Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

17
Jun 17

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O Eurodeputado (MEP) socialista Manuel dos Santos referiu-se à deputada socialista na Assembleia da República, Luísa Salgueiro, como "a cigana", entre outros "mimos". Tudo a propósito da anunciada candidatura de Lisboa a sede da Agência Europeia do Medicamento e toda a polémica que tem envolvido esta opção do Governo de António Costa, acusado de centralista.

Duas notas prévias que têm apenas relação com a opção governativa. Primeiro, a total amnésia parlamentar, muito por força do clima eleitoralista que se aproxima (autárquicas 2017), já que a Assembleia da República tinha aprovado por unanimidade a opção do Governo em candidatar a capital portuguesa a eventual sede da agência europeia. Segundo, é, no mínimo, curiosa esta posição dos críticos que bradam a todos os ventos contra o centralismo de Lisboa mas que apenas o conseguem trocar pelo centralismo nortenho do Porto, esquecendo, da mesma forma, que o país vai muito para além da foz do Tejo e da foz do Douro.

Quanto à afirmação do MEP socialista...

Toda a acusação racista e xenófoba é, em qualquer circunstância e proferida por qualquer pessoa, condenável e criticável. O contexto toma outras proporções quando proferida por quem assume funções políticas públicas, face à responsabilidade acrescida pelo seu papel e missão, sendo obviamente afirmações deploráveis, inaceitáveis e condenáveis (a todos os níveis.... públicos e judiciais).

E não pode estar em causa se as acusações são proferidas por um político socialista ou de um qualquer outro partido, bem como não pode estar em causa que as mesmas sejam dirigidas a outro político, seja do mesmo partido ou não. Afirmações racistas e xenófobas são-no em qualquer circunstância e condenáveis e inaceitáveis em qualquer contexto.

Daí que a questão em causa mereça uma posição firme do PS e do Primeiro-ministro, até porque as mesmas são totalmente desprovidas de qualquer objectividade ou fundamentação. Nem poderiam ter nunca...

É por isso igualmente incompreensível posições públicas assumidas, interna e externamente ao Partido Socialista. Haver quem queira justificar as acusações com o argumento da ironia é, no mínimo, desonestidade intelectual e surrealismo. Haver quem queira desculpar o eurodeputado só porque no PS há quem também não tenha o cuidado com a verbalização (o que até é verdade e com exemplos bem recentes) não é minimamente aceitável.

Mas pior ainda é que há, no seio do PS, quem fique indignado só porque há socialistas frontais, directos, como, por exemplo, Porfírio Silva, que vieram a público, sem quaisquer rodeios, confrontar o eurodeputado e acusá-lo publicamente (já que as suas afirmações também foram públicas), não só em defesa da camarada deputada mas igualmente porque as acusações são, a todo e qualquer nível, inaceitáveis. O argumento de que há locais próprios, dentro do aparelho do Partido, para se tratar da questão é apenas cobardia política e incoerência dado que não seria de estranhar que a posição fosse manifestamente diferente se a realidade tivesse como palco outro partido político.

Seja de um político de qualquer partido, seja de um político do PS, seja de um deputado ou de um eurodeputado, seja de um político no exercício de funções públicas (mesmo que correspondendo a posição meramente pessoal), seja de um mero cidadão, há limites e fronteiras que não são admissíveis ultrapassar.

E estas são clara e objectivamente inultrapassáveis...

Declaração Universal dos Direitos Humanos
Artigo 2 ° - Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente, de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento, ou de qualquer outra situação.
Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território independente, sob tutela ou sujeito a alguma limitação de soberania.

Constituição da República Portuguesa
ARTIGO 13.º (Princípio da igualdade)
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

publicado por mparaujo às 12:05

20
Nov 14

ferro rodrigues na AR.jpgAfinal, na política, entre partidos do Governo e partidos da Oposição é possível a existência de entendimentos. E até, surpreendentemente, são mais fáceis do que nos querem fazer crer, apesar das dificuldades sentidas nas recentes negociações para a reforma do IRS.

Depende, obviamente, é dos "interesses" subjacentes aos entendimentos: "PS confirma que vai aprovar reposição das subvenções vitalícias", ao lado do PSD e CDS.

Afinal, Francisco Assis tinha razão quando afirmou, ontem ao Observador, que, em caso do PS ganhar as eleições em 2015 e não obter a maioria absoluta, o parceiro ideal de coligação é o PSD. Nem CDS, nem à esquerda (as novas plataformas e movimentos) ou à esquerda-esquerda (BE e PCP).

Há ainda uma outra nota: quanto custará ao PS esta tomada de posição (internamente e em termos de impacto eleitoral)?
Afinal, para além de Passos Coelho, parece que António Costa também se está a lixar para as eleições. Parece...

publicado por mparaujo às 15:54

23
Jun 14

Publicado na edição de ontem, 22 de junho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Politicamente anestesiados
Há quem ache que no país, neste momento, não se passa nada. Excepção feita para o mundial de futebol no Brasil e a prestação da selecção nacional (e mais algumas surpresas), bem como para o mais que badalado braço de ferro socialista.
Alguns comentários muito circunstanciais à decisão do Tribunal Constitucional e respectivo chumbos de algumas normas do Orçamento do Estado para este ano; é indiferente aos portugueses a degradação das relações entre Governo e Tribunal Constitucional; ausência de avaliação do impacto que pode ter nos portugueses a decisão do Governo em prescindir da última tranche financeira da Troika; passaram despercebidos os dados do INE do primeiro trimestre deste ano que apontam para a estagnação da economia, a continuação da emigração e o grave problema da demografia, a revisão em baixa da criação de emprego; a criminalidade; a indiferença perante a aprovação, em Conselho de Ministros, do aumento de impostos (IVA e TSU, por exemplo) e dos cortes salariais e nas reformas para 2015; passa despercebido a negociação entre Governo e Sindicatos da Administração Pública; é letárgica a posição do Presidente da República face aos acontecimentos políticos que têm envolvido o país; entre outros.
Assim sendo, face ao alheamento dos portugueses em relação à realidade, o país vive alienado e anestesiado com o Mundial de Futebol e a política interna no PS, saltitando entre a cabeçada do Pepe e a lesão do Cristiano Ronaldo, e a troca de “galhardetes” entre António José Seguro e António Costa. E nem os santos populares provocam qualquer desvio da agenda mediática.
No caso concreto de toda esta conflitualidade política do Partido Socialista, que tem ultrapassado o que seria a normal vivência exclusivamente interna do partido, tem tido o condão de produzir dois resultados simultâneos mas distintos, para além de se poder tornar num verdadeiro case study da ciência política moderna. Primeiro porque todo o combate interno surge após duas vitórias eleitorais muito próximas no tempo: autárquicas em Setembro de 2013 e europeias em maio de 2014. Segundo, pelo timing da disputa do poder socialista, que é óbvio para António Costa face à eventualidade de se fechar, nos próximos quatro a cinco anos, um ciclo político com eventual vitória legislativa de António José Seguro e uma mais que provável candidatura de António Guterres a Belém, mas que é vista como uma desmedida sede de poder face a uma provável vitória do PS nas legislativas de 2015. Terceiro, a facilidade com que se faz desmoronar toda uma alternativa e uma consolidação partidária. Os portugueses deixaram de confiar e acreditar neste PS, deixando no horizonte a possibilidade da coligação vir a ganhar novo fôlego para as eleições de 2015 e, eventualmente, renovar o mandato. Os próprios socialistas deixaram de acreditar no seu partido: fracturaram-no, descredibilizaram-no, trouxeram para a “praça pública” (o pior dos palcos políticos) o que deveria ter sido tratado entre “portas”, desnortearam-se entre acusações e estatutos, entre primárias e congressos. E o estado descontrolado e desorientado em que os socialistas vivem é tão evidente que há posições públicas de verdadeiro desespero de causas. Mário Soares garante a “pés juntos” que com António Costa nunca haverá entendimento com a direita, quando a percepção política pública surge no sentido contrário; recentemente surgiu mais um conflito público entre a direcção do partido e um conjunto de deputados socialistas da Assembleia da República que se posicionaram a favor de António Costa; também Aveiro não é excepção, sendo conhecidos as posições antagónicas entre Águeda e Estarreja (apoiantes de Seguro) e Aveiro e a Distrital (apoiantes de Costa); e, por fim, o desnorte é tal que a realidade ultrapassa o conflito entre António José Seguro e António Costa, com a deputada Isabel Moreira a afirmar que ninguém verdadeiramente de esquerda poderá apoiar uma candidatura de Guterres a Belém.
Uma coisa é certa… a cabeçada de Pepe estragou o jogo a Portugal. Toda esta guerra socialista estraga o partido e o país que vai adormecendo ao som desta novela, esquecendo-se da verdadeira realidade que os portugueses vivem.

publicado por mparaujo às 09:26

27
Mai 14

Não é inédito este confronto entre António José Seguro e António Costa. Aliás, é resultado da eleições de 2011 e os constantes ataques internos à liderança de Seguro por parte da facção de Costa e de José Sócrates, sempre nos momentos altos da política nacional, independentemente se em eleições e indiferente aos resultados obtidos. E tem sabido fazer as delícias informativas (entenda-se o trabalho "spin") da imprensa nacional, desde o Expresso ao Público, passando pelo recém criado Observador, bem como pelos canais da televisão. Embora, ao contrário do que indica o título do jornal Público, António Costa não avança para a liderança, até porque isso é complexo do ponto de vista estatutário, mas sim mostra-se disponível para avançar, o que é bem diferente.

Quando se esperava que os resultados eleitorais do passado domingo trouxessem alguma instabilidade na coligação governativa, eis que a surpresa surge, mais um vez, do lado do Largo do Rato (PS). Sem qualquer sentido, sem deixar sequer arrefecer as emoções eleitorais.

É certo que apenas António José Seguro e a sua faixa de apoiantes viram, nos resultados eleitorais de domingo, motivos para grandes festejos e sustentação política para discursos de mudança. A derrota do PSD/CDS não foi histórica, nem a vitória socialista expressiva, distante e esmagadora.

É verdade que António José Seguro não tem tido a capacidade e a liderança necessárias para capitalizar em votos uma alternativa capaz ao actual estado das coisas e ao actual Governo. Mesmo com a expressividade dos resultados das eleições autárquicas, há também aí uma responsabilidade repartida pela má gestão interna do PSD no processo das escolhas dos candidatos originando um excessivo número de candidaturas independentes, muitas com vitórias conseguidas.

Mas é um facto que Seguro é o actual líder socialista, que em condições normais só será substituído em 2016, muito após os últimos actos eleitorais próximos (2015 - legislativas e presidenciais). E não serão sondagens realizadas em cima de actos eleitorais que têm qualquer expressividade e impacto em 2015.

Por outro lado, é ainda uma realidade que a oposição interna a Seguro parece querer esquecer e esconder. Grande parte da lista às eleições europeias do passado dia 25 era formada por candidatos "rotulados" como oposição à liderança de António José Seguro (a chamada facção Costa e socrática). Isto significa que as vozes que se ergueram, mais uma vez, contra Seguro (Manuel Alegre, Mário Soares, Isabel Moreira, João Galamba, etc.) e que voltaram a acenar com o fantasma da conquista da liderança pelo novo "D. Sebastião" socialista, António Costa, não assumem a responsabilidade própria no falhanço dos resultados eleitorais (apesar da vitória relativa).

E para o Governo, para o PSD e CDS, e até mesmo para partidos à esquerda do PS, como o BE e o PCP, nada melhor para respirarem de alívio e ganharem novos fôlegos que mais esta tentativa de liquidação da liderança socialista.

No fundo, temos mais um déjà vú, mais um folhetim da vida interna do PS, no ressuscitar de novas guerrilhas pela cadeira da liderança do partido, mas sem qualquer tipo de consequências práticas, como têm demonstrado os congressos e os conselhos nacionais.

Aliás, é interessante recordar estes dados divulgados pelo expresso, em fevereiro de 2013, em plena preparação das eleições autárquicas que o PS, com António José Seguro na liderança, ganhou, em setembro de 2013, de forma expressiva e clara.

António Costa é o melhor para liderar o PS

Com amigos assim, os restantes partidos (do governo ou não) nem precisam de se preocupar com o trabalho de oposição.

A gasolina está derramada, basta chegar o fósforo.

publicado por mparaujo às 15:30

30
Jan 13

O Largo do Rato, ontem à noite, conheceu forte agitação na reunião da Comissão Política Nacional do Partido Socialista.

Tal como referi no post anterior (“Tempestade Socialista”) são agitadas as águas socialistas com evidente oposição à liderança de António José Seguro. Apesar do resultado da reunião tida ontem à noite, a aclamada unidade partidária e independentemente da posição assumida por António Costa (que não deixou de defraudar algumas das expectativas e desiludir alguns socialistas, e que seria um dos eventuais desfechos que antecipei no texto anterior), o que é um facto é que a dita unidade (que, obviamente, não tem que significar seguidismo cego) parece ser uma “paz podre”. E a realidade está patente na necessidade que António José Seguro teve de criar uma “aliança” com António Costa, desdobrando-se numa agenda, intemporal, de reuniões bilaterais para acertar caminhos conjuntos.

Justifique-se da forma que se quiser, mas a necessidade de “coligações”, de “acerto de posições e estratégias”, etc., entre António José Seguro e António Costa significa tão simplesmente uma clara evidência: há, pelo menos, duas facções notórias no interior do PS.

A seu tempo veremos se este “braço-dado” se manterá ou não.
publicado por mparaujo às 21:21

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