Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

03
Dez 16

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Os últimos dados que o Instituto Nacional de Estatística fornece indicam que em Portugal vivem cerca de 700 mil pessoas portadoras de deficiência, sendo que dessas, a título de exemplo, 170 mil são invisuais, 160 têm dificuldades ou incapacidades motoras e perto de 20 mil sofrem de paralisia cerebral.

Além disso, Portugal é dos países da Europa com menos respostas quer sociais, quer urbanas, quer laborais, quer económicas ou ainda inclusivas, para os cidadãos portadores de deficiência. Mas é muito mais interessante a discussão em torno do jantar da visita oficial do Rei de Espanha, do casaco nas costas da cadeira ou de partido que não aplaudiu o discurso na Assembleia da República. Isso sim... é política interessante.

Nesta data, 3 de dezembro, em que se regista o dia internacional das pessoas com deficiência, não me canso de recordar o excelente trabalho jornalístico e o não menos excelente contributo para a causa social que foi o lançamento do livro "Por acaso..." da jornalista Fátima Araújo. Porque é importante não deixar esquecer.

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publicado por mparaujo às 12:15

26
Nov 15

Primeira nota de abertura, contexto temporal: Novembro de 2015, pleno século XXI.

Conhecidos os resultados eleitorais do passado dia 4 de outubro surgiram logo duas realidades que espelham a falta de maturidade social da sociedade portuguesa e a clara e evidente falta de estruturação para a inclusão (sim... a recordar a Fátima Araújo com o seu livro "Por acaso..."): os portugueses elegeram o deputado do BE, Jorge Falcato Simões (deficiente motor) e o deputado socialista Alexandre Quintanilha (homossexual). Não faltou muito para surgirem nas primeiras páginas e nos minutos de televisão referências às dificuldades estruturais da Assembleia da República para receber um deputado com deficiência motora, bem como são conhecidas as polémicas em torno da orientação sexual do deputado Alexandre Quintanilha, nomeadamente aquela que envolveu o pivot da RTP, José Rodrigues dos Santos.

O "melhor" ainda estava, afinal, para vir.

O XXI Governo Constitucional, da responsabilidade de António Costa e que hoje tomará posse, incorpora nos seus ministérios e secretarias de Estado cidadãos negros, etnia cigana e com deficiência visual.

Só em Portugal, em pleno ano de 2015 depois de Cristo, é que o facto da Ministra da Justiça ser negra, o facto do Secretário de Estado das Autarquias Locais nunca ter renegado as suas origens ciganas e o facto da Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência ser invisual de nascença, é que é motivo de referência, de notícia e de relevância. Infelizmente, só no ano 2015 Portugal acordou, mesmo que sobressaltado, para a inclusão social e para a intervenção pública igual para todos.

Mas pior... se me custa aceitar que a sociedade "civil" ainda faça disto um tabu, é VERGONHOSO ver alguma comunicação social a fazer disto título de notícia. Se, por formação académica, sempre aplaudi e critiquei o que de bom e mau se faz no jornalismo, chegou a coincidência de não conseguir sequer adjectivar e qualificar este título do Correio da Manhã.

Só me ocorre... VERGONHA!

CM e Governo de Costa.jpg

 

publicado por mparaujo às 09:58

28
Jan 13

(créditos da foto: Nuno Fox - jornal Expresso)

No sábado passado, dia 26, a CGTP aliou-se à FENPROF na manifestação que concentrou cerca de 30 mil professores em Lisboa. A CGTP contou com a presença do seu secretário-geral, Arménio Carlos.

Quem já passou por manifestações e/ou pelo sindicalismo, mesmo o local, sabe que o fervor do momento, a necessidade de criar determinados ambientes, nem sempre levam a algum cuidado (se é que há necessidade disso) com o que se diz e como se diz.

E no sábado a polémica estalou quando Arménio Carlos usou a metáfora dos Reis Magos para se referir à Troika: “Daqui a pouco vêm aí outra vez os três reis magos, um do Banco Central Europeu, outro da Comissão Europeia e o mais escurinho, o do FMI, e já se fala em mais medidas de austeridade”. (fonte: jornal i). Numa óbvia e evidente alusão ao chefe da missão do FMI, Abebe Selassie.

Estava dado o mote para o desenrolar de várias críticas às palavras do secretário-geral da CGTP.

Pelo trabalho que tem sido desenvolvido em Aveiro na área social (imigração – Projecto Aveiro + Intercool II, do Centro Social da Vera Cruz e da Câmara Municipal de Aveiro) tenho tido a feliz oportunidade de acompanhar algumas das problemáticas e realidades relacionadas com racismo, xenofobia, multiculturalidade e inclusão social.

Independentemente das minhas opções político-partidárias, da minha concepção do mundo e da sociedade, há uma questão que sempre defendi e da qual não abdico: o direito à igualdade (contra o racismo e a xenofobia), o direito à diferença (sexual, política, religiosa, cultural), a defesa pela multiculturalidade como enriquecimento das comunidades.

E há outro aspecto que defendo acerrimamente: estes princípios e a defesa por estes valores não têm cor política, nem são propriedade de ninguém. Mas também reconheço que sempre foram bandeira mais ou menos ideológica da esquerda (mais à esquerda).

Voltando à polémica, foram várias as reacções contra Arménio Carlos e a expressão publicamente utilizada. Pessoalmente, a expressão que o secretário-geral da CGTP usou teve eco por dois motivos: primeiro, por ter sido proferida publicamente por alguém que tem responsabilidades políticas e sociais acrescidas, nomeadamente na defesa de valores contra a descriminação e exclusão; segundo, porque se a mesma expressão tivesse sido usada por alguém conectado com a direita dava lugar a uma indignação pública massiva de toda a esquerda, acrescida de associações dirigidas ao combate do racismo como a “SOS Racismo”. Curiosamente, como foi proferida por alguém da esquerda, a polémica não passa de uma mera demagogia pseudo-racista.

Mas o que é um facto é que a expressão usada por quem tem responsabilidades públicas, num acto público, foi, no mínimo, infeliz. No mínimo… E está dito.

publicado por mparaujo às 21:04

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