Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

30
Nov 16

mw-1240.jpgSe há coisa comum na política, da direita até à esquerda e salvo as devidas e meritórias excepções, é a incapacidade generalizada de ter moral e legitimidade para criticar e questionar os outros e as suas posições. Não há, em todos os espectros, partidos e políticos não tenham telhados de vidro.

E se há algo que é perfeitamente dispensável é o constante recurso à pequenez política, encontrar em tudo e qualquer coisa um facto político relevante e, pior ainda, encontrar os pseudo arautos da democracia sempre que os contextos são favoráveis e lhes interessam.

Não nutro, como é sabido e por demais público, qualquer simpatia ou ligação ao Bloco de Esquerda. O BE (e não as pessoas em particular, isso antes pelo contrário), por diversas e distintas razões, é, para mim, motivo mais que usual de crítica e contestação políticas. Mas tudo tem limite, até a oposição partidária.

A Europa tem suficientes exemplos para se perceber que um regime democrático, livre, de direito, coabita legitimamente e (passe o pleonasmo) legitimado pelo povo com a monarquia. Recorde-se a Bélgica, o principado do Mónaco (este com algumas particularidades), a Suécia, a Noruega, a Bélgica, a Inglaterra ou Reino Unido, a Dinamarca, o Grão-Ducado do Luxemburgo, o Principado do Liechtenstein ou ainda a Holanda. Isto, obviamente, sem esquecer a vizinha Espanha.

Por mais republicano que se possa, convictamente, ser há, nos exemplos referidos, uma aceitação maioritária pelos cidadãos de cada uma das nações dessa realidade democrática monárquica. É uma óbvia e legítima convicção desses povos.

O actual Rei de Espanha efectuou, neste dias, uma visita oficial a Portugal. Essa visita reveste o papel de visita de Estado, concretamente pelo papel que o Rei representa no regime democrático espanhol.

Hoje, o Rei de Espanha, simultaneamente Chefe de Estado espanhol, foi recebido na Assembleia da República.

É por demais conhecida a posição do Bloco de Esquerda no que respeita às monarquias. Convicta e coerentemente os bloquistas não aplaudiram o discurso de Filipe de Espanha.

Ver nisto uma falta de educação, de respeito institucional, político e/ou democrático só mesmo de quem gosta de apontar o dedo, de criticar, só porque sim...

O Bloco de Esquerda esteve presente na sessão (não faltou, não abandonou o Parlamento), não teve qualquer manifestação pública de desagrado. Tinha que aplaudir porquê? O que o obrigava o BE, regimentar e protocolarmente, a fazê-lo? Se não gosta e se não apoia porque é que haveria de aplaudir?

Fazê-lo, sim, seria um enorme embuste, uma clara hipocrisia e óbvio motivo de critica e condenação.

E são tantos os exemplos similares, entre visitas de Estado e votos de pesar (por exemplo), desde os partidos da direita até aos da esquerda.

Todo este folclore não deixa de ser, mais uma vez e infelizmente, brincar às politiquices e democracias balofas.

Assumo publicamente... esteve bem, aqui, o Bloco de Esquerda. Deixemo-nos de falsos moralismos políticos.

publicado por mparaujo às 22:33

27
Out 16

catarina martins.jpgO Bloco de Esquerda criou a si mesmo um dos maiores embaraços políticos roçando a uma das maiores hipocrisias políticas que há memória.

Em junho deste ano, paralelamente ao controverso processo de nomeação da nova administração da Caixa Geral de Depósitos, o Governo aprovou um Decreto-Lei que isentou os administradores da CGD do estatuto de gestor público e terminou com os limites salariais no banco público. Na altura, o Bloco de Esquerda assobiou para o lado, não achou qualquer relevância política ao diploma e chegou mesmo ao ponto de chumbar, na Assembleia da República, algumas propostas de revogação do referido dispositivo legislativo (por exemplo, do CDS e do PCP), avalizando assim a opção governativa do Partido Socialista.

Quando toda a oposição, à qual se junta o PCP, se insurge contra o valor remuneratório do presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos o Bloco de Esquerda tenta, agora, sacudir a água do capote de um problema que ele próprio ajudou a criar. E já vai tarde.

Querer agora retirar o tapete ao Governo e vir bradar aos céus que este processo é uma "indecência", é um "incómodo nacional" e que António Costa terá a oposição integral do Bloco de Esquerda, é o mesmo que Catarina Martins transformar o BE partido de oposição a si próprio e às suas anteriores (recentes) decisões. Pior que isso... o problema não é o "incómodo nacional"... o incómodo é para o BE que acaba por provar do próprio veneno.

Começam a ser significativos os becos sem saída política em que o Bloco de Esquerda tem entrado ultimamente.
Foi a controversa com taxas e impostos no processo de construção do Orçamento do Estado para 2017...
É a incoerência de posições face ao Orçamento para o próximo ano, com Catarina Martins a afirmar que o OE2017 não é um orçamento de esquerda, a tentar colar Passos Coelhoe e o PSD às medidas inscritas no documento e a declarar que duvida que este caminho (o do Governo PS) seja o melhor... para depois vir a declarar publicamente o voto favorável do BE ao OE2017.

Nestas coisas da consistência política não colhe a filosofia do "mal menor". Ou se é coerente com os princípios programáticos que se professam, com as convicções ideológicas que definem cada partido e com os compromissos assumidos com o seu eleitorado, ou então tudo soa a falso, a demagógico e à pura sede do poder.

publicado por mparaujo às 09:58

27
Jun 16

O Bloco de Esquerda na sua X Convenção, realizada este fim-de-semana, e pela voz da sua coordenadora Catarina Martins, defende a realização de um referendo sobre a permanência de Portugal na União Europeia (Zona Euro + UE). Mesmo que não seja de forma tão linear como no Reino Unido, já que para o BE e para Catarina Martins tal referendo está dependente da aplicação, ou não, de eventuais sanções europeias por incumprimento da meta do défice em 2015, a verdade é que o processo seria. em tudo, semelhante: deve ou não Portugal permanecer na União Europeia.

O populismo é gritante. Em pleno encerramento da Convenção e ainda sob os efeitos do resultado do referendo no Reino Unido (e o estado de choque que provocou no reino Unido e na Europa) nada melhor para o efeito mediático e para o populismo político do que um "sound bite" com este impacto na tentativa de aproveitamento político da frágil relação entre os portugueses e a União Europeia, nomeadamente pelo que foram os impactos da austeridade destes últimos quatro anos.

Mas há também uma enorme irresponsabilidade política por parte de Catarina Martins nesta afirmação (mais tarde tentada a amenizar as palavras face aos danos provocados e ao isolamento em relação a todos os outros partidos com assento parlamentar, ao Governo e ao Presidente da República). Primeiro, porque não é concebível que um partido que apoia no Parlamento o actual Governo queira fazer pressão ou chantagem públicas sobre a União Europeia em pleno processo negocial. Para além de toda a contradição de posição quando criticaram PSD e CDS por estes pedirem a Bruxelas que não sejam aplicadas as eventuais sanções.

Segundo, a irresponsabilidade é ainda maior quando parece que BE e Catarina Martins não perceberam o que esteve por trás da decisão de muitos dos britânicos que votaram "out" (alguns que agora se arrependem da sua decisão). Se não é por populismo ou por irresponsabilidade política que sentido faz o BE "associar-se" ou aproveitar um momento político do reino Unido quando é mais que sabido que as motivações que levaram ao voto no Brexit derivaram de vertentes políticas e, essencialmente, sociais (emigração, xenofobia, homofobia, racismo, ...) e que estão também na origem de muitas das reacções das extremas-direitas europeias (por exemplo, em França, na Áustria ou na Holanda)?

Um verdadeiro tiro no pé... provavelmente um prenúncio do que aconteceria em Espanha, no mesmo dia, com a derrota do Podemos nas eleições gerais espanholas; Podemos que até teve lugar de destaque nesta X Convenção do BE.

BE - X Convencao.jpg

publicado por mparaujo às 14:57

26
Fev 16

Limitar o exercício à liberdade de expressão e opinião é uma clara e óbvia afronta à democracia, a uma sociedade desenvolvida e estruturada, a um Estado de Direito.

Assim, não é por aí que o recente cartaz do Bloco de esquerda se torna, eventualmente, polémico.

BE - Jesus tinha 2 pais.jpg

A questão circunscreve-se à recente aprovação na Assembleia da República, após veto (incompreensível e injustificado) de Cavaco Silva), da adopção por casais do mesmo sexo. Legislação que, importa referir, aplaudo e subscrevo (custe o que custar a inúmeras "isildas pegados" deste país). Isto não é uma questão dogmática, religiosa... é uma questão de princípio de igualdade de direitos, seja de quem adopta, seja de quem é adoptado.

E é neste sentido que o cartaz do BE se torna polémico e, simultaneamente, desprovido de qualquer razoabilidade.

Vejamos.

Não está em causa que Jesus tenha dois "pais". Aliás sendo José casado com Maria e sendo Jesus filho de Deus (e, pela trilogia, ele mesmo Deus) é uma observação perfeitamente inocente. O problema é quando a mesma reflexão é associada à homossexualidade. E aí é que o pretenso impacto político e social ou os pressupostos da flahada ironia deixam totalmente de existir. A referência aos dois pais de Jesus nada tem a ver com homossexualidade (até proque os dois não são casal). Ou, por exemplo, uma criança que viva numa nova família, fruto de um processo de divórcio, não deixa de ter dois pais (um biológico e outro afectivo - novo casamento) e não há qualquer questão de homossexualidade.

A outra parte da polémica do cartaz é a afronta e o desrespeito pelos crentes, mesmo não sendo bloquistas, que apoiam e apoiaram a adopção por casais do mesmo sexo.

A liberdade de expressão não deve ser limitada (quanto muito regulada pelo confronto de direitos)... mas a estupidez deve ser mais ponderada e limitada.

Mais valia pegarem no excelente outro cartaz sobre o tema e legendá-lo: "aguentaaaa Isilda" ou com um "E agora, Cavaco?". Era mais frontal e mais intelectualmente honesto.

Aqui sim, está um cartaz com impacto...

BE - Adopcao gay.jpg

publicado por mparaujo às 12:03

03
Out 13
http://expresso.sapo.pt/imv/1/951/912/capture-b07d.jpg

Ou, em alternativa, um título que dava, garantidamente (passe a modéstia), bestseller: "Como perder a vergonha político-partidária" (e não se trata de "irrevogável" demissão de Paulo Portas, a "swapada" da Ministra das Finanças ou a inverdade do Ministro Rui Machete).
É, espante-se, o total desatino da liderança bicéfala do Bloco de Esquerda e a perda de lucidez e de bom-senso de João Semedo.
A liderança bicéfala do BE perdeu a sensatez...
E logo pela "boca" de um dos seus dois líderes e, por sinal, também candidato autárquico derrotado (ao caso, em Lisboa).
Isto é que é "respeitar" os 'camaradas' e o esforço e dedicação de todos os que se empenharam no projecto autárquico do Bloco de Esquerda.
Com líderes assim para quê ter "inimigos"?

No Expresso online (via Antena 1), João Semedo resume a prestação autárquica do Bloco de Esquerda desta forma bombástica (logo ele que também foi candidato derrotado): «João Semedo diz que BE não apresentou 'candidatos credíveis'». Mas o que é isto???!!!

Isto é que é "respeitar" os 'camaradas' e o esforço e dedicação de todos os que se empenharam no projecto autárquico do Bloco de Esquerda?!
Com líderes assim para quê ter "inimigos"?

foto retirada da edição online do Expresso (03.10.2013)

publicado por mparaujo às 14:08

19
Ago 12

Publicado na edição de hoje, 19 de agosto, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

Sirvam-se as entradas…

Na gastronomia há quem as prefira e há quem as dispensa. Aí como na política passa-se o mesmo. As entradas (reentrés) são para todos os gostos (e para os não gostos) mas indiscutivelmente marcam os finais de cada verão.

Nesta semana, como vem sendo hábito, o PSD, com a sua tradicional festa do Pontal abriu as hostilidades. Só que este ano, a festa “laranja” teve algumas condicionantes, do ponto de vista político, óbvias: não foi ao ar livre e em espaço público por claras e compreensíveis razões de segurança (só não entendíveis por Marcelo Rebelo de Sousa porque não é ele que tem de dar a “cara e o corpo ao manifesto”); o habitual discurso interno, face à posição governativa, transferiu-se para a “obrigação” de um discurso de estado; a próxima avaliação da Troika, numa fase crucial do processo de resgate, também condicionou o “show-off” social-democrata.

Das palavras do líder do PSD e primeiro-ministro há a destacar a continuidade de um discurso que afinal não trouxe nada de novo, a não ser a “embrulhada” criada pelo Tribunal Constitucional em relação ao corte dos subsídios. De resto, continua-se a denotar uma dificuldade na implementação de medidas estruturais que consolidem as contas e que complementem a necessária (mas até agora única) exigência dos sacrifícios impostos aos cidadãos, a falta de reestruturação da função do Estado e a sua organização, a necessidade de cortar despesas sem aniquilar a função social do Estado, a incapacidade de “lutar” contra poderes e pressões instalados, a recuperação económica marcada para finais de 2013 (ou seja daqui a um ano). Só que da teoria à prática vai uma grande distância e, no caso português, uma evidente grande distância. É louvável o esforço que tem sido feito e que tem dado frutos no sector das exportações, mas não deixa de ser preocupante que o consumo interno caia consecutivamente, as empresas fechem diariamente, o desemprego aumente descontroladamente e as receitas fiscais (directas ou indirectas) fiquem aquém das expectativas e das necessidades do equilíbrio das contas públicas. O ano de 2013 afigura-se uma miragem e um obstáculo difícil (para não dizer impossível) de ultrapassar.

Para além do PSD, também o Bloco de Esquerda, mesmo sem o palco do mediatismo político, marca este final de Agosto com a questão da sucessão da liderança. Aliás, não da liderança mas sim da função e porta-voz já que o partido não tem (pelo menos nestes 13 anos) um líder mas sim um porta-voz. Francisco Louçã, uma das figuras (ou a figura) mais emblemática do BE despede-se da ribalta e propõe a continuidade numa função repartida entre João Semedo e Catarina Martins. O mais relevante deste momento na vida do mais jovem partido parlamentar é o fim do ciclo dos seus fundadores (Loução, Miguel Portas, Luís Fazenda e Fernando Rosas) e um evidente desgaste político e ideológico, mesmo que o BE seja uma mistura “explosiva” de valores ideológicos. A verdade é que o BE está distante dos tempos idos de há 13 anos e dos 16 deputados eleitos em 2009: está menos marcante na sociedade, menos vigoroso, mais cotado com uma imagem pública de radicalismo e extremismo, situação à qual não será alheia as divergências internas (Rui Tavares, Daniel Oliveira, etc), bem como alguns erros graves do ponto de vista político como foi o caso da Moção ao governo de José Sócrates e a ausência no processo das reuniões com a Troika. Numa sondagem promovida pelo jornal Expresso e a SIC a Eurosondagem revela que metade dos inquiridos afirma que nada irá mudar no BE com a saída de Francisco Louçã. Nada mais de errado. Já há cerca de dois anos que muita coisa tem vindo a mudar no seio do Bloco e goste-se ou não, concorde-se ou não, critique-se com mais ou menos veemência, a verdade é que Francisco Loução personaliza o Bloco. Pelo menos, este BE. E por mais valor que tenha João Semedo (e tem) ou Catarina Martins o Bloco de Esquerda não será o mesmo.

Resta-nos a Festa do Avante (“não há festa como esta”) para ouvirmos o discurso habitual da esquerda comunista centrada no ataque à austeridade, na defesa dos direitos adquiridos no trabalho, contra a Troika. Também aqui nada de novo se espera.

O que será uma incógnita, até para o próprio partido, é o discurso da reentré socialista. O PS mantém-se na encruzilhada, na indefinição de posicionamento, no balançar entre a oposição ao governo e os compromissos assumidos com o memorando, para além da responsabilidade governativa nos últimos anos. E em nada a próxima avaliação da Troika, sendo positiva (mesmo que ligeiramente positiva) facilitará a posição e o discurso de José Seguro. A não ser um conjunto de frases e conceitos fora da realidade, sem conteúdo, sem propostas concretas sobre áreas fulcrais como as contas públicas, o desemprego, a saúde, o ensino, a justiça e a reforma da administração local, por exemplo.

É que esta liderança do PS tem sido demasiadamente invulgar por evidente falta de posicionamento ideológico, de conceitos e propostas concretas e alternativas à situação que se vive no país. O discurso socialista tem andado demasiadamente ao sabor da agenda do momento, sem qualquer perspectiva futura, nem opções válidas. Daí não se estranhar que, mesmo face a todo o desgaste do governo, as últimas sondagens conhecidas não retirem o PS dos valores alcançados nas últimas eleições legislativas de há pouco mais de um ano.

Uma boa semana.

publicado por mparaujo às 14:46

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