Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

25
Jan 17

antonio_costa_na_concertacao_social1026b3f5.jpg

Publicado na edição de hoje, 25 de janeiro, do Diário de Aveiro (com o título errado por lapso meu)

Debaixo dos Arcos
O peso político da TSU*

Do ponto de vista técnico poderíamos estar a discutir percentagens de desconto, os impactos na capitalização do fundo da Segurança Social, que reflexos terá a medida no crescimento do emprego, até que ponto é determinante na saúde financeira das empresas, sejam elas de menor ou maior dimensão. Esta seria, obviamente, uma discussão interessante, muito concreta e realista que permitiria retirar ilações interessantes quanto às opções políticas a tomar (ou tomadas). No entanto, a questão da TSU (Taxa Social Única), concretamente no que se refere à parte contributiva da responsabilidade das empresas ou das entidades patronais, está envolta num ambiente muito mais político que técnico ou estratégico.

O Governo conseguiu, no âmbito do aumento do salário mínimo nacional (557€ para 2017), um acordo em sede de Concertação Social, assinado por todos os parceiros excluindo (como hábito) a CGTP, que incluiu a redução da TSU em cerca de 1,25%, sendo que a actual taxa se situa nos 23,75%. Apesar das divergências sentidas nas negociações e expressas publicamente pelos parceiros, Governo, UGT e Entidades Patronais, selaram os termos do acordo que é reconhecido pelas partes como importante para a estabilidade laboral e para a melhoria da competitividade nacional. No fundo, é um acordo importante para a estabilidade social e desenvolvimento da economia. Só que a medida particular da descida da TSU, peça importante no acordo, a par do aumento do salário mínimo nacional, não tem recebido a aceitação política necessária para a sua aprovação no Parlamento, nomeadamente pelo Bloco de Esquerda, pelo Partido Comunista Português e, estranha e incompreensivelmente, pelo PSD. E a posição contra assumida por Passos Coelho afigura-se estranha e incompreensível porquê? Do ponto de vista político e estratégico é um enorme tiro no pé, uma total incoerência política e partidária, um aniquilar de vez os princípios social-democratas que são a génese e foram o adn do partido, agora perdidos e abandonados completamente após a governação de Passos Coelho.

Apesar do BE e do PCP serem dois partidos que suportam parlamentarmente a governação são mais que conhecidas, através do seu braço sindical (CGTP), as suas posições quanto a matérias de concertação social, nomeadamente que envolvam entidades patronais. Até aqui nada de novo, bastando recordar qual o principal objectivo do BE e do PCP no apoio ao Governo PS. Nunca foram políticas, ideologias, pragmatismo ou estratégias de governação. Foi, tão somente, impedir pura e simplesmente que o PSD continuasse no Governo. Não há mais nenhuma outra preocupação relevante que não esta e será com esse objectivo que sobrevirá a “coligação parlamentar”. Já no caso da posição frontalmente contra à redução da TSU expressa por Passos Coelho e que vincula o PSD a um voto contra na Assembleia da República há um impensável surrealismo político e estratégico que não encontra justificação nenhuma. A não ser, por exclusão de partes, a continuação de uma oposição sem impacto significativo, sem que se apresente como verdadeira alternativa ao actual “estado de alma” da governação socialista.

Primeiro, o Governo não carece de apoio político prévio para a celebração de acordos em sede de Concertação Social. Em causa estão as relações entre as entidades sindicais (em representação dos trabalhadores) e as entidades patronais. Sempre que há a vontade expressa entre trabalhadores e empregadores de celebrarem um determinado acordo este, pela sua importância social e económica (e porque já tem o Governo à mesa das negociações como balança política) não pode, nem deve, ser a política a colocar um obstáculo à sua concretização pelo risco que tal importa no desenvolvimento do país e na credibilização das instituições (empregados e empregadores e a própria Concertação Social). Mais grave ainda se torna quando há, de uma forma global, um apelo de todos (sindicatos e patronato) à aprovação das medidas que sustentam o contrato assinado. Segundo, é importante relembrar os tempos do surrealismo irrevogável da governação PSD-CDS que aprovou mexidas na TSU pelos mesmíssimos princípios: maior competitividade e sustentabilidade das empresas, assegurar e criar emprego, estancar o desemprego. Já em 2016, com a redução de 0,75% da TSU o PSD, na oposição, deixou passar, também pelos mesmos princípios, a medida do Governo de António Costa sem que tenham havido interacções prévias entre PSD e PS, sendo que o BE e o PCP já eram o suporte parlamentar à sustentabilidade governativa.

O que mudou agora? Nada. Só mesmo um colossal erro político, um total desnorte estratégico que até podia (e devia) resultar num benefício claro do PSD (oposição) face a alguma instabilidade na chamada “geringonça” governativa. Nem isso, Passos Coelho soube aproveitar. Estranho para quem ainda há poucos dias ambicionava regressar ao poder. É grave e triste.

*título corrigido... na edição do Diário de Aveiro o título é do texto da semana passada e o lapso é da minha responsabilidade

publicado por mparaujo às 10:23

12
Ago 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 12 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Para além das demagogias

O tema da variação da taxa de desemprego versus criação de emprego, ou, por si só, o próprio desemprego, foi sempre um tema polémico, complexo, capaz das mais diversas leituras, interpretações ou conjecturas. Isto há vários anos e legislaturas, não é só de agora. Os números são lidos, treslidos e manipulados ao sabor da ideologia, da partidarite e da concepção política. Basta recordar as recentes polémicas em torno dos cartazes do PS nesta pré-campanha eleitoral e que provocaram as mais diversas reacções de apoio e crítica. Não há, nesta matéria, ninguém isento.

Daí que (por mais que me custe) tenho de concordar com Marques Mendes. O tema do desemprego deveria ser tratado com o maior cuidado, com a maior cautela e fora da fácil demagogia política e eleitoral, porque mais que os números, as taxas, as variações ou a manipulação estatística, por detrás de cada 0,001% está um rosto, uma vida, uma família, um desespero, a angústia de um futuro ausente, o sentimento de inutilidade e inactividade que em nada dignifica a condição humana. A par da pobreza e dos números cada vez mais preocupantes que a sustentam, a falta de emprego, o desemprego, a necessidade de abandonar a casa e o país, são realidades duras de mais para a maioria dos portugueses a quem “a(s) crise(s)” (e não só nestes últimos quatro anos), infelizmente, bateu à porta.

Afigura-se como mais digno, humanista, e, do ponto de vista político, muito mais ético, que o debate sobre o desemprego e/ou o emprego seja mais centrado nas soluções e no seu combate, do que propriamente no sobe e desce dos números, nos triunfos ou nas responsabilidades, até porque estas são repartidas, infelizmente, há algumas décadas. E é importante que se seja realista e pragmático: os Governos não criam emprego (a menos que engrossem a despesa pública com o aumento dos recursos humanos na Administração Pública) mas os Governos podem gerar desemprego, quando em causa estiver a eficácia e eficiência da gestão governativa face às conjunturas, às políticas e à forma como se combatem as crises.

Por mais foguetes e vivas que se possam agitar, por mais louros e troféus que se queiram apresentar, por mais acusações, críticas e contraposições que se queiram tomar, o desemprego é dos mais graves problemas que vivemos, ao qual não deixará de estar associada, para além da instabilidade social e da pobreza, a complexidade social do agravamento da demografia nacional, seja pelo aumento da emigração, seja pela baixa taxa de natalidade ou pelo envelhecimento do país.

E não é fácil olharmos para os mais recentes dados publicados e ficarmos indiferentes porque, para além dos números, também se trata de vidas: a população portuguesa irá decrescer 11% até 2050. Seremos o 18.º país a perder mais habitantes; ou que, em 2030, Portugal será o terceiro país do mundo com a população mais envelhecida (50,2 anos em média), logo depois do Japão (51,5) e da Itália (50,8). Quanto ao número de habitantes, Portugal vai passar dos actuais 10 milhões para 9,845 milhões em 2030, 9,216 milhões em 2050 e 7,407 milhões em 2100. Segundo dados da OCDE.

publicado por mparaujo às 10:48

03
Jun 15

O INE revelou, ontem, os mais recentes dados sobre o desemprego: 13% em Abril, menos 0,2% que em Março do presente ano. O valor da população portuguesa desempregada situou-se, em abril último, nas 667,8 mil pessoas (menos 10,2 mil que em março de 2015). Já no que respeita aos valores do emprego, o Instituto Nacional de Estatística revela que, em abril de 2015, eram 4.486,3 mil as pessoas empregadas, o que significou um aumento de 0,5% face a março deste ano (mais 22,1 mil empregados).

psd - taxa desemprego 13% em abril 2015.png

São, estes números, boas notícias? Sem dúvida... basta recordar que, neste últimos quatro anos, Portugal chegou a registar uma taxa de desemprego na ordem dos 18% (sendo a redução, em abril, de 5%). É significativo. Mas...

Há um outro lado que provoca alguma ilusão e que desvirtua a realidade dos valores apresentados.

Bastam duas referências ou exemplos:

"Segundo o Observatório da Emigração, em 2013 saíram de Portugal 110 mil pessoas e os dados de 2014 vão superar este valor." (fonte: Jornal de Notícias).

Já em novembro de 2014, o Prof. Faria Costa, actual Provedor da Justiça, alertava para a ilegalidade e para a forma abusiva e a manipulação que o Governo dos números do desemprego/emprego (já que a realidade é contabilizada) ao abrigo de contratos de desempregados que estão a receber subsídio (ou rendimento social de inserção) e que são colocados a trabalhar em serviços da administração pública para fazer trabalho "socialmente necessário". A Administração Pública regista cerca de 46 mil "falsos" empregos (46 mil desempregados em funções na administração pública) ao abrigo desta legislação (11 mil na administração central e 35 mil na administração local), recebendo o que, por direito, recebem no subsídio de desemprego (ou rsi).
"Há 46 mil desempregados a trabalhar no Estado" (fonte: Diário de Notícias)
.

Mas por falar em ilusão dos números e, por consequência, da realidade uma das problemáticas relacionadas com os valores do desemprego/emprego é a demografia. Portugal está, por várias circunstâncias e factores, como a emigração e a baixa natalidade, a tornar-se um país envelhecido, com tudo o que isso pode resultar: desertificação geográfica, sustentabilidade social, baixa produtividade, maiores encargos sociais na saúde ou na segurança social.

Daí que, a par com o programa que incentiva o regresso dos jovens emigrantes, o Governo tenha procurado promover incentivos à natalidade. Só que, não raramente, sempre que surge uma ou outra medida positiva (infelizmente não há um plano estratégico abrangente para o combate à grave quebra da natalidade), lá vem mais um agravamento fiscal ou a desresponsabilização social do Estado. O salário mínimo é o que é, em Portugal, e dá para o que dá... a maioria das reformas têm o valor que têm... mas apesar disso "Mais de 1700 crianças perderam direito ao abono de família em novembro" de 2014. Ora aqui está um excelente incentivo à natalidade... Enfim.

publicado por mparaujo às 15:36

10
Abr 15

tio patinhas.jpgCom a aproximação do fim-de-semana, acrescido do augúrio de tempo incerto e instável, importa aproveitar a deixa da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, sobre a importância das almofadas e meditar sobre o assunto, para que a memória não seja curta.

É já daqui a cerca de dois meses e meio que se regista o primeiro "aniversário" do fim do programa de ajuda externa (porque a saída da troika ainda está longe de ser consumada). Volvido este ano, «Portugal tem mais 210 mil pessoas em risco de pobreza ou exclusão desde 2010». Esta factualidade reflecte o impacto que estes quatro anos de austeridade tiveram na vida dos portugueses, na sociedade e no tecido empresarial e comercial do país. Os sacrifícios foram muitos, os alertas igualmente, mesmo que esta realidade - «País mais pobre com quatro anos de sacrifícios» - tivesse sido espectável e nunca escondida.

Sendo certo que, em inúmeros momentos e com as mais diversificadas adjectivações, o Governo nunca escondeu que, durante o processo/vigor do programa de ajuda externa, o risco de empobrecimento era elevado e real, algo confirmado pelos dados de 2013, desde junho de 2014 que o discurso de vitória (mesmo que comedida) de Passos Coelho e do seu Executivo ou da tão badalada recuperação social e financeira do país esbarre, amiúde, com uma realidade que teima contrariar a euforia governativa.

Depois do atentado à classe média portuguesa, transformada nos «novos pobres», num estudo recente (deste ano) da Cetelem cerca de «um terço dos portugueses não tem capacidade de suportar despesas extra».

E há um discurso que o Governo não consegue fazer colidir com os factos reais, independentemente da consciência do valor elevado da taxa e dos números, e por mais programas/incentivos VEM ou discursos promocionais: o desemprego é um enorme flagelo (e consequência da crise). O desemprego sobe há três meses consecutivos (são já, de novo, perto de 720 mil desempregados), com um enorme peso da taxa de desemprego jovem, sendo que, ao caso e independentemente das idades, para um país que se autoproclama significativamente formado e habilitado, há 81 mil licenciados sem emprego.

E é tão difícil o Governo lidar com estes valores, estes números e esta realidade que o "desespero" levou a uma posição pública (raramente vista) do Instituto Nacional de Estatística que garantiu a veracidade e fiabilidade dos novos números do desemprego e não só.

Bom fim-de-semana primaveril.

publicado por mparaujo às 16:19

22
Out 14

Publicado na edição de hoje, 22 de outubro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

As duas faces da taxa de desemprego

O Orçamento do Estado para 2015 assenta num conjunto de premissas de alguma imprevisibilidade e de algum risco para o cumprimento da meta do défice, não dos 2,5% conforme acordado com a Troika, mas sim de 2,7% (apontados pelo Governo). Para além do pressuposto, claramente sobreavaliado, do aumento do PIB em 1,5% (segundo o INE o PIB, entre abril e junho deste ano, subiu 0,6% em relação aos três primeiros meses de 2014, quando na Zona Euro o crescimento foi nulo e no total da União Europeia apenas de 0,2%), há ainda um outro valor de referência que é a diminuição da taxa de desemprego para 13,5% (recorde-se que no terceiro trimestre a taxa situava-se nos 14,6%, aliás valor muito próximo do referenciado pela OCDE para o ano de 2015: 14,7%). Falemos então do desemprego ou da taxa de desemprego. É um facto que este valor da taxa de desemprego é um significativo indicador se tivermos em conta que é preciso recuar até fevereiro de 2012 para encontrarmos um valor muito próximo (14,6%), sem esquecer que, em janeiro de 2013 a taxa situava-se nuns preocupantes 17,4%. Ou seja, a taxa de desemprego recuou 2,7%. Mas isto são os valores percentuais. E a realidade? O que significa esta redução dos pontos percentuais na avaliação do desemprego? Há que lembrar que o actual valor de 14,6% significa ainda que em Portugal há cerca de 740 mil desempregados. Além disso, embora a taxa tenha diminuído 2,7% desde o ano passado (2013), Portugal regista a terceira pior taxa de empregabilidade, este ano, na União Europeia, com apenas 0,6% de empregos disponíveis. O que aconteceu a cerca de 2% dos desempregados? A questão não está nos números. As estatísticas são o que são, os valores são as referências que servem para as devidas ilações. Só que não é correcto a abordagem destes valores de forma absoluta, já que eles escondem outros factores.

Olhando os números é um facto que, desde que começou a crise, há cerca de menos 230 mil desempregados, mas o outro lado da “tabela” mostra-nos que apenas foram criados cerca de 100 mil novos empregos. Ou seja, para onde foram cerca de 120/130 mil portugueses? Deixando de lado a questão da sazonalidade que implica factores que considero extremamente voláteis e questionáveis, se quisermos ir mais longe, comparando a taxa de desemprego entre 2014 e 2012 (como foi feito em cima – valores muito próximos dos actuais), a verdade é que o número de empregados nesse ano rondava os 4.680.000 e hoje situa-se nos 4.520.000 portugueses com emprego. Mesmo comparando com igual período de 2013 (cerca de 4.500.000 empregados) a recuperação, que se regista, apenas contempla cerca de 20.000 novos empregos.

Há ainda a maquilhar estes valores da redução da taxa de desemprego, as constantes alterações às listas do IEFP, pela perda do direito ao subsídio, pelo abandono dos desempregados na procura de emprego através dos registos do IEFP, os desempregados de longa duração, e ainda, o subterfúgio tantas vezes encontrado pelo Governo, de incluir no rol dos empregados (saindo, mesmo que temporariamente, das listas de desempregados) os que se encontram ao abrigo dos “Contratos Emprego Inserção” e “Contratos Emprego Inserção +”, que no primeiro semestre de 2014 eram cerca de 160 mil (contra os 79 mil no início de 2013).

Resta ainda acrescentar a esta realidade os cerca de 100 mil portugueses que emigraram à procura de novos projectos e um futuro (presente) melhor, sejam eles jovens licenciados ou adultos mesmo que não qualificados.

Importa assentar bem os pés na terra, quando se analisa o desemprego e o seu impacto na economia e nas contas públicas.

Em julho de 2011 (antes do início da assistência externa, Troika) Portugal registava cerca de 4.890 empregados. Hoje, após o primeiro semestre de 2014, apesar da recuperação, a crise, o processo de ajustamento das contas públicas, fez Portugal perder/destruir cerca de 390 mil empregos (4500000).

E esta não é uma folha de cálculo, um mapa em excel… é a realidade e a fotografia do país; são os números mas também todos os portugueses que ainda formam, infelizmente, filas significativas à porta dos Centros de Emprego.

publicado por mparaujo às 10:30

12
Ago 14

Hoje, 12 de agosto, celebra-se o Dia Internacional da Juventude. A data foi institucionalizada pela ONU, em 1999, curiosamente após a realização da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, que teve lugar em Lisboa, entre os dias 8 e 12 de Agosto de 1998.

E a propósito do Dia Internacional da Juventude e de Portugal, após 15 anos da efeméride, importa recordar:

1. Em 10 anos Portugal perdeu 500 mil jovens (fonte: INE).

2. Metade do valor da emigração corresponde aos jovens (cerca de 60 mil já emigraram, entre 2012 e 2013).

3. Cerca de 57% dos jovens até aos 25 anos já emigraram ou tencionam emigrar (fonte: estudo Zurich, 2013)

4. Taxa de desemprego jovem, em Dezembro de 2013: 34,3% (fonte: Prodata).

5. Portugal é o terceiro país da OCDE com maior taxa de desemprego jovem. Entre os 15 e os 24 anos, no primeiro trimestre de 2014, o valor situava-se nos 35,4% (fonte: OCDE, 2104).

O lema escolhido para este ano é "A saúde mental importa". Claro que sim... a saúde mental, a saúde, a educação, a formação, o emprego, a estabilidade social...

Bom dia internacional da juventude...

 

https://juventude.gov.pt/Eventos/Cidadania/PublishingImages/RESUMO-Dia-inter.jpg

 

 

publicado por mparaujo às 10:12

21
Mai 14

publicado na edição de hoje, 21 de maio, do Diário de Aveiro. (revisto e republicado)

Debaixo dos Arcos

Da série… não nos tomem por parvos (desemprego)

A um Governante, ao caso o Primeiro-ministro, pede-se Honestidade e Verdade, entre outras características.

Algo que em Passos Coelho se afigura difícil de encontrar, bastando, para tal, recordar o que foram as suas promessas eleitorais em 2011 [corrigo: anteior estava, erradamente 2001] e o que foi o resultado da sua governação nestes três anos de mandato. E eu, muito particularmente, que o diga.

E mais uma vez Pedro Passos Coelho não é, na sua demagogia e retórica política, honesto e verdadeiro.

E já chega de querer fazer passar por parvos os portugueses (assim o espero).

No jantar-comício realizado na passada sexta-feira, aqui, precisamente, em Aveiro, em plena campanha para as eleições europeias deste mês (dia 25), o Primeiro-ministro referiu-se aos dados divulgados pelo IEFP sobre o desemprego (diminuição do número de portugueses inscritos nos Centros de Emprego), congratulando-se pelos valores e justificando o sucesso das políticas do Governo. Melhor dizendo, algo que o chefe do Governo não sublinhou (ou não quis sublinhar), referindo-se, apenas, ao número dos desempregados inscritos nos centros de emprego. De facto, os dados revelados mostram que, em abril deste ano, houve uma queda do número de desempregados inscritos em cerca de 8,3%, comparado com igual período de 2013.

Só que Pedro Passos Coelho faltou à verdade, escondeu a realidade e não mostrou os dados todos. Ou propositadamente não o quis fazer.

É que a redução do número de desempregados inscritos (que aliás não corresponde ao número de desempregados de longa duração, que aumentou 2,6%) tem outra leitura bem distinta da demagogia e politiquice do discurso do Primeiro-ministro.

Primeiro, porque o número de empregados diminuiu, segundo o INE, no primeiro trimestre de 2014 (cerca de menos 42 mil empregos que em 2013).

Segundo, porque a redução do número de desempregados registados não significa (como aliás o INE o prova) que tenha havido mais portugueses empregados. Antes pelo contrário. Significa que deixaram de ter direito aos apoios sociais, que emigraram, que desistiram de procurar emprego, que passaram a inactivos. Registe-se, segundo os valores do INE, que, em Portugal, há cerca de 500 mil desempregados há mais de um ano e que cerca de 310 mil procuram ocupação laboral há mais de dois anos.

Terceiro, o último relatório da OCDE referencia Portugal como o terceiro país com a taxa de desemprego mais elevada entre os países membros.

Quarto, é importante referir, a bem da verdade a que faltou Passos Coelho, que o número de desempregados inscritos (em percentagem) está directamente relacionado com a população activa. Sabendo-se que esta é, hoje, menor, por razões do défice demográfico, pela emigração e pelo elevado número de desempregados, torna-se óbvio que a percentagem tende a diminuir. Sem que isto signifique uma redução real do desemprego que se estima, segundo o INE, numa taxa real de cerca de 19,3%.

Isto não são razões para festejos, foguetes ou brindes com champanhes.

Chega de mentiras e areia para os olhos dos portugueses.

É que o desemprego não engana… é limpinho, limpinho.

publicado por mparaujo às 10:28

17
Mai 14

A um Governante, ao caso o Primeiro-ministro, pede-se Honestidade e Verdade, entre outras características.

Algo que, em Passos Coelho, se afigura difícil de encontrar, bastando, para tal, recordar o que foram as suas promessas eleitorais em 2001 e o que foi o resultado da sua governação nestes três anos de mandato. E eu, muito particularmente, que o diga.

E mais uma vez Pedro Passos Coelho não é, na sua demagogia e retórica política, honesto e verdadeiro.

E já chega de querer fazer passar por parvos os portugueses (assim o espero).

No jantar-comício de ontem, aqui, precisamente, em Aveiro, em plena campanha para as eleições europeias deste mês (dia 25), o Primeiro-ministro referiu-se aos dados divulgados pelo IEFP sobre o desemprego, congratulando-se pelos valores e justificando o sucesso das políticas do Governo. Melhor dizendo, algo que o chefe do Governo não sublinhou, referiu-se ao número dos desempregados inscritos nos centros de emprego. De facto, os dados revelados mostram que, em abril deste ano, houve uma queda do número de desempregados inscritos em cerca de 8,3%, comparado com igual período de 2013.

Só que Pedro Passos Coelho faltou à verdade, escondeu a realidade e não mostrou os dados todos.

É que a redução do número de desempregados inscritos (que aliás não corresponde ao número de desempregados de longa duração, que aumentou 2,6%) tem outra leitura bem distinta da demagogia e politiquice do discurso do Primeiro-ministro.

Primeiro, porque o número de empregados diminuiu, segundo o INE, no primeiro trimestre de 2014 (cerca de menos 42 mil empregos que em 2013).

Segundo, porque o a redução do número de desempregados registados não significa (como aliás o INE o prova) que tenha havido mais portugueses empregados. Antes pelo contrário. Significa que deixaram de ter direito aos apoios sociais, que emigraram, que desistiram de procurar emprego, que passaram a inactivos. registe-se, segundo os valores do INE, que, em Portugal, há cerca de 500 mil desempregados há mais de um ano e que cerca de 310 mil procuram ocupação laboral há mais de dois anos.

Terceiro, o último relatório da OCDE referencia Portugal como o terceiro país com a taxa de desemprego mais elevada entre os países membros.

Quarto, é importante referir, a bem da verdade a que faltou Passos Coelho, que o número de desempregados inscritos (em percentagem) está directamente relacionado com a população activa. Sabendo-se que esta é, hoje, menor, por razões do défice demográfico, pela emigração e pelo elevado número de desempregados, torna-se óbvio que a percentagem tende a diminuir. Sem que isto signifique uma redução real do desemprego que se estima, segundo o INE, numa taxa real de cerca de 19,3%.

Isto não são razões para festejos, foguetes ou brindes com champanhes.

Chega de mentiras e areia para os olhos dos portugueses.

publicado por mparaujo às 22:00

07
Mai 14

Um dos factores críticos, de censura, de afastamento, de desilusão, em relação ao Governo reside na diferença colossal, numa verdadeira espiral recessiva do discurso político, entre as posições assumidas por Pedro Passos Coelho (‘novo’ PSD) no período (1 ano) que antecederam o chumbo do PEC IV e a campanha eleitoral de 2011, e toda a governação exercida, onde se incluem todas as demagogias e enganos cometidos por este Governo. A ponto de perder a identificação com este PSD (por mais velas que apaguem neste 40º aniversário, longe dos princípios e fundamentos da social-democracia que esteve na sua génese e tão proclamada por Sá Carneiro); a ponto de reconhecer que se o arrependimento matasse o meu voto, em 2011, teria sido, claramente, outro (mesmo que não fosse noutro partido).
Mas o problema é que as alternativas existentes tornam difícil acreditar noutras soluções, acreditar noutros discursos, acreditar noutras realidades políticas.
Pedro Passos Coelho enquanto oposição, antes das eleições de 2011, tinha um discurso… Pedro Passos Coelho enquanto Primeiro-ministro teve outro completamente diferente.
O que os políticos têm de começar a perceber é que já não vale a pena tentarem fazer de parvo o eleitorado. Já estamos demasiado calejados.
E quando lemos declarações destas, “Seguro promete não aumentar impostos nem despedir funcionários públicos”, só nos podemos rir, no mínimo. Isto para não sermos malcriados e deselegantes.
E o líder socialista afirma isto sem o mínimo de um sorriso, sem qualquer tipo de vergonha e pudor. O mesmo líder que, em março, reconhecia a dificuldade na reposição do nível salarial, das pensões e das prestações sociais de 2011 num futuro próximo.

António José Seguro, ao mesmíssimo canal de televisão (SIC Notícias) afirmava, questionado sobre o tema: "A resposta séria é não. Nem os portugueses imaginariam, nem nunca ouviram do líder do PS nenhuma proposta demagógica para voltarmos a 2011 porque não é possível. As contas públicas portuguesas não o permitem."
Voltamos a 2011… se isto é assim na oposição e em períodos eleitorais, já se imaginará o “filme” se, eventualmente, na “cadeira do poder”.

publicado por mparaujo às 14:32

23
Mar 14

"A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor". (Luís Montenegro, líder da bancada do PSD, 21.02.2014)

Só neste mês de março, que está prestes a terminar, cinco notas que reforçam o estado da vida dos portugueses e deixa muitas dúvidas sobre o estado do país.

«Mais de 425 mil desempregados sem subsídio em janeiro» (Jornal de Notícias - 05.03.2014)

«Num ano, mais de 52 mil perderam o Rendimento Social de Inserção» (Jornal de Notícias - 05.03.2014)

«Num mês 50 mil crianças e jovens perderam o abono» (Jornal de Notícias - 06.03.2014)

«4500 famílias dependem da Cáritas todos os meses» (Jornal de Notícias - 16.03.2014)

(a título de exemplo) «Cáritas de Coimbra teve aumento de 170% nos pedidos de apoio social em 2013» (Expresso - 20.03.2014)

publicado por mparaujo às 21:39

09
Fev 14
http://www.cister.fm/wp-content/uploads/2012/02/Desemprego-Grande.jpg

publicado na edição de hoje, 9 fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

O que esconde 15,3% de desemprego?

A questão surge com a divulgação, pelo INE, da taxa de desemprego registada no quarto e último trimestre de 2013. O valor divulgado refere uma taxa de 15,3%, registando-se uma diminuição de 1,6% em relação ao valor homólogo de 2012, que situava a taxa de desemprego nos 16,9%. Há, neste registo, alguns aspectos positivos que importa salientar: a diminuição da taxa (sejam quais forem as razões, há uma diminuição de 1,6% apesar do elevado número de desempregados: quase 830 mil cidadãos). Para além disso, registe-se a ténue recuperação económica que, mesmo assim, criou cerca de 30 mil postos de trabalho, embora apenas um em cada três (um terço) dos desempregados tenha conseguido uma recolocação laboral.

Mas tal como na divulgação do valor do défice orçamental de 2013 (aqui comentado na edição do dia 29 de janeiro - “Verdade seja dita”) também este valor de 15,3% da taxa de desemprego nos últimos três meses de 2013 esconde outras realidades.

A primeira resulta de um dado preocupante em termos de futuro (embora, obviamente, com impacto na descida da taxa): cerca de 63% dos 830 mil desempregados estão sem trabalho há mais de um ano. E é importante referir ainda que o ano de 2013 registou (apesar do aumento no último trimestre) menos 100 mil trabalhadores que em 2012 (população activa na ordem dos 4,7 milhões de cidadãos).

Daí que, em segundo lugar, seja relevante referir que, segundo os valores apontados pelo INE, contabilizando os cidadãos que deixaram de procurar emprego, o valor da taxa (real) estaria situado nos 20,7%. Isto é, teríamos uma realidade que representaria cerca de 1, 2 milhões de desempregados (quase mais cerca de 400 mil para além do valor divulgado).

Por outro lado, o ano de 2013 fechou com cerca de 128 mil postos de trabalho criados, mas que apenas representam cerca de 28% do total de postos de trabalho perdidos desde 2011 (460 mil). Importa relembrar que o segundo trimestre de 2011 registou o valor mais baixo (dos últimos anos da crise) da taxa de desemprego: 12,1%.

Mas, por fim, o mais significativo é que o apelo do Primeiro-ministro e do (à data) Secretário de Estado da Juventude sortiu efeito: no ano de 2013 cerca de 100 mil jovens portugueses emigraram (desapareceram dos dados do INE). Já não se trata de sazonalidades ou de demagogias. Os dados do INE são claros: e emigração teve impacto na descida da taxa de desemprego em Portugal.

Para justificar esta realidade há ainda quem entenda que esse impacto, para além da descida do valor da taxa, é positivo. Isto é, a emigração é o principal factor de sucesso do governo no que respeita ao combate do desemprego. E isto é, por alguns apoiantes de Passos Coelho, uma boa notícia, porque (basta recordar o artigo “Elogio à emigração” de João César das Neves, no Diário de Notícias, a 6 de janeiro último) a emigração pode ser uma “bênção”. Mas não é…

Por várias razões óbvias: a saída de uma “zona de conforto” e de total alteração de vida, a que todos temos direito, sem ser por vontade própria; a procura de oportunidades e de melhores condições que o país não consegue promover, nem oferecer; tendo a quase totalidade de emigrantes menos de 35 anos e registando-se uma das maiores taxas de jovens formados/habilitados, o país perde, de “mão beijada” e face ao esforço que despendeu, a sua massa crítica, o saber e o conhecimento necessários para o desenvolvimento social, cultural e económico; além disso, emigração significa um decréscimo de contribuições fiscais, e menos de 100 mil contribuintes afigura-se um valor considerável. Para além disso, esta realidade provoca um envelhecimento preocupante do país (face à baixa taxa de natalidade), correndo-se o risco da maioria dos “novos” emigrantes, num mundo tão globalizado, facilmente perderem as suas raízes e dificilmente regressarem a Portugal.

Se uma taxa de 15,3% de desemprego é uma boa notícia, importa reflectir sobre a realidade social que a sustenta e que é reflectida na “outra face da moeda”. E 15,3% escondem muito…

publicado por mparaujo às 14:41

05
Mar 13

 

Uma das maiores e principais (e piores) consequências das medidas que têm sido implementadas para a recuperação financeira e económica do país, fruto do memorando de entendimento de ajuda externa (BCE - UE - FMI) e também como resultado da concepção política do Governo, é, acima de qualquer outra circunstância, o elevado valor da taxa de desemprego. Taxa esta que, não expressando a realidade (apenas valores contabilizados nos centros de emprego), ronda já os 17,6%.

Esta preocupante realidade comporta em si outras consequências: deterioração social, insegurança, instabilidade familiar, quebra no consumo e consequentemente rotura da economia interna, aumento dos encargos com as prestações sociais do estado, diminuição das contribuições fiscais do trabalhador e das entidades empregadoras.

Mas acima de tudo a pior consequência da falta de emprego é a sensação que gera no desempregado de uma grande frustração, de incapacidade, de inutilidade, de desespero, de exclusão social. Ao ponto dos resultados poderem ser vários, já que a escassez de oferta é, mês após mês, cada vez maior, face ao número de empresas que encerram portas: surgem as depressões, os suicídios, o desespero.

E é este "desespero" que leva, em muitos casos, a actos irreflectidos, impensáveis em condições normais, e que a Fernanda Câncio retrata num extenso mas irrepreensível trabalho de investigação publicado na edição de ontem (4 de março) do Diário de Notícias, sob o título: "O incrível e maravilhoso mercado do desemprego".

A ler, a reler... e a não perder.

Vale mesmo a pena. Porque o jornalismo (e nomeadamente o de investigação) não tem apenas como "missão" informar, noticiar. Também deve "formar", quer pelo conhecimento, quer pelo sentido crítico.

Clicar na imagem para aceder à digitalização do texto.

(actualização)
O trabalho de investigação da Fernanda Câncio e publicado no DN do dia 4 de março também pode ser lido na versão online do Dinheiro Vivo: "Empresas lucram com falsas ofertas de emprego para desempregados".
publicado por mparaujo às 21:13

18
Ago 12

Por imposição do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal (Troika) o governo português viu-se na obrigação de reduzir em 2% o número dos funcionários da Administração Pública.

No recente relatório Síntese Estatística do Emprego Público, publicado pela Direcção-geral da Administração e do Emprego Público, é espelhada a realidade actual dos recursos humanos da administração pública e local (infelizmente proliferam as comissões de serviço, assessorias e afins, para além de um sector empresarial do Estado que consome recursos, no mínimo, questionáveis).

Em junho de 2012, a Administração Central empregava 452127 trabalhadores, menos 6154 efectivos em relação a dezembro de 2011 (458281 funcionários) o que representa uma redução de cerca de 1,3%.

A Administração Local, em junho, empregava 120.636 trabalhadores, menos 2.176 funcionários em relação a dezembro de 2011 (122.812 funcionários), o que representa uma redução de cerca de 1,8%.

No total, desde o início do ano, o Governo já reduziu na sua estrutura central e nas autarquias cerca de 1,4% dos 613.852 funcionários registados em dezembro de 2011, para os 605.212 (menos 8.640 trabalhadores).

Ainda em relação às autarquias, importa ainda referir que, face às medidas aplicadas pelo governo, o ganho médio mensal nas autarquias, em seis meses, desceu 1,1% (dos 1081 euros para 1069 euros).

publicado por mparaujo às 21:30

17
Jun 12

Publicado na edição de hoje, 17 de junho, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré
Congelamentos superiores
O Governo/Ministério da Educação publicou na passada terça-feira, 12 de junho, na página oficial da Direcção-geral do Ensino Superior - DGES, uma norma que determina o congelamento do número de vagas nos cursos superiores (universidades e politécnicos) para o ano lectivo de 2012/2013. Esse congelamento equivale a um igual número de vagas ao verificado para o ano lectivo 2011/2012, sugerindo, no entanto, uma redução em 20% do número de vagas em cursos como professor do ensino básico ou educação de infância.
A principal razão apontada prende-se com a relação entre a oferta formativa e a empregabilidade, e, consequentemente, a racionalização de recursos financeiros (encargos com o financiamento do ensino superior).
Como medida e política de gestão, principalmente a pedagógica (oferta formativa), parece ser uma interessante proposta e decisão governativa. No entanto, há alguns aspectos que merecem alguma ponderação e reflexão.
É um facto que mesmo antes do processo de Bolonha, e agravado após a entrada em vigor dos novos ciclos formativos superiores, houve uma tendência exagerada por parte das universidades na criação de licenciaturas e mestrados, sem a necessária preocupação da sua adpatação às realidades empresariais, científicas e culturais do país (mesmo antes da crise). E não me refiro apenas à questão do mercado de trabalho. Trata-se de adaptar o conhecimento, o saber e a experiência à procura e às exigências da sociedade portuguesa no que respeita ao desenvolvimento económico (comercial, industrial, ...), cultural e social, bem como às necessidades na área da investigação que sustentem esse mesmo desenvolvimento.
A título meramente exemplificativo, se há já alguns anos o país abandonou, de forma quase que "criminal", a aposta significativa nos seus recursos agrícolas, não faz sentido que tenha (sublinhe-se o passado verbal) existido uma preocupação em promover e implementar consideráveis recursos ao nível da oferta em áreas como engenharias agrárias, alimentares e zootécnicas. Se já há alguns anos que se verificam consideráveis alterações demográficas e diminuição da taxa de natalidade; se, pelas mais diversas razões, se tem vindo a assistir a um ajustamento da rede escolar no país (novos agrupamentos, encerramento de escolas, novos centros educativos) não faz, de facto, qualquer sentido que continuem a ser prioritárias as apostas formativas na área da educação. Mas isto são realidades que as próprias universidades e institutos politécnicos deveriam fazer, ano após ano, sem haver a necessidade de uma "imposição" governativa ou da tutela. É o bom-senso da gestão de recursos, de meios, de estruturas, até porque o factor da empregabilidade é um factor que, apesar de relacionado com a oferta pedagógica e a sua consequência futura, as universidades não controlam. A empregabilidade não está apenas e directamente relacionada só com a oferta formativa, está igualmente relacionada com mercados, economia e as políticas de promoção de emprego que os governos implementam (ou não). Se assim fosse, a maioria dos jovens, uma grande maioria diga-se, estaria muito mais descansada quanto ao seu futuro. A realidade dos números relacionados com o desemprego (ou a falta de emprego) retratam isso mesmo: cerca de 40% dos jovens não encontra mercado laboral para as suas formações superiores, sejam elas quais forem. Seria, eventualmente, mais interessante que a gestão da oferta pedagógica passasse a ser condicionada pela variação na subsidiação dos cursos (1º ciclo e mestrados), limitando esse financiamento a um valor mínimo de 15 a 20 alunos por oferta formativa. O que poderia significar uma necessária e atenta gestão na administração das universidades.
Por outro lado, há, nesta vertente, também uma responsabilização dos próprios cidadãos, nomeadamente os jovens (e famílias), com o cuidado na escolha da vocação profissional e do seu futuro laboral, sem que isso tenha, obviamente, de limitar ou aniquilar toda uma liberdade de escolha individual a que cada um de nós tem direito. A verdade é que há muitas escolhas que se tomam por razões sociais e culturais, de forma irracional e inconsistente.
Por último, não deixa ainda de ser curiosa a medida agora imposta pela tutela do ensino superior/educação, só porque, agora, o Governo “descobriu” que está preocupado com a questão da empregabilidade e com o aumento do número de jovens licenciados no desemprego. No entanto, este mesmo Governo não tem qualquer problema de consciência em sugerir aos jovens que emigrem, que procurem noutros países as oportunidades que, cá dentro, lhes são negadas, sem que isso traga quaisquer contrapartidas para o país que gastou recursos financeiros que não recupera (relembra-se o que foi aqui escrito em "Há razões que a razão desconhece"). É que com a ausência de medidas e políticas consistentes (mesmo com este novo "impulso jovem") para o combate ao desemprego, a responsabilidade do Estado é, como em outros casos, transferida para as universidades e para os cidadãos. Substitui-se as dificuldades de governação com as imposições para os outros. Só que, desta forma, iremos continuar a assistir à triste realidade: para se ir para o desemprego basta ter um curso superior.
Uma boa semana…

publicado por mparaujo às 12:35

06
Jun 12

E há discursos com os quais não consigo conter-me na adjectivação, até porque não encontro adjectivos capazes de sustentar o espanto, a náusea, a estupefacção, a imbecilidade, o cinismo, o descaramento.

Já tinha referido, pelo menos, a 16 de maio - "Oportunidades perdidas" que o factor emigratório de hoje, nada tem a ver com o da década de 60 e 70, e muito menos traz qualquer tipo de vantagem para o país. Antes pelo contrário... perdemos recursos qualificados (e que custaram a qualificar), desertificamos o país, não recolhemos dividendos fiscais nem contribuições, as empresas ficam sem quadros e sem competitividade, perdemos investigação e conhecimento. Além disso, o país envelhece e empobrece.

Desta forma, não consigo perceber como pode um ministro como Miguel Relvas, com as responsabilidades políticas e governativas que tem, com a débil e descredibilizada imagem política que os acontecimentos recentes criaram no seio do governo e na opinião pública, tenha este tipo de opinião e a diga "alto e bom som" (apesar de num evento interno do partido a que pertence e para o qual muitos preconizam outro rumo), ontem, nas jornadas sobre "Consolidação, Crescimento e Coesão", em Santarém:

"Nós hoje já não exportamos só futebolistas, exportamos cientistas, exportamos pintores, artistas plásticos. Hoje temos essa capacidade, esse é o grande bem de um pequeno país. É isso que nós temos para exportar, a capacidade de afirmação que a nossa história sempre demonstrou". (fonte: RTP online)

E a estupefacção e a irritação são enormes.

Primeiro, é abominável que um responsável político e governativo considere os seus cidadãos como "mercadoria" exportável e negociável.

Segundo, o Estado português não retira qualquer tipo de contrapartida com a emigração de quem quer que seja, hoje em dia. Tal como referido atrás e no artigo publicado no Diário de Aveiro, de 16 de maio passado ("Oportunidades perdidas").

Terceiro, os portugueses emigram porque querem, porque precisam e porque não encontram no seu país natal, na sua terra, nas suas comunidades, no seu tecido empresarial e científico, qualquer tipo de oportunidades. E não porque o Estado português os "exporta".

Quarto, o ministro Miguel Relvas confunde "exportação" com abandono, desamparo, indiferença, "expulsão", fruto da forma como o Governo tem demonstrado incapacidade para, estruturalmente, encontrar medidas que comabtam o desemprego, criem oportunidades de empreendedorismo.

Nunca fui um evidente e claro "adepto" e "simpatizante" (até) dos comentários do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa... mas torna-se, cada vez mais, evidente que o mesmo tem toda a razão quando se refere à péssima prestação governativa do ministro-adjunto e dos assuntos parlamentares.

Pode ter a força (estranha) que tem, mas não deixa de ser o elo mais fraco.
Não se percebe como ainda dura no governo... nem a própria "razão" o entende.

publicado por mparaujo às 22:30

16
Mai 12

Publicado na edição de hoje, 16 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Oportunidades perdidas...
Pelos recentes desenvolvimentos políticos, nomeadamente os que ocorreram no final da passada semana, hoje percebe-se melhor a fundamentação do Secretário de Estado da Juventude e do Primeiro-ministro quando aconselharam os jovens licenciados, os professores e demais cidadãos portugueses a emigrarem.
Face ao “estigma” que é o desemprego ou a falta de emprego, nomeadamente o primeiro emprego (dos 15,5% de desempregados cerca de 20% são jovens recém licenciados), e ao respectivo impacto que tal realidade transporta para a sociedade e para a gestão do país cada vez mais difícil e complexa, a alternativa mais promissora para contornar essa “gratificante” falta de emprego ou a sua perda é a tal procura de mudança e de oportunidade que os países europeus, asiáticos, sul-americanos e africanos oferecem. Ou seja… Emigrem (sejam felizes lá fora).
E a verdade é que essas oportunidades, essa perspectiva de mudança e de encontrar a “felicidade”, de facto, existem. E mais ainda, na maioria dos casos, elas vêm até nós, minimizando os impactos negativos das fraudes e desagradáveis surpresas (que ainda existem, infelizmente) ou o desespero da procura. O que antigamente significava um “tiro no escuro” ou a dependência de laços familiares para encontrar, ‘lá fora’, uma alternativa de sustento e de sobrevivência, hoje é o próprio mercado da procura que se desloca, em diversos e distintos eventos, até à oferta para o seu eventual recrutamento.
A realidade demonstra que Portugal é, embora de forma sectorial (vários ramos das engenharias, informática e robótica, área da saúde, deixando de fora, infelizmente, as áreas sociais), um excelente e apetecível mercado de recrutamento, valorizando, desta forma, a formação e o saber desenvolvidos no nosso país. E aqui começam as duas questões essenciais na abordagem desta realidade: primeiro a incapacidade que o país tem (sempre teve) de gerar oportunidades, de aproveitar este conhecimento e saber para produzir e criar riqueza, desperdiçando anos de recursos e, literalmente, “abandonando” as suas gentes (e o que isso representa em termos de perda de identidade, de cultura, de história). É difícil compreender como é que um outro país decide vir recrutar a Portugal, por exemplo, 300 engenheiros mecânicos ou 500 informáticos. Como é que se podem perder estes recursos, estes meios humanos e este saber e, ao mesmo tempo, querer gerar riqueza, produtividade e aumentar a economia nacional?
Para além disso, e em segundo lugar, o governo, ao aconselhar e “promover” a emigração esquece o mais essencial: é que a emigração dos anos 90 e deste século, não é a mesmo da década de 60 e 70. Hoje, quem emigra, na maioria dos casos, não deixa uma família para trás. Hoje, quem emigra não tem a preocupação de “devolver” ao país parte do seu salário, nem de reinvestir nas suas origens. O que resulta numa quebra significativa de riqueza, de receitas fiscais e de sustentabilidade social. Além disso, e do facto de se perder a maior riqueza de qualquer estado que é o valor do trabalho, face às oportunidades, às novas estruturas sociais, às ofertas que são feitas aos cidadãos portugueses que emigram, à globalização e às facilidades de comunicação, hoje quem emigra muito dificilmente regressa… em muitos casos já nem para rever a “terra” e o que resta da família que cá ficou.
Se para um cidadão português emigrar pode significar, de facto, uma oportunidade de ouro, para o país é o sinal da incapacidade de sustentabilidade, de sobrevivência e de futuro. Ou seja… traduz-se em oportunidades perdidas. Assim como num país cada vez mais para “velhos”.

publicado por mparaujo às 05:41

05
Jul 10
É que de repente, em Portugal, a maioria dos cidadãos é tomada como estúpida, burro, analfabeta, vulnerável e influenciável.
Embora na altura do dever eleitoral, assim o faça lembrar.

O Governo e José Sócrates ainda não perceberam que é mais aceitável e compreensível o reconhecimento da realidade e dos factos, e tentar encontrar soluções, do que andar constantemente num discurso de "banha da cobra" que já não convence ninguém (as recentes sondagens já o demonstram).

Em Maio o desemprego chegou aos 11% (dados do Eurostat: 10,9% - fonte TSF)

O Primeiro Ministro continua a retratar e a pintar um país e uma realidade diferentes. Infelizmente longe da verdade.

Mesmo que venha afirmar que existem sinais de que o crescimento do desemprego abrandou.
Ou que espera que neste Verão se registe um aumento do número de empregados.
Esquecendo, por conveniência e demagogia política, o factor sazonalidade.

(actualização)
Como se os factos apresentados não bastassem para alertar os mais cépticos e distraídos, segundo fonte divulgada pela TSF, foram declaradas insolventes 1840 empresas nos primeiros seis meses de 2010, mais 2,5 por cento que no mesmo período de 2009.
É esta a retoma económica e o apoio às PME's?!
publicado por mparaujo às 23:09

17
Set 06
(Via TSF on-line.)
No encerramento da «Marcha pelo Emprego» do BE, (…) a proposta do partido de «aumentar um dia livre e reduzir o horário de trabalho» para «aumentar a partilha do emprego» em Portugal.
(…) propôs uma luta «em toda a Europa» por menos carga horária «sem redução de direitos», rejeitando «o trabalho a tempo parcial».


Ou seja, trabalha-se menos dias, menos horas, pelo mesmo direito salarial.
Num país que precisa de todos os esforços para que o seu desenvolvimento económico seja uma realidade, para que as empresas e os serviços tenham maior solidez e sustentabilidade, eis a maior anormalidade até agora ouvida.
A demagogia do Bloco de Esquerda e as suas metáforas políticas que iludem a realidade, ainda surpreende. Só não consigo perceber como é que cerca de 800 pessoas ainda podem aplaudir.
Enquanto continuarmos obcecados pela dualidade empregador-empregado, enquanto todos não fizermos parte do mesmo “barco”, o país corre o risco de se afundar.
Se isto não é fundamentalismo, só pode ser mesmo anedota.
publicado por mparaujo às 23:02

04
Set 06
O Bloco de Esquerda decidiu marchar.
Até aqui, nada de especial. Até porque andar faz bem à saúde.
O objectivo da marcha também não é despropositado até porque, segundo os últimos dados, o desemprego regista um valor próximo dos 460 mil portugueses.
O que é curioso é a demagogia e a mtáfora política que ainda vai reinando pelo lado bloquista.
A demagogia e insanidade política do Dr. Louçã.
Num país com uma realidade financeira e laboral de extrema gravidade, vir afirmar que se deve "trabalhar menos para criar mais emprego", é de bradar aos céus.
Se os empresário portugueses são apelidados pelo responsável do Bloco de Esquerda como "mafiosos"(sic), então o Dr. Francisco Louçã é o verdadeiro "Peter Pan" do mundo laboral que vive numa realidade de sonho.
E a demagogia "marchante" do BE é de tal modo gritante, que a coerência de actos e fundamentos é coisa que não existe para aquelas bandas.
Porque é que o BE não marchou contra os portugueses que, face à realidade dos números do desemprego, teimam em criar estas verdadeiras pérolas da nossa cultura social?
460 mil desempregados - apenas 9 mil propostas de emprego e "apenas apenas" 4700 portugueses preencheram essas vagas.
Trabalhar?! Já diziam os meus avós - "faz calos"!
O que é verdadeiramente preocupante (ou não) não é a insistência nestas metáforas políticas de Francisco Louçã. O que poderá ser preocupante (ou não) é ainda alguém lhe dar ouvidos.
publicado por mparaujo às 21:46

21
Mai 06
O recente relatório do INE indica um decréscimo na taxa de desemprego (3,9%) neste primeiro trimestre de 2006, face ao último trimestre de 2005.
Tal valor, lido de forma “nua e crua”, poderia, à primeira vista, ser um claro sinal de optimismo.
Mas sejamos realistas.
De propaganda já começa o país a ficar ligeiramente cansado.
Se analisarmos mais friamente os números, poderemos encontrar razões que a razão governativa desconhece.
Primeiro, esta redução anunciada é, em parte, reflexo do cruzamento de dados entre o Instituto de Emprego e a Segurança Social. Ou seja, é reflexo da diminuição e do combate (que se elogia) à fraude, porque resulta da “descoberta” de situações de subsídio de desemprego acumulado com actividade produtiva e laboral.
Desta forma, a análise mais correcta seria a avaliação dos resultados do último trimestre de 2005 com uma projecção de igual cruzamento de dados.
Retirando este importante factor, era então mais fiável a realidade dos valores anunciados.
Segundo, não nos podemos esquecer que a taxa de desemprego é o resultado percentual de quem não está no activo pelo número total de portugueses produtivos.
Também deveria ter sido considerada a influência que a evolução do número de reformas teve nos dois períodos. Sabendo-se das alterações legislativas à regulamentação da reforma e da sua idade e do “boom” que foi o ano de 2005 por força dessa mesma legislação, é um factor inflacionante dos resultados finais.
Por último, é preocupante que o governo não assuma, por forma a esclarecer convenientemente os portugueses, a realidade nacional.
Comparando este primeiro trimestre de 2006, não com o último de 2005, mas com igual período de 2005 (1º trimestre de 2005), e apesar do referido cruzamento de dados a taxa de desemprego aumentou 4,1%.
Outra realidade… A realidade do distrito de Aveiro.
O distrito de Aveiro é, a nível nacional, a região mais devastada pelo flagelo pessoal e familiar da perda do emprego e respectivo rendimento. Entre 2000 e 2006, o distrito de Aveiro registou um aumento de 126%, que reflecte um acréscimo de cerca de 18 mil novos desempregados, em apenas 6 anos.
Os cinco concelhos com mais desempregados (Feira – Ovar – Aveiro – Espinho – Oliveira Azeméis) totalizam 19245 pessoas sem trabalho.
Esta não é uma realidade propagandista, nem um choque virtual.
publicado por mparaujo às 22:13

02
Mai 06
Ontem, estive atentamente a ouver (ouvir+ver) a edição do programa Prós e Contras.
Tema: a sustentabilidade da Segurança Social e mais concretamente as alterações à reforma.
Fiquei, obviamente preocupado. Principalmente, pelas seguintes razões:
1 - Trabalhar até mais tarde. Parece-me preocupante, do ponto de vista da razoabilidade do exercício das funções, e da produtividade.
2 - Aumentar a carga da dedução mensal da contribuição. Vai reduzir a capacidade finaceira do trabalhador; i.e., vai reduzir o salário.
3 - Penalização do valor da reforma. Tantos anos de descontos para pouco usufruir.
Há uma questão de sustentabilidade da Segurança Social que merece ser reflectida. Parece-me que se exagera na adjectivação da sua situação futura e do seu "caos" financeiro (que muitos estudos se apresentam contraditórios) para justificar alterações que são socialmente negativas.
Não dormi descansado.
E hoje, não vou dormir menos inquieto, quando as noticias do dia apresentam um aumento considerável do número de reformas acima dos 5000 euros.
Que raio de noite...
publicado por mparaujo às 23:23

01
Mai 06
Foi há 120 anos…
Chicago não era só uma realidade cultural e musical. Transportava para o mundo, a realidade laboral.
Da reivindicação das 8:00 de trabalho diário, para a celebração internacional de um dia cheio de “chavões”, demagogias e cada vez mais um simples feriado histórico.
O dia dos sindicalismo cada vez mais partidário e menos abrangente para trabalhadores.

A realidade do dia-a-dia mostra-nos cada vez mais desemprego, códigos do trabalho irreais, irracionalidade e falta de flexibilidade de funções, de actividades, de objectivos das empresas e seus colaboradores.
“Do justo pelo pecador”!
Salários abaixo da média europeia…
Trabalho infantil por combater…
Iletracia na maioria da população e uma excessiva média de abandono escolar…
Empresas a fechar, quase que diariamente, criando uma realidade familiar e social, muito aquém do “propagandex” governamental.
Um país assimétrico, cada vez mais "litoralizado" e desertificado no seu interior.
Portugal tem graves problemas na saúde, na segurança social, na educação, na justiça e na economia.
Interessante a edição deste fim-de-semana do Expresso, que retrata na sua revista o espelho de uma classe média (onde me incluo - 1500 €/mês) cada vez mais frustrada, sem recursos, a lutar pela sua sobrevivência mensal e responsável por manter um país vivo e a “mexer”.

Este é o 1º de Maio de 2006.
Com muito “choque tecnológico”, sem muito choque social, económico e cultural.
Em vez de gestão do país… vamos tendo uma congestão governativa!
publicado por mparaujo às 14:57

23
Abr 06
Enquanto a propaganda governativa continua a criar um País virtual e tecnologicamente chocado, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - OCDE, diagnostica no seu relatório a situação económica portuguesa.
E o seu parágrafo inicial não poderia ser mais esclarecedor: “a economia portuguesa deteriorou-se desde 2000”.
Ou seja o diagnóstico dos últimos 5 anos é mau. As previsões para os próximos 5 (até 2010) são péssimas.
Portugal continua a divergir da zona euro, quer produtivamente, quer na qualificação dos recursos humanos, quer na competitividade. Isto é, economicamente fracos, porque produtivamente fraquinhos.
E medidas concretas (muitas, eventualmente drásticas) precisam-se no Ambiente - na Fiscalidade e Tributação - na Lei do Trabalho e na Produtividade - na Educação - na Despesa Pública e na valorização do Mercado.
Enquanto isso não for uma realidade, vamos continuar a viver num constante País das Maravilha.
publicado por mparaujo às 22:46

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