Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

30
Dez 16

Entendo que, pessoalmente, não faz sentido tecer qualquer tipo de considerações sobre Mário Soares (Presidente Mário Soares ou ex-Presidente Mário Soares, como quiserem) sob pena de tornar a ser repetitivo quando, de facto, se constatar o natural desfecho de qualquer vida humana, independentemente das circunstâncias.

Vou, por isso mesmo, abster-me de me posicionar em relação a Mário Soares, por enquanto e apesar de não me ser indiferente o seu estado de saúde.

Além disso, não pretendo tecer quaisquer observações sobre os diversos breafings mais ou menos regulares ou à forma (não propriamente quanto ao conteúdo) como os diversos órgãos de comunicação social têm acompanhado todo o desenvolvimento do estado clínico de Mário Soares desde que deu entrada no Hospital de Cruz Vermelha.

Mas se não me pronuncio quanto à forma não posso, no entanto, deixar de me pronunciar quanto a conteúdos.

Numa altura em que se aproxima a realização do 4º Congresso de Jornalistas entre os dias 12 e 15 de janeiro de 2017, no cinema S. Jorge, em Lisboa (infelizmente, por razões profissionais, não poderei acompanhar directamente, nem estar presente) não faz sentido deixar passar em claro, sem qualquer tipo de crítica ou condenação, o que entendo como uma clara falta de sentido ético e deontológico, uma evidente postura de ausência de profissionalismo e sentido de informação e formação, a notícia de hoje do Correio da Manhã.

Sou dos que defendem que não há bom ou mau jornalismo... pura e simplesmente há jornalismo ou não há jornalismo, independentemente de alguns erros que se cometam. Isto não é errar, é a total ausência de jornalismo. E é mau demais para passar em claro e ser desculpável.

É importante que o 4º Congresso dos Jornalistas (ou do jornalismo ou da comunicação, como quiserem) não se prenda com a questão laboral/salarial, o peso do poder económico nos órgãos de comunicação e nas redacções ou se haverá lugar aos jornais em papel ou digitais. Há, infelizmente, muito para discutir para além disso. Isto é só um triste e condenável exemplo.

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publicado por mparaujo às 14:14

26
Nov 15

Primeira nota de abertura, contexto temporal: Novembro de 2015, pleno século XXI.

Conhecidos os resultados eleitorais do passado dia 4 de outubro surgiram logo duas realidades que espelham a falta de maturidade social da sociedade portuguesa e a clara e evidente falta de estruturação para a inclusão (sim... a recordar a Fátima Araújo com o seu livro "Por acaso..."): os portugueses elegeram o deputado do BE, Jorge Falcato Simões (deficiente motor) e o deputado socialista Alexandre Quintanilha (homossexual). Não faltou muito para surgirem nas primeiras páginas e nos minutos de televisão referências às dificuldades estruturais da Assembleia da República para receber um deputado com deficiência motora, bem como são conhecidas as polémicas em torno da orientação sexual do deputado Alexandre Quintanilha, nomeadamente aquela que envolveu o pivot da RTP, José Rodrigues dos Santos.

O "melhor" ainda estava, afinal, para vir.

O XXI Governo Constitucional, da responsabilidade de António Costa e que hoje tomará posse, incorpora nos seus ministérios e secretarias de Estado cidadãos negros, etnia cigana e com deficiência visual.

Só em Portugal, em pleno ano de 2015 depois de Cristo, é que o facto da Ministra da Justiça ser negra, o facto do Secretário de Estado das Autarquias Locais nunca ter renegado as suas origens ciganas e o facto da Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência ser invisual de nascença, é que é motivo de referência, de notícia e de relevância. Infelizmente, só no ano 2015 Portugal acordou, mesmo que sobressaltado, para a inclusão social e para a intervenção pública igual para todos.

Mas pior... se me custa aceitar que a sociedade "civil" ainda faça disto um tabu, é VERGONHOSO ver alguma comunicação social a fazer disto título de notícia. Se, por formação académica, sempre aplaudi e critiquei o que de bom e mau se faz no jornalismo, chegou a coincidência de não conseguir sequer adjectivar e qualificar este título do Correio da Manhã.

Só me ocorre... VERGONHA!

CM e Governo de Costa.jpg

 

publicado por mparaujo às 09:58

06
Nov 15

Providencia cautelar ao CM - caso Socrates.jpgHá cerca de três semanas estalava a polémica em torno da providência cautelar deferida pelo poder judicial que impede as publicações do grupo Cofina (apenas estas) de publicarem informação contida no processo que tem como arguido José Sócrates.

Na altura publiquei aquilo que era, e ainda é, a minha versão sobre os acontecimentos em "Ou há moralidade... ou 'comem' todos". Numa declaração de interesses referi que "não gosto do Correio da Manhã, nem da CMTV, bem pelo contrário. Isso é público e já por várias vezes proclamado." E renovo hoje a afirmação escrita.

É que já não basta ao CM exercer a sua actividade da maneira inqualificável que exerce (apesar da legitimidade legal e constitucional) e não bastava ao CM o aproveitamento da polémica para a vitimização (mesmo que, em parte, legítima). Não... o CM tinha de ser igual a si próprio: incoerente, sem rigor, sem verdade, sensacionalista e inversor dos princípios jornalísticos.

A propósito da providência cautelar diferida o CM, pela pena do seu director Octávio Ribeiro, veio logo a terreiro disparar contra tudo e contra todos e passar lições metafóricas de moralismo balofo a toda a gente.

É que, ao caso, ao Correio da Manhã exigia-se recato, rigor, coerência e verdade. Mas isso era mais do que um milagre.

Importa recordar, a bem da verdade e da coerência.

Facto: 'roubo' (desaparecimento) das cassetes de um jornalista do CM - Octávio Lopes - contendo informação (conversas e entrevistas) relacionadas com o processo Casa Pia. Não estamos assim tão distantes para que a memória seja curta (2004), até porque a polémica foi intensa e o processo judicial em si foi um marco na Justiça e no Jornalismo português (e eventualmente na política).

As incoerências:

"Providência cautelar contra o Independente" (publicado no próprio CM a 19.08.2004)
"Focus impedida de publicar matéria" (publicado no próprio CM a 11.08.2004)

Os regozijos de ontem deviam ser a vergonha de hoje.

publicado por mparaujo às 16:20

29
Out 15

Censura foto.jpgTemos este péssimo "código genético": o da incoerência, o de agir em função do vento e das modas, o de tomar posições em função dos nossos interesses e do que mais nos convém. É péssimo e é condenável.

Importa, primeiramente, afirmar: não gosto do Correio da Manhã, nem da CMTV, bem pelo contrário. Isso é público e já por várias vezes proclamado.

Mas tal como critiquei, muito recentemente, o jornal Público pela eventual colaboração como cronista do ex-ministro Miguel Relvas ("Que a memória não se apague") depois do deplorável caso de pressão e perseguição à jornalista Maria José Oliveira, não posso deixar de criticar e repudiar, em defesa da liberdade de informação, do direito a informar e da liberdade de expressão, a decisão judicial de "calar e censurar" (porque é disto que se trata) o Correio da Manhã em relação ao processo "Marquês" que envolve o ex Primeiro-ministro, José Sócrates.

Nunca, até hoje e em função do desenrolar do caso, apontei qualquer crítica a José Sócrates (nem o defendi) por acreditar na separação de poderes e no elevado princípio da presunção de inocência. É público e repetido.

Mas não posso, independentemente de achar criticável o jornalismo (?) praticado pelo grupo Cofina, deixar de condenar o que entendo ser um acto puro de censura à informação e um claro e evidente ataque a um órgão (grupo) de comunicação social.

O CM e a CMTV, em particular, aos quais podemos juntar ainda a Sábado e a Flash, não são exemplos das virtudes jornalísticas, do meu ponto de vista. Mas tal como não sou adepto da sátira informativa do Charlie, pela superior defesa da liberdade de informação "não concordo, em nada, com o que a Cofina diz, mas não posso deixar de defender a liberdade da sua existência".

Há mecanismos próprios para condenar a acção dos órgãos de comunicação social do grupo Cofina sem limitar e amordaçar a liberdade e o direito de informar.

Abriu-se uma perigosa Caixa de Pandora, seja por este caso que envolve José Sócrates, seja por que caso for.

Isto é um claro atentado ao Estado de Direito e à democracia.

publicado por mparaujo às 11:45

17
Mar 15

octavio ribeiro - correio da manha.jpgOntem foi assunto do dia, de todo o dia, as reacções do advogado de José Sócrates, João Araújo, em relação à imprensa, nomeadamente à forma como tratou a jornalista do Correio da Manhã e CMTV, Tânia Laranjo, no seguimento da decisão do Supremo Tribunal de Justiça em rejeitar o quinto pedido de Habeas Corpus para o ex Primeiro-ministro José Sócrates.

Primeira nota. É inadmissível e inqualificável os termos e a forma com que o advogado João Araújo se dirigiu à jornalista Tânia Laranjo que apenas se encontrava no exercício das suas funções profissionais. É conhecida a relação tempestuosa de João Araújo com o Correio da Manhã e a CMTV, baseada na conflitualidade há muito existente entre José Sócrates e aquele órgão de comunicação social. Independentemente do lado no qual esteja a razão, nada justifica o comportamento do advogado. Nada justifica e não pode deixar de ser criticado, goste-se ou não do CM e da CMTV… e eu, já por mais do que uma vez tornado público, não gosto. Mas, tal como nos acontecimentos em França, continuo “Charlie”.

Apesar da conflitualidade das relações advogado/imprensa desde a primeira hora do processo, nada justificando os acontecimentos de ontem, a verdade é que a própria imprensa alimentou esta relação e deu palco a estes acontecimentos, mais por interesse próprio (da imprensa) do que jornalístico (público).

Segunda nota. É muito interessante e curioso verificar as reacções do universo da advocacia nacional. Uns mantêm-se indiferentes, outros assobiam para o lado, e há quem, publicamente, se insurja e se indigne com tais comportamentos por parte do colega de profissão João Araújo. E a pergunta impõe-se: destes, quantos tomaram alguma posição junto da Ordem? Quantos afrontaram o sistema que alimentam e criaram? Quantos confrontam o corporativismo que reina?

Terceira e última nota. É perfeitamente legítima a posição da jornalista Tânia Laranjo em defender as suas competências, a sua dignidade profissional e pessoal. Qualquer um se sentiria ofendido e impulsionado a reagir judicialmente face à gravidade dos acontecimentos. O que aconteceu, independentemente das razões subjacentes, foi muito mau. Péssimo. Quanto a isto não há muito mais a dizer.

Mas o que “espanta” é a reacção pronta do director do CM, Octávio Ribeiro, saltando logo para a ribalta e para a praça pública em defesa da sua jornalista e contra o advogado. Considerando uma situação (realidade) normal isto seria algo expectável em qualquer órgão de comunicação social. Só que há muitas diferenças de realidades. Primeiro, um outro qualquer órgão de comunicação social teria optado por muito mais recato, não preenchendo e enchendo linhas e linhas de texto e minutos e minutos de imagens em defesa de causa própria. Segundo, finalmente, tendo em conta as reacções de Octávio Ribeiro (não confundir com a posição da jornalista Tânia Laranjo), parece que o Correio da Manhã provou do próprio veneno. É que a moralidade não é bonita apenas nos outros ou dos outros para connosco. E, finalmente, o CM descobriu o papel dos tribunais, da ofensa à dignidade e à honra, à privacidade, da preservação da inocência, da verdade e da veracidade dos factos. Finalmente…

publicado por mparaujo às 10:45

29
Jun 14

Cerca das 19:00 horas de hoje (29 de junho) após ter visto no facebook a notícia da morte do filho da jornalista da TVI, Judite de Sousa, noticiada pelo Correio da Manhã, publiquei o seguinte post:

Por maior respeito que me merece qualquer mãe que perde o seu filho, seja quem for, seja em que circunstâncias, seja com que idade...
Com as devidas desculpas à Judite de Sousa...
Mas esta notícia do CM tira qualquer um do sério.
Devia haver qualquer mecanismo que proibisse um suposto Órgão de Comunicação Social dizer tamanha barbaridade.
Primeiro, título e corpo da notícia informa que o filho de Judite de Sousa faleceu, vítima de um acidente numa piscina.
Incrédulos ficamos quando o último parágrafo da notícia informa que familiares e amigos aguardam junto ao Hospital por notícias sobre o seu estado clínico. Isto só por estupidez, mesmo... porque se é brincadeira é de muito mau gosto.
Mas no CM já estamos mais que habituados.

Com o link para a notícia: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/morreu-filho-de-judite-sousa

 

Entretanto, conforme a cache do google e contra todas as regras e princípios foi retirada da notícia o tal último parágrafo, sem qualquer referência com a expressão "Correcção" ou "Actualizada".
Entretanto, cerca de 45 minutos depois, a notícia deixa de estar acessível e o site em "baixo".

Enfim... dizer que isto é jornalismo é brincar com coisas sérias. Demasiado sérias...

publicado por mparaujo às 19:50

18
Out 11
(fonte: dn online)
O Correio da Manhã publicou, no passado dia 16 de Outubro, uma notícia onde retrata as remunerações da entidade reguladora da comunicação social - ERC.

Aliás, nunca nenhum órgão de comunicação social, seja qual for o meio (jornal, televisão ou rádio) publicou tanta informação e notícia sobre a ERC como o Correio da Manhã, ao ponto de me atrever a afirmar, mesmo sem as "contas feitas", que este jornal sozinho terá publicado tantas ou mais notícias sobre a ERC que todos os outros órgãos de comunicação social juntos. 

E não será muito difícil de confirmar... se fizermos no site do Correio da Manhã uma pesquisa por "ERC" obteremos 765 resultados!!!! Lembremos que a ERC foi constituída/criada em 2006.

Mas tal como em muitas outras notícias, o rigor, a deontologia e a consciência da verdade informativa é, parafraseando a "moda", uma cena que ao jornal (e alguns jornalistas) não lhe assiste.
E esta é, tão somente, mais uma "história"...
De facto, errar é humano... insistir no erro é incompetência ou intencionalidade!



Duas notas à margem:
1. foi com muita honra que recebi, no dia 15 de Outubro, das mãos do ainda Presidente da ERC o certificado de conclusão do Curso Pós-Graduação em Direito da Comunicação, na Faculdade de Direito de Coimbra / Instituto Jurídico da Comunicação.
2. nutro pelo director-adjunto do Correio da Manhã, Eduardo Dâmaso uma significativa admiração profissional, sendo de lamentar que não esteja noutro órgão de comunicação social.
publicado por mparaujo às 21:59

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