Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

27
Jun 16

O Bloco de Esquerda na sua X Convenção, realizada este fim-de-semana, e pela voz da sua coordenadora Catarina Martins, defende a realização de um referendo sobre a permanência de Portugal na União Europeia (Zona Euro + UE). Mesmo que não seja de forma tão linear como no Reino Unido, já que para o BE e para Catarina Martins tal referendo está dependente da aplicação, ou não, de eventuais sanções europeias por incumprimento da meta do défice em 2015, a verdade é que o processo seria. em tudo, semelhante: deve ou não Portugal permanecer na União Europeia.

O populismo é gritante. Em pleno encerramento da Convenção e ainda sob os efeitos do resultado do referendo no Reino Unido (e o estado de choque que provocou no reino Unido e na Europa) nada melhor para o efeito mediático e para o populismo político do que um "sound bite" com este impacto na tentativa de aproveitamento político da frágil relação entre os portugueses e a União Europeia, nomeadamente pelo que foram os impactos da austeridade destes últimos quatro anos.

Mas há também uma enorme irresponsabilidade política por parte de Catarina Martins nesta afirmação (mais tarde tentada a amenizar as palavras face aos danos provocados e ao isolamento em relação a todos os outros partidos com assento parlamentar, ao Governo e ao Presidente da República). Primeiro, porque não é concebível que um partido que apoia no Parlamento o actual Governo queira fazer pressão ou chantagem públicas sobre a União Europeia em pleno processo negocial. Para além de toda a contradição de posição quando criticaram PSD e CDS por estes pedirem a Bruxelas que não sejam aplicadas as eventuais sanções.

Segundo, a irresponsabilidade é ainda maior quando parece que BE e Catarina Martins não perceberam o que esteve por trás da decisão de muitos dos britânicos que votaram "out" (alguns que agora se arrependem da sua decisão). Se não é por populismo ou por irresponsabilidade política que sentido faz o BE "associar-se" ou aproveitar um momento político do reino Unido quando é mais que sabido que as motivações que levaram ao voto no Brexit derivaram de vertentes políticas e, essencialmente, sociais (emigração, xenofobia, homofobia, racismo, ...) e que estão também na origem de muitas das reacções das extremas-direitas europeias (por exemplo, em França, na Áustria ou na Holanda)?

Um verdadeiro tiro no pé... provavelmente um prenúncio do que aconteceria em Espanha, no mesmo dia, com a derrota do Podemos nas eleições gerais espanholas; Podemos que até teve lugar de destaque nesta X Convenção do BE.

BE - X Convencao.jpg

publicado por mparaujo às 14:57

13
Mar 16

A propósito do Congresso do CDS que elegeu ou confirmou Assunção Cristas na liderança centrista após a saída de Paulo Portas.

Sem qualquer pretensão analítica, do ponto de vista político, este congresso do CDS que marca uma difícil e imprevisível era "pós-Portas" fez-me recuar até ao "day after" das eleições presidenciais de janeiro passado e às infelizes (no mínimo) referências de Jerónimo Sousa à candidatura de Marisa Matias pelo Bloco de Esquerda.

E fez-me recordar a história política dos partidos com assento na Assembleia da República nestes quase 42 anos de liberdades após o 25 de Abril (deixemos a democracia para o 25 de novembro de 75).

PSD
Liderança do partido (secretária geral) entre 2008 e 2010: Manuela Ferreira Leite

PS
Presidência do partido entre 2011 e 2014: Maria de Belém
(é um facto que ainda não houve nenhuma secretária geral)

Bloco de Esquerda
Liderança do partido desde 2015: Catarina Martins

CDS
Liderança do partido (eleita hoje, 13 de março de 2016): Assunção Cristas

Partido Comunista Português
Lideranças femininas: 0
ahhh, claro... as caras larocas ou bonitinhas estão todas nos outros lados.

publicado por mparaujo às 22:31

14
Nov 15

Podia (e já o fiz por outras vias e para a edição de amanhã do Diário de Aveiro) falar do terror instalado em Paris e dos inqualificáveis atentados na capital francesa levados a efeito pelo Estado Islâmico, ontem à noite.

Infelizmente, paralelamente à tragédia e ao terror, há sempre quem sucumba ao ridículo, à pura estupidez, à falta clara de inteligência, quem, com acções e afirmações, acabe por promover um sentimento cada vez mais presente de que a liberdade de expressão e opinião não deveria ser para todos.

Primeiro é o discurso xenófobo, racista e de total desprezo pela tragédia humanitária, ao associar o execrável terror de ontem, em Paris, com a situação dos Refugiados que chegam à Europa. Começa o terrorismo das convicções...

Mas até aqui é mesmo uma questão de convicção, de ideologia, de princípios, de moral e ética.

O que não posso deixar passar em claro (e repudiar veemente este tipo de "liberdade") é o ridículo, a estupidez e o "terrorismo das convicções".

São públicas e publicadas as minhas opiniões sobre a actual conjuntura política nacional. Não acho que o PS deva ser governo (apesar da legitimidade constitucional), não reconheço legitimidade democrática para BE e PCP promoverem esta maioria de esquerda. Mas são, obviamente, opções políticas e legais (independentemente das suas fragilidades).

O que não aceito, seja de quem for, seja com que argumento for, seja a lutar pelo que for, acusações e avaliações de carácter e o recurso à morte e ao terrorismo para qualquer tipo de comparações.

Discordo das posições da Catarina Martins e da Mariana Mortágua. Estamos longe de nos entendermos em inúmeras e significativas concepções da sociedade, da política ou do mundo.

Mas isto é terrorismo político inaceitável (daí ter alterado a imagem) e que circula nas redes sociais, sem qualquer justificação nem aceitação. É a total perda da razão e só permite uma maior valorização e força à "parte oposta". Para além do óbvio alastrar do rastilho...

Ao autor da foto só desejo, muito sinceramente, um terrorista islamita por um certo sítio acima.

terrorismo contra Catarina Martisn e Mariana Morta

(retirado daqui)

publicado por mparaujo às 12:51

24
Set 15

No passado domingo as eleições gregas ditaram, de novo, a vitória do Syrisa e a reeleição de Tsipras (com o apoio repetido dos nacionalistas de direita Gregos Independentes).

Apesar de alguma polémica com as sondagens e a eventualidade de um empate técnico ou de uma hipotética vitória do Nova Democracia, era muito mais expectável a vitória do Syrisa.

O que não se percebe é a leitura que a dirigente do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, faz dos resultados das eleições gregas, a menos que o BE viva ainda a ilusão (e para alguns gregos a desilusão) do que foi a anterior campanha e a propaganda eleitoralista que levou o Syrisa à governação da Grécia.

Vejamos...

Catarina Martins comentou as eleições gregas com a afirmação "os gregos disseram que não queriam voltar aos partidos da troika".

Tenho algumas dúvidas que a dirigente bloquista tenha acompanhado a vida política grega desde as eleições anteriores, suspeitando que a mesma tenha ficado pela campanha do Syrisa onde os seus dirigentes prometiam não pagar, bater o pé à Troika e até uma preparação para a saído do Euro (e da zona euro).

O que se verificou nos primeiros seis meses da governação grega foi um retrocesso significativo nas promessas eleitorais (que levou a uma rotura no Syriza, a demissão do então Ministro das Finanças e a convocação destas últimas eleições) e, apesar de avanços e recuos, a aceitação de políticas e medidas sociais e económicas impostas pela União Europeia e pelos credores.

E esta aceitação do programa de ajustamento a que os gregos estão agora sujeitos (e que foi alvo de enorme contestação eleitoral - nas anteriores eleições, e de alguns sectores internos do Syriza) foi validada pelo resultado eleitoral de domingo. Ao contrário do que o Bloco afirma, mantendo a ilusão de um parceiro político europeu que, afinal, se revelou decepcionante (tal como o Podemos em Espanha), os gregos reforçaram a sua concordância com o programa de ajustamento assumido por Tsipras e disseram "sim" à Troika e aos credores, porque perceberam que, infelizmente, só dessa forma sairiam do caos financeiro em que se encontram.

publicado por mparaujo às 17:24

07
Dez 14

Antes da análise político-partidária a semana ficou marcada pelo braço de ferro entre a Administração da RTP e o Conselho Geral Independente, este com claro o apoio, mesmo que discreto e recatado, do Governo. Tudo por causa do anunciado concurso para a aquisição dos direitos da Liga dos Campeões para os próximos três anos. Ou melhor… a polémica em torno da Liga dos Campeões serviu de desculpa para o braço de ferro que já tinha “estalado” com o chumbo do Conselho Geral ao plano estratégico da Administração para a televisão pública. A compra dos direitos televisivos da Liga dos Campeões é um mero tabuleiro de jogo nesta medição de forças. Embora possa parecer, à primeira vista, que existe uma intromissão do Conselho Geral Independente na gestão editorial da RTP (algo que foi prontamente e por unanimidade criticado pelo regulador – ERC) a verdade é que as críticas à administração não assentam na relevância ou não da aquisição dos direitos da Liga dos Campeões, mas sim na relação e forças estratégicas e de gestão da empresa. Só que o Conselho Geral Independente ao usar como arma esta vertente editorial (que não é da sua competência) e propondo à Assembleia Geral a destituição da Administração da RTP (algo que deverá ser aceite pelo único accionista da empresa, o Governo) abriu uma caixa de Pandora: a um ano das eleições legislativas, sendo substituído a Administração da RTP recairá sobre o Governo o ónus de uma aparente pressão política sobre aquele órgão de comunicação social.
As (in)definições políticas.
1. Primeira referência para o Bloco de Esquerda. Depois de todo o impasse e “embrulhada estatutária” resultante do empate verificado na IX Convenção do BE, volvida uma semana a Mesa Nacional elegeu a Comissão Política e a Comissão Permanente, para além da nomeação de Catarina Martins como porta-voz do BE. Depois da liderança bicéfala, o Bloco volta a inovar na política portuguesa. Ficam, no entanto, muitos “destroços políticos” por limpar, algumas divergências e uma notória perda de unidade, aliás expressa pelo próprio Francisco Louçã nas críticas que lançou à postura de Pedro Filipe Soares. Com tudo isto, o Bloco de Esquerda arrisca-se a perder palco e afirmação na esquerda portuguesa (algo que poderá ser aproveitado pela recente plataforma ‘Tempo de Avançar’ que reúne o Livre, Fórum Manifesto, Renovação Comunista e independentes, ou pelo recente partido de Marinho e Pinto – PDR) e ficar longe de uma eventual aproximação ao PS.
2. O XX Congresso do PS, do ponto de vista mediático, ficou marcado pela posição expressa por António Costa num Não entendimento à direita e num piscar o olho à esquerda. Afigura-se como óbvio que o PS pretende, em primeiro lugar, a conquista da maioria e que este “piscar de olho” à esquerda (mesmo aos mais recentes movimentos, ainda sem maturidade política para alcançarem expressão nas urnas) serviu apenas para marcar uma posição de distanciamento em relação ao actual Governo, na expectativa de afirmação de alternativa governativa e de afirmação do PS como “a” esquerda portuguesa. São muitas as divergências programáticas e ideológicas em relação aos outros partidos da esquerda portuguesa. Basta ter na memória a vitória da moção de censura ao governo de José Sócrates em 2011. Por outro lado, não será fácil a António Costa manter esta posição (basta ver as mais recentes sondagens que apontam para uma queda na intenção de voto e a não “descolagem” em relação ao PSD). E não será fácil porque o “caso José Sócrates” teima em pairar sobre o PS (e estará no consciente dos eleitores nas eleições de 2015, por mais que as estruturas do PS e do PSD se inibam de fazer disso bandeira política; acertadamente, diga-se) mas porque pairam também sobre António Costa as vozes que discordam deste Não a entendimentos com a direita: é o caso do, agora afastado, Francisco Assis (e mais seguidores) ou da recente entrevista ao Expresso, por parte de Mário Soares, que afirmou que a construção europeia se fez com socialistas e democratas cristãos.
3. E esta afirmação de Mário Soares não passou despercebida ao CDS. Paulo Portas e o seu partido vieram logo a “terreiro” aproveitar para lançar alguma instabilidade na coligação (reforma do Estado que Paulo Portas nunca mais apresentou, reforma fiscal e a irrelevância dos feriados nacionais agora tornada bandeira partidária). A tudo isto não será alheio o recente livro do ex-ministro da Economia Álvaro Santos Pereira com duras críticas e acusações a Paulo Portas. Portanto, nada espantará que o CDS queira ir sozinho a eleições, aguardando para ver para que lado cai a balança eleitoral e, depois, lançar a escada a nova coligação governamental, seja com o PSD, seja com o PS. Mas nunca sem perde de vista a “cadeira do poder”.

publicado por mparaujo às 23:16

19
Ago 12

Publicado na edição de hoje, 19 de agosto, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

Sirvam-se as entradas…

Na gastronomia há quem as prefira e há quem as dispensa. Aí como na política passa-se o mesmo. As entradas (reentrés) são para todos os gostos (e para os não gostos) mas indiscutivelmente marcam os finais de cada verão.

Nesta semana, como vem sendo hábito, o PSD, com a sua tradicional festa do Pontal abriu as hostilidades. Só que este ano, a festa “laranja” teve algumas condicionantes, do ponto de vista político, óbvias: não foi ao ar livre e em espaço público por claras e compreensíveis razões de segurança (só não entendíveis por Marcelo Rebelo de Sousa porque não é ele que tem de dar a “cara e o corpo ao manifesto”); o habitual discurso interno, face à posição governativa, transferiu-se para a “obrigação” de um discurso de estado; a próxima avaliação da Troika, numa fase crucial do processo de resgate, também condicionou o “show-off” social-democrata.

Das palavras do líder do PSD e primeiro-ministro há a destacar a continuidade de um discurso que afinal não trouxe nada de novo, a não ser a “embrulhada” criada pelo Tribunal Constitucional em relação ao corte dos subsídios. De resto, continua-se a denotar uma dificuldade na implementação de medidas estruturais que consolidem as contas e que complementem a necessária (mas até agora única) exigência dos sacrifícios impostos aos cidadãos, a falta de reestruturação da função do Estado e a sua organização, a necessidade de cortar despesas sem aniquilar a função social do Estado, a incapacidade de “lutar” contra poderes e pressões instalados, a recuperação económica marcada para finais de 2013 (ou seja daqui a um ano). Só que da teoria à prática vai uma grande distância e, no caso português, uma evidente grande distância. É louvável o esforço que tem sido feito e que tem dado frutos no sector das exportações, mas não deixa de ser preocupante que o consumo interno caia consecutivamente, as empresas fechem diariamente, o desemprego aumente descontroladamente e as receitas fiscais (directas ou indirectas) fiquem aquém das expectativas e das necessidades do equilíbrio das contas públicas. O ano de 2013 afigura-se uma miragem e um obstáculo difícil (para não dizer impossível) de ultrapassar.

Para além do PSD, também o Bloco de Esquerda, mesmo sem o palco do mediatismo político, marca este final de Agosto com a questão da sucessão da liderança. Aliás, não da liderança mas sim da função e porta-voz já que o partido não tem (pelo menos nestes 13 anos) um líder mas sim um porta-voz. Francisco Louçã, uma das figuras (ou a figura) mais emblemática do BE despede-se da ribalta e propõe a continuidade numa função repartida entre João Semedo e Catarina Martins. O mais relevante deste momento na vida do mais jovem partido parlamentar é o fim do ciclo dos seus fundadores (Loução, Miguel Portas, Luís Fazenda e Fernando Rosas) e um evidente desgaste político e ideológico, mesmo que o BE seja uma mistura “explosiva” de valores ideológicos. A verdade é que o BE está distante dos tempos idos de há 13 anos e dos 16 deputados eleitos em 2009: está menos marcante na sociedade, menos vigoroso, mais cotado com uma imagem pública de radicalismo e extremismo, situação à qual não será alheia as divergências internas (Rui Tavares, Daniel Oliveira, etc), bem como alguns erros graves do ponto de vista político como foi o caso da Moção ao governo de José Sócrates e a ausência no processo das reuniões com a Troika. Numa sondagem promovida pelo jornal Expresso e a SIC a Eurosondagem revela que metade dos inquiridos afirma que nada irá mudar no BE com a saída de Francisco Louçã. Nada mais de errado. Já há cerca de dois anos que muita coisa tem vindo a mudar no seio do Bloco e goste-se ou não, concorde-se ou não, critique-se com mais ou menos veemência, a verdade é que Francisco Loução personaliza o Bloco. Pelo menos, este BE. E por mais valor que tenha João Semedo (e tem) ou Catarina Martins o Bloco de Esquerda não será o mesmo.

Resta-nos a Festa do Avante (“não há festa como esta”) para ouvirmos o discurso habitual da esquerda comunista centrada no ataque à austeridade, na defesa dos direitos adquiridos no trabalho, contra a Troika. Também aqui nada de novo se espera.

O que será uma incógnita, até para o próprio partido, é o discurso da reentré socialista. O PS mantém-se na encruzilhada, na indefinição de posicionamento, no balançar entre a oposição ao governo e os compromissos assumidos com o memorando, para além da responsabilidade governativa nos últimos anos. E em nada a próxima avaliação da Troika, sendo positiva (mesmo que ligeiramente positiva) facilitará a posição e o discurso de José Seguro. A não ser um conjunto de frases e conceitos fora da realidade, sem conteúdo, sem propostas concretas sobre áreas fulcrais como as contas públicas, o desemprego, a saúde, o ensino, a justiça e a reforma da administração local, por exemplo.

É que esta liderança do PS tem sido demasiadamente invulgar por evidente falta de posicionamento ideológico, de conceitos e propostas concretas e alternativas à situação que se vive no país. O discurso socialista tem andado demasiadamente ao sabor da agenda do momento, sem qualquer perspectiva futura, nem opções válidas. Daí não se estranhar que, mesmo face a todo o desgaste do governo, as últimas sondagens conhecidas não retirem o PS dos valores alcançados nas últimas eleições legislativas de há pouco mais de um ano.

Uma boa semana.

publicado por mparaujo às 14:46

pesquisar neste blog
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

27 seguidores

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
12

20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


Visitas aos Arcos
Siga-me
links