Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

09
Jul 14

Publicado na edição de hoje, 9 de julho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

A Política e a Natalidade

O Henrique Monteiro publicou, esta segunda-feira, uma crónica no Expresso intitulada “Os bebés não nascem por decisão política”. Não tenho, por hábito, comentar textos alheios, quando muito tê-los como referência. Mas o texto do ex-director daquele semanário, nomeadamente o título, não me deixou indiferente. Isto a propósito da reflexão aqui feita, na passada semana, sobre a polémica em torno da denúncia de empresas que obrigam as mulheres contratadas a declararem, por escrito, o seu compromisso de não engravidarem nos primeiros cinco anos de vínculo laboral. Nessa altura questionei a preocupação do Governo com a natalidade (ou a baixa taxa de natalidade) face à denúncia pública das violações aos direitos, liberdades e garantias constitucionais e às leis laborais.

A questão agora suscitada vai mais longe e coloca a interrogação (no caso do texto do Henrique Monteiro é mais uma afirmação do que interrogação) sobre se as medidas políticas governativas têm ou não impacto na taxa da natalidade. Ou seja, de forma muito linear, a política faz ou não bebés? Para o Henrique Monteiro a resposta é clara: Não, “os bebés não nascem por decisão política”. Pessoalmente, a minha resposta é, obviamente, outra. “A política faz ou não bebés”? Sim… também faz. Ou seja, não apenas e, provavelmente, com menos impacto que outras realidades, mas a política também tem influência na taxa de natalidade.

É certo que há factores sociais e culturais muito mais determinantes para a variação da taxa da natalidade, no entanto sem que possamos esquecer que muitos deles são, por si só, influenciados por questões de natureza política. Tal como são referidos na crónica do autor no Expresso há condicionantes relacionadas com a menor necessidade das famílias terem proles numerosas para a sua própria subsistência; o maior ou menor estado de pobreza das populações/famílias gera variações na taxa da natalidade; com a queda da taxa de mortalidade face à melhoria das condições de vida e dos cuidados de saúde o que pode levar a uma menor preocupação familiar; com a (feliz) evolução cultural e social que permitiu à mulher uma maior afirmação no mundo laboral; entre outros. Estes afiguram-se factores importantes. No entanto, as considerações de “juízo de valores” são meras especulações, simplesmente concepções abstractas. Por exemplo, o egoísmo ou a falta de espírito de sacrifício; a crise (?) do casamento e da estabilidade do casal; ou questões relacionadas com a contracepção ou (já agora) a questão do aborto; são realidades que, pela sua subjectidade de análise e por estarem imbuídas de preconceitos (de várias formas e quadrantes) não podem determinar a realidade demográfica e o problema que hoje, e de há algumas décadas a esta parte, se vive. Mas a pergunta mantém-se: e a subjectividade política já pode ter impacto e influenciar a natalidade? Não só pode como, directa ou indirectamente, a determina. Não apenas a política mas com muita “ajuda” desta.

É um facto que na década de 60 os portugueses viviam com maiores dificuldades, o nível de vida era muito mais baixo, acrescia, por exemplo, as questões de alfabetização, de sentido crítico, de acesso à informação, ao saber e à cultura, de emancipação/igualdade feminina. No entanto, comparando com os dados actuais a verdade é que nos anos 60 nasciam 24 crianças por cada mil habitantes, sendo que em 2013 a taxa de natalidade caiu para cerca de um terço (oito bebés por cada mil habitantes).

Mas se a realidade demográfica dos dias de hoje é reconhecidamente um enorme e gravíssimo problema, a baixa taxa de natalidade, por razões sociais e culturais, não deixa de esbarrar em pormenores de natureza política. Se há uma necessidade tão premente de se promover o aumento demográfico, não faz sentido existirem medidas políticas governativas que impulsionam, diariamente, a emigração (concretamente dos mais jovens); medidas políticas que condicionam o papel da mãe no contexto laboral, a que acresce, como referido, as violações à legislação laboral por parte das empresas; medidas que diminuem os apoios sociais familiares, nomeadamente em tempos de crise financeira com graves impactos na economia doméstica; medidas políticas com impactos sociais nas comunidades (encerramento de escolas, creches, serviços de saúde, …); medidas políticas que agravam as regras laborais, como os horários, rendimento/impostos do trabalho, imposição de mobilidade geográfica laboral, condicionalismos à flexibilização laboral para apoio familiar, …; entre outras. Ou seja, se até poderemos considerar que a política não faz bebés, não deixa de ser verdade que, a par de razões (mesmo que mais fortes) culturais ou sociais, a política e as medidas políticas governativas também não os “deixam” nascer.

Os bebés não nascem por decisão política, mas também…

publicado por mparaujo às 10:20

17
Out 13

Esta carta de desabafo que a Rita Marrafa de Carvalho escreveu à sua filhota Mariana, está qualquer coisa de extraordinário. Diria mais... está algo do "outro mundo". Quer no espelhar da (triste) realidade do país, quer no "educar" da sua filha.

De "arrepiar a espinha"... (transcreve-se pelo facto de nem todos terem acesso ao facebook).

Mariana,
gostava tanto de ter boas notícias para ti e para o mano.
Gostava de vos dizer que o pai e a mãe, eles próprios, conseguiram uma boa poupança para vos garantir os estudos superiores e as viagens que queriam e precisem de fazer. Mas não é verdade.
Temos um seguro de saúde e não vos falta nada. Já isso basta e é muito mais do que algumas crianças da vossa idade têm, infelizmente.
Mas não sei o que vos diga. Quando eu e o vosso pai decidimos ser "mãe e pai", suspirámos pela saúde dos nossos filhos. E fomos contemplados com uma bênção acrescida: a vossa generosidade, sorriso e ternura.
E aspirámos a um futuro brilhante. Numa escola boa. Com horizontes amplos, num país onde as oportunidades surgiram pela meritocracia. Porque eu e o vosso pai éramos fruto dessa geração. A do esforço e do estudo. A do empenho e da premiação. Enganámo-nos. E não sei como vos dizer o que aí vem...
Porque olhando em volta, vejo os filhos de amigos mais velhos, a iniciarem processos de emigração. Vejo famílias separadas e lágrimas.
E vejo o esforço acrescido, todos os meses, para vos manter numa escola boa que se compadece com os horários difíceis de sermos jornalistas. Vale a pena mas sai-nos do pêlo.
Queria muito levar-te à Eurodisney, como pediste, Mariana. Mas este ano, e não sei quando, não será possível. Mas temo-nos uns aos outros. Tens os teus avós e amigos. Tens quem te quer bem. Acima de tudo, tens a avó Isabel e o Avô Custódio que não te deixarão que te falte nada. Nem ao mano. Que pagaram os arranjos do carro da mãe e todo o teu material e livros escolares.
E tens-me a mim e ao teu pai. Nem que a mãe se morda. Nem que a mãe se esfole. Terás sempre os meus braços e os meus beijos. E os olhos postos num horizonte onde poderás vir a ser feliz. Aqui ou na China. Ou na Austrália. Ou no Brasil. Onde for... Vai para onde cumpram os contratos laborais e onde te apreciem pela boa profissional que virás a ser (tenho a certeza). Não é uma crónica de uma emigração anunciada. É uma declaração de amor de quem te amará a 8 mil quilómetros de distância.
A mãe.

publicado por mparaujo às 14:42

19
Nov 11
Dia Mundial da Prevenção a Violência Doméstica Contra Crianças e Adolescentes

Altura para recordar (curiosamente numa fase de início do julgamento) os Rui Pedro deste país e as Maddie de todo o mundo.

Altura para pensar, reflectir sobre o papel das crianças e doas adolescentes nos dias de hoje, o papel dos educadores, a importância dos processos educacionais, as liberdades, o sentido de responsabilidade.
Por todos...


publicado por mparaujo às 23:38

08
Nov 11
Quem de nós, enquanto estudante do ciclo ou do liceu (sim, à moda antiga: ciclo e liceu) não copiou ou não teve a tentação?! E os recursos, mesmo sem as novas tecnologias de hoje, eram do mais diversificados e imaginativos possíveis.

Obviamente que o recurso à técnica dos "auxiliares de memória" são sempre reprováveis, pelo simples facto de adulterarem a realidade ou, também, de criarem injustiça na equidade da avaliação.

A "ancestral" prática é, por outro lado, reprovável pelo corpo docente da educação nacional, bem como por todos os Pais Encarregados de Educação. Parafraseando "Astérix e Obélix"... "todos não! Há uma mãe que resiste à normalidade"! "Aluno copiou em teste com a ajuda da mãe através de sms"  (fonte: expresso online)
Deplorável, criticável, condenável do ponto de vista educacional... E mais grave é o facto de, face à descoberta da "aldrabice", não ter tido a coragem e hombridade de reconhecer o erro. Que rico exemplo...
publicado por mparaujo às 23:01

06
Jul 10
6 de Julho de 2000 - 22:20 horas
Nascia o rebento cá de casa.

10 anos volvidos, a Sara não pára de crescer, para alegria colectiva.
Pais Babados...
publicado por mparaujo às 11:23

24
Mai 08
As contas da vida ou como Portugal envelhece a "passos largos". Implusão
Perigosamente preocupante. Ler na RR on-line.
publicado por mparaujo às 20:53

31
Out 07
Hoje é o Dia Mundial da Poupança. E isto é sério, não é para rir.
Aliás a realidade é muito pouco risonha. Antes pelo contrário.
A maioria dos portugueses sabe que poupar é uma necessidade e nalguns casos uma questão de sobrevivência (a curto ou a longo prazo), mas é também uma impossibilidade face à realidade dos salários que se recebem e às despesas que se têm obrigatoria e religiosamente de cumprir.
Neste dia, o pé-de-meia está furado, já que no fim das contas nada ou pouco sobra para a maioria dos portugueses. E o cinto está cada vez mais apertado. Muito apertado mesmo.

Daí até ao aumento do número de familias endividadas, já nem é um saltinho - é mesmo um passinho. Como nos relata o Público aqui.
publicado por mparaujo às 18:10

28
Out 07
Esta é que é a verdadeira realidade do país que temos: pobre, assimétrico no seu desenvolvimento e na distribuição das suas infra-estruturas, com graves deficiências ao nível cultural, político e social.

Enquanto andamos preocupados com floreados constitucionais europeus; com megalomanias de aeroportos e altas velocidades; choques tecnológicos num país onde existem zonas sem as mais elementares necessidades básicas.

Esquecemos a verdadeira realidade nacional: somos um país pobre e à beira da falência.
publicado por mparaujo às 20:40

21
Jun 07
Oh Elvas. Oh Elvas... Badajoz à vista!
Segundo o Público on-line do dia 19.06.07, após o encerramento da maternidade de Elvas, em Junho do ano passado, durante este primeiro ano, registaram-se 260 mulheres portuguesas que deram à luz na maternidade espanhola de Badajoz.
Contributo eficiente para uma mais forte ligação à vizinha Espanha, fazendo prever (que mais não seja por razões afectivas) uma maior expressão percentual num próximo inquérito referente a uma mais que previsível "invasão" espanhola (no último 43% dos portugueses afirmou não ter qualquer complexo em ter nacionalidade espanhola - a bem da verdade... eu também não).
Segundo a referida notícia a maternidade materno-infantil de Badajoz realizou, neste período de um ano, 796 consultas a portuguesas, recebendo 454 mulheres grávidas com problemas durante a gestação.
Oh Elvas. Oh Elvas... Badajoz à vista e Évora e Portalegre cada vez mais longe.
Ainda vamos ver içar a bandeira espanhola naquela localidade e termos mais um dossier tipo "Olivença" para gáudio dos historiadores.
publicado por mparaujo às 08:04

07
Dez 06
Publicado na edição de hoje (7.12.06) do Diário de Aveiro.

Post-its e Retratos
Ancestralidade.


Chegada a esta época do ano, há sempre (infelizmente, na maioria dos casos, apenas em momentos pontuais) questões sociais que nos assolam os sentimentos. Que nos inquietam de forma mais evidente.
São dados estatísticos públicos que Portugal se está a tornar num dos países mais envelhecidos da Europa, prevendo-se que, em 2050, cerca de 30% da população (quase um terço) tenha mais que 65 anos (actual idade da reforma). Esta é uma situação que provoca algumas alterações na sociedade e na própria forma de encarar a vida.
Segundo outros dados divulgados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, no ano de 2005 a APAV recebeu 347 casos de idosos vítimas de violência física e psíquica. Obviamente que este número peca por defeito, pelo facto de muitos dos idosos não revelarem ou denunciarem as situações em que estão envolvidos, por receio, desconhecimento e, até mesmo, por vergonha.
Esta é uma realidade que necessita verdadeiramente de uma reforma. Reforma de comportamentos, responsabilidades e acções socio-políticas.
Até há alguns anos a esta parte, a violência familiar resumia-se, quase que exclusivamente, às mulheres e às crianças. Hoje, fruto das alterações sociais, económicas e culturais que envolvem o conceito de família na actualidade, transformaram os papéis familiares. A ancestralidade, a figura da avó e do avô tornou-se excedentária e pontualmente requerida.
Como disse uma vez numa entrevista o actor Ruy de Carvalho, “na vida só se tem uma certeza, que é a morte”.
Um idoso, ao fim de uma vida cheia de tudo, já dispensa muita coisa. Mas não dispensará nunca a afectividade, o carinho e o respeito, em jeito de recompensa pelo trabalho, dedicação e sacrifícios que realizou ao longo dos anos.
Na sociedade de hoje, por inúmeros factores, os lares, centros de dia e o apoio domiciliário, são uma necessidade.
Independentemente do carácter social das instituições e do incansável e incalculável auxílio dos profissionais e voluntários, nada substitui a família. O reconhecimento, afecto, carinho e respeito por aqueles que venceram todas as dificuldades e superaram os sonhos de criar uma família, nunca deveria prescrever.
No entanto, o casos de abandono, burlas, maus tratos, miséria e esquecimento são cada vez mais uma realidade triste de uma sociedade que não sabe valorizar a experiência da vida.
Uma sociedade e família que já não conseguem reconhecer e praticar uma concreta solidariedade e afectividade para com os idosos.
Ao contrário das culturas e realidades sociais orientais (pelo menos da sua maioria), os idosos hoje, em Portugal, tornaram-se um excedente. Quer do ponto de vista social, económico e familiar.
Não produzem, não são reconhecidos como alvos comerciais preferenciais, perderam o seu lugar de referência na família. São portanto, um peso, um fardo, uma inutilidade.
Deixaram de ser uma parte importante e valiosa do saber adquirido e da experiência da vida.
O que temos hoje é, logicamente, fruto do trabalho, da dedicação e da emotividade dos que nos precederam. Nada apareceu por acaso ou vindo de lado nenhum.
Vive-se, em relação aos idosos, a mentira constante de armazenar para depois da morte, aquilo que deveria ter sido prezado em vida. A falsidade da dor e das lágrimas na hora da morte, quando em vida o tempo apagou o respeito, o afecto e o carinho.
A sociedade será sempre e inevitavelmente pobre se não criar uma consciência individual e colectiva para minimizar uma dívida impagável para com aqueles que detêm a maior riqueza que é a experiência da vida.
publicado por mparaujo às 18:06

08
Out 06
A propósito da sustentabilidade da Segurança Social e da problemática das reformas, era avançada a possibilidade de se benificiar as famílias com mais do que um(a) filho(a).
Esta era uma forma de contrariar o envelhecimento da população portuguesa e de ponteciar, a médio e longo prazo, a sustentabilidade do sistema da reforma.
E é fácil.
Nada tem de especial.
Basta, senhores e senhoras... procriar.
Nada de especial.
Basta tê-los... assim aos montes. Até porque somos um país de ricos.
É triste quando ignoramos a nossa realidade e queremos ser e pensar que somos quem, verdadeiramente, não somos.
publicado por mparaujo às 19:06

07
Jul 06
Serviço Público (gratuito)!
Conselho para pais ou encarregados de educação de crianças com idades entre os 5 e os 9 anos.

Quando as crianças festejarem os seus aniversários e receberem prendas que exigem as respectivas montagens, são estas as 5 regras de ouro:

Regra n.º 1 - Ter sempre à mão um tubo de cola especial e de secagem rápida (de preferência adaptada a plástico).
Regra n.º 2 - Se possível montar o brinquedo durante o horário de funcionamento do hipermercado mais próximo. Não vá o diabo tecê-las... principalmente pela usual fragilidade dos materiais em plástico.
Regra n.º 3 - Preferencialmente efectuar a montagem do brinquedo longe do olhar da criança. Caso contrário corremos o risco de, após 50 tentativas e outras tantas análises técnicas e científicas ao esquema, nos sentirmos envergonhados pela eficaz resolução da(o) pequenote à primeira tentativa. Acresce o olhar final da criança, como quem diz: "simplex"!
Regra n.º 4 - Nunca acreditar que, independentemente do tamanho e do número de peças disponíveis para a montagem, o exercício educacional e paternal de ajdar os mais pequenos, é rápido e simples. Caso contrário já todos jantaram, cantaram os parabéns e apagram as velas e ainda não chegámos a meio.
Regra n.º 5 - Por mais ocupado que se esteja (mesmo contrariando o princípio da paridade) o trabalho diícil cabe sempre ao sexo masculino. Ao fim de 5 minutos, lá ouvimos: "Papá a mamã pede para vires ao meu quarto"! Acabou o sossego.

Acreditem... é frustrante!
Fala a voz da experiência.
publicado por mparaujo às 01:04

06
Jul 06
Faz hoje precisamente 6 anos.
Apenas ou já 6 anos, depende do ponto de vista.
A melhor coisa que a vida me podia dar.
Mais do que estatuto profissional.
Mais do que qualquer jackpot do euromilhões.
Mais do que qualquer Mundial de Futebol.
Mais do que tudo nesta vida.
E a vida sorriu-me, no dia 6 de Julho de 2000, pelas 22:15 Hm.
A minha vida!
publicado por mparaujo às 02:38

19
Jun 06
Sua Excelência, o ministro da Saúde - Correia de Campos, sugeriu que "é provável que tenha havido várias insuficiências de várias entidades e instituições" (fonte público online) no caso da morte do bébé, depois da mãe ter sido transferida de Elvas para Portalegre. Mesmo que os resultados do processo de averiguação só venham a ser conhecidos na próxima semana.
Do facto de a jovem mãe não ter sido acompanhada na ambulância por um técnico de saúde até às várias entidades e instituições insuficientes, vai, com certeza, um "pulinho"!
É a realidade dos lusos "bodes expiatórios"!
Porque a insuficiente, irracional e mesquinha posição política e economicista do fecho das maternidades, sem estudos abrangentes e realistas, fugindo à responsabilidade estatal e aos seus desinvestimentos sociais e regionais(essencialmente sentidos no portugal interior), essa está e permanecerá, obviamente, imune e intocável.
publicado por mparaujo às 22:10

01
Jun 06
Dia Mundial da Criança.
Porque sou Pai, um dia de referência familiar, mas acima de tudo, um dia de reflexão pública.
Porque é urgente reflectir. Conscientemente, sem lemechices e chavões ou palavras vãs.
Dia Mundial da Criança, porque:
Há milhares de crianças vítimas da exploração da mão de obra infantil.
Há um crescente do número de crianças vítimas de abuso psicológico e físico das crianças (desde bébés até à adolescência):
- raptos;
- pressão psicológica;
- abusos sexuais;
- maus tratos físicos;
- abandono;
- desagregação familiar;
- falta de integração social.
Há milhares de crianças a morrer à fome.
Há milhares de crianças que nunca brincaram.
Há milhares de crianças usadas no flagelo da guerra e do terrorismo.
Há milhares de crianças vitimas da guerra e do terrorismo.
Há milhares de crianças que nunca foram à escola.
Há milhares de crianças para quem a Convenção dos seus Direitos, não passa de "entretem" político, social e pedagógico (ou melhor - demagógico) dos adultos.
Há milhares de crianças desalojadas.
Há milhares e milhares de crianças... Que sorte tem a minha!
Porque há muitas crianças que só têm direito a Um Dia por ano.
publicado por mparaujo às 00:34

07
Mai 06
Porque hoje é o dia...
Da minha Mãe e da Mãe da minha filha.
Obrigado.
publicado por mparaujo às 01:01
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06
Mai 06
A propósito do post "Fazer o Amor" que aqui foi colocado na madrugada de 5 de Maio, o Portugal Diário, publicou ontem uma sondagem da União Europeia, onde é divulgado o facto dos portugueses serem os cidadãos europeus com mais dificuldade em liquidar as suas contas no final de cada mês.
61% dos inquiridos tem dificuldades ou não conseguem cumprir com os seus compromissos financeiros mensais.
Para além de serem os mais pessimistas no universo da velha europa, apesar de 90% afirmarem estar satisfeitos por viver neste paraíso luso.
E ainda quer o governo mais criancinhas ao mundo...

publicado por mparaujo às 23:30

05
Mai 06
Para além da controversa situação sustentável (ou não!) da Segurança Social, que, como é óbvio, não passa apenas pela questão das pensões, mas por toda uma assombrosa máquina subsidiária, o Primeiro Ministro vem lançar mais uma medida governativa bombástica.
Já tínhamos "das duas três" medidas conflituosas para as reformas (aumentar a idade produtiva, ou aumentar a penalização pela antecipação da reforma, ou ainda aumentar a carga dedutiva mensal).
Agora...
Expliquei-me com se eu fosse...
Penalização através do agravamento da dedução da taxa social única para os casais com um ou nenhum filhos, especialmente jovens (o que, nesta circunstância, felizmente vai deixando de ser o meu caso), como forma de combater a baixa taxa de natalidade.
Para quem "dar o nó" afigura-se uma equação matemático-financeira de difícil resolução - taxa de juros de empréstimo altíssimas; custo das habitações extremamente elevados; mensalidades de infantários, creches e amas de "bradar aos céus" (mesmo os "céus" das de solidariedade social normalmente associadas à Igreja); pediatras; roupas; alimentação; medicação; escola; etc. - resta de facto motivação e incentivos suficientes (principalmente com o incentivo derivado do chamado "abono de família") para uma procriação à "boa moda antiga" (por exemplo, os meus queridos avós paternos: 13 filhos).
Para cúmulo, só falta mesmo vermos o governo a "arrombar" as embalagens e a fazer um furinho nos preservativos.
Quem sabe... quem sabe!

publicado por mparaujo às 01:04

14
Abr 06
Não tenho, em algumas situações pessoais e profissionais que vivo no dia-a-dia, argumentações que capacitem o contraditório a vários acordãos que vou lendo, aceitando-os (pela aptidão de quem os produz) como um facto irredutível.
No entanto, a minha condição de Pai e de educador/formador de jovens, dá-me responsabilidade para não deixar passar em claro o provincianismo e o paroquianismo do acordão judicial produzido sobre o caso de Setúbal e da legitimidade no uso de "violência" na educação infantil.
Parece-me óbvio que, salvo algumas excepções que confirmam a regra e que não têm que ser tomadas como exemplo, não existe Pai, Mãe, Avô ou Avó que neste rectangulo luso já não tenha dado um "palmadita", repito "palmadita", no rabiosque do(a) filho(a) ou tenha usado alguma forma de castigo (não ver tv, ir para a cama mais cedo) como correcção para alguma regra educacional que tenha sido quebrada.
Querer negar este facto é utópico e "tapar o sol com a peneira".
Quere fazer disto um acto licito (legislativo e jurídico) não faz qualquer sentido.
Querer igualar ou substituir a acção familiar e paternal, pela acção educativa institucional é no mínimo irracional.
Fazer crer que a educação de uma criança que infelizmente a vida transporta-a para além dos conceitos tidos como normais, de uma criança que exige cuidados especiais e atenção especializada é igual à educação das crianças que, felizmente, são rotuladas de normais é duma insensibilidade atroz e desmedida.
Que se ilibe judicialmente a funcionária pela pressão que as suas tarefas exigem (embora deva ser retirada do exercício daquela actividade), pela carga horária a que estava sujeita, pela falta de acompanhamento e, provavelmente, de formação adequada, ainda consigo perceber.
Que se justifique os actos como legítimos e lícitos, tranformando a violência física e psicológica com um instrumento educacional de uma criança... só em Portugal.
É o mesmo que afirmar que a rigidez educacional dos meus bisavós era exemplar. Que a violência a que muitos alunos estavam sujeitos, no processo de aprendizagem no ensino primário antigo, fez deles verdadeiros estudantes e intelectuais é irreal.
Educar tema uma vertente correccional, não tem que ter uma vertente violenta.
É a justiça que merecemos.
publicado por mparaujo às 23:54

15
Mar 06
Anunciado que está o encerremento de inúmeras escolas neste país, cada vez mais deserto, triste, desiquilibrado, descaracterizado e pobremente real, vem agora a público o encerramento de várias maternidades.
Partindo do primeiro pressuposto... tem lógica este método/princípio de (des)governação socraística.
Nada melhor que encerrar maternidades, "infligindo" um real receio em ter filhos nos casais deste país.
É que se não nascerem crianças, também não são precisas as escolas.
Sempre se poupa na banda larga.
Como (e muito bem) nos ensinou o ilustre Margem Esquerda... eis uma verdadeira reengenharia.
publicado por mparaujo às 23:31

26
Fev 06
"E se..." é uma expressão que traduz o maior dos dilemas humanos.
Será que sim ou que não?! Poderá ou não?! Verdadeiro ou falso?! Real ou imaginário?!
As questões relacionadas com a infelicidade humana, provocaram, desde sempre, um certo irracionalismo colectivo mas simultaneamente uma união comunitária quando solicitada.
Expressão prática do que afirmei é a "facilidade" (às vezes não inocente) com que brotam campanhas de solidariedade (nacionais ou internacionais) e a forma rápida com que os portugueses a elas aderem.
No que respeita às crianças e jovens, tal sentimentalismo solidário ganha, claramente, outra dimensão. Ficamos mais sensíveis, muito dificilmente indiferentes, mesmo que não participativos.
É o caso das situações de mal-tratos, da pedofilia e do homícidio ou mesmo da morte involuntária.
É a apreensão e a inquietação que nos provocam todas as notícias relacionadas com esses factos.
Recebemos inúmeros e-mail's, em casa, no trabalho, de desconhecidos, amigos e colegas com solicitações de apoios no âmbito da saúde e de informações sobre paradeiros desconhecidos.
Confesso que até à bem pouco tempo (cerca de 5 anos), a sensibilização que tais solicitações me provocavam eram diminutas, situando-se no âmbito do comentário restrito ou da simples "pena".
Mas há algo que nos faz mudar.
Dois importantes pormenores:
1. E se isso não acontece só aos outros?!
2. Passamos a ser Pai. E aqui a inquietação é muito, mas mesmo muito, maior. Ficamos mais sensíveis, às vezes menos racionais, muito mais emotivos e protectores.
Só tenho (!) 40 anos... por isso não me assombra a "máxima" - no meu tempo...
Mas, lembro-me, com clara nitidez, das minhas brincadeiras de rua com 5-6-...-10 anos. Jogávamos futebol na estrada, andávamos de bicicleta (mesmo antes das bugas) pelo meio da rua, saltávamos muros, jogávamos a tudo e mais alguma coisa.
Lembro-me de, ainda na pré-primária, me deslocar sózinho de casa (junto ao antigo quartel) até ao conservatório. Hoje vejo inúmeros colegas e amigos meus, também eles com filhos, a fazerem 50/100 metros a pé (e pasme-se... de carro) a acompanharem as crianças à escola primária e a irem buscá-las no final das aulas.
Hoje paira um medo e uma intranquilidade, que há pouco mais de 25 anos não se imaginaria.
Hoje as nossas crianças (a minha tem quase 6 anos) não andam na rua sem a nossa sombra.
E mesmo assim... ouvimos notícias que nos chocam quase diariamente.
Por isso, e porque me tornei Pai "choramingas" e "galinha", faço referência ao site - Porto XXI, que lançou na 'net' (Link) um espaço - Projecto Esperança, ainda em fase experimental, de ajuda na procura de crianças desaparecidas. Só em 2 dias já recebeu cerca de 4 mil visitantes (segundo informação do Público - edição de hoje).
É que há sempre um - E se a seguir me toca a mim - que nos inquieta e que nos deve tornar solidários.
publicado por mparaujo às 23:26

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