Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

18
Nov 17

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O Dia Nacional do Mar (16 de novembro) foi, e ainda está ser, assinalado com um conjunto de acções no Museu Marítimo de Ílhavo, ao mesmo tempo que se encerraram as comemorações do 80º aniversário do Museu (8 de agosto de 1937 / 2017).

Do conjunto de actividades programadas pela Autarquia e pelo Museu destaque para a visita guiada à exposição "Invisível" que estabeleceu uma ponte, um reflexo, entre as peças que suportam a exposição permanente e o que é o lado "invisível" de um museu: a sua reserva e o seu arquivo. A visita proporciona simultaneamente a possibilidade de percorrermos todo o museu e olhar para as suas diferentes facetas (mar, ria, objectos, faina, história, aquário) com uma diferente perspectiva que simples (??? um verdadeiro eufemismo) fotografias transportam para a curiosidade do lado "escondido" de um museu.

O "outro lado" que se descobriu no final da visita, em pleno espaço da reserva onde habitam os "segredos" que o Museu tem ainda para desvendar.

Mas a nota de destaque das comemorações do 80º aniversário do Museu Marítimo de Ílhavo vai para uma excelente coincidência ao nível da numerologia. A cerca de mês e meio para o final do ano, o Museu Marítimo de Ílhavo ultrapassou, esta semana, o registo das 80 mil visitas.

Um número impressionante que espelha a importância museológica do Museu Marítimo de Ílhavo diferenciador pelo seu carácter único e singular focado no mar, nas embarcações, na faina, no bacalhau, na ria e, essencialmente, pela sua natureza histórico-social pela preservação da memórias das suas gentes, objectos e tradições. A toda esta realidade acresce ainda a importante vertente de investigação e científica (CIEMar) que complementa e "alimenta" a essência museológica.

Exemplos mais que suficientes para comprovar o trabalho cultural da Autarquia e a gestão de excelência do Museu Marítimo de Ílhavo, através do seu director Álvaro Garrido e de toda a equipa que o compõe.

publicado por mparaujo às 21:06

15
Nov 17

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No início deste mês o projecto de crowdfunding do João Vieira para a edição de trabalho de originais ganhou, merecidamente, lugar de destaque aqui no Debaixo dos Arcos.

Com o mesmo mérito e merecimento, João Vieira volta a ser destaque no Diário de Aveiro, num trabalho de página completa assinado pelo jornalista Adérito Esteves.

Clicar na imagem para aceder ao recorte completo da notícia.

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Faltam apenas 21 dias.

Mecenato: crowdfunding da Verkami.

publicado por mparaujo às 11:14

11
Nov 17

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Não tem havido tema mais criticado e polémico na agenda de hoje, mesmo que no país haja, de facto, assuntos mais prementes (por exemplo, saúde e educação... lá iremos)

Mas o facto é que muitos portugueses indignaram-se com a realização do jantar de encerramento da Web Summit 2017 que teve lugar, pasme-se, em pleno Panteão Nacional (na Igreja de Santa Engrácia) mesmo ao lado dos túmulos de Amália, Eusébio, Humberto Delgado, Aquilino Ribeiro, Óscar Carmona, Teófilo Braga, Guerra Junqueiro, Sidónio Pais, Manuel de Arriaga, João de Deus e Almeida Garret. Onde podia estar também o Nobel da Literatura, José Saramago, entre outros, não tivesse expresso vontade contrária.

É certo que se não fosse o condenável, indigno e criticável jantar da feira web summit em pleno centro patrimonial e histórico nacional muito poucos seriam os portugueses que saberiam que tais eventos estão, desde 2014 (em plena governação de Passos Coelho pela mão do então Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier) perfeitamente enquadrados legalmente (Diário da República, 2ª série, nº122, de 27 de junho de 2014) e permitidos sob autorização e despacho prévios por parte da Direcção-Geral do Património Cultural, seja no Panteão Nacional (na Igreja de Santa Engrácia), nos Jerónimos ou whatever, infelizmente por razões meramente economicistas.

E o facto de tal regulamentação ser oriunda da governação de Passos Coelho não é, para o caso, displicente.

É que sem que a maioria das críticas tivesse tecido qualquer contextualização político-partidária, a verdade é que muitos socialistas viram-se na obrigação partidária de vir a terreiro tentar limpar a imagem política do Governo. E mal... tiveram dois anos para "limpar" a Lei e nada obrigava a cedência e autorização para a realização do evento por parte do Ministério da Cultura (tal como descreve o artigo 3º - Princípios gerais do contexto legislativo: «1. todas as actividades e eventos a desenvolver terão de respeitar o posicionamento associado ao prestígio histórico e cultural do espaço cedido. (...) 3. Serão, ainda, rejeitados os pedidos que colidam com a dignidade dos Monumentos (...).»).

Mais ainda... a autorização cheira a submissão e favor e vale muito pouco a reacção de chocado ou de indignação de António Costa porque não é convincente a pretensão do Primeiro-ministro em querer mudar o enquadramento legislativo. É hipocrisia política.

Não fosse o coro de críticas e, eventualmente, o ininterrupto tocar do telemóvel do Primeiro-ministro (importa referir que há muito familiar vivo dos actuais "inquilinos" do panteão Nacional) tudo tinha permanecido na mesma e sem qualquer preocupação governativa. Não é credível, nem compreensível, que o Primeiro-ministro, orador na Web Summit, não soubesse do evento ou até o seu Gabinete, acrescido ainda do facto de haver membros do Governo no jantar. Não nos façam de burros.

Soa a indignação de "lágrimas de crocodilo". Não queiram fazer o povo estúpido só para tentar limpara a "borrada" (grave) que foi feita. E nem colhe a tentativa fracassada de passar culpas para a anterior governação. Sendo certo que a infeliz e inaceitável legislação vem datada de 2014 também é verdade que a mesma não obriga a "deferimento obrigatório".

publicado por mparaujo às 17:31

05
Nov 17

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Com um abraço ao João Vieira...

Dia 11 de maio de 1982 (tinha que ser maio, claro) é a data de registo do nascimento de um gafanhense / aveirense / cidadão do mundo / adoptivamente catalão (sem a conotação conjuntural actual).

Seriam longas algumas histórias que a memória vai resguardando do tempo.

O que interessa agora é uma em particular... em casa havia (penso que ainda há) um piano, mas curiosamente seriam "os tachos, os testos e as colheres de pau" a marcar o ritmo da opção profissional e artística, para além do modo de vida.

A passagem pelos estudos secundários na Escola Homem Cristo (Aveiro) não preencheram a paixão. Seria o conservatório e as escolas de música a cumprir a sua função. Acresce a sorte de ter a tia como vizinha e não propriamente alguém "duro de ouvido" para a música e sem paciência e compreensão para o soar e rufar de caixas, tambores e pratos de uma bateria. Estilos havia (e hoje haverá mais ainda) para todos os gostos e feitios... o feeling, o infinito criativo do improviso, impôs um compromisso assumido desde a primeira hora, qual amor à primeira vista, com o jazz.

Compromisso que o levou aos estudos em Barcelona, a uma passagem por terras do Tio Sam, e ao regresso profissional e criativo a Barcelona.

É já significativo o percurso musical, o estudo constante, o trabalho criativo, as participações artísticas.

Ainda têm lugar de reserva, merecida, cinco composições que constituíam uma maquete pública, penso que de 2006 (se a memória não me falha) do trabalho produzido pelo Zenhit Quartet. Ainda está presente uma interessante passagem ao vivo pelo Mercado Negro, em Aveiro.

Passados estes anos, é assumidamente a altura para o importante passo da gravação e edição de um trabalho inédito. Vertente criativa pronta falta o outro lado da arte: o financiamento. O projecto de crowdfunding, via Verkami, arrancou há nove dias, restando 31 e leva já 35% do objectivo cumprido. As nove composições deste trabalho inédito do músico/compositor/professor João Vieira só verão a luz ao fundo do túnel cumpridos os restantes 65%.

E já só restam 31 dias...

Mecenato: crowdfunding da Verkami.

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publicado por mparaujo às 14:38

26
Out 17

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Não sei se alguma vez alguém conseguirá quantificar o valor da história no desenvolvimento das comunidades.

Mas é mais que óbvio que cada comunidade, hoje, no presente, é estruturalmente aquilo que foi a sua história, o seu passado, e o peso que essa história representou no desenvolvimento e na consolidação social, cultural e económica.

Não há presente, nem faz sentido projectar o futuro, sem que esteja bem vincada a memória do que foram as realidades passadas das gentes, dos costumes e da história de cada comunidade.

Como os demais, Ílhavo também é disso exemplo: o mar como tradição histórica, na sua vertente social, económica, ambiental, não deixa, face às novas realidades temporais, de se manter, hoje, como uma referência estrutural do Município. Mas não só do mar (a actividade da pesca, o pescado, a indústria naval, etc.) vive Ílhavo. Há, no seu conjunto nicho comunitários com uma relevância histórica extremamente significativa. Exemplo disso é a Vista Alegre que extravasa a realidade industrial, artística e económica/empresarial.

É toda uma história de uma comunidade bem enraizada no Município de Ílhavo, com uma identidade muito própria e particular, com vivências específicas das suas gentes e do peso que representa a fábrica (e a própria história) da Vista Alegre.

E a Vista Alegre abre-se ao mundo e aos olhares de quem, por curiosidade ou por nostalgia, está disposto a encontrar uma história rica e repleta de "estórias". A pretexto da descoberta arquitectónica e patrimonial da Vista Alegre, a empresa "Talkie-Walkie"(*), em parceria com o projecto 23 Milhas da Câmara Municipal de Ìlhavo, apresenta já este Sábado, dia 28 de Outubro (pelas 10:30 horas), um percurso pela história que fez a história desta particular e peculiar comunidade centenária: a fábrica, as suas gentes, a sua identidade, a sua arquitectura e... as suas "estórias".

Olhar Por Dentro - Os Percursos da Arquitectura de Ílhavo. Sábado, 28 de outubro, 10:30 horas... Visita à Vista Alegre.

(*) A Talkie-Walkie nasce da experiência de vários anos na divulgação da arte e da arquitetura através de visitas e workshops para diferentes públicos. Ana Neto Vieira e Matilde Seabra acreditam que a arquitetura, pela sua abrangência disciplinar, é o ponto de partida para conhecer o território, a cultura e o património.

publicado por mparaujo às 11:43

17
Jul 17

Teve um papel importantíssimo no sector marítimo e das pescas em Aveiro/Ílhavo.

Mas foi pela sua filantropia, pelas suas ligações à sociedade aveirense e ao seu associativismo e, principalmente, pela sua estreitíssima relação com a Cultura (história, Teatro, edição literária, informação e Artes) que Gaspar Albino deixou uma marca de registo inquestionável em Aveiro.

Faleceu ontem, a poucas semanas de completar 79 anos.

Não tem sido um mês fácil (ainda há poucos dias Aveiro sentia o desaparecimento de Vítor Silva).

Há uma voz e uma figura aveirense, AVEIRENSE com "maiúscula", que perdurará na memória de muitos.

Ficamos mais pobres... Descanse em Paz.

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publicado por mparaujo às 11:23

11
Nov 16

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Foi demasiado tempo... muito tempo mesmo. Mas foi do melhor tempo.

Leonard Cohen não foi apenas um, entre uma elite, que se fixou na minha mais que modesta "musiteca". Para além de ter sido uma das principais referências foi também alguém que marcou a minha adolescência cultural e musical.

Foram cerca de 35/36 anos (com início numas férias de verão na Figueira da Foz) a ouvir e a ter como assidua e constante presença (e já agora... este sim, também em livro) aquele que considero o melhor cantador de histórias que conheço.

Leonardo Cohen entrou muito cedo na minha vivência musical... apesar do seu falecimento, aos 82 anos, saiu ainda demasiado cedo.

Morreu o maior cantor das histórias da vida, da vida complexa do amor, da vida mundana e simples, de TODA e TUDO o que é a vida.

Restam as memórias, os registos e um mais que sentido e triste.... until forever, Mr. Cohen.

"That's no way to say goodbye". Hallelujah.

publicado por mparaujo às 09:24

08
Abr 16

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Ainda a "época desportiva" do Governo de António Costa não cumpriu o primeiro ano de legislatura e já assistimos à primeira "baixa" na governação.

João Soares, agora ex-Ministro da Cultura, apresentou a demissão e o ainda Primeiro-ministro, António Costa, aceitou de imediato ("João Soares demite-se" "Costa aceita demissão de João Soares").

Mas há, neste processo, um contorno que importa destacar e que não é um mero pormenor de forma mas um "pormaior" de conteúdo.

João Soares demitiu-se não pela sua resposta às críticas dos críticos do jornal Público e muito menos por alguma indignação generalizada na sociedade civil. Muito menos ainda por alguma pressão (pelo menos pública) dos partidos que suportam o Governo (PS, BE e PCP), da oposição ou do Presidente da República, apesar das críticas à reacção do ex-Ministro.

O que é curioso neste processo é que João Soares demitiu-se após as declarações do Primeiro-ministro, primeiro com um pedido de desculpas do Governo, segundo com críticas dirigidas a João Soares e terceiro com um claro aviso à "navegação" governamental ("António Costa pede desculpa pelas prometidas bofetadas de João Soares").

João Soares demitiu-se porque foi, claramente, desautorizado e enfraquecido politicamente e como governante por António Costa.

Este episódio terá reflexos futuros? Não consigo, muito sinceramente, prever. Até penso que não... mas ficou a mancha e a nódoa.

 

publicado por mparaujo às 14:35

07
Abr 16

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Está lançada a nova agenda política nacional actual: resolução ministerial "à bofetada".

O mote foi dado pelo ministro da Cultura, João Soares, em reacção a duas críticas à sua acção ministerial à frente da tutela da Cultura, publicadas no jornal Público: uma por Augusto M. Seabra (06/04/2016) e outra por Vasco Pulido Valente.

A reacção do ministro João Soares fez ricochete e há, da direita à esquerda quem peça a "cabeça do ministro" ou, na melhor das hipóteses um retratar público do episódio.

Mas vamos mais longe... "Debaixo dos Arcos" propõe uma análise mais abrangente e, qui ça, até mesmo uma sondagem (mesmo sem boca e sem urnas).

O que é que politicamente tem mais impacto negativo na opinião pública?

1. os "corninhos" do ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, à bancada do PCP.

2. o "manso é a tua tia" do ex Primeiro-ministro José Sócrates para o então deputado Francisco Louçã.

3. o desejo de cumprimento da promessa de 1999 do ainda ministro da Cultura, João Soares, de umas "salutares bofetadas".

O povo é quem mais ordena... a escolha é sua.

publicado por mparaujo às 14:39

20
Fev 16

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Nada é eterno. Nada é imortal. Mas o mundo ficou mais vazio e a nobreza do pensamento crítico mais pobre.

Podia falar dos livros tão "históricos" como "O nome da rosa" ou o "Pêndulo de Foucault".

Recordarei sempre Umberto Eco pela marca que deixou no meu percurso formativo (semiótica e comunicação), a par do "espaço público" de Jürgen Habermas (comunicação).

Por exemplo, o tratado/ensaio "Kant e o ornitorrinco" ou a recentíssima reflexão jornalística "Número Zero".

Não foi só a cultura mas todo o pensamento crítico que ficou bem mais pobre ou vazio.

publicado por mparaujo às 22:09

16
Dez 15

Proas Moliceiros 2.JPGpublicado na edição de hoje, 16 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
E se Aveiro for o centro da Europa?

E se Aveiro se tornasse Capital Europeia da Cultura? A perspectiva não foi colocada como interrogação mas foi avançada pelo presidente da autarquia aveirense numa das recentes sessões da Assembleia Municipal de Aveiro: Aveiro poderá avançar com uma candidatura a Capital europeia da Cultura, em 2027.

Coloquemos de parte, por mil e uma razões óbvias, a questão da data. Para muitos poderá parecer distante no tempo mas a verdade é que um conjunto de regras, calendários, a própria proposta de candidatura e a sua preparação (para além da necessária influente campanha de marketing promocional), não permitem, nem possibilitam, uma candidatura mais breve. Apesar dos doze anos de distância, a data não é tão ilusória como pode fazer crer; pouco mais de três exercícios legislativos e estamos lá.

Mais importante que a data é a relevância da iniciativa (pelo impacto que possa gerar na cidade e na região) e a conjugação de esforços e empenhos que pode gerar nas forças políticas, culturais e sociais de Aveiro. Algo que Aveiro há muito necessita: os aveirenses lado-a-lado, focados numa causa comum, identificados e preocupados com a sua cidade e o seu município, e uma cidade referenciada no mapa, obviamente, pelas melhores razões.

Mas numa iniciativa deste género e desta dimensão, com a forte concorrência interna de outras cidades, envolvendo recursos (de toda a natureza) nunca antes despendidos em Aveiro, levam à necessidade de termos os pés bem assentes na terra.

É que a realidade tem-nos mostrado a dificuldade que Aveiro tem sentido para se afirmar cultural e patrimonialmente, e a forma como, há alguns anos, deixou esvanecer a sua identidade. O património (material e imaterial) religioso continua “escondido”; o que foi a fundamentação social, económica e o desenvolvimento regional assente na cerâmica, na azulejaria e no sal, já há muito que desapareceu da memória aveirense; a arte urbana e o urbanismo restam nas referências bibliográficas; entre outros. Há pois um necessário e desgastante, embora igualmente gratificante e promissor, trabalho patrimonial e cultural a desenvolver que terá de ir mais longe do que os Ovos Moles, os moliceiros e os canais da Ria de Aveiro que são, neste momento, as principais referências identitárias da cidade (conforme o recente estudo divulgado à cerca de quatro ou cinco dias pelo curso de Marketing do ISCAA-UA que aponta a Ria, os moliceiros, os Ovos Moles e a própria Universidade de Aveiro como as principais marcas fortes do turismo aveirense).

Acresce ainda que, só por manifesta falta de bom senso ou perfeito desvario megalómano, é que alguém poderia supor ou imaginar todo este exercício sem o recurso a parceiros estratégicos da autarquia, como por exemplo a Universidade de Aveiro, o Turismo Centro Portugal e os agentes culturais da região. O que eleva esta questão para um outro patamar, esperando não parecer descabido ou ilusório.

Hoje é mais que evidente a eliminação das barreiras e dos limites geográficos, seja ao nível local, seja ao nível regional. São por demais claras as identidades que confinam a gentes e terras vizinhas, são óbvias as realidades sociais, económicas e culturais que se interligam e se sustentam reciprocamente. Só a título, meramente exemplificativo, podemos recordar a ligação de Aveiro às gentes das Gafanhas, da pesca e do mar, ou à importância que a azulejaria também tem em Ovar, tal como teve em Aveiro, já para não falar nas questões gastronómicas. A lista seria, obviamente, mais extensa.

Neste sentido, dentro de uma Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, que tem procurado, a outros níveis, um conjunto de medidas e iniciativas comuns ou a perspectiva de relações mais estreitas entre os diversos municípios (veja-se o exemplo da energia ou da mobilidade, mais uma vez como exemplos) esta candidatura seria uma evidente aposta comum muito positiva, com impactos regionais muito fortes, que valorizaria, aos mais diversos níveis, a Região de Aveiro e a colocaria, com sucesso, no mapa cultural Europeu. E 2027 é já “manhã”…

publicado por mparaujo às 11:21

14
Dez 15

Pacheco Pereira.jpgDeclaração de interesses: não gosto, nunca gostei, de Pacheco Pereira. Reconheço-lhe a capacidade e o património cultural, mas acho-o de um snobismo intelectual deprimente.

No entanto, querer reduzir a sua nomeação para o Conselho de Administração da Fundação Serralves ao facto de ter sido crítico em elação ao Governo de Passos Coelho ou à animosidade que corre no seio do PSD, levando a que alguns pretendam deixar cair a "guilhotina política" sobre a sua cabeça, é, no mínimo, abjecto.

Não é a única participação de Pacheco Pereira no circuito da gestão cultural em Portugal. São vários os actuais exemplos.

Reduzir a sua capacidade intelectual a mera coincidência ou conjuntura política é um exercício demagógico que só resulta em mais mediatismo e ribalta que Pacheco Pereira sempre gozou ao longo de muitos anos de vida política e partidária, com merecimento questionável.

A Fundação Serralves ganhou um excelente administrador. Facto. Reconheça-se (mesmo que custe).

publicado por mparaujo às 10:41

30
Set 15

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O Conservatório de Música de Coimbra inicia, amanhã, dia 1 de Outubro, a programação para este último trimestre de 2015, intitulada "Cores de Outono".

O Cartaz abre com a Música do Mundo pela voz, guitarra e pandeireta da cantora galela Uxía Senlle que traz a Portugal, no ano em que comemora 30 anos de carreira, todo o brilho do seu álbum "Meu Canto".

É já amanhã, no Auditório do Conservatório de música de Coimbra, às  horas.

uxia coimbra.jpgCores Outono - Coimbra.jpg

publicado por mparaujo às 10:34

26
Jul 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 26 de julho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
O valor das referências

Excluindo concepções narcisistas ou egocêntricas a ausência de referências nas nossas vidas, sejam elas de natureza pessoal, sociais ou histórico-culturais, deixa um inequívoco vazio, a perda de identidades ou a ausência de objectividade. Esta semana que passou fez realçar a importância das referências na construção e concepção das realidades e dos imaginários pessoais ou colectivos.

1. A notícia foi recebida com a agressividade de um estalo que atordoa e provoca inesperados momentos de inacção. Por mais que a nossa concepção e experiência de vida nos consciencialize para a noção de que tudo tem um princípio, meio e fim (seja qual for a sua duração), na realidade nunca estamos verdadeiramente preparados para o “fim”. Por mais sabor que tivesse o ‘prego’ (no pão ou no prato), por mais fresco que estivesse o ‘fino preto baixo’, o Ti Augusto era mais do que o seu “Rossio”. A Cervejaria pode ser (e é) uma das referências no roteiro turístico e gastronómico da cidade de Aveiro, mantida trigeracionalmente há mais de meio século. Mas o Ti Augusto era mais do que o seu negócio. Apesar de não ser natural de Aveiro (como tantos que escolheram a cidade para segundo berço) encarnava tudo aquilo que é para cagaréus, ceboleiros, afins, e quem nos visita, uma das referências desta cidade, a identidade das gentes do bairro da beira-mar: o saber acolher, o sentido da bondade, a atenção ao outro (seja vizinho, seja ‘forasteiro’), a devoção a S. Gonçalinho, a frontalidade e o puro e são bairrismo. Foram muitos “rossios” servidos, mas foram também muitos mais anos vividos e que espelharam, a quem com ele se cruzou, a identidade aveirense. Tal como na gestão do “Rossio” também a minha ligação ao Ti Augusto atravessou três gerações e bem sei que não o voltarei a ver sentado, na mesma mesa do canto, ao fundo, do lado direito. Mas também sei que a memória saberá perpetuar a sua imagem, sempre que ali voltar, que mais não seja para recordar como, apesar de me ter conhecido de fraldas, teimosamente me cumprimentava pelo título académico (por mais que não o sustente).

2. Este momento triste que a semana passada trouxe a Aveiro fez salientar esta questão das identidades e referências para outra dimensão: a cultural. A discussão centrada em específicos círculos culturais e políticos não teve impacto na comunidade e passou despercebida à maioria dos aveirenses. Ou melhor, mais do que despercebida afigura-se indiferente aos aveirenses a tutela e o estatuto do Museu de Aveiro (Museu Santa Joana), mesmo que a componente histórico-religiosa ligada à Padroeira da Cidade (e do Município) ainda seja uma referência para a comunidade. A verdade é que o Museu em si tem tido muito pouco impacto junto dos aveirenses (seguramente mais de cinquenta por cento da actual população nunca lá terá colocado um pé, quanto mais os dois, e muito menos saberá algo sobre a talha dourada da Igreja de Jesus) e é questionável o seu papel na promoção da cidade e da região. Também não é menos verdade que Aveiro tem tido, até hoje, muito pouco para oferecer a quem nos visita, excluindo os passeios(?) de moliceiro nos canais urbanos da Ria. A descentralização da gestão do Museu de Aveiro para a responsabilidade da autarquia faz-me retomar a questão da identidade aveirense.

É constrangedor que a história e a identidade cultural, económica e social de Aveiro, alicerçada e sustentada pela cerâmica, azulejaria e o sal, não tenha um espaço digno, permanente, pedagógico, histórico, preservador desta mesma identidade. Excepção para a especificidade e temporalidade da Marinha da Troncalhada, Aveiro não tem um museu do Azulejo, da Cerâmica e do Sal, que promova os nossos valores sociais, históricos e culturais, tal como acontece em tantas cidades e vilas deste país, ou por essa Europa fora (por exemplo). Talvez seja esta uma oportunidade para complementar a realidade histórico-religiosa perpetuada pelo túmulo de Santa Joana e dotar o Museu de Aveiro da identidade aveirense, colocando-o como referência para a região. Tal como acontece em Ílhavo (Museu Marítimo) e Vista Alegre, nas Caldas da Rainha (Bordalo Pinheiro), com o vidro na Marinha Grande, o Dão em Viseu, o Museu do Pão em Seia, com os Caretos de Podence em Macedo de Cavaleiros, com os espaços vinícolas no Douro, etc., etc,. etc. Ou então continuaremos a ser tão só e apenas a “mini Veneza” com “corridas” de moliceiros. Salvam-se os Ovos Moles.

publicado por mparaujo às 13:35

26
Mar 15

Luis Miguel Rocha.jpgQuando morre alguém ligado às artes, literatura, cinema, teatro, etc, há uma tendência para inundar as redes sociais de lamentos, mensagens, extractos de poemas, frases, livros ou pinturas de quem faleceu.

Sem qualquer tipo de constrangimentos ou sem qualquer tipo de pudor ou do "politicamente correcto", muitos dos comentários e post (aconteceu recentemente com o poeta, que nunca li, Herberto Helder) têm a "assinatura" google ou wikipédia. Há quem lamenta e chore lágrimas de crocodilo sobre quem nunca leram ou viram (arte) mas que fica bem falar.

Orgulho-me de ser do contra. Não tenho o condão, nem as capacidades (sejam elas quais forem) de ler tudo, nem ver tudo, mesmo que já tenha ido ao Louvre. Não embarco nessas ondas.

Hoje, não é o caso. Há quatro espaços preenchidos (acho que falta lugar para mais dois), e agora mais que lembrados, na "biblioteca doméstica": O Último Papa - A Bala Santa - Mentira Sagrada - A Filha do Papa.

Fiquei chocado quando vi a informação da Agência Lusa que reproduzo através da notícia da revista Visão.

Abruptamente ficou muito por percorrer de uma promissora carreira literária, ficou muito para viver para quem apenas tinha 39 anos.

Lá em casa ficará sempre. R.I.P. Luís Miguel Rocha.

«Lisboa, 26 mar (Lusa) - O escritor Luís Miguel Rocha, 39 anos, autor de obras como "O Último Papa", morreu hoje em Mazarefes, distrito de Viana do Castelo, vítima de doença prolongada, disse à agência Lusa fonte próxima da família.
De acordo com a mesma fonte, o escritor encontrava-se doente há algum tempo, esteve internado no Hospital de Viana do Castelo e nos últimos dias estava em casa da família, em Mazarefes.
Nascido no Porto, em fevereiro de 1976, o autor português escreveu vários livros com sucesso internacional, como o "O Último Papa" (2006, editora Saída de Emergência), que expõe uma teoria sobre a misteriosa morte de Albino Luciani, o Papa João Paulo I, envolvendo a maçonaria italiana, e "A Filha do Papa" (2013, Porto Editora), sobre segredos do Vaticano.» (in, revista Visão)

publicado por mparaujo às 11:10

01
Mar 15

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Morreu Amadeu Ferreira. A notícia caiu-me como uma "bomba".

Grande impulsionador da segunda língua oficial portuguesa, o mirandês...
Um dos principais impulsionadores da lei que aprovou o Mirandês como língua oficial...
Grande impulsionador da história e da língua que esteve na origem de Portugal...

Traduziu obras como os Lusíadas, a Bíblia, duas publicações do Asterix, a Mensagem de Fernando Pessoa, entre outros.

Tinha a história da língua mirandesa, a sua divulgação e promoção, no coração. Um "coraçon einorme".

A preservação e divulgação da Língua Mirandesa deu-lhe uma coragem e uma capacidade de luta que aplicou para fazer face à doença que o atormentava há algum tempo. Mas nenhum homem é de ferro, por mais lutador que seja.

Além disto tudo, Amadeu Ferreira é o responsável por um dos trabalho académicos que mais prazer me deu fazer e que melhor resultados tive, em Língua e Identidade Cultural. Assim como foi o seu trabalho e papel que me serviram de exemplo pela paixão da identidade cultural que tanto caracteriza e diversifica este país, que tanto me faz admirar a nossa origem e essa região de "por trás os montes".

R.I.P. Amadeu Ferreira

"Até siempre, Porsor"... "paç a la sue alma".

publicado por mparaujo às 21:41

15
Jun 14

publicado na edição de hoje, 15 de junho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Reflexão com a mão no barro

É do conhecimento público que este ano não haverá lugar à tradicional Feira do Artesanato de Aveiro – FARAV. Por decisão da autarquia aveirense haverá lugar à reflexão sobre o futuro deste evento. Além disso, iniciou-se ontem um novo projecto e conceito de animação do espaço público com o “Artes no Canal” que, entre outros, tem como objectivo fundir um conjunto de iniciativas avulsas e esporádicas que iam ocorrendo na cidade. Por outro lado, a Feira do Livro de 2014 foi transferida do Rossio para o Mercado Manuel Firmino. O que é que há de comum nesta mistura de factos e realidades ocorridas na vida cultural aveirense? Muita coisa.

Referi aqui, e disse-o a quem de direito, em 2010, quando foi transferida a FARAV do Parque de Exposições de Aveiro para o Rossio que era importante repensar a estratégia e a estrutura da feira de artesanato e que a mesma se deveria manter no Parque de Exposições de Aveiro, razão pelo qual foi construído e custou muito dinheiro ao erário público. Também na altura, como proposta de reflexão, sugeri que à FARAV fosse aglutinada um conjunto de outras iniciativas que, edição em edição, iam perdendo o seu impacto. Como, por exemplo, a Feira do Livro.

Recordo ainda, a propósito da falta de afluência de público/visitantes, que a FARAV precisava de atractividade complementar ao evento, já que, por outros exemplos como a Feira de Março, a Automobilia, etc., a localização do Parque de Exposições, só por si, não reflecte a ausência de visitantes no certame. Aliás, em 2009, quando fiz para o Boletim Municipal uma peça sobre a FARAV/2009 recordo-me de entrevistar um casal de visitantes que se tinham deslocado de Oliveira de Azeméis para visitar a feira.

E tal como a Câmara Municipal de Aveiro lançou o “Artes no Canal” como projecto aglutinador de eventos avulsos, projectando, num único momento (mesmo que repetido no tempo), cultura para o espaço público, assim me parece que se deva repensar a FARAV e outros eventos similares.

A questão da FARAV, como eventualmente a Feira do Livro, passa por dimensioná-la, estruturá-la, conceder-lhe centralidade regional, quem sabe repensar a sua duração, e principalmente torná-la mais atractiva, promovendo, a par do artesanato, outros momentos e motivos de interesse para os aveirenses e para quem nos visita. Não me parece descabido que exista uma Feira do Artesanato, da Gastronomia e do Livro simultaneamente e no mesmo espaço físico. Ou ainda acrescentando o Festival de Folclore. O que Aveiro não pode continuar a ter é um conjunto enorme de pequenos eventos, com a sua importância, mas sem grande impacto, e, muitas vezes, repetitivos nos seus objectivos.

Continuarmos a ter eventos que vão perdendo dinâmica, impacto e importância, será transformá-los naquilo que cabe, legitimamente e por uma questão de cidadania, ao empenho e intervenção dos aveirenses no seu espaço e na sua cidade, que são eventos pontuais, com escala reduzida e centralizados na rua, no bairro, na freguesia. Com todo o valor e respeito.

No que toca à FARAV, à Feira do Livro (muito polarizada entre o Porto – que aliás nem se realizou este ano - e Lisboa, com uma falha enorme na zona centro), e a outros eventos, não os promovendo como referência regional é ir limitando a sua importância e condenando-os à extinção.

O que, obviamente, não é bom para Aveiro, para os aveirenses e, acima de tudo, para os artesãos e agentes culturais.

Que se faça uma boa reflexão… com a mão no barro.

publicado por mparaujo às 12:55

06
Jun 14

De 6 a 22 de junho, Feira do Livro em Aveiro.

À 39ª edição a opção da autarquia aveirense recai sobre um novo espaço, dinamizando, simultaneamente, o Mercado Manuel Firmino.

Em Aveiro, há Livros no Mercado.

publicado por mparaujo às 13:59

18
Abr 14

Morreu Gabriel García Marquez.

A par com Luís Sepúlveda, por exemplo, foi o principal responsável pela descoberta da escrita e das imagens literárias com raízes marcadamente sul-americanas.

Ocupou sempre lugar de destaque na "estante doméstica" e releitura obrigatórias ao longo dos tempos.

O Escritor, Jornalista, Nobel, colombiano deixa um significativo e importante vazio na cultura e na literatura mundiais.

Fica mais vazia o meu leque de procuras nas livrarias.

Obrigado por tudo, Gabo.

publicado por mparaujo às 11:41

17
Mar 14

Faleceu (ontem) Zé Penicheiro. Um dos artistas plásticos que me enchia as medidas quando pintava Aveiro, as suas gentes (figuras típicas), as suas tradições (S. Gonçalinho), a sua região (Ria de Aveiro).

Conheci a sua obra, curiosamente, pela mão de um familiar: o saudoso Rodrigo Penicheiro.

Infelizmente, apesra de me ter cruzado duas ou três vezes com ele, não tive o previlégio de conhecer pessoalmente.

Mesmo assim, Zé Penicheiro é destaque e referência nos meus espaços culturais domésticos.

A Arte e a Cultura aveirenses ficaram mais pobres... por força de um dos fundadores da Aveiro/Arte e de tão bem retratar as "imagens e as cores" da região.

Por mim, resta-me a dúvida: e agora, quem vai pintar (tão bem) Aveiro?

R.I.P: Zé Penicheiro.

(painel "Voar mais alto" presente na Universidade de Aveiro)

 

publicado por mparaujo às 11:00

19
Fev 14

Já por diversas vezes aqui aludi à questão da emigração e aos seus impactos na vida pessoal, familiar e no próprio país.

Foram vários os exemplos: “O que esconde 15,3% de desemprego?”; “Surreal: 25 minutos de enorme alarvidade!”; “Do ir ao acolher...”; “Há razões que a razão desconhece”, entre outros.

É indiscutível que o processo de emigração, na sua maioria, é um triste e infeliz regresso ao passado (década de 60). Salvo raras excepções que se prendem com oportunidades políticas, académicas ou de gestão empresarial, os portugueses emigram porque precisam, por mera necessidade, por não encontrarem em Portugal oportunidades de vida e de trabalho.

Sendo certo que um elevado número dos actuais emigrantes portugueses são jovens (e jovens com habilitações) a realidade emigratória não escolhe idades, mesmo que, para os mais “velhos”, as oportunidades e a facilidade de emigrar seja mais condicionada.

Aliás, o “Dinheiro Vivo” na edição de ontem (18-02-2014) traz um interessante trabalho sobre a temática, sob o título “Emigrar. Que fazer à vida familiar?”.

O jornal Público, num excelente trabalho do jornalista Paulo Moura, faz um retrato muito realista do processo da emigração dos menos jovens: “Ei-los que partem pelo direito ao último terço da vida”.

De repente, as redes sociais (e até a imprensa – p. ex. o jornal Público) voltaram à temática da emigração. Tudo a propósito das declarações, e da intenção confirmada, do Fernando Tordo de emigrar para o Brasil (aliás, para onde já foi).

A opção do Fernando Tordo é perfeitamente compreensível e não me merece qualquer reparo, se não a tristeza por ver partir mais um português inconformado com o país. E por me rever na fundamentação da sua opção, lamentando não ter a mesma oportunidade ou coragem.

Para além disso, a divulgação viral do texto do filho do Fernando Tordo, João Tordo, no seu blogue, “Carta ao pai”, veio reacender esta problemática, reflexo da austeridade e das exigências políticas da estratégia para a recuperação económica do país.

Tenho na família (entre primos, tios e cunhada) gente que emigrou há vários anos (demasiados anos, até). Infelizmente, sei o que é o “quebrar” esses laços. Mesmo assim, não consigo colocar-me na pele de quem vê o pai partir, como diz o João Tordo, algo, a determinada altura da vida, contra-natura (passe a expressão).

Mas o que mais estranho, neste contexto, é o aproveitamento político da decisão pessoal do Fernando Tordo em emigrar. A esquerda (por exemplo, Louçã e Catarina Martins) fez logo eco de revolta, as redes sociais indignaram-se com o país por não saber preservar os seus valores culturais. É indiscutível (goste-se ou não) o peso que o Fernando Tordo teve na música portuguesa. Um país que mal soube valorizá-lo, acarinhá-lo, não deixar vazios muitos dos seus espectáculos, promover o seu trabalho, de repente, estranhamente, tornou-se seu “fã incondicional”, onde já todos conhecem a sua obra, as suas músicas, os seus textos, as suas intervenções (também) políticas e sociais. Enfim…

Dói ao João Tordo, dói à família, é pena para muitos portugueses… mas, acredito, um alívio para o Fernando Tordo e para muitos dos que emigram, apesar de todos os riscos e sacrifícios.

publicado por mparaujo às 15:15

05
Fev 14

A discussão da agenda política (jurídica e económica, acrescente-se) nestes dias tem-se centrado sobre a colecção dos 85 quadros da autoria do escultor e pintor surrealista catalão Joan Miró e que fazem parte do património do BPN.

Subscrevo integralmente as posições assumidas por Henrique Monteiro (“Deixem lá os Mirós...”) ou pelo Daniel Oliveira (“Não se vendam os quadros de Miró... baratos”). É insuspeito porque raramente concordo com os dois.

Acrescentado, de forma muito sumário, uma ou outra realidade/questão.

Primeiro, sublinhar o facto de que, repentinamente, surge um movimento social de arautos defensores da cultura (sejam políticos, ex-governantes, comentadores, ou cidadãos), emocionalmente preocupados por um espólio artístico de uma entidade bancária (privada há data em que foram adquiridos e nacionalizada após o “caso BPN”) e que já existia há alguns anos sem que ninguém se importasse ou se incomodasse com tal facto. Mesmo que a tão “valiosa” obra estivasse arrumadinha na penumbra de uma cave e isso não afectasse consciências e morais culturais.

Mais… por muito peso e valor artístico e cultural que se reconheça na obra de Miró, a verdade é que me parece perfeitamente surreal (no mínimo) que se faça desta questão um desígnio nacional. Miró não é património nacional (como felizmente temos tanta obra perdida com a assinatura portuguesa) nem identitário da cultura portuguesa. A arte, tal como o podem sustentar as galerias e o negócio complementar, é, sempre foi e sempre será, vendável e transaccionável. Não vejo porque razão não o será esta colecção na posse do BPN/Estado.

Mais ainda… é “soberbo” verificarmos que, de repente, entre intelectuais, políticos, artistas, cidadãos comuns, surjam mais de 9000 assinaturas contra a venda das referidas obras, mesmo que muitos não saibam quem é Miró (ou quem foi); quais são as obras em causa; onde estavam; quando e como foram adquiridas e para que servirão. Sim, porque não me parece nada razoável e racional que alguém pense que em Portugal se irá rentabilizar um investimento na ordem dos 80 milhões de euros (pagos pelo erário público à custa dos impostos dos que gostam e não gostam de Miró ou do surrealismo) com exposição pública permanente. Chega de ilusões. Isso faz-me recordar (e recuar pouco mais de um mês) a questão do Panteão Nacional: todos dão palpites e comentam, mas desses mesmos, raros são os que já visitaram o Panteão; raros são os que sabem quantos existem (sim, há mais que um Panteão Nacional… dois, precisamente); onde ficam (sim, não é apenas em Lisboa); e quem são os seus ilustres “inquilinos” portugueses (já agora, são 10, faltando transladar mais quatro personalidades, já contando com Eusébio).

Mais ainda… é interessante saber que muitos dos que se insurgem tão ferozmente contra a venda das obras sejam muitos dos que se insurgiram contra o facto do Estado, no anterior mandato socialista e no actual mandato de Passos Coelho, ter gasto um valor significativo (a que muitos chamaram de “roubo nacional”) dos impostos dos portugueses para “salvar”, por interesses públicos duvidosos, um banco privado, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com o BPP.

Por mim… a arte é negociável. Vendam-se os Mirós, de forma justa, claro.

publicado por mparaujo às 14:57

02
Fev 14

O dia em que é divulgado o falecimento do actor (um dos que me prendia ao ecrã) Philip Seymour Hoffman, é "inundado" com a referência ao óscar de melhor actor principal, conquistado em 2005, pelo papel desempenhado em Capote.
Mas entre uma série de filmes que enaltecem o seu excelente desempenho como actor, fica-me para sempre na memória o seu papel no filme Doubt (A Dúvida - 2008), aliás, muito perto de conquistar o óscar de melhor actor secundário em 2009 (assim, como Meryl Streep esteve quase a conquistar a estatueta dourada pelo papel principal).

R.I.P.
O cinema ficou mais pobre.

publicado por mparaujo às 22:50

23
Jan 14
http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/12/%C3%ADndia1.jpg

Venham os argumentos culturais, históricos, sociais, religiosos…

Venha a complexidade do ser humano, o machismo, o feminismo…

Venham os horrores da guerra, das contestações sociais violentas, das repressões policiais…

Venham as tragédias da natureza, o “azar” dos acidentes, os desaparecimentos, os raptos…

Venha tudo...

Por mais que queiram, nada me conseguirá vergar perante aquele que é o maior crime de todos: o desprezo pela dignidade humana.

Com uma referência rápida, num espaço de pouco mais de um ano, é de “arrepiar” o que se passa na Índia em pleno século XXI.

Tudo começou(?) aqui: “Violação de rapariga gera violentos protestos na Índia” (23.12.2012)

Morre estudante indiana vítima de violação coletiva” (28.12.2012)

Novo caso de violação colectiva na Índia” (13.01.2013)

Polícia e médicos "humilham" crianças indianas que denunciam abusos” (07.02.2013)

Turista suíça violada na Índia diante do marido” (17.03.2013)

Detidos dois suspeitos de violar menina de cinco anos na Índia” (22.04.2013)

Freira raptada e violada durante uma semana na Índia” (16.07.2013)

Novo caso de violação colectiva na Índia. Vítima é fotojornalista” (24.08.2013)

Cinco polícias detidos na Índia por violação de jovem de 17 anos” (20.12.2013)

Turista dinamarquesa violada por oito homens na Índia” (15.01.2014)

Mas se tudo isto não fosse suficiente eis que se chegou ao topo da revolta.

Conselho de aldeia indiana ordena violação colectiva de uma mulher” (23.01.2014).

Por mais que os responsáveis indianos tentem alterar o rumo dos acontecimentos (“Índia aprova lei mais dura contra violações”) tudo parece ser insuficiente. Mesmo para uma ONU, tantas vezes preocupada com a democracia de algumas nações, com as supostas aramas químicas ou de destruição maciça, com o negócio do petróleo e com os jogos geopolíticos, só isto não chega e sabe a muito pouco, muito mesmo: “ONU quer debate sobre penas após violação na Índia”.

Tudo isto é Nojento! Asqueroso! Revoltante! Infame!

Enquanto que por cá vamos discutindo o protocolo da saia da assessora do Presidente da República.

publicado por mparaujo às 16:42

07
Set 13

Hoje é dia... de recordar tempos loucos da juventude. Anos 80.

Ao fim de cerca de 30 anos de separação, os JáFu'Mega regressam aos palcos.

Hoje é dia... de os recordar no Teatro Aveirense, pelas 22:00 horas.

Recordar é lembrar (bem alto) isto (Ribeira)

e isto (Nó Cego)

publicado por mparaujo às 15:00

11
Ago 13

Publicado na edição de hoje, 11 de agosto, do Diário de Aveiro.

Cagaréus e Ceboleiros

Regeneração histórico-cultural

Há duas semanas a menção neste espaço recaiu sobre o Sal (Salgado Aveirense) como referência do património social e cultural da história de Aveiro. Aí foi focado um dos aspectos mais importantes para a vitalidade e sustentabilidade de uma comunidade: a sua regeneração urbana como factor de preservação da história e cultura dessa mesma comunidade. Embora o conceito de regeneração/reabilitação no campo do planeamento urbano seja bastante abrangente, não recaindo exclusivamente sobre o edificado, o facto é que uma das importantes vertentes da história do Salgado Aveirense reside no seu património edificado – os palheiros do sal, para além, obviamente, das marinhas.

Apesar do Salgado Aveirense, que marcou, juntamente com a cerâmica, o património histórico de Aveiro, ter vertentes ambientais, económicas, sociais e culturais que definiram um passado da cidade e da região e que marcaria o seu futuro, o seu edificado (os Palheiros do Sal), concretamente o que ainda resta na zona envolvente ao Canal de S. Roque é parte importante e relevante desse património e dessa história que construíram Aveiro. A temática tem sido, recentemente, alvo de “atenção” por parte de vários aveirenses após o conhecimento público da eventual perda dos Palheiros do Sal do estatuto de Imóvel de Interesse Público. Curiosamente, para não usar outra adjectivação, após o despacho de homologação do Ministério da Cultura, em 2003, que classificou os “Palheiros do Sal” como Imóveis de Interesse Público que os mesmos, por falta de publicação em Diário da República, mantêm a inqualificável situação de “em vias de classificação”.

É indiscutível que o desaparecimento ou mesmo a transformação dos palheiros significa a perda de uma parte considerável da história aveirense e logo quando é notícia o aumento do número de marinhas (de sete para oito) para a safra deste ano (ver Diário de Aveiro de 26 de junho de 2013). É certo que é apenas mais uma (por enquanto) mas contribui para que uma parte significativa e importante da história e identidade aveirense não desapareça. Para isso já bastam os barreiros, a cerâmica, o azulejo, os moliceiros sem proa e a “raiar o veneziano”, as muralhas, o aqueduto, as várias festas (Sra. das Febres, por exemplo) e feiras (a da cebola). O facto é que a tradição e a identidade se mantém com o “dia da botadela” nas marinhas da ‘Santiaga da Fonte’, ‘Passã’, ‘Troncalhada’, ‘Grã Caravela’, ‘Senitra’, ‘Peijota’, ‘Puxadoiros’ e ‘18 Carbonetes’ (pelos menos de forma conhecida).

Com a promoção e criação em inúmeras localidades e recônditos do país de diferenciados centros de interpretação e educação, tendo a autarquia adquirido e preservado uma das poucas marinhas em safra como ecomuseu (Marinha da Troncalhada), parece ser indiscutível que é desejável que uma parte da história do salgado aveirense seja também preservada: os palheiros. Nem que seja como centro interpretativo ou “museu do sal”, incluindo parte comercial como, por exemplo, da flor do sal, artefactos, trajes ou até moliceiros. Não apenas como mera transformação urbanística ou arquitectónica (não tem qualquer significado ou sentido passar por um bar ou restaurante na zona do Canal de S. Roque e dizer” aqui foi um palheiro de sal”) mas como preservação da cultura e história aveirense.

É um facto que a reabilitação do edificado, concretamente em edifícios degradados e devolutos, tem falhas legais enormes que desresponsabilizam proprietários (sejam privados ou públicos) e as próprias comunidades. E neste caso a especulação imobiliária falou mais alto que a história e a cultura. Ao ponto da autarquia não conseguir reaproveitar o Palheiro do Sal do qual é proprietária. E, neste caso, deveria ser exemplo até para os proprietários privados. Porque o que está mesmo em causa não é o conjunto de “Palheiros” que se situam na zona sudoeste do Canal, até porque estes foram transformados e perderam a sua identidade. O que está mesmo em causa é o conjunto de “Palheiros” na zona nordeste e que, apesar do estado de degradação, ainda representam a história do Salgado de Aveiro.

Com o aproximar de um novo quadro de apoios comunitários, com tantas parcerias público-privadas e memorandos de entendimento, com financiamentos adequados, não será difícil encontrar e captar verbas necessárias para a regeneração e preservação histórico-cultural dos “verdadeiros” Palheiros do Sal e criar um centro de interpretação ou museu interligado com a Marinha da Troncalhada, o Sal e a Ria de Aveiro, conservando a identidade da sua história e das suas gentes.

Uma boa oportunidade para, em ano eleitoral e face aos compromissos que assumirão com os cidadãos, os candidatos à gestão da autarquia aveirense olharem para a importância de se preservar a identidade da comunidade como factor de desenvolvimento e de progresso. Tal como sugere a Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Protecção do Património ao elaborar uma carta de recomendação sobre a reabilitação urbana e a protecção do património dirigida a todas as candidaturas das próximas eleições autárquicas. No “Enquadramento Geral” dos objectivos da carta de recomendação, entre outros, podemos destacar: "a reabilitação urbana é um vector fundamental do desenvolvimento urbano sustentável, inteligente e inclusivo (em sintonia com o postulado na Declaração de Toledo de 2010) e que por isso tem que ser assumida como uma estratégia urbana integrada. Uma estratégia que se legitima por argumentos de natureza diversa: (…); de natureza social (identidade local; qualidade do ambiente urbano e de condições de vida; novas centralidades; coesão e inclusão social); (…); de natureza histórico-cultural (a cidade, nas suas múltiplas dimensões - patrimonial, morfológica, funcional, social, económica, imaterial – como bem colectivo que importa preservar e que contribui para a atractividade das cidades); (…)."

Como aveirense “Cagaréu e Ceboleiro”.

publicado por mparaujo às 14:19

04
Ago 13

Publicado na edição de hoje, 4 de agosto, do Diário de Aveiro.

Cagaréus e Ceboleiros

Farav 2013: de novo o Rossio?!

A Feira de Artesanato, que hoje termina, voltou a ocupar o espaço do Rossio, na sua 34ª edição. Entendo que a repetição da realização no Rossio da principal Feira de Artesanato de Aveiro se deva ao facto das entidades organizadoras acharem que esta localização é bastante positiva para o sucesso da FARAV.

Duas notas prévias. Por motivos de férias coincidentes com a realização do evento não pude visitar a feira. Por outro lado, desconhecendo o balanço que possa ser feito pelas entidades promotoras do evento (AveiroExpo, Câmara Municipal, “A Barrica” e o Instituto de Emprego e Formação Profissional), por uma questão de coerência com tudo o que defendi desde 2009, atrevo-me a repetir a minha convicção e opinião sobre a realização da FARAV no Rossio.

As razões que levaram à sua transferência do Parque de Exposições de Aveiro para uma das zonas centrais da cidade, em 2010, prenderam-se com a pouca afluência de público e fraca visibilidade do certame. Realidades que são um facto e que os dados estatísticos vinham confirmando, ano após ano. Acrescia a esta conjuntura alguma insatisfação dos artesãos e expositores.

No final da edição de 2009, numa entrevista que efectuei para o Boletim Municipal, foi-me transmitido que aquela edição tinha sido a melhor dos anteriores cinco anos (com cerca de 150 expositores). Recordo ter inquirido alguns dos visitantes e ter encontrado, por exemplo, quem tenha vindo, propositadamente, de Oliveira de Azeméis até Aveiro para visitar a feira. A par do artesanato havia ainda a vertente gastronómica que era uma excelente atractividade. Mas lembro, igualmente, as palavras do presidente da Associação dos Artesãos (A Barrica), Evaristo Silva que focou a necessidade de se repensar a feira, de cativar os artesãos, e, fundamentalmente, da importância que existe na necessidade dos aveirenses se sentirem mais ligados à FARAV (a par de uma maior atracção de público à exposição). Daí que insista na minha (modesta) perspectiva. Como sempre defendi, entendo que a FARAV deveria manter-se no Parque de Exposições. Apesar da centralidade não acho que seja por se realizar no Rossio que a FARAV se vá aproximar dos aveirenses, nem que aquele espaço seja o mais adequado para o certame (seja pelas infra-estruturas reduzidas, seja pelas acessibilidades, pelo trânsito, pelas escassez de estacionamento – no fundo, a centralidade situa-se no meio de muito caos urbano). E não colhe, por comparação, por exemplo, o argumento da distância ou da localização do Parque de Exposições. A Feira de Março sobe o seu número de visitas ano após ano, a Automobilia tem sempre “lotação” esgotada, a Expofacic em Cantanhede tem já uma mega dimensão e o Festival do Bacalhau, no Jardim Oudinot – Ílhavo, para onde se deslocam milhares de aveirenses, ou até as simples(?) “feiras dos 28”. Daí que a questão da distância ou localização seja secundária (se não teríamos de fazer regressar a Feira de Março ao seu local de origem: o mesmo Rossio).

A questão da FARAV, como eventualmente a Feira do Livro, passa por dimensioná-la, estruturá-la, quem sabe repensar a sua duração, mas principalmente torná-la mais atractiva, promovendo, a par do artesanato, outros momentos e motivos de interesse para os cidadãos.

Porque não repensar alguns dos acontecimentos que, isoladamente, vão proliferando no calendário e refundir?! Não me parece descabido existir uma Feira do Artesanato, da Gastronomia e do Livro simultaneamente e no mesmo espaço físico. Ou ainda acrescentando o Festival de Folclore.

Reconhece-se, hoje, que o sucesso de adesão do público à tradicional e histórica Feira de Março, em parte, se deve também ao cartaz musical que a complementa (tal como noutras feiras, noutros locais). Seria interessante que a Feira de Artesanato pudesse ter a mesma complementaridade cultural com qualidade e que cativasse a população e os turistas que acorrem a Aveiro, nesta altura do ano.

Por último, tal como um congresso se deve realizar no espaço próprio – o Centro de Congressos; o teatro e a dança devem ocupar a sua “casa” natural e por excelência – o Teatro Aveirense; o futebol deve encher as bancadas do Estádio Municipal de Aveiro; as exposições devem abrir portas no Museu da Cidade ou nas Galerias Municipais; do mesmo modo, as feiras por excelência devem merecer o seu destaque e a sua valorização no seu espaço próprio – o Parque de Exposições de Aveiro, sem querer menosprezar a realização de eventos no espaço público.

Há que valorizar uma feira que merece um destaque e um lugar privilegiado em Aveiro: a FARAV, pelos seus 34 anos de existência.

publicado por mparaujo às 14:51

30
Mai 13

Arranca hoje, até ao próximo dia 10 de junho, a Feira do Livro e da Música 2013, em Aveiro. Uma organização da Câmara Municipal de Aveiro e da sua Biblioteca Municipal.

O evento tem lugar marcado no Rossio e este ano conta com a presença de 13 livreiros/distribuidores/editores, estando representadas mais de 200 editoras.

Durante os dias em que decorre a feira, será apresentado um conjunto de eventos como a literatura infantil, a hora do conto, sessões de autógrafos, poesia, teatro, música, ateliers e workshops diversos.

De destacar que já neste Sábado, no dia 1 de junho, assinala-se o Dia Mundial da Criança com a realização de várias atividades para as crianças, entre as 10.00 e as 18.30 horas.

O horário da Feira do Livro e da Música 2013 é o seguinte: de segunda a quinta-feira das 17.00 às 23.00 horas; às sextas-feiras das 17.00 às 24.00 horas; sábados das 10.00 às 24.00 horas; e aos domingos e feriados das 10.00 às 23.00 horas.

(o programa completo da Feira do Livro e da Música 2013)

publicado por mparaujo às 09:55

21
Mai 13

O júri da XI Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro - 2013, promovida pela Câmara Municipal, seleccionou, numa primeira triagem, 73 obras da autoria de diferentes artistas.

A XI Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro recebeu 151 inscrições de 23 países diferentes, mais seis do que em 2011: África do Sul – 1; Alemanha – 3; Argentina - 2; Austrália – 1; Bélgica – 4; Brasil - 7; Bulgária – 2; Canadá – 2; China – 2; Eslovénia - 6; Espanha – 27; Estados Unidos da América – 5; Irlanda – 1; Israel – 1; Itália - 15; Japão - 2; Lituânia - 2; Noruega – 1; Polónia – 2; Portugal - 58; Reino Unido – 4; Sérvia – 1 e Ucrânia -2.

Das 244 obras apresentadas a concurso, o júri, nesta primeira fase, seleccionou 73 obras. A próxima reunião será no dia 28 de junho, já perante os trabalhos a concurso. Neste encontro, ficarão já definidas as obras que serão expostas no Museu de Aveiro, de 5 de outubro a 10 de novembro.

A Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, promovida pela Câmara Municipal de Aveiro, é um dos mais importantes concursos dedicados à cerâmica artística que se realiza em Portugal, sendo reconhecido internacionalmente como uma relevante mostra de novas técnicas e linguagens utilizadas na criação de cerâmica artística.

A XI Bienal Internacional de Cerâmica Artística, a exemplo de anos anteriores, pretende contribuir, de forma efectiva, para o desenvolvimento sociocultural e estimular a experimentação e a criatividade; procura ser um espaço aberto ao diálogo, à divulgação e ao confronto de tendências e de contacto com os conceitos actuais de cerâmica artística; tem ainda como objectivo essencial divulgar os caminhos mais significativos da cerâmica artística contemporânea que se faz pelos cinco continentes; mostrar a diversidade formal e a renovação estética que se vem processando, bem como as capacidades dos novos materiais e técnicas postas ao serviço da arte.

O júri desta edição de 2013 (a décima primeira) é constituído por Paula Matos (responsável pelo desenvolvimento dos Projectos Históricos e Especiais na Fábrica de Porcelana da Vista Alegre); Jorge Frade (professor Catedrático no Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica da Universidade de Aveiro) e Francisco Laranjo (director da Faculdade de Belas Artes do Porto).

publicado por mparaujo às 22:03

12
Fev 13

Este é o verdadeiro Carnaval português... o simples, o tradicional, o livre, o de "arruada".

Caretos de Podence (Macedo de Cavaleiros).

Por um Portugal português... porque para perdermos a identidade já nos basta a Troika.

publicado por mparaujo às 14:33

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