Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

02
Fev 16

desemprego.jpg

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou ontem os dados do Desemprego relativos ao mês de Dezembro de 2015.

Segundo o INE a taxa de desemprego desceu 0,4% face ao número de desempregados em Novembro, fixando o seu valor em 11,8% (segundo a estimativa: 604 mil desempregados, menos 22,8 mil que no mês anterior).

Não vou, obviamente, entrar em retóricas ou análises balofas sobre a responsabilidade governativa da queda do valor da taxa dos desempregados. A redução é uma excelente notícia para o país.

Mas politicamente não deixa de ser curioso o silêncio de muitas vozes que, há menos de um ano, contestavam os números apresentados pelo INE com o Valor Real do Desemprego, com a emigração, com as actualizações das listas e parâmetros de análise, com a sazonalidade, com os desempregados de longa duração, com os que deixaram de ter direito ao subsídio de desemprego ou, simplesmente, aos que deixaram de procurar emprego (porque não o há).

É, no mínimo, curioso. Ontem, nem uma palavra, nem uma linha...

publicado por mparaujo às 15:45

10
Abr 15

tio patinhas.jpgCom a aproximação do fim-de-semana, acrescido do augúrio de tempo incerto e instável, importa aproveitar a deixa da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, sobre a importância das almofadas e meditar sobre o assunto, para que a memória não seja curta.

É já daqui a cerca de dois meses e meio que se regista o primeiro "aniversário" do fim do programa de ajuda externa (porque a saída da troika ainda está longe de ser consumada). Volvido este ano, «Portugal tem mais 210 mil pessoas em risco de pobreza ou exclusão desde 2010». Esta factualidade reflecte o impacto que estes quatro anos de austeridade tiveram na vida dos portugueses, na sociedade e no tecido empresarial e comercial do país. Os sacrifícios foram muitos, os alertas igualmente, mesmo que esta realidade - «País mais pobre com quatro anos de sacrifícios» - tivesse sido espectável e nunca escondida.

Sendo certo que, em inúmeros momentos e com as mais diversificadas adjectivações, o Governo nunca escondeu que, durante o processo/vigor do programa de ajuda externa, o risco de empobrecimento era elevado e real, algo confirmado pelos dados de 2013, desde junho de 2014 que o discurso de vitória (mesmo que comedida) de Passos Coelho e do seu Executivo ou da tão badalada recuperação social e financeira do país esbarre, amiúde, com uma realidade que teima contrariar a euforia governativa.

Depois do atentado à classe média portuguesa, transformada nos «novos pobres», num estudo recente (deste ano) da Cetelem cerca de «um terço dos portugueses não tem capacidade de suportar despesas extra».

E há um discurso que o Governo não consegue fazer colidir com os factos reais, independentemente da consciência do valor elevado da taxa e dos números, e por mais programas/incentivos VEM ou discursos promocionais: o desemprego é um enorme flagelo (e consequência da crise). O desemprego sobe há três meses consecutivos (são já, de novo, perto de 720 mil desempregados), com um enorme peso da taxa de desemprego jovem, sendo que, ao caso e independentemente das idades, para um país que se autoproclama significativamente formado e habilitado, há 81 mil licenciados sem emprego.

E é tão difícil o Governo lidar com estes valores, estes números e esta realidade que o "desespero" levou a uma posição pública (raramente vista) do Instituto Nacional de Estatística que garantiu a veracidade e fiabilidade dos novos números do desemprego e não só.

Bom fim-de-semana primaveril.

publicado por mparaujo às 16:19

02
Abr 14

Publicado na edição de hoje, 2 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Um país a perder…
Enquanto alguns indicadores positivos, diga-se em abono da verdade, como o cumprimento do défice de 2013 abaixo dos 5%, o saldo externo e as exportações, por exemplo, vão dando a ilusão de um país melhor, de uma reviravolta na crise, teimosamente os outros números, os da realidade, vão-nos mostrando e lembrando o país real, o país do dia-a-dia: os cortes sociais; a desvalorização do valor do trabalho, o desemprego, a saúde, o défice entre empresas criadas, as que encerraram e o número de postos de trabalho, entre outros.
Entre esses números estão aqueles que reflectem, triste e infelizmente, um país perdedor, que não se sabe gerir a si próprio, que andará, durante as próximas décadas (demasiadas), sempre de mão estendida. E Portugal é produtivo nesta realidade.
Segundo as projecções do Instituto Nacional de Estatística, Portugal perderá, nos próximos 50 anos, 4,1 milhões de portugueses, fixando a população residente em cerca de 6,3 milhões. Face às medidas de austeridade e dos cortes já efectuados e previstos, as Finanças perdem, por ano, o “rasto” a cerca de 10 mil milhões de euros em fugas de impostos (quase um quarto do total da receita fiscal prevista, cerca de 23%). Portugal, em 2103, já tinha visto “perder”, para o novo Quadro Comunitário (Quadro Financeiro Plurianual 2014-2020) cerca de 3 mil milhões de euros de fundos de investimento, sendo que cerca de 500 milhões são referentes à agricultura e apenas serão atribuídos cerca de 300 milhões para o combate ao desemprego jovem (fundos adicionais). Curiosamente, apesar dos repetidos apelos do Presidente da República (mesmo que inconsequentes pelo registo histórico dos seus mandatos como Primeiro-ministro), a agricultura perdeu, no último trimestre de 2013, 53 mil trabalhadores. Mas não ficam por aqui os exemplos. Em março três referências mostram a dificuldade que o Estado tem em gerir o que é público, em ser coerente com o que exige aos portugueses e com o uso que faz dos dinheiros públicos (financiamentos, impostos, taxas).
O Relatório Anual das Contrapartidas 2013, publicado em março último pelo ministério da Economia, revelou que Portugal perdeu, em cinco dos oito programas de contrapartidas associadas à aquisição de material e equipamento de defesa, milhões em contrapartidas face a contratos com execução nula ou parcial (reduzida). Neste grupo insere-se o polémico caso dos submarinos onde se registaram perdas na ordem dos 35 milhões de euros em contrapartidas.
Portugal recebeu em 2010 fundos comunitários para o desenvolvimento do sector das pescas nacionais. Problemas de interpretação das regras de uso dos fundos obrigaram a que o país devolva à União Europeu (facto já confirmado) parte do valor atribuído. Neste caso a perda para o desenvolvimento das pescas significou a devolução de cerca de 3,5 milhões de euros.
O mês de março terminaria com outra má notícia. Ou, ao caso, até serão duas.
Os portugueses perderam a confiança no consumo, pela primeira vez ao fim de cinco meses de recuperação. Segundo os dados do INE, o indicador de confiança dos consumidores caiu, em Março, para -31,3% (registando uma quebra de cerca de 3% em relação ao mês de fevereiro). Além disso, os valores referentes ao indicador de clima económico registou uma queda 0,3%, no último trimestre.
Nem o país, nem as pessoas, estão melhor, ao contrário do que o Governo quer fazer crer. Deixem de brincar aos governos e não nos tomem por parvos.

publicado por mparaujo às 09:39

30
Mar 14

publicado na edição de hoje, 30 de março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Da serie... as pessoas e o país (2)

Importa recordar frases políticas que registam significativo impacto com a realidade e o contexto social vigente: “A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor” (Luís Montenegro, líder da bancada do PSD, 21.02.2014, vésperas do XXXV Congresso do PSD). Para o Governo e para “este” PSD é evidente que o país se dissociou das pessoas, até porque o país que governam não é o país real. Porque o país real está expresso no relatório publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e divulgado na segunda-feira passada: «Inquérito às Condições de Vida e Rendimento» (2012-2013). Do inquérito referido as conclusões destacam, como nota relevante, que “18,7% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2012-2013” (cerca de mais 1% do que em 2011), atingindo quase 2 milhões de portugueses, o valor mais alto desde 2005.

Do resumo do relatório/inquérito é relevante o registo da taxa de risco de pobreza das famílias com crianças dependentes foi de 22,2% (aumento de 1,7% face a 2011), sendo que destes 22,2% os riscos de pobreza mais elevadas foram estimadas para agregados constituídos por um adulto com pelo menos uma criança dependente, por dois adultos com três ou mais crianças e por 3 ou mais adultos com crianças, que enfrentam pela primeira vez um risco de pobreza superior ao das pessoas que vivem sós. Além disso, o risco de pobreza para a população em situação de desemprego foi de 40,2%, aumentando quase 2% face a 2011. Há ainda a registar que a desigualdade entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres (entre 2009 e 2012) aumentou 1,5%.

Mas há ainda quatro preocupantes referências neste inquérito do INE e que reflectem o actual estado de um país que não está melhor e onde as pessoas estão piores: primeiro, se em vez da definição da linha de pobreza situada no 60% do rendimento médio por adulto (pouco mais de 400 euros) fossem considerados os valores globais do rendimento do trabalho, capital e transferências, a taxa de portugueses em risco de pobreza aumentaria dos 18,7% para os 46,9%, ou seja, quase metade da população portuguesa; segundo, para um governo que tem como parceiro de coligação um partido (CDS) que se diz tão próximo dos mais vulneráveis e idosos, importa referir que as pensões de reforma e sobrevivência sofreram um decréscimo de 21,3 pontos percentuais, originando uma taxa de risco de pobreza de 25,6%; terceiro, o risco de pobreza para as crianças, adolescentes e jovens (menores) situa-se nos 24,4% (mais 2,6%); e por último, quarto e deveras preocupante, o risco de pobreza na população activa (empregada) é de 18,4% (registando um aumento de 1,5%). Neste aspecto, importa ainda registar que 10,9% dos agregados familiares portugueses não consegue pagar a renda, comer uma refeição de peixe ou carne, aquecer a casa. Neste âmbito, os agregados com rendimentos que viviam em situação de privação material severa (o incumprimento de, pelo menos, quatro dos nove itens relacionados com necessidades económicas e bens duráveis) aumentaram 2,3% (de 8,6 para os 10,9%).

Mas nada disto será estranho, apesar de condenável e revoltante, se tivermos em conta que a austeridade, tão criticada pelo próprio FMI e UE mas nem por isso abandonada ou revista a sua aplicação prática, desde 2011 já retirou aos portugueses, às famílias e às empresas (só em medidas e políticas) cerca de 27,7 mil milhões de euros. Valor que poderá subir até aos 29,4 mil milhões de euros (17% do PIB) se se confirmarem os cortes previstos para 2015, e não desmentidos pelo Governo. Aliás, não só não desmentido como anunciado (excluindo-se o valor e quais as medidas previstas) pelo próprio Pedro Passos Coelho, nas jornadas parlamentares do PSD, em Viseu, precisamente no início da semana que passou, ao confirmar mais cortes que permitam o cumprimento da meta orçamental acordada nos 2,5% do PIB para 2015.

Nem o país, nem as pessoas, estão melhor. Deixem de brincar aos governos.

publicado por mparaujo às 16:58

09
Fev 14
http://www.cister.fm/wp-content/uploads/2012/02/Desemprego-Grande.jpg

publicado na edição de hoje, 9 fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

O que esconde 15,3% de desemprego?

A questão surge com a divulgação, pelo INE, da taxa de desemprego registada no quarto e último trimestre de 2013. O valor divulgado refere uma taxa de 15,3%, registando-se uma diminuição de 1,6% em relação ao valor homólogo de 2012, que situava a taxa de desemprego nos 16,9%. Há, neste registo, alguns aspectos positivos que importa salientar: a diminuição da taxa (sejam quais forem as razões, há uma diminuição de 1,6% apesar do elevado número de desempregados: quase 830 mil cidadãos). Para além disso, registe-se a ténue recuperação económica que, mesmo assim, criou cerca de 30 mil postos de trabalho, embora apenas um em cada três (um terço) dos desempregados tenha conseguido uma recolocação laboral.

Mas tal como na divulgação do valor do défice orçamental de 2013 (aqui comentado na edição do dia 29 de janeiro - “Verdade seja dita”) também este valor de 15,3% da taxa de desemprego nos últimos três meses de 2013 esconde outras realidades.

A primeira resulta de um dado preocupante em termos de futuro (embora, obviamente, com impacto na descida da taxa): cerca de 63% dos 830 mil desempregados estão sem trabalho há mais de um ano. E é importante referir ainda que o ano de 2013 registou (apesar do aumento no último trimestre) menos 100 mil trabalhadores que em 2012 (população activa na ordem dos 4,7 milhões de cidadãos).

Daí que, em segundo lugar, seja relevante referir que, segundo os valores apontados pelo INE, contabilizando os cidadãos que deixaram de procurar emprego, o valor da taxa (real) estaria situado nos 20,7%. Isto é, teríamos uma realidade que representaria cerca de 1, 2 milhões de desempregados (quase mais cerca de 400 mil para além do valor divulgado).

Por outro lado, o ano de 2013 fechou com cerca de 128 mil postos de trabalho criados, mas que apenas representam cerca de 28% do total de postos de trabalho perdidos desde 2011 (460 mil). Importa relembrar que o segundo trimestre de 2011 registou o valor mais baixo (dos últimos anos da crise) da taxa de desemprego: 12,1%.

Mas, por fim, o mais significativo é que o apelo do Primeiro-ministro e do (à data) Secretário de Estado da Juventude sortiu efeito: no ano de 2013 cerca de 100 mil jovens portugueses emigraram (desapareceram dos dados do INE). Já não se trata de sazonalidades ou de demagogias. Os dados do INE são claros: e emigração teve impacto na descida da taxa de desemprego em Portugal.

Para justificar esta realidade há ainda quem entenda que esse impacto, para além da descida do valor da taxa, é positivo. Isto é, a emigração é o principal factor de sucesso do governo no que respeita ao combate do desemprego. E isto é, por alguns apoiantes de Passos Coelho, uma boa notícia, porque (basta recordar o artigo “Elogio à emigração” de João César das Neves, no Diário de Notícias, a 6 de janeiro último) a emigração pode ser uma “bênção”. Mas não é…

Por várias razões óbvias: a saída de uma “zona de conforto” e de total alteração de vida, a que todos temos direito, sem ser por vontade própria; a procura de oportunidades e de melhores condições que o país não consegue promover, nem oferecer; tendo a quase totalidade de emigrantes menos de 35 anos e registando-se uma das maiores taxas de jovens formados/habilitados, o país perde, de “mão beijada” e face ao esforço que despendeu, a sua massa crítica, o saber e o conhecimento necessários para o desenvolvimento social, cultural e económico; além disso, emigração significa um decréscimo de contribuições fiscais, e menos de 100 mil contribuintes afigura-se um valor considerável. Para além disso, esta realidade provoca um envelhecimento preocupante do país (face à baixa taxa de natalidade), correndo-se o risco da maioria dos “novos” emigrantes, num mundo tão globalizado, facilmente perderem as suas raízes e dificilmente regressarem a Portugal.

Se uma taxa de 15,3% de desemprego é uma boa notícia, importa reflectir sobre a realidade social que a sustenta e que é reflectida na “outra face da moeda”. E 15,3% escondem muito…

publicado por mparaujo às 14:41

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