresas, os contribuintes, o Estado, os funcionários do banco… são “danos colaterais” que tiveram a infelicidade de confiarem numa instituição completamente minada, armadilhada, a definhar. Instituição que numa perfeita fábula de La Fontaine seria o “lobo com pele de cordeiro”.

Para lavarem “roupa suja familiar” usem uma lavandaria qualquer perto de casa. Poupem o país que tem coisas mais sérias com que se preocupar. A começar pelo próprio Novo Banco, resultado da implosão do BES.

 

publicado por mparaujo às 16:31

10
Out 14

novo banco.jpgÉ certo que os impactos públicos (custo para o Estado e contribuintes) da participação do Estado na recapitalização do BES em nada terão a ver com o valor injectado no BPN que ronda os sete mil milhões de euros (qualquer coisa como cerca de 700 euros a cada português).

A dimensão do caso BES é menor que a do BPN (em parte pela estratégia de separação do banco em dois, o “bom” e o “mau”) e as eventuais perdas neste processo serão sempre resultado da diferença entre o valor da venda e o valor do fundo criado para a recapitalização do banco. Isto assim e uma forma muito simplicista e simplificada do processo, sem recurso a economês ou tecnicidades escusadas.

Porque o que importa realçar, neste momento, é a mudança de convicção e opinião do Governo em relação ao processo BES e ao valor injectado pelo Estado.

Mais uma vez (depois do que aconteceu na Justiça e na Educação) o Governo refutou, no princípio do processo, todas as críticas e negou todas as evidências apresentadas pela oposição e pela opinião pública, para, volvido algum tempo, reconhecer o que era mais que expectável e mais que provável. E as palavras da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, não deixam dúvidas, depois de há um mês apresentar a solução BES como a melhor para que não houvesse risco para os contribuintes: «o envolvimento da CGD no processo pode resultar em “risco de perdas” para o banco público», o que, na prática, significa o risco de “custos para o Estado/contribuintes”, caso o banco seja vendido abaixo dos 4,5 mil milhões de euros do fundo de resolução (sabendo-se que deste valor 30% correspondem à CGD). Para além disso, há ainda uma nota em relação às declarações da ministra das Finanças proferidas quarta-feira no Parlamento: «é o preço do Estado ter um banco público [CGD]». Curiosamente, para as crises no sistema bancário o banco público afigura-se sempre como um problema financeiro dada a necessidade (e obrigatoriedade) de recurso do Estado ao banco público para a resolução dos “buracos”. Para os investimentos públicos e os negócios do Estado, o Governo recorre à banca privada (no caso do BES é conhecido o seu peso e influência na economia privada e pública) criando constrangimentos às contas públicas e aos contribuintes quando as coisas correm mal.

publicado por mparaujo às 09:17

17
Set 14

publicado na edição de hoje, 17 de setembro, do Diário de Aveiro.

Caderno de Notas

Apontamentos I

1. O defraudar político de Marinho e Pinto

Neste espaço foram já várias as notas que deixei relacionadas quer com o rescaldo das eleições europeias de maio passado, quer com as posições de abandono e de defraudar assumidas pelo cabeça de lista eleito eurodeputado (e demissionário) pelo MPT. Mas Marinho e Pinto é uma pessoa claramente insatisfeita. Poder ou querer capitalizar os votos e a projecção alcançada (e isso são factos) nas eleições europeias parece ser algo que Marinho e Pinto se preocupou em desvalorizar. Sedento do poder e do palco político (embora Marinho e Pinto seja mais “um populista” do que um “animal político”) não só defraudou e decepcionou o eleitorado e o MPT, como descredibilizou o processo e o sistema político. Depois do abandono da estrutura partidária à qual recorreu para ter visibilidade e ser eleito, surge agora a intenção de criar um novo partido político (mais um). Esta intenção pessoal não assenta, no seu caso, numa qualquer questão ideológica ou numa alternativa credível no actual sistema, exageradamente assolado por muitos partidos e movimentos políticos. Para Marinho e Pinto é mais um capricho e a necessidade da luz da ribalta política e social.

2. As cambalhotas do sistema bancário

Teria sido muito mais interessante se a regulação do Banco de Portugal tivesse actuado nos casos BPP, BPN e agora BES/Novo Banco com a mesma veemência, celeridade, eficácia e intromissão reguladora como que, ao fim de dois meses, pressiona a equipa por si escolhida para liderar o processo BES para se demitir. Mais ainda, a mesma rapidez e intromissão com que, após um ou dois dias do anúncio da demissão já tem um nome para a nova liderança (Eduardo Stock da Cunha), não do Novo Banco, mas sim do processo da sua venda/alienação. As divergências entre a equipa de Victor Bento e o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, eram claras: o desconhecimento da verdadeira dimensão e de todos os casos do BES, bem como os objectivos e o projecto para o futuro do Novo Banco.

3. As queixinhas de Belém

É um sentimento comum na opinião pública a crítica quanto ao isolamento e silêncio inaceitáveis do Presidente da República no que respeita a matérias importantes e que marcam a agenda e o futuro do país. Realidade apenas quebrada temporalmente e em momentos chave do calendário (Natal, Ano Novo, 10 de Junho, …). Infelizmente a excepção a esse ciclo de aparição pública de Cavaco Silva surge para o habitual queixume: “a mim ninguém me diz nada, a mim ninguém me liga!”. Nunca sabe nada, nunca se preocupa em saber, nunca intervém... Era bom que o Presidente da República Portuguesa também ligasse ao país, muito para além das reflexões pessoais no recesso do lar.

4. A justiça política

O caso “Face Oculta” foi um processo único que marcou a justiça e a política portuguesa. A verdade é que, apesar de Armando Vara (um dos muitos arguidos condenados a prisão efectiva), à data dos factos, já não exercer o cargo de ministro-adjunto e ministro da Juventude e do Desporto, o envolvimento de empresas públicas, do ministério e secretaria de Estado dos Transportes e Obras Públicas, da tentativa de colagem do ex primeiro-ministro José Sócrates, tornaram este processo, também (mesmo que em menor escala) político. No fundo, o desfecho do caso “Face Oculta” revelou igualmente que a impunidade e imunidade políticas podem começar a ter os “dias contados” na justiça portuguesa. E eis que, volvidos poucos dias (dez, apenas), a justiça portuguesa volta a condenar um ex-ministro e ex-político, ao caso Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação entre 2005 e 2009: (condenação a três anos e meio de prisão, com pena suspensa mediante o pagamento de 30 mil euros). Em causa, o crime de prevaricação por titular de cargo político relacionado com um ajuste directo para um estudo/compilação sobre legislação no sector da educação, no valor de 265 mil euros.

A verdade é que, Citius à parte (bem como a Ministra da Justiça), a opinião pública começa a ter uma imagem diferente da justiça portuguesa: em dez dias instalou-se a tolerância zero nos Tribunais para políticos, ex-políticos e poderosos (e relembremos os casos de Vale Azevedo, Isaltino Morais, Duarte Lima, BPP, BPN e agora BES).

publicado por mparaujo às 09:41

14
Set 14

Três notas para este resumo semanal (semana 37)…

1. O defraudar político de Marinho e Pinto

O Francisco Castelo Branco, na sua escala das “Figuras da Semana XVI” coloca o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, a meio da “tabela”. Do meu ponto de vista, o Francisco é um mãos largas. Pessoalmente acho que Marinho e Pinto deveria ficar ainda bem abaixo de Paulo Bento. Foram várias as notas que deixei relacionadas quer com o rescaldo das eleições europeias de maio passado, quer com as posições de abandono e de defraudar assumidas pelo candidato eleito (e demissionário) pelo MPT (a decepção com a união europeia). Mas Marinho e Pinto é uma pessoa claramente insatisfeita. Poder ou querer capitalizar os votos e a projecção alcançada (e isso são factos) nas eleições europeias parece ser algo que Marinho e Pinto se preocupou em desvalorizar. Sedento do poder e do palco político (embora Marinho e Pinto seja mais “um populista” do que um “animal político”) não só defraudou e decepcionou o eleitorado e o MPT, como descredibilizou o processo e o sistema político. A intenção de criar mais um partido político não assenta, no seu caso, numa qualquer questão ideológica ou numa alternativa credível no actual sistema, exageradamente assolado por muitos partidos e movimentos políticos. Para Marinho e Pinto é mais um capricho e a necessidade da luz da ribalta política e social.

2. As cambalhotas do sistema bancário

Teria sido muito mais interessante se a regulação do Banco de Portugal tivesse actuado nos casos BPP, BPN e agora BES/Novo Banco com a mesma veemência, celeridade, eficácia e intromissão reguladora como que, ao fim de dois meses, pressiona a equipa por si escolhida para liderar o processo BES para se demitir (equipa de Víctor Bento demite-se). Mais ainda, a mesma rapidez e intromissão com que, após um ou dois dias do anúncio da demissão já tem um nome para a nova liderança, não do Novo Banco, mas sim do processo da sua venda/alienação. As divergências eram claras: o desconhecimento da verdadeira dimensão e de todos os casos do BES por parte de Víctor Bento, bem como os objectivos e o projecto para o futuro do Novo Banco.

3. As queixinhas de Belém

Não… não são os famosos Pastéis de Belém. É um sentimento comum na opinião pública a crítica quanto ao isolamento e silêncio inaceitáveis do Presidente da República no que respeita a matérias importantes e que marcam a agenda e o futuro do país. Realidade apenas quebrada temporalmente e em momentos chave do calendário (Natal, Ano Novo, 10 de Junho, …). Infelizmente a excepção a esse ciclo de aparição pública de Cavaco Silva surge para o habitual queixume: “a mim ninguém me diz nada, a mim ninguém me liga!”. Nunca sabe nada, nunca se preocupa em saber, nunca intervém... Era bom que o Presidente da República Portuguesa também ligasse ao país, muito para além das reflexões pessoais no recesso do lar.

publicado por mparaujo às 14:20

10
Ago 14

publicado na edição de hoje, 10 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

A brincar com os números…

Os últimos dias (semanas) revelam um país capaz dos mais extraordinários feitos matemáticos. Uma capacidade inolvidável de “brincar com os números”. Sejam eles financeiros, sejam sociais.

E a semana foi profícua nestes dois aspectos.

Primeiro a questão do BES. Muito para além dos clientes da instituição bancária a verdade é que todo o caso BES caiu que nem uma bomba. A Fernanda Câncio referia no seu artigo de sexta-feira, no DN, que "não foi uma ponte que caiu, foi um banco, e não morreu ninguém". Verdade. Mas não deixa de ser uma tragédia com impactos ainda por conhecer ou revelar. Do ponto de vista financeiro e do sistema bancário foi, de facto, um terramoto ainda com o valor da escala de Richter por definir. Aplaudindo ou criticando a acção dos reguladores (não apenas o Banco de Portugal) é um facto que, apesar do tempo “perdido”, as suas intervenções acabaram por desmascarar o que surge aos olhos da opinião pública, mesmo que ainda por apurar e acusar, como a maior fraude do sistema bancário nacional. Tudo porque, meses/anos a fio, o BES foi “brincando” com a engenharia financeira, os números, mas, infelizmente, com o dinheiro de muito portugueses.

Hoje, por força da investigação que ainda agora iniciou, os Reguladores agiram (mesmo que tarde), a solução foi encontrada minimizando os impactos nas contas e dinheiros públicos (apesar do valor injectado ser oriundo do Fundo de Resolução previsto na verba da Troika), há ainda por apurar o risco futuro para o Estado (e, portanto, para os contribuintes) na operação de salvação/recapitalização do BES (Novo Banco), salvaram-se os depositantes e as suas economias/poupanças.

Mas há outra realidade muito mais negra. Durante anos a fio o BES foi o país (politica, económica e financeiramente); durante anos a fio o BES era a imagem (boa/perfeita) do sistema bancário nacional; ainda no ano passado eram inúmeras as vozes públicas, de pessoas com responsabilidades (várias), que sugeriam a compra de acções do BES numa operação de aumento de capital. Numa semana, o caso BES transformou a confiança dos portugueses no sistema bancário e em quem gere o sistema bancário na pior das “notações de rating”: abaixo de lixo.

O Instituto Nacional de Estatística divulgou, na passada terça-feira, os valores da taxa de desemprego para o segundo trimestre de 2014. O valor divulgado indica que o desemprego se situou abaixo dos 14% (13,9%), muito menos que os 17,7% há pouco mais de um ano. Para o Governo é fácil “brincar” com estes números sociais. O ministro Mota Soares, congratulando-se com a descida da taxa de desemprego, aplaudiu ainda a subida (em relação ao primeiro trimestre) em 0,3% da população activa (novos postos de trabalho). O que o ministro não referiu, quer em relação à taxa de desemprego, quer em relação aos eventuais novos postos de trabalho, é que, no primeiro caso, faltou falar sobre a questão demográfica, a sazonalidade, o aumento do número de reformas ou ainda o facto dos 728.900 desempregados ser ainda muito superior ao valor de há três anos (2011 – 675.000); no segundo caso, Mota Soares teve o lapso, consciente ou inconsciente, de se esquecer de mencionar que o número de postos de trabalho criados diminuiu em relação a 2013 (menos 0,3%), em igual período, sendo que, por exemplo, há cerca de 55 mil pessoas que deixaram de trabalhar por conta própria (lá se foi o empreendedorismo).

Infelizmente, é fácil manipular os números adulterando as realidades. Mas pior… as pessoas ainda continuam a ser, e serão, números e estatísticas.

publicado por mparaujo às 15:16

24
Jul 14

No dia em que as notícias pontam para a detenção e audiência judicial no Tribunal Central Instrução Criminal de Lisboa de Ricardo Salgado, surge este texto verdadeiramente soberbo (mais um, claro) do Pedro Santos Guerreiro.

De forma simples e clara o jornalista do Expresso explica como surge a queda de um "anjo" e o desmoronar do baralho de cartas de um império e de um sistema.

Sim, porque por mais que se queira e se tente o sistema foi abalado, no mínimo. E nada garanta que o mesmo sistema aguente mais um rombo após os casos BPP, BPN, BCP/Jardim Gonçalves e agora o BES, para além de todas as realidades que acompanham os actuais tempos das outras entidades bancárias.

A Ler... quase que obrigatoriamante.

"A queda de um Santo, por Pedro Santos Guerreiro".

publicado por mparaujo às 15:56

02
Nov 08
nem sempre é bom...
O Governo prepara-se para "nacionalizar" o BPN (fonte TSF).
Enquanto a faixa esquerda (por exemplo o PCP) rejubila de alegria por haver "mais Estado", é grave que esta situação tenha o "compadrio" do Governo, dos Partidos Políticos com assento Parlamentar e do próprio Presidente da República (mais preocupado com o "queijo dos Açores" do que a justiça social e a economia deste país).
Se não, vejamos:
1. Se não fosse a "Crise", ainda hoje o BPN continuaria a fazer negócios bancários duvidosos, a comprar quintas e vinhos, arte e a manter as suas contas paralelas em "offshores".
2. Tudo isto com a conivência do Banco de Portugal. Com a mesma passividade no caso BCP. Só quando a bomba rebenta é que a entidade que deveria regular a banca actua. Tarde e a más horas.
3. Porque razão o Estado tem o"dever" de intervir nas instituições bancárias e de crédito privados?! Não são empresas como as outras?! Porque é que o Governo não intervém igualmente nas empresas que estão constantemente a encerrar, colocando centenas de milhares de pessoas no desemprego, todos os meses?!
publicado por mparaujo às 20:29

07
Ago 08
Bem a propósito: "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão".
Partes da história (confirmação dos factos) segundo a TSF: Aqui, Aqui e Aqui.
publicado por mparaujo às 22:19

Nos espaços informativos das televisões foi noticiado que os assaltos às casas aumentaram cerca de 3,3%.
Eu já comuniquei à PJ de Aveiro a minha lista de suspeitos... os do costume, aliás:
Totta, CGD, BCP, BPI, Banif, Montepio, etc...
E os "assaltos" são mensais e às claras...
publicado por mparaujo às 01:23

pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Agosto 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

14
18
19

21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


Visitas aos Arcos
Siga-me
links