Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

07
Abr 17

My name is Trump ... "Dangerous Trump".

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O ataque na Síria com recurso a armas químicas é condenável e desumano. Aliás, como é condenável e desumano qualquer acto que coloque em causa a vida humana.

Mas a resposta dos Estados Unidos, de forma unilateral, à margem da ONU e fora de um apoio no seio do Conselho de Segurança não torna a realidade menos preocupante. Antes pelo contrário... torna o mundo mais perigoso com um Presidente da Casa Branca demasiado narcisista, precipitado, irreflectido e imprudente.

Tornar a "América novamente Grande" através da força e das armas em vez do esforço político, não torna o mundo mais seguro, nem os cidadãos mais tranquilos. Aliás esta forma intempestiva de Donald Trump gerir o destino interno dos Estados Unidos e as suas relações externas revelam-nos um Presidente na cadeira da maior potência mundial demasiado prepotente, irrealista e inconsequente.

E no caso concreto da Síria de nada vale aos Estados Unidos a justificação do seu bombardeamento com base no ataque com armas químicas, ao que tudo indica por parte do governo de Bashar al-Assad, como se apenas esse acto fosse inaceitável ou apenas tal circunstância signifique o ultrapassar das tão referidas linhas vermelhas. Qualquer uso desmedido da força, nomeadamente colocando em causa a vida de inocentes, é criticável e condenável. Mas importa não esquecer a responsabilidade que os Estados Unidos e a União Europeia (nomeadamente a França) tiveram e têm no decurso da história da Síria, no seu declínio e actual situação, seja directamente, seja por omissão ou abandono.

Hoje (ontem) foi a Síria... amanhã, a pretexto de tudo ou qualquer coisa, mesmo que infundado ou falso (como no Iraque nos tempos de Bush) será outro o alvo, com uma reacção isolada e unilateral dos Estados Unidos. Donald Trump é demasiado intempestivo e nervoso, com uma enorme ânsia em colocar "o dedo no botão", sem olhar a qualquer pressuposto diplomático ou político e muito menos às consequências.

O actual presidente dos Estados Unidos não olhará a meios, nem perderá uma oportunidade para usar a relação externa para impor uma imagem interna que não tem conseguido fazer sobreviver politicamente. A sede e a cadeira do poder toldam as opções e as tomadas de decisões; basta recordar qual era a posição em 2013 do improvável candidato e actual presidente, precisamente me relação à Síria.

Estamos mais inseguros... o mundo está mais perigoso. Vivemos num barril de pólvora com o rastilho "à mão de semear". Ontem ficou-nos a prova.

(créditos da foto: Ford Williams/Courtesy U.S. Navy, no DN online)

publicado por mparaujo às 15:51

09
Out 16

14516326_10207504931836714_7153720360550428183_n.jpublicado na edição de hoje, 9 de outubro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Os portugeses no mundo

Portugal foi e continua a ser, por diversas razões, um país virado para o mundo. A história revela-nos as nossas facetas expansionistas e as descobertas de novos mundos. As vivências de milhares de portugueses em terras de África (mais tarde assombradas pela guerra colonial e pelo processo de descolonização) e a nossa “veia” emigratória que, desde os anos 50/60, tem sido uma marca nas famílias e na sociedade, são outro reflexo da passagem e da presença dos portugueses nos quatro cantos do mundo.
Destas realidades resultaram relevantes marcas dos portugueses no mundo dos negócios e do sistema financeiro, da ciência, da cultura, da política ou do desporto, para além de uma integração nas comunidades que contribui para uma sociedade mais justa.
Felizmente, seria longa a lista de nomes portugueses de referência nas mais diversas áreas o que demonstra que Portugal tem uma significativa capacidade de gerar cultura, conhecimento, saber, empreendedorismo, capacidade de gestão, de governação.
Infelizmente, realidades que, na prática e na sua maioria, pouco mais trazem ao país do que o prestígio internacional e algum reconhecimento, mesmo que isso, em si, seja importante e significativo.
Mas Portugal precisa de capitalizar mais esta forte e importante presença de portugueses nos mais importantes contextos da sociedade internacional, precisa de ter mais impacto, de ser mais relevante na comunidade internacional. Temos portugueses em lugares de destaque no Banco Central Europeu, já tivemos na Comissão Europeia, temos no FMI, já tivemos na ACNUR, e muito em breve, em janeiro do próximo ano, teremos um português à frente dos destinos da maior organização mundial: a ONU. Mas continuamos na cauda e à margem da Europa, constantemente vigiados e pressionados pela Comissão Europeia, BCE e FMI, não temos relevância política e económica internacional e, fruto das décadas de colonialismo, somos estigmatizados e menosprezados na CPLP.
Discutir se António Guterres foi um bom ou mau político e Primeiro-ministro, se foi ou não um bom Alto Comissário da ONU para os Refugiados, é algo irrelevante. O que importa destacar é se António Guterres tem perfil para o cargo, se a sua nomeação como Secretário-Geral da ONU, na sua qualidade de cidadão português, é ou não importante para Portugal.
No que se refere à primeira questão, as seis sessões de audição a que António Guterres (e os outros candidatos) foi sujeito, a forma como foi rejeitada a entrada em cena, já no final do processo, da candidata búlgara Kristalina Georgieva, a forma como Guterres conseguiu ultrapassar a pressão alemã no apoio à candidata “surpresa”, a forma como o próximo Secretário-Geral da ONU foi escolhido por unanimidade e aclamação no Conselho de Segurança, deixam poucas dúvidas quanto ao reconhecimento da ONU nas suas capacidades para liderar a maior instituição internacional.
Quanto à segunda questão, ela é mais complexa. Foi, obviamente, notória, independentemente dos gostos pela personalidade de Guterres, que a maioria dos portugueses, as suas instituições, a Presidência da República e o Governo, sentiram um enorme orgulho nesta importante e histórica nomeação (ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com a eleição de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia).
Sendo certo que a função e a missão de António Guterres exigem do cargo a plena isenção, não deixa de ser importante que Portugal e os portugueses possam tirar benefício prático (para além do prestígio) de tal nomeação. De contrário continuamos com muitas “vitórias morais internacionais” que comportam impactos mínimos no desenvolvimento do país, na nossa afirmação internacional.
Parabéns, Eng. António Guterres.

publicado por mparaujo às 11:39

22
Abr 15

Mediterraneo tragedia 03.jpgpublicado na edição de hoje, 22 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
O Mediterrâneo já não é um mar

Embora a realidade não seja recente, já há alguns anos que instituições internacionais dos direitos humanos, das migrações e refugiados, bem como, por exemplo, o Papa Francisco, têm feito eco de inúmeros factos, a verdade é que, de repente, o Mediterrâneo passou de mar a cemitério, face aos trágicos acontecimentos, de uma dimensão preocupante, ocorridos neste fim-de-semana e início da semana: mais de mil mortes no mar e milhares de pessoas a chegarem à costa da Europa (Itália, Grécia, Chipre, Malta ou Espanha) ou a serem resgatadas no oceano.

Variadas vezes, demasiadas até, a Europa sentiu-se sobressaltada por uma tragédia humana inconcebível em pleno século XXI. Em todas as vezes se ouviu a Europa a dizer “nunca mais”. Face à dimensão que esta catastrófica realidade tomou é altura da Europa dizer “BASTA”.

Inúmeras vezes se ouve a pergunta “quanto vale uma vida humana”? Uma que seja. Não tem, nem pode, ter preço. A vida e a sua dignidade. E esta realidade inqualificável tem de ter a responsabilidade de todos. Não apenas da Europa dado os acontecimentos terem lugar no mar Mediterrâneo e como destino uma vida de esperança e sonho num qualquer país europeu. A responsabilidade tem de ser repartida por todos: Europa, ONU, NATO, UNICEF, … O problema é extremamente complexo, mas não pode ser adiado e encapotado infinitamente, à espera que o tempo resolva, porque o tempo não resolve, apenas o agudiza. O mundo não pode olhar apenas para onde residem os focos geoestratégicos, geopolíticos ou geoeconómicos (com o petróleo). O mundo não pode continuar a fazer de conta que África, quase toda ela, não aparece no mapa. O mundo não pode ser “Charlie” em defesa do que apenas é (valores) europeu ou preocupar-se com 11’s de setembros ou de marços e, simultaneamente, assobiar para o ar com o que se passa no Quénia, na Nigéria ou, como é o caso, da Líbia ou do Iémen, sem esquecer a Somália, no Mali, no Sudão ou no Chade.

A responsabilidade da vivência num contexto de miséria, guerra ou de exploração humana (onde se inclui a escravatura, o tráfico, a violação dos mais elementares direitos à dignidade e à vida) tem de ser assumida por todos e não o sacudir a água do capote apenas para o lado islâmico, para o fundamentalismo religioso ou para o recém-chamado Estado Islâmico. Porque há muito para além das mortes no Mediterrâneo ou dos campos de refugiados onde os que sobrevivem ficam demasiado tempo em condições mínimas de sobrevivência. Há aquelas vidas que terminam às mãos das redes de tráfico humano e que não chegam sequer a ver o mar. Há aqueles que depois de um sonho falhado regressam (são deportados) em condições piores (porque tudo venderam e perderam na esperança de uma vida melhor) ao ponto de origem, eventualmente desejando terem ficado no Mediterrâneo.

À Europa cabe a responsabilidade de um maior controlo do seu Mar, de melhores e mais eficazes políticas de migração e de apoio aos refugiados.

À ONU cabe a responsabilidade de criar e implementar condições de estabilidade social, política e económica em África, ao caso, no Norte de África, porque muitas desta realidade resulta de impactos de irresponsabilidade políticas e económicas cometidas por Estados membros.

A nós cidadãos, apesar da nossa impotência, em defesa dos valores da vida humana, cabe-nos a indignação e o respeito, porque nenhuma vida, seja qual for e em que circunstâncias for, tem um preço. Hoje eles, amanhã… quem sabe?

publicado por mparaujo às 09:48

12
Ago 14

O trunfo é “espadas”.
Putin volta a marcar pontos no conflito da Ucrânia.
Depois das sanções decretadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos, o Kremlin responde com o embargo às importações de produtos e bens alimentares e agrícolas do ocidente. Resta saber para que lado penderá a balança das sanções.
Mas Putin joga ainda uma cartada importante no jogo geopolítico e geoestratégico do conflito ucraniano: a ajuda humanitária. E a cartada é importante porque, seja qual for o desfecho desta acção, a Rússia poderá sair sempre a ganhar.
Sob a capa da Cruz Vermelha Internacional, caso a ajuda humanitária entre na Ucrânia, entrará sempre a “bandeira” russa e o que isso possa significar: ajuda e mais armamento nas mãos dos rebeldes, mas também uma melhor imagem política (salvação humanitária) para os ucranianos pró-russos e para todas as movimentações que promovam a integração da Ucrânia na Rússia. Além disso, a entrada da ajuda humanitária servirá também para a criação de um corredor de intervenção da ONU, colocando a Rússia numa posição internacional privilegiada e mais firme.
Mantendo-se a irredutibilidade ucraniana quanto à ajuda humanitária russa, no caso da impossibilidade da acção do Kremlin, a verdade é que Putin sairá na mesma a ganhar do ponto de vista político, já que aos olhos da opinião pública local e internacional, a Ucrânia será tida como força do bloqueio à ajuda aos seus próprios concidadãos.
Mais uma vez, Putin um passo à frente do resto do mundo na questão ucraniana.

publicado por mparaujo às 17:28

Hoje, 12 de agosto, celebra-se o Dia Internacional da Juventude. A data foi institucionalizada pela ONU, em 1999, curiosamente após a realização da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, que teve lugar em Lisboa, entre os dias 8 e 12 de Agosto de 1998.

E a propósito do Dia Internacional da Juventude e de Portugal, após 15 anos da efeméride, importa recordar:

1. Em 10 anos Portugal perdeu 500 mil jovens (fonte: INE).

2. Metade do valor da emigração corresponde aos jovens (cerca de 60 mil já emigraram, entre 2012 e 2013).

3. Cerca de 57% dos jovens até aos 25 anos já emigraram ou tencionam emigrar (fonte: estudo Zurich, 2013)

4. Taxa de desemprego jovem, em Dezembro de 2013: 34,3% (fonte: Prodata).

5. Portugal é o terceiro país da OCDE com maior taxa de desemprego jovem. Entre os 15 e os 24 anos, no primeiro trimestre de 2014, o valor situava-se nos 35,4% (fonte: OCDE, 2104).

O lema escolhido para este ano é "A saúde mental importa". Claro que sim... a saúde mental, a saúde, a educação, a formação, o emprego, a estabilidade social...

Bom dia internacional da juventude...

 

https://juventude.gov.pt/Eventos/Cidadania/PublishingImages/RESUMO-Dia-inter.jpg

 

 

publicado por mparaujo às 10:12

03
Mai 13

Em 1993 a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamava o dia 3 de Maio como o "Dia Mundial da Liberdade de Imprensa".

Hoje, 3 de maio, decorrem 20 anos sobre aquela data.

Há sempre, nesta questão das efemérides, o risco das análise sustentarem-se em clichés ou chavões pré-concebidos.

É sabido que a monopolização dos meios de comunicação social implica a minimização da pluralidade e da livre concorrência. É sabido que o excessivo controlo dos meios de comunicação social por grupos económicos limita o livre exercício do rigor, da independência e da imparcialidade, bem como, por razões de mercado e de lucro (às vezes mais que a sustentabilidade), tem dado origem a um elevado número de desempregados na área do jornalismo (segundo dados do Sindicato dos Jornalistas, cerca 500 nos últimos três anos). São conhecidas as pressões políticas e económicas que são exercidas junto dos jornalistas e das direcções de informação dos vários órgãos de comunicação social. É sabido que não existe, verdadeiramente, uma imprensa livre do controlo/pressão governamental, política e económica. Tudo isto, obviamente, condiciona a liberdade de informação.

Infelizmente á ainda outra realidade: a Directora-geral da UNESCO teve a "necessidade" de condenar o assassinato de 121 jornalista em 2012 (quase o dobro do valor registado em 2010 e 2011, sendo que na última década esse número ronda os 600 profissionais). Já para não falar do elevado número de jornalistas presos indiscriminadamente, raptados ou desaparecidos.

Neste 20º aniversário do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a UNESCO reforça os princípios estabelecidos em 2007 (Declaração de Medellín - Colômbia): garantir a segurança dos jornalistas e lutar contra a impunidade dos crimes cometidos contra os mesmos e a liberdade de imprensa, reforçada pela declaração de Cartago (Tunísia) em 2012. O lema escolhido foi "Falar sem Risco: pelo exercício seguro da liberdade de expressão na comunicação social", assente na segurança dos jornalistas e no combate à impunidade dos crimes contra a liberdade de informação.

Por cá, se felizmente não há registos de violência (a estes niveis) em relação aos profissionais, são bem conhecidos inúmeros casos de limitação ao direito de informar e de ser informado, o elevado número de encerramentos de órgãos de comunicação social e despedimentos, a indefinição em torno do serviço público (RTP, RDP e Lusa) e da função do Estado nesta área, o papel da ERC, do próprio Sindicato dos Jornalistas e Comissão da Carteira Profissional (nunca mais surge a Ordem Profissional).

Mas o que me causa mais espécie e desencanto é a insignificante importância que o dia representa para o Jornalismo Português.

Bem sei que, mesmo não o aceitando e não o compreendendo, o jornalismo gosta muito pouco (ou nada) de falar sobre Jornalismo.

Mas o que é mais preocupante (e já o é há bastante tempo, infelizmente há demasiado tempo) é o facto do jornalismo não pensar sobre o Jornalismo.  O que me parece tão problemático como a limitação ao exercício livre da profissão.

publicado por mparaujo às 22:21

23
Out 11
Na última década, a procura justiceira por garantir uma determinada liberdade em vários pontos do planeta foi, essencialmente, marcada pelo envolvimento de parte da comunidade internacional e da ONU numa relação de forças com a Al Qaeda (Bin Laden) e Iraque (Sadam).
Para além disso, mantém-se historicamente a relação de forças e o conflito latente entre Israel e Palestina, sem resolução previsível.
Mais recentemente, esta cruzada pela libertação dos povos da tirania terminou com o caso Líbia e com a captura e morte de Muammar Kadhafi (embora seja de prever que, apesar dos acontecimento e do júbilo, muita instabilidade e conflitualidade ainda está para surgir na Líbia pós-Kadhafi).
O mais curioso neste processo de libertação da humanidade é a hipocrisia e os interesses escondidos, e a ingerência selectiva na história de alguns países, sempre com a bandeira justiceira hasteada com o símbolo da ONU, da NATO, por influência directa das últimas e actual Administrações Americanas.
Primeiro, o sentimento de vingança pelos atentados 11 de Setembro (compreensível mesmo que questionável, já que se sabe que violência gera violência), com a declaração de guerra ao inimigo público nº1 dos americanos (extensível aos espanhóis e ingleses, após os respectivos atentados da Al Qaeda).
Segundo, a falhada argumentação das armas de destruição "escondidas" em território iraquiano e a sustentação de que o regime de Sadam era a fonte e o apoio directo à Al Qaeda justificaram a invasão do território, a imposição de novas forças governativas.
Terceiro, a importância geoestratégica e geopolítica que Israel tem para os Estados Unidos na correlação de forças e presença na região é inquestionável. Daí o adiar permanente da resolução do conflito, que tem mais de político do que histórico, com a Palestina.
Quarto. Por último, após várias agitações sociais na região - a Primavera Árabe - que começaram na Tunísia no final de 2010 e início de 2011, e passaram por Marrocos, Egipto, Síria, entre outros, terminando, esta semana, na Líbia com a morte de Kadhafi. Não deixa de ser um facto relevante a determinação do povo em se libertar de décadas de opressão, perseguição, mortes, ausência de liberdade e democracia. Os povos sentiram espaço social, público e político, e aproveitaram a oportunidade para exprimirem o seus gritos do "Ipiranga".
Mas há, inquestionavelmente, uma clara hipocrisia na fundamentação de toda esta cruzada pela libertação dos "oprimidos". Ou por razões políticas, ou por razões geoestratégicas, ou, acima de tudo, por razões económicas, principalmente relacionadas com o petróleo.
Porque não actuam a ONU, a NATO ou os Estados Unidos, na Coreia do Norte ou em muitos recônditos da Ásia (como foi, por exemplo o caso da Indonésia vs Timor)? Porque, ao fim de tantos e tantos anos, África continua a ser esquecida, abandonada e ignorada?
No caso da Líbia, tal realidade é gritante. Kadahfi serviu, em pleno regime ditatorial e de terror, diversos interesses europeus (desde a França a Portugal) e internacionais. Independentemente da situação interna do país, todos os olhares internacionais se fechavam face aos interesses económicos. Quando esse ficaram postos em causa, o "amigo" controverso passou de cerca de 40 anos para, em seis meses, um dos ditadores mais cruéis da história da humanidade. Tal como o interesse na "democratização" do Iraque.
E mais hipócrita se torna esta ingerência nos processos sociais de alguns países que o "day after" se torna tão convulsivo como o processo de "libertação". Veja-se o caso da Tunísia que vai hoje a votos mas onde a desilusão impera, com a intenção de grande parte dos jovens que deram início à revolta popular nem sequer participarem no processo eleitoral face à crise económica, ao desemprego e ás dúvidas quanto ao futuro político do país.
Provavelmente, a "Primavera Árabe" necessitará ainda de um Verão ou Outono para se consolidar.
Espera-se que de forma mais pacífica e livre de interesses obscuros.
Nota final: independentemente do que tenha sido o "reinado" déspota de Muammar Kadhafi, o resultado final, a forma como lidaram com a captura do ditador mancha, e de sobremaneira, todo o esforço para libertar a Líbia. A execução sumária e bárbara do ex-líder líbio não é, em nada, diferente das execuções sumárias do regime. Não foi um acto de combate, de confronto, foi um acto desprezível e de pura vingança. A lei abominável do "olho por olho, dente por dente".
publicado por mparaujo às 01:02

15
Nov 09
Palestinianos querem proclamar Estado com apoio da ONU, de forma unilateral, face aos impasses negociais com Israel. (fonte: Expresso on-line)

Acho que seria uma excelente medida pacificadora, tendo como suporte a legitimidade da ONU.
publicado por mparaujo às 21:29

19
Ago 06
As guerras e os atentados são, por si só, merecedoras de qualquer crítica, de repúdio, seja qual fo o seu fundamento.
Nada justifica a morte.
No entanto elas existem, infelizmente, por esse mundo fora.
Médio Oriente, Afeganistão, Àfrica Austral, Àsia e particularmente o conflito Israel-Libano e Iraque.
As guerras trazem sempre vitimas.
Infelizmente um maior número de desprotegidos: homens, mulheres e crianças vítimas de uma situação qualquer que não criaram e da qual não têm qualquer responsabilidade.
Civis anónimos que as estatísticas ignoram como seres humanos, representando-as como meros casos colaterais.
E há também aqueles que são verdadeiros mártires.
Porque são cumpridores de tarefas humanitárias, em favor dos outros e das causas justas, em detrimento, na maioria dos casos, das vidas particulares e familiares.
Hoje é um exemplo, infelizmente, vivo apenas nas nossa memórias.
Depois do extraordinário processo desenvolvido na ajuda da constituição do mais recente e novo país do mundo: Timor, acabaria por perder a vida a tentar contrapor o efeito bélico da guerra no Iraque, com o esforço da diplomacia.
Há 3 anos atrás, o mundo e a ONU perdia um GRANDE HOMEM de GRANDES CAUSAS.
Dr. Sérgio Vieira de Mello.
publicado por mparaujo às 21:04

29
Jul 06
Enquanto ouvia o noticiário das 13:00 sobre a crise no Médio Oriente, lia, Aqui no Diário de Notícias, Aqui no Público e Aqui no Correio da Manhã, a recusa ao pedido da ONU num cessar fogo por 72:00 horas, para permitir alguma ajuda humanitária aos desalojados, às populações e às vitimas desta guerra.
Como já, por diversas vezes, afirmei, qualquer guerra é totalmente desprovida de significado e fundamentação.
Violência gera violência.
A Guerra gera a morte e não a solução.
E se há alturas que o mero acaso toma dimensões de irracionais coincidências, hoje o dia é fértil.
Veio-me logo à memória, a letra de um excelente tema musical da Mafalda Veiga, baseado no cancioneiro Espanhol "Madre anoche en las trincheras".

Balada de un Soldado

Madre, anoche en las trincheras
Entre el fuego y la metralla
Vi un enemigo correr
La noche estaba cerada,
La apunté con mi fusil
Y al tiempo que disparaba
Una luz iluminó
El rostro que yo mataba
Clavó su mirada en mi
Con sus ojos ya vacios
Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
Compañero de la escuela
Con quien tanto yo jugué
De soldados y trincheras
Hoy el fuego era verdad
Y mi amigo ya se entierra
Madre, yo quiero morir
Estoy harto de esta guerra
Y si vuelvo a escribir
Talvez lo haga del cielo
Donde encontraré a José
Y jugaremos de nuevo
Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
Compañero de la escuela
Con quien tanto yo jugué
De soldados y trincheras
Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
publicado por mparaujo às 16:27
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09
Jul 06
A ONU perdeu, eventualmente, um execlente candidato a Secrtário Geral.
Timor ganhou, logicamente, um primeiro ministro de inegualável capacidade e perfil.
Obviamente... prioridades.
A paz para Timor.
publicado por mparaujo às 13:45

19
Out 05
O mandato do actual secretário-geral da ONU Kofi Annan termina no final de 2006, não sendo sua vontade recandidatar-se àquele cargo.
Segundo notícias vindas a público José Ramos-Horta (prémio nobel da paz em 96) poderá ser candidato a Secretário-Geral da ONU para o próximo mandato.
É claramente alguém com currículo e experiência diplomática invejável, movimentando-se com extrema facilidade nos bastidores da ONMU e no relacionamento com vários chefes de Estado, resultado dos seus inúmeros contactos com os Estados Unidos, a Europ e a Ásia Austral (Austrália, Indonésia, Singapura, ..)
É para Portugal uma questão de honra, respeito e retribuição pelo papel desempenhado na libertação de Timor-Leste, apoiar esta candidatura.
publicado por mparaujo às 23:06

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