Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

30
Dez 16

Entendo que, pessoalmente, não faz sentido tecer qualquer tipo de considerações sobre Mário Soares (Presidente Mário Soares ou ex-Presidente Mário Soares, como quiserem) sob pena de tornar a ser repetitivo quando, de facto, se constatar o natural desfecho de qualquer vida humana, independentemente das circunstâncias.

Vou, por isso mesmo, abster-me de me posicionar em relação a Mário Soares, por enquanto e apesar de não me ser indiferente o seu estado de saúde.

Além disso, não pretendo tecer quaisquer observações sobre os diversos breafings mais ou menos regulares ou à forma (não propriamente quanto ao conteúdo) como os diversos órgãos de comunicação social têm acompanhado todo o desenvolvimento do estado clínico de Mário Soares desde que deu entrada no Hospital de Cruz Vermelha.

Mas se não me pronuncio quanto à forma não posso, no entanto, deixar de me pronunciar quanto a conteúdos.

Numa altura em que se aproxima a realização do 4º Congresso de Jornalistas entre os dias 12 e 15 de janeiro de 2017, no cinema S. Jorge, em Lisboa (infelizmente, por razões profissionais, não poderei acompanhar directamente, nem estar presente) não faz sentido deixar passar em claro, sem qualquer tipo de crítica ou condenação, o que entendo como uma clara falta de sentido ético e deontológico, uma evidente postura de ausência de profissionalismo e sentido de informação e formação, a notícia de hoje do Correio da Manhã.

Sou dos que defendem que não há bom ou mau jornalismo... pura e simplesmente há jornalismo ou não há jornalismo, independentemente de alguns erros que se cometam. Isto não é errar, é a total ausência de jornalismo. E é mau demais para passar em claro e ser desculpável.

É importante que o 4º Congresso dos Jornalistas (ou do jornalismo ou da comunicação, como quiserem) não se prenda com a questão laboral/salarial, o peso do poder económico nos órgãos de comunicação e nas redacções ou se haverá lugar aos jornais em papel ou digitais. Há, infelizmente, muito para discutir para além disso. Isto é só um triste e condenável exemplo.

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publicado por mparaujo às 14:14

26
Out 16

_UpvfQEy.jpgÀ comunicação social exige-se verdade e rigor, mais até que isenção (que serão outras núpcias). Aliás, é a própria comunicação social que autodetermina essa mesma necessidade (nos dispositivos legislativos, na ética, na deontologia).

Muito recentemente foi noticiada, a propósito de habilitações académicas, a demissão de um dos adjuntos do Primeiro-ministro António Costa: ao seu (agora ex) adjunto para os Assuntos Regionais, Rui Roque.

Neste processo informativo o jornal Público e a SIC falharam claramente no dever de informar com rigor e exactidão. E não é um pormenor.

Os títulos de duas notícias espelham essa falha lamentável e dispensável (pelo menos).

No jornal Público é noticiado que se demitiu adjunto de António Costa que tinha falsa licenciatura. Por seu lado, a SIC informa na sua plataforma online que o adjunto de António Costa demitiu-se mas cai no mesmo erro do jornal Público ao referir no lead da notícia que o mesmo terá declarado uma falsa licenciatura.

Apetece mesmo dizer que, face aos dois exemplos, o que é falso são as notícias do Público e da SIC.

Rui Roque cometeu o grave erro político e ético de declarar publicamente habilitações académicas que, de facto, se comprovaram não ter. É grave porque espelha uma imagem degradada dos políticos. É lamentável porque a sociedade portuguesa continua a olhar para as capacidades dos seus cidadãos em função do "canudo" ou do currículo académico (com todo o respeito pelas habilitações alheias, incluindo as minhas). Mas a verdade é que em pleno século XXI, em algo que a Europa já ultrapassou há décadas, não não for doutor, engenheiro ou afins, dificilmente tem uma oportunidade.

E é isto que está em causa. Grave e lamentável.

O que é igualmente grave e lamentável é que Público e SIC se refiram ao caso como falsa licenciatura. Não existe nenhuma licenciatura falsa. Isso implicaria a obtenção de falso diploma, o não cumprimento de regras académicas e do ensino superior e uma consequente investigação criminal. Não é nada disso que se trata. Não queiram fazer disto o espelho do caso Miguel relvas (e mesmo esse...).

Haja rigor.

publicado por mparaujo às 09:46

12
Jul 16

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Há mais de trinta anos havia as rádios piratas (rádios locais) onde tanta gente, como eu, se iniciou nas lides da rádio, da locução, da técnica, do jornalismos, dos programas de autor (quase todos, aliás).

A 12 de julho de 1986 nascia mais uma, sem "baptismo", mas que seria a génese da Rádio Terra Nova.

Depois, há 28 anos, fez-se "luz" na legislação portuguesa e o governo de então (liderado por Cavaco Silva e como ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Oliveira Martins). Em plena véspera de Natal (de 24 de dezembro de 1988 a 1991) surgia a legislação e todo o processo que iria "legalizar" as chamadas rádios locais.

Infelizmente muitas silenciaram-se... Infelizmente muita da magia da rádio perdeu-se, principalmente da magia da chamada "rádio local"... infelizmente muitos abandonaram os sonhos.

Mas a Terra Nova resistiu a tudo e aos tempos... manteve-se fiel aos seus princípios, à sua génese e às suas origens. E nem os temporais a calaram.

Há 27 anos, durante cerca de dois anos e meio, fiz parte desta existência. Não sei se deixei lá alguma coisa, o mais certo e provável e nem haver memória disso (desporto, informação, programa de autor). Nem importa. O que importa mesmo é que foram dois anos e meio muito cheios, muito ricos, fantásticos.

Parabéns TERRA NOVA... que venham mais trinta anos de rádio, pela rádio, pela comunicação, pela Região, com o mesmo espírito "pirata".

Obrigado... com imensas e colossais saudades.

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publicado por mparaujo às 15:41

03
Mai 16

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O dia 3 de maio assinala o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. O direito a informar e a ser informado de forma livre, sem pressões ou constrangimentos.

Qualquer democracia e Estado de Direito precisam, na sua estrutura, de uma comunicação social independente, livre, atenta, rigorosa e que fale, acima de tudo, verdade.

Importa, por isso, lembrar no dia de hoje (o que deveria ser feito todos os dias) a actual realidade da comunicação social, as suas dependências económicas, as suas dependências administrativas, os impactos editoriais e as condições de trabalho dos seus profissionais.

Assim como importa lembrar no dia de hoje (o que deveria ser feito todos os dias) os que morreram ao serviço da liberdade de imprensa, em plenas funções ( a ong Repórters sem Fronteiras aponta para cerca de 110 profissionais mortos em todo o mundo no ano de 2015), para além dos que são torturados e presos (54 sequestrados e 153 estão presos) pelo simples uso de um direito universal e fundamental intrínseco à sua profissão.

Mas também devia ser dia (agora que foi anunciado um eventual próximo congresso de jornalistas) e deveria sê-lo todos os dias altura para reflectir sobre a própria realidade da imprensa.

Ainda no discurso das comemorações do 42º aniversário do 25 de Abril de 74, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aludia à importância da Liberdade de Imprensa como uma das grandes "conquistas de Abril", a par da Liberdade de Expressão.

É também nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes e contextos, que a própria imprensa se define e se recria diariamente.

Se a liberdade de expressão, como direito fundamental, é inquestionável e deve ser, sempre, preservada e protegida, não deixa de ser igualmente verdade que o papel socializador da comunicação social deveria estar sempre presente nos critérios editoriais. Mesmo criticando e condenando conhecidas concepções e intervenções do economista Pedro Arroja sobre homossexualidade, o papel das mulheres na sociedade e na política, sobre juízos de valor em relação a dirigentes femininas do Bloco de Esquerda (Catarina Martins, Marisa Matias, Mariana Mortágua), etc., assiste-lhe o direito à sua opinião, por mais surreal, absurda e estúpida que seja. O que não se compreende é que um órgão de comunicação social, como o Porto Canal, se esqueça do seu papel e da sua condição (para além do esquecimento dos jornalistas do seu código deontológico e do seu estatuto legal) e sirva de palco a atentados homofóbicos, sexistas, xenófobos. Tudo agravado com uma posição editorial que afirma publicamente o seu distanciamento em relação às posições do professor economista, mas que insiste em dar voz pública, enquanto informação, aos constantes atropelos dos mais elementares direitos universais.

Mas ainda recentemente a comunicação social conheceu mais uma incompreensível incoerência entre a informação e a realidade e que nos leva a questionar, também, a relevância do actual papel da imprensa na sociedade.

A SIC iniciou há poucas semanas, segundas-feiras à noite, um novo espaço de reflexão sobre a sociedade. O programa "E se fosse consigo?" aborda, de forma excelente e com interessante trabalho jornalístico, temas muito próximos das pessoas como o racismo, o bullying ou, mais recentemente ainda, a obesidade.

O curioso, nesta questão da temática da obesidade, é um canal de televisão (ao caso a SIC, mas poderia ter sido outro qualquer ou até todos) promover um debate e uma reflexão sobre a obesidade, os seus impactos nos vários processos de socialização, no bem-estar (físico e psicológico) dos cidadãos, quando se sabe (interna e externamente) que o próprio meio televisivo é um péssimo exemplo no que respeita à forma como privilegia o aspecto físico nas funções dos seus profissionais, nomeadamente dos jornalistas de sexo feminino.

Também nisto, nestas pequenas coisas que vão construindo o dia-a-dia da imprensa e contribuem para a sua imagem de credibilidade e de liberdade, se devia reflectir e repensar.

publicado por mparaujo às 14:07

18
Mar 16

Há quem diga que é fruto de novos tempos e de novas exigências.

Eu acredito mais que será tempo de repensar e reformular, o que não implica que se mantenham as mesmas plataformas.

Mas também penso que é tempo de reflectir sobre tutelas, modelos de gestão, realidades laborais, profissionalismo e ética deontológica.

Mas independentemente de qualquer ou toda a reflexão, é tempo de preocupação.

Preocupação pelo pluralismo, pela diversidade, pela informação.

Preocupação pelo futuro profissional de quem, bem ou menos bem, com maior ou menor esforço, com maior ou menos visibilidade, vê reduzida a sua "luz ao fundo do túnel".

Nem tudo acabou... mas pelo histórico recente, mesmo que a esperança seja a última a "suspirar", os dias do Diário Económico, ao fim de 26 anos, estão como o tempo de hoje (nem de propósito): cinzentos.

Suspensa a edição em papel (hoje foi a última), resta a plataforma digital (http://economico.sapo.pt/) e a plataforma televisiva (Económico Tv - ETV). E resta igualmente o nobre e heróico esforço e dedicação de todos os seus profissionais, mesmo sem a certeza do futuro.

"(...) há explicações para este fim. E não são editoriais, nunca foram. Saí em divergência com as opções do accionista, sim, mas em convergência com os jornalistas. Como leitor, sempre. Como colunista, semanalmente. O Diário Económico não acaba por causa dos seus jornalistas, acaba porque o accionista desapareceu e não deixou que outro o substituísse em devido tempo. E houve tempo e vontades. E ofertas. Não é, agora, o tempo de procurar todas as respostas, nem sequer de lamentar a crise da democracia com o fim de mais um jornal no papel. Mesmo quando este jornal, ao contrário de outros, desaparece apesar de ser a primeira escolha." (António Costa, ex-director do DE, na edição, a última, de hoje)

A última edição em papel do Diário Económico tem como destaque, na sua capa, um "Obrigado" (sobre a imagem de um aperto de mão), numa mensagem de agradecimento aos leitores.

Mas, no seguimento das palavras de António Costa, pelos jornalistas que ao longo destes 26 anos de existência marcaram a história do jornalismo económico, é altura para dizer: nós (leitores e camaradas) é que agradecemos. MUITO OBRIGADO.

Solidariamente...

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publicado por mparaujo às 10:54

24
Fev 16

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Não é fácil fazer vingar no panorama informativo uma marca com características de especificidade, ainda mais se a particularidade for a economia.

Mesmo que a economia se confronte, no dia-a-dia, com a política para a primazia no "espaço público" e na gestão das sociedades, a verdade é que a tecnicidade e uma área pouco acessível à maioria dos cidadãos leva a uma restrição do público-alvo de uma informação no sector da economia e das finanças.

Apesar disso, o Diário Económico tem sabido marcar uma posição de relevo nesta vertente apesar das conhecidas e, agora, tornadas públicas dificuldades de sustentabilidade, ao ponto de se afigurar como plausível a insolvência do grupo (jornal, tv e online).

Dificuldades financeiras, receitas deficitárias em função dos encargos, insustentabilidade da marca, salários em atraso, diversas saídas de profissionais que deixaram um vazio de saber e profissionalismo, tudo isto tem sido prejudicial ao futuro do Diário Económico (em toda a sua extensão).

Há muita análise a merecer uma reflexão urgente na Comunicação Social, nomeadamente na nacional. São inúmeros os casos de desaparecimento de Órgãos de Comunicação Social, de redução de profissionais nas redacções e noutras estruturas, seja ao nível da imprensa escrita, da televisão ou da rádio. São demasiadas circunstâncias e situações, são demasiados camaradas sem emprego, com sonhos desfeitos, com perspectivas futuras precárias... têm sido demasiadas pessoas como tantas "outras pessoas" (porque também se trata de pessoas e famílias).

E há muito para analisar, discutir, alterar, projectar. É a concepção do jornalismo, a importância da informação para a democracia e para a sociedade, a sustentabilidade da comunicação social, as suas (in)dependências, os seus meios e métodos, as suas organizações (trabalhadores, ordem e sindicato, carteira profissional, etc), ...

Mas enquanto esta reflexão e discussão, que à vista de todos é cada vez mais urgente mas, igualmente, cada vez mais utópica e distante, não surge, os profissionais do Diário Económico não desistem e continuam a lutar pela sua marca, pelo seu projecto profissional, por garantirem e quererem manter um lugar de destaque no panorama informativo nacional, pelos seus sonhos e projectos de vida.

Por solidariedade e respeito profissionais... porque o jornalismo e os jornalistas também têm direito a ser notícia (por mais que, teimosamente, se queira continuar a achar que não).

Comunicado da Comissão Instaladora da Comissão de Trabalhadores do Económico/ETV

publicado por mparaujo às 14:19

18
Fev 16

Por uma questão de solidariedade...
Pelos dois anos e meio que fiz parte do projecto...
Por uma questão de justiça pelo inquestionável valor informativo que presta à região...
Pelos inúmeros amigos e camaradas...
Que a "VOZ" da Rádio Terra Nova não se cale...

Não pode ser um temporal, uma antena caída, um mero azar (alguns dirão "do caraças", curiosamente na altura da comemoração do Dia da Rádio) que fará tombar um projecto de décadas, um projecto que se mantém fiel ao espírito da informação local e à essência das rádios locais (a fazer lembrar as velhas "rádios piratas").

Pela Rádio Terra Nova... solidariamente.

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publicado por mparaujo às 11:02

17
Fev 16

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Ninguém é insubstituível... embora a máxima, em relação à vida, seja, no mínimo, questionável.

Mas no que respeita à sociedade (ao trabalho, à escola, ao círculo de amigos ou de acção) isso será verdade. Uns surgem, outros deixam espaços vazios, mas com mais ou menos esforço há sempre forma de substituir mesmo correndo-se o risco de não serem obtidos os mesmos resultados.

Por outro lado, a vida (toda ela... profissional ou pessoal) é feita exclusivamente de opções. A cada passo, a cada dia, a cada hora, temos que as tomar, umas vezes com maior ponderação, outra com mais emotividade, umas acertadas, outras nem por isso. Mas cada momento que vivemos é consequência de opções que tomamos.

Para além disso, nunca tendo sido adepto de idolatrias e ídolos (tirando a adolescência própria da forragem das paredes e armários com poster musicais) porque acho que são demasiado frágeis e com "pés de barro", entendo que a nível pessoal, social ou profissional (ou ainda o somatório de tudo isto) a vida é demasiada vazia sem as nossas referências. Ninguém consegue viver de forma blindada e isolada. Isso não é vive, é vegetar.

Elencar aqui o rol das minhas referências (passadas e actuais) seria, felizmente para mim, fastidioso e sem qualquer relevância pública.

Mas hoje, por razões pessoais e profissionais, não posso deixar de o fazer, de forma particular.

Podem encontrar todos os substitutos e mais alguns mas a verdade é que a RTP e a Comunicação Social ficaram mais "cinzentos", mais vazios, com o anúncio da saída de "cena", do enquadramento, do plano, dos bastidores, da jornalista Cecília Carmo.

O argumento de "já eram 30 anos" tem o valor que tem. Principalmente se considerarmos que "os 30 anos" deixaram uma marca significativa e uma imagem indiscutível.

Opções pessoais não se discutem, não se comentam. São o que são.

Por isso, com muita pena... felicidades Cecília Carmo.

publicado por mparaujo às 14:42

03
Jan 16

Morre, infelizmente, muita gente... embora esse seja o ciclo natural da vida.

caceres monteiro.jpgMorre gente importante, gente anónima, gente mediática, gente que marca vida e marca vidas de forma simples e discreta. É o ciclo da vida.

Gente dos variados círculos e profissões.

Também morrem jornalísticas... e como na vida, os mais discretos, os anónimos, os mais mediáticos e os que marcaram o jornalismo (e muitos jornalistas).

Há 10 anos o jornalismo português ficava mais pobre. Muito mais pobre. Demasiado pobre.

Para jornalistas, para alguém da área (mesmo não exercendo), para muitos cidadãos, Cáceres Monteiro era uma das grandes referências da comunicação social em Portugal. Não vou discutir, nem me interessa, se era a maior ou não. Haverá outros, houve, com certeza, outros.

Pessoalmente, Cáceres Monteiro era uma enorme referência que o jornalismo português perdeu, um lugar que muito dificilmente será preenchido.

Coincidências das coincidências, foi com uma revista Visão nas mãos (revista que fundou e dirigiu) que me deparei hoje com a divulgação de uma carta/texto do seu filho João, por parte da Ana Cáceres Monteiro (para quem tem acesso ao facebook) e de um texto da jornalista editora da Revista Visão, Patrícia Fonseca, ambos alusivos ao 10º aniversário da morte de Carlos Cáceres Monteiro.

Num altura em que o jornalismo vive, pelas mais diversificadas razões, momentos mais atribulados e agitados (despedimentos, encerramento de órgãos de comunicação social, acusação pública de falta de credibilidade, ética e deontologia), sabe bem recordar Cáceres Monteiro... e a falta que faz (e que fariam muitos "Cáceres Monteiro") ao jornalismo português.

Já foi há 10 anos...

publicado por mparaujo às 21:08

30
Nov 15

O encerramento de uma qualquer actividade económica será sempre motivo de apreensão e lamento.

O encerramento de um órgão de comunicação social, neste caso dois, independentemente de gostarmos mais ou de gostarmos menos das suas orientações editoriais, é motivo para tristeza e redobrado lamento.

Tristeza porque afectará sempre um número significativo (nem que fosse um, apenas) de profissionais que ficarão sem os seus postos de trabalho, limitados no exercício da sua profissão/missão e do seu rendimento salarial. As notícias divulgadas sobre este fim anunciado do semanário e do diário avançam para cerca de 120 despedimentos e apenas a previsão de 60 profissionais com eventual participação num novo projecto informativo que fundirá os dois títulos (até agora pertença maioritária da empresa Newshold).

Redobrado lamento porque, goste-se ou não destes jornais, acresce um vazio no olhar escrutinador e atento sobre a sociedade e o mundo. Perde a democracia, perde o fundamental exercício do direito à informação e de informar.

Solidariamente... um abraço aos profissionais dos jornais sol e i.

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publicado por mparaujo às 15:39

26
Nov 15

Primeira nota de abertura, contexto temporal: Novembro de 2015, pleno século XXI.

Conhecidos os resultados eleitorais do passado dia 4 de outubro surgiram logo duas realidades que espelham a falta de maturidade social da sociedade portuguesa e a clara e evidente falta de estruturação para a inclusão (sim... a recordar a Fátima Araújo com o seu livro "Por acaso..."): os portugueses elegeram o deputado do BE, Jorge Falcato Simões (deficiente motor) e o deputado socialista Alexandre Quintanilha (homossexual). Não faltou muito para surgirem nas primeiras páginas e nos minutos de televisão referências às dificuldades estruturais da Assembleia da República para receber um deputado com deficiência motora, bem como são conhecidas as polémicas em torno da orientação sexual do deputado Alexandre Quintanilha, nomeadamente aquela que envolveu o pivot da RTP, José Rodrigues dos Santos.

O "melhor" ainda estava, afinal, para vir.

O XXI Governo Constitucional, da responsabilidade de António Costa e que hoje tomará posse, incorpora nos seus ministérios e secretarias de Estado cidadãos negros, etnia cigana e com deficiência visual.

Só em Portugal, em pleno ano de 2015 depois de Cristo, é que o facto da Ministra da Justiça ser negra, o facto do Secretário de Estado das Autarquias Locais nunca ter renegado as suas origens ciganas e o facto da Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência ser invisual de nascença, é que é motivo de referência, de notícia e de relevância. Infelizmente, só no ano 2015 Portugal acordou, mesmo que sobressaltado, para a inclusão social e para a intervenção pública igual para todos.

Mas pior... se me custa aceitar que a sociedade "civil" ainda faça disto um tabu, é VERGONHOSO ver alguma comunicação social a fazer disto título de notícia. Se, por formação académica, sempre aplaudi e critiquei o que de bom e mau se faz no jornalismo, chegou a coincidência de não conseguir sequer adjectivar e qualificar este título do Correio da Manhã.

Só me ocorre... VERGONHA!

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publicado por mparaujo às 09:58

29
Out 15

Censura foto.jpgTemos este péssimo "código genético": o da incoerência, o de agir em função do vento e das modas, o de tomar posições em função dos nossos interesses e do que mais nos convém. É péssimo e é condenável.

Importa, primeiramente, afirmar: não gosto do Correio da Manhã, nem da CMTV, bem pelo contrário. Isso é público e já por várias vezes proclamado.

Mas tal como critiquei, muito recentemente, o jornal Público pela eventual colaboração como cronista do ex-ministro Miguel Relvas ("Que a memória não se apague") depois do deplorável caso de pressão e perseguição à jornalista Maria José Oliveira, não posso deixar de criticar e repudiar, em defesa da liberdade de informação, do direito a informar e da liberdade de expressão, a decisão judicial de "calar e censurar" (porque é disto que se trata) o Correio da Manhã em relação ao processo "Marquês" que envolve o ex Primeiro-ministro, José Sócrates.

Nunca, até hoje e em função do desenrolar do caso, apontei qualquer crítica a José Sócrates (nem o defendi) por acreditar na separação de poderes e no elevado princípio da presunção de inocência. É público e repetido.

Mas não posso, independentemente de achar criticável o jornalismo (?) praticado pelo grupo Cofina, deixar de condenar o que entendo ser um acto puro de censura à informação e um claro e evidente ataque a um órgão (grupo) de comunicação social.

O CM e a CMTV, em particular, aos quais podemos juntar ainda a Sábado e a Flash, não são exemplos das virtudes jornalísticas, do meu ponto de vista. Mas tal como não sou adepto da sátira informativa do Charlie, pela superior defesa da liberdade de informação "não concordo, em nada, com o que a Cofina diz, mas não posso deixar de defender a liberdade da sua existência".

Há mecanismos próprios para condenar a acção dos órgãos de comunicação social do grupo Cofina sem limitar e amordaçar a liberdade e o direito de informar.

Abriu-se uma perigosa Caixa de Pandora, seja por este caso que envolve José Sócrates, seja por que caso for.

Isto é um claro atentado ao Estado de Direito e à democracia.

publicado por mparaujo às 11:45

13
Set 15

Prós-e-Contras.jpgAmanhã regressa ao écran da RTP1 o programa "Prós e Contra", moderado e conduzido pela jornalista Fátima Campos Ferreira.

E regressa da pior forma, demonstrando que vamos ter mais uma "temporada" de momentos hilariantes e que irão, com certeza, alimentar muito humor nas redes sociais e na opinião pública.

Para segunda-feira a equipa coordenadora do programa escolheu o tem da Justiça para assinalar o regresso após o período de férias. Em "palco" vão estar magistrados, a Bastonária da Ordem dos Advogados, um sociólogo e jornalistas (alguns) como Miguel Sousa Tavares e Octávio Ribeiro (escolhas questionáveis, obviamente).

O tema em si é, por infinitas razões, sempre pertinente. Para a sociedade a questão da Justiça traz sempre um conjunto de interrogações e críticas, sendo que para um normal funcionamento de um Estado de Direito (e não do Direito) a Justiça é um dos pilares basilares. Haveria, por isso, inúmeros exercícios que podiam ser feitos na abordagem à problemática: os recursos da Justiça, o acesso à Justiça, a equidade na e da Justiça, o segredo de justiça, os vários códigos processuais e a sua estruturação, os procedimentos de investigação, a separação de poderes.

Pelo contrário, pegar na afirmação polémica, que já fez correr bastante "tinta", de Paulo Rangel na Universidade de Verão do PSD ("Teríamos um ex-primeiro ministro preso se o PS fosse governo?") e fazer dela o mote e o slogan do programa é, independentemente de estarem presentes ou não políticos no debate, politizar o tema da Justiça. Algo perfeitamente dispensável e recusável. E muito menos colhe o argumento usado pela jornalista Fátima Campos Ferreira quando afirma que "os cidadãos merecem saber, em fase eleitoral, se há interferência da política na justiça". Não.... os cidadãos, em fase eleitoral, precisam de saber quais as propostas políticas para melhorar a Justiça e o Direito em Portugal. Saber se há interferências políticas, ou não, na justiça é algo que preocupa os portugueses em qualquer momento. Usá-lo em plena campanha, seja pelos partidos, seja por quem for, é, claramente, politizar a discussão, mais ainda quando o contexto da afirmação proferida por Paulo Rangel era notoriamente político-partidário e tinha um alvo perfeitamente definido: José Sócrates. Aliás, importa ainda recordar o contexto em que a frase foi proferida pelo social-democrata e a argumentação política que a sustentou: "Não é mérito deste governo, mas foi durante este governo que pela primeira vez houve um ataque sério à corrupção" e "Uma coisa é certa: o ar democrático em Portugal hoje é mais respirável", acrescentou, na altura, Paulo Rangel.

No fundo, o programa de amanhã servirá para a milésima "aparição" do ex Primeiro-ministro na campanha e no confronto político-partidário, sendo cada vez mais o centro eleitoral apesar de ter estado sujeito a sufrágio em 2011.

publicado por mparaujo às 21:01

06
Mai 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 4 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Da ética à coerência

Só por distracção ou pelo desviar de atenções que o final do campeonato de futebol ou as peripécias da greve da TAP possam provocar, já para não falar no lançamento da biografia de Passos Coelho, é que nos são indiferentes realidades e contextos jurídicos, sociais e políticos que polarizam pólos distintos de convicções e crenças, colocando nos pratos da balança distintos conceitos de ética e coerência. E esta semana foi, de facto, profícua. Três meros exemplos (sem qualquer critério cronológico), sem relação casual, mas que traduzem dilemas e sentimentos divergentes e que colidem com conceitos demasiadamente desvalorizados, como a ética, a justiça e a coerência, sejam eles de âmbito jurídico, social ou político.

O primeiro, de âmbito social, traz à discussão a questão da interrupção da gravidez (aborto). Duas adolescentes (12 e 13 anos), com a plena cumplicidade materna, foram abusadas sexualmente (uma pelo companheiro da mãe e a outra por prostituição forçada) e engravidaram. Não poderia haver “melhor” contextualização para provocar o ressurgimento da polémica em torno do aborto e dos seus limites legais. Infelizmente, a discussão deixou passar para plano nenhum (nem segundo, nem terceiro, nem último) preocupações quanto às vítimas, quanto ao papel social preventivo das instituições e do Estado na defesa das crianças, quanto a medidas jurídicas de penalização dos crimes, quanto a políticas de apoio às vítimas, podendo-se ainda acrescentar o debate sobre a violência doméstica. Felizmente, o hospital onde deu entrada a criança de 12 anos (Hospital Santa Maria) teve a coragem de tomar a decisão ética mais correcta, muito para além da vertente jurídica (tantas vezes alheada da realidade), tendo em conta o sofrimento da criança, quer do ponto de vista da maternidade, quer do ponto de vista emocional e psicológico.

O segundo, do ponto de vista da ética política e da coerência, prende-se com o recente elogio de Passos Coelho a Dias Loureiro, dando-o com exemplo de sucesso empresarial. A facilidade com que se tenta apagar da memória pública determinadas realidades e comportamentos, a diversos níveis reprováveis e criticáveis, é algo inqualificável. Mas a memória, que não é tão curta como muitos querem fazer crer, reporta-nos para o afastamento de Dias Loureiro do Conselho de Estado, as suas prestações na Comissão de Inquérito Parlamentar no âmbito do caso BPN, onde foi administrador.

Mas a falta de coerência e de ética, ao contrário da coragem da decisão hospitalar acima referida, ainda teve contornos públicos nestes últimos dias. Muitas foram as vozes que criticaram a inqualificável e inaceitável pressão de Miguel Relvas sobre uma jornalista do Público e sobre o próprio jornal, quando este estava no Governo. Foram, infelizmente, algumas as vozes concordantes com a criticável atitude do ex-ministro. A história inverte-se mas repete-se: o tão badalado sms de António Costa dirigido a um jornalista do Expresso (por sinal director-adjunto) com críticas sobre o seu trabalho jornalístico de análise ao documento socialista “Uma década para Portugal”. Os que defenderam Relvas não têm legitimidade para acusar Costa. Os muitos que criticaram Relvas não podem ficar calados, em silêncio, perante esta pressão e limitação da liberdade de imprensa. Quando o nosso grito “Je Suis Charlie” se torna selectivo em função de interesses e posições, termina aqui qualquer legitimidade, coerência e valor da defesa da liberdade de expressão e da liberdade de informação. Mais ainda, a António Costa faltou coerência e ética política com a sua atitude, ainda por cima desmedida já que, em momento algum, o jornalista fez qualquer análise pessoal e de carácter a António Costa. Mas bastaria recordar ao líder socialista a manifestação pública às portas da Câmara Municipal de Lisboa segurando um cartaz “Je Suis Charlie”. Percebe-se agora porque é que a frase do cartaz não foi completada com um “…Sempre”.

publicado por mparaujo às 10:58

14
Abr 15

"RTP acaba com políticos comentadores"

Interessante... mesmo que não me pareça errado o comentário político feito por políticos, prefiro, de longe, o comentário/análise político produzido por um jornalista ou, até, por um cidadão.

E acima de tudo prefiro pluralidade e contraditório, algo que teimosamente desapareceu das televisões.

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publicado por mparaujo às 15:03

07
Abr 15

bola de cristal e cartola magica.jpgA discussão traz, normalmente, bastante polémica e não é, de todo, recente. Refiro-me à questão do segredo de justiça, à sua "eventual" violação e à legitimidade na divulgação de factos processuais, não apenas na comunicação social, embora nestes casos seja o mais mediático (e imediato).

A discussão sobre a relação entre o dever de informar, o supremo interesse público (bem diferente do interesse do público) e a reserva da intimidade e da privacidade, tem fronteiras muito débeis e facilmente transpostas, com argumentações válidas (fora os excessos) para ambos os casos (divulgação factual/imagem ou não). E, neste caso da reserva da privacidade e intimidade, há ainda outras áreas como a questão do sigilo bancário, fiscal (lista vip das finanças), etc.

Mas há ainda a questão das fugas de informação e as escutas (muito para além da questão do segredo de justiça) que costumam, por exemplo, preocupar partidos, políticos, Governo e Presidência da República. Só que, neste âmbito, a contradição, a promiscuidade e os interesses menos transparentes, transformam esta realidade na maior das permissividades e confusões. Até porque há ainda a dificuldade em perceber a quem interessa e a quem prejudica, verdadeiramente, algumas fugas de informação.

A realidade é já antiga, tem "barbas" e até já poderia ter sido tema de comentário. Adiamento atrás de adiamento, aqui vai finalmente.

A prestação de comentador político de Marques Mendes é algo de surreal. Primeiro são notórias as deambulações entre a crítica e o elogio ao Governo, nunca definindo um posicionamento (o tal ditado "uma no cravo, outra na ferradura"); segundo são as constantes revelações, premeditações, o adivinhar o futuro, sempre em antecipação ao Governo. Das duas, três... ou Marques Mendes é adivinho (e a Maya que se ponha à coca face à concorrência) ou Marques Mendes é usado como evidente "soundbite" político do Governo para que este apure impactos e reacções de medidas, projectos ou posições que tenha de tomar publicamente, sem ter que correr riscos com "fugas de informação".

Num processo tão complexo quanto delicado como é o caso BES e a intenção governativa de vender o Novo Banco faz algum sentido vir publicamente afirmar, categoricamente mesmo que tudo devesse ter o maior recato possível, que o Banco Popular e o Banco da China ficaram fora da "corrida" ao Novo Banco e anunciar, com a mesma certeza e publicidade, quais os finalistas no processo? Se é fuga de informação deve ser averiguada, se há intencionalidade na divulgação dos factos afigura-se uma estratégia governativa lamentável e condenável.

E não deixa de ser curioso que com tanto ruído à volta das presidenciais de 2016, Marques Mendes ainda não tenha consultado a sua "bola de cristal" para saber e anunciar quem é, de facto, o candidato da direita. Ou será o próprio? E já agora... quem ganhará as eleições?

E ainda... o "meu" Porto ainda conseguirá ganhar o campeonato?

publicado por mparaujo às 14:45

02
Abr 15

Goste-se ou não, o assunto dá teses e teses, o jornalismo (seja qual for a sua área) é fértil em polémicas exógenas, em situações umas caricatas outras infelizes, seja por questões de profissionalismo ou ética, seja pelo simples erro/gafe a que qualquer profissão está sujeita.
Mas há uma outra nota relevante: o jornalismo não deixa de surpreender.
Como é que isto é possível?
Como é que falha a revisão/edição?

(entrevista do semanário Sol à ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque)

perguntas sol a MLA.jpg

publicado por mparaujo às 14:19

05
Mar 15

Parabéns ao jornal Público pelo seu 25º aniversário.

Amado por muitos, indiferente a alguns e motivo de alguns ódios, a verdade é que, num curto espaço de 25 anos, face ao que é o panorama da idade média da imprensa nacional, o Público soube posicionar-se no jornalismo de referência, apesar de algumas polémicas fortes (relembro o caso de Miguel Relvas e a jornalista Maria José Oliveira, muito mal gerido internamente e condenável) ou os despedimentos de um considerável número de jornalistas e profissionais.

Apesar disso, continuamos ligados...

PARABÉNS.

25 anos Publico.jpg

publicado por mparaujo às 11:16

13
Fev 15

Dizem que hoje é o dia Mundial da Rádio...
Saudades muitas daqui Rádio Terra Nova e dos velhos tempos piratas da Rádio Oceano.
Já lá vão longos anos (quase 30).
Um abraço aos camaradas da TSF, Antena1, Renascença, as inúmeras e IMPORTANTES Rádios Locais, e as generalistas nacionais. Um forte abraço a todos da RÁDIO.

Se bem que isto agora já não é a mesma coisa... agora a malta da rádio é mais "informática" que outra coisa qualquer; é tudo informatizado e pré-programado e tal.
Antigamente é que era... Carregar com os discos (LP e SP - 45 e 33 rotações), "apontar" as músicas, largar os "pratos" no timing certo... isso é que era intensidade radiofónica

radio as.jpg

publicado por mparaujo às 15:29

13
Jan 15

Muitos dos que criticaram a 'onda' do "Je suis Charlie" aproveitaram a marcha de ontem, em Paris, pela Liberdade para enviar mais umas "farpas" ao sistema, em laivos de superioridade intelectual e, até, profissional.

À falta de argumentos para minimizar o impacto que cerca de dois milhões de pessoas transmitiram ao percorrerem o centro de Paris, usa-se, e mal, o supérfluo (o insignificante) para desviar a atenção do essencial.
Tudo a propósito do que alguns apelidaram de Hipocrisia e Embuste, indo ao ponto de criticar a própria comunicação social que adjectivaram de cúmplice.

A imagem é esta, a da presença em Paris de várias representações internacionais.

marcha pela liberdade - governantes 01.jpg marcha pela liberdade - governantes 02.png

 e como resultado final esta foto (como exemplo das ditas críticas) apesar das evidências.

marcha pela liberdade - DN.jpgAté podiam ter ficado por aqui... alguns nomes presentes deixam uma significativa inquietação quando se olha para as suas acções governativas e se fala de Liberdade. Mas não... a ânsia da crítica e da vontade de diminuir e amesquinhar é tanta que se fica pela análise (deturpada) da realidade que as fotos nos apresentam.
O "embuste" gritado aos quatro ventos pretende criticar a postura dos governantes na manifestação, bem como a "ilusão jornalística" implicada a muitos jornais e televisões. É bom que se desmistifique, também, esta corrente.
Primeiro, desde sempre que se soube, e foi totalmente coordenado com a organização da marcha pela liberdade, que os governantes e representantes internacionais apenas percorriam uma curta distância e a cerca de 200 metros distanciados da manifestação.
Segundo, as razões são mais que óbvias e claramente compreensíveis: questões óbvias de segurança. A concentração de vários governantes junto a milhares de manifestantes dificultaria (ou até tornaria quase impossível) qualquer medida de segurança preventiva. Imagine-se o que não seria para uma organização terrorista esta mistura? Um verdadeiro "maná" celeste... E note-se que a questão da segurança não se limitou apenas aos governantes mas, naturalmente, aos próprios cidadãos que compunham a manifestação.

E é pena que quem perdeu imensos caracteres com um pormenor escusado não tenha elogiado a adesão massiva à iniciativa (para além de outros momentos idênticos e solidários espalhados por vários pontos do globo) ou, por exemplo, este intenso momento em que o presidente francês, François Hollande, abraça um dos sobreviventes (Patrick Pelloux) do massacre ao jornal Charlie Hedbo.

marcha pela liberdade - hollande e cartoonista 02. marcha pela liberdade - hollande e cartoonista 02.

publicado por mparaujo às 16:22

31
Dez 14

A Rádio Terra Nova fecha o ano de 2014 com um surpresa: a entrada "no ar" do novo site informativo e institucional da rádio.
Embora com estrutura idêntica à do anterior, o novo site está muito mais "limpo", com uma significativa "leitura fácil" e mais "apelativo".
Parabéns, Rádio Terra Nova
!

Radio Terra Nova novo log.png

publicado por mparaujo às 11:54

27
Nov 14

Ontem Mário Soares levantou "o dedo" para a comunicação social, avisando os jornalistas de se estarem a "lixar".
Hoje, foi a vez de José Sócrates "lixar" alguma comunicação social, trocando as voltas a quem (por sinal dois jornais) esperaria manter a "exclusividade" da razão e do processo.
Mas eis que José Sócrates apenas "telefonou" ao Público, (ou apenas atendeu o Público) deixando a roer de ciúmes o Sol e o CM.
Que maldade... não se faz.

capa do Publico - 27-11-2014_caso socrates.jpg

publicado por mparaujo às 12:03

26
Nov 14

1554429_10152311716239804_768283027_n.jpgDeclaração de interesses I: não sou socialista, não votei PS, não elegi José Sócrates nos seus dois mandatos.
Declaração de interesses II: o ex primeiro-ministro está em prisão preventiva como medida de coação aplicada na sequência do processo de investigação e como indiciado nos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção.
Nota: depois da investigação e da fase de inquérito, segue-se a fase de instrução e o julgamento. Até ao final deste, a José Sócrates (como qualquer outro cidadão) é-lhe reconhecida a presunção da inocência até prova em contrário.

Posto isto...

Não é tarefa fácil, como muitos saberão por experiência (mesmo os mais críticos), o acompanhamento jornalístico de um caso exponencialmente mediático como este processo "Marquês" que envolve José Sócrates. Principalmente entre a passada sexta-feira e a noite de segunda-feira, em que os acontecimentos foram claramente surpreendentes e deixou todo o país suspenso e boquiaberto. Esta é a realidade. Daí que são perfeitamente entendíveis e desculpáveis muitas das situações que encontrámos nos directos e nos espaços informativos em estúdio.

Mas, como em tudo na vida, no jornalismo, e por maioria de razões óbvias, muito mais no jornalismo, há limites, há fronteiras, há rigor profissional, há os factos e a verdade, há a ética e a deontologia.

Mesmo assim, ainda dou de "mão beijada", até por eventual responsabilidade do sistema educativo/formativo, que se atropelem conceitos e princípios jurídicos do processo: confusão entre indiciado e acusado, a não percepção das fases do processo, etc. A este propósito, e passe a publicidade, aconselho vivamente a frequência do Curso de Direito da Comunicação, do Instituto Jurídico da Comunicação da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (simplesmente, soberbo).

Sabe-se, por formação e ensino, que não há jornalismo bom e jornalismo mau. Ou há jornalismo ou não há jornalismo. Pela sua natureza e princípios, ou existe ou não existe.
Pela mesma razão de valores ou há jornais ou há, simplesmente, um conjunto de folhas impressas com caracteres e fotografias; ou há informação em televisão ou há espaços de entretenimento (mais ou menos conseguidos). Por isso, o que surpreende não é o aparecimento, num determinado conjunto de papéis impressos, de relatos sobre o número prisional de José Sócrates (pelos vistos, 44) ou se comeu cozido à portuguesa ao almoço e peixe ao jantar; só faltava mesmo saber a côr dos lençóis e das toalhas. O que surpreende, e, principalmente, preocupa significativamente é ver o Diário de Notícias "preocupado" com o 'design de interiores' do espaço prisional («José Sócrates está numa cela com pátio privativo mas sem banho quente. O preso nº. 44 ficou na cela onde esteve o ex-director do SEF. E pode usar o ginásio ou o pátio para jogging».) ou a TVI24 "preocupada" com o tempo de lazer e ocupação de tempos livres, vulgo ATL, de José Sócrates («Sócrates: cadeia com ginásio e workshops de tapeçaria de Arraiolos»). Não desculpando, nem deixando de criticar, ainda se poderá dar o "benefício da dúvida" dado o mediatismo dos acontecimentos e a necessidade de se produzir trabalho.

O que não pode ficar impune (relembro as declarações de interesses e a nota iniciais), deixar de ser criticado e registado publicamente, é a forma inqualificável, indigna e revoltante, com que se pretende fazer (suposto) jornalismo sem o mínimo respeito pelo rigor, pela verdade, pela deontologia, pela não observância de juízos de valor (claramente manifestados e expressados), como o descrevem estes dois textos ("o recluso 44, segundo o CM" e «A verdade dos factos»), os quais comparando com mais recente artigo de opinião de José Manuel Fernandes, este, quase que se afiguraria como um hino de louvor ao ex primeiro-ministro.

É a negação do jornalismo; é algo de inqualificável. E ainda há quem se queixa das "acusações" de Mário Soares. Enfim...

A saber: onde anda a ERC? onde anda o Sindicato? onde anda a Comissão da Carteira?

publicado por mparaujo às 14:53

27
Ago 14

É já para a próxima semana que o sonho se torna realidade. O homem sonha, com Deus ou sem Deus, mas com muito querer, vontade e determinação, a obra acontece. Foi o que aconteceu com o conceituado jornalista Nuno Azinheira. Sonhou, teve determinação, querer, muita objectividade e o Palavras Ditas aconteceu e está pronto para iniciar a sua actividade já no próximo mês de Setembro. Um regresso às “aulas”.

Numa altura em que a comunicação, particularmente a comunicação social, vive momentos atribulados, Nuno Azinheira teve a objectividade necessária para criar um projecto de formação especializado na área. Ou melhor, juntando várias áreas: comunicação, lazer, cultura.

A este “sonho” Nuno Azinheira juntou um conjunto considerável de personalidades mais que credenciadas e com uma experiência profissional considerável e reconhecida. Nomes como, a mero título exemplificativo (mesmo que puxando a brasa à “minha sardinha”): Nuno Santos, Ricardo Costa, José Gabriel Quaresma, Rita Marrafa de Carvalho, Joana Latino, André Macedo, Joel Neto, Hernâni Carvalho, Ana Sousa Dias e Nuno Artur Silva, entre outros. Mas também Fernando Alvim, Daniel Oliveira ou Teresa Guilherme.

Um projecto que serve a todos e é dirigido a todos os que tenham como objectivo aprender, adquirir experiência, trocar saberes e experiências.

Uma evidente e clara defesa da comunicação, valorização do sector, um importante contributo para a promoção do sector e dos seus profissionais ou quem pretende entrar e vingar no meio.

A não perder e a ficar: PALAVRAS DITAS

publicado por mparaujo às 23:36

13
Ago 14

Não sei se será muito correcto e fundamentado dizer que há uma comunicação social antes e pós Emídio Rangel. Aliás, porque o próprio 25 de abril, entre muitas coisas, trouxe a liberdade e com ela a liberdade de expressão, de opinião, de informação.

Mas não é de todo exagerado se afirmar que Emídio Rangel foi um dos marcos importantes e uma referência na comunicação social portuguesa.

Fundador da que é hoje uma das emissoras de referência no jornalismo radiofónico - TSF; fundador do primeiro canal de televisão privado em Portugal, algo que, à data, poucos vaticinavam poder acontecer ou que tivesse sucesso, abrindo o caminho a muitas outras apostas nomeadamente ao segundo canal privado - TVI; começou a sua carreira de jornalista na RDP e assumiria ainda o cargo de director-geral da RTP.

Homem de polémicas, irreverências, dizem que de alguns excessos, mas também de grandes virtudes e uma grande paixão pela comunicação social.

Goste-se ou não, Emídio Rangel foi um marco na história da comunicação social portuguesa.

E esta é uma das notícias que nenhum órgão de comunicação social gostaria de dar: a comunicação social ficou mais pobre com o falecimento de Emídio Rangel.

R.I.P. Emídio Rangel.

publicado por mparaujo às 13:55

11
Jul 14

A 14 de Junho, poucos dias após a notícia do despedimento colectivo na Controlinveste (DN, JN, TSF, O Jogo, Global Notícias e Notícias Magazine), mostrava com todo o respeito a minha solidariedade para com os profissionais da comunicação social envolvidos. Aliás, tal como o manifestei em relação a outras situações noutros Órgãos de Comunicação Social (por exemplo, no Público, grupo RTP...): Solidariamente... camaradas.

Depois das vigílias marcadas, da petição assinada, resta-me, neste dia 11 de julho, de novo a minha SOLIDARIEDADE para com os profissionais da Controlinveste.

quando o rigor, a exigência, a experiência, a competência, a verdade, dão lugar à massificação do jornalismo...
quando, apesar das alterações conceptuais e das novas realidades dos meios, se esquece que, em primeiro lugar está um leitor que não deve, nem pode, ser subestimado...
quando o "poder económico" prevalece sobre o direito a informar e a ser informado, de forma livre e verdadeira...

publicado por mparaujo às 09:57

08
Jul 14

Sobre o que tem sido dito, escrito e, principalmente, criticado do ponto de vista jornalístico e ético em relação à morte do filho da jornalista Judite de Sousa, o redactor principal do Diário de Notícias, Ferreira Fernandes, teve esta soberba e deslumbrante inspiração na edição de ontem do DN.

Qualquer coisa muito perto da perfeição. Quem não gostaria de ter escrito/dito isto? (inveja)...
Soberbo... "Pudor, isso, pudor".

A propósito da observação que fiz aqui ao trabalho do Correio da Manhã e à colossal confusão que foi a edição da notícia em causa, recebi algumas (felizmente poucas) críticas por ter exagerado na definição de mau jornalismo.

Pois... e logo eu que estive quase a dar a mão à palmatória, depois de ter visto a referência no Público a um vídeo do velório, bem como ao "voyeurismo jornalístico" da TVI em relação ao velório do filho da Judite de Sousa.

É que por mais que nos esforcemos por sermos indiferentes, a verdade é que o CM parece fazer de propósito para, pelas piores razões, chamar a atenção.

Oito dias de publicações consecutivas (domingo, 29 de junho a domingo, 6 de julho), 10 edições contando com as revistas e suplementos.

DEZ capas consecutivas com o referido destaque.

Mas claro... é o elevado e relevante interesse público (embora quase sempre confundido com o elevado interesse DO público)

publicado por mparaujo às 15:51

29
Jun 14

Cerca das 19:00 horas de hoje (29 de junho) após ter visto no facebook a notícia da morte do filho da jornalista da TVI, Judite de Sousa, noticiada pelo Correio da Manhã, publiquei o seguinte post:

Por maior respeito que me merece qualquer mãe que perde o seu filho, seja quem for, seja em que circunstâncias, seja com que idade...
Com as devidas desculpas à Judite de Sousa...
Mas esta notícia do CM tira qualquer um do sério.
Devia haver qualquer mecanismo que proibisse um suposto Órgão de Comunicação Social dizer tamanha barbaridade.
Primeiro, título e corpo da notícia informa que o filho de Judite de Sousa faleceu, vítima de um acidente numa piscina.
Incrédulos ficamos quando o último parágrafo da notícia informa que familiares e amigos aguardam junto ao Hospital por notícias sobre o seu estado clínico. Isto só por estupidez, mesmo... porque se é brincadeira é de muito mau gosto.
Mas no CM já estamos mais que habituados.

Com o link para a notícia: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/morreu-filho-de-judite-sousa

 

Entretanto, conforme a cache do google e contra todas as regras e princípios foi retirada da notícia o tal último parágrafo, sem qualquer referência com a expressão "Correcção" ou "Actualizada".
Entretanto, cerca de 45 minutos depois, a notícia deixa de estar acessível e o site em "baixo".

Enfim... dizer que isto é jornalismo é brincar com coisas sérias. Demasiado sérias...

publicado por mparaujo às 19:50

12
Jun 14

Excelente texto da Fernanda Câncio no Jugular, a propósito da situação de despedimento colectivo na Controlinveste, mais propriamente no Diário de Notícias.
Dá um nó no estômago e um sentimento de tristeza e revolta.
Se há quem diga que isto são "os sinais do tempo" ou a tradicional frase "é a vida"... a minha resposta será sempre: Puta que pariu (esta) a vida. (desculpem o meu "francês")
Solidariamente... CAMARADAS.

A ler ainda... Pedro Santos Guerreiro, no Expresso: Um dia na vida.

publicado por mparaujo às 09:47

19
Mai 14

http://cdn.observador.pt/wp-content/themes/observador/assets/build/img/logo.png

A Comunicação Social tem um novo espaço de informação: O Observador.
A informação sem hora marcada e a qualquer hora. Só porque a notícia acontece.
Parabéns ao Jose Manuel Fernandes e ao David Dinis. Boa sorte para toda a equipa.

Espera-se mais informação e melhor informação.

Tudo sobre a origem do Observador.

publicado por mparaujo às 09:42

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