Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

09
Jun 15

Mito Urbano - bartoon.jpg

Passos Coelho, ao fim de cerca de três ou quatro anos, vem, claramente com a pressão da pré-campanha eleitoral, querer atirar areia para os olhos dos portugueses com a questão da emigração. Em política, quando não se sabe ou não se tem nada para dizer mais vale ficar calado.

O Primeiro-ministro vem agora afirmar que nunca aconselhou os jovens a emigrar. Até aqui, a bem da verdade, temos uma meia-verdade. De facto, Passos Coelho nunca aconselhou, especificamente, os jovens a irem além fronteiras. Mas também é verdade que nunca desmentiu as declarações, essa sim perfeitamente explícitas, do então Secretário de Estado da Juventude, Alexandre Mestre quando, em finais de 2011, afirmava, no Brasil: "se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras". Afirmação reforçada pelo ex-ministro Miguel Relvas, poucos dias após na Assembleia da República. Portanto, não é verdade que nenhum governante tenha sugerido que os jovens emigrassem, conforme afirma agora Passos Coelho. Porque até o próprio Primeiro-ministro foi um dos "instigadores".

Decorria o mês de dezembro e o ano de 2011, quando, numa entrevista, Pedro Passos Coelho afirmou (importa reproduzir ipsis verbis para que não restem dúvidas - fonte: Jornal de Negócios):

à pergunta... "Nos professores excedentários, o senhor primeiro-ministro aconselhá-los-ia a abandonar a sua zona de conforto e procurarem emprego noutros sítios?".
seguiu-se a resposta: "Angola, mas não só Angola, o Brasil também, tem uma grande necessidade ao nível do ensino básico e do ensino secundário de mão de obra qualificada e de professores.Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou querendo-se manter, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa".

É ainda relevante notar que aos professores (obviamente que muitos, se não a maioria, jovens) Passos Coelho acrescentaria os desempregados.

Parece-me óbvio que o"mito urbano" não está no estigma da emigração mas sim no próprio Primeiro-ministro.

publicado por mparaujo às 16:32

28
Jan 14

Hoje, 28 de janeiro, é Dia Europeu da Protecção de Dados.

Hoje, 28 de janeiro, Rui Pedro, o jovem que desapareceu de Lousada há 16 anos, faz (sim, “faz”…  no presente) 27 anos.

Relação de factos? Apenas que uma melhor e maior eficácia na protecção de dados pessoais significa uma melhor segurança das pessoas e bens, e um maior respeito pela privacidade e pela intimidade de cada um.

Infelizmente, uma protecção da dignidade da pessoa que teimosamente passa ao lado de muitos dos debates, das preocupações políticas e da sociedade (veja-se os casos da Índia ou a mutilação genital em África, como meros exemplos).

No caso das crianças e jovens, a realidade dos factos torna-se mais marcante e chocante.

São os casos de rapto, de tráfico de órgãos, das redes de prostituição, das violações. Para além de todo o impacto nas famílias é o inqualificável atropelo aos direitos, liberdades e garantias, bem como à protecção da dignidade da pessoa.

O caso do Rui Pedro tem tido uma atenção mais especial (algo que nem sempre acontece noutras situações análogas) muito pelo sacrifício, pelo testemunho, pela coragem, pela força, pelo sofrimento de uma mulher: Filomena, mãe do Rui Pedro (não esquecendo, obviamente, toda aquela família marcada por esta triste e desesperante realidade).

Para além da relação directa com o desaparecimento de Rui Pedro, é ainda relevante o impacto que todo o esforço público em torno deste caso possa ter em relação aos outros inúmeros desaparecimentos, a todo o cuidado com as investigações e acções judiciais relacionadas. Em Portugal estimam-se cerca de 60 casos ainda por resolver. Nem que fosse apenas um.

Que o testemunho de vida desta mãe (e não seria preciso ser-se mãe ou pai para se sentir uma revolta e uma solidariedade enormes) consiga ter os seus frutos e sirva como exemplo para, infelizmente, muitos dos que, vivendo a mesma realidade, não têm a oportunidade de puderem fazer ouvir as suas vozes de angústia.

E 16 anos é muita vida… demasiada vida “perdida”. Demasiado...
Para ver...

publicado por mparaujo às 14:46

01
Dez 13

O Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, numa cerimónia de entrega de prémios do Instituto de Juventude e Desporto, discursou durante cerca de 25 minutos. É óbvio que não há nada de especial neste facto. Mesmo o simples facto de a cerimónia ter ocorrido no dia 1 de Dezembro, data em que se assinala o Dia da Restauração e que o governo menosprezou com a exclusão do calendário de feriados nacionais. Mas nem vamos por aí.
O que é verdadeiramente surpreendente é o conteúdo do discurso do Primeiro-ministro perante as associações juvenis e os jovens que as representavam na cerimónia de entrega dos prémios.
Passos Coelho afirmou, sem qualquer tipo de vergonha ou remorsos, que estava perante “a geração de jovens mais qualificada que alguma vez Portugal já teve, na sua história”. Isto é si é um facto, face à evolução, ao longo dos tempos, nas oportunidades de acesso à informação, à formação e ao ensino. Mas o que torna toda esta demagogia política qualquer coisa de surreal e inenarrável é o lamento de Passos Coelho na incapacidade de aproveitamento desta realidade e do conhecimento que a mesma produz. Como se a falta de emprego para os jovens licenciados (nem para muitos milhares de portugueses), a ausência de investimento na educação, na investigação e no empreendedorismo, não fossem responsabilidade de quem Governa.
Mas ainda mais grave e indiscritível é o (de novo)  lamento do Primeiro-ministro pelo facto dos jovens terem de emigrar para se realizarem profissionalmente. E de facto são já muitos os milhares de jovens que procuraram novas oportunidades para além fronteiras, com claros efeitos e impactos negativos no país: menos qualificação e menos conhecimento; ausência de retorno no investimento feito pelo país na formação/ensino; menos empreendedorismo; problemas demográficos como a desertificação de várias zonas, nomeadamente o interior, ou a taxa de natalidade; menor receita contributiva para o Estado; perda da identidade nacional.
Mas é preciso topete para afirmar que “tendo nós esta geração tão qualificada, objectivamente, depositamos nela uma grande esperança para que as transformações no tecido social e económico que precisamos de fazer possam ser mais transformações mais profundas do que aquelas que fizemos no passado. E, portanto, todo o investimento que foi feito em torno das políticas da juventude mais voltadas para as qualificações, para a educação serão críticas para superarmos de forma mais duradoura a crise que estamos a viver”. Para rematar com o mais desavergonhada e petulante afirmação: "Por isso nos dói tanto que, entre aqueles que hoje são mais desenvolvidos e evoluídos do ponto de vista do conhecimento que adquiriram em termos académicos, muitos deles tenham de escolher outras paragens para poderem aceder ou aos seus estágios ou à sua realização profissional".
Mas será que ninguém recordou a Passo Coelho que foi precisamente ele, na qualidade de Primeiro-ministro, e o ex-secretário de Estado da Juventude, que aconselharam, sugeriram e “obrigaram” os jovens (e muitos outros portugueses) a emigrarem?!
Numa coisa Portugal é único: não há politiquice, demagogia, falta de carácter, moral e ética na política nacional, como em qualquer outro lugar do Mundo.
Infelizmente, temos o Govero que temos.

publicado por mparaujo às 22:49

pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
arquivos
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

28 seguidores

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Fevereiro 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

12
13
14
15
16

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


Visitas aos Arcos
Siga-me
links