Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

15
Nov 15

12234963_10207880615794185_5618338359793464142_n.jpublicado na edição de hoje, 15 de novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
A propósito dos Refugiados

Na sexta-feira, a França, o mundo, Portugal, deitaram-se de luto, chocados, aterrorizados.

Sete atentados em Paris, cerca de 150 mortos, mais de 200 feridos e um objectivo claramente alcançado: sob a capa de uma adulterada consciência religiosa, os fins políticos do Estado Islâmico continuam a deixar um rasto de sangue, pânico, terror e sentimentos crescentes de xenofobia. Numa operação meticulosamente preparada, quer na forma, quer no tempo, quer nos alvos, o fundamentalismo islâmico alargou a sua tipologia de acção: para além de potenciais alvos militares ou de segurança, de alvos políticos, de alvos financeiro-económicos, dez meses depois do atentado contra a liberdade de expressão e de informação perpetrado contra o Charlie Hebdo, os fundamentais direitos, liberdades e garantias dos cidadãos são atingidos nas suas rotinas quotidianas, na vivência mais normal do seu dia-a-dia, como o desporto, a cultura, a socialização, uma simples ida a um restaurante. E tudo isto causa uma óbvia escala de terror e pânico nas pessoas e nas comunidades, para além dos reflexos na globalização da informação. Além disso, face à realidade trágica dos movimentos migratórios que a Europa assiste é lamentável, embora perceptível, o crescimento inqualificável do sentimento xenófobo que estas situações provocam, até pela clara ligação do Ocidente (nomeadamente a França) ao conflito na Síria e ao combate ao terrorismo islâmico (sim… um terrorista é um terrorista, seja europeu, americana, muçulmano ou ‘marciano’). Infelizmente, há quem aproveite estas acções para gerar o pânico em relação ao fluxo dos Refugiados para a Europa, mesmo sabendo-se que esta acção tem uma notória preparação no tempo.
E a propósito dos Refugiados…

A discussão já não é nova mas voltou a ter palco e luzes de ribalta, ecoando nas conversas de rua, café, trabalho e redes sociais. Para alguns (demasiados, por sinal) é inadmissível que Portugal (e porque não a sociedade) ajude Refugiados quando há tanta pobreza e tantos sem-abrigo no nosso país. Não é aceitável o tipo de comparação (entre carência e a morte/sobrevivência) e esta desculpa para a indiferença alicerçada na incapacidade da sociedade portuguesa e do nosso país em combater esse triste flagelo. Soa a claro xenofobismo. E embora este pensamento seja condenável em qualquer circunstância ou círculo, é ainda mais criticável quando muitas das contestações à ajuda aos Refugiados surgem na boca de tanto (pseudo) católico, daqueles de ver bater no peito dominicalmente; os que preferem as caridadezinhas à solidariedade. Tudo tomou proporções que necessariamente não devemos menosprezar, nem deixar indiferentes, com a anunciada chegada de Refugiados a Portugal. Não propriamente por Portugal ser país de acolhimento (embora muitos, infelizmente, até isso repudiem) mas pelo facto de estar assegurado aos Refugiados acesso assistência médica, escola e aprendizagem da língua portuguesa, entre outros. Primeiro há uma nota que importa destacar, por força de muita ignorância solidária: Portugal está a dar expressão prática a tratados e convenções (como por exemplo a de Genebra) internacionais aos quais está obrigado, por força da sua aceitação e subscrição, e que impõem o cumprimento de determinadas regras e acções para o acolhimento de Refugiados. Segundo, esta abjecta falta de solidariedade para com aqueles que, num mundo cada vez mais global e com menos fronteiras e limitações geográficas, sociais, culturais e políticas, é tão grave quanto tão facilmente esquecemos o que foi e é, ainda hoje, a nossa história de emigração. Infelizmente, só nos lembramos os que deixaram e deixam o país quando dá jeito para criticar governos. Terceiro, a ajuda, o apoio e o acolhimento de Refugiados não se sobrepõe à necessidade de acções sociais e políticas governativas que diminua a pobreza em Portugal. Aliás, muitas das instituições e entidades que, por exemplo, fazem parte da Plataforma de Apoio aos Refugiados - PAR, não deixaram de exercer a sua acção e responsabilidade sociais para com os portugueses carenciados. Por último, sem entrar em juízos de valor, a verdade é que muitas (muitas mesmo) das vozes que tanto se insurgem contra a ajuda aos Refugiados, argumentando e sustentando a sua crítica na falta de apoio aos portugueses (aos chamados "de cá"), são os mesmos que nunca saíram do sofá para ajudar ninguém, desviam a cara sempre que alguém precisa de ajuda sentado no meio de um passeio ou na rua ou nunca contribuíram em qualquer campanha ou acção de solidariedade. A actual dimensão da tragédia da maior crise de refugiados do pós-Guerra exige uma urgente e importante mudança de mentalidade e um olhar muito mais humano e solidário para o outro, mesmo que distante.

(créditos da foto/desenho: Daniel Catalão - RTP)

publicado por mparaujo às 10:49

13
Fev 11
(fonte: reuters)
Magreb e Médio Oriente em efervescência... Ou se quisermos, uma grande "fatia" do Mundo Árabe!

Depois da "libertação" do Egipto (embora reste saber qual o rumo futuro que o país vai optar por assumir), o efeito da revolta do Cairo potencia um efeito dominó muito simultâneo e explosivo.
Um efeito rebentamento de bolha com consequências imprevisíveis!

E não deverá ficar por aqui...
publicado por mparaujo às 21:23

15
Nov 09
Palestinianos querem proclamar Estado com apoio da ONU, de forma unilateral, face aos impasses negociais com Israel. (fonte: Expresso on-line)

Acho que seria uma excelente medida pacificadora, tendo como suporte a legitimidade da ONU.
publicado por mparaujo às 21:29

19
Jul 06
Há alturas na vida em que os pensamentos se tornam obscurecidos pelo "clarear" duma forte trovoada. Ou ainda, pela incapacidade racional de entender um problema. No caso concreto... um grave problema, de consequências ainda muito indefinidas.
A guerra é, a todos os níveis, inqualificável e condenável. Premissa. Condição óbvia.
Ou não...
É que, soam algumas trovoadas cognitivas.
Será que alguém (fora da área do conflito) consegue vestir a pele de um povo forçado ao exílio, tornado apátrida?!
Será que alguém, por mais momentos de conflito armado que tenha vivido (nomeadamente ultramar), conseguirá imaginar o que terá provocado num povo o holocausto?!
E será que alguém consegue vestir a pele de um extremista religioso, ao ponto de sacrificar a sua vida por uma promessa "celestial" que, na quase totalidade dos casos, não entende de forma racional?!
E agora... será que, por mais condenável que seja, a guerra não se poderá tornar justificável?!
Porque criticamos umas e defendemos outras?!
É óbvio que o rapto de um soldado (apenas um) israelita não vale, po si só, toda esta escalada da guerra, que, se calhar e infelizmente, ainda agora começou.
É óbvio que este conflito não é só uma troca ofensiva militar entre Israel e o Líbano, com a Palestina e a Síria por entremeio.
É óbvio, mesmo que irracionalmente, este conflito tem as fronteiras muito mais ténues.
Será que não chegará até nós?!
Como diz a publicidade: "isto vai dar nega"!
publicado por mparaujo às 01:30

11
Nov 05
um ano que faleceu, num hospital francês, o líder carismático dos palestineanos - Yasser Arafat.
E decorrido um ano após a sua morte, a Palestina pouco mais têm para comemorar que a memória do seu líder de sempre e a recente (re)ocupação da faixa de Gaza.
A insegurança, a ânsia do poder e o extremismo permitiram a ascensão dos grupos radicais.
E um acontecimento que para a comunidade internacional fazia prever a abertura de "uma janela de oportunidades" para o processo de paz, transformou-se numa miragem e numa realidade inatingível.
Nem a retirada de Israel da Faixa de Gaza ou o apoio internacional ao novo presidente palestiniano - Mahmud Abbas, foram argumentos suficientes para impulsionar o processo de paz que a morte de Arafat fazia prever.
publicado por mparaujo às 23:50

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