Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

18
Mai 16

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publicado na edição de hoje, 18 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Da indiferença crescente

O Observatório da Discriminação, através de um relatório publicado recentemente coincidindo com as comemorações, ontem, 17 de Maio, que analisa, avalia e divulga os dados referentes a 2015, refere que aumentou em cerca de 300% o número de denúncias de crimes motivados pelo ódio em função da orientação sexual e da identidade de género, em relação a 2014. Há um dado interessante no referido relatório que regista um aumento do número de denúncias o que reflecte uma maior consciencialização das realidades e, simultaneamente, uma maior confiança nas autoridades e no papel do sistema judicial. Mas a dúvida que fica é se estes dados, significativamente interessantes e reveladores de uma atitude mais crítica e acusatória para quem atenta contra a dignidade, a igualdade e os direitos humanos, reflectem igualmente uma mudança de atitude e de mentalidade, uma alteração positiva da mentalidade da sociedade e das comunidades.

Recordo aqui parte do que foi escrito no texto da passada semana sobre o Dia da Europa e o “estado de alma” da União Europeia (“Um sonho definhado”) e a forma inconsistente e falhada como a Europa tem tratado a questão dos refugiados. Isto, obviamente, a propósito da defesa dos direitos mais elementares e universais de cada cidadão, de cada pessoa.

Recentemente, a autarquia aveirense promoveu, entre as escolas com 3º ciclo do município, uma sessão da Assembleia Jovem Municipal. Não pretendendo fazer nenhum juízo de valor quanto ás propostas/moções que foram debatidas, houve uma relacionada com a questão da tragédia humana em torno dos refugiados que chegam, diariamente, às portas da Europa e que revelou interessante quanto à sua fundamentação e à sua discussão. E mais interessante porque também reveladora do interesse que os jovens depositam sobre esta realidade. A questão é perceber de que forma é que a maioria dos jovens olha para este problema, com que mentalidade, com que conceitos ou preconceitos. Aos fundamentos (previamente estudados pelo grupo de alunos proponentes da temática) apresentados (e bem apresentados, diga-se) acresce: após os movimentos sociais e políticos surgidos na Tunísia no final de 2010 e que rapidamente se prolongaram até à Líbia, ao Egipto, ao Bahrain, a guerra civil e a crise política e social na Síria (da qual, para a maioria dos cidadãos, a crise dos refugiados é o espelho mais visível) completou, no passado mês de Março, cinco anos. Nestes cinco anos provocou a morte a mais de 470 mil pessoas (segundo um texto do Expresso, com a assinatura da jornalista Helena Bento, tal significa mais da população da Islândia, por exemplo, e quase toda a população do Luxemburgo) cerca de 1,9 milhões de feridos e 4 milhões de refugiados (apenas 700 mil chegaram à Europa) segundo os dados da CNUR referentes a 2015. A tudo isto acresce um país completamente desbastado e destruído.

Mas se a frieza dos números é preocupante e reveladora, não menos inquietante é a forma como a Europa, a União Europeia e as suas instituições, os Estados-membros, não conseguem lidar, liderar e encontrar soluções para esta trágica crise humanitária. A incapacidade de assumir a responsabilidade, ou parte dela, pela crise que é vivida na região e pelo alastrar do Estado Islâmico, a forma como tem lidado com os refugiados como se fossem mercadoria, leiloados por quotas como se a realidade social e económica dos Estados-membros fosse igual aos olhos dos refugiados (a maioria com habilitações superiores e recursos financeiros), “comercializados económica e politicamente” com a Turquia, curiosamente o “fantasma” permanente do alargamento da União Europeia.

Mas não menos inquietante são os mitos que se criam na mentalidade de muitos dos cidadãos e na forma como olham para esta realidade: o receio (ou a desculpa) da entrada de extremistas radicais na União Europeia através do fluxo migratório dos refugiados (estes trocam o medo da guerra pela incerteza da travessia do Mediterrâneo, enquanto os primeiros são já cidadãos europeus de várias gerações e têm os seus próprios circuitos de mobilidade e de acção); a comparação (incomparável) entre os cidadãos nacionais que precisam de ajuda (face à pobreza, ao desemprego, etc) e os apoios que são dirigidos (repartidos) aos refugiados, numa preocupante criação de escalas de prioridades na solidariedade e no apoio humanitário (a maioria dos que aponta críticas aos apoios aos refugiados são os mesmo que nunca saíram do sofá para ajudar o “vizinho”); e, por último, o crescimento dos sentimentos de nacionalismo primário e extremista que leva à xenofobia, à homofobia, ao desrespeito pela igualdade e pelos direitos de todos.

Algo que, curiosa e preocupantemente, também cresce nos mais jovens.

publicado por mparaujo às 11:13

12
Ago 14

Hoje, 12 de agosto, celebra-se o Dia Internacional da Juventude. A data foi institucionalizada pela ONU, em 1999, curiosamente após a realização da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, que teve lugar em Lisboa, entre os dias 8 e 12 de Agosto de 1998.

E a propósito do Dia Internacional da Juventude e de Portugal, após 15 anos da efeméride, importa recordar:

1. Em 10 anos Portugal perdeu 500 mil jovens (fonte: INE).

2. Metade do valor da emigração corresponde aos jovens (cerca de 60 mil já emigraram, entre 2012 e 2013).

3. Cerca de 57% dos jovens até aos 25 anos já emigraram ou tencionam emigrar (fonte: estudo Zurich, 2013)

4. Taxa de desemprego jovem, em Dezembro de 2013: 34,3% (fonte: Prodata).

5. Portugal é o terceiro país da OCDE com maior taxa de desemprego jovem. Entre os 15 e os 24 anos, no primeiro trimestre de 2014, o valor situava-se nos 35,4% (fonte: OCDE, 2104).

O lema escolhido para este ano é "A saúde mental importa". Claro que sim... a saúde mental, a saúde, a educação, a formação, o emprego, a estabilidade social...

Bom dia internacional da juventude...

 

https://juventude.gov.pt/Eventos/Cidadania/PublishingImages/RESUMO-Dia-inter.jpg

 

 

publicado por mparaujo às 10:12

17
Abr 14

O Instituto Português do Desporto e da Juventude (tutelado pela Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude) tem, por competência, a promoção do Associativismo Jovem.

No âmbito do seu plano de actividades, o IPDJ está a realizar uma campanha de sensibilização, informação e promoção do Associativismo Jovem que terá, no próximo dia 30 de Abril, o seu ponto alto com a comemoração do Dia do Associativismo Jovem 2014.

Para dar expressão e dimensão à iniciativa o IPDJ convidou um conjunto de personalidades como "embaixadores" do movimento/evento.

Entre figuras como Catarina Furtado, Fernanda Freitas, José Luís Peixoto, Nélson Évora, Nuno Delgado, entre outros, há lugar a dois destaques de "mérito": a presença na ilustre lista da Joana Latino e da Rita Marrafa de Carvalho.

Só por isto a aposta do IPDJ está, claramente, ganha. Os jovens só têm de agradecer...

publicado por mparaujo às 15:08

02
Fev 14

publicado na edição de hoje, 2 fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

da tolerância e do respeito

Vem a questão a propósito do meu artigo publicado ontem, aqui, sobre o eventual referendo sobre a co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Vem a propósito, mas não só. Tenho, pessoalmente, alguma dificuldade em aceitar a tolerância tal como ela é empregue na sociedade de hoje. A tolerância social transmite, normalmente, um sentimento de falsa aceitação de atitudes, comportamentos, convicções, valores, distintos daqueles em que se acredita e nos movemos. Esta incoerência conduz muito rapidamente à indiferença, ao desprezo, à ofensa e, essencialmente, à ausência de respeito. Respeito pelo outro, pelas suas diferenças, pelas suas convicções, e, acima de tudo, respeito pelo garante de iguais direitos, liberdades e garantias.

No caso da co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo (e estamos a falar de co-adopção e não de adopção, ao contrário do que propôs o PSD para o referendo) esta ausência do valor do respeito é demasiadamente preocupante. Sob a capa de uma suposta “fé” (na qual como católico não me revejo e lamento que a Igreja, em relação à mesma, permaneça indiferente, ao jeito de Pilatos) - aliás criticada pelo Papa Francisco quando, por várias vezes, reprovou a obsessão, de determinados sectores da Igreja, pelo aborto ou pela homossexualidade, em vez dos essenciais valores da fé – aquilo que são claros e evidentes direitos e liberdades, primeiro da criança e também dos cidadãos, questões do foro jurídico e do direito, são erradamente interpretados como realidades dogmáticas ou da fé, por sinal, em nada condicentes com a mensagem de Cristo: no respeito, na aceitação da diferença e do outro (com convicções, verdade e valores diferentes). E quando se pensa que o extremar das posições ocorre em quem luta pela igualdade de direitos e liberdades, eis que sectores como a Federação Portuguesa pela Vida ou, ao caso, o movimento Portugal pró Vida. Neste último caso, é inqualificável que um movimento que se diz católico (ou cristão) tenha comportamentos e afirmações públicas como esta: “Eles [defensores da co-adopção] estão cada vez mais agressivos e já ameaçam com Tribunal, inclusivamente quem, dentro da Igreja, os ataque. Se nada for feito em contrário, vamos ter ‘campos de concentração’ para quem for anti-gay, para quem defenda a família fundada num Homem e numa Mulher.” Ou, “Está cientificamente provado de forma categórica que o comportamento homossexual é muito mau para a saúde física e mental.” Ou ainda “Adopção e co-adopção gay, Não! Uma sociedade evoluída não se deve deixar levar por caprichos de franjas minoritárias e desorientadas da sociedade.” Isto é, no mínimo, intolerável, condenável e abominável.

Mas não se pense que é só nesta actual questão da agenda política e social. A ausência do valor do respeito pelos outros, pela convivência social na pluralidade e na diferença de convicções, é igualmente preocupante numa geração da juventude com responsabilidades políticas futuras. São visões extremistas, de uma ideologia bacoca que nem o período do PREC foi tão profícuo. Nas “jotas” centrista e social-democrata (actual) circulam visões da política e da sociedade como estes exemplos. “o país tem que acabar com as bolsas para áreas improdutivas como as humanidades, artes e outras pseudo-ciências que acrescentam zero à nossa sociedade. As faculdades de letras, artes, desporto, psicologia e humanidades, pela sua inutilidade, devem ser encerradas na sua grande maioria e as que fiquem devem ver a sua actividade reduzida ao mínimo, com despedimento da maioria do pessoal. O país não pode formar parasitas improdutivos” (sobre a questão das bolsas e da investigação, no ensino superior). Ou, “Infelizmente, hoje a Igreja está transformada num antro de esquerdistas”, a propósito da entrevista de D. Januário que critica o catolicismo dos actuais governantes. Ou ainda, “A escolaridade obrigatória até ao 12º ano foi mais uma medida estúpida dos governos socráticos que custou milhões de euros aos Contribuintes. 9 anos de escolaridade já chegam e sobram. No futuro devia-se era pensar em recuar novamente para o 6º. É uma vergonha que gente com 15 anos seja proibida de trabalhar em Portugal” a propósito da proposta da juventude popular no Congresso do CDS, no passado mês de janeiro (o tal “congresso dos leitões”). Por fim, bem no oposto do sentimento generalizado na sociedade e até, na própria Igreja, resta o exemplo do que é o respeito pelo valor do trabalho, pela defesa dos mais desprotegidos e dos mais sacrificados: (a propósito de uma entrevista de Sá Carneiro, ao “O Jornal”, em 6-2-1976) “Ainda bem que o PSD se livrou desta mentalidadezeca e trocou esta social-democracia de treta pelo liberalismo! Felizmente, o PSD percebeu que o poder político depende, e dependerá sempre, do sector económico”. Tudo isto culminado com uma intervenção de um deputado do PSD (Carlos Peixoto) que afirmou, recentemente na Assembleia da República, que “a diminuição da natalidade se deve, em parte, à emancipação da mulher”.

Portugal assiste, mais do que a uma crise financeira, a uma, clara, crise de valores.

O país precisa urgentemente de uma “tolerância zero” à ausência do valor do respeito pelo outro.

publicado por mparaujo às 13:53

01
Dez 13

O Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, numa cerimónia de entrega de prémios do Instituto de Juventude e Desporto, discursou durante cerca de 25 minutos. É óbvio que não há nada de especial neste facto. Mesmo o simples facto de a cerimónia ter ocorrido no dia 1 de Dezembro, data em que se assinala o Dia da Restauração e que o governo menosprezou com a exclusão do calendário de feriados nacionais. Mas nem vamos por aí.
O que é verdadeiramente surpreendente é o conteúdo do discurso do Primeiro-ministro perante as associações juvenis e os jovens que as representavam na cerimónia de entrega dos prémios.
Passos Coelho afirmou, sem qualquer tipo de vergonha ou remorsos, que estava perante “a geração de jovens mais qualificada que alguma vez Portugal já teve, na sua história”. Isto é si é um facto, face à evolução, ao longo dos tempos, nas oportunidades de acesso à informação, à formação e ao ensino. Mas o que torna toda esta demagogia política qualquer coisa de surreal e inenarrável é o lamento de Passos Coelho na incapacidade de aproveitamento desta realidade e do conhecimento que a mesma produz. Como se a falta de emprego para os jovens licenciados (nem para muitos milhares de portugueses), a ausência de investimento na educação, na investigação e no empreendedorismo, não fossem responsabilidade de quem Governa.
Mas ainda mais grave e indiscritível é o (de novo)  lamento do Primeiro-ministro pelo facto dos jovens terem de emigrar para se realizarem profissionalmente. E de facto são já muitos os milhares de jovens que procuraram novas oportunidades para além fronteiras, com claros efeitos e impactos negativos no país: menos qualificação e menos conhecimento; ausência de retorno no investimento feito pelo país na formação/ensino; menos empreendedorismo; problemas demográficos como a desertificação de várias zonas, nomeadamente o interior, ou a taxa de natalidade; menor receita contributiva para o Estado; perda da identidade nacional.
Mas é preciso topete para afirmar que “tendo nós esta geração tão qualificada, objectivamente, depositamos nela uma grande esperança para que as transformações no tecido social e económico que precisamos de fazer possam ser mais transformações mais profundas do que aquelas que fizemos no passado. E, portanto, todo o investimento que foi feito em torno das políticas da juventude mais voltadas para as qualificações, para a educação serão críticas para superarmos de forma mais duradoura a crise que estamos a viver”. Para rematar com o mais desavergonhada e petulante afirmação: "Por isso nos dói tanto que, entre aqueles que hoje são mais desenvolvidos e evoluídos do ponto de vista do conhecimento que adquiriram em termos académicos, muitos deles tenham de escolher outras paragens para poderem aceder ou aos seus estágios ou à sua realização profissional".
Mas será que ninguém recordou a Passo Coelho que foi precisamente ele, na qualidade de Primeiro-ministro, e o ex-secretário de Estado da Juventude, que aconselharam, sugeriram e “obrigaram” os jovens (e muitos outros portugueses) a emigrarem?!
Numa coisa Portugal é único: não há politiquice, demagogia, falta de carácter, moral e ética na política nacional, como em qualquer outro lugar do Mundo.
Infelizmente, temos o Govero que temos.

publicado por mparaujo às 22:49

29
Ago 12

A Juventude Popular (para fazer jus ao nome) aproveita o mediatismo do caso RTP para vir a terreiro dar nas vistas com considerável populismo.

Diga-se, aliás, de forma algo contraproducente, dada a reacção contrária do Partido (dos mais crescidos).

Para os Jotas centristas, a Administração da RTP deveria apresentar a sua demissão (pasme-se) por ter criticado publicamente “o maior accionista” da empresa, o Estado.

Não é líquido que um Conselho de Administração de um empresa pública, apesar de ter o Estado como accionista maioritário, tenha, forçosamente de seguir cegamente a voz do "dono". Embora, em situações normais, seja coerente que, discordando, haja uma quebra de confiança e de relação entre quem administra e quem ordena. E nesses casos, de facto, por uma questão ética e de princípio, o respectivo Conselho de Administração deve apresentar a sua demissão, ou, até, ser demitido.

Mas o que os jovens (ainda muito jovens) centristas se esquecem é que este processo RTP é, em qualquer situação, em tudo fora do normal.

Primeiro foi a "ingerência" externa de um grupo de trabalho para a elaboração de um estudo sobre o serviço público (segundo consta, metido na gaveta).

Segundo, não houve qualquer cuidado, respeito, consideração e ética política por parte do governo ao tomar, aparentemente, uma decisão sobre o futuro da empresa e não a ter discutido ou apresentado, em primeiro lugar, ao seu Conselho de Administração.

Terceiro, quem está totalmente errado nesta fotografia é o governo ao enviar um "pombo-correio" para fazer um pseudo-anúncio público de algo que nem tem a certeza de concretizar, de implementar ou, até, da sua própria fundamentação e consistência.

Só fez bem o Conselho de Administração da RTP que, usando o mesmo "palco" público que o assessor agora porta-voz, veio também publicamente expressar o que deveria ter sido dialogado, a pedido do governo, a uma mesa negocial.

Por último e por outro lado, os jotas centristas esquecem-se que a RTP nunca fez parte das negociações com a Troika. Era uma das medidas apresentadas pelo programa eleitoral do PSD (e era privatização e nunca concessão, mantendo um dos canais). Aliás, diferente do que o próprio CDS sempre defendeu e apresentou a sufrágio dos portugueses.

Há que pensar antes de falar. Porque é só falar por falar, demagogia política pura.

Depois quando crescem é o que se vê.

publicado por mparaujo às 00:16

06
Jun 12

E há discursos com os quais não consigo conter-me na adjectivação, até porque não encontro adjectivos capazes de sustentar o espanto, a náusea, a estupefacção, a imbecilidade, o cinismo, o descaramento.

Já tinha referido, pelo menos, a 16 de maio - "Oportunidades perdidas" que o factor emigratório de hoje, nada tem a ver com o da década de 60 e 70, e muito menos traz qualquer tipo de vantagem para o país. Antes pelo contrário... perdemos recursos qualificados (e que custaram a qualificar), desertificamos o país, não recolhemos dividendos fiscais nem contribuições, as empresas ficam sem quadros e sem competitividade, perdemos investigação e conhecimento. Além disso, o país envelhece e empobrece.

Desta forma, não consigo perceber como pode um ministro como Miguel Relvas, com as responsabilidades políticas e governativas que tem, com a débil e descredibilizada imagem política que os acontecimentos recentes criaram no seio do governo e na opinião pública, tenha este tipo de opinião e a diga "alto e bom som" (apesar de num evento interno do partido a que pertence e para o qual muitos preconizam outro rumo), ontem, nas jornadas sobre "Consolidação, Crescimento e Coesão", em Santarém:

"Nós hoje já não exportamos só futebolistas, exportamos cientistas, exportamos pintores, artistas plásticos. Hoje temos essa capacidade, esse é o grande bem de um pequeno país. É isso que nós temos para exportar, a capacidade de afirmação que a nossa história sempre demonstrou". (fonte: RTP online)

E a estupefacção e a irritação são enormes.

Primeiro, é abominável que um responsável político e governativo considere os seus cidadãos como "mercadoria" exportável e negociável.

Segundo, o Estado português não retira qualquer tipo de contrapartida com a emigração de quem quer que seja, hoje em dia. Tal como referido atrás e no artigo publicado no Diário de Aveiro, de 16 de maio passado ("Oportunidades perdidas").

Terceiro, os portugueses emigram porque querem, porque precisam e porque não encontram no seu país natal, na sua terra, nas suas comunidades, no seu tecido empresarial e científico, qualquer tipo de oportunidades. E não porque o Estado português os "exporta".

Quarto, o ministro Miguel Relvas confunde "exportação" com abandono, desamparo, indiferença, "expulsão", fruto da forma como o Governo tem demonstrado incapacidade para, estruturalmente, encontrar medidas que comabtam o desemprego, criem oportunidades de empreendedorismo.

Nunca fui um evidente e claro "adepto" e "simpatizante" (até) dos comentários do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa... mas torna-se, cada vez mais, evidente que o mesmo tem toda a razão quando se refere à péssima prestação governativa do ministro-adjunto e dos assuntos parlamentares.

Pode ter a força (estranha) que tem, mas não deixa de ser o elo mais fraco.
Não se percebe como ainda dura no governo... nem a própria "razão" o entende.

publicado por mparaujo às 22:30

18
Mar 12
É conhecida e divulgada publicamente a opinião do governo no que respeita a uma forma de combate ao desemprego: Emigrar. Quando se esperaria uma aposta e medidas apropriadas para o desenvolvimento e a promoção do empreendedorismo, das PME's, da inovação... eis que a resposta dada é: EMIGRAÇÃO.

Mas sugerir que os seus cidadãos emigrem e depois deixá-los sem qualquer apoio ou ligação a Portugal é o mesmo que, claramente, abandoná-los.
É o que o Governo se prepara para fazer, por exemplo, na Suíça: desinvestir nas raízes, no apoio a quem emigra, na ligação à cultura e identidade nacional, é, de facto, abandonar os seus cidadãos, já por si "desprotegidos" pela distância e por realidades sociais, económicas e culturais bem distintas.

Mas o que o Governo (nomeadamente o Secretário de Estado da juventude e o Primeiro-ministro) também esquece (ou faz por esquecer/esconder) é que a realidade da emigração de hoje, ou das últimas duas décadas, não é a mesma dos anos 60 e 70.
Quem sai do país para procurar novos desafios e oportunidades é muito mais qualificado (ou altamente especializado), mais desprendido dos laços familiares e, por isso, com menos propensão para o regresso (mais facilmente se enquadra noutras identidades nacionais), e não tem a mesma intenção de enviar para o país natal parte dos seus recursos financeiros (deixando de contribuir "fiscalmente").

Em resumo... quando Passos Coelho sugeriu a sugestão de os jovens e menos jovens portugueses emigrarem (principalmente para países integrantes dos PALOP's) aquilo que estava claramente a afirmar era: "bazem" já cá somos muitos, demasiados, e não há lugar para todos!
publicado por mparaujo às 15:53

15
Nov 11

Teatro Aveirense - 20 de Novembro (14:00 às 20:00 horas)

Inscrições até ao dia 19 de Novembro



Manifesto
Jovens de Aveiro, Pensem!
Pensem na História, mas olhem para o Futuro.
Pensem no Progresso, mas não esqueçam a Natureza.
Pensem nos Problemas, mas encontrem as Soluções!
Jovens de Aveiro, pensem. E criem ainda melhor!
Queremos que tenham consciência da vossa importante missão – criar um futuro melhor para todos nós. O planeta ficará, como um frágil ovo, nas vossas mãos. Pensem Global, Criem Local.
Contamos convosco!
Este ano, a vossa participação no TEDxYouth@veiro é apenas mais um passo em frente, em direcção a um futuro colorido de ideias e soluções. No dia 20 de Novembro, o Teatro Aveirense será o vosso palco para partilha de ideias. Um dia, em breve, o vosso palco será o mundo. E tudo dependerá de vocês!
Acreditamos em ti, acreditamos na tua capacidade de pensar de uma forma construtiva, inovadora e de olhos postos no futuro.
Acreditamos que através desta forma de pensar, criarás produtos fantásticos!
Nunca tenhas receio de pensar e agir. Apenas algumas ideias nascem perfeitas, as outras serão melhoradas com trabalho e criatividade.
Deixa as tuas ideias fluírem, deixa-as viver, partilha-as connosco, diz-nos o que pensas. E lembra-te: quando partilhas ideias, serás capaz de criar ainda mais. Não tens de mudar o mundo, mas certamente podes fazer algo para o tornar num melhor local para todos nós. Pensa nisso. Cria a tua ideia. Cria o teu mundo. Cria o teu futuro. Pensa. Cria.
Tu pensas, logo crias!
TEDxYouth@Aveiro, onde acreditamos na tua criatividade.


publicado por mparaujo às 20:58

06
Set 11

A Autarquia Aveirense vai promover mais uma edição do concurso "Aveiro Jovem Criador".
O concurso, que vai para a sua 12ª edição, tem como objectivo a descoberta, promoção e reconhecimento de novos talentos através da apresentação de trabalhos inéditos e originais em áreas como a pintura, escultura, escrita, fotografia e arte digital.

Podem apresentar trabalhos nas respectivas áreas os jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, até ao próximo dia 21 de Outubro, na Casa Municipal da Juventude da Câmara Municipal de Aveiro.
publicado por mparaujo às 22:35

04
Set 10
O Município de Aveiro promove um importante apoio para os jovens residentes do concelho: Cartão Jovem Municipal.


(Fonte: LOCALVISÃO TV)
publicado por mparaujo às 18:56

15
Mai 08

Publicado na edição de hoje (15.05.2008) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
A malta é bué jovem, pá.


O Presidente da República reuniu, na passada segunda-feira, com algumas organizações políticas de jovens (os chamados “jotas”) com o propósito de analisar o afastamento dos jovens em relação à vida (militância e empenho) partidária e às “cousas” políticas. Digo algumas, porque de fora ficou, por exemplo, o Bloco de Esquerda.
Independentemente das razões de sentimento de exclusão (diga-se de passagem que, em outros momentos - por exemplo, na tomada de posse do Presidente da República - o mesmo BE também se auto-excluiu ou, se quisermos, “excluiu” o próprio Presidente da República… coerências!), há, no entanto, um pormenor com o qual tenho que concordar com os “bloquistas”: para quê uma estrutura “jota” no interior dos partidos políticos, se a questão da política é, hoje, uma realidade global e abrangente, nos mais diversos sectores sociais, económicos e culturais?
O problema do emprego é estruturante; o problema do trabalho precário (embora mais incidente nos “jovens”) é generalizado; os custos com a habitação, tanto se colocam no caso dos arrendamentos, como nos elevados encargos com o crédito; o endividamento familiar tem implicações com todas as idades; a saúde, o ambiente e a segurança são realidades que tocam e respeitam a todos.
Para além disso, há, em determinadas particularidades (como por exemplo o ensino - e, mesmo este, já com algumas excepções), a existência de organismos e associações próprias: as associações de estudantes, as academias e as federações.
Até porque este conceito de ser ou não ser jovem, é uma invenção social e política recente (meados do século XX). Anteriormente, ou se era menor ou maior (sénior = senhor) de idade. No entanto, fruto da evolução(?) das sociedades, do aumento da competição social, da primazia do individual sobre o colectivo, foi criada a necessidade de “premiar a experiência da vida” (como se não andássemos sempre a aprender ou como se, pelo simples facto de se ser mais velho, isso justifique - por si só - o que quer que seja). E assim, se tornou também justificável que, pela nova ordem social da vida, os mais “jovens” tenham sempre que esperar pelos lugares que os “adultos” (menos jovens) forem deixando vagos. É por isso que na sociedade portuguesa não existe uma referência de relevo (em distintas áreas) sem se ter atingido uma “determinada” idade (vejam-se algumas argumentações - idade - na “luta” interna do PSD - entre Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho).
E é, assim, neste sentido que a acção do Presidente da República está invertida. O problema do afastamento em relação à política, não é dos jovens. É de todos os cidadãos (ou da sua maioria) que há muito deixam de confiar nela (são os casos de corrupção, dos jogos de interesses, da credibilidade das palavras e das acções, do absentismo parlamentar, etc.). E isto não é exclusivo de uma idade específica (aliás o estudo da Universidade Católica revela os mesmos sintomas em cidadãos acima dos 60 anos). É um problema ético, deontológico e de responsabilidade social da própria classe política.
Até porque, ao contrário da imagem que se tem tentado transmitir, os tais ditos “jovens” têm sabido criar mecanismos de intervenção e posicionamento social: são as empresas inovadoras; são as expressões culturais e, nomeadamente, o considerável aumento da sua participação em acções de solidariedade e de voluntariado. E isto é participação cívica e social. O que já não vai acontecendo em camadas etárias que deveriam ter mais responsabilidades.
E mesmo a falta de conhecimentos sobre algumas realidades histórico-políticas, como o 25 de Abril, não deve ser imputado aos jovens. Quem dos “adultos” tem referências ao Maio de 68, à Instauração da República ou a outros marcos da história portuguesa, senão por aquilo que se viu obrigado a aprender no ensino? Quem, vivendo em plena república, tem a noção do que era vive num regime monárquico?
E alguém já questionou se têm existido mecanismos e estratégias para que a história não se vá apagando, pelo tempo, da memória colectiva dos portugueses (sejam eles novos ou velhos)?
Como é possível mentalizar e sensibilizar os jovens para uma realidade que não viveram, se o poder político nem a nossa língua (uma das mais relevantes identidades de um povo) sabe preservar e promover?
E já agora, para terminar e sustentando que os jovens não estão assim tão longe da realidade social e política (têm é a liberdade e o direito de escolheram outras opções), é possível, a partir de segunda-feira e até ao dia 11 de Junho, assistir a uma exposição de exemplares censurados na imprensa, antes do 25 de Abril, todos os dias da semana, no ISCIA.
Porque afinal há quem tenha curiosidade e vontade de aprender e conhecer.Assim progride a nação. Assim cresce uma sociedade preocupada.

publicado por mparaujo às 19:33

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