Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

13
Set 17

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publicado na edição de hoje, 13 de setembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Ponto Final. A última “epístola”

Meu caro Bispo… já não lerá esta e também já não escreverei mais. Dos “monólogos” com D. António Marcelino às “Epístolas” que trocámos, a vida (ou o fim da mesma) colocou um definitivo ponto final.

Em função das circunstâncias, das realidades e dos contextos, uma década pode parecer muito tempo, uma eternidade ou tempo nenhum. Particularmente, os últimos onze anos foram marcados por encontros e desencontros que, nas mais distintas realidades e nos mais diversos contextos, a vida foi pautando a seu bel-prazer. Neste espaço temporal, Aveiro assistiu à transferência de “testemunho episcopal” do D. António Marcelino para si (2006); enlutámo-nos com o falecimento de D. António Marcelino, responsável pela diocese de Aveiro durante quase 20 anos (2013); volvidos apenas oito anos de episcopado Aveiro perdê-lo a si para a diocese do Porto… e, há dois dias (meros quatro anos volvidos), o céu abatia-se sobre nós com o anúncio do seu falecimento.

A nossa primeira conversa, recordo-a como se fosse hoje, foi transparente e directa por uma questão de respeito, de transparência de posições e de aproximação recíproca. Não foi fácil, durante os primeiros anos da função episcopal em Aveiro ocupar um vazio deixado por D. António Marcelino, nomeadamente enquanto foi Bispo Emérito e enquanto foi vivo, sendo que este “ocupar” não tem, claramente, o significado de “substituir”. No entanto, paulatinamente, fui-me consciencializando que não faz sentido, como lhe disse algumas vezes, a expressão de que “ninguém é insubstituível”. Não é verdade. Há pessoas que marcam as nossas vidas, que são referência, que não são supridas ou revogáveis.

A sua simplicidade, a sua integridade, a disponibilidade para estar presente e ouvir, a sua particular visão da doutrina social da Igreja que tanto nos aproximou, o seu olhar sobre a sociedade e o seu profundo sentido de bondade, a sua concepção de uma Igreja presente e humanizada, a distinta capacidade apostólica e o dignificante sentido pastoral, a sua inquestionável sabedoria e o seu invejável saber (fruto da filosofia, da sociologia que o formaram e da vocação jurídica relegada para segundo plano por força de outro chamamento), foram complementando a aproximação crescente (e rápida) entre si e este crente teimosamente distante e preguiçosamente nada praticamente, quase sempre crítico. Recordo-me do nosso último contacto presencial e da sua sempre pronta e certeira palavra como se fosse hoje: “o Papa Francisco tem mesmo algo de especial porque desde que foi eleito tenho recebido poucas críticas tuas”. Não falta aqui nenhuma vírgula, nem nenhum acento. Foi o princípio de mais alguns minutos de deambulações pela doutrina social da Igreja, pela sociedade, pela política, pela Igreja… e ficou-me o coração cheio.

Coração agora triste, vazio, amargurado. Vai ficar sempre presente a sensação de que faltou o cumprimento, o abraço, aquela palavra, aquela frase, aquela ideia, a crítica e aquele texto. Vai faltar… aliás, já falta. Porque muito ficou por dizer, tanto ficou por ouvir.

Já não escreverei mais ao “meu” Bispo… já não tenho os “meus” bispos. Os “meus” Bispos que mais do que serem de Aveiro, do Porto, de Lisboa, são de uma Igreja à qual vão fazer, já fazem, inquestionável falta e que deixam irremediavelmente muito, mas mesmo muito, mais pobre. Os “meus” dois Bispos a quem a sociedade prestará sempre a devida homenagem e lembrará com saudade uma Fé de incontestável espiritualidade mas de inegável sentido humano.

O ciclo (a)normal da vida encerrou os “Monólogos “ e as “Epístolas”, mas não fechará, como não fechou até então, a permanente saudade, memória e presença, de quem me encheu a vida.

Despeço-me, obrigatoriamente, com um até sempre e com um inesquecível: “In Manus Tuas”. Ponto Final.

publicado por mparaujo às 11:29

11
Set 17

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Não foi fácil ou à primeira vista a empatia, muito por culpa de anos e anos de relação próxima com o seu antecessor.

Aos poucos, a proximidade familiar, a simplicidade e, simultaneamente, a forma como foi expressando a sua percepção do que é e deve ser a Igreja foi-nos juntando e aproximando.

Muitas foram, em distintas circunstâncias, as vezes que nos cruzámos, que nos sentámos à mesa, que estivemos lado-a-lado... sempre pronto a ouvir-me mais até do que a falar. O que dizia, mesmo que pouco, era IMENSO.

Muitas foram as vezes que foi recebendo as minhas mensagens mesmo após a sua saída de Aveiro para o Porto. A distância não foi, nem seria, motivo para deixar de lhe escrever... tantas e tantas vezes (quase sempre) crítico de uma Igreja que teimosamente não me acolhe, cada vez acolhe menos, apesar da minha posição de crente, das minhas referências (que são, actualmente, a sua e a do Papa Francisco).

Nunca tive uma única rejeição, um único «não tens qualquer razão», nunca me disse "não". Soube sempre escutar, dizer o que sabia (e era muito), saber aconselhar.

Hoje, já deixei de ter remetente físico para as minhas "epístolas de um crente ao seu Bispo". Ficarão sempre connosco.

Deixei de ter remetente físico mas não esquecerei nunca a simplicidade de um homem culto, amigo e presente.

Estará e será sempre PRESENTE.

ATÉ SEMPRE, D. António Francisco. Morreu o "meu bispo".

 

publicado por mparaujo às 11:06

17
Jul 17

Teve um papel importantíssimo no sector marítimo e das pescas em Aveiro/Ílhavo.

Mas foi pela sua filantropia, pelas suas ligações à sociedade aveirense e ao seu associativismo e, principalmente, pela sua estreitíssima relação com a Cultura (história, Teatro, edição literária, informação e Artes) que Gaspar Albino deixou uma marca de registo inquestionável em Aveiro.

Faleceu ontem, a poucas semanas de completar 79 anos.

Não tem sido um mês fácil (ainda há poucos dias Aveiro sentia o desaparecimento de Vítor Silva).

Há uma voz e uma figura aveirense, AVEIRENSE com "maiúscula", que perdurará na memória de muitos.

Ficamos mais pobres... Descanse em Paz.

Gaspar04.jpg

publicado por mparaujo às 11:23

01
Jul 17

Conhecia-me desde os meus tempos de berço...
Percorri com ele alguns desafios na JC e no CDS, até ao meu abandono da causa...
Foi pela sua mão que acedi à administração local.

Figura incontornável de Aveiro, braço mais que direito dos mandatos de Girão Pereira nos destinos da autarquia aveirense e, nomeadamente, na gestão dos Serviços Municipalizados de Aveiro, para além da vice-presidência da antiga e extinta Região de Turismo Rota da Luz.

A cerca de um mês (11 de agosto) de completar 70 anos, o Eng. Vítor Silva faleceu (ontem).

Vão ficar imensas saudades, inúmeras histórias, e uma amizade que não dá para esquecer.

Até sempre... engenheiro.

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publicado por mparaujo às 15:49

07
Jan 17

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O slogan foi o de uma campanha eleitoral presidencial (as presidenciais de 1986): "Soares é fixe!". Curiosamente, a primeira volta foi realizada em janeiro de 1986 (26 de janeiro), há 31 anos.

Morreu o Presidente Mário Soares.

Não há, na história de Portugal ou em qualquer história de uma outra nação, um único político, governante ou presidente, um único que seja, que não tenha cometido os seus erros, que não tenha despoletado numa ou noutra pessoa alguma animosidade ou indiferença.

O que importa avaliar, independentemente da maior ou menor proximidade político-ideológica, é a importância e o impacto que esse político teve ou não nos destinos do país.

No caso concreto do ex-Primeiro ministro e do ex-Presidente da República, para além de um dos fundadores do Partido Socialista, é inquestionável o papel que Mário Soares teve, a vários níveis, na história democrática de Portugal, sendo inequívoco o estatuto de figura de Estado preponderante no desenvolvimento de Portugal. Basta recordar a algumas vozes críticas da direita, nomeadamente e por exemplo, o papel e a proximidade tidos para com o CDS e para com Freitas do Amaral num período político e social extremamente hostil ao partido (recorde-se o cerco ao Palácio de Cristal). Se houver honestidade na análise histórica e política, o CDS tem um legado de gratidão para com Mário Soares, independentemente da questão partidária, da política e da ideologia.

Não sou socialista (poderei eventualmente ter alguma afinidade política a um PS diferente do actual pela defesa do princípio da social-democracia) e é óbvio que Mário Soares, quer como Primeiro-ministro, quer como Presidente da República, cometeu erros e nem sempre achei que tenha agido, politicamente e na governação, da forma mais correcta. Embora no processo que levou às várias independências na ex-colónias em África, entendo que seria, face a um conjunto múltiplo de diversidades e de conjunturas políticas, económicas e sociais, muito difícil, se não impossível, fazer, naquela altura, melhor ou diferente.

A verdade da história política portuguesa é clara e transparente: a Mário Soares, Portugal e os portugueses, devem, mais que a liberdade (mas também), a democracia que hoje vivemos e temos, concretamente pelo papel que teve entre o 25 de Abril de 74 e o 25 de Novembro de 75; a Mário Soares, Portugal e os portugueses, devem a adesão à, então, CEE, processo do qual o PSD e Cavaco Silva puderam politicamente aproveitar; a Mário Soares é inquestionável o reconhecimento do seu papel de estadista e de político de excelência.

Isto é que o fica na e para a história contemporânea política e social de Portugal neste período da democracia.

Levantem-se as vozes que quiserem criticar ou acusar Mário Soares... são pormenores, gotas de água, numa vida cheia de vivência política, partidária, governativa e democrática.

No fim, resta inequivocamente o gesto de gratidão, de reconhecimento: Soares foi mesmo fixe.

mario soares - foto de daniel rocha - publico.jpg

(crédito da última foto: Daniel Rocha - jornal Público)

publicado por mparaujo às 19:23

26
Nov 16

0ebef0822ca1436a3c96afc010c05b1ba6504256.jpgCom 90 anos, morreu, esta madrugada, o histórico líder cubano Fidel Castro.

Não fosse um dos mais controversos e polémicos líderes mundiais e a sua morte passaria despercebida ou indiferente à comunidade internacional e aos seus cidadãos, espelhando um sentimento tripartido de indiferença, alívio e dor.

Indiferença para o conjunto daqueles que, como eu, não deixaram de ver Fidel Castro destruir um país (que a queda do Muro de Berlim deixou no mais profundo isolamento), retirar a liberdade e oprimir o seu povo (obrigando à fuga de milhares de cubanos), posicionar-se como um ditador deixando como legado uma comunidade política, económica e socialmente arruinada e oprimida. Realidade ligeiramente desanuviada na última década sob a liderança do seu irmão Raul e a reaproximação aos Estados Unidos, sob a administração de Barack Obama e a mediação do Vaticano. Ironicamente, alguém formado num colégio jesuíta, baptizado e católico para, já no poder, acabar a perseguir a religião e a Igreja Católica, recebe a visita de três Papas, vê restaurada a liberdade religiosa e confronta-se, sob a mediação do Vaticano, com a aproximação de Cuba aos Estados Unidos, algo que sempre repudiou e combateu.

Para aqueles que se viram obrigados a fugir às atrocidades, à miséria e à opressão, a morte de Fidel Castro, mesmo sem garantias claras de uma imediata "Cuba Libre" perspectiva o sonho de alguma réstia de esperança.

Para poucos, dos quais o PCP é exemplo (embora pouco relevante para quem elogia publicamente a liderança norte-coreana), e para os actuais líderes cubanos o momento é, obviamente, de dor.

Mas nada retira o peso ditatorial da liderança de Fidel Castro, nem mesmo a tentativa de Jerónimo de Sousa de branquear a história do poder castrista em Cuba. O líder comunista português afirmou, sobre a morte do "el comandante" cubano, que Fidel Castro teve "uma vida inteiramente consagrada aos ideais da liberdade, da paz e do socialismo". Jerónimo de Sousa apenas acertou na última parte, se considerarmos os ideias socialistas do marxismo-leninismo, porque Cuba e os cubanos tiveram tudo menos liberdade e paz.

A história encarregar-se-á de julgar o legado ideológico, político, económico e social da liderança de Fidel Castro à frente dos destinos cubanos.

Ao contrário de alguns (excluindo os que sofreram com o poder cubano) nada me leva a celebrar uma morte, seja ela qual for. Isso afigura-se-me macabro e surreal. Resta-me a indiferença e o esperar, agora sim, por uma "Cuba Libre".

publicado por mparaujo às 23:05

04
Set 16

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Fez esta sexta-feira passada um ano que o mundo olhava para esta foto com um misto de estupefacção, raiva, emoção, inquietude... de dor. Mas simultaneamente com muitas interrogações, críticas, o apontar de responsabilidades ao fundamentalismo religioso e político, ao estado islâmico, à Síria, à União Europeia, aos Estados Unidos.

Mas acima de tudo a imagem do pequeno Aylan Kurdi marcou de forma "explosiva" o momento, apesar de tantas e tantas mortes que o Mediterrâneo tinha já registado.

Infelizmente, a memória é curta ou as pessoas tendem a transformar rapidamente as lágrimas e a revolta em passado.

A verdade é que desde janeiro deste ano até ao passado mês de agosto foram resgatados às águas do Mediterrâneo mais de 270 mil refugiados, estimando-se que tenham perdido a vida cerca de 3165 pessoas das quais 205 são crianças e bebés.

E se o polémico e condenável acordo entre a União Europeia e a Turquia, transformando a vida humana num negócio e reduzindo a condição humana a um mero valor monetário, parece ter reduzido a afluência de refugiados às costas gregas e italianas, também é verdade que criou outro tipo de realidades: o aumento do tráfico humano e de órgãos humanos, das violações e da prostituição infantil, das condições de vida sub-humanas nos campos de refugiados; e, por outro lado, o aumento de refugiados de outros pólos de migração, nomeadamente do norte de África (Eritreia, Somália, Nigéria, Gâmbia, entre outros).

E preocupante é também a incapacidade da ONU, do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, da Rússia, dos Estados Unidos, entre outros, e principalmente da União Europeia para encontrar uma solução eficaz, humanitária, política, para este incontrolado e grave flagelo das dias de hoje. Segundo a organização Save the Children "desde o ano de 2015 terão chegado à Europa mais de 1,2 milhões de refugiados – a maior vaga de migração forçada desde a Segunda Guerra Mundial" (fonte: revista Visão).

A tudo isto acresce a preocupante afirmação do Presidente do Conselho Europeu, Donal Trusk, que afirmou, na presente cimeira dos G20, que «capacidade da UE para acolher refugiados está "próxima dos limites"» (fonte: Diário de Notícias - edição online de 4 de setembro).

Como diz a canção... o mundo gira, mas parece ter deixado de avançar.

publicado por mparaujo às 22:58

31
Jul 16

Faleceu o Professor Moniz Pereira deixando o desporto nacional e a sociedade portuguesa mais pobre, triste e de luto.

A repleta vida desportiva do Prof. Moniz Pereira vai muito para além da clubite...

Apesar de ser apelidado de "Sr. Atletismo" e apesar de ser nesta modalidade que maior projecção teve e conheceu, o seu ecletismo (andebol, basquetebol, futebol, hóquei em patins, ténis de mesa, e, nomeadamente o voleibol) transforma-o na maior referência do desporto português.

Reconhecimento público e do público mas também institucional como comprovam a a condecoração de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (9 de Abril de 1981), Comendador da Ordem da Instrução Pública (26 de Outubro de 1984), Ordem Olímpica (1988) e Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (26 de Março de 1991).

Depois de uma enorme "Maratona" de 95 anos... descanse em Paz. Não o recordaremos... porque nunca o esqueceremos. OBRIGADO.

moniz pereira.jpg

 

 

publicado por mparaujo às 21:44

17
Mar 14

Faleceu (ontem) Zé Penicheiro. Um dos artistas plásticos que me enchia as medidas quando pintava Aveiro, as suas gentes (figuras típicas), as suas tradições (S. Gonçalinho), a sua região (Ria de Aveiro).

Conheci a sua obra, curiosamente, pela mão de um familiar: o saudoso Rodrigo Penicheiro.

Infelizmente, apesra de me ter cruzado duas ou três vezes com ele, não tive o previlégio de conhecer pessoalmente.

Mesmo assim, Zé Penicheiro é destaque e referência nos meus espaços culturais domésticos.

A Arte e a Cultura aveirenses ficaram mais pobres... por força de um dos fundadores da Aveiro/Arte e de tão bem retratar as "imagens e as cores" da região.

Por mim, resta-me a dúvida: e agora, quem vai pintar (tão bem) Aveiro?

R.I.P: Zé Penicheiro.

(painel "Voar mais alto" presente na Universidade de Aveiro)

 

publicado por mparaujo às 11:00

02
Fev 14

O dia em que é divulgado o falecimento do actor (um dos que me prendia ao ecrã) Philip Seymour Hoffman, é "inundado" com a referência ao óscar de melhor actor principal, conquistado em 2005, pelo papel desempenhado em Capote.
Mas entre uma série de filmes que enaltecem o seu excelente desempenho como actor, fica-me para sempre na memória o seu papel no filme Doubt (A Dúvida - 2008), aliás, muito perto de conquistar o óscar de melhor actor secundário em 2009 (assim, como Meryl Streep esteve quase a conquistar a estatueta dourada pelo papel principal).

R.I.P.
O cinema ficou mais pobre.

publicado por mparaujo às 22:50

07
Jan 14

Começa a ser viral, nas redes socias nacionais (facebook e twitter, pelo menos) a foto que aqui é mostrada.

Uns dizem que é Photoshop, outros dizem que é uma vergonha para o clube (SLB), outros dizem que o que é mostrado não reflecte a verdade (sendo que, neste caso, a verdade significa que não estavam a ser retirados os cachecóis mas sim a serem colocados, a pedido de um grupo de adeptos sportinguistas).
Eu acrescento… é-me completamente indiferente qual a verdade que a imagem pretende demonstrar.
Já não me é indiferente que, independentemente da verdade dos factos, a memória e o falecimento do Eusébio sirva para a intriga, o ataque, a calúnia e a polémica. Isso sim… é VERGONHOSO.
Mas é o país que temos…  e, nestes casos, merecemos.

publicado por mparaujo às 16:49

11
Dez 13

Publicado na edição de hoje, 11.12.13, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Há tributos e tributos…

Morreu Nelson Mandela. Não me vou alongar em relação a esta enorme perda de uma dos maiores vultos da história do sec.XX. Era para o ter feito no domingo, mas por força de toda a discussão surgida no “Debaixo dos Arcos” (e afins) pareceu-me repetitiva e desnecessária. É óbvio que morreu um “santo”. Sim, deixemo-nos de preconceitos e constrangimentos (mesmo os da fé). Um santo… porque, por mais que percorra o tempo e a história, não há memória de algum santo que não tenha cometido erros, não tenha “pecado”, não tenha “mudado” de vida. E mais, poucos foram aqueles (os santos) que tiveram tão imensa dignidade e dimensão humanas em saber perdoar, como o fez Nelson Mandela. E daqui, de facto, resultou todo o peso político, social e humano de Madiba. Esta perspectiva surge porque ontem, no mítico Estádio do Soweto, onde Nelson Mandela fez a sua última aparição pública, em 2010, quando a África do Sul recebeu o Campeonato Mundial de Futebol, foi realizado o Tributo de Despedida a Nelson Mandela. Cerca de 70 países representados, 95 mil pessoas presentes e milhares e milhares de espectadores no país e no mundo. Portugal também esteve presente, representado por Cavaco Silva. Não vou, porque a polémica já foi demasiadamente esplanada, comentar os votos “sim” e “não” da resolução da Nações Unidas, em 1987.

Mas, com as devidas desculpas e as devidas proporções e contextualizações, é sobre tributos que importa reflectir neste texto. Infelizmente, mesmo que de forma inequivocamente merecida, só os grandes vultos (e normalmente após morte) é que são merecedores de tal respeito. Os comuns dos mortais, os anónimos (mesmo que com rosto e alma), aqueles que, em muitos casos, deram a sua vida (física) pelo bem comum, a vida e a sociedade tornam-se “madrastas”. E Portugal é “perito” nesta triste realidade. Este ano, que agora termina, faleceram oito bombeiros no combate aos incêndios que, ano após ano, flagelam o país. Foram mulheres e homens que de forma desprendida, voluntária e com um inquestionável serviço de defesa do bem comum, perderam tudo, deixaram tudo, para que “tudo” dos outros (cidadão, comunidades e país) fosse salvo. Nem sempre o conseguiram. Oito foram sempre e um dia não voltaram. Tributo maior mereceriam, no mínimo, dos mínimos mesmo, o respeito pelo Estado e pela sociedade. Para além das modestas (também elas envoltas em polémica com a Presidência da República) e inevitáveis condolências às famílias e corporações, nada mais foi feito. Ou melhor… mais valia nada mais ter sido feito porque o que se avizinha é, também no mínimo dos mínimos, revoltante e chocante. Precisamente “nos dias” do anúncio da morte de Nelson Mandela, são conhecidas informações preliminares de um relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna sobre os falecimentos de bombeiros no combate aos incêndios deste ano. Os primeiros resultados orientam a conclusão para negligência, violação de regras de segurança, erros de estratégia de combate.

Claro que sim… o país, o Estado, as entidades e comunidades locais, os proprietários dos terrenos, sacodem a responsabilidade e a irresponsabilidade. Os “incompetentes” dos bombeiros, mesmo com a formação que têm, mesmo com a experiência de muitos, mesmo com a estruturas de comando distritais operacionais a gerir os cenários de “guerra ao fogo”, é que gostam de colocar a vida em risco, deixar de viver e deixarem as suas famílias com um lugar vazio em casa. Mais valia terem deixado arder. Aí seriam os “maus da fita” mas ao menos viveriam.

A falta de políticas de ordenamento florestal, a ausência de estratégia governativa para a prevenção e o combate aos incêndios, a inexistência de fiscalização e punição a quem não cumpre a lei, a “suavidade judicial” para com aqueles que destroem o bem comum e privado, é, afinal, o triste e repugnante tributo que é prestado por este, cada vez mais, triste país em que vivemos. Pessoalmente, nem por sombras me comparando, mas tomando o exemplo de Nelson Mandela, resta-me, como cidadão, pedir perdão aos Bombeiros (todos) por esta indescritível falta de respeito que o país tem para com os “soldados da paz”.

publicado por mparaujo às 09:22

06
Dez 13

Morreu um dos maiores vultos da história do séc. XX.
Um dos apogeus máximos da MORAL, da ÉTICA, da POLÍTICA, do SOCIAL.

A maior voz (maior que a de Martin Luther King, com todo o respeito) contra a exclusão, o racismo, a desigualdade, pela luta pela dignidade humana e pela igualdade de direitos. Sem credos, religiões, côr, género...

Morreu Madiba.

Há quem tenha muitas histórias para contar. Há quem tenha contactado directamente com Nelson Mandela. Há presidentes (e ex), há ministros (e ex), há políticos, há figuras de "proa" das instituições internacionais e da sociedade...

Mas há, depois, uma outra certeza: há, igualemnet, as pessoas comuns, os anónimos, imensas, que têm Nelson Mandela como um dos maiores símbolos de todos os tempos da liberdade, da igualdade e da dignidade humana. Apenas pela sua história, testemunho e exemplo de vida.

R.I.P. Nelson Mandela, 1918-2013 (advogado, líder do ANC, preso nº 466/64 na prisão da Ilha Roben, 1º presidente negro da África do Sul em 27 de abril de 1994, prémio Nobel da Paz em 1993).

Mandela Day. Mandela is Free... para sempre!

publicado por mparaujo às 09:14

03
Out 13

Apesar do desfasamento temporal, não quero deixar de prestar a minha homenagem a VASCO LOURINHO.

Durante cerca de 20 anos era inconfundível a sua presença nos écrans da RTP sempre que surgiam notícias do outro lado da fronteira.

Vasco Lourinho faleceu aos 71 anos, na noite da passada terça-feira. Mas não morreu a memória do seu trabalho, o inconfundível sotaque e a mistura fonética entre português e castelhano.

Terminava sempre as suas peças com a frase "Vasco Lourinho, de Madrid, para a RTP".
Desde ontem... "Vasco Lourinho, de Madrid, para a RTP e para sempre..."
R.I.P.

publicado por mparaujo às 09:16

30
Ago 13

Em memória...
António Ferreira,
de Miranda do Douro

Pedro Rodrigues, da Covilhã

Bernardo Figueiredo, do Estoril

Ana Rita Pereira, de Alcabideche

Cátia Dias, de Carregal do Sal

(não sabiam se voltavam... mas iam sempre.)

Cinco mortos, até ontem, era o registo trágico e injustificado do número de bombeiros que faleceram no combate aos incêndios neste ano. Esperando, muito sinceramente, que o número não aumente, apesar da existência de alguns feridos em estado considerado muito grave.

Sobre a devida homenagem a todos os que, de forma desinteressada e desprendida, combatem a acção criminal, a incúria e o desleixo, de muitos, e principalmente pelo respeito e pela dignidade dos que perderam a vida em troca de "nada" (porque a vida não tem valor e muito menos vale um punhado de eucaliptos ou pinheiros) já foi aqui prestada: “Vida por Vida”… levado à ‘letra’ ; Sem papas na língua... (Vida por Vida) ; Das duas, uma… ; Mortes sem rosto?

Mas a propósito deste "Mortes sem rosto?" não poderia deixar passar em claro toda a polémica que se revestiu a posição do Presidente da República, à data. Essencialmente, de forma muito reduzida, as críticas, perfeitamente legítimas, à posição assumida pelo Presidente da República resultam do facto de Cavaco Silva ter transformado uma questão de Estado numa posição privada e pessoal e ter tido uma postura totalmente contraditória no caso do falecimento do Dr. António Borges. Não que estivesse em causa esta última situação, mas sim a forma como foi tratada a "ausência" de posição pública m relação ao falecimento, à data, de quatro bombeiros no combate aos incêndios que flagelam o país (principalmente a Norte o no Centro).

E as reacções não se fizeram surgir. Face à ausência de uma mensagem pública e face à justificação apresentada (o que provocou ainda uma maior revolta), a página oficial no facebook da Presidência da República foi "invadida" por quase 10 mil comentários (no 'post' da mensagem sobre António Borges) e cerca de 700 partilhas. Entre outros comentários, a mensagem "viral" principal foi: "Os meus sentidos pêsames aos familiares dos heróicos bombeiros falecidos".

E como dizem o dito e a sabedoria populares: "água mole em pedra dura, tanto dá até que fura".

Foi preciso tanto alarido, tanta contestação, tanta revolta não só dos cidadãos como das próprias corporações e associações dos bombeiros para que, ao registar-se mais um falecimento de uma bombeira de Carregal do Sal (Cátia Dias), no combate às chamas no Caramulo (apara além do registo de alguns feridos muito graves) Cavaco Silva tomasse, finalmente, uma posiçãoPÚBLICAsobre os bombeiros que perderam a vida no combate aos incêndios. Já são, infelizmente, cinco. E UM seria já demasiado.

Mensagem do Presidente da República

publicado por mparaujo às 11:24

26
Ago 13

O falecimento de qualquer pessoa, independentemente das circunstâncias ou do que marcou a sua vida, merece-me duas reacções: respeito e de pesar, sendo alguém (mesmo que não conhecido pessoalmente ou próximo) que, em vida, me mereceu consideração, apreço e deferência; ou indiferença (mas não regozijo ou censura) se caso de alguém que condenei, critiquei ou em nada se aproxima dos meus princípios e valores.

E são inúmeros os casos que sustentam esta dualidade de reacção em relação à morte de alguém.

Vem a propósito o falecimento do Dr. António Borges, economista, ex secretário-geral do PSD, ex director do FMI e consultor político do Governo de Passos Coelho.

Em relação a António Borges nunca nutri qualquer simpatia pela sua acção pública, aliás extremamente carregada de controvérsia e contradição. Não tenho, em relação ao seu falecimento, qualquer reacção de condenação, regozijo ou lamento (a não ser a perda da vida, que essa me merece todo o respeito).

Têm sido diversas (para o bem e para o mal) e muitas as reacções e análises nas redes sociais ao falecimento de António Borges. Quer em relação à sua pessoa, quer em relação à tomada de posição pública do PSD, do Governo e do Presidente da República.

Não tenho que criticar essas reacções do partido do qual António Borges foi secretário-geral (no tempo de Manuela Ferreira Leite), nem do Governo do qual foi consultor (em muitos casos com mais peso que qualquer ministro) ou do Presidente da República. Para além da afinidade política acresce a perda de uma vida humana.
Mas lamento profundamente que em relação a essa vida humana o Governo e, nomeadamente, o Presidente da República (que deveria ser presidente de todos os portugueses) não tenham tomado uma única posição de respeito pelo falecimento, este ano, de três bombeiros no combate aos incêndios, das inúmeras crianças que faleceram nessa chacina que tem sido a guerra na Síria ou em relação às mortes nas cheias na China ou nas manifestações no Egipto.

O respeito pela vida não é apenas em relação àqueles que nos são mais próximos. A vida, como o bem mais precioso e o direito inalienável de qualquer ser humano deve merecer o respeito (seja de que forma for) sempre e em qualquer circunstância.

E há circunstâncias mais que óbvias: os indefesos e os que dão a vida pelas causas dos outros.

Lamenta-se o silêncio…

publicado por mparaujo às 10:42

26
Jul 11
Este é um dos "calcanhares de aquiles" da Comunicação Social.

A dificuldade de distinguir o que é supérfluo, o que é exagero/repetição, as prioridades, o fundamental. Mas fundamentalmente o esquecimento da essência do jornalismo: a sua vertente socializadora, o criar sentido/massa crítica e opinião pública.
É um facto que a tragédia em Oslo e na Ilha Utoya, na Noruega (caso Breivik), pela dimensão, pela sua natureza, pelo número de vítimas (bastava um apenas) merece destaque e referência informativa. A dúvida e a crítica colocam-se quando se passa para o exagero da repetição, da não-noticia, da falta de conteúdo relevante e ausência de novidade, bem como quando os critérios de selecção informativa criam disparidades e menosprezam outras realidades.

E a questão não passa (como já ouvi e li em vários sítios) pela pessoa em causa: a sua nacionalidade, a cor da pele, a ideologia, o facto de ser cristão (sim... cristão), o fundamentalismo extremista. Nem colhe a tentativa de disfarçar a realidade com a questão da eventual ligação à maçonaria (até porque se é para "abafar" o facto do autor do massacre ser, assumidamente, cristão não vale o esforço porque há maçons cristãos/católicos). E é curiosa a velocidade com que se acusam muçulmanos da mesma forma que se desculpam cristãos... infelizmente! Extremismo e fundamentalismo são realidades que se abominam, condenam e criticam sejam de que "lado" forem.

Mas o que merece a minha crítica é a quantidade de notícias em torno das mortes(que se lamentam profundamente.
Pena que os critérios editoriais e o papel socializador dos media esqueçam outras realidades.
Quantos minutos, quantas linhas, quantas colunas (para não dizer quartos ou meias páginas) retrataram, comparativamente, esta realidade: meio milhão de crianças morre à fome no Quénia, na Somália e na Etiópia.
será que uma arma, uma bomba e um acto tresloucado de um extremista é mais relevante que a morte de UMA criança que seja à fome?!

Critérios esquisitos e difíceis de compreender.
publicado por mparaujo às 22:13

02
Dez 08
Este espaço entra de luto, por 5 dias, em memória do meu sogro, falecido hoje (2.12.08) à 1:00 Hm.
É nestas alturas que a vida não presta para nada...
publicado por mparaujo às 02:22
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16
Set 08
Com toda a sinceridade!
É uma imagem que não voltarei a ver na actualidade.
Para quem cresceu a ouvir Pink e tem a banda "cotada" no seu top5 preferencial, este é um dia triste.
Por tudo o que me proporcionou, Richard Wright (aquele que mais ovação recebia em palco) - OBRIGADO! Um grande adeus!
publicado por mparaujo às 22:05

20
Ago 08
Por uma questão de solidariedade e respeito! (fonte Público)

publicado por mparaujo às 21:23
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25
Nov 07
A morte é sempre estúpida.
A guerra não o é menos.
O direito à vida é inalienável.
A vida é o direito mais importante e fundamental do Homem.
Por outro lado, é discutível se a nossa presença no Afeganistão, no Iraque, Balcãs ou em qualquer outro ponto do mundo é importante, imprescindível, relevante ou compensatória.
Além disso, é argumentável questionar-se a obrigatoriedade ou o voluntariado da presença dos militares nas campanhas externas.
Menos justificável é a razão porque se morre por uma causa que não é a nossa.
Nada justifica a perda da vida humana.
Nem o dever de cumprir a missão…
publicado por mparaujo às 19:43

08
Jun 07
A morte é sempre estúpida. Sim! Pura e simplesmente, estúpida. Seja com quem for… seja em que circunstância for.
A desculpa é sempre a mesma: é a vida! Eu diria então que “bosta” de vida.
Todos nós, pelo menos a partir de uma determinada idade, sabemos que a condição existencial do homem é sempre a mesma: nasce, cresce e morre. É este o fado da vida humana. Não há alternativa.
Mas por mais compreensível que seja esta realidade (que, em determinadas circunstâncias e momentos, nos trás à memória a inevitável questão: então que sentido tem tudo isto?), não conseguimos ser indiferentes a uma revolta e angústia interiores, quando alguém deixa esta vida terrena e parte para, por muitos conceitos, crenças e fé que se tenham, não se sabe bem para onde.
Ainda mais nos dói, quando esse alguém nos diz algo, nos é próximo, nos faz recordar a vida nos seus momentos bons e maus e nos obriga a gritar (mesmo que num silêncio agudo) bem alto: NÃO! Todos menos esse…
O problema é que esse (e nós) também faz parte do “todos”.
E faz parte também de nós.
Do nosso imaginário, do nosso tempo de juventude, de quando nos sentíamos donos e senhores do mundo, da sociedade, da intervenção, da nossa fé.
Nos sentíamos no direito e com direito a contestar, a apoiar, a marcar a diferença. A entregarmo-nos de corpo e alma (às vezes mais o corpo outras vezes só a alma) às nossas convicções, às nossas lutas.
Muitas vezes dizemos que o mundo ficou mais pobre quando alguém mediático, importante nos sectores da sociedade, morre.
TRETAS!
O mundo, o nosso mundo, fica mais pobre apenas quando alguém, por quem nutrimos o respeito e a amizade, nos “deixa”. Aí sim… a vida estremece.
O mar tirou-te a vida… O mar ficou mais cheio com a nossa dor e as nossas lágrimas.
Silvino Oliveira… Até sempre, comanheiro.
publicado por mparaujo às 13:00

09
Jul 06
Não é possível que estas situações ainda aconteçam em pleno século XXI.
Com tanto desenvolvimento científico, tecnológico.
Como é possível que 120 pessoas percam a sua vida, na Rússia (Irkutsk), após o avião onde viajavam ter, em pleno processo de aterragem, embatido num muro de betão e, seguidamente, e ter-se incendiado.
Lamentavelmente... a morte continua estúpida.
publicado por mparaujo às 13:26
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