Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

04
Set 16

aylan.jpg

Fez esta sexta-feira passada um ano que o mundo olhava para esta foto com um misto de estupefacção, raiva, emoção, inquietude... de dor. Mas simultaneamente com muitas interrogações, críticas, o apontar de responsabilidades ao fundamentalismo religioso e político, ao estado islâmico, à Síria, à União Europeia, aos Estados Unidos.

Mas acima de tudo a imagem do pequeno Aylan Kurdi marcou de forma "explosiva" o momento, apesar de tantas e tantas mortes que o Mediterrâneo tinha já registado.

Infelizmente, a memória é curta ou as pessoas tendem a transformar rapidamente as lágrimas e a revolta em passado.

A verdade é que desde janeiro deste ano até ao passado mês de agosto foram resgatados às águas do Mediterrâneo mais de 270 mil refugiados, estimando-se que tenham perdido a vida cerca de 3165 pessoas das quais 205 são crianças e bebés.

E se o polémico e condenável acordo entre a União Europeia e a Turquia, transformando a vida humana num negócio e reduzindo a condição humana a um mero valor monetário, parece ter reduzido a afluência de refugiados às costas gregas e italianas, também é verdade que criou outro tipo de realidades: o aumento do tráfico humano e de órgãos humanos, das violações e da prostituição infantil, das condições de vida sub-humanas nos campos de refugiados; e, por outro lado, o aumento de refugiados de outros pólos de migração, nomeadamente do norte de África (Eritreia, Somália, Nigéria, Gâmbia, entre outros).

E preocupante é também a incapacidade da ONU, do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, da Rússia, dos Estados Unidos, entre outros, e principalmente da União Europeia para encontrar uma solução eficaz, humanitária, política, para este incontrolado e grave flagelo das dias de hoje. Segundo a organização Save the Children "desde o ano de 2015 terão chegado à Europa mais de 1,2 milhões de refugiados – a maior vaga de migração forçada desde a Segunda Guerra Mundial" (fonte: revista Visão).

A tudo isto acresce a preocupante afirmação do Presidente do Conselho Europeu, Donal Trusk, que afirmou, na presente cimeira dos G20, que «capacidade da UE para acolher refugiados está "próxima dos limites"» (fonte: Diário de Notícias - edição online de 4 de setembro).

Como diz a canção... o mundo gira, mas parece ter deixado de avançar.

publicado por mparaujo às 22:58

22
Abr 15

Mediterraneo tragedia 03.jpgpublicado na edição de hoje, 22 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
O Mediterrâneo já não é um mar

Embora a realidade não seja recente, já há alguns anos que instituições internacionais dos direitos humanos, das migrações e refugiados, bem como, por exemplo, o Papa Francisco, têm feito eco de inúmeros factos, a verdade é que, de repente, o Mediterrâneo passou de mar a cemitério, face aos trágicos acontecimentos, de uma dimensão preocupante, ocorridos neste fim-de-semana e início da semana: mais de mil mortes no mar e milhares de pessoas a chegarem à costa da Europa (Itália, Grécia, Chipre, Malta ou Espanha) ou a serem resgatadas no oceano.

Variadas vezes, demasiadas até, a Europa sentiu-se sobressaltada por uma tragédia humana inconcebível em pleno século XXI. Em todas as vezes se ouviu a Europa a dizer “nunca mais”. Face à dimensão que esta catastrófica realidade tomou é altura da Europa dizer “BASTA”.

Inúmeras vezes se ouve a pergunta “quanto vale uma vida humana”? Uma que seja. Não tem, nem pode, ter preço. A vida e a sua dignidade. E esta realidade inqualificável tem de ter a responsabilidade de todos. Não apenas da Europa dado os acontecimentos terem lugar no mar Mediterrâneo e como destino uma vida de esperança e sonho num qualquer país europeu. A responsabilidade tem de ser repartida por todos: Europa, ONU, NATO, UNICEF, … O problema é extremamente complexo, mas não pode ser adiado e encapotado infinitamente, à espera que o tempo resolva, porque o tempo não resolve, apenas o agudiza. O mundo não pode olhar apenas para onde residem os focos geoestratégicos, geopolíticos ou geoeconómicos (com o petróleo). O mundo não pode continuar a fazer de conta que África, quase toda ela, não aparece no mapa. O mundo não pode ser “Charlie” em defesa do que apenas é (valores) europeu ou preocupar-se com 11’s de setembros ou de marços e, simultaneamente, assobiar para o ar com o que se passa no Quénia, na Nigéria ou, como é o caso, da Líbia ou do Iémen, sem esquecer a Somália, no Mali, no Sudão ou no Chade.

A responsabilidade da vivência num contexto de miséria, guerra ou de exploração humana (onde se inclui a escravatura, o tráfico, a violação dos mais elementares direitos à dignidade e à vida) tem de ser assumida por todos e não o sacudir a água do capote apenas para o lado islâmico, para o fundamentalismo religioso ou para o recém-chamado Estado Islâmico. Porque há muito para além das mortes no Mediterrâneo ou dos campos de refugiados onde os que sobrevivem ficam demasiado tempo em condições mínimas de sobrevivência. Há aquelas vidas que terminam às mãos das redes de tráfico humano e que não chegam sequer a ver o mar. Há aqueles que depois de um sonho falhado regressam (são deportados) em condições piores (porque tudo venderam e perderam na esperança de uma vida melhor) ao ponto de origem, eventualmente desejando terem ficado no Mediterrâneo.

À Europa cabe a responsabilidade de um maior controlo do seu Mar, de melhores e mais eficazes políticas de migração e de apoio aos refugiados.

À ONU cabe a responsabilidade de criar e implementar condições de estabilidade social, política e económica em África, ao caso, no Norte de África, porque muitas desta realidade resulta de impactos de irresponsabilidade políticas e económicas cometidas por Estados membros.

A nós cidadãos, apesar da nossa impotência, em defesa dos valores da vida humana, cabe-nos a indignação e o respeito, porque nenhuma vida, seja qual for e em que circunstâncias for, tem um preço. Hoje eles, amanhã… quem sabe?

publicado por mparaujo às 09:48

20
Abr 15

tragedia mediterraneo.jpg

Desde o início deste ano que as instituições internacionais ligadas à migração e aos refugiados estimam em cerca de 20 mil as pessoas que tentaram entrar na Europa vindas do Norte de África, nomeadamente da Líbia e do Iémen.
Desde 2004 são estimadas em cerca de 5000 mil as pessoas que perderam a vida no mar Mediterrâneo.

O sonho de uma vida melhor e mais digna, a fuga à fome, à miséria e à guerra, levam ao desespero da única esperança: a porta da Europa, via Lampedusa (Itália), Rhodes (Grécia) ou Malta.

Mas a porta da esperança rapidamente se transforma na porta do inferno e o sonho vinha tragédia.

O Mediterrâneo está a transformar-se num autêntico cemitério de vidas e de sonhos. Enche de lágrimas.

Demasiadas vezes a Europa disse "nunca mais"... demasiadas vezes e rapidamente a Europa se esqueceu das suas promessas e opções, até novas tragédias.

Demasiadas vezes a Europa e a ONU têm lavado as mãos de uma responsabilidade que também é sua, porque a instabilidade no Médio Oriente e no Norte de África mediterrâneo não cabe só ao fundamentalismo islâmico, ao chamado "estado islâmico". E não apenas a responsabilidade da Europa ser "dona" do Mediterrâneo.

Isto não é uma questão geopolítica, geoestratégica ou religiosa... isto é uma questão de dignidade humana que é da responsabilidade de todos.

Do "nunca mais" é altura para dizer "basta", não pode haver mais desculpas.

publicado por mparaujo às 14:33

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