Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

29
Mai 13

O desacordo e a aversão, as incoerências e indefinições, as imprecisões e a não aplicabilidade geral, dificuldades de ensino e aprendizagem, duplicação de grafias que dificultam a correcta interpretação semântica, a submissão a razões e objectivos externos, mas, e acima de tudo, a perda de uma identidade e cultura identitárias de um país e de uma nação, vão mantendo acesa a discussão e, igualmente, a contestação à imposição do novo Acordo Ortográfico.

Felizmente, são muitos os que ainda vão “lutando” pela causa, não por qualquer princípio de xenófobo (em relação aos países de língua oficial portuguesa) ou qualquer tipo de saudosismo, mas pela forma como o processo foi conduzido. Faltou debate público, faltou consenso na academia, faltaram estudos sustentáveis e faltou, principalmente, a verificação de um facto óbvio e lógico: a natural evolução e alteração da língua. E não uma imposição legislativa e interesse comercial.

São várias as acções e as movimentações que se vão perfilando, mesmo que menos mediáticas ou mais “silenciosas”. Por exemplo, a carta dirigida ao Ministro da Educação e Ciência em 6 de janeiro de 2013 ou a petição enviada à Assembleia da República a 26 de abril de 2013.

Mas para além da resistência e dos resistentes são demasiado interessantes estas duas recentes posições tomadas por dois juízes para as ocultarmos ou desvalorizarmos (e que, apesar de a outro nível contrastam, demasiadamente, com esta lamentável atitude do ministro das finanças, Vítor Gaspar):

- Rui Teixeira juiz do Tribunal de Torres Vedras, figura bem conhecida da fase de instrução do processo 'Casa Pia', proíbe acordo ortográfico.

- já em março, o juiz Rui Estrela Oliveira do Tribunal de Viana do Castelo tinha emitido uma ordem de serviço onde proibia a utilização da grafia do novo Acordo Ortográfico em todos os processos e tramitações do segundo Juízo Civil daquele tribunal.

De faCto…

publicado por mparaujo às 21:24

Publicado na edição de hoje, 29 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Nas pequenas coisas está a grande diferença

Nesta segunda-feira Portugal recebeu a visita do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. Para além das audiências que teve com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e com o Presidente da República, Cavaco Silva, o igualmente ministro das finanças holandês foi recebido por Vítor Gaspar. Do ponto de vista político e para as ambições do Governo na recuperação do equilíbrio das contas públicas, esta visita não podia ter vindo na melhor altura. Não quero com isto defender a forma como este Governo está a encaminhar o processo de recuperação da dívida pública (sobre isso já fui explicito que baste noutros momentos), mas a verdade é que num momento em que se começam a levantar algumas dúvidas sobre o cumprimento das metas do défice para este ano, a presença de Jeroen Dijsselbloem em Portugal permitiu que fosse desbloqueada uma verba de cerca de dois mil milhões de euros, referente à sétima avaliação da "troika" ao programa de ajustamento estrutural português. Além disso, e não menos importante, o Presidente do Eurogrupo admitiu que Portugal possa vir a ter mais tempo, se necessário. Em causa está o cumprimento das metas: em 2012 inicialmente era de 4,5% e passou para os 5%; este ano estava fixada nos 3% e passou para 4,5% (a meta prevista para 2014 é de 4% e em 2015 o défice deve ficar abaixo dos 3% do PIB). Em causa está, mais uma vez, a capacidade ou não deste Governo de cumprir alguma das previsões que fez até agora.

Mas há uma outra realidade para além destes valores e que merecem tão ou mais destaque, apesar de parecer algo insignificante: o que se passou com a conferência de imprensa conjunta de Vítor Gaspar e Jeroen Dijsselbloem. Não houve uma mais que natural e óbvia tradução simultânea; foi exigido que os jornalistas colocassem as questões em inglês (apesar de estarem em Portugal) e ainda achou “deselegante” que um profissional da SIC tivesse perguntado (em inglês, diga-se) ao presidente do Eurogrupo o que ele achava do reajustamento português. Enfim… comecemos por aqui. O que pode levar o ministro das finanças português a achar a pergunta “deselegante” quando a presença em Portugal de Jeroen Dijsselbloem se resumia precisamente a essa realidade? E porque é que Gaspar respondeu ao jornalista da SIC em português (quando a regra imposta era o uso do inglês)? O que tem Vítor Gaspar a esconder, e receio que a Europa descubra, do Eurogrupo? Será que a Europa conhecerá mesmo a realidade do que tem sido o caso do reajustamento das contas públicas em Portugal?

Por outro lado, a atitude e exigência inqualificável do recurso ao inglês numa conferência de imprensa em Portugal só revela que o ministro das finanças não tem a mínima noção do que é a soberania, a independência, a cultura e a identidade de um povo, principalmente quando o que está em causa é aquilo que mais caracteriza um povo e uma nação: a sua língua.

E é nestes pequenos gestos, nestes pequenos detalhes, que se vêem os grandes políticos e aqueles que verdadeiramente se preocupam com o país, com a sua soberania e independência. Bem sei que o ministro Vítor Gaspar é um tecnocrata, um experimentalista, um académico (com todo o respeito que tenho pela academia). Escrever, ler, conferenciar no estrangeiro em inglês é algo que, do ponto de vista técnico, se compreende.

Uma conferência de imprensa oficial, em Portugal, em representação do Governo e do Estado português, é lamentável, no mínimo, que seja feita numa outra língua que não o Português (ou, a bem do rigor e da justiça, ainda o Mirandês). Já para não falar das mínimas exigências técnicas de uma tradução simultânea.

Resta a questão: se o ministro das finanças português for convidado a visitar a Holanda e tiver lugar uma conferência de imprensa, o ministro das finanças holandês também vai exigir que as perguntas sejam efectuadas em português?

É este o retrato de quem nos governa…

(actualização: excerto da conferência com a declaração de "deselegância")

publicado por mparaujo às 08:19

03
Jun 12

é perder identidade, história, conhecimento...
Acima de tudo é perder a existência.

Ao fim de 15 anos o Coberduvidas vai de férias... sem a certeza de regressar.

Cada vez menos recursos de qualidade na net.

O Ciberdúvidas surgiu em 1997 por iniciativa de José Mário Costa e do também jornalista João Carreira Bom, já falecido. Ao longo de década e meia foi "único na lusofonia" exclusivamente dedicado à língua, com uma componente interactiva, tendo originado um ritmo diário de cerca de 70 perguntas e 20 novas respostas, acabando por acumular mais de 30 mil respostas e de 40 mil textos de especialistas sobre a língua portuguesa e o seu uso.

publicado por mparaujo às 23:48

05
Out 11
Independentemente das opiniões (que no meu caso são, como se sabe, contrárias e oposicionistas) a verdade é que o Acordo Ortográfico é uma realidade e está em fase de implementação obrigatória (no ensino, na comunicação institucional, entre outros).

As novas regras da língua portuguesa estão sintetizadas e explicadas no guia "Nova Ortografia - Modo de usar" que está gratuitamente acessível na Internet.

A Priberam disponibiliza uma edição online gratuita, em http://www.flip.pt/acordo, com o objectivo de explicar, em linguagem simples e acessível, as alterações impostas pelo Novo Acordo Ortográfico e as suas implicações na escrita (português europeu).
publicado por mparaujo às 22:46

18
Ago 10
O Portal da Língua Portuguesa da Fundação para a Ciência e Tecnologia, apresenta uma ferramenta informática que permite a conversão de conteúdos de ficheiros de texto para a nova grafia - Acordo Ortográfico em vigor.
Suporta vários formatos e permite converter em simultâneo um número elevado de ficheiros de qualquer dimensão: DOC e DOCX - documentos Microsoft Word; HTML - páginas web; ODT - documentos do OpenOffice.org; PDF - formato de documento portátil; RTF - formato de texto rico; TXT - documentos de texto; XML - linguagem de marcação; e ainda qualquer documento de texto simples sem anotação.

publicado por mparaujo às 21:39

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