Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

26
Set 17

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Já há algum tempo muita gente percebeu que a diabolização da Alemanha, da Chanceler Angela Merkel e do Banco Central Europeu (que tanto nos tem ajudado na dívida) perdeu qualquer sentido.

Daí que muitos dos europeus estavam esperançados e crentes na vitória do CDU/CSU de Merkel nas recentes legislativas alemãs e poucos seriam os que acreditariam que Martin Schulz, do SPD, conseguisse alcançar as "boas graças" aquando da sua eleição para Presidente do Parlamento Europeu.

É um facto que os resultados alcançados por Merkel ficaram aquém do que era esperado, quer interna, quer externamente. Os 34,7% alcançados e que asseguram 246 lugares no Parlamento alemão ficaram longe da maioria e de um resultado mais positivo. Há, no entanto, uma nota de relevo nestes resultados. A coragem política com que Angela Merkel enfrentou a crise plena dos refugiados, a forma como não virou as costas aos que fugiram da guerra e da morte, a capacidade demonstrada em não cair da fácil tentação de populismo tão caro, hoje, a tantos Venturas e Trumps desta vida política, teve os seus custos políticos e eleitorais mas teve o mérito da coerência e consistência política. Isto sim é a plena concretização da expressão "que se lixem as eleições" e deveria ser exemplo para muitos.

Além disso, ao contrário de tantos que já vaticinaram os destinos governativos na Alemanha com a chamada governação "Jamaica", não é de todo impossível e irrealista um acordo entre CDU e SPD, entre Angela Merkel e Martin Schulz.

Mas as eleições alemãs trouxeram uma outra realidade, bem mais preocupante que a aritmética dos futuros acordos para a governação da maior potência europeia. Algum dia teria que ser. Depois das ameaças na Áustria, na Polónia ou em França, foi, curiosamente ou não, nas eleições alemãs que o fantasma do extremismo político e ideológico veio ao de cima e afirmou-se. Em apenas quatro anos de existência e de forma inédita, o nacionalismo alemão de extrema-direita, a AfD, tornou-se a terceira força política no parlamento da Alemanha, com 94 lugares conquistados (13,3% dos votos nas eleições). Desde a xenofobia e o permanente ataque às políticas de integração e ajuda aos refugiados, desde a negação do Holocausto e da deturpação da visão de parte da história alemã, até ao eurocepticismo marcante e vincado, a AfD não deixa de ser o espelho do que muito se vai vendo, de forma preocupante, por essa Europa fora, como o caso da Frente Nacional em França, da Hungria, da Polónia, da Áustria, etc.

E há ainda um outro elemento preocupante nesta acelerada e impetuosa aparição da AfD. É que o partido surge no ambiente que, por natureza e por força do conhecimento e do saber, deveria ser inclusivo, plural, democrático, humanista: o meio universitário. E isto assusta... e devia preocupar.

publicado por mparaujo às 15:41

27
Jan 14

Em 2005 a Organização das Nações Unidas instituiu o dia 27 de janeiro como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

A data tem uma relação directa com um dos acontecimentos mais marcantes da história contemporânea (II Guerra Mundial), nomeadamente com a chegada do exército da então URSS ao mais mortífero e “emblemático” campo de concentração: Auschwitz-Birkenau.

Este foi o maior centro de destruição humana que marcou a história da II GG: cerca de 1,3 milhões de pessoas foram mortas nas câmaras de gás e, posteriormente, incineradas, ou simplesmente fuziladas. Foram homens, mulheres, crianças. O maior atentado contra a dignidade humana não respeitou judeus, polacos, ciganos ou prisioneiros de guerra e de opositores ao regime Nazi, entre outros; não respeitou raças, etnias, credos e religiões ou orientações sexuais.

Pela memória…

publicado por mparaujo às 11:18

31
Mar 13

Publicado na edição de hoje, 31 de março, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

(in)Tolerância? zero…

Este é um daqueles textos que não apetece nada escrever mas que resulta da obrigação, pela condição humana, de verter para o papel a indignação e a repugnância pelo artigo de opinião da responsável pela comunidade judaica em Portugal, Esther Mucznik. O texto, intitulado “Hitler na escola” foi publicado na edição do Público do dia 25 (segunda-feira) e pode ser consultado em versão online. O artigo de opinião de Esther Mucznik começa por uma referência a um infeliz e criticável episódio numa escola portuguesa com a colocação de um cartaz a publicitar um workshop de alemão com a fotografia de Hitler, para terminar, pasme-se, com a referência (comparativa) ao regresso do ex Primeiro-ministro, José Sócrates, à esfera pública como comentador político na RTP. Sobre este facto, já o expressei no “Debaixo dos Arcos” que, este regresso de Sócrates, é mais receado pelo próprio PS e por José Seguro do que pelo Governo. E tal como assiste o direito a tantos outros políticos, ex-titulares de cargos públicos (como Santana Lopes que também foi Primeiro-ministro) não vejo que José Sócrates não possa ter, pelo direito que lhe assiste à opinião e à liberdade de expressão, de ser, igualmente e entre pares, comentador político. Quando muito, como sempre defendi, podemos questionar é o tipo, o formato, dos programas… a sua estrutura e forma.

Mas não é isto que Esther Mucznik nos apresenta no seu texto. A comparação entre a falta de tolerância e de respeito com a colocação do cartaz com a foto de Hitler e o programa de comentário político que Sócrates irá ter na RTP é, no mínimo, abominável, para não dizer um atentado à memória do povo judaico, concretamente os que padeceram às “mãos” do nazismo. Não é preciso ser judeu para condenar o extermínio de milhares de cidadãos em função da sua crença ou condição. É, aliás, para alguém que tenha o sentido da responsabilidade, da tolerância, da igualdade na diferença, (como refere a Fernanda Câncio, no Jugular, “a escol(h)a de esther”) normal condenar e repudiar o holocausto sem precisar de ser judeu, o racismo sem precisar de ser negro, a homofobia sem precisar de ser homossexual. Acrescentaria eu, a xenofobia, a pedofilia, a intolerância religiosa, a indiferença pelos portadores de deficiência, os menos cultos… a lista seria extensa. O que é inqualificável e não tem explicação é toda a contradição que existe no texto de Esther Mucznik quando pretende criticar a falta de tolerância, de respeito por um povo e por uma etnia, o abuso do direito à liberdade de expressão e opinião, e comete o crasso erro de envergar pelo mesmo caminho na forma como critica o convite feito, pela RTP, a José Sócrates. Não pela crítica que, legitimamente lhe assiste, mas pela comparação argumentativa usada na colagem ao cartaz com a foto de Hitler. E ao contrário do que pretende insinuar, não há direitos ilimitados, como o da “liberdade de expressão”, apesar de universais (excepção feita para o direito à vida e, mesmo este, com a reserva do direito à legitima defesa que, na prática, mais não é do que o mesmo direito à vida). Já para não falar nos infelizes comentários que comparam o ensino antes e pós 25 de abril.

O que as sociedades ou comunidades precisam, seja em que tempos forem (de crise ou menos crise), é de alimentar ódios, rancor, ‘ressabismo’, indiferença, intolerância. Como escreveu @vascodcm no twitter “banalizar o ódio é ser tolerante com o Mal”. Banalizar a história recente do povo judaico com a inqualificável falta de tolerância e respeito, é o mesmo que menosprezar a sua memória. No caso de Esther Mucznik torna-se mais grave face à responsabilidade que tem na comunidade judaica. Para criar conflitualidade social já nos bastaram as caricaturas a Maomé, os confrontos religiosos, os interesses geopolíticos que marcam as guerras, a intolerância para com os que são considerados “socialmente diferentes”, as diferenças de tratamento e oportunidade entre géneros.

Mas este também é um país que se indigna e revolta por um ex Primeiro-ministro ser comentador na RTP, ao mesmo tempo que elege Salazar como a figura portuguesa do século XX.

Surrealismo é mesmo connosco.

publicado por mparaujo às 08:36

27
Jan 12
27 de Janeiro... a História nunca pode ser travada!

67 anos após o encerramento de Auschwitz, hoje é dia de lembrar o Holocausto.
Não só as vítimas dos campos de concentração, como todos os que foram vítimas das experiências médicas medonhas do regime Nazi, bem como as perseguições e execuções sumárias nas cidades dos países ocupados durante a Segunda Grande Guerra...


7 milhões de polacos dos quais 3 milhões de polacos judeus
6.1 milhões de judeus dos quais 3 milhões de judeus polacos
6 milhões de outros civis eslavos
4 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos
1.5 milhões de dissidentes políticos
800 000 roma e sinti
300 000 deficientes
25 000 homossexuais
publicado por mparaujo às 22:56

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