Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

30
Dez 16

Entendo que, pessoalmente, não faz sentido tecer qualquer tipo de considerações sobre Mário Soares (Presidente Mário Soares ou ex-Presidente Mário Soares, como quiserem) sob pena de tornar a ser repetitivo quando, de facto, se constatar o natural desfecho de qualquer vida humana, independentemente das circunstâncias.

Vou, por isso mesmo, abster-me de me posicionar em relação a Mário Soares, por enquanto e apesar de não me ser indiferente o seu estado de saúde.

Além disso, não pretendo tecer quaisquer observações sobre os diversos breafings mais ou menos regulares ou à forma (não propriamente quanto ao conteúdo) como os diversos órgãos de comunicação social têm acompanhado todo o desenvolvimento do estado clínico de Mário Soares desde que deu entrada no Hospital de Cruz Vermelha.

Mas se não me pronuncio quanto à forma não posso, no entanto, deixar de me pronunciar quanto a conteúdos.

Numa altura em que se aproxima a realização do 4º Congresso de Jornalistas entre os dias 12 e 15 de janeiro de 2017, no cinema S. Jorge, em Lisboa (infelizmente, por razões profissionais, não poderei acompanhar directamente, nem estar presente) não faz sentido deixar passar em claro, sem qualquer tipo de crítica ou condenação, o que entendo como uma clara falta de sentido ético e deontológico, uma evidente postura de ausência de profissionalismo e sentido de informação e formação, a notícia de hoje do Correio da Manhã.

Sou dos que defendem que não há bom ou mau jornalismo... pura e simplesmente há jornalismo ou não há jornalismo, independentemente de alguns erros que se cometam. Isto não é errar, é a total ausência de jornalismo. E é mau demais para passar em claro e ser desculpável.

É importante que o 4º Congresso dos Jornalistas (ou do jornalismo ou da comunicação, como quiserem) não se prenda com a questão laboral/salarial, o peso do poder económico nos órgãos de comunicação e nas redacções ou se haverá lugar aos jornais em papel ou digitais. Há, infelizmente, muito para discutir para além disso. Isto é só um triste e condenável exemplo.

untitled.JPG

publicado por mparaujo às 14:14

03
Mai 16

3 de maio - liberdade de imprensa.jpg

O dia 3 de maio assinala o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. O direito a informar e a ser informado de forma livre, sem pressões ou constrangimentos.

Qualquer democracia e Estado de Direito precisam, na sua estrutura, de uma comunicação social independente, livre, atenta, rigorosa e que fale, acima de tudo, verdade.

Importa, por isso, lembrar no dia de hoje (o que deveria ser feito todos os dias) a actual realidade da comunicação social, as suas dependências económicas, as suas dependências administrativas, os impactos editoriais e as condições de trabalho dos seus profissionais.

Assim como importa lembrar no dia de hoje (o que deveria ser feito todos os dias) os que morreram ao serviço da liberdade de imprensa, em plenas funções ( a ong Repórters sem Fronteiras aponta para cerca de 110 profissionais mortos em todo o mundo no ano de 2015), para além dos que são torturados e presos (54 sequestrados e 153 estão presos) pelo simples uso de um direito universal e fundamental intrínseco à sua profissão.

Mas também devia ser dia (agora que foi anunciado um eventual próximo congresso de jornalistas) e deveria sê-lo todos os dias altura para reflectir sobre a própria realidade da imprensa.

Ainda no discurso das comemorações do 42º aniversário do 25 de Abril de 74, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aludia à importância da Liberdade de Imprensa como uma das grandes "conquistas de Abril", a par da Liberdade de Expressão.

É também nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes e contextos, que a própria imprensa se define e se recria diariamente.

Se a liberdade de expressão, como direito fundamental, é inquestionável e deve ser, sempre, preservada e protegida, não deixa de ser igualmente verdade que o papel socializador da comunicação social deveria estar sempre presente nos critérios editoriais. Mesmo criticando e condenando conhecidas concepções e intervenções do economista Pedro Arroja sobre homossexualidade, o papel das mulheres na sociedade e na política, sobre juízos de valor em relação a dirigentes femininas do Bloco de Esquerda (Catarina Martins, Marisa Matias, Mariana Mortágua), etc., assiste-lhe o direito à sua opinião, por mais surreal, absurda e estúpida que seja. O que não se compreende é que um órgão de comunicação social, como o Porto Canal, se esqueça do seu papel e da sua condição (para além do esquecimento dos jornalistas do seu código deontológico e do seu estatuto legal) e sirva de palco a atentados homofóbicos, sexistas, xenófobos. Tudo agravado com uma posição editorial que afirma publicamente o seu distanciamento em relação às posições do professor economista, mas que insiste em dar voz pública, enquanto informação, aos constantes atropelos dos mais elementares direitos universais.

Mas ainda recentemente a comunicação social conheceu mais uma incompreensível incoerência entre a informação e a realidade e que nos leva a questionar, também, a relevância do actual papel da imprensa na sociedade.

A SIC iniciou há poucas semanas, segundas-feiras à noite, um novo espaço de reflexão sobre a sociedade. O programa "E se fosse consigo?" aborda, de forma excelente e com interessante trabalho jornalístico, temas muito próximos das pessoas como o racismo, o bullying ou, mais recentemente ainda, a obesidade.

O curioso, nesta questão da temática da obesidade, é um canal de televisão (ao caso a SIC, mas poderia ter sido outro qualquer ou até todos) promover um debate e uma reflexão sobre a obesidade, os seus impactos nos vários processos de socialização, no bem-estar (físico e psicológico) dos cidadãos, quando se sabe (interna e externamente) que o próprio meio televisivo é um péssimo exemplo no que respeita à forma como privilegia o aspecto físico nas funções dos seus profissionais, nomeadamente dos jornalistas de sexo feminino.

Também nisto, nestas pequenas coisas que vão construindo o dia-a-dia da imprensa e contribuem para a sua imagem de credibilidade e de liberdade, se devia reflectir e repensar.

publicado por mparaujo às 14:07

27
Nov 14

Cavaco Silva - jornal i.jpgO Presidente da República, em visita oficial aos Emirados Árabes Unidos, entre questões directamente relacionadas com o objectivo da viagem, acedeu a comentar o caso da detenção de José Sócrates. Ou melhor... já que Cavaco Silva sempre nos habituou a nada dizer: a comentar o impacto que a detenção do ex Primeiro-ministro possa ter para a preservação da imagem internacional de Portugal .

O Presidente da República afirmou, aos jornalistas que a imagem de Portugal no exterior não está a ser afectada (fonte: jornal i) tendo em conta os mais recentes casos judiciais como o BES, os Vistos Gold e José Sócrates.

Ora, tendo em consideração a distância, fusos horários (independentemente da globalização da informação), cultura, etc., que separa Portugal (e a Europa) dos Emirados Árabes Unidos, não fora a infeliz imagem que temos do actual Presidente da República e até poderíamos dar-lhe o benefício da dúvida em relação ao caso mais recente.

Não fora... pois. Não fora isso e o artigo publicado, ontem, no jornal francês "Liberátion", conotado com a esquerda gaulesa. Sob o título "Sócrates, la chute d'un opportuniste sans idéologie" (Sócrates, a queda de um oportunista sem ideologia), o jornal não só ataca a imagem do ex Primeiro-ministro como faz claras referências a politização do caso: "corresponde a um novo degrau de imoralidade na vida pública" (fonte: Expresso online).

Capa Liberation - 26-11-2014 - caso socrates.jpg

Sendo certo, como diz Cavaco Silva, que casos políticos e financeiros que "caem" na justiça há em todos países (infelizmente com acentuada predominância nos países da Europa do Sul: Itália, França, Espanha e Portugal), é, no mínimo, merecedor de significativa preocupação a exposição de Portugal aos olhos internacionais por todos estes casos (aos quais poderíamos acrescentar um outro número bem elevado). Basta recordar o que foi a referência ao caso na imprensa estrangeira.

Mas, como sempre, o Presidente da República é um fervoroso crente...

publicado por mparaujo às 16:07

11
Jul 14

A 14 de Junho, poucos dias após a notícia do despedimento colectivo na Controlinveste (DN, JN, TSF, O Jogo, Global Notícias e Notícias Magazine), mostrava com todo o respeito a minha solidariedade para com os profissionais da comunicação social envolvidos. Aliás, tal como o manifestei em relação a outras situações noutros Órgãos de Comunicação Social (por exemplo, no Público, grupo RTP...): Solidariamente... camaradas.

Depois das vigílias marcadas, da petição assinada, resta-me, neste dia 11 de julho, de novo a minha SOLIDARIEDADE para com os profissionais da Controlinveste.

quando o rigor, a exigência, a experiência, a competência, a verdade, dão lugar à massificação do jornalismo...
quando, apesar das alterações conceptuais e das novas realidades dos meios, se esquece que, em primeiro lugar está um leitor que não deve, nem pode, ser subestimado...
quando o "poder económico" prevalece sobre o direito a informar e a ser informado, de forma livre e verdadeira...

publicado por mparaujo às 09:57

12
Jun 14

Excelente texto da Fernanda Câncio no Jugular, a propósito da situação de despedimento colectivo na Controlinveste, mais propriamente no Diário de Notícias.
Dá um nó no estômago e um sentimento de tristeza e revolta.
Se há quem diga que isto são "os sinais do tempo" ou a tradicional frase "é a vida"... a minha resposta será sempre: Puta que pariu (esta) a vida. (desculpem o meu "francês")
Solidariamente... CAMARADAS.

A ler ainda... Pedro Santos Guerreiro, no Expresso: Um dia na vida.

publicado por mparaujo às 09:47

19
Mai 14

http://cdn.observador.pt/wp-content/themes/observador/assets/build/img/logo.png

A Comunicação Social tem um novo espaço de informação: O Observador.
A informação sem hora marcada e a qualquer hora. Só porque a notícia acontece.
Parabéns ao Jose Manuel Fernandes e ao David Dinis. Boa sorte para toda a equipa.

Espera-se mais informação e melhor informação.

Tudo sobre a origem do Observador.

publicado por mparaujo às 09:42

16
Mai 14

Tal como o Pedro Santos Guerreiro já o afirmou publicamente, a capa de hoje do Jornal de Negócios está simplesmente soberba.
A simplicidade do "branco", com poucas cores que distraiam do essencial: a manchete com a saída da Troika.
Muito bom. Mesmo, muito bom.
Parabéns ao Negócios e à Helena Garrido.


p.s. Tenho, como o disse várias vezes, uma admiração e respeito pelo jornalista Pedro Santos Guerreiro e fui um dos que ficou surpreso com a sua saída do Jornal de Negócios - embora sem o comentar porque foram razões do foro pessoal que não me dizem respeito, como é óbvio... mas, hoje, para os "velhos do restelo" e para os "derrotistas e más línguas" que previam um futuro cinzento para o JNegócios aqui está a prova, mais que provada, das capacidades de liderança por parte da Helena Garrido. Mais nada...

publicado por mparaujo às 10:54

03
Mar 14

José Luís Mendonça, familiarmente conhecido como Zeca Mendonça, é o verdadeiro “homem do presidente”. Funcionário do aparelho social-democrata, assessor de imprensa do PSD, serviu, até à data, quase todos os Presidentes “laranjas” (incluindo Sá Carneiro). Nestas funções de assessoria de comunicação, José Mendoça leva já cerca de 27/28 anos de serviços prestados ao partido (se não me falham as contas).

Não há jornalista que não tenha tido contactos com ele, não há cidadão que não tenha reparado nas suas “aparições públicas” (umas mais discretas que outras), não há, inclusive, político (mesmo de partidos distintos) que não se tenha “cruzado” com ele. Mas o curioso é que, quase que na totalidade das circunstâncias e independentemente de “mais ou menos apertos”, a sua acção sempre se mostrou cordial, discreta, mas eficaz (e, porque não, eficiente). Há, aliás, entre os jornalistas que conheço (seja qual for a dimensão desse universo) um sentimento de consideração pela pessoa e pelas suas funções.

Daí que tenha ficado perplexo com a notícia e as imagens que retratam uma agressão de José Luís Mendonça a um jornalista, Paulo Spranger (repórter fotográfico) que estava a tirar fotografias a Miguel Relvas quando este chegava, ontem, para o início dos trabalhos do Conselho Nacional do PSD. As imagens mostram José Mendonça a pontapear o jornalista, demonstrando o seu eventual desagrado pelo local onde o profissional da comunicação se encontrava.

Sejam quais foram as razões, apesar da estupefacção e o espanto que me originaram os factos, a verdade é que a atitude do assessor do PSD é lamentável, criticável e condenável (até do ponto de vista jurídico). Mas a verdade é que, segundo informação vinda a público, José Mendonça terá tomado uma posição pública de auto-condenação e um pedido de desculpas ao Paulo Spranger pelo sucedido (aliás, aceites). Assunto resolvido. Ou não…

Porque, paralelamente, duas outras questões são, igualmente, lamentáveis e criticáveis.

A primeira tem a ver com a falta de solidariedade entre os jornalistas, chegando ao ponto de alguns menosprezarem e desvalorizarem os factos, ou, até mesmo, coresponsabilizarem o colega pelos acontecimentos. É certo que José Mendonça tem um “peso estrutural” no PSD e é a ligação entre o partido e os jornalistas. É certo que os jornalistas vão precisar, e muito, do seu relacionamento com Zeca Mendonça. É certo que nunca se esperava uma situação destas. Mas uma agressão, seja qual for o grau e género, é sempre uma agressão. A ausência de posição da classe e do Sindicato (tão célere noutras minudências) é conivente e permissiva em relação aos acontecimentos.

A segunda, ainda tão ou mais grave, é o facto do PSD, os seus responsáveis (alguns que presenciaram os factos) não terem, publicamente, tomado qualquer posição em relação aos acontecimentos. Nem uma linha, nem uma palavra. Nada. Como o ocorrido não tivesse acontecido num acto político do partido e José Mendonça não fosse, para todos os efeitos, um funcionário do aparelho social-democrata. Por aqui se vê a forma como “este” PSD lida com as liberdades e com a informação.

Pessoalmente, lamento pelos dois (José Mendonça e Paulo Spranger).

publicado por mparaujo às 16:02

24
Set 13

Hoje é, claramente, o dia de comprar jornais. Sim... jornais, no plural.

Hoje celebra-se o Dia Internacional da Imprensa.
É certo que o exagero de “dias mundiais”, “dias internacionais”, “dias de tudo e mais alguma coisa” tem o condão de desvalorizar o essencial, de esvaziar o relevante e colocar, no mesmo patamar de importância, o fundamental e o supérfluo.
Por outro lado, tal como diz a sabedoria popular, “o que é de mais cheira mal” e acaba por deixar de ter impacto na sociedade, nas comunidades e nas pessoas.
No entanto, numa altura em que tanto se “assobia para o ar” em relação ao jornalismo, e, neste caso concreto, à imprensa escrita, numa fase em que as pressões económicas (ou economicistas) são imensas sobre os jornais, com o “falhanço”(?) do online (fora dos títulos impressos) em Portugal, é bom lembrar que ainda há jornais a cheirar a tinta, ainda há pessoas que se deslocam (diariamente ou não) ao quiosque/tabacaria mais próximos para comprar o jornal do dia.
E neste Dia Internacional da Imprensa (24 de setembro) faz sentido lembrar (já que o próprio Sindicato dos Jornalistas o “esqueceu”) as minhas referências pessoais. Valem o que valem, são as minhas.
Sem qualquer tipo de ordenação lógica: Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Público, Expresso, Jornal i, Jornal de Negócios, Diário Económico.
E correndo todos os riscos e mais alguns de me esquecer de alguém (desde já as minhas desculpas, mas ficam personificados nos que me lembrei), ainda e sempre: João Marcelino, Fernanda Câncio, Miguel Marujo, André Macedo, Ferreira Fernandes, Carla Hilário Quevedo, Inês Pedrosa (sim… a escritora também), Pedro Santos Guerreiro, José Manuel Fernandes, Henrique Monteiro, Ricardo Costa, Helena Garrido, Helena Matos, Carlos Rodrigues Lima, Manuel Carvalho, Luciano Alvarez, Leonete Botelho, António Marujo. Ah... e a Maria José Oliveira (por tudo e por todos os que foram, e são, pressionados e censurados, mas não pressionáveis nem acomodados).
Ou
Diário de Coimbra (o grande amigo Arménio Travassos, Margarida Alvarinhas), Diário de Aveiro (Ivan Silva, Cristina Paredes, Ana Sofia Pinheiro, Maria José Santa, Rui Cunha, Luis Ventura, João Peixinho, Margarida Malaquias, Sandra Simões, Paulo Ramos, Carla Real, Hugo Santos, Ivo Almeida, Hélder Monteiro), As Beiras (Patrícia Almeida), Notícias de Aveiro/DN/RR (Júlio Almeida), Lusa (Miguel Souto, José Neves), JN-Aveiro (Salomé Filipe, João Paulo Costa), Jornal da Bairrada (Pedro Costa).

Os que deixam saudades...
José Manuel Silva, Jesus Zing, José Carlos Maximino, Carlos Naia, …

E os que deixam, ainda (pela ausência) mais saudades. In Memorium... Cáceres Monteiro, Manuel António Pina, Daniel Rodrigues, Adriano Lucas, entre tantos outros.

publicado por mparaujo às 15:49

15
Ago 13

Declarações de interesse que se impõem antes de tudo:

1. Apesar da formação académica na área (comunicação), por razões de oportunidade e opções (à data) de vida, não exerço a actividade profissional de jornalista (embora colaborador regular do Diário de Aveiro e ter passado vários anos na rádio), mas sim a relacionada com a assessoria de imprensa e comunicação, no sector autárquico. No entanto, tal facto não me impede, por direito e democracia, de reflectir sobre uma das coisas (felizmente há mais) que mais me apaixona na vida: o jornalismo.

2. Sempre que estiver em causa a dignidade da profissão, a ética e a deontologia, a defesa dos profissionais, eu estarei na primeira fila. Neste caso, relacionado com a Fernanda Câncio e uma publicação diária (que não considero “jornal” – jornalismo não se define pelo volume de eventuais vendas), envolvendo uma foto de Judite de Sousa, a minha posição não podia ser outra senão a de estar ao lado da Fernanda Câncio. Não porque ela precise de qualquer “advogado de defesa”, a experiência pessoal e profissional acumuladas e o “gosto” que sempre desenvolveu pela polémica são mais que suficientes para saber resolver, sozinha, as situações e as dificuldades que enfrenta… mas por uma questão de respeito, consideração e admiração. Em algumas coisas da vida e do mundo divergimos, respeitando as opiniões. Mas em relação ao jornalismo, à sua concepção e conceito, à defesa da sua integridade e ética, como a Fernanda bem sabe, estamos 99,9% de acordo.

3. Numa breve troca de impressões com a mui respeitável Estrela Serrano e este seu texto “Jornalismo mesquinho e pacóvio”, compreendendo a sua posição no combate a este tipo de situações (como ela referiu “água mole em pedra dura…”), defendo, há muito, que não há bom ou mau jornalismo. Ou há jornalismo ou não há jornalismo. Podemos discutir erros e falhas do jornalismo, mas para mim o que está em causa é uma atitude premeditada, rebuscada, difamatória, provocatória e que atenta à dignidade da jornalista Fernanda Câncio. E só por isso me atrevo a escrever, como o fiz em outras situações. Apenas por isso, já que de jornalismo a situação não tem nada, aliás como não tem a publicação em causa.

Passemos aos factos… e às interrogações?

- Que relação há entre a vida pessoal (ainda por cima no passado) de Fernanda Câncio e a foto da Judite de Sousa na praia?

- Que legitimidade tem a publicação para identificar a jornalista não pelo seu nome ou, até, profissão, mas por um facto da sua vida privada e íntima?

- Que direito tem a publicação de recolher e publicar sem autorização uma mera opinião pessoal (e não profissional, ou mesmo que o fosse) expressa num contexto reservado, embora visível (grupo fechado do facebook "Jornalistas")? Algo, aliás, que não é caso único naquela publicação, se recordarmos, por exemplo, o que aconteceu também com a jornalista Joana Latino.

- Que interesse jornalístico tem a opinião pessoal, legítima num estado democrático e de direito, de uma cidadã (ao caso) comentar uma foto que não lhe agrada, ainda por cima quando, em causa, estava a “defesa” de uma colega/camarada de profissão?

– Se a Fernanda Câncio tivesse elogiado o bikini ou a condição física da Judite de Sousa teria sido igualmente capa da publicação?

– Para além do ódio que a publicação nutre por tudo o que envolva o nome de José Sócrates (não sou socialista, votei contra a sua reeleição em 2011, embora o arrependimento seja enorme: “mal por mal…”); para além do conhecido desprezo, mesmo que não seja a única, que a jornalista do Diário de Notícias sustenta pela publicação em causa; há algum interesse jornalístico naquela chamada de  primeira página para além de uma mera perseguição, calúnia ou difamação?

As respostas são simples: nenhuma; nenhuma; nenhum; nenhum; não; e não. Não há nada que mereça qualquer observação do ponto de vista jornalístico porque, simplesmente, não há jornalismo.

O que merece é a indignação e o repúdio públicos. Não basta vender muito para haver jornalismo.

E é pena que, nestas situações, não haja uma intervenção consistente do Sindicato dos Jornalistas e, mais concretamente, da Comissão da Carteira que não se esquece de cobrar bem pelas emissões ou renovações do “cartãozinho” sempre que necessário. Como há muito defendo, venha uma “Ordem do Jornalismo” e depressa.

E assim vai o jornalismo: cantando e rindo…

publicado por mparaujo às 12:58

27
Jun 13

Há 10 anos já havia muita coisa.

Já havia uma crise económica e de valores escondida e pronta a explodir (e a implodir).

Já havia crise política, nos partidos, na imagem dos políticos junto dos cidadãos, da crise dos valores que construíram (ou que sustentaram a construção europeia).

Há 10 anos (5 anos depois) ainda recordávamos a Expo 98 e estávamos em vésperas do Euro 2004.

Mas antes deste 10 anos não havia o Jornal de Negócios e agora há.

Num meio cada vez mais frágil e volátil, cheio de zonas cinzentas, com dificuldades profissionais e de sustentabilidade, o "Negócios" faz 10 ano, hoje.

Parabéns ao Pedro Santos Guerreiro e a toda a equipa do Jornal de Negócios, pelo trabalho, por serem referência, por terem conquistado uma posição de relevante na Comunicação Social fruto do profissionalismo, da coerência e da veracidade.
Venham os próximos 10 anos...

A ler o editorial de hoje: "Que há-de ser de nós?"

publicado por mparaujo às 09:51

03
Jun 13

A 2 de junho de 1888 era publicada a primeira edição do Jornal de Notícias (com quatro páginas, segundo reza a história).

Ontem, 2 de junho de 2013, o Jornal do Notícias fez 125 anos de história, de muitas histórias, gentes e notícias, tornando-o, a par com o Diário de Notícias, curiosamente do mesmo grupo (quase a fazer 150 anos), um dos órgãos de comunicação social mais antigos ainda com “vida”.

Tive o prazer, melhor dizendo, o enorme prazer em ter como professor um dos seus antigos (ainda dos tempos difíceis da censura) chefe de redacção (à moda antiga), o Prof. Costa Carvalho.

Tenho hoje o igual prazer de ter convivido (e conviver) com alguns profissionais deste jornal que é, rotulagens de “referências” à parte, um marco no jornalismo nacional, nomeadamente pelo sentido e valor que dá às regiões e localidades deste país.

Para além do ciclo de conferências que tem promovido por diversas zonas do país para celebrar estes 125 anos (por exemplo, a realizada no dia 20 de maio na Universidade de Aveiro) em dia de aniversário, o JN (ou como em muitos locais mais recônditos do país, nomeadamente a norte, é apelidado simplesmente do “Jornal”) lançou mais uma ferramenta comunicacional que o aproxima dos seus leitores e da sociedade: o JN Live, um canal de televisão/vídeo na internet. PARABÉNS.

(notícia da RTP – 3 de junho de 2013)

(vídeo: Viagem aos 125 anos do Jornal de Notícias)

Ao grupo Controlinveste, ao director Manuel Tavares e adjuntos Alfredo Leite e Fernando Santos, a todos os profissionais do JN (jornalistas ou não) o meu obrigado pela longevidade e presença diária. De modo particular aos que fizeram e ainda fazem um JN mais próximo de Aveiro (João Paulo Costa, Salomé Filipe, Zulaya Costa e… Carlos Naia, Zé Carlos Maximino, Jesus Zing, Paula Rocha).

Um especial abraço ao Prof. Costa Carvalho.

publicado por mparaujo às 15:52

26
Ago 12

Antes de entrar propriamente numa análise/opinião sobre o processo anunciado (embora ainda não confirmado ou desmentido) de concessão da RTP e encerramento da RTP2: a vertente comunicacional e a vertente política.

No entanto, há um aspecto, aparentemente, simples mas que me provoca uma angustiante dúvida e dificuldade de percepção.

O director-geral da RTP, Luís Marinho apresentou ontem os seguintes valores orçamentais da televisão pública, afirmando que quem ganhar o processo de concessão anunciado lucra, por ano, 20 milhões de euros.

Os valores eram: receitas de 150 milhões de euros da taxa (paga pelos cidadãos e cemitérios) e 50 milhões em publicidade; despesas operacionais de 180 milhões de euros (pornograficamente excessivo para uma empresa pública). Fazendo as contas, de facto, entre 200 milhões de euros de receitas contra 180 milhões de euros de despesas, resta um lucro de 20 milhões de euros.

É algo que não percebo.

Alguém está enganado ou anda a enganar o país. Sempre se ouviu dizer que a RTP era um desperdício de dinheiro para o Estado, mas afinal o Estado, eventualmente, vai entregar a alguém uma receita de 20 milhões de euros.

Se dá lucro de 20 milhões de euros para quê e porquê privatizar/concessionar?

publicado por mparaujo às 17:22

22
Abr 12
Publicado na edição de hoje, 22.04.2012, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré
Do livro ou da leitura…


No próximo dia 23 de abril comemora-se o Dia Mundial do Livro, simultaneamente com o Dia dos Direitos do Autor. Se bem que, neste caso, estaremos a falara não apenas dos escritores mas de todos os criadores de obras intelectuais de natureza literária, artística ou científica (sejam eles direitos morais/pessoais ou patrimoniais).
É inquestionável a relevância que a escrita tem no desenvolvimento social desde os tempos da Antiguidade, bem como o papel que pode desempenhar na valorização individual de cada ser humano. Pelo saber, pelo conhecimento, pela sinalização da história…
Daí que um livro seja, claramente, mais do que um somatório de palavras, de conceitos, de fantasia. São olhares sobre o mundo, a existência, a história, a sociedade, a investigação, a descoberta…
Mas seria muito mais interessante que, neste dia 23 de abril, se celebrasse antes o Dia da Leitura. Porque o conhecimento, o saber, a história, o olhar sobre a sociedade, a informação, ultrapassam as folhas encadernadas de um livro. Parece-me redutor que este dia seja apenas celebrado ao nível do conto, do romance, da poesia, e fiquem por lembrar todo o universo do livro (científico, investigador, histórico, de outros estilos literários como a banda desenhada, por exemplo).
Por outro lado, seria importante e não menos relevante que neste eventual “dia da leitura” (não só do livro) se promovesse, por exemplo, também o hábito e o interesse pela leitura dos jornais.
Uma sociedade evoluída constrói-se e alicerça-se, igualmente, numa autêntica liberdade de imprensa e de expressão.
Como refere Wright Mills “entre a consciência e a existência está a comunicação que influencia a consciência que os homens têm da sua existência”.
Hoje, lê-se, ouve-se e fala-se de política, de ciência, de cultura, da guerra e da fome, da economia, da educação, do trabalho, das pessoas e dos espaços, de uma forma global e consciente através da acção dos meios de comunicação de massas, nomeadamente na imprensa escrita.
Numa altura em que uma sondagem internacional, revelada na semana passada e promovida pela Edelman Trust Barometer, dá mostra de que a confiança nos órgãos de comunicação social aumentou 51% (em relação a 2011) – a mesma sondagem que revela que a confiança dos portugueses nos governos é ainda muito baixa (embora tenha subido de 9 para 29%) – só faz sentido aproveitar esta consciência colectiva do papel e da importância que os jornais têm na afirmação da realidade e no desenvolvimento das sociedades e das comunidades.
Porque um jornal também é leitura, também é saber, conhecimento e sentido crítico.

Uma boa semana e boas leituras…
publicado por mparaujo às 20:29

13
Mar 12
A administração do Jornal "i" decidiu demitir a direcção do jornal que era composta pelos jornalistas António Ribeiro Ferreira e Ana Sá Lopes, director e directora-adjunta, respectivamente.

Em teoria, face às alterações na administração em fevereiro último, após Jaime Antunes ter vendido a sua parte na empresa à gráfica que imprime o jornal (Sagopol), é normal (?) alterações estruturais e organizativas e a colocação de pessoas de confiança nos lugares-chave.

Mas não deixa de ser uma coincidência interessante e curiosa o facto de tais alterações terem acontecido tão no imediato e logo após o "anúncio/previsão" da demissão do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, preconizada pelo texto de Ana Sá Lopes...

Pelos visto, caiu mais depressa o "jornal" do que o Ministro.
publicado por mparaujo às 23:58

19
Fev 12
A propósito do post anterior JN com "cara lavada" as actualizações vindas de um dos jornais com mais história no jornalismo nacional, caem em catadupa:

publicado por mparaujo às 01:21

18
Fev 12
É já amanhã, domingo (19.02.2012), que o Jornal de Notícias (JN) surgirá nas bancas com uma novo design e nova imagem.

Mantendo a tradição e a sua história com um formato mais apelativo que "tornará o jornal mais ágil, mais surpreendente, mais hierarquizado, mais variado" (fonte: JN).

 

publicado por mparaujo às 21:21

03
Mai 11
publicado por mparaujo às 16:14
Tags:

01
Mai 11
publicado por mparaujo às 12:40

22
Fev 11
Ou opções que descredibilizam e mancham o jornalismo.
Nem tudo vale na informação e a informação não se pode valer de tudo. Por uma questão ética, deontológica e de princípio.
Se o direito de informar é um direito fundamental, nem tudo se resume ao princípio do bem e do interesse públicos. Por outro lado, há outros direitos fundamentais que se sobrepõe a esta desmedida ânsia informativa sem critério e sem rigor.
O Correio da Manhã (e depois a TVI) não estiveram nada bem na divulgação do vídeio e dos fotogramas do "caso do homicídio em Oliveira do Bairro".
Pela primeira vez tenho que concordar: a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação) agiu bem... o pior são sempre os resultados e as conclusões. (fonte: Público online).
publicado por mparaujo às 23:26

27
Set 10
Capas dos jornais diários de hoje, 27.09.2010

publicado por mparaujo às 20:28
Tags:

25
Set 10
Capas da imprensa diária de hoje, 25.09.2010


publicado por mparaujo às 22:36
Tags:

24
Set 10
Capas dos jornais diários de hoje, 24.09.2010

publicado por mparaujo às 23:23
Tags:

23
Set 10
Capa da edição do Jornal das Letras de 22.09.2010
publicado por mparaujo às 13:09

Capas dos jornais diários de hoje, 23.09.2010

publicado por mparaujo às 13:03
Tags:

22
Set 10
Capas dos jornais diários de hoje, 22.09.2010

publicado por mparaujo às 21:50
Tags:

20
Set 10
Capas dos jornais diárias de hoje, 20.09.2010

publicado por mparaujo às 21:47
Tags:

19
Set 10
Capas dos jornais diários de hoje, 19.09.2010

publicado por mparaujo às 19:09
Tags:

18
Set 10
Capas dos jornais diários de hoje, 18.09.2010

publicado por mparaujo às 20:30
Tags:

Capas dos jornais semanários - 17 e 18.09.2010
 
publicado por mparaujo às 20:24
Tags:

pesquisar neste blog
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Fevereiro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
15
16
17
18

20
22
23
24
25

26
27
28


Visitas aos Arcos
Siga-me
links