Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

11
Nov 16

137237086.jpg

Foi demasiado tempo... muito tempo mesmo. Mas foi do melhor tempo.

Leonard Cohen não foi apenas um, entre uma elite, que se fixou na minha mais que modesta "musiteca". Para além de ter sido uma das principais referências foi também alguém que marcou a minha adolescência cultural e musical.

Foram cerca de 35/36 anos (com início numas férias de verão na Figueira da Foz) a ouvir e a ter como assidua e constante presença (e já agora... este sim, também em livro) aquele que considero o melhor cantador de histórias que conheço.

Leonardo Cohen entrou muito cedo na minha vivência musical... apesar do seu falecimento, aos 82 anos, saiu ainda demasiado cedo.

Morreu o maior cantor das histórias da vida, da vida complexa do amor, da vida mundana e simples, de TODA e TUDO o que é a vida.

Restam as memórias, os registos e um mais que sentido e triste.... until forever, Mr. Cohen.

"That's no way to say goodbye". Hallelujah.

publicado por mparaujo às 09:24

08
Abr 16

demissao de Joao Soares.png

Ainda a "época desportiva" do Governo de António Costa não cumpriu o primeiro ano de legislatura e já assistimos à primeira "baixa" na governação.

João Soares, agora ex-Ministro da Cultura, apresentou a demissão e o ainda Primeiro-ministro, António Costa, aceitou de imediato ("João Soares demite-se" "Costa aceita demissão de João Soares").

Mas há, neste processo, um contorno que importa destacar e que não é um mero pormenor de forma mas um "pormaior" de conteúdo.

João Soares demitiu-se não pela sua resposta às críticas dos críticos do jornal Público e muito menos por alguma indignação generalizada na sociedade civil. Muito menos ainda por alguma pressão (pelo menos pública) dos partidos que suportam o Governo (PS, BE e PCP), da oposição ou do Presidente da República, apesar das críticas à reacção do ex-Ministro.

O que é curioso neste processo é que João Soares demitiu-se após as declarações do Primeiro-ministro, primeiro com um pedido de desculpas do Governo, segundo com críticas dirigidas a João Soares e terceiro com um claro aviso à "navegação" governamental ("António Costa pede desculpa pelas prometidas bofetadas de João Soares").

João Soares demitiu-se porque foi, claramente, desautorizado e enfraquecido politicamente e como governante por António Costa.

Este episódio terá reflexos futuros? Não consigo, muito sinceramente, prever. Até penso que não... mas ficou a mancha e a nódoa.

 

publicado por mparaujo às 14:35

07
Abr 16

Joao Soares - bofetadas.jpg

Está lançada a nova agenda política nacional actual: resolução ministerial "à bofetada".

O mote foi dado pelo ministro da Cultura, João Soares, em reacção a duas críticas à sua acção ministerial à frente da tutela da Cultura, publicadas no jornal Público: uma por Augusto M. Seabra (06/04/2016) e outra por Vasco Pulido Valente.

A reacção do ministro João Soares fez ricochete e há, da direita à esquerda quem peça a "cabeça do ministro" ou, na melhor das hipóteses um retratar público do episódio.

Mas vamos mais longe... "Debaixo dos Arcos" propõe uma análise mais abrangente e, qui ça, até mesmo uma sondagem (mesmo sem boca e sem urnas).

O que é que politicamente tem mais impacto negativo na opinião pública?

1. os "corninhos" do ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, à bancada do PCP.

2. o "manso é a tua tia" do ex Primeiro-ministro José Sócrates para o então deputado Francisco Louçã.

3. o desejo de cumprimento da promessa de 1999 do ainda ministro da Cultura, João Soares, de umas "salutares bofetadas".

O povo é quem mais ordena... a escolha é sua.

publicado por mparaujo às 14:39

20
Fev 16

Umberto Eco.jpg

Nada é eterno. Nada é imortal. Mas o mundo ficou mais vazio e a nobreza do pensamento crítico mais pobre.

Podia falar dos livros tão "históricos" como "O nome da rosa" ou o "Pêndulo de Foucault".

Recordarei sempre Umberto Eco pela marca que deixou no meu percurso formativo (semiótica e comunicação), a par do "espaço público" de Jürgen Habermas (comunicação).

Por exemplo, o tratado/ensaio "Kant e o ornitorrinco" ou a recentíssima reflexão jornalística "Número Zero".

Não foi só a cultura mas todo o pensamento crítico que ficou bem mais pobre ou vazio.

publicado por mparaujo às 22:09

16
Dez 15

Proas Moliceiros 2.JPGpublicado na edição de hoje, 16 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
E se Aveiro for o centro da Europa?

E se Aveiro se tornasse Capital Europeia da Cultura? A perspectiva não foi colocada como interrogação mas foi avançada pelo presidente da autarquia aveirense numa das recentes sessões da Assembleia Municipal de Aveiro: Aveiro poderá avançar com uma candidatura a Capital europeia da Cultura, em 2027.

Coloquemos de parte, por mil e uma razões óbvias, a questão da data. Para muitos poderá parecer distante no tempo mas a verdade é que um conjunto de regras, calendários, a própria proposta de candidatura e a sua preparação (para além da necessária influente campanha de marketing promocional), não permitem, nem possibilitam, uma candidatura mais breve. Apesar dos doze anos de distância, a data não é tão ilusória como pode fazer crer; pouco mais de três exercícios legislativos e estamos lá.

Mais importante que a data é a relevância da iniciativa (pelo impacto que possa gerar na cidade e na região) e a conjugação de esforços e empenhos que pode gerar nas forças políticas, culturais e sociais de Aveiro. Algo que Aveiro há muito necessita: os aveirenses lado-a-lado, focados numa causa comum, identificados e preocupados com a sua cidade e o seu município, e uma cidade referenciada no mapa, obviamente, pelas melhores razões.

Mas numa iniciativa deste género e desta dimensão, com a forte concorrência interna de outras cidades, envolvendo recursos (de toda a natureza) nunca antes despendidos em Aveiro, levam à necessidade de termos os pés bem assentes na terra.

É que a realidade tem-nos mostrado a dificuldade que Aveiro tem sentido para se afirmar cultural e patrimonialmente, e a forma como, há alguns anos, deixou esvanecer a sua identidade. O património (material e imaterial) religioso continua “escondido”; o que foi a fundamentação social, económica e o desenvolvimento regional assente na cerâmica, na azulejaria e no sal, já há muito que desapareceu da memória aveirense; a arte urbana e o urbanismo restam nas referências bibliográficas; entre outros. Há pois um necessário e desgastante, embora igualmente gratificante e promissor, trabalho patrimonial e cultural a desenvolver que terá de ir mais longe do que os Ovos Moles, os moliceiros e os canais da Ria de Aveiro que são, neste momento, as principais referências identitárias da cidade (conforme o recente estudo divulgado à cerca de quatro ou cinco dias pelo curso de Marketing do ISCAA-UA que aponta a Ria, os moliceiros, os Ovos Moles e a própria Universidade de Aveiro como as principais marcas fortes do turismo aveirense).

Acresce ainda que, só por manifesta falta de bom senso ou perfeito desvario megalómano, é que alguém poderia supor ou imaginar todo este exercício sem o recurso a parceiros estratégicos da autarquia, como por exemplo a Universidade de Aveiro, o Turismo Centro Portugal e os agentes culturais da região. O que eleva esta questão para um outro patamar, esperando não parecer descabido ou ilusório.

Hoje é mais que evidente a eliminação das barreiras e dos limites geográficos, seja ao nível local, seja ao nível regional. São por demais claras as identidades que confinam a gentes e terras vizinhas, são óbvias as realidades sociais, económicas e culturais que se interligam e se sustentam reciprocamente. Só a título, meramente exemplificativo, podemos recordar a ligação de Aveiro às gentes das Gafanhas, da pesca e do mar, ou à importância que a azulejaria também tem em Ovar, tal como teve em Aveiro, já para não falar nas questões gastronómicas. A lista seria, obviamente, mais extensa.

Neste sentido, dentro de uma Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, que tem procurado, a outros níveis, um conjunto de medidas e iniciativas comuns ou a perspectiva de relações mais estreitas entre os diversos municípios (veja-se o exemplo da energia ou da mobilidade, mais uma vez como exemplos) esta candidatura seria uma evidente aposta comum muito positiva, com impactos regionais muito fortes, que valorizaria, aos mais diversos níveis, a Região de Aveiro e a colocaria, com sucesso, no mapa cultural Europeu. E 2027 é já “manhã”…

publicado por mparaujo às 11:21

14
Dez 15

Pacheco Pereira.jpgDeclaração de interesses: não gosto, nunca gostei, de Pacheco Pereira. Reconheço-lhe a capacidade e o património cultural, mas acho-o de um snobismo intelectual deprimente.

No entanto, querer reduzir a sua nomeação para o Conselho de Administração da Fundação Serralves ao facto de ter sido crítico em elação ao Governo de Passos Coelho ou à animosidade que corre no seio do PSD, levando a que alguns pretendam deixar cair a "guilhotina política" sobre a sua cabeça, é, no mínimo, abjecto.

Não é a única participação de Pacheco Pereira no circuito da gestão cultural em Portugal. São vários os actuais exemplos.

Reduzir a sua capacidade intelectual a mera coincidência ou conjuntura política é um exercício demagógico que só resulta em mais mediatismo e ribalta que Pacheco Pereira sempre gozou ao longo de muitos anos de vida política e partidária, com merecimento questionável.

A Fundação Serralves ganhou um excelente administrador. Facto. Reconheça-se (mesmo que custe).

publicado por mparaujo às 10:41

30
Set 15

Uxia.jpg

O Conservatório de Música de Coimbra inicia, amanhã, dia 1 de Outubro, a programação para este último trimestre de 2015, intitulada "Cores de Outono".

O Cartaz abre com a Música do Mundo pela voz, guitarra e pandeireta da cantora galela Uxía Senlle que traz a Portugal, no ano em que comemora 30 anos de carreira, todo o brilho do seu álbum "Meu Canto".

É já amanhã, no Auditório do Conservatório de música de Coimbra, às  horas.

uxia coimbra.jpgCores Outono - Coimbra.jpg

publicado por mparaujo às 10:34

26
Jul 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 26 de julho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
O valor das referências

Excluindo concepções narcisistas ou egocêntricas a ausência de referências nas nossas vidas, sejam elas de natureza pessoal, sociais ou histórico-culturais, deixa um inequívoco vazio, a perda de identidades ou a ausência de objectividade. Esta semana que passou fez realçar a importância das referências na construção e concepção das realidades e dos imaginários pessoais ou colectivos.

1. A notícia foi recebida com a agressividade de um estalo que atordoa e provoca inesperados momentos de inacção. Por mais que a nossa concepção e experiência de vida nos consciencialize para a noção de que tudo tem um princípio, meio e fim (seja qual for a sua duração), na realidade nunca estamos verdadeiramente preparados para o “fim”. Por mais sabor que tivesse o ‘prego’ (no pão ou no prato), por mais fresco que estivesse o ‘fino preto baixo’, o Ti Augusto era mais do que o seu “Rossio”. A Cervejaria pode ser (e é) uma das referências no roteiro turístico e gastronómico da cidade de Aveiro, mantida trigeracionalmente há mais de meio século. Mas o Ti Augusto era mais do que o seu negócio. Apesar de não ser natural de Aveiro (como tantos que escolheram a cidade para segundo berço) encarnava tudo aquilo que é para cagaréus, ceboleiros, afins, e quem nos visita, uma das referências desta cidade, a identidade das gentes do bairro da beira-mar: o saber acolher, o sentido da bondade, a atenção ao outro (seja vizinho, seja ‘forasteiro’), a devoção a S. Gonçalinho, a frontalidade e o puro e são bairrismo. Foram muitos “rossios” servidos, mas foram também muitos mais anos vividos e que espelharam, a quem com ele se cruzou, a identidade aveirense. Tal como na gestão do “Rossio” também a minha ligação ao Ti Augusto atravessou três gerações e bem sei que não o voltarei a ver sentado, na mesma mesa do canto, ao fundo, do lado direito. Mas também sei que a memória saberá perpetuar a sua imagem, sempre que ali voltar, que mais não seja para recordar como, apesar de me ter conhecido de fraldas, teimosamente me cumprimentava pelo título académico (por mais que não o sustente).

2. Este momento triste que a semana passada trouxe a Aveiro fez salientar esta questão das identidades e referências para outra dimensão: a cultural. A discussão centrada em específicos círculos culturais e políticos não teve impacto na comunidade e passou despercebida à maioria dos aveirenses. Ou melhor, mais do que despercebida afigura-se indiferente aos aveirenses a tutela e o estatuto do Museu de Aveiro (Museu Santa Joana), mesmo que a componente histórico-religiosa ligada à Padroeira da Cidade (e do Município) ainda seja uma referência para a comunidade. A verdade é que o Museu em si tem tido muito pouco impacto junto dos aveirenses (seguramente mais de cinquenta por cento da actual população nunca lá terá colocado um pé, quanto mais os dois, e muito menos saberá algo sobre a talha dourada da Igreja de Jesus) e é questionável o seu papel na promoção da cidade e da região. Também não é menos verdade que Aveiro tem tido, até hoje, muito pouco para oferecer a quem nos visita, excluindo os passeios(?) de moliceiro nos canais urbanos da Ria. A descentralização da gestão do Museu de Aveiro para a responsabilidade da autarquia faz-me retomar a questão da identidade aveirense.

É constrangedor que a história e a identidade cultural, económica e social de Aveiro, alicerçada e sustentada pela cerâmica, azulejaria e o sal, não tenha um espaço digno, permanente, pedagógico, histórico, preservador desta mesma identidade. Excepção para a especificidade e temporalidade da Marinha da Troncalhada, Aveiro não tem um museu do Azulejo, da Cerâmica e do Sal, que promova os nossos valores sociais, históricos e culturais, tal como acontece em tantas cidades e vilas deste país, ou por essa Europa fora (por exemplo). Talvez seja esta uma oportunidade para complementar a realidade histórico-religiosa perpetuada pelo túmulo de Santa Joana e dotar o Museu de Aveiro da identidade aveirense, colocando-o como referência para a região. Tal como acontece em Ílhavo (Museu Marítimo) e Vista Alegre, nas Caldas da Rainha (Bordalo Pinheiro), com o vidro na Marinha Grande, o Dão em Viseu, o Museu do Pão em Seia, com os Caretos de Podence em Macedo de Cavaleiros, com os espaços vinícolas no Douro, etc., etc,. etc. Ou então continuaremos a ser tão só e apenas a “mini Veneza” com “corridas” de moliceiros. Salvam-se os Ovos Moles.

publicado por mparaujo às 13:35

26
Mar 15

Luis Miguel Rocha.jpgQuando morre alguém ligado às artes, literatura, cinema, teatro, etc, há uma tendência para inundar as redes sociais de lamentos, mensagens, extractos de poemas, frases, livros ou pinturas de quem faleceu.

Sem qualquer tipo de constrangimentos ou sem qualquer tipo de pudor ou do "politicamente correcto", muitos dos comentários e post (aconteceu recentemente com o poeta, que nunca li, Herberto Helder) têm a "assinatura" google ou wikipédia. Há quem lamenta e chore lágrimas de crocodilo sobre quem nunca leram ou viram (arte) mas que fica bem falar.

Orgulho-me de ser do contra. Não tenho o condão, nem as capacidades (sejam elas quais forem) de ler tudo, nem ver tudo, mesmo que já tenha ido ao Louvre. Não embarco nessas ondas.

Hoje, não é o caso. Há quatro espaços preenchidos (acho que falta lugar para mais dois), e agora mais que lembrados, na "biblioteca doméstica": O Último Papa - A Bala Santa - Mentira Sagrada - A Filha do Papa.

Fiquei chocado quando vi a informação da Agência Lusa que reproduzo através da notícia da revista Visão.

Abruptamente ficou muito por percorrer de uma promissora carreira literária, ficou muito para viver para quem apenas tinha 39 anos.

Lá em casa ficará sempre. R.I.P. Luís Miguel Rocha.

«Lisboa, 26 mar (Lusa) - O escritor Luís Miguel Rocha, 39 anos, autor de obras como "O Último Papa", morreu hoje em Mazarefes, distrito de Viana do Castelo, vítima de doença prolongada, disse à agência Lusa fonte próxima da família.
De acordo com a mesma fonte, o escritor encontrava-se doente há algum tempo, esteve internado no Hospital de Viana do Castelo e nos últimos dias estava em casa da família, em Mazarefes.
Nascido no Porto, em fevereiro de 1976, o autor português escreveu vários livros com sucesso internacional, como o "O Último Papa" (2006, editora Saída de Emergência), que expõe uma teoria sobre a misteriosa morte de Albino Luciani, o Papa João Paulo I, envolvendo a maçonaria italiana, e "A Filha do Papa" (2013, Porto Editora), sobre segredos do Vaticano.» (in, revista Visão)

publicado por mparaujo às 11:10

01
Mar 15

Amadeu Ferreira.jpg

Morreu Amadeu Ferreira. A notícia caiu-me como uma "bomba".

Grande impulsionador da segunda língua oficial portuguesa, o mirandês...
Um dos principais impulsionadores da lei que aprovou o Mirandês como língua oficial...
Grande impulsionador da história e da língua que esteve na origem de Portugal...

Traduziu obras como os Lusíadas, a Bíblia, duas publicações do Asterix, a Mensagem de Fernando Pessoa, entre outros.

Tinha a história da língua mirandesa, a sua divulgação e promoção, no coração. Um "coraçon einorme".

A preservação e divulgação da Língua Mirandesa deu-lhe uma coragem e uma capacidade de luta que aplicou para fazer face à doença que o atormentava há algum tempo. Mas nenhum homem é de ferro, por mais lutador que seja.

Além disto tudo, Amadeu Ferreira é o responsável por um dos trabalho académicos que mais prazer me deu fazer e que melhor resultados tive, em Língua e Identidade Cultural. Assim como foi o seu trabalho e papel que me serviram de exemplo pela paixão da identidade cultural que tanto caracteriza e diversifica este país, que tanto me faz admirar a nossa origem e essa região de "por trás os montes".

R.I.P. Amadeu Ferreira

"Até siempre, Porsor"... "paç a la sue alma".

publicado por mparaujo às 21:41

15
Jun 14

publicado na edição de hoje, 15 de junho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Reflexão com a mão no barro

É do conhecimento público que este ano não haverá lugar à tradicional Feira do Artesanato de Aveiro – FARAV. Por decisão da autarquia aveirense haverá lugar à reflexão sobre o futuro deste evento. Além disso, iniciou-se ontem um novo projecto e conceito de animação do espaço público com o “Artes no Canal” que, entre outros, tem como objectivo fundir um conjunto de iniciativas avulsas e esporádicas que iam ocorrendo na cidade. Por outro lado, a Feira do Livro de 2014 foi transferida do Rossio para o Mercado Manuel Firmino. O que é que há de comum nesta mistura de factos e realidades ocorridas na vida cultural aveirense? Muita coisa.

Referi aqui, e disse-o a quem de direito, em 2010, quando foi transferida a FARAV do Parque de Exposições de Aveiro para o Rossio que era importante repensar a estratégia e a estrutura da feira de artesanato e que a mesma se deveria manter no Parque de Exposições de Aveiro, razão pelo qual foi construído e custou muito dinheiro ao erário público. Também na altura, como proposta de reflexão, sugeri que à FARAV fosse aglutinada um conjunto de outras iniciativas que, edição em edição, iam perdendo o seu impacto. Como, por exemplo, a Feira do Livro.

Recordo ainda, a propósito da falta de afluência de público/visitantes, que a FARAV precisava de atractividade complementar ao evento, já que, por outros exemplos como a Feira de Março, a Automobilia, etc., a localização do Parque de Exposições, só por si, não reflecte a ausência de visitantes no certame. Aliás, em 2009, quando fiz para o Boletim Municipal uma peça sobre a FARAV/2009 recordo-me de entrevistar um casal de visitantes que se tinham deslocado de Oliveira de Azeméis para visitar a feira.

E tal como a Câmara Municipal de Aveiro lançou o “Artes no Canal” como projecto aglutinador de eventos avulsos, projectando, num único momento (mesmo que repetido no tempo), cultura para o espaço público, assim me parece que se deva repensar a FARAV e outros eventos similares.

A questão da FARAV, como eventualmente a Feira do Livro, passa por dimensioná-la, estruturá-la, conceder-lhe centralidade regional, quem sabe repensar a sua duração, e principalmente torná-la mais atractiva, promovendo, a par do artesanato, outros momentos e motivos de interesse para os aveirenses e para quem nos visita. Não me parece descabido que exista uma Feira do Artesanato, da Gastronomia e do Livro simultaneamente e no mesmo espaço físico. Ou ainda acrescentando o Festival de Folclore. O que Aveiro não pode continuar a ter é um conjunto enorme de pequenos eventos, com a sua importância, mas sem grande impacto, e, muitas vezes, repetitivos nos seus objectivos.

Continuarmos a ter eventos que vão perdendo dinâmica, impacto e importância, será transformá-los naquilo que cabe, legitimamente e por uma questão de cidadania, ao empenho e intervenção dos aveirenses no seu espaço e na sua cidade, que são eventos pontuais, com escala reduzida e centralizados na rua, no bairro, na freguesia. Com todo o valor e respeito.

No que toca à FARAV, à Feira do Livro (muito polarizada entre o Porto – que aliás nem se realizou este ano - e Lisboa, com uma falha enorme na zona centro), e a outros eventos, não os promovendo como referência regional é ir limitando a sua importância e condenando-os à extinção.

O que, obviamente, não é bom para Aveiro, para os aveirenses e, acima de tudo, para os artesãos e agentes culturais.

Que se faça uma boa reflexão… com a mão no barro.

publicado por mparaujo às 12:55

06
Jun 14

De 6 a 22 de junho, Feira do Livro em Aveiro.

À 39ª edição a opção da autarquia aveirense recai sobre um novo espaço, dinamizando, simultaneamente, o Mercado Manuel Firmino.

Em Aveiro, há Livros no Mercado.

publicado por mparaujo às 13:59

18
Abr 14

Morreu Gabriel García Marquez.

A par com Luís Sepúlveda, por exemplo, foi o principal responsável pela descoberta da escrita e das imagens literárias com raízes marcadamente sul-americanas.

Ocupou sempre lugar de destaque na "estante doméstica" e releitura obrigatórias ao longo dos tempos.

O Escritor, Jornalista, Nobel, colombiano deixa um significativo e importante vazio na cultura e na literatura mundiais.

Fica mais vazia o meu leque de procuras nas livrarias.

Obrigado por tudo, Gabo.

publicado por mparaujo às 11:41

17
Mar 14

Faleceu (ontem) Zé Penicheiro. Um dos artistas plásticos que me enchia as medidas quando pintava Aveiro, as suas gentes (figuras típicas), as suas tradições (S. Gonçalinho), a sua região (Ria de Aveiro).

Conheci a sua obra, curiosamente, pela mão de um familiar: o saudoso Rodrigo Penicheiro.

Infelizmente, apesra de me ter cruzado duas ou três vezes com ele, não tive o previlégio de conhecer pessoalmente.

Mesmo assim, Zé Penicheiro é destaque e referência nos meus espaços culturais domésticos.

A Arte e a Cultura aveirenses ficaram mais pobres... por força de um dos fundadores da Aveiro/Arte e de tão bem retratar as "imagens e as cores" da região.

Por mim, resta-me a dúvida: e agora, quem vai pintar (tão bem) Aveiro?

R.I.P: Zé Penicheiro.

(painel "Voar mais alto" presente na Universidade de Aveiro)

 

publicado por mparaujo às 11:00

19
Fev 14

Já por diversas vezes aqui aludi à questão da emigração e aos seus impactos na vida pessoal, familiar e no próprio país.

Foram vários os exemplos: “O que esconde 15,3% de desemprego?”; “Surreal: 25 minutos de enorme alarvidade!”; “Do ir ao acolher...”; “Há razões que a razão desconhece”, entre outros.

É indiscutível que o processo de emigração, na sua maioria, é um triste e infeliz regresso ao passado (década de 60). Salvo raras excepções que se prendem com oportunidades políticas, académicas ou de gestão empresarial, os portugueses emigram porque precisam, por mera necessidade, por não encontrarem em Portugal oportunidades de vida e de trabalho.

Sendo certo que um elevado número dos actuais emigrantes portugueses são jovens (e jovens com habilitações) a realidade emigratória não escolhe idades, mesmo que, para os mais “velhos”, as oportunidades e a facilidade de emigrar seja mais condicionada.

Aliás, o “Dinheiro Vivo” na edição de ontem (18-02-2014) traz um interessante trabalho sobre a temática, sob o título “Emigrar. Que fazer à vida familiar?”.

O jornal Público, num excelente trabalho do jornalista Paulo Moura, faz um retrato muito realista do processo da emigração dos menos jovens: “Ei-los que partem pelo direito ao último terço da vida”.

De repente, as redes sociais (e até a imprensa – p. ex. o jornal Público) voltaram à temática da emigração. Tudo a propósito das declarações, e da intenção confirmada, do Fernando Tordo de emigrar para o Brasil (aliás, para onde já foi).

A opção do Fernando Tordo é perfeitamente compreensível e não me merece qualquer reparo, se não a tristeza por ver partir mais um português inconformado com o país. E por me rever na fundamentação da sua opção, lamentando não ter a mesma oportunidade ou coragem.

Para além disso, a divulgação viral do texto do filho do Fernando Tordo, João Tordo, no seu blogue, “Carta ao pai”, veio reacender esta problemática, reflexo da austeridade e das exigências políticas da estratégia para a recuperação económica do país.

Tenho na família (entre primos, tios e cunhada) gente que emigrou há vários anos (demasiados anos, até). Infelizmente, sei o que é o “quebrar” esses laços. Mesmo assim, não consigo colocar-me na pele de quem vê o pai partir, como diz o João Tordo, algo, a determinada altura da vida, contra-natura (passe a expressão).

Mas o que mais estranho, neste contexto, é o aproveitamento político da decisão pessoal do Fernando Tordo em emigrar. A esquerda (por exemplo, Louçã e Catarina Martins) fez logo eco de revolta, as redes sociais indignaram-se com o país por não saber preservar os seus valores culturais. É indiscutível (goste-se ou não) o peso que o Fernando Tordo teve na música portuguesa. Um país que mal soube valorizá-lo, acarinhá-lo, não deixar vazios muitos dos seus espectáculos, promover o seu trabalho, de repente, estranhamente, tornou-se seu “fã incondicional”, onde já todos conhecem a sua obra, as suas músicas, os seus textos, as suas intervenções (também) políticas e sociais. Enfim…

Dói ao João Tordo, dói à família, é pena para muitos portugueses… mas, acredito, um alívio para o Fernando Tordo e para muitos dos que emigram, apesar de todos os riscos e sacrifícios.

publicado por mparaujo às 15:15

05
Fev 14

A discussão da agenda política (jurídica e económica, acrescente-se) nestes dias tem-se centrado sobre a colecção dos 85 quadros da autoria do escultor e pintor surrealista catalão Joan Miró e que fazem parte do património do BPN.

Subscrevo integralmente as posições assumidas por Henrique Monteiro (“Deixem lá os Mirós...”) ou pelo Daniel Oliveira (“Não se vendam os quadros de Miró... baratos”). É insuspeito porque raramente concordo com os dois.

Acrescentado, de forma muito sumário, uma ou outra realidade/questão.

Primeiro, sublinhar o facto de que, repentinamente, surge um movimento social de arautos defensores da cultura (sejam políticos, ex-governantes, comentadores, ou cidadãos), emocionalmente preocupados por um espólio artístico de uma entidade bancária (privada há data em que foram adquiridos e nacionalizada após o “caso BPN”) e que já existia há alguns anos sem que ninguém se importasse ou se incomodasse com tal facto. Mesmo que a tão “valiosa” obra estivasse arrumadinha na penumbra de uma cave e isso não afectasse consciências e morais culturais.

Mais… por muito peso e valor artístico e cultural que se reconheça na obra de Miró, a verdade é que me parece perfeitamente surreal (no mínimo) que se faça desta questão um desígnio nacional. Miró não é património nacional (como felizmente temos tanta obra perdida com a assinatura portuguesa) nem identitário da cultura portuguesa. A arte, tal como o podem sustentar as galerias e o negócio complementar, é, sempre foi e sempre será, vendável e transaccionável. Não vejo porque razão não o será esta colecção na posse do BPN/Estado.

Mais ainda… é “soberbo” verificarmos que, de repente, entre intelectuais, políticos, artistas, cidadãos comuns, surjam mais de 9000 assinaturas contra a venda das referidas obras, mesmo que muitos não saibam quem é Miró (ou quem foi); quais são as obras em causa; onde estavam; quando e como foram adquiridas e para que servirão. Sim, porque não me parece nada razoável e racional que alguém pense que em Portugal se irá rentabilizar um investimento na ordem dos 80 milhões de euros (pagos pelo erário público à custa dos impostos dos que gostam e não gostam de Miró ou do surrealismo) com exposição pública permanente. Chega de ilusões. Isso faz-me recordar (e recuar pouco mais de um mês) a questão do Panteão Nacional: todos dão palpites e comentam, mas desses mesmos, raros são os que já visitaram o Panteão; raros são os que sabem quantos existem (sim, há mais que um Panteão Nacional… dois, precisamente); onde ficam (sim, não é apenas em Lisboa); e quem são os seus ilustres “inquilinos” portugueses (já agora, são 10, faltando transladar mais quatro personalidades, já contando com Eusébio).

Mais ainda… é interessante saber que muitos dos que se insurgem tão ferozmente contra a venda das obras sejam muitos dos que se insurgiram contra o facto do Estado, no anterior mandato socialista e no actual mandato de Passos Coelho, ter gasto um valor significativo (a que muitos chamaram de “roubo nacional”) dos impostos dos portugueses para “salvar”, por interesses públicos duvidosos, um banco privado, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com o BPP.

Por mim… a arte é negociável. Vendam-se os Mirós, de forma justa, claro.

publicado por mparaujo às 14:57

02
Fev 14

O dia em que é divulgado o falecimento do actor (um dos que me prendia ao ecrã) Philip Seymour Hoffman, é "inundado" com a referência ao óscar de melhor actor principal, conquistado em 2005, pelo papel desempenhado em Capote.
Mas entre uma série de filmes que enaltecem o seu excelente desempenho como actor, fica-me para sempre na memória o seu papel no filme Doubt (A Dúvida - 2008), aliás, muito perto de conquistar o óscar de melhor actor secundário em 2009 (assim, como Meryl Streep esteve quase a conquistar a estatueta dourada pelo papel principal).

R.I.P.
O cinema ficou mais pobre.

publicado por mparaujo às 22:50

23
Jan 14
http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/12/%C3%ADndia1.jpg

Venham os argumentos culturais, históricos, sociais, religiosos…

Venha a complexidade do ser humano, o machismo, o feminismo…

Venham os horrores da guerra, das contestações sociais violentas, das repressões policiais…

Venham as tragédias da natureza, o “azar” dos acidentes, os desaparecimentos, os raptos…

Venha tudo...

Por mais que queiram, nada me conseguirá vergar perante aquele que é o maior crime de todos: o desprezo pela dignidade humana.

Com uma referência rápida, num espaço de pouco mais de um ano, é de “arrepiar” o que se passa na Índia em pleno século XXI.

Tudo começou(?) aqui: “Violação de rapariga gera violentos protestos na Índia” (23.12.2012)

Morre estudante indiana vítima de violação coletiva” (28.12.2012)

Novo caso de violação colectiva na Índia” (13.01.2013)

Polícia e médicos "humilham" crianças indianas que denunciam abusos” (07.02.2013)

Turista suíça violada na Índia diante do marido” (17.03.2013)

Detidos dois suspeitos de violar menina de cinco anos na Índia” (22.04.2013)

Freira raptada e violada durante uma semana na Índia” (16.07.2013)

Novo caso de violação colectiva na Índia. Vítima é fotojornalista” (24.08.2013)

Cinco polícias detidos na Índia por violação de jovem de 17 anos” (20.12.2013)

Turista dinamarquesa violada por oito homens na Índia” (15.01.2014)

Mas se tudo isto não fosse suficiente eis que se chegou ao topo da revolta.

Conselho de aldeia indiana ordena violação colectiva de uma mulher” (23.01.2014).

Por mais que os responsáveis indianos tentem alterar o rumo dos acontecimentos (“Índia aprova lei mais dura contra violações”) tudo parece ser insuficiente. Mesmo para uma ONU, tantas vezes preocupada com a democracia de algumas nações, com as supostas aramas químicas ou de destruição maciça, com o negócio do petróleo e com os jogos geopolíticos, só isto não chega e sabe a muito pouco, muito mesmo: “ONU quer debate sobre penas após violação na Índia”.

Tudo isto é Nojento! Asqueroso! Revoltante! Infame!

Enquanto que por cá vamos discutindo o protocolo da saia da assessora do Presidente da República.

publicado por mparaujo às 16:42

07
Set 13

Hoje é dia... de recordar tempos loucos da juventude. Anos 80.

Ao fim de cerca de 30 anos de separação, os JáFu'Mega regressam aos palcos.

Hoje é dia... de os recordar no Teatro Aveirense, pelas 22:00 horas.

Recordar é lembrar (bem alto) isto (Ribeira)

e isto (Nó Cego)

publicado por mparaujo às 15:00

11
Ago 13

Publicado na edição de hoje, 11 de agosto, do Diário de Aveiro.

Cagaréus e Ceboleiros

Regeneração histórico-cultural

Há duas semanas a menção neste espaço recaiu sobre o Sal (Salgado Aveirense) como referência do património social e cultural da história de Aveiro. Aí foi focado um dos aspectos mais importantes para a vitalidade e sustentabilidade de uma comunidade: a sua regeneração urbana como factor de preservação da história e cultura dessa mesma comunidade. Embora o conceito de regeneração/reabilitação no campo do planeamento urbano seja bastante abrangente, não recaindo exclusivamente sobre o edificado, o facto é que uma das importantes vertentes da história do Salgado Aveirense reside no seu património edificado – os palheiros do sal, para além, obviamente, das marinhas.

Apesar do Salgado Aveirense, que marcou, juntamente com a cerâmica, o património histórico de Aveiro, ter vertentes ambientais, económicas, sociais e culturais que definiram um passado da cidade e da região e que marcaria o seu futuro, o seu edificado (os Palheiros do Sal), concretamente o que ainda resta na zona envolvente ao Canal de S. Roque é parte importante e relevante desse património e dessa história que construíram Aveiro. A temática tem sido, recentemente, alvo de “atenção” por parte de vários aveirenses após o conhecimento público da eventual perda dos Palheiros do Sal do estatuto de Imóvel de Interesse Público. Curiosamente, para não usar outra adjectivação, após o despacho de homologação do Ministério da Cultura, em 2003, que classificou os “Palheiros do Sal” como Imóveis de Interesse Público que os mesmos, por falta de publicação em Diário da República, mantêm a inqualificável situação de “em vias de classificação”.

É indiscutível que o desaparecimento ou mesmo a transformação dos palheiros significa a perda de uma parte considerável da história aveirense e logo quando é notícia o aumento do número de marinhas (de sete para oito) para a safra deste ano (ver Diário de Aveiro de 26 de junho de 2013). É certo que é apenas mais uma (por enquanto) mas contribui para que uma parte significativa e importante da história e identidade aveirense não desapareça. Para isso já bastam os barreiros, a cerâmica, o azulejo, os moliceiros sem proa e a “raiar o veneziano”, as muralhas, o aqueduto, as várias festas (Sra. das Febres, por exemplo) e feiras (a da cebola). O facto é que a tradição e a identidade se mantém com o “dia da botadela” nas marinhas da ‘Santiaga da Fonte’, ‘Passã’, ‘Troncalhada’, ‘Grã Caravela’, ‘Senitra’, ‘Peijota’, ‘Puxadoiros’ e ‘18 Carbonetes’ (pelos menos de forma conhecida).

Com a promoção e criação em inúmeras localidades e recônditos do país de diferenciados centros de interpretação e educação, tendo a autarquia adquirido e preservado uma das poucas marinhas em safra como ecomuseu (Marinha da Troncalhada), parece ser indiscutível que é desejável que uma parte da história do salgado aveirense seja também preservada: os palheiros. Nem que seja como centro interpretativo ou “museu do sal”, incluindo parte comercial como, por exemplo, da flor do sal, artefactos, trajes ou até moliceiros. Não apenas como mera transformação urbanística ou arquitectónica (não tem qualquer significado ou sentido passar por um bar ou restaurante na zona do Canal de S. Roque e dizer” aqui foi um palheiro de sal”) mas como preservação da cultura e história aveirense.

É um facto que a reabilitação do edificado, concretamente em edifícios degradados e devolutos, tem falhas legais enormes que desresponsabilizam proprietários (sejam privados ou públicos) e as próprias comunidades. E neste caso a especulação imobiliária falou mais alto que a história e a cultura. Ao ponto da autarquia não conseguir reaproveitar o Palheiro do Sal do qual é proprietária. E, neste caso, deveria ser exemplo até para os proprietários privados. Porque o que está mesmo em causa não é o conjunto de “Palheiros” que se situam na zona sudoeste do Canal, até porque estes foram transformados e perderam a sua identidade. O que está mesmo em causa é o conjunto de “Palheiros” na zona nordeste e que, apesar do estado de degradação, ainda representam a história do Salgado de Aveiro.

Com o aproximar de um novo quadro de apoios comunitários, com tantas parcerias público-privadas e memorandos de entendimento, com financiamentos adequados, não será difícil encontrar e captar verbas necessárias para a regeneração e preservação histórico-cultural dos “verdadeiros” Palheiros do Sal e criar um centro de interpretação ou museu interligado com a Marinha da Troncalhada, o Sal e a Ria de Aveiro, conservando a identidade da sua história e das suas gentes.

Uma boa oportunidade para, em ano eleitoral e face aos compromissos que assumirão com os cidadãos, os candidatos à gestão da autarquia aveirense olharem para a importância de se preservar a identidade da comunidade como factor de desenvolvimento e de progresso. Tal como sugere a Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Protecção do Património ao elaborar uma carta de recomendação sobre a reabilitação urbana e a protecção do património dirigida a todas as candidaturas das próximas eleições autárquicas. No “Enquadramento Geral” dos objectivos da carta de recomendação, entre outros, podemos destacar: "a reabilitação urbana é um vector fundamental do desenvolvimento urbano sustentável, inteligente e inclusivo (em sintonia com o postulado na Declaração de Toledo de 2010) e que por isso tem que ser assumida como uma estratégia urbana integrada. Uma estratégia que se legitima por argumentos de natureza diversa: (…); de natureza social (identidade local; qualidade do ambiente urbano e de condições de vida; novas centralidades; coesão e inclusão social); (…); de natureza histórico-cultural (a cidade, nas suas múltiplas dimensões - patrimonial, morfológica, funcional, social, económica, imaterial – como bem colectivo que importa preservar e que contribui para a atractividade das cidades); (…)."

Como aveirense “Cagaréu e Ceboleiro”.

publicado por mparaujo às 14:19

04
Ago 13

Publicado na edição de hoje, 4 de agosto, do Diário de Aveiro.

Cagaréus e Ceboleiros

Farav 2013: de novo o Rossio?!

A Feira de Artesanato, que hoje termina, voltou a ocupar o espaço do Rossio, na sua 34ª edição. Entendo que a repetição da realização no Rossio da principal Feira de Artesanato de Aveiro se deva ao facto das entidades organizadoras acharem que esta localização é bastante positiva para o sucesso da FARAV.

Duas notas prévias. Por motivos de férias coincidentes com a realização do evento não pude visitar a feira. Por outro lado, desconhecendo o balanço que possa ser feito pelas entidades promotoras do evento (AveiroExpo, Câmara Municipal, “A Barrica” e o Instituto de Emprego e Formação Profissional), por uma questão de coerência com tudo o que defendi desde 2009, atrevo-me a repetir a minha convicção e opinião sobre a realização da FARAV no Rossio.

As razões que levaram à sua transferência do Parque de Exposições de Aveiro para uma das zonas centrais da cidade, em 2010, prenderam-se com a pouca afluência de público e fraca visibilidade do certame. Realidades que são um facto e que os dados estatísticos vinham confirmando, ano após ano. Acrescia a esta conjuntura alguma insatisfação dos artesãos e expositores.

No final da edição de 2009, numa entrevista que efectuei para o Boletim Municipal, foi-me transmitido que aquela edição tinha sido a melhor dos anteriores cinco anos (com cerca de 150 expositores). Recordo ter inquirido alguns dos visitantes e ter encontrado, por exemplo, quem tenha vindo, propositadamente, de Oliveira de Azeméis até Aveiro para visitar a feira. A par do artesanato havia ainda a vertente gastronómica que era uma excelente atractividade. Mas lembro, igualmente, as palavras do presidente da Associação dos Artesãos (A Barrica), Evaristo Silva que focou a necessidade de se repensar a feira, de cativar os artesãos, e, fundamentalmente, da importância que existe na necessidade dos aveirenses se sentirem mais ligados à FARAV (a par de uma maior atracção de público à exposição). Daí que insista na minha (modesta) perspectiva. Como sempre defendi, entendo que a FARAV deveria manter-se no Parque de Exposições. Apesar da centralidade não acho que seja por se realizar no Rossio que a FARAV se vá aproximar dos aveirenses, nem que aquele espaço seja o mais adequado para o certame (seja pelas infra-estruturas reduzidas, seja pelas acessibilidades, pelo trânsito, pelas escassez de estacionamento – no fundo, a centralidade situa-se no meio de muito caos urbano). E não colhe, por comparação, por exemplo, o argumento da distância ou da localização do Parque de Exposições. A Feira de Março sobe o seu número de visitas ano após ano, a Automobilia tem sempre “lotação” esgotada, a Expofacic em Cantanhede tem já uma mega dimensão e o Festival do Bacalhau, no Jardim Oudinot – Ílhavo, para onde se deslocam milhares de aveirenses, ou até as simples(?) “feiras dos 28”. Daí que a questão da distância ou localização seja secundária (se não teríamos de fazer regressar a Feira de Março ao seu local de origem: o mesmo Rossio).

A questão da FARAV, como eventualmente a Feira do Livro, passa por dimensioná-la, estruturá-la, quem sabe repensar a sua duração, mas principalmente torná-la mais atractiva, promovendo, a par do artesanato, outros momentos e motivos de interesse para os cidadãos.

Porque não repensar alguns dos acontecimentos que, isoladamente, vão proliferando no calendário e refundir?! Não me parece descabido existir uma Feira do Artesanato, da Gastronomia e do Livro simultaneamente e no mesmo espaço físico. Ou ainda acrescentando o Festival de Folclore.

Reconhece-se, hoje, que o sucesso de adesão do público à tradicional e histórica Feira de Março, em parte, se deve também ao cartaz musical que a complementa (tal como noutras feiras, noutros locais). Seria interessante que a Feira de Artesanato pudesse ter a mesma complementaridade cultural com qualidade e que cativasse a população e os turistas que acorrem a Aveiro, nesta altura do ano.

Por último, tal como um congresso se deve realizar no espaço próprio – o Centro de Congressos; o teatro e a dança devem ocupar a sua “casa” natural e por excelência – o Teatro Aveirense; o futebol deve encher as bancadas do Estádio Municipal de Aveiro; as exposições devem abrir portas no Museu da Cidade ou nas Galerias Municipais; do mesmo modo, as feiras por excelência devem merecer o seu destaque e a sua valorização no seu espaço próprio – o Parque de Exposições de Aveiro, sem querer menosprezar a realização de eventos no espaço público.

Há que valorizar uma feira que merece um destaque e um lugar privilegiado em Aveiro: a FARAV, pelos seus 34 anos de existência.

publicado por mparaujo às 14:51

30
Mai 13

Arranca hoje, até ao próximo dia 10 de junho, a Feira do Livro e da Música 2013, em Aveiro. Uma organização da Câmara Municipal de Aveiro e da sua Biblioteca Municipal.

O evento tem lugar marcado no Rossio e este ano conta com a presença de 13 livreiros/distribuidores/editores, estando representadas mais de 200 editoras.

Durante os dias em que decorre a feira, será apresentado um conjunto de eventos como a literatura infantil, a hora do conto, sessões de autógrafos, poesia, teatro, música, ateliers e workshops diversos.

De destacar que já neste Sábado, no dia 1 de junho, assinala-se o Dia Mundial da Criança com a realização de várias atividades para as crianças, entre as 10.00 e as 18.30 horas.

O horário da Feira do Livro e da Música 2013 é o seguinte: de segunda a quinta-feira das 17.00 às 23.00 horas; às sextas-feiras das 17.00 às 24.00 horas; sábados das 10.00 às 24.00 horas; e aos domingos e feriados das 10.00 às 23.00 horas.

(o programa completo da Feira do Livro e da Música 2013)

publicado por mparaujo às 09:55

21
Mai 13

O júri da XI Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro - 2013, promovida pela Câmara Municipal, seleccionou, numa primeira triagem, 73 obras da autoria de diferentes artistas.

A XI Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro recebeu 151 inscrições de 23 países diferentes, mais seis do que em 2011: África do Sul – 1; Alemanha – 3; Argentina - 2; Austrália – 1; Bélgica – 4; Brasil - 7; Bulgária – 2; Canadá – 2; China – 2; Eslovénia - 6; Espanha – 27; Estados Unidos da América – 5; Irlanda – 1; Israel – 1; Itália - 15; Japão - 2; Lituânia - 2; Noruega – 1; Polónia – 2; Portugal - 58; Reino Unido – 4; Sérvia – 1 e Ucrânia -2.

Das 244 obras apresentadas a concurso, o júri, nesta primeira fase, seleccionou 73 obras. A próxima reunião será no dia 28 de junho, já perante os trabalhos a concurso. Neste encontro, ficarão já definidas as obras que serão expostas no Museu de Aveiro, de 5 de outubro a 10 de novembro.

A Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, promovida pela Câmara Municipal de Aveiro, é um dos mais importantes concursos dedicados à cerâmica artística que se realiza em Portugal, sendo reconhecido internacionalmente como uma relevante mostra de novas técnicas e linguagens utilizadas na criação de cerâmica artística.

A XI Bienal Internacional de Cerâmica Artística, a exemplo de anos anteriores, pretende contribuir, de forma efectiva, para o desenvolvimento sociocultural e estimular a experimentação e a criatividade; procura ser um espaço aberto ao diálogo, à divulgação e ao confronto de tendências e de contacto com os conceitos actuais de cerâmica artística; tem ainda como objectivo essencial divulgar os caminhos mais significativos da cerâmica artística contemporânea que se faz pelos cinco continentes; mostrar a diversidade formal e a renovação estética que se vem processando, bem como as capacidades dos novos materiais e técnicas postas ao serviço da arte.

O júri desta edição de 2013 (a décima primeira) é constituído por Paula Matos (responsável pelo desenvolvimento dos Projectos Históricos e Especiais na Fábrica de Porcelana da Vista Alegre); Jorge Frade (professor Catedrático no Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica da Universidade de Aveiro) e Francisco Laranjo (director da Faculdade de Belas Artes do Porto).

publicado por mparaujo às 22:03

12
Fev 13

Este é o verdadeiro Carnaval português... o simples, o tradicional, o livre, o de "arruada".

Caretos de Podence (Macedo de Cavaleiros).

Por um Portugal português... porque para perdermos a identidade já nos basta a Troika.

publicado por mparaujo às 14:33

02
Fev 13

Num claro sentido de cidadania e no pleno exercício do direito à participação têm surgido vários sinais de preocupação, de reflexão e de propostas para repensar o futuro da cidade de Aveiro. Nomeadamente no que diz respeito ao centro da cidade, ao seu espaço público, espaço urbano, comércio, empreendedorismo e cultura.

Para já, uma nota de louvar (não querendo retomar qualquer polémica ou crítica). Ao contrário do que em determinado momento, mesmo que pontual, pareceu ser um aproveitamento político dum direito claramente cívico, os 'espaços públicos de intervenção' que têm surgido, seja a nível individual, de grupos de cidadãos ou de entidades públicas (como a Associação Comercial de Aveiro, a Universidade de Aveiro ou a Câmara Municipal) ou associativas (como o projecto na área social: Aveiro +Intercool II), têm-se mantido, de forma coerente e consistente, muito para além da esfera político-partidária. Assim, vale a pena.

Exemplos:

Amigos d'Avenida

AGIR

Aveiro Empreendedor

Aveiro +Intercool II

O Centro da Cidade Vende

Roteiro de Participação

Pensar Aveiro

Pensar o Futuro - Aveiro 2020

publicado por mparaujo às 17:31

12
Dez 12

Publicado na edição de hoje, 12 de dezembro, no Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Quem “tevê”…

Desde o passado mês de novembro que está oficialmente anunciado o final, em dezembro deste ano, do programa diário da RTP2, “Diário da Câmara Clara”.

Desde maio de 2006, há seis anos, que o programa destacava, analisava, reflectia, criava massa crítica sobre a cultura. Permitam-me a correcção… sobre a CULTURA. Sim… “em grande”: literatura/escrita, música, arquitectura, artes plásticas, design, cinema e teatro, mas também a história, a ciência e a inovação. Tudo o que é ideia e arte marcou presença nas edições do programa.

Sem me debruçar, por enquanto, sobre as tormentas que assolam a televisão pública (e o respectivo grupo), seja ao nível da sua estrutura, seja quanto ao seu futuro e sustentabilidade, seja ao nível da sua gestão interna (não só jornalística), a verdade é que muita coisa não vai bem no reino da “caixa mágica”.

Primeiro porque a magia vai sendo cada vez menor e mais fugaz. Há cada vez mais novos desafios comunicacionais de dimensão global e de maior interactividade.

Segundo, são igualmente cada vez mais pressionantes os novos desafios que se colocam à informação, seja pela sua natureza, missão ou sustentabilidade (sim… não é possível fazer jornalismo sem dinheiro).

Por último, a televisão, com maior responsabilidade para a que tem, por natureza, a obrigação da prestação de serviço público, tende preocupantemente a cair na rede da imbecibilidade, do vazio de valores, da “aculturação”, da ficção e no mercantilismo da realidade, na projecção do facilitismo e da “glória efémera”. E isto desvirtua projectos, quebra consistências, aniquila a criação de massa crítica nas comunidades e nos cidadãos.

É certo que nada, nem ninguém, é insubstituível, independentemente do valor profissional que a jornalista Paula Moura Pinheiro (com a devida extensão à sua equipa) tem e sempre demonstrou ter. Inclusive na “hora da despedida” (entenda-se o comunicado a anunciar o fim do programa no final de dezembro de 2012), nem o facto de o programa sofrer qualquer tipo de quebra de qualidade (já agora chama-se a atenção para a edição do próximo dia 16 de dezembro). No entanto, usar, exclusivamente, razões económicas para se terminar com um dos melhores espaços televisivos nacionais (por exemplo, a par com o Sociedade Civil, também na RTP2) é sintomático do valor que hoje se atribui à informação, à programação e à comunicação.

Quando se retomou a discussão da viabilidade da RTP (porque o processo não é, de facto, novo) por mais que uma vez aqui, neste espaço, defendi que o Governo e a Administração tinham uma solução para a redução de custos no canal público: para tal bastava juntar o que de melhor tem a programação da RTP2 com o que de melhor tem a informação na RTP Inf num único canal. O difícil seria, eventualmente, escolher, porque qualidade não falta nas duas grelhas, deixando a RTP1 para a exclusividade da programação generalista.

Mas as várias Administrações e este Governo insistem que a vida e a sociedade gira em torno de folhas de excel, de cálculo financeiro. Infelizmente não percebem que há realidades sociais que não têm preço.

O saber, o valor, a crítica, a qualidade, a cultura e a arte, são valores que não têm preço pela importância e relevância que têm na construção do espaço público e do desenvolvimento das comunidades.

Se a RTP2 pode substituir o “Diário da Câmara Clara”, a jornalista Paula Moura Pinheiro e a sua equipa? Pode… mas não será a mesma coisa.

Nem tudo o que é legítimo é inquestionável.

publicado por mparaujo às 06:57

19
Out 12

Sei que a "principal" (?) característica de Manuel António Pina era a de escritor: é vasta a sua obra infanto-juveni, são vários as suas obras poéticas, com lagumas incursões na escrita para o teatro e na ficção.

Como poesia não é, propriamente, uma das minhas opções literárias, sempre associei e identifiquei Manuel Pina na comunicação social/jornalismo, nomeadamente pela sua longevidade nas páginas do Jornal de Notícias.

Quando soube da notícia, a meio da tarde, esta foi a minha reacção:

Morreu Manuel António Pina.
Escritor, Jornalista, Cronista
A escrita e o jornalismo não serão mais o que eram com Manuel Pina.
As palavras também não...
R.I.P.

Há uma página do Jornal de Notícias que vai ficar, para sempre, vazia.
Há um espaço na prateleira dos livros que ninguém vai preencher.
Obrigado por tudo...

Por sinal, é grande o reconhecimento da importância cultural e social de Manuel António Pina.
Felizmente que a última página do Jornal de Notícias será sempre olhada com respeito e saudade: "Na TSF, o director do Jornal de Notícias (JN), Manuel Tavares, recordou um «grande amigo e cidadão português» e garantiu que «naquele espaço [na última página do jornal] mais ninguém escreverá»" (fonte: tsf).

Manuel António Pina nasceu no Sabugal a 18 de Novembro de 1943. Licenciou-se em Direito, em Coimbra, mas foi jornalista. Não largou o Jornal de Notícias (JN) durante 30 anos. Repórter, redator, editor, chefe de redação, e assinou, até ao dia 3 de agosto, no JN, da crónica "Por Outras Palavras" (fonte: tsf).

publicado por mparaujo às 22:42

25
Set 12

A Orquestra das Beiras vai levar ao palco do Teatro Aveirense, no próximo dia 30 de setembro, o 4º concerto do "Ciclo Beethoven - 2011/2013 - Integral das Sinfonias e dos Concertos para Piano".

O programa enquadra-se nas comemorações do Dia Mundial da Música e é, na sua totalidade, da autoria do compositor Ludwig van Beethoven: Abertura Leonora nº1, Concerto para Piano e Orquestra nº 1 em Dó Maior e Sinfonia nº 2 em Ré Maior.
A Orquestra das Beiras será dirigida pelo maestro Ernst Schelle e terá como solista a jovem pianista Ana Beatriz Ferreira.
O projecto "Ciclo Beethoven - 2011/2013" apresenta oito concertos onde serão incluidas várias obras: Aberturas, a integral das nove Sinfonias e dos cinco Concertos para Piano, a Fantasia Coral, o Triplo Concerto para violino, violoncelo, piano e orquestra, de Ludwig van Beethoven, executados por alguns dos principais pianistas portugueses.


Programa:

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
    – Abertura Leonora nº1, op. 138
    – Concerto para piano nº 1 em Dó Maior, op. 15
        I. Allegro con brio
        II. Largo
        III. Rondo. Allegro scherzando
    – Sinfonia nº 2 em Ré Maior, op. 36
        I. Adagio molto: Allegro con brio
        II. Larghetto
        III. Scherzo: Allegro
        IV. Allegro molto

Intervenientes:
Orquestra Filarmonia das Beiras
Ana Beatriz Ferreira, piano
Ernst Schelle, direção

publicado por mparaujo às 22:37

29
Ago 12

Publicado na edição de hoje, 29 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

O valor da identidade…

Não está em discussão o valor da cultura. Esse é, e será sempre, uma questão cheia de controvérsia e cheia de lugares comuns: a cultura não gera receitas; a cultura só traz encargos (e muitas vezes elevados); é pouco perceptível e quantificável o retorno do investimento cultural e da produção cultural; a cultura não coloca “pão” na mesa em tempos de crise; etc.; etc.; etc. E há ainda quem acrescente a dúvida sobre o que é cultura, a quem se destina, a sua qualidade, … Não caberia neste espaço tamanha dimensão opinativa.

Falo de um outro valor: a identidade cultural e social de uma comunidade, de um povo, reforçando a interrogação: que preço, quanto vale, uma identidade cultural, histórica e social de uma comunidade? A pergunta surge após várias notícias que dão conta do estado de degradação e da venda de palheiros de sal no Canal de S. Roque, bem como a venda da histórica e antiga fábrica de higienização do sal – Vitasal.

Aveiro já tem enormes e conhecidas dificuldades em preservar e promover um dos patrimónios naturais mais valiosos: a Ria e toda a zona lagunar (incluindo a região concelhia do Baixo Vouga). Navegar nos canais exteriores da ria é uma aventura e uma desilusão provocado pelo estão de degradação das margens e das salinas, ao ponto de haver quem defenda, como referiu há dias o Dr. Domingos Maia, a urgência de uma campanha “limpar a Ria”, tal é a dimensão do atentado ambiental que se verifica. Isto, para não falar do estado de limpeza dos canais urbanos, nomeadamente o central. Além disso, por diversas e inúmeras razões, umas por intervenção humana, outras por factores naturais, Aveiro perdeu uma das suas imagens de marca, uma das suas referências históricas: as salinas e o salgado aveirense. A custo, a Universidade de Aveiro mantém uma marinha para investigação, a Câmara Municipal mantém uma marinha (a Marinha da Troncalhada) como ecomuseu, e restam duas ou três em exploração particular. O sal deixou de ser sustentável e o preço da tal preservação da identidade de uma comunidade afigura-se demasiado alto, apesar do seu valor histórico e social.

Tal como a azujelaria, a cerâmica e o barro.

Aproximam-se dias em que Aveiro muito pouco ou nada terá para mostrar do que é a sua verdadeira identidade, mesmo que se qualifiquem os palheiros como imóveis de interesse público (desde 2003). A verdade é que não há capacidade de investir na identidade aveirense. E o discurso futuro a bordo dos moliceiros nos passeios (entenda-se, corridas) nos canais urbanos será algo: “aqui resta imaginar a existência de uns armazéns em madeira onde se recolhia o sal e que diziam chamar-se palheiros e uma antiga fábrica. Agora temos lindas casas e um colossal prédio”. Mudam-se os tempos… muda-se e afunda-se Aveiro, numa responsabilidade colectiva. Sim… de todos!

Por último, regressando à premissa inicial, a cultura tem de facto um preço que ninguém, nem nada, pode pagar. O preço de vermos desaparecer alguém que é uma marca indiscutível, uma imagem inquestionável do barro, da cerâmica, da escultura, do azulejo, da cultura aveirense, é impagável.

O artista José Augusto, mais conhecido por Zé Augusto, faleceu esta segunda-feira. Sendo certo que o seu legado patrimonial e artístico permanecerá, assim se espera, na identidade cultural aveirense (porque todo ele ligado a uma das referências patrimoniais do concelho: o barro, o azulejo e a cerâmica), também não deixa de ser verdade que, independentemente da razão natural da vida, Aveiro fica muito mais vazia, insubstituivelmente vazia, porque “partiu” uma das expressões vivas da identidade artística aveirense, com referências directas e intrínsecas ao valor patrimonial da identidade histórica, cultural e social da região: o sal, a ria, o barro, a cerâmica e o azulejo.

Aveiro só tem uma palavra: Obrigado, Zé Augusto.

Ao menos que se preserve na memória colectiva os verdadeiros “palheiros culturais” da vida e da história de Aveiro.

publicado por mparaujo às 10:16

11
Ago 12

(fonte da foto: eduardo pina / diário de aveiro)

Alguma coisa não bate certo na avaliação da 33ª edição da Farav. A começar pelos números. A empresa municipal AveiroExpo aponta a passagem pela FARAV 2012 de cerca de 62 mil visitantes. Números que alguns artesãos acham estranhos e não confirmados pela associação dos artesãos “A Barrica”. Além disso, num espaço aberto, sem cobrança de acessos/entradas, sem qualquer mecanismo de contagem, qualquer número que se indique é, obviamente, possível (foram indicados 62 mil, como seriam válidos 10 mil ou 100 mil). Mas a verdade é que aqueles que estiveram na feira, e fizeram a feira de artesanato mais importante de Aveiro, não gostaram do espaço, não valorizaram a troca de local, e queixaram-se do menor volume de vendas, que a crise, por si só, não justifica.

Foram várias as minhas reservas em relação à saída da FARAV do Parque de Exposições de Aveiro, pelas razões que já apontei (aqui, aqui, aqui).

Face às contingências que o Rossio vive, nos dias de hoje, achei que seria importante fazer regressar a FARAV ao Parque de Exposições (juntamente com outros eventos) ou encontrar outras soluções de espaço público, juntando (algum) Rossio, Praça Melo Freitas, Rua Direita, Praça da República, Praça Marquês de Pombal… o Parque D. Pedro ou, ainda, o Canal de S. Roque. Mas a opção recaiu sobre um local que, apesar de ser aprazível, não tem as condições, nem as características para um evento com as dimensões que se pretendem para transformar a FARAV numa grande feira. Para além dos inconvenientes de degradação de um espaço e equipamentos públicos.

Nunca deixei de pensar nas palavras que me foram transmitidas pelo presidente da “A Barrica”, Evaristo Silva, numa entrevista em 2009, no final da 30ª edição da FARAV: este espaço (Parque de Exposições) tem todas as condições de excelência, esta foi uma das melhores edições (número de artesãos, diversidade, qualidade), mas havia que repensar a feira, de cativar os artesãos, e, fundamentalmente, da importância que existe na necessidade dos aveirenses se sentirem mais ligados à FARAV. Infelizmente, continuo a achar que não se foi pelo caminho mais adequado para a valorização do artesanato e de Aveiro. Não se repensou… apenas se deslocou o evento com, evidente, perda de condições. Ainda não perdi a esperança que o presidente Evaristo Silva me dê razão e promova o regresso da FARAV ao Parque de Exposições de Aveiro.

O problema não está no espaço. Veja-se o caso de Ílhavo e o local onde se realiza a Feira do Bacalhau (onde se esperam mais de 100 mil visitantes no Jardim Oudinot), a feira de Cantanhede com milhares de visitantes.

A questão está na escala e redimensionamento da FARAV, na capacidade de agregar outros eventos como a gastronomia, a feira do livro e da música (em vez de se andar a realizar feirinhas sem impacto), adicionando motivos de atractividade (diversão, lazer e espectáculos).

De outra forma, aquela que é uma das mais antigas feiras de artesanato do país não vai passar disso mesmo… uma simples feira de artesanato como as que se fazem por esse país fora em qualquer altura e espaço.

A FARAV, e consequentemente a Barrica e os aveirenses, merecem uma Feira de Artesanato com dignidade e com relevo.

publicado por mparaujo às 17:57

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