Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

14
Mar 17

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O mês de março iniciava-se com as polémicas, condenáveis e abjectas declarações do eurodeputado polaco a poucos dias do Dia Internacional da Mulher, aqui retratado (A questão de altura, força e QI.) e destacado pela equipa do Sapo.

Felizmente, as várias reacções junto do Parlamento Europeu viram alguma luz ao fundo do túnel. Não tenho a certeza de se ter feito justiça, mas pelo menos houve um sinal positivo por parte do Parlamento Europeu no que respeita à liberdade de expressão/opinião e a defesa da dignidade humana e dos mais elementares direitos humanos fundamentais, ao caso, os direitos das mulheres.

Repito que não sei se foi feita justiça mas pelo menos que sirva de exemplo e de aviso.

Na altura o eurodeputado polaco, Janusz Korwin-Mikke, afirmou, em pleno plenário e sem qualquer tipo de constrangimento ou pudor, que as mulheres devem receber menos salário do que os homens porque são mais fracas, mais frágeis e menos inteligentes.

Volvidos pouco mais de 15 dias o Parlamento Europeu sancionou o ignóbil eurodeputado com a exclusão do plenário por um período de 10 dias, a perda de ajudas de custo diárias durante 30 dias e a proibição de representar o Parlamento Europeu durante um ano.

É pouco perante o que esconde a afirmação proferida: o crescimento do fundamentalismo e do extremismo, a defesa da misoginia, do racismo, da homofobia e da xenofobia.

publicado por mparaujo às 14:44

08
Ago 14
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Do dicionário... defraudar: (...), lesar, fraudar, iludir, enganar.

Concentremo-nos nestes últimos dois sinónimos de defraudar.

A notícia é "fresca" (logo a abrir a manhã): "Marinho e Pinto vai abandonar Parlamento Europeu". Após a chegada ao Parlamento Europeu, sete dias bastaram para Marinho e Pinto regressar a casa.

Segundo ao antigo Bastonário da Ordem dos Advogados, eleito eurodeputado nas últimas eleições europeias pelo Movimento Partido da Terra, com uns surpreendentes (embora questionáveis) 7% dos votos (o que levou, inclusive, à eleição de um segundo eurodeputado), as razões são essencialmente três (pelo que refere nas suas declarações à imprensa):

- a desilusão face ao projecto europeu: "o elemento agregador da Europa não está nos ideais nem nas políticas, mas no dinheiro"; "saio menos europeísta do que quando entrei". Ora bem... em que planeta vivia Marinho e Pinto quando se candidatou ao Parlamento Europeu? Sendo candidato em Portugal, por um partido português, numa altura em que o país ainda estava sob o programa de ajustamento (Troika), Marinha e Pinto acreditava mesmo que a economia tinha um papel secundário nos actuais destinos do mundo?

- a questão salarial: "o rendimento auferido pelos eurodeputados, que pode chegar aos 17 mil euros/mês, é vergonhoso". Tapar o sol com a peneira ou tratar os portugueses por parvos é que não. Há, em Portugal, valores salariais (excepções, mas há) muito superiores a 17 mil euros. Por outro lado, tratando-se do Parlamento Europeu onde se encontram eurodeputados de 28 países, onde nalguns deles o salário mínimo nacional é 4 ou 5 vezes maior do que o de Portugal, não se percebe a vergonha (ou até mesmo a obscenidade) do valor auferido por um eurodeputado. O problema não está na vergonha dos 17 mil euros/mês... a vergonha está no valor médio de 800 euros dos salários em Portugal. Além disso, este valor é por demais sabido e público, até para o politicamente mais "comum" e "distraído"do cidadão. Marinho e Pinto já o sabia na altura das eleições, em maio passado.

- a realidade nacional: o quase futuro ex-eurodeputado Marinho e Pinto afirma que projecta uma candidatura presidencial (em 2015, note-se) por entender que "os problemas nacionais são mais graves do que os europeus". Que a realidade nacional é o que é, está enferma e não tem sido fácil viver cá e aguentar toda esta crise, é um facto. Mas que a realidade que vivíamos até ao final do Programa de Ajustamento, mesmo que tenuemente, era pior também não restam dúvidas era a mesmíssima realidade que Marinho e Pinto poderia constatar no dia-a-dia dos portugueses na altura das eleições. Porque é que avançou e não se afirmou antes como futuro candidato presidencial, quando tantos nomes já foram tornados públicos?

Do ponto de vista pessoal, a minha análise já tinha feito na altura da avaliação dos resultados eleitorais mas que se completa com esta notícia de hoje:

1. Marinho e Pinto não tinha nenhuma afinidade político-partidária com o partido que o elegeu (Movimento Partido da Terra). Apenas o mediatismo público.
2. No Parlamento Europeu, nenhum eurogrupo/família parlamentar o aceitou. Ficou politicamente órfão.
3. Sempre disse que era um "fiasco" em termos políticos, mesmo quando muitos vaticinaram projecções legislativas e presidenciais futuras. Aqui está a prova, mesmo que o próprio tenha referido publicamente a sua intenção de concorrer a Belém.
4. No entanto, nunca fez qualquer sentido político estar a extrapolar resultados (nº de votos e percentagens) eleitorais entre Europeias ou Legislativas e, muito menos, Presidenciais. Já para não falar nas autárquicas. Aliás, basta recordarmos o que aconteceu com o PS nas referidas europeias e os impactos internos que teve.

Deste modo, aqueles que, pelo mediatismo do candidato ou porque quiseram demonstrar o seu descontentamento face ao sistema político e aos partidos políticos, votaram em Marinho e Pinto (e não no MPT) sentem-se hoje perfeitamente "defraudados".

E afinal o problema não está apenas na imagem dos políticos e nas estruturas partidárias... a falta de ética e princípios políticos está-nos no sangue. É geneticamente portuguesa.

publicado por mparaujo às 15:20

27
Mai 14

Conhecida a totalidade dos eurodeputados eleitos, confirmando-se o que já era esperado face aos resultados apurados no domingo (PS 8; PSD/CDS 7; CDU 3; MPT 2; BE 1), ficam aqui algumas notas que servem de antevisão ao artigo que será publicado na edição de amanhã, 28 de maio, do Diário de Aveiro.

1. Apesar do PS ter conquistado o maior número de eurodeputados e o maior números de votos  verdade é que os dois grandes vencedores destas eleições, me Portugal, foram a CDU e o MPT que, para além do populismo e da visibilidade do ex-Bastonário dos Advogados, Marinho e Pinto, ainda elege um eurodeputado "a reboque".

2. Ao contrário do que o PS esperaria e que, durante a campanha, não se cansou de pedir ao eleitorado, o cartão vermelho ao Governo veio por parte da abstenção e não pela capitalização de votos no partido (conquistando apenas cerca de 31%). Não fora, aliás, a excessiva politização interna das eleições europeias e poder-se-ia questionar os resultados obtidos por todos, com eventual excepção para o PCP que mantém um interessante estabilidade e coerência eleitoral.

3. A derrota histórica do PSD/CDS não se constatou com tanta intensidade como o pretendido pela oposição, sendo pouco significativa a diferença de percentagem de votos para o PS (pouco mais de 3%) e apenas a diferença de um lugar europeu. A excessiva preocupação com guerrinhas demagógicas com os socialistas e a obsessão por José Sócrates desviaram a mensagem da coligação do essencial: a Europa. Apesar da queda verificada para os partidos do Governo, a penalização veio por parte da abstenção, muita da qual do próprio eleitorado social-democrata e centrista desiludido e não pela transferência de votos para outras forças políticas.

4. Acresce ainda que esta abstenção é um cartão vermelho à maioria dos partidos. Por um lado pela forma como têm desvalorizado e denegrido o papel das instituições e da política, sendo os principais responsáveis pelo afastamento dos portugueses em relação à política e aos processos democráticos; por outro lado, o completo desinteresse dos portugueses pela Europa, apesar do impacto que esta teve na vida interna do país, nomeadamente nos últimos três anos. Um desinteresse que tem origem no desconhecimento da importância da Europa na vida interna dos países (a nível legislativo, económico, social) e ainda pela forma como a maioria dos partidos se desviou do essencial da campanha (as eleições europeias e a Europa) para se centrarem em guerras internas sobre política nacional e quezílias sem qualquer tipo de interesse a não ser criar ruído. Aliás, o que estas eleições tiveram foi demasiado ruído e muito pouca, ou quase nenhuma, clareza e bom-senso na campanha.

5. O BE é outro dos derrotados destas eleições, com a maior queda de percentagem de votos registada, tendo, inclusive, sido ultrapassado nos votos expressos pelo MPT. A eleição de Marisa Matias soube a muito pouco e não é o suficiente para disfarçar a preocupação bloquista em relação ao seu futuro, nomeadamente desde as eleições de 2011.

6. Decepção (e pessoalmente injusta) foi a não eleição do ex-eurodeputado Rui Tavares pelo recém criado partido Livre. O partido, constituído muito em cima do processo eleitoral e sem tempo de maturação, não foi suficiente para capitalizar a imagem de Rui Tavares e o seu interessante trabalho europeu. Daí alguma injustiça face à eleição de eurodeputados com base na visibilidade e no populismo. Aliás, se estas eleições europeias têm é algo de injusto em relação ao papel importante desenvolvido por vários eurodeputados: o caso da não eleição de Rui Tavares; as exclusões de Regina Bastos, Edite Estrela, Capoulas Santos das listas do PSD e do PS.

7. Quanto ao Livre, face ao pouco impacto eleitoral conquistado e tendo sido o partido criado muito em torno da realidade europeia, não se afigura um futuro muito fácil daqui para a frente.

8. Há, por último, um dado que importa destacar. A análise política e a reflexão que os países e as instituições europeias devem fazer quanto ao futuro da Europa e à forma como se tem vindo a degradar o espírito que esteve na génese da criação da Comunidade Europeia, face aos resultados que se verificaram: elevado número de votos em partidos radicais e extremistas (à direita e à esquerda, casos da França, Bélgica, Grécia) e em partidos anti-europeístas (como o caso do UKIP, no Reino Unido).

publicado por mparaujo às 09:36

26
Mar 14

O título poderia ter um significativo número diferenciado de expressões. Por exemplo, "como perder as eleições numa só noite"; "a ingratidão política"; "do mérito à prateleira"; "as incoerências de Seguro"; "o peso da oposição socialista"; etc.

A pré-campanha eleitoral para as eleições europeias do próximo 25 de maio não me parece ter merecido, por parte do PS e, nomeadamente, de António José Seguro, uma especial e cuidada atenção. Mesmo que, como aqui o disse, entenda que este processo eleitoral em causa é, contextualmente, europeu (e deve ser pautado por isso), é evidente que a tendência de voto possa expressar o descontentamento dos eleitores em relação à coligação que governa o país. Não aproveitar esse facto é de uma incoerência e imaturidade política relevante. Aliás, algo que o próprio governo tem acautelado ao projectar o anúncio da saída do processo de ajuda externa apenas após as eleições. "Quem tem cu tem medo", lá diz o ditado.

Isto a propósito da elaboração, ontem, da lista dos candidatos socialistas a eurodeputados. Segundo a Comissão Política Nacional do PS em cima da mesa estiveram três critérios de selecção: renovação, qualidade e competências específicas em dossiês fundamentais para Portugal. Não se sabendo se os critérios são cumulativos ou independentes. Quanto à "renovação" tenho sempre a referência desportiva (não apenas futebolística) de que "em equipa vencedora não se mexe". Renovar apenas por um mero critério de "tempo" parece-me do mais redutor que possa existir. Aliás, para muitos dos cidadãos este aspecto da renovação, normalmente, está associado a um "encostar à prateleira", afastar geograficamente, para não ser embaraço político interno. E são tantos os casos que poderíamos usar para ilustrar tal realidade. Incomoda, é oposição interna, afasta-se para a Europa ou para uma outra qualquer instituição fora do país.

O que, mesmo que não tenha sido esse o critério, não andará muito longe da imagem deixada por António José Seguro ao anunciar o cabaça-de-lista socialista às europeias. Conhecidas as movimentações do PSD para as eleições europeias, foi notória a pressão interna que Seguro sofreu pelo impasse que estava a parecer preocupante em relação ao processo socialista. Uma das vozes do descontentamento, a par da de António Costa, foi a de Francisco Assis, aliás adversário interno de António José Seguro. Resultado: precipitação clara na forma como foi anunciado publicamente o cabeça-de-lista (em simultâneo com o congresso social-democrata) e a escolha do próprio Francisco Assis para cabeça-de-lista.

Não me vou pronunciar sobre a escolha, até porque os cenários de análise poderiam ser diversos.

Mas no entanto, a menos que haja uma qualquer razão ou um plausível motivo pessoal (que não consta publicamente e acho difícil a sua consistência e realidade) há um enorme tiro no pé na elaboração da lista socialista.

Apesar das listas serem uninominais, os portugueses votam pelo partido A, B ou C. No entanto, é mais que óbvio que a presença de personalidades de relevo, incluindo os cabeças-de-lista, facilitam o impacto eleitoral.
Se já colocaria, pessoalmente, em causa o facto de não ter sido escolhida para cabeça-de-lista, por mais razões que queiram apresentar para justificar o injustificável, é completamente inqualificável que o PS tenha deixado de fora às próximas eleições europeias a actual eurodeputada Edite Estrela. Trabalho e provas dadas não faltam. Embate político com coragem e frontalidade como muito poucos, ou raríssimos. Para além de ter sido, recentemente (2013) e pela segunda vez, nomeada a melhor eurodeputada (entre os 766 eurodeputados) para os assuntos do emprego e assuntos sociais. Se isto não tem valor, nada mais terá. Isto é de um ingratidão política que, mesmo para quem de "fora", inaceitável e incompreensível.
Isto sim... é brincar às eleições. E depois o Passos Coelho é que se está a lixar para as eleições.

publicado por mparaujo às 13:56

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