Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

27
Dez 16

Nestes dias "pós-Natal" não é o par de meias com igual padrão ao do natal de 2015 com que a tia-avó nos prendou mais uma vez...
não são as boxers que temos que trocar porque o perímetro aumentou e de "L" passámos a "XL" sem avisar a família...
nem é o terceiro livro da Cristina Ferreira ou do José Rodrigues dos Santos que recebemos e que envergonhadamente lá vamos trocar à Bertrand ou ao Continente.

Nestes dias "pós-Natal" não é a dieta forçada a que nos vemos obrigado, não pelos excessos mas porque a "Passagem de Ano" está muito perto...
não é a "roupa velha" que nunca mais termina e que nos alimenta jantar após jantar por mais três ou quatro dias...
não é a prenda que nos esquecemos de oferecer ou o postal que pensávamos ter enviado e não chegou ao destinatário...
não é o tradicional discurso do Patriarca de Lisboa...
nem o discurso em cenário pueril do Primeiro-ministro António Costa.

Nestes dias "pós-Natal" o registo vai para o ambiente verdadeiramente rural e a comparação que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, fez entre a Concertação Social (e o excelente trabalho negocial do ministro Viera da Silva) e a Feira do Gado.

A questão é... quem nunca foi a uma Feira de Gado que atire a primeira pedra.

A certeza é... estava bom o bacalhau no jantar de Natal do Grupo Parlamentar do PS.

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publicado por mparaujo às 14:42

24
Dez 16

Antecipando o domingo para hoje, já que o Natal também se antecipa para esta noite de 24, importa dar nota que o melhor desta quadra natalícia é, por uma vez no ano, recordar a milésima audição das músicas de Natal da Mariah Carey e dos Wham.

Mas melhor ainda é enésima audição do Coro de Santo Amaro de Oeiras.

E portantooooo.... A TODOS UM BOM NATAAAALLLL...

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publicado por mparaujo às 18:55

21
Dez 16

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publicado na edição de hoje, 21 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Não sabe a Natal…

O calendário não deixa dúvidas, seja para crentes ou para não crentes, seja na esfera religiosa ou na esfera pagã ou laica, seja junto a um presépio ou junto a uma árvore de Natal, seja a contemplar o Menino ou à espera que alguém desça pela chaminé, a verdade é que estamos no Natal. A questão é: mas que Natal?

Por força da condição humana esta época é, por si só, um período de maior sensibilidade social, de maior atenção humanitária e humanista, de uma maior proximidade com aqueles que têm mais dificuldades na vida, seja porque razão for. Embora, seja óbvio, que tais realidades nos deveriam preocupar durante todo o ano. Aliás, não raramente ouvimos como desculpa e como justificação para restringir a proximidade ou alargar distâncias em relação às realidades negativas da vida humana (pobreza, o desemprego, a fome, a morte, o terror e o medo) as vozes críticas acusando quem olha mais global esquecendo os que estão e moram ao lado, mesmo que essas vozes críticas nem se preocupem por uns ou por outros.

Vivências em cenários de guerra, de permanente fuga à morte pelas armas, de fome, de pobreza, de isolamento, da necessidade de acolhimento e refúgio, não têm fronteiros e são da responsabilidade universal. É uma questão óbvia e natural da defesa dos valores dos direitos universais, da defesa do direito inalienável e primário da vida.

São inúmeras, nalguns casos excessivas e questionáveis (porque, não raramente, fraudulentas), as campanhas de solidariedade e humanitárias que proliferam neste período do ano. Surgem no âmbito dos cuidados da saúde, dos apoios sociais, nos contributos para entidades que prestam serviços primários às comunidades, para causas culturais, para a solidariedade com uma comunidade ou com os vizinhos. Raramente, salvo as devidas excepções (também elas raras), apesar do espírito natalício, tenha ele carácter religioso ou não, surgem campanhas consistentes que contribuam para a paz. E este alheamento dos cidadãos, das comunidades e, nomeadamente, dos governos das nações e das instituições internacionais, face ao que é, hoje, a realidade da convivência e sobrevivência internacional é, deveras, preocupante e inquietante. A forma como as pessoas são incapazes de aceitar o outro, de aceitar as diferenças e conviver com elas, respeitar diferentes convicções e opções de vida; a forma como os países sobrepõem interesses questionáveis ao respeito pelo direito universal e internacional à existência de cada povo e nação; a forma como as comunidades excluem em vez de incluir, ostracizam em vez de valorizar e envolverem ou acolherem; tem tornado estas três últimas décadas um verdadeiro genocídio universal, tem transformado a vidas das comunidades e dos cidadãos insegura, turbulenta, infernal, desumana.

Quando no declínio da chamada “guerra fria” o mundo assistia, nos finais de 1989, à impensável queda do Muro de Berlim, ao fim da “cortina de ferro” e da União Soviética e do pacto de Varsóvia, muitos foram os que acreditavam num mundo melhor, mais igual, mais justo, mais fraterno. Puro engano… as nações estão mais agressivas, menos cooperantes, mais dominadoras, e os povos/cidadãos menos tolerantes, mais indiferentes, menos solidários.

Os acontecimentos do início desta semana que dizimaram milhares de pessoas, feriram outras tantas e exilaram ainda mais em Aleppo (Síria), em Berlim, na Turquia, na Suíça, na sempre esquecida e abandonada África ou no Médio Oriente, mais não são que o reflexo de 30 anos (pelo menos) de uma comunidade internacional em constante êxodo, em permanente conflito por imposição de verdades e convicções absolutas que não existem, o reflexo de 30 anos da degradação dos valores e direitos humanos fundamentais e universais. Não bastam, face aos acontecimentos, as mensagens de solidariedade entre algumas nações, quando a União Europeia vê os princípios e valores da sua fundação e estruturação a regredirem permanentemente; quando a comunidade internacional não consegue lidar com as diferenças entre os povos, não consegue aceitar princípios básicos de convivência ou de justiça internacional, não consegue unir esforços no combate a realidades de terror e de carnificina como a que diariamente assistimos, tendo a Síria como exemplo entre outros tantos.

Não faz sentido desembrulhar aquela prenda especial, carregar sacos no centros comerciais, beijar o “menino na Missa do Galo, quando milhares de pessoas vivem em campos de refugiados, vivem debaixo das pontes, fogem por entre as ruínas das suas cidades e tentam escapar por entre as balas e as bombas, sem que disso tenham qualquer responsabilidade.

E 2016 tem sido um forte espelho desta triste realidade… em pleno Natal.

publicado por mparaujo às 10:01

23
Dez 15

pobreza - eclesia.jpgpublicado na edição de hoje, 23 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Um Natal bem pobre

Chegados a dezembro e ao período natalício, paralelamente à azáfama consumista do Natal, existe nesta época um significativo aumento de causas solidários e de apelos para o envolvimento dos cidadãos com as mesmas. Infelizmente, há, por inúmeras razões, um aproveitamento desonesto e imoral por parte de terceiros e de causas fictícias. Por outro lado, o chamado “espírito natalício” proporciona um significativo aumento das campanhas e das solicitações de apoios, em alguns casos com pouca eficácia já que o excesso provoca algum afastamento e repulsa e alguma banalização. Além disso, apesar da necessidade, é discutível e questionável o aproveitamento comercial de algumas marcas/empresas na promoção e realização de campanhas natalícias, sob a capa da “caridade” ou da solidariedade que mais não fazem do que disfarçar campanhas de marketing e aumento de vendas.

No entanto, numa amálgama de missões e objectivos nobres, solidariedade efectiva, interesses comerciais ou campanhas fraudulentas, há uma realidade factual: os portugueses estão mais pobres e há muitos que precisam, definitivamente, de ajuda.

A necessidade do cumprimento do Programa de Ajustamento, a implementação de medidas de austeridade, a dificuldade que o país foi sentindo na recuperação económica, a dificuldade em concretizar políticas sociais, trouxe fortes impactos para os cidadãos e as famílias. O país saiu do assistencialismo externo, de forma mais ou menos limpa (ainda há muito para explicar), há cerca de um ano. Mas ficaram muitas marcas destes últimos quatro anos… os portugueses ficaram mais pobres. A título de exemplo, não é por acaso que PSD e CDS apresentaram uma proposta de lei que criminalizasse o abandono dos idosos, dando a entender uma eventual percepção da realidade, embora a medida seja incoerente dado que, por exemplo, o crescente abandono de idosos nos hospitais resulta, obviamente, da incapacidade de subsistência das famílias e não por “capricho”. Mas esta é uma pequena (mesmo que grave) circunstância da realidade. Ela é muito mais profunda e grave.

Percorremos o ano de 2015 com cerca de 27% (mais de 1/4) da população portuguesa em risco de pobreza ou exclusão social, sendo que cerca de 11% dos portugueses se encontram em situação de privação material severa (dados provisórios do INE). Em suma, mais de 2,8 milhões de portugueses são atingidos pela pobreza. E nem mesmo a forte emigração dos últimos dois e três anos fez abrandar estes valores (apenas uma ligeira diminuição na ordem dos 10 mil cidadãos, entre 2013 e 2014). Nos últimos cinco anos, os dados provisórios do INE mostram que o risco de pobreza e de exclusão social, em Portugal, aumentou de 24,9% para 27,5% (mais 2,6%).

Num relatório divulgado pela OCDE, no final do primeiro semestre deste ano, referenciava Portugal como o nono país mais pobre e desigual entre os 34 que compõem a lista da OCDE. Em termos numéricos os 10% dos portugueses mais ricos concentravam em si 25,9% da riqueza nacional, enquanto os 10% mais pobres detinha apenas 2,6%.

Em Portugal, a desigualdade de rendimentos agravou-se, o risco de pobreza e de exclusão social aumentou (com incidência nas crianças, mulheres e idosos) mesmo em relação a cidadãos empregados, quem é pobre ficou mais longe de conseguir sair da pobreza. Acresce ainda um aumento no número de inscritos nos centros de emprego no mês passado (cerca de 65 mil).

É certo que muitas dúvidas assolam grande parte dos portugueses no que respeita às inúmeras, excessivas, campanhas solidárias e peditórios em cada esquina das cidades deste país. O excesso vem provocando incertezas quanto à nobreza das acções, bem como a banalização das mesmas.

Mas a realidade é também outra: este é um Natal bem pobre em Portugal e para 2,8 milhões de vizinhos de cada um de nós. Quem sabe… mesmo à nossa frente.

publicado por mparaujo às 09:44

15
Dez 14

publicado na edição de ontem, 14 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Muito para além dos números

Eis-nos entrados no mês de dezembro.
Não é só o frio que impera, o Natal que se aproxima, o fim de mais um ano. É também o mês da proliferação (excessiva, diga-se) dos jantares de natal; os dos amigos e os das empresas. Há também os jantares promovidos por muitas associações e instituições que aproveitam estes eventos para associarem aos mesmos algumas acções solidárias. Aliás, acções solidárias, a diversos e inúmeros níveis, que aproveitam o chamado “espírito natalício” para apelarem à solidariedade dos cidadãos numa altura em que as pessoas estão mais disponíveis emocionalmente para ‘ajudar’ e apoiar, mesmo com as dificuldades que ainda são sentidas em consequência da crise que ainda não se dissipou.
Há quem critique estas campanhas, os seus impactos, as suas intencionalidades, as suas eficácias, seja no combate, seja na prevenção, de situações de exclusão ou pobreza. Há ainda a habitual dialética entre a solidariedade e a ‘caridadezinha’. É verdade que, infelizmente, há de tudo. Há que ter a sensatez de analisar individualmente cada acção solidária, ter o discernimento para prever eventuais campanhas falsas, e acima de tudo tentarmos perceber o que seria de milhares de famílias, seja nesta época ou noutra qualquer altura do ano, sem a solidariedade dos outros.

Os indicadores apresentados pelo Governo revelam um decréscimo na taxa de desemprego (já aqui analisada por diversas vezes, com a ‘influência’ demográfica e do recurso às acções de formação) e uma retoma, mesmo que residual, da economia (muito por força das exportações, mais do que o mercado interno/consumo). Persistem ainda aos impactos da crise financeira os baixos investimentos públicos e privados, a baixa taxa de criação de emprego e o diminuto valor salarial. Mas mesmo que para além dos indicadores referidos (a título de exemplo) haja ainda outros que perspectivam alguma esperança para o futuro de Portugal, há a realidade de um país que “vive” muito para além das folhas de excel orçamentais: os dados e a vida de um país profundo e real… o do dia-a-dia da maioria dos portugueses; um país, dois retratos.

E nesta ambiência de jantares e campanhas solidárias é importante, acima de tudo, focar o essencial.
Segundo um estudo publicado na revista Proteste (da Deco, com a qual não “morro de amores”, diga-se) revela que mais de 40 mil idosos (entre os 65 e os 79 anos) passam fome em Portugal.
Segundo dados divulgados pelo INE e por diversas entidades e instituições, cerca de 1/4 da população portuguesa vive abaixo ou no limiar da pobreza (2,5 milhões de portugueses). Importa referir que a percentagem de cidadãos com o Rendimento Social de Inserção (RSI) não atinge os 5%.
Há cerca de 30% de menores em risco de pobreza. Há cerca de 11% da população activa (empregada, com vencimento) que, mesmo assim, se encontra em extrema privação material.
No conjunto dos 34 países que compõem a OCDE os 10% dos cidadãos mais ricos ganham cerca de 9,5 vezes mais que os mais pobres.
Muito recentemente, um estudo da Organização Internacional do Trabalho, assinado pela economista Rosario Vasquez-Alvarez, refere que as desigualdades em Portugal diminuíram. Mas… apenas porque os portugueses estão mais pobres. Há mais igualdade na pobreza, há menos ricos, há um nivelamento “por baixo” nos recursos dos cidadãos e das famílias.
O retrato do país real revela-nos, nos últimos anos oito anos, um aumento da pobreza, um crescimento da pobreza infantil, no aumento da taxa de trabalhadores em privação material, no elevado desemprego (apesar do recuo dos indicadores), na precaridade laboral e no baixo valor do trabalho, no ‘empobrecimento’ do Estado Social, na diminuição das desigualdades sociais em consequência do aumento da pobreza.

E há ainda outro ‘retrato’ relevante e com merecido destaque nesta época: a pobreza não são números… são rostos, bem reais.

publicado por mparaujo às 09:38

26
Dez 13

Publicado na edição de hoje, 26 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Ainda é Natal…

Tal como o ditado popular afirma que “até ao lavar dos cestos é vindima”, até aos Reis será Natal.

Escrever o que quer que seja nesta altura do ano ou soa a demasiado “dejá vú”, a que se adicionam um conjunto de frases feitas e conceitos repetitivos, ou então será algo que sai completamente fora do contexto. No fundo, “preso por ter e por não ter”. Mas que seja.

Há, nesta altura, uma realidade que, mesmo que repetitiva e banalizada, não pode deixar de ser sublinhada: a forma como os portugueses vivem o Natal. Pela tradição, pela religiosidade, pela indiferença, pela solidariedade, pelos laços familiares e de amizade, pelo aumento do consumo com as prendas e as lembranças.

Se em anos anteriores esta sempre foi uma época do ano em que habitual e repetidamente surgiam as múltiplas queixas e críticas à conjuntura (queixam-se os comerciantes da quebra nas vendas, queixam-se os consumidores da falta de disponibilidade financeira para o consumo), a verdade é que este Natal de 2013 exprime e reflecte a vivência real de um Natal mais “pobre”, mais “comedido” nos gastos. Apesar da reposição do subsídio de Natal em relação aos funcionários públicos (independentemente do corte fiscal a que foi igualmente sujeito), o esforço e o sacrifício a que os portugueses foram sujeitos, ao longo deste ano de 2013, reflectiu-se nos gastos com o Natal (seja nas prendas, na alimentação, nas férias).

Houve menos disponibilidade financeira nas “carteiras” da maioria dos portugueses, motivada pelo elevado número de desempregados ou pela insegurança laboral, pelo aumento dos preços, pelos cortes do valor salarial, pela poupança para as deslocações, nesta quadra, ao estrangeiro para que muitas famílias se encontrem com os que emigraram, etc. Segundo os dados da primeira semana do chamado período de Natal, os portugueses gastaram cerca de 552 milhões de euros que representam, apesar do valor, cerca de menos 90 milhões de euros que em 2012 (valores referentes a compras com cartão multibanco: menos 40 milhões em levantamentos e menos 50 milhões em transacções).

Mas há ainda um outro dado. À margem de todas a críticas e “aplausos” à ajuda externa a que o país ainda está (e estará) sujeito, a austeridade imposta pela Troika alterou os hábitos dos portugueses. Como diz o ditado, é óbvio que a “necessidade criou o engenho” e continua a ser descabida a expressão utilizada pela presidente do Banco Alimentar que o facto dos portugueses comerem “bifes” significava um “viver acima das nossas possibilidades”. Mas a realidade demonstra que os portugueses alteraram os seus hábitos e a forme de viver. Uns, infelizmente, pela contingência do desemprego ou da escassez de recursos, outros por receio quanto ao futuro, outros porque se preocuparam menos com as coisas ditas supérfluas e pouparam mais (em 2008 a o valor médio da taxa de poupança das famílias situava-se na ordem dos 8% do rendimento disponível, em 2013 esse valor era apontado como próximo dos 13,5%, apesar da crise).

Mas não foi apenas nos hábitos de vivência diária que os portugueses mudaram. Até mesmo na forma como encaram, agora, o Natal. Os portugueses e as famílias encontraram e redescobriram outras formas de viverem o Natal: menos consumista, mais fraterno e (em casos comprovados), mais, muito mais, solidário. Aliás, uma solidariedade expressa em acções e movimentos de maior proximidade, em comunidades mais restritas e mais pequenas, do que propriamente em grandes acções nacionais (embora, segundo os dados do Banco Alimentar, a generosidade dos portugueses tenha sido muito positiva, por exemplo). Mas são factos que se comprovam pelas várias notícias e iniciativas espalhadas pelo país. Os portugueses preocuparam-se, neste Natal, com os mais desprotegidos e desfavorecidos nas suas cidades, nas suas comunidades, através das instituições de solidariedade e acção social locais. Multiplique-se por esse país o exemplo do que se passou, este ano, este Natal, em Aveiro com as “Florinhas do Vouga”.

Seja qual for a conjuntura ou a imposição da austeridade, os portugueses saberão sempre, com mais ou menos dificuldade, com mais ou menos criatividade, viver o Natal.

publicado por mparaujo às 17:08

24
Dez 12

Primeira rabanada.

Joe Berardo apesar da crítica ainda corre o risco de transformar o Governo num verdadeiro Robin dos Bosques português, quando afirmou que em Portugal "há uma perseguição aos ricos". Estamos mesmo a ver o Ministro Vítor Gaspar, de collants verdes e de arco e flecha em punho, a "assaltar" os ricos para dar aos pobres.

Nesta quadra natalícia e no encerramento de mais um ano só falta considerar Joe Berardo como a "Isabel Jonet da economia".

 

Segunda rabanada.

Em 2011 o Governo de Passos Coelho anunciava um conjunto de "moralidades" politicas e sociais com vista ao combate (já que para o Primeiro-ministro isto é uma "guerra") à falta de produtividade nacional.

Entre as tais "moralidades" incluíam-se o fim de quatro feriados, uma maior restrição às "pontes" e a não tolerância de ponto no dia de Carnaval.

Afinal, mesmo que o Primeiro-ministro afirme que 2012 foi o ano mais difícil desde 1974, pelos vistos, a nossa produtividade foi relançada, eventualmente muito à custa do esforço da reindustrialização levado a cabo pelo ministro Álvaro Pereira ou do regresso à agricultura pela "enxada" da ministra Assunção Cristas.

Por isso é que este ano o Governo decretou tolerância de ponto para os dias 23 e 31 de dezembro. Afinal já somos tão produtivos como os alemães.

publicado por mparaujo às 11:34

23
Dez 12

Publicado na edição de hoje, 23 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

Não é só o burro e a vaca…

Decididamente, este Natal de 2012, para a maioria dos portugueses (uma larga maioria) não vai ser o mesmo. E não apenas por se questionar se o “burrinho” e a “vaquinha” fazem, ou não, parte do presépio. Como se as renas, os duendes e as chaminés deixassem de fazer parte do Pai Natal.

Ciclicamente, todos os anos as referências a esta época tornam-se repetitivas, embora traduzindo diferentes visões e formas de vivência do Natal. Por mais sentido e significado religioso que se queira incutir e transmitir, a verdade é que, mesmo para os crentes, esta é, inevitavelmente, uma época de dar, receber, com uma carga acrescida de solidariedade (pena que não o seja no resto do ano). E apesar do óbvio e claro aumento do consumo, toda esta realidade natalícia não tem que ser transformada no chavão do “consumismo desenfreado”, do materialismo. Se o Natal também é sinal de fraternidade, família, amizade, nada há mais normal do que o desejo de dar e de receber, com especial significado e relevância, com vontade de “agradar” e retribuir. Se para uns também é o nascimento de Jesus, para outros (incluindo muitos dos primeiros) é um “barrigudo de barbas brancas que desce por chaminés”.

E é precisamente neste aspecto que este Natal será, notoriamente, diferente para muitos e muitos portugueses.

Há uns quatro/cinco anos a esta parte, sempre que a comunicação social ia para a rua entrevistar o comum dos mortais nas zonas comercias, as reacções repetiam-se: “este ano é mais para as crianças”; “vai haver alguma contenção nos gastos”; “as prendas vão ser menores”; etc. E até ao Natal de 2011 esta era uma reacção mais por vontade própria face a alguma consciência financeira do que propriamente condicionada por circunstâncias envolventes, como a crise.

No entanto, após todas as realidades que condicionaram o país, as famílias, os cidadãos, com o início do programa de ajustamento das contas públicas, o Natal tem vindo a perder a sua “chama”. Nota-se no rosto das pessoas uma menor predisposição para a vivência natalícia (seja ela qual for) e nota-se uma clara falta de capacidade económica para valorizar o, legítimo e natural, “dar e receber”. O que é perfeitamente compreensível: o desemprego ultrapassou os 16%; a Constituição da República, em 2012, entrou de “férias” no que respeita aos cortes dos subsídios de Natal (e férias); o aumento do IVA fez disparar muitos preços; o valor do trabalho (a massa salarial) cada vez é menor, assim como as reformas; a carga fiscal não tem parado de subir condicionando as finanças individuais e domésticas.

Quando se esperava que as pessoas tivessem um espírito mais aberto, mais alegre, começassem a projectar o novo ano com as esperanças, os sonhos e os projectos do costume, olha-se para este Natal e vemos preocupação, rostos sisudos, desinteressados, frustração e algum rancor. Isto, porque os sacrifícios e as exigências são cada vez maiores, com impactos na qualidade de vida e sobrevivência das pessoas, e os resultados na consolidação das contas públicas não são visíveis, nem têm estado a resultar.

A UE tem fortes reservas quanto ao cumprimento do défice de 5% para este ano, a dívida pública, à entrada deste último trimestre de 2012, situava-se nos 120% do PIB, o desemprego aumenta de forma preocupante com implicações óbvias nas prestações sociais do Estado, as empresas não param de fechar, a produtividade não cresce… tudo isto são factores de preocupação e que limitam a própria vivência do Natal.

Apesar disso, e para que não restassem dúvidas quanto à realidade do país, o próprio Primeiro-ministro, no debate quinzenal na Assembleia da República, realizado nesta sexta-feira, não deixou de acentuar a dificuldade que os portugueses sentem em viver este natal de 2012. Afirmou Pedro Passos Coelho que 2012 foi o ano mais difícil desde 1974, que afinal já não será em 2013 que haverá o início da retoma e o virar nas contas públicas (o Governo tinha indicado Setembro de 2013) e que, se houver derrapagem orçamental, haverá “pagamento da factura”, como é hábito, pelos mesmos, ou seja, redução salarial na função pública.

Esta é a realidade, fria e crua, deste Natal. Basta olhar para a evidência dos números. Na primeira semana de dezembro o valor das compras/transacções com os cartões multibanco tinha descido cerca de 12% em relação ao ano anterior, e o valor de levantamentos nas caixas da rede multibanco da SIBS tinha registado uma diminuição na ordem dos 5%.

E face a esta evidência, poder-se-á questionar: Mas não se pode comemorar/celebrar na mesma o Natal? Poder, pode… mas não é a mesma coisa.

As crianças que o digam no próximo dia 25 de dezembro, quando se aperceberam que não faltam apenas o burro e a vaca no presépio.

No entanto… Um Feliz Natal!

publicado por mparaujo às 12:01

21
Dez 12

um Feliz Natal e um ano de 2013 que consiga superar todas as dificuldades e barreiras que se avizinham.


publicado por mparaujo às 14:33
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24
Dez 11
"Por Terras de Alavarium" com sabor a Ovos Moles, aroma do Sal, e as cores da Ria e dos Moliceiros...
Um Feliz Natal!


publicado por mparaujo às 00:22

O Trilhos Culturais deseja um Feliz Natal a todos os que "entram" nesta "casa"...


publicado por mparaujo às 00:15

Votos de um Feliz Natal a todos os que, teimosamente, ainda se dão ao "trabalho" de bater a esta  porta.

A todos muito obrigado e que o Pai Natal seja generoso...

Que o espírito natalício nos torne corajosos e criativos para superarmos, colectivamente (como uma família), as dificuldades que vão surgir (e serão muitas).



publicado por mparaujo às 00:09

18
Dez 11
Publicado na edição de hoje, 18 Dezembro, do Diário de Aveiro

Entre a Proa e a Ré
Um Natal mais frio.

Independentemente de crenças ou religiosidades, nem que seja por uma questão de tradição (ou tradições), o Natal deveria ser um tempo de partilha, de solidariedade, de fraternidade… por mais que se queira evitar ou resistir (ou então nem por isso) o consumismo marca esta época do ano de forma acentuada, muitas vezes supérflua e desnecessariamente acentuada, mas também fruto da vontade (da boa-vontade) de se presentear a família, os amigos, os conhecidos, como forma de reconhecimento, amizade e gratidão. Mas a realidade e a conjuntura que vivemos, os sacrifícios que nos são exigidos, as medidas de austeridade necessárias à recuperação do país, tornam este Natal menos voluptuoso, menos “gastador”, mas também mais frio, mais distante, menos solidário… tudo porque a esperança, a noção da realidade, as dificuldades que os cidadãos já sentem no dia-a-dia, não são razões para sorrir. Recordemos, a título de exemplo, os resultados da última campanha do Banco Alimentar contra a Fome que, apesar de substanciais, foram mais baixos que as campanhas anteriores. Ou ainda as dificuldades que sentem várias instituições de solidariedade, como o caso referido, a Cáritas, as Florinhas do Vouga ou a Cruz Vermelha, com o aumento significativo de solicitações de muitos cidadãos e muitas famílias que, de um dia para o outro, se viram na necessidade de pedir ajuda para sobreviver. Este não é, por isso, um Natal qualquer. Mesmo que as situações de pobreza e de carência sempre tenham existido (e muito dificilmente serão totalmente eliminadas). E não é um Natal qualquer não apenas pelas situações referenciadas. A realidade que vivemos no dia-a-dia vai muito para além do cidadão individual ou da esfera familiar que sente as dificuldades económicas, o desemprego ou a instabilidade profissional. A sociedade tende, dia após dia, a ser cada vez mais conflituosa, com muitos dos cidadãos num confronto desigual pela sobrevivência ou mesmo apenas com recurso a uma violência gratuita, fruto da instabilidade emocional e social. Uma sociedade que tem vindo a criar ondas de indignação perigosamente espontâneas porque imprevisíveis (e explosivas)… uma sociedade que vai perdendo a sua identidade, os seus valores (sejam elas quais forem) e o seu alicerce fundamental: o sentido de comunidade, de solidariedade, de urbanidade (polis). E estes factos não são exclusivos dos grandes centros, normalmente pólos geradores destas conflitualidades sociais (como Lisboa ou Porto). Aveiro começa a sentir essas realidades: conflitualidade social, falta de empreendedorismo que gera desenvolvimento e emprego, carências sociais. Basta um olhar para a semana que passou: a suspensão da fábrica de baterias da Nissan/Renault, a eventual suspensão do alargamento da fábrica da Portucel, a suspensão do serviço de ligação ferroviário na Linha do Vouga sem alternativas visíveis e eficazes… e mais preocupante, os recentes casos de violência: na Praça do Peixe e o assalto, em pleno dia, a uma ourivesaria no centro da cidade. E por mais que se queira valorizar o Natal para além da vertente material, a verdade é que a parte emocional ou espiritual vai-se esmorecendo face às dificuldades que atravessamos, que retiram o brilho do dia-a-dia, esmorecem a esperança e a motivação: o aumento do custo de vida, dos encargos com a saúde, com a mobilidade e acessibilidades, com as transformações laborais, com o desemprego a subir até aos 13% e com o número de inscritos nos Centros de Emprego a subir até perto dos 7% (em relação a Novembro de 2010), com Portugal a ser classificado como o terceiro país mais pobre da Zona Euro (segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística – INE). Acresce ainda um país “massacrado” pelo abandono da sua riqueza natural (agricultura e mar) tal como comprova a recente suspensão unilateral da UE no acordo de pescas com Marrocos; por uma política que deixa muito a desejar no que respeita à ética, à transparência e ao rigor; por uma justiça pouco justa e equitativa, entre muitos outros. E o anúncio do primeiro-Ministro da possibilidade do défice se situar nos 4,5% (muito abaixo dos 5,9% exigidos) não consegue superar esta realidade já que muita da redução resulta nas situações descritas: muitos sacrifícios, desemprego e instabilidade social. Só se espera que daí venham, de facto, frutos e resultados positivos muito em breve. Porque já estamos cansados de ilusões e de realidades disfarçadas. Por isso, não é uma questão de pessimismo, de falta de esperança, e de não acreditar nas nossas capacidades e nas medidas apresentadas… Trata-se de sermos realistas. E a realidade, neste momento, é “triste”: Este não será, para a grande maioria dos portugueses, um Natal igual.

Uma boa semana e um, dentro do possível, Feliz Natal!
publicado por mparaujo às 19:32

27
Nov 11
É certo que os tempos que correm não são animadores... de todo e antes pelo contrário.
As medidas de austeridade, a crise financeira (e a de valores), o desemprego, as finanças familiares, os cortes nos subsídios e apoios sociais, vão trazer um Natal, um final de 2011 e um início de 2012 muito críticos para a maioria dos portugueses.
Mas também é sabido (como aqui referi) que é nas situações de maior crise e de mais dificuldades que os portugueses costumam mostrarem-se mais solidários, mais próximos do "vizinho", menos isolados e "egoístas".
Até ao dia 9 de Dezembro, a Câmara Municipal de Aveiro, através da sua Divisão de Acção Social, promove a campanha “Aveiro Solidário - Natal 2011".
Esta campanha promove, junto da comunidade aveirense, a recolha de roupa, brinquedos e material escolar, que serão depois distribuídos pelas várias Instituições do Concelho de Aveiro, para serem entregues a famílias carenciadas.

A entrega dos referidos artigos deverá ser feita de segunda a sexta-feira, das 8.00 às 20.00 horas, na Galeria Municipal Paços do Concelho – Praça da República.
publicado por mparaujo às 22:47

21
Dez 10
Aos que por gosto, amizade ou apenas porque sim, visitam o "Debaixo dos Arcos".


publicado por mparaujo às 20:21
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08
Dez 10
E se o Nascimento do Menino tivesse ocorrido em plena era digital?!


publicado por mparaujo às 14:05

26
Nov 10
Nunca consegui perceber, nem encontrar nenhum estudo que comprove o efeito que as iluminações de Natal têm no aumento ou diminuição do volume (VOLUME mesmo) de compras natalícias.
Como se cada um dos cidadãos fosse "iluminado" por uma lâmpada azulada qualquer que influenciasse as suas opções de compra.
E em tempos de crise.... todas as "migalhas" contam.
Apesar da regra ainda há excepções com alternativas louváveis.
É o caso da autarquia da Figueira da Foz. (fonte: Expresso on-line)
publicado por mparaujo às 23:12

24
Dez 09
Publicado na edição de hoje, 24 de Dezembro, do Diário de Aveiro.

Cheira a Maresia!
Ah! É Natal, claro…

Estamos em véspera do Dia de Natal…
Por muitos e variados que possam ser os temas e as solicitações para expressar conceitos e fundamentos, nesta data, é imperativo falarmos do Natal.
Por outro lado, seriam muitos os clichés e lugares-comuns que se poderiam usar nesta altura: a conceptualização católica ou cristã do Natal, o espírito comercial e consumista, a consciência solidária e humanista, etc.
Mas há um aspecto que ganha especial relevo: as inúmeras campanhas de solidariedade que proliferam nas ruas, nesta altura.
Muitos questionam a “concentração” e o excesso de solicitações numa altura em que os gastos (por vezes excessivos) retiram a disponibilidade e sensibilidade para o contributo financeiro.
Mas esta poderá ser uma “falsa realidade”. Se não, vejamos: no Natal são as prendas para os “sapatinhos”; normalmente, em Março são os folares para afilhados; no verão são os gastos com as férias; e ciclicamente, após o início dos anos lectivos, voltamos ao Natal.
Desta forma, muito dificilmente ou muito raramente, teríamos campanhas de solidariedade e angariação de contributos.
A razão do vasto número de “bancas”, cartazes, publicidades, interpelações em espaços comerciais ou na rua, prende-se com a noção (na maioria dos casos, comprovada) de que, nesta altura, há uma maior disposição dos cidadãos ou de entidades para as questões solidárias. E mesmo em tempos de crise e de dificuldades generalizadas, os portugueses já comprovaram a sua disponibilidade para ajudar os outros e os que mais precisam (como foi espelho a última nacional campanha do Banco Alimentar).
Por outro lado, o que não deixa de ser uma evidente constatação é a quantidade, por vezes incompreensível, de Associações com objectivos e missões praticamente iguais ou muito semelhantes. E isso é que cria alguma apatia e indiferença.
São as Associações dirigidas às crianças, aos idosos, aos cidadãos portadores de deficiência, às ligadas a doenças, aos problemas familiares …
Tal como se percebe a fundamentação da concentração das campanhas em época natalícia, não seria igualmente mais proveitoso para a sociedade e para a resposta solidária dos cidadãos se houvesse uma maior aglomeração de esforços e objectivos e respectiva diminuição do número de associações similares?!
Entendo que a dispersão, nestes casos, não favorece o esforço, o trabalho e compromisso de solidariedade social.
E já agora… A Todos um Feliz NATAL.
publicado por mparaujo às 23:34

22
Dez 09

A TODOS UM BOM, ENORME E FELIZ NATAL
publicado por mparaujo às 21:52
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29
Dez 08

Publicado na edição de sexta-feira, dia 26.12.2008, do Diário de Aveiro.

Sais Minerais
Que Natal?!

Por mais que queiramos contornar a realidade e não usar “clichés” totalmente desgastados, é certo que a chegada do Natal é marcante no calendário anual: são as prendas, mesmo em tempos de crise, e a respectiva azáfama comercial; é o simbolismo social e religioso da quadra; é a revelação (mesmo que por conveniência e descargo de consciência) do espírito solidário e comunitário; é a proliferação dos “jantares de natal” (universo escolar, laboral, do grupo de amigos, etc.) e é, igualmente, a altura “ideal” para as campanhas de solidariedade.
Mas é também chegada altura para a reflexão e análise sobre a actividade das diversas organizações não governamentais de intervenção social ou instituições de solidariedade social. É, nesta época, que se registam o maior número de acções desenvolvidas nos mais distintos e diversificados sectores e áreas da sociedade: nas crianças, nos toxicodependentes, nos idosos, nos mais pobres e nos sem-abrigo (como exemplos).
Existe um contexto transversal a todas as instituições de solidariedade social: elas dependem da “boa vontade” dos cidadãos, seja nas contribuições materiais, seja no desafio do voluntariado, para conseguirem alcançar os seus objectivos.
Infelizmente, a individualização da sociedade e do decremento dos valores sociais, cívicos e comunitários produz efeitos e tem repercussões junto das instituições sociais e da sua subsistência., apesar do seu inegável contributo social.
Apesar do seu trabalho ser contínuo ao longo do ano é, neste particular momento do calendário, que as instituições mais solicitam apoios e “exigem” solidariedade.
Se é certo que quem necessita tem as suas carências ao longo de todo o ano, também não deixa de ser um facto que, enquanto a sociedade vive o direito à celebração do Natal (família, amizade, união), há um crescente sentido de comunidade, solidariedade e respeito por aqueles a quem a vida, por inúmeras razões, os privou de celebrarem condignamente esta quadra.
E não se pense que este é um facto novo, recente, resultado de uma sociedade crescentemente tecnológica e globalizada. Como exemplo, já em 1881 a instituição secular “Albergues Nocturnos do Porto” (ainda em actividade) acolhia pessoas sem recursos a quem fornecia cama e comida, e que preparava (e prepara hoje) uma refeição especial para a noite de Natal.
A diferença é que hoje já são milhares os que adoptaram a rua como habitação, as mais diversas localidades e regiões deste país. A condição de “sem-abrigo” já não separa origens sociais, idades e habilitações profissionais. São cada vez mais os que recorrem às ajudas sociais e que a crise financeira, o desemprego e o desequilíbrio social que se vive e que se perspectiva agravados em 2009, potenciam. E esta é uma realidade, ou melhor, um drama social que não pode, nem deve ser “escondido”.
Nem que seja para nos fazer recordar o que é o Natal. Ou de outra forma, para quê o Natal?!
Ao sabor da pena… em Dia de Natal!

publicado por mparaujo às 12:04

24
Dez 08
OS ARCOS DESEJAM A TODOS UM BOM NATAL.


publicado por mparaujo às 01:32
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23
Dez 07
A TODOS UM BOM E FELIZ NATAL


publicado por mparaujo às 23:24
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23
Dez 06



A TODOS UM BOM NATAL E UM FELIZ ANO NOVO
publicado por mparaujo às 21:17

21
Dez 06
Publicado na edição de hoje (21.12.06) do Diário de Aveiro

Post-its e Retratos
É claro... voltou o Natal!


Ciclicamente, nesta altura do ano regressamos aos clichés e aos lugares comuns. Regressamos igualmente ao stress financeiro, social e familiar que este tempo consome e que muitos “prozac’s” e “xanac’s” (substituídos ou não pelos genéricos) se encarregarão de sarar.
É Natal…
O que deveria ser uma verdadeira festa, é, para alguns, indiferença, para muitos, um verdadeiro pesadelo e para uma imensidão, uma utopia ou miragem por não o poderem ter.
E o Natal podia ser tão pouco: uma visita, um telefonema, uma carta, um e-mail.
Podia ser algo doado do que sobra e não faz falta, para quem tem tão pouco ou, às vezes, nada.
Podia ser a redescoberta do tempo para os outros: na família, nos amigos, no emprego ou, simplesmente, na rua. No desejo de fazer os outros felizes.
Mas também podia ser o que se oferece. Mesmo que caro e rotulado de consumista. Porque o sentido de dar, da amizade, da fraternidade ou da solidariedade não tem preço, quando a verdadeira vontade de partilhar e fazer o outro feliz é grande.
E na maioria dos casos, não está em causa o valor monetário do que se dá, mas a oportunidade, o significado e a utilidade do que se oferece.
Por mais que se diga que “o Natal é sempre quando o Homem quiser”, a realidade demonstra-nos que Dezembro é Mágico. Torna as pessoas mais abertas, mais emotivas, mas sensíveis. Basta olhar para as mais diversas e inúmeras campanhas de solidariedade que são publicamente anunciadas nesta altura do ano. Sem “rivalidade” nos outros meses. O que, infelizmente, nos leva a concluir que somos cada vez mais fechados, indiferentes, comodistas e isolados nos restantes onze meses do calendário.
A sociedade ao longo dos tempos transformou-se, independentemente se para melhor ou pior. Também o Natal se transformou num misto de convicções religiosas ou pura e simplesmente num laicismo solidário e fraternal.
Mas há uma realidade comum às assimétricas realidades natalícias. E essa mantém-se inalterada ao longo da história: o Natal, entre mil e uma razões e objectivos, é e há-de ser sempre das Crianças.
De todas as crianças.
As vítimas inocentes da guerra no Iraque, na Palestina e em Israel, no Afeganistão, nos Balcãs, no Sudão e em quase todo o continente africano.
As crianças abandonadas em plena rua.
As crianças vítimas de maus tratos físicos, psicológicos e sexuais.
As que trocam, ou se vêem obrigadas a trocar, a escola pela exploração laboral.
As crianças vítimas da criminalidade, da ausência do sentido de família e da exclusão social, por motivos raciais, políticos e religiosos.
As crianças vítimas da inconsciência e irresponsabilidade rodoviária.
As crianças que sofrem o ostracismo por serem portadoras de vários tipos de deficiência.
E as crianças sãs. As saudáveis.
Aquelas que gozam de plena liberdade, carinho e todas as condições (pelo menos as fundamentais) para serem felizes.
O Natal é delas todas.
Porque só por elas “o mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos duma criança”.
Bom Natal.
publicado por mparaujo às 18:37

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