Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

18
Nov 15

#not in my name.jpgpublicado na edição de hoje, 18 de novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Não vale a pena esconder… “cheira a medo”

O Presidente e o Primeiro-ministro franceses já o declararam, no seguimento dos acontecimentos da passada sexta-feira, em Paris: a França (e não só) está em guerra. Será difícil prever quando terminará ou de que maneira terminará esta guerra. Também não é difícil afirmarmos que ela já se desenrola desde as consequências acções no após “11 de Setembro”. E só a afirmação, a declaração de guerra em si mesma assusta, inquieta, insegura qualquer comunidade ou cidadão. Não tenhamos dúvidas… há medo no ar. Ou, para os mais afastados dos acontecimentos de Paris, há, pelo menos, alguma apreensão, algum desconforto, alguma inquietação. Não há, genericamente, é indiferença, seja pela solidariedade, seja pela crítica.

Por maior que seja o regresso à normalidade na capital francesa os próximos tempos serão de um desassossego latente, seja em França e na Europa, seja, por exemplo, nos Estados Unidos. A instabilidade política, social e militar na Síria e no Médio Oriente, em toda a região Árabe, agravada pelo reforço das intervenções militares na região síria controlada pelo autoproclamado Estado Islâmico (a mais recente pela França, na resposta imediata, e pela Inglaterra), deixa o resto do mundo, nomeadamente a Europa e os Estados Unidos, num permanente nervoso miudinho. A globalização do mundo, em todas as suas vertentes (social, económica, política, cultural, religiosa) já não se compadece com sentimentos de “orgulhosamente sós”. Isso já não existe. A Europa, os Estados Unidos e a NATO, têm responsabilidades acrescidas neste combate ao terrorismo extremista e radical, com pseudo-fundamentos religiosos mas que é mais de índole política, por todas as alterações geopolíticas ocorridas no pós Iraque, Afeganistão, Primavera Árabe e pelo abandono de grande parte de África. Têm responsabilidades, têm que assumir posições claras, tomar medidas conjuntas e eficazes, estratégias comuns, mesmo que envolvam países que, à partida, estão afastados do processo, como a Rússia ou a China. Este processo tem, necessariamente, de ser, à escala política e militar, também ele global e estrategicamente conciliado. Até porque o “tempo” destes islamitas radicais não é o mesmo “tempo”, não tem a mesma dimensão”, que o “tempo ocidental”. Se há algo que o estado islâmico tem é tempo e paciência.

Mas a responsabilidade não é só política e institucional (Estados, Organizações). Cabe a todos. Cabe aos cidadãos pela capacidade na demonstração de serenidade e coragem, pelo não embarque (infelizmente já sentido) em concepções xenófobas e comparações desmedidas. Por exemplo, no que toca aos refugiados. É que estes milhares que batem às portas da Europa, num total desespero e com a esperança de vida, são as primeiras vítimas do Estado Islâmico, é desta barbárie que fogem, mesmo com o risco de encontrarem a morte no Mediterrâneo. E importa separar as águas. Os radicais islamitas não precisam de se infiltrarem nos refugiados. Recrutam nos cidadãos europeus, recrutam na sua região, sempre espalharam e alimentaram as suas células sem precisarem do fluxo dos refugiados. E mais ainda… é importante desmistificar. A União Europeia tem, às suas portas, menos de um milhão de refugiados (28 Estados-membros, perto de 4,4 milhões de km2 de extensão e uma população de cerca de 508 milhões de habitantes). Só o Líbano (10,5 mil km2 de extensão e uma população de cerca de 4 milhões de habitantes) já recebeu cerca de milhão e meio de refugiados sírios.

Por último, a responsabilidade também cabe aos muçulmanos e aos islamistas. A resposta de demarcação dos atentados de Paris dada por muitos simples cidadãos muçulmanos é um passo, é uma resposta clara de crítica, de desejo de integração e, obviamente, de “sobrevivência social”. Mas falta mais. Falta aos próprios Imãs, aos responsáveis pelas comunidades (religiosas ou não), não só dizerem ‘Basta!’, mas criticarem e acusarem este extremismo que desvirtua o Islão, bem como, publicamente e dentro das comunidades, desconstruírem este radicalismo e desvio religioso. Para que o medo não vença.

publicado por mparaujo às 10:08

17
Nov 15

Rezar por Paris.jpgEnquanto preparava o texto para a edição de amanhã, 18 de novembro, do Diário de Aveiro: «Não vale a pena esconder… “cheira a medo”», saíam algumas linhas, como estas...

(...) Por maior que seja o regresso à normalidade na capital francesa os próximos tempos serão de um desassossego latente, seja em França e na Europa, seja, por exemplo, nos Estados Unidos.
(...) A Europa, os Estados Unidos e a NATO, têm responsabilidades acrescidas neste combate ao terrorismo extremista e radical, com pseudo-fundamentos religiosos mas que é mais de índole política, por todas as alterações geopolíticas ocorridas no pós Iraque, Afeganistão, Primavera Árabe e pelo abandono de grande parte de África.
(...) Mas a responsabilidade não é só política e institucional (Estados, Organizações). Cabe a todos. Cabe aos cidadãos pela capacidade na demonstração de serenidade e coragem, pelo não embarque (infelizmente já sentido) em concepções xenófobas e comparações desmedidas. Por exemplo, no que toca aos refugiados. É que estes milhares que batem às portas da Europa, num total desespero e com a esperança de vida, são as primeiras vítimas do Estado Islâmico, é desta barbárie que fogem, mesmo com o risco de encontrarem a morte no Mediterrâneo. E importa separar as águas.
(...) Por último, a responsabilidade também cabe aos muçulmanos e aos islamitas. A resposta de demarcação dos atentados de Paris dada por muitos simples cidadãos muçulmanos é um passo, é uma resposta clara de crítica, de desejo de integração e, obviamente, de “sobrevivência social”. Mas falta mais. Falta aos próprios Imãs, aos responsáveis pelas comunidades (religiosas ou não), não só dizerem ‘Basta!’, mas criticarem e acusarem este extremismo que desvirtua o Islão, bem como, publicamente e dentro das comunidades, desconstruírem este radicalismo e desvio religioso.

Ao mesmo tempo deparava-me com estas quatro referências informativas de inquestionável interesse e pertinência.

Primeiro, uma excelente reportagem da Fernanda Câncio, enviada especial do Diário de Notícias a Paris. Uma abordagem directa a alguns muçulmanos e às suas visões sobre os acontecimentos (muito bom mesmo o final da peça): "Estamos todos na merda, os muçulmanos".

Coincidência ou não, o "The Huffington Post" publicava um artigo sobre as mães dos jahidistas ("Mothers of ISIS") ao mesmo tempo que hoje, no Jornal da Uma, na RTP, deparava-me com um extracto de uma entrevista de António Esteves Martins (com Pedro Escoto) com a mãe de um jahidista português ("Jihadista português falou à mãe para saber notícias após os atentados").

Por último, o jornal Sol publica, com direito a tradução, uma carta aberta (publicada pelo autor nas redes sociais) do cidadão francês Antoine Leiris que perdeu a mulher (mãe de um bebé com 17 meses) nos ataques de sexta-feira passada ("Viúvo escreve carta emocionada aos terroristas que lhe mataram a mulher").

Leituras, entre outras, dos acontecimentos e dos seus reflexos.

(créditos da foto: EPA/Ian Langsdon)

publicado por mparaujo às 16:24

15
Nov 15

12234963_10207880615794185_5618338359793464142_n.jpublicado na edição de hoje, 15 de novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
A propósito dos Refugiados

Na sexta-feira, a França, o mundo, Portugal, deitaram-se de luto, chocados, aterrorizados.

Sete atentados em Paris, cerca de 150 mortos, mais de 200 feridos e um objectivo claramente alcançado: sob a capa de uma adulterada consciência religiosa, os fins políticos do Estado Islâmico continuam a deixar um rasto de sangue, pânico, terror e sentimentos crescentes de xenofobia. Numa operação meticulosamente preparada, quer na forma, quer no tempo, quer nos alvos, o fundamentalismo islâmico alargou a sua tipologia de acção: para além de potenciais alvos militares ou de segurança, de alvos políticos, de alvos financeiro-económicos, dez meses depois do atentado contra a liberdade de expressão e de informação perpetrado contra o Charlie Hebdo, os fundamentais direitos, liberdades e garantias dos cidadãos são atingidos nas suas rotinas quotidianas, na vivência mais normal do seu dia-a-dia, como o desporto, a cultura, a socialização, uma simples ida a um restaurante. E tudo isto causa uma óbvia escala de terror e pânico nas pessoas e nas comunidades, para além dos reflexos na globalização da informação. Além disso, face à realidade trágica dos movimentos migratórios que a Europa assiste é lamentável, embora perceptível, o crescimento inqualificável do sentimento xenófobo que estas situações provocam, até pela clara ligação do Ocidente (nomeadamente a França) ao conflito na Síria e ao combate ao terrorismo islâmico (sim… um terrorista é um terrorista, seja europeu, americana, muçulmano ou ‘marciano’). Infelizmente, há quem aproveite estas acções para gerar o pânico em relação ao fluxo dos Refugiados para a Europa, mesmo sabendo-se que esta acção tem uma notória preparação no tempo.
E a propósito dos Refugiados…

A discussão já não é nova mas voltou a ter palco e luzes de ribalta, ecoando nas conversas de rua, café, trabalho e redes sociais. Para alguns (demasiados, por sinal) é inadmissível que Portugal (e porque não a sociedade) ajude Refugiados quando há tanta pobreza e tantos sem-abrigo no nosso país. Não é aceitável o tipo de comparação (entre carência e a morte/sobrevivência) e esta desculpa para a indiferença alicerçada na incapacidade da sociedade portuguesa e do nosso país em combater esse triste flagelo. Soa a claro xenofobismo. E embora este pensamento seja condenável em qualquer circunstância ou círculo, é ainda mais criticável quando muitas das contestações à ajuda aos Refugiados surgem na boca de tanto (pseudo) católico, daqueles de ver bater no peito dominicalmente; os que preferem as caridadezinhas à solidariedade. Tudo tomou proporções que necessariamente não devemos menosprezar, nem deixar indiferentes, com a anunciada chegada de Refugiados a Portugal. Não propriamente por Portugal ser país de acolhimento (embora muitos, infelizmente, até isso repudiem) mas pelo facto de estar assegurado aos Refugiados acesso assistência médica, escola e aprendizagem da língua portuguesa, entre outros. Primeiro há uma nota que importa destacar, por força de muita ignorância solidária: Portugal está a dar expressão prática a tratados e convenções (como por exemplo a de Genebra) internacionais aos quais está obrigado, por força da sua aceitação e subscrição, e que impõem o cumprimento de determinadas regras e acções para o acolhimento de Refugiados. Segundo, esta abjecta falta de solidariedade para com aqueles que, num mundo cada vez mais global e com menos fronteiras e limitações geográficas, sociais, culturais e políticas, é tão grave quanto tão facilmente esquecemos o que foi e é, ainda hoje, a nossa história de emigração. Infelizmente, só nos lembramos os que deixaram e deixam o país quando dá jeito para criticar governos. Terceiro, a ajuda, o apoio e o acolhimento de Refugiados não se sobrepõe à necessidade de acções sociais e políticas governativas que diminua a pobreza em Portugal. Aliás, muitas das instituições e entidades que, por exemplo, fazem parte da Plataforma de Apoio aos Refugiados - PAR, não deixaram de exercer a sua acção e responsabilidade sociais para com os portugueses carenciados. Por último, sem entrar em juízos de valor, a verdade é que muitas (muitas mesmo) das vozes que tanto se insurgem contra a ajuda aos Refugiados, argumentando e sustentando a sua crítica na falta de apoio aos portugueses (aos chamados "de cá"), são os mesmos que nunca saíram do sofá para ajudar ninguém, desviam a cara sempre que alguém precisa de ajuda sentado no meio de um passeio ou na rua ou nunca contribuíram em qualquer campanha ou acção de solidariedade. A actual dimensão da tragédia da maior crise de refugiados do pós-Guerra exige uma urgente e importante mudança de mentalidade e um olhar muito mais humano e solidário para o outro, mesmo que distante.

(créditos da foto/desenho: Daniel Catalão - RTP)

publicado por mparaujo às 10:49

13
Jan 15

Muitos dos que criticaram a 'onda' do "Je suis Charlie" aproveitaram a marcha de ontem, em Paris, pela Liberdade para enviar mais umas "farpas" ao sistema, em laivos de superioridade intelectual e, até, profissional.

À falta de argumentos para minimizar o impacto que cerca de dois milhões de pessoas transmitiram ao percorrerem o centro de Paris, usa-se, e mal, o supérfluo (o insignificante) para desviar a atenção do essencial.
Tudo a propósito do que alguns apelidaram de Hipocrisia e Embuste, indo ao ponto de criticar a própria comunicação social que adjectivaram de cúmplice.

A imagem é esta, a da presença em Paris de várias representações internacionais.

marcha pela liberdade - governantes 01.jpg marcha pela liberdade - governantes 02.png

 e como resultado final esta foto (como exemplo das ditas críticas) apesar das evidências.

marcha pela liberdade - DN.jpgAté podiam ter ficado por aqui... alguns nomes presentes deixam uma significativa inquietação quando se olha para as suas acções governativas e se fala de Liberdade. Mas não... a ânsia da crítica e da vontade de diminuir e amesquinhar é tanta que se fica pela análise (deturpada) da realidade que as fotos nos apresentam.
O "embuste" gritado aos quatro ventos pretende criticar a postura dos governantes na manifestação, bem como a "ilusão jornalística" implicada a muitos jornais e televisões. É bom que se desmistifique, também, esta corrente.
Primeiro, desde sempre que se soube, e foi totalmente coordenado com a organização da marcha pela liberdade, que os governantes e representantes internacionais apenas percorriam uma curta distância e a cerca de 200 metros distanciados da manifestação.
Segundo, as razões são mais que óbvias e claramente compreensíveis: questões óbvias de segurança. A concentração de vários governantes junto a milhares de manifestantes dificultaria (ou até tornaria quase impossível) qualquer medida de segurança preventiva. Imagine-se o que não seria para uma organização terrorista esta mistura? Um verdadeiro "maná" celeste... E note-se que a questão da segurança não se limitou apenas aos governantes mas, naturalmente, aos próprios cidadãos que compunham a manifestação.

E é pena que quem perdeu imensos caracteres com um pormenor escusado não tenha elogiado a adesão massiva à iniciativa (para além de outros momentos idênticos e solidários espalhados por vários pontos do globo) ou, por exemplo, este intenso momento em que o presidente francês, François Hollande, abraça um dos sobreviventes (Patrick Pelloux) do massacre ao jornal Charlie Hedbo.

marcha pela liberdade - hollande e cartoonista 02. marcha pela liberdade - hollande e cartoonista 02.

publicado por mparaujo às 16:22

16
Ago 08
Bonjour Paris...
E passei por aqui...

Por aqui... (aqui com a filhota a caminho da "Mona Lisa")Obviamente, também por aqui...

Mas também aqui (a delicia dos pequenos e as "figurinhas" dos grandes")

REGRESSEI ONTEM... (15.08.2008). O QUE É BOM ACABA DEPRESSA!

publicado por mparaujo às 20:43

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