Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

02
Dez 16

Sobre a dispensável polémica que envolveram as críticas ao Bloco de Esquerda sobre o não aplauso ao discurso de Filipe VI na Assembleia da República, no âmbito da sua visita oficial a Portugal, já aqui expressei o que entendo como um caso de politiquice partidária balofa ("Falsos moralismo políticos").

Entre as acusações ao BE e aos seus deputados de falta de educação, de fedelhos, de putos mimados e sem responsabilidade, etc., houve de tudo nos comentários. Até a comparação com a morte de Fidel Castro. Isto apesar do BE ter comparecido à sessão, não ter abandonado a mesma, não ter tido qualquer manifestação pública de protesto, e os seus deputados terem-se levantado quando o Rei de Espanha entrou e saiu do Parlamento português. Nada obriga ao BE a qualquer outra manifestação política sem que isso signifique qualquer comportamento democrático menos próprio. O resto é, pura e simplesmente, falso moralismo político do qual, como democrata-social e do centro, estou cada vez mais farto.

E sim... não tenho qualquer tipo de constrangimento partidário, político ou pessoal, em, se necessário, "defender" o BE e criticar à direita. Farto de carneirismos partidários e políticos quando nem a própria casa se "arruma ou se mantém limpa" é uma realidade para a qual já perdi, há algum tempo, a paciência.

Mas o que não vai faltando na democracia portuguesa é a incoerência política, principalmente nos partidos com assento parlamentar. E basta apenas o virar da página para o dia seguinte.

Para o dicionário digital da Priberam incoerência significa a falta de coerência, discrepância e desconexão. O mesmo dicionário relaciona a palavra com conceitos como desconexão, contradição, inconsequência, dissonância e, ainda, esquizofrenia. E em relação a esta última conexão o que viemos nestes últimos três ou quatro dias, a par com o grave problema da Caixa Geral de Depósitos, foi uma esquizofrenia política surreal e incoerente.

Os mesmo que criticaram e condenaram o Bloco de Esquerda pela sua indiferença quanto ao discurso de Filipe VI são os mesmos (PSD e CDS) que, sustentados num argumento mesquinho de um convite não formulado a gosto e a preceito (pormenores), desrespeitaram uma das datas históricas mais marcantes no país, a Restauração da sua Independência (curiosamente da dinastia filipina espanhola), desrespeitaram as instituições democráticas e políticas do país (Presidente da República e Primeiro-ministro) e, principalmente, desrespeitaram Portugal, apesar de quatro anos de pin na lapela.

Sabiam, antemão, que iriam levar um "puxão de orelhas" de Marcelo Rebelo de Sousa («este feriado nunca deveria ter sido suspenso», afirmou). Ou ainda, mesmo que não se concorde com a análise presidencial, custaria muito ouvir aquele que já foi presidente do partido (PSD) afirmar: «Portugal é um país melhor, um país eterno, de saber aceitar os outros e combater as injustiças». Custa, pode não ser verdade, mas é a democracia a funcionar e não apenas quando nos interessa ou dá mais jeito.

Faltar às cerimónias oficiais, após convite, do feriado de 1 de Dezembro, isto sim, é falta de educação política e de respeito democrático.

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publicado por mparaujo às 14:42

05
Jan 16

ateu.jpgAhhh e tal... agora temos um governo de esquerda, das esquerdas e à esquerda.

Ahhh e tal... a esquerda é, por norma, tradição e natura (embora não exclusivamente), agnóstica e ateísta.

Ahhhh e tal... a esquerda é, por ideologia, sempre e sempre a favor da separação entre Estado e Religião, sempre pela laicidade do Estado.

Ahhhh e tal... tirem-se os crucifixos das salas de aulas das escolas públicas, retirem-se procedimentos protocolares religiosos, paguem IMI e IVA (o que acho bem por não haver qualquer fundamento para a diferenciação), critique-se a construção da nova mesquita em Lisboa, etc., etc., etc.

MASSSSSSSSSS.....

O Governo, o tal de esquerda, do PS republicano, confirmou o regresso dos feriados religiosos (os dois que tinham sido "suspensos" pelos "pios direitolas") já este ano de 2016 (via Rádio renascença, só para a ironia). Pois.... e para TODOS.

Sabe bem, não sabe?

publicado por mparaujo às 12:05

01
Dez 14

Há três anos o dia de hoje, 1 de dezembro, era considerado feriado nacional.

Dizem, segundo reza a história, que é o dia da restauração...

restauracao IVA.jpg

upssss... esperem, é a outra Restauração.

restauracao independencia.jpg

publicado por mparaujo às 14:05

05
Out 12

Há inúmeras razões e factos que levam a um preocupante aumento do descrédito da política e dos partidos. Esta realidade não é recente, mas, neste último ano, tem tomado proporções bastante significativas. Ao ponto de se questionar a própria democracia.

E as celebrações do (último feriado) 5 de Outubro de 2012 só servem para agudizar esta realidade. Numa data em que se relembra a Implantação da República, em 1910, com o povo a sair às ruas de Lisboa (pelo menos) é, no mínimo, criticável, que as cerimónias tenham decorrido à porta fechada. Quem não tem “estofo”, “coragem”, sentido de Estado, quem tem medo, para enfrentar as críticas e o povo, mais vale deixar a “cadeira” para quem tenha outra capacidade de governação.

Mas os mais recentes acontecimentos revelam-nos outras facetas que sustentam este desacreditar na política, nas suas instituições e na sua representatividade.

Ontem, na Assembleia da República, foi dia de censurar o Governo, através da apresentação de duas moções. Uma do PCP e outra do BE.

Quer na quarta-feira, quer ontem, ao trocar alguns pontos de vista com alguns amigos e algumas personalidades, expressei a minha opinião criticando o PS por não ter apresentado, também, uma moção de censura ao governo. A minha opinião sustentava-se no reforço das críticas expressas em relação à acção e à política do governo (ainda no seguimento do anúncio feito por António José Seguro em relação a uma eventual implantação das alterações à TSU); numa maior sustentação do voto contra em relação ao Orçamento do Estado para 2013; no reforço de uma liderança na oposição; e, para minimizar ou evitar, o envolvimento do PS nas críticas da esquerda ao governo e à direita, conforme veio a verificar-se no discurso do PCP, acusando o PS de ser também da direita e de ter responsabilidade pelo actual estado do país e das políticas que estão em curso.

Foram rebatendo os meus argumentos, essencialmente, com o facto do PS ter o seu próprio ritmo política, a sua agenda, não ir a reboque de populismos. Não concordei, e acho que, à luz dos acontecimentos de hoje, tinha razão. O PS não se afirmou como líder da oposição (apesar de ser o maior partido), acabou por ser vitima dos “danos colaterais” e, politicamente, não poder votar contra a moção do PCP, mas curiosamente, para quem tem agenda própria, não embarca em populismos, nem vai a reboque de ninguém, marcar presença e posições públicas (e sujeitar-se às vaias e apupos, como foi o caso da deputada Ana Gomes) no Congresso Democrático das Alternativas, realizado hoje, é, no mínimo, estranho e incoerente.

(créditos da foto: Daniel Rocha - Público online)

publicado por mparaujo às 23:40

08
Fev 12
Publicado na edição de hoje, 8.02.2012, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Carnaval da pieguice...


O Governo anunciou, no início desta semana, não conceder à Função Pública tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval, dia 21 de Fevereiro.
Importa uma primeira declaração de princípio: não gosto, nem mesmo em criança fui grande apreciador, do Carnaval.
Importa, igualmente, referir que, de facto, o Carnaval não é feriado e que a tolerância de ponto não é um direito, é uma concessão do governo. Como tal, passível de ser concedida ou não. Mas não é essa questão que é colocada em causa com o anúncio de Passos Coelho. É a sua argumentação e fundamentação que, por si só, representam um dos maiores tiros no pé deste governo.
É duvidoso e questionável que a diminuição de quatro feriados no calendário “laboral” promova uma maior produtividade nacional, já que dois dos feriados a eliminar, nesta altura de crise, coincidem, este ano de 2012, com fins-de-semana (casos do dia 1 e 8 de Dezembro). Além disso, uma das sustentações para a abolição de alguns feriados respeita ao “combate” ao número de pontes. Acontece que essa argumentação é completamente descabida de sentido já que a quase totalidade de pontes significa a diminuição (por compensação) do número de dias de férias a gozar pelo trabalhador, pelo que não tem qualquer impacto na produtividade. Assemelha-se ao impacto que o Pastel de Nata tem no desenvolvimento da economia nacional.
Em sede de Concertação Social foi acordado a diminuição do número de dias de férias e de uma criação de bolsa de horas. Para além da redução do número de feriados, não se percebe o que um dia de tolerância como o Carnaval trará de prejudicial para o país. É que, com esta medida, o que o Governo coloca em causa é apenas a produtividade da função pública, sendo que esta representa um “gota de água” no PIB nacional. É sabido que o privado, na sua maioria, vai continuar a conceder o gozo do dia de Carnaval, bem como, em muitos casos, o gozo da segunda-feira.
O que o Governo está a provocar com esta medida é uma produtividade questionável naquele dia (sendo quase certo que a maioria dos funcionários vai transformar esse dia num autêntico “recreio carnavalesco”, tal como aconteceu na década de noventa durante a governação de Cavaco Silva), mas acima de tudo Pedro Passos Coelho está a esquecer completamente e a demonstrar uma perfeita falta de respeito para com o volume de negócio e investimento que acontece, um pouco de Norte a Sul, nesses dias (o que nalguns casos mais emblemáticos corresponde a bastante dinheiro).
Há ainda o argumento patético e ridículo de que não devemos viver agarrados às tradições. Que não se deva viver com a “sombra” do passado ainda dá ara perceber… que se ignorem as tradições é o mesmo que renegar o passado. Mas mesmo que a fundamentação usada pelo primeiro-Ministro tivesse algum sentido, então seria lógico que se acabasse com o Natal, a Páscoa, o 25 de Abril e o 1º de Maio… por uma questão de coerência, que é algo que este governo parece começar a perder.
Mas o mais grave nesta questão foi a forma incrivelmente arrogante, desrespeitadora e insultuosa com que Passos Coelho adjectivou os portugueses, apelidando-os de “piegas”. Ao pé deste argumento a questão da reforma do Presidente da república não passa de uma distracção.
É que para um povo que sofre o conjunto de medidas e políticas de austeridade que estão a ser aplicadas (aumento da carga fiscal, diminuição dos apoios sociais e das deduções ficais, aumento do custo de vida e dos preços dos bens, diminuição dos salários e reformas, eliminação dos 13º e 14º meses salariais, diminuição dos tempos de descanso e aumento da carga laboral, entre outros), que entre a contestação de uns e a percepção das dificuldades que o país atravessa por parte de outros, nada melhor que ser-se apelidado de “piegas”.
Com esta atitude, Pedro Passos Coelho traçou o seu perfil como primeiro-Ministro (por ventura algo escondido): uma clara insensibilidade social, uma evidente falta de respeito pelos cidadãos, uma profunda ausência de estratégia abrangente e estrutural… uma governação ao sabor do vento e de medidas avulsas com impactos económicos e sociais questionáveis e dúbios.
E para além disso, Pedro Passos Coelho revelou (para muitos, finalmente) o seu móbil político: a obsessão pelo poder. Já que o líder do PSD esqueceu, por completo, os que o elegeram.
Percebe-se igualmente o significado da sua também recente expressão: o compromisso assumido com a Troika não é renegociável, nem será solicitada mais ajuda externa… “custe o que custar”. Sendo certo que custa, e muito, sempre aos mesmos. Aos “piegas” portugueses!
publicado por mparaujo às 07:00

25
Out 11
Está em curso um estudo do Governo para a reformulação do calendário de feriados…

Segue uma proposta para a Abolição de Feriados:

O primeiro feriado a ser anulado deve ser o do dia 25 de Dezembro, pois sem o respectivo subsídio não faz sentido comemorar tristezas!

Depois o 1 de Maio, uma vez que estamos praticamente com a maioria dos trabalhadores no desemprego, o Dia do Trabalhador fica praticamente sem expressão!

O 25 de Abril deve ser só considerado tolerância de ponto entre as 00:00 e as 07:00 da manhã!

O dia 10 de Junho, Dia de Portugal e das Comunidades, deve ser eliminado uma vez que quem manda nisto é a União Europeia!

O dia 1 de Dezembro – comemoração da Restauração da Independência, também deve ser eliminado já que voltámos a perdê-la quando aderimos à CEE e agora com a “invasão” da Troika.
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Contudo, devemos manter inflexíveis os feriados de 1 de Novembro, pois é o dia dos defuntos (já nos afundámos por completo) e o dia 5 de Outubro (Implementação da República) porque cada vez mais somos uma República das Bananas.
O dia do Entrudo (Carnaval) deve passar a figurar como feriado fixo, já que, se tristezas não pagam dívidas, ao menos um dia para nos alegrarmos.
publicado por mparaujo às 21:42

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