Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

28
Dez 16

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publicado na edição de hoje, 28 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Sem deixar saudades…

Há que respeitar as tradições… e a tradição impõe que em cada final de ano, em cada fim de ciclo, se faça um balanço. Até porque a vida é (ou deve ser) feita de balanços porque eles ajudam viver o presente e a projectar o futuro. Este é, clara e objectivamente, pessoal, embora transmissível. O ano de 2016 não deixa saudades, apesar de um ou outro aspecto positivo.

Olhemos primeiro para além fronteiras. É indubitável que a crise humanitária dos refugiados (segundo a ACNUR são cerca de 65 milhões em todo o mundo), a guerra e os atentados são a principal “marca” deste ano, com evidente repercussão na Europa. A incapacidade da União Europeia lidar com este flagelo, do qual tem claras responsabilidades, fragilizou a sua existência e abalou os seus pilares fundamentais. Cresceu a divisão e o eurocepticismo que tiveram como ponto alto o Brexit que deixará marcas na unidade europeia; cresceram os fundamentalismos, nacionalismos e extremismos, com notórios reflexos sociais e políticos nos Países Baixos, na Alemanha, em França, na República Checa, na Hungria e na Roménia, por exemplo; cresceu a incerteza quanto ao futuro da União Europeia. Por outro lado, a guerra na Síria, nomeadamente em Aleppo, não é mais que o espelho de um Mundo que há décadas se tornou instável, conflituoso e inseguro. Basta recordar, o Iraque, o Afeganistão, a Turquia (Mossul, por exemplo), o Paquistão, a Síria, a Nigéria, a Somália, a África Central, Burkina Faso, entre outros. A Europa vive em permanente sobressalto, por mais que o dia-a-dia dos cidadãos não se altere e se mantenham as rotinas, tendo a Alemanha (Berlim) “fechado” um ano marcado por atentados extremistas em França, na Bélgica ou na Suíça. É inevitável falarmos de 2016 deixando de fora a política. As surreais, inéditas e depreciativas eleições americanas colocaram na Casa Branca o questionável e criticável Donald Trump que não trará, para muitos, grandes esperanças num mundo melhor. Também a Espanha conheceu uma crise política sem precedentes com a dificuldade criada pelo PSOE na formação de um governo minoritário do PP de Mariano Rajoy, sem esquecermos a grave crise política brasileira ainda sem impactos previsíveis. Duas notas finais neste além fronteiras para o número de jornalistas mortos em 2016 (74) em serviço e ao serviço da informação e da liberdade de expressão; liberdade de expressão que recorda ainda o caso dos activistas angolanos dos quais Luaty Beirão é um dos principais rostos na defesa da liberdade.

Entre portas, por cá, a agenda política marcou este ano que agora termina. Por força do “diabo”, de um previsível e mais que anunciado fim curto o Governo PS, com o apoio do BE e do PCP, manteve a geringonça lubrificada e em funcionamento, não sendo expectável que a mesma termina antes do prazo da legislatura, sendo inclusive conjecturável um forte impacto governativo nos resultados das próximas eleições autárquicas de 2017; isto apesar de uma outra face da austeridade que cobrou aos portugueses mais 516 milhões de euros em impostos que em 2015, do estado do sistema da saúde e de uma ilusória educação e ensino degradados, conflituosos (escola pública vs privada) e em auto-negação face aos resultados estatísticos conhecidos (PISA e Ranking Escolar), sem esquecermos a gestão política falhada no processo da CGD e da instabilidade bancária nacional, com o caso BES à cabeça. Por outro lado, a oposição, nomeadamente o PSD, demorou demasiado tempo a sair do “luto governativo”, a digerir uma vitória eleitoral transformada "parlamentarmente" em derrota mas, acima de tudo, demorou (e ainda demora) a posicionar-se como alternativa e a defender um caminho duro percorrido com alguns sucessos em vez de se manter como a voz da tragédia e o permanente anúncio do apocalipse governativo. Como peso da balança, o ano político de 2016 tem a marca inquestionável da mudança de inquilino no Palácio de Belém com a eleição do carismático e surpreendente Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República. Ficam duas notas significativamente positivas: os sucessos europeus e mundiais desportivos alcançados em 2016, dos quais o título inédito de Campeão Europeu de Futebol, em França, é o apogeu e, independentemente dos gostos e simpatias, das afinidades ou repulsas, a surpreendente eleição de António Guterres para o cargo de Secretário-Geral da ONU é uma referência importante na história política e geopolítica de Portugal.

Por último o ano de 2016 deixa um rasto de tristeza e profundo pesar: por cá o país perdia nomes como Almeida Santos, Barbosa de Melo, Lobo Antunes, Jaime Fernandes, Moniz Pereira e Nicolau Breyner. Mas a lista não termina sem a referência, como exemplo, a Umberto Eco, Shimon Peres, Prince ou Leonard Cohen.

Que o ano de 2017 seja bem melhor que este que agora nos prestamos a fechar.

publicado por mparaujo às 10:28

12
Jul 16

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publicado na edição de hoje, 12 de julho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Nação Valente…

É inevitável. Não está em causa se gostamos ou não de futebol, há até quem ligue à modalidade só de dois em dois anos (para não dizer de quatro em quatro) e tenha outras referências desportivas como o basquetebol, o hóquei em patins, o atletismo, … . Mas é inevitável a referência a esse feito histórico e inédito da Selecção Portuguesa de Futebol com a conquista do título de Campeã da Europa, pela primeira vez na história do futebol nacional. A referência é tão realista, tão natural e tão óbvia, que não é sequer exclusiva dos portugueses e, muito menos, dos adeptos do futebol. As mensagens são imensas, díspares, diversas e vêm das mais improváveis personalidades: um astronauta americano Terry Virts em pleno espaço, o embaixador dos Estados Unidos em Portugal, o Mariano Rajoy, o Presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz, do piloto de fórmula 1, entre muitos outros, com especial destaque para os timorenses que foram incansáveis. Só pelo simples facto de não se gostar de futebol não faz qualquer sentido menosprezar um feito que vai muito para além do futebol. Primeiro porque o desporto é uma vertente social e cultural (para não falar da económica) relevante e importante numa sociedade e num país. Infelizmente continuamos a ser um povo com muito pouco crer nas nossas capacidades, no nosso valor e nos nossos valores, nas nossas potencialidades, nos nossos compatriotas. Somos os primeiros a ridicularizar, criticar e desvalorizar o que é nosso, o nosso país (continuamos com a triste percepção o que é estrangeiro é que é bom), os nossos “heróis” e os nossos feitos. Não há ninguém mais anti-portugal que muitos dos portugueses. Apesar de toda a pressão psicológica dirigida à Selecção Nacional feita por diversas vozes externas (francesas e não só), a verdade é que muitas (se não as maiores) críticas, não construtivas, surgiram internamente, dentro do meio futebolístico ou da sociedade, feita pelos próprios portugueses.

Segundo… este enorme, soberbo, gigantesco e inédito feito histórico no futebol nacional, depois de tantas vezes perseguido em tantos momentos (p.ex. 2004) e por tantas gerações, é e representa muito mais que futebol. É um exemplo claro do que significa esforço, empenho, sacrifício, sentido de grupo e de liderança, trabalho, perseverança, acreditar, ter esperança, muito do que é a génese e a identidade do povo português. Por isso não é de estranhar que o país se tenha mobilizado de uma forma tão envolvente, se tenha deixado cativar pelo percurso da selecção nacional, se tenha deixado contagiar pela confiança demonstrada pela equipa. Nem vale a pena tecer o que quer que seja do ponto de vista técnico. Face à histórica conquista, a forma como foi conseguida tem ainda o condão de valorizar e enaltecer o feito. A verdade é que Portugal, os tais 11 milhões, estive em cada momento vivido pela equipa, em cada milímetro dos campos onde a selecção nacional jogou. Este título é de todos nós.

Mas mais ainda. Esta conquista tem um sabor especial, muito para além das contas a ajustar ou de algum sentimento de “vingança”. A presença de Portugal neste Campeonato da Europa, o seu percurso, a conquista do primeiro título, tem um enorme sabor a orgulho, a história, a cultura, a identidade nacional: o envolvimento da maior comunidade de emigrantes portugueses com a equipa, com o simbolismo nacional da selecção, com a sua relação com o país que os viu nascer e que os viu sair pelas mais díspares razões. Quem tem familiares espalhados pelos quatro cantos do mundo (apesar deste ser redondo ou oval) reconhece a realidade que os inúmeros emigrantes foram espelhando e da qual a comunicação social, exemplarmente, foi fazendo eco. Apesar da distância, do tempo que teima em quebrar os laços, sempre que ouvimos citar nacionalidades como Brasil, Estados Unidos, Suécia, Luxemburgo, França, Suíça, Alemanha, etc., sente-se um calafrio, um arrepiar de espinha, um tremer de pernas. Há uma parte de nós nestas paragens. Para os emigrantes portugueses em terras gaulesas este título tem muito da sua alma, do seu sacrifício, das suas vivências. Exemplar foi, igualmente, a forma como a Selecção Nacional, toda a equipa, todo o staff, toda a sua estrutura, soube respeitar e lidar com esta realidade cultural e social. Contra tudo e contra muitos (a lesão a Cristiano Ronaldo não é inocente, a “falha técnica” no não colorir de verde e vermelho a Torre Eiffel após a final é vergonhosa, toda a campanha negativa que foi feita em torno da qualidade da selecção e dos seus atletas) a 10 de Julho de 2016 escreveu-se história em Portugal: um mês depois, precisamente 30 dias depois, Portugal voltou a celebrar e a festejar o Dia de Portugal e das Comunidades.

publicado por mparaujo às 09:35

04
Jul 16

Duas notas muito breves sobre este último fim-de-semana do Euro2016 e que fechou os apuramentos para as meias-finais da competição, onde vão estar Portugal, País de Gales, Alemanha e França.

1. O recente programa desportivo da TVI24, iniciado no princípio de junho deste ano, "Futebol Mais" (aos domingos) tem, a par com o "Mais Futebol" igualmente no mesmo canal (às sextas-feiras), a capacidade de prender os telespectadores mesmo aqueles que, como eu, só muito esporadicamente ficam "presos" a programas desportivos, face ao triste panorama que se assiste noutros espaços. Honra seja feita, no caso concreto, à jornalista Andreia Sofia Matos e aos comentadores residentes Pedro Sousa, José Manuel Freitas e Rui Pedro Braz, pela sobriedade, ética, profissionalismo e rigor com que debatem futebol. Semelhante mesmo só a "rivalidade interna" com o "MaisFutebol", moderado pela jornalista Cláudia Lopes, com a presença de Nuno Madureira, Pedro Ribeiro, Pedro Barbosa e Tomaz Morais. Exemplares.

Na edição de ontem, ao jeito do que tem sido uma marca muito própria e profissional, Rui Braz fez uma alocução às diversas manifestações de apoio que a selecção portuguesa de futebol tem sentido por terras gaulesas por parte dos milhares de emigrantes lusos e seus descendentes. E fê-lo de forma brilhante, emotiva (quase que emocionalmente, pouco faltou) e extremamente realista.

Quem tem familiares espalhados pelos quatro cantos do mundo (apesar deste ser redondo ou oval) reconhece nas palavras tecidas e repetidas pelo Rui Pedro Braz muita da realidade que se sente. Apesar da distância, do tempo que teima em quebrar os laços, sempre que ouvimos citar nacionalidades como Brasil, Estados Unidos, Suécia, Luxemburgo, França, Suíça, Alemanha, etc., sente-se um calafrio, um arrepiar de espinha, um tremer de pernas. Há uma parte de nós nestas paragens.

E nada melhor que sublinhar as palavras que o Rui Pedro Braz teceu em relação aos emigrantes e ao seu apoio à Selecção Nacional, a sua relação com Portugal (não só pelo futebol que aqui serve apenas de exemplo vivo) do que este testemunho arrepiante e emotivo.

2. Os exemplos da singularidade e da surpresa.

Nunca ninguém, eventualmente nem os próprios, imaginaria, à partida, um percurso tão longo e tão marcante da estreante Islândia neste Campeonato da Europa.
Não interessa minimamente para o caso se o seu jogo é isto, é aquilo, é muito físico, é pontapé para a frente ou para o ar. Não colhe este tipo de argumentação face oa que foram ou têm sido muitos dos jogos deste Euro2016 protagonizados por muitas das potências do futebol europeu (ou assim chamadas).

A verdade é que a Islândia, país que só em 1918 conquistou, oficialmente, a sua independência face à Dinamarca, com uma população na ordem dos 320 mil habitantes, com um clima rigorosamente frio e cheio de erupções, onde o Andebol figura como desporto-rei, consegue através do futebol uma impressionante presença neste Euro2016 por vários motivos: pela surpresa ao atingirem os quartos-finais, a sua empatia com os seus adeptos, a forma como o futebol revolucionou o desporto nacional, ao ponto de já há alguns anos a selecção nacional de futebol ter alargado a sua participação aos escalões femininos, o governo islandês ter realizado um colossal investimento em campos de futebol cobertos (face ao rigoroso clima) proporcionando a sua prática ao longo de todo o ano, a demonstração de que com empenho, trabalho e rigor os sucesso surgem (lembremos que foi a Islândia que eliminou a selecção inglesa), e, principalmente, colocou no mapa europeu este país que, até à pouco tempo, era visto como o país do colapso bancário.

A soberba participação dos islandeses neste Euro2016 teve o condão de colocar toda a gente a olhar para o país e teve o condão de espelhar o que é a identidade e a imagem Islandesas.

Até nisto, depois de uns exagerados 5-2 frente à França. Por estes islandeses já valeu o Euro2016.

publicado por mparaujo às 13:58

01
Jul 16

PORTUGAL MEIAS EURO2016.jpg

Já há muito tempo que não falava de futebol, mais pelo desencanto da realidade e da forma como é vivido em Portugal do que propriamente por ter deixado ou não de gostar de futebol.

Por (de)formação técnica (treinador de basquetebol) tenho como princípio que uma modalidade desportiva sendo colectiva vale essencialmente pelo seu todo, pelo seu grupo, pelo seu colectivismo, independentemente dos valores individuais diferenciados porque, tal como na vida, ninguém é igual a alguém.

Não basta por isso somar as individualidades e as particularidades para se chegar a uma equipa. Há muitas mais circunstâncias, muitas mais realidades, muitas condicionantes que, no seu todo, constroem e alicerçam uma equipa.

Compreendendo que os adeptos tenham, por inúmeros factores, a tendência para, dentro de um colectivo, destacar um ou outro elemento (por paixão, por afinidade, por clubismo, só porque sim...) já não posso dizer o mesmo quando me deparo com algumas notícias, com profissionais da comunicação, com comentadores com responsabilidades acrescidas, que destacam de um contexto colectivo o jogador A, B ou C.

Renato Sanches foi importante? Claro que sim... marcou o golo importantíssimo do empate e foi considerado pela UEFA (vale o que vale), de novo e com mérito, o homem do jogo (o que no basquetebol chamamos MVP).

Ricardo Quaresma foi importante? Claro que sim... marcou o penalti que garantiu a vitória e a passagem às meias-finais do Euro2016.

Mas voltemos à questão do chamado "Homem do Jogo" (escolha da UEFA).

Terá sido Quaresma decisivo na qualificação de Portugal? Muitas dúvidas... apesar de gostar muito do Quaresma.

Todos os jogadores de Portugal que antecederam Quaresma marcaram os seus penaltis.

Todos os jogadores polacos que antecederam Quaresma marcaram os seus penaltis, menos um. E porquê? Falhou? Não... Rui Patrício esteve soberbo ao defender o quinto penalti polaco.

Renato Sanches fez um importante golo para as aspirações portuguesas, é verdade. Mas também Pepe e Fonte estiveram irrepreensíveis no controlo do ataque da Polónia, durante todos os 120 minutos do jogo.

Mais ainda... quem é, por inúmeras razões, figura mediática tem sempre sobre si todos os olhares e os holofotes. Com tudo isto, tem também sobre si todas as críticas, toda a maledicência, toda a inveja, todo o despeito. Mas a verdade é que o papel, o empenho, o sacrifício, de Cristiano Ronaldo neste Europeu tem sido notável e merece todo o respeito de uma equipa, de um grupo de trabalho, dos adeptos.

E poderíamos desfiar aqui uma lista com inúmeros nomes como Adrien, Cedric, João Mário, etc,. etc.

Podemos não gostar de Fernando santos, dos seus princípios e filosofia de jogo...
Podemos não gostar da forma como a selecção nacional tem jogado, tem empatado, tem subido degrau a degrau este Euro2016...

Mas há uma realidade que merece inquestionável respeito... o mérito da eficácia, do espírito de grupo, do verdadeiro sentido de equipa.

E a verdade é que estamos quase, quase, lá. Quando muitos nem sonhavam ou acreditavam.

Allez, Portugal, Allez.

(nota final)
Já há algum tempo que a Torre Eiffel não se revestia de cores nacionais por razões nobres e felizes.
Ontem foi o dia... e arrepiei-me. MERCI PARIS.

TORRE EIFFEL.jpg

 

publicado por mparaujo às 11:13

06
Jan 16

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 6 de janeiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Sem deixar saudades (II)

Os portugueses entraram no novo ano com uma significativa dose de sentimentos díspares: por um lado agarrados à esperança de melhores dias e melhores condições de vida, expectativas quanto à concretização de políticas anunciadas pelo compromisso à esquerda, à espera de um virar de página que a queda do “muro político português” faz antever; por outro lado, a inquietação quanto ao impacto das políticas do actual governo, quanto a um eventual retrocesso, quanto à esperada instabilidade política que provoque eleições antecipadas. Acresce, no entanto, a realidade pragmática dos factos: o salário mínimo nacional aumentou para 530 euros; de forma faseada iniciou-se a reposição dos cortes nos salários da administração pública e sector empresarial estatal; diminuição do valor da sobretaxa (até rendimentos anuais de 80.000 euros); há as actualizações das pensões; um novo valor de referência para o Complemento Solidário para Idosos; e há um conjunto de medidas políticas aplicadas a áreas como a saúde e a educação, por exemplo. Mas há também o outro lado da moeda: o descrédito no sistema bancário; aumenta o preço da electricidade, do pão, a renda da casa, a água (embora aqui dependa do município em causa); as telecomunicações (por exemplo, a NOS e a MEO); o IMI (também dependente de cada autarquia). Mas todas as expectativas (positivas ou negativas) e toda a realidade política que marcou o arranque deste novo ano é, naturalmente, o reflexo de um ano de 2015 recheado de momentos relevantes na vida social e política portuguesa.

Três sectores marcaram a agitação que assolou o ano de 2015: a área política, o sector financeiro, a justiça, a saúde. O mais marcante foi, de facto, a política. As eleições de 4 de outubro foram o marco mais relevante no ano de 2015. PSD e CDS venceram as eleições mas não conseguiram uma maioria parlamentar que lhes permitisse formar Governo e governar. Resultado? O PS forma maioria parlamentar à esquerda, com um compromisso tripartido que deixa os portugueses suspensos entre a confiança e a incerteza, e transforma, democraticamente, uma derrota em vitória: António Costa é Primeiro-ministro. Das eleições resulta ainda a consolidação do eleitorado comunista e o valor histórico eleitoral do Bloco de Esquerda. A terminar o ano político de 2015 há ainda o anúncio de Paulo Portas em não se recandidatar à liderança do CDS-PP no próximo congresso, bem como a intenção de prescindir do seu lugar de deputado. Trapalhada política à qual Cavaco Silva, em pleno final de mandato, não pode, nem deve, desresponsabilizar-se, principalmente pela sua apatia política e incapacidade como mediador político (papel que bem cabia ao Presidente da República) mal foram conhecidos os resultados eleitorais legislativos. As legislativas criaram, á semelhança de muitos casos na Europa, um enorme vazio político ao centro ideológico.

O sector bancário português esteve na mira de fogo em 2015. Depois dos casos BPP, BPN e BES, depois de alguma incerteza quanto ao futuro do Montepio e da própria Caixa geral de Depósitos, o Banif colapsou e exigiu intervenção do Governo de António Costa. Para além do impacto político que gerou, nomeadamente no confronto de responsabilidades com a governação de Passos Coelho, apara além do impacto que terá nas contas públicas e no esforço (mais um) dos portugueses, gerou uma onda de falta de credibilidade e de confiança no sector bancário quando este ainda nem se refez dos impactos e dos danos do BES.

Por último, um outro sector que marcou a agenda de 2015 foi o da Justiça. Os casos mais mediáticos tiveram como protagonistas José Sócrates e Ricardo Salgado. Apesar da inabalável presunção de inocência, mesmo que distintamente, os dois processos abalaram a confiança e a credibilidade de dois dos pilares fundamentais da democracia e de um Estado de Direito: a política (e a governação) e o sistema financeiro. Mas enquanto as “baterias judiciais e processuais” estavam viradas sobre estes dois casos, os portugueses foram sendo confrontados com outros “casos de justiça”. A lembrar: o caso dos vistos Gold e o arrolar do nome do ex-ministro da Administração Interna Miguel Macedo (“operação labirinto”) ou o tabu ou mito urbano tornado realidade que foi o caso da lista VIP da Autoridade Tributária (Fisco) que, para além dos impactos (e trapalhadas) políticos, deixou a nu a vulnerabilidade do sistema fiscal quanto à privacidade e confidencialidade dos dados fiscais e pessoais de qualquer comum cidadão.

A ver vamos o que nos reserva este Novo Ano de 2016 para Portugal e para os portugueses.

publicado por mparaujo às 06:58

06
Ago 15

bruno macaes vs legrain no twitter.jpegA discussão alargou-se nas redes sociais, nomeadamente no twitter, mas também no facebook. Com a controvérsia a ganhar adeptos, posições e comentários, rapidamente chegou à comunicação social. Refiro-me à discussão que o Secretário de Estado para os Assuntos Europeus, Bruno Maçães, trocou com um ex-assessor económico de Durão Barroso, na Comissão Europeia, o britânico Philippe Legrain, e um jornalista.

Uns acabaram a defender o secretário de Estado português, outros a criticá-lo, alguns a ridiculariza-lo. Em causa os vários comentários feitos pelos intervenientes na discussão, o tipo de argumentos, um “bloqueio” pelo meio, e o nome de Portugal com excessiva exposição.

Não vou, essencialmente por questões de tempo e pachorra, estar aqui a dizer quem é que “levou a taça” e a transcrever (foram demasiados) os vários comentários trocados entre ambos. Importa referir que o tema teve a ver com desemprego, emprego, economia e a crise, onde se incluiu a passagem da Troika por Portugal. Deixo isso para quem quiser andar a atear mais o fogo.

O que eu acho lamentável é um Secretário de Estado, ou qualquer outro membro do Governo ou afins, vir para a praça pública, para as redes sociais, alimentar polémicas sobre temáticas tão importante para o país, esquecendo-se que, para além de cidadão, tem responsabilidades políticas e governativas. Por mais que não o queira, qualquer argumento, comentário ou opinião emitidos estará sempre associado à sua condição de governante. A liberdade de expressão e opinião não deve servir de “capa” para a omissão das responsabilidades, do dever, da ética, do cuidado, do bom-senso, que deve pautar a gestão governativa e a preservação do bom nome do país. Por mais razão e argumentos que possam existir.

Isso é que é lamentável.

publicado por mparaujo às 15:04

09
Abr 15

(in PORDATA)

A carga fiscal em Portugal está em máximos históricos. Depois de 2013, quando o IRS foi aumentado de forma substancial, a percentagem do PIB absorvida pela receita fiscal (impostos + contribuições sociais) ultrapassou pela primeira vez os 36%.
(para ler e saber mais)

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publicado por mparaujo às 16:08

01
Mar 15

publicado na edição de hoje, 1 de março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
“Xiè Xiè” (Obrigado)

Esta deve ter sido a expressão chinesa (obrigado) mais usado pelo líder socialista, António Costa, nas comemorações do novo ano chinês (ano da cabra) que celebrou junto da comunidade chinesa, no norte do país. Mas um simples obrigado transformar-se-ia numa enorme dor de cabeça para António Costa, para alguns socialistas, a que se juntou o gáudio da coligação que suporta o Governo.

Ao elogiar o investimento chinês em Portugal, numa altura em que muitos não acreditaram no país, o candidato socialista a Primeiro-ministro mostrou-se, para além do sentido de Estado, solidário com a actuação do Governo, afirmando que “a situação [do país] de hoje é bastante diferente do que em 2011”, agradecendo à comunidade chinesa “que o país tinha condições para vencer a crise”.

Os apoiantes de António Costa vieram a terreiro justificar e clarificar que as palavras proferidas tinham um contexto próprio e que o líder socialista as tinha dito em defesa de Portugal perante o investimento estrangeiro (ao caso, chinês).

Mas a questão não passa pelo facto de PSD e CDS, alguns militantes ou simpatizantes, terem aproveitado, politicamente, o discurso de António Costa e a contradição com as constantes críticas à actuação do Governo de Passos Coelho. Isso era expectável e teria sido igual se os papéis fossem invertidos. Nem se afigura como relevante o recurso à estatística europeia para justificar as afirmações (porque há iguais trunfos do lado do Governo, como as baixíssimas taxas de juro do empréstimo ou a diminuição da taxa de desemprego).

Há outros aspectos a ter em conta e que geraram, nos apoiantes de Seguro e noutros socialistas, algum mau estar (como, por exemplo, a reacção pronta de Alfredo Barroso).

Não faz sentido, mesmo naquele contexto, que o principal candidato da oposição a primeiro-ministro tenha, no dia-a-dia, um acentuado e permanente discurso crítico em relação às políticas do Governo, ao estado do país, à austeridade, à falta de investimento, ao atraso da nossa economia, e, num determinado momento, só porque fala para investidores estrangeiros, esqueça tudo o que sempre criticou. Até porque haveria muitas formas de agradecer o investimento chinês sem se “colar” ao Governo.

Além disso, é curioso que António Costa faça um tal elogio, essencialmente no conteúdo, quando foram inúmeras as críticas socialistas ao Governo de Passos Coelho relacionadas com a venda da EDP que, curiosamente, acabou nas mãos de capital chinês.

Independentemente do exagero dos aplausos da direita à eventual “gaffe” de António Costa, a verdade é que se a polémica não tivesse feito qualquer sentido, se o conteúdo das afirmações (muito para além da forma) não tivesse tido impacto político, não teriam gerado a insatisfação e o incómodo interno, nem o líder do PS teria necessidade de vir, publicamente, esclarecer as afirmações (o que só veio, como se diz na gíria, ‘deitar mais lenha para a fogueira’).

Entretanto, o país agradece o nobre gesto patriótico de António Costa e o Governo também… “Xiè Xiè”.

publicado por mparaujo às 14:00

28
Dez 14

publicado na edição de hoje, 28 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Rebobinar Portugal 2014

Chegados ao final de mais um ano é inevitável recordar alguns dos momentos mais marcantes de 2014. Não nos podemos queixar da “riqueza” factual e de acontecimentos durante este ano que agora termina.

A Política em 2014. As eleições europeias marcaram uma aproximação entre as duas grandes forças políticas europeias: o Partido Popular Europeu e o Partido Socialista Europeu. Mas o acto eleitoral de 25 de maio ficava marcado pelo crescimento dos grupos mais extremistas, radicais e antieuropeístas. Em Portugal, as eleições para o Parlamento Europeu resultaram numa crise interna no Partido Socialista que não descolou do PSD/CDS e colocou em causa a liderança de António José Seguro. Apesar da sua característica europeia os resultados eleitorais de maio tiveram um forte impacto nacional. O PS, mesmo tendo sido o partido mais votado (e ter ganho as eleições), foi o que mais “sofreu” com o processo eleitoral: a inovação do processo das primárias para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro, em 2015, resultou na destituição de António José Seguro e na confirmação de António Costa à frente dos destinos dos socialistas. Além disso, 2014 ficou marcado pelas trapalhadas governamentais surgidas nos ministérios da Justiça e da Educação, através do novo mapa judiciário e da polémica envolvendo o programa Cituis, ou da surreal colocação de professores no início de mais um ano lectivo. Inacreditavelmente, os dois ministros “sobreviveram”.

A Economia em 2014. O ano é marcado pelo fim do programa de ajuda externa e a saída da Troika. O Governo mantém o discurso da recuperação financeira e económica do país, mas a UE, mesmo após o fim do resgate mantêm-se preocupada quanto às reformas necessárias para a consolidação das contas públicas e a melhoria da economia nacional. Entretanto, em 2104, Portugal terá despendido mais de sete mil milhões de euros com encargos com a dívida (juros e comissões no âmbito do empréstimo de resgate). Mas o colapso do BES, considerado o maior banco português, marcou definitivamente todo o panorama financeiro nacional com a queda da instituição bancária tida como o motor da economia portuguesa e a queda do maior mito da gestão bancária, Ricardo Salgado, envolvido numa teia infindável de ilegalidades e crimes, bem como numa guerrilha familiar. E o fim da influência do “dono disto tudo” (apresentando agora como “vítima disto tudo”) não teve apenas impactos no BES. Entre muitas empresas há a destacar, por exemplo, os danos colaterais provocados na PT e na Oi com as demissões de Henrique Granadeiro e de Zeinal Bava, e a incerteza quanto ao futuro da empresa de telecomunicações até então intocável.

A Justiça em 2014. Este foi, clara e indiscutivelmente, o ano do poder judicial. Com vários processos ainda em curso, como por exemplo os do BPP e BPN, o primeiro “abanão” da justiça veio através do acórdão do processo “Face Oculta”: o Tribunal de Aveiro condenou o antigo ministro e ex-vice-presidente do BCP Armando Vara é a cinco anos de prisão efectiva, o ex-presidente da REN José Penedos a cinco anos de prisão efectiva, em cúmulo jurídico, e o sucateiro Manuel Godinho a 17 anos e seis meses de prisão. Pouco tempo depois a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues é condenada a três anos e seis meses de prisão com pena suspensa, por prevaricação de titular de cargo político. Pelo meio surgia o caso dos Vistos Gold envolvendo cúpulas da administração central e que levou à demissão do então ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. Não esquecendo ainda o arquivamento, por falta de provas e eventual prescrição, do processo da aquisição dos submarinos e que envolvia o nome do ministro Paulo Portas; ou ainda a total trapalhada do caso Tecnoforma que levou Pedro Passos Coelho a surreais “cambalhotas explicativas”. Mas a confirmação de que algo (resta saber se positivo ou não) estava a mudar na Justiça portuguesa surgiu nesta parte final do ano, no âmbito da operação “Marquês”, com a detenção nunca imaginada (nem vista) do ex-primeiro ministro José Sócrates, actualmente detido no estabelecimento prisional de Évora, em prisão preventiva, enquanto se desenrola a fase de instrução e o culminar das investigações. Processo que funde a justiça com a política, por mais que se queira delimitar as duas realidades: o envolvimento de ex-governante e ex-político; a “originalidade” na detenção de um ex-primeiro ministro; os impactos político-partidários que podem, eventualmente, influenciar as próximas eleições legislativas; entre outros. Mas não queiram, alguns, partidarizar a acção judicial, sendo que qualquer ‘vanglorização’ face aos acontecimentos acaba por ter o reverso da medalha. Basta que olhemos para outras investigações em curso envolvendo figuras políticas relevantes (Paulo Campos, PS; Filipe Menezes e Marques Mendes, PSD; como meros exemplos).
Que 2014 foi o ano da Justiça, pelas mais diversas e distintas razões, não haja qualquer dúvida.

publicado por mparaujo às 11:40

01
Dez 14

Há três anos o dia de hoje, 1 de dezembro, era considerado feriado nacional.

Dizem, segundo reza a história, que é o dia da restauração...

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upssss... esperem, é a outra Restauração.

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publicado por mparaujo às 14:05

12
Ago 14

Hoje, 12 de agosto, celebra-se o Dia Internacional da Juventude. A data foi institucionalizada pela ONU, em 1999, curiosamente após a realização da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, que teve lugar em Lisboa, entre os dias 8 e 12 de Agosto de 1998.

E a propósito do Dia Internacional da Juventude e de Portugal, após 15 anos da efeméride, importa recordar:

1. Em 10 anos Portugal perdeu 500 mil jovens (fonte: INE).

2. Metade do valor da emigração corresponde aos jovens (cerca de 60 mil já emigraram, entre 2012 e 2013).

3. Cerca de 57% dos jovens até aos 25 anos já emigraram ou tencionam emigrar (fonte: estudo Zurich, 2013)

4. Taxa de desemprego jovem, em Dezembro de 2013: 34,3% (fonte: Prodata).

5. Portugal é o terceiro país da OCDE com maior taxa de desemprego jovem. Entre os 15 e os 24 anos, no primeiro trimestre de 2014, o valor situava-se nos 35,4% (fonte: OCDE, 2104).

O lema escolhido para este ano é "A saúde mental importa". Claro que sim... a saúde mental, a saúde, a educação, a formação, o emprego, a estabilidade social...

Bom dia internacional da juventude...

 

https://juventude.gov.pt/Eventos/Cidadania/PublishingImages/RESUMO-Dia-inter.jpg

 

 

publicado por mparaujo às 10:12

01
Ago 14
http://2.bp.blogspot.com/-kRDSwseF1gk/U9lQM7i8irI/AAAAAAACGiU/SzMOVNZITgk/s1600/Jos%C3%A9+Dur%C3%A3o+Barroso.png

Em pleno final de mandato europeu, Durão Barroso anunciou a vinda de uma “pipa de massa” de fundos comunitários no âmbito do próximo Quadro de Apoios Comunitários 2020 - Fundos Estruturais. São cerca de 26 mil milhões de euros de ajudas da União Europeia. De facto é um valor significativo para um país a necessitar de investimento como do pão para a boca.

Mas há dois aspectos na declaração do ainda Presidente da Comissão Europeia que merecem destaque.

O primeiro prende-se com uma importante advertência de Durão Barroso: “26 mil milhões de euros é uma pipa de massa, este dinheiro deve ser bem aplicado (…)”, reforçando a necessidade de uma aplicação coerente dos fundos que Portugal terá há disposição nos próximos sete anos. E importa recordar que um país com assimetrias regionais graves, problemas na economia e no desenvolvimento, funções sociais elementares desestruturadas, como a saúde, a educação/ensino, a justiça, os apoios sociais, o emprego, os transportes, …, desde a adesão de Portugal à então CEE (1986) e até ao ano de 2011, entraram nos cofres do Estado cerca de 80,9 mil milhões de euros (cerca de 9 milhões de euros/dia). Prioridades questionáveis, falta de consistência política na aplicação dos fundos, projectos desajustados da realidade nacional, resultaram num desbaratar de dinheiro e de perda de oportunidades de crescimento e de desenvolvimento ao longo de legislaturas atrás de legislaturas (para todos os gostos) e que levaram, por três vezes, o país a graves crises económico-financeiras e a intervenções externas.

Mas Durão Barroso afirmou ainda, na apresentação oficial em S. Bento, na passada quarta-feira, do acordo que define a estratégia de aplicação dos fundos estruturais e de investimento da União Europeia, que “É uma ‘pipa de massa’ suficiente para calar quem diz mal da Europa”.

Ora não é… e não é porque os portugueses já estão fartos de perder a sua soberania, os comandos dos destinos do seu país, a troco de pipas, tonéis, vasilhames ou barricas, cheias de euros que apenas com medidas de austeridade, sacrifício e empobrecimento geral podemos pagar. Mais… as críticas à Europa, no âmbito do programa de ajustamento que terminou há poucos meses, foram mais que justas pelo impacto que a falta de solidariedade e a estratégia europeias provocaram no país, na economia nacional, nos portugueses e nas famílias, subjugando os princípios da constituição europeia aos interesses dos países mais ricos em detrimento do empobrecimento e das dificuldades dos mais pobres. E neste aspecto muitos dos portugueses continuarão a dizer mal “desta” Europa.

publicado por mparaujo às 18:07

17
Jun 14

Já estivemos juntos em reinados antigos até que D. Afonso Henriques resolveu "insurgir-se" contra a sua mãe.

Vivemos séculos lado a lado, nem sempre com os melhores "olhados e sorrisos".

Agora que terminaram com o Feriado Nacional a 1 de Dezembro...

Agora que regressou ao trono de Espanha um Filipe (más memórias portuguesas para a presença de Filipes no trono de Espanha)...

Agora que ambos os países se envolveram numa crise económica, social e política semelhantes...

Eis que regressa a Peninsula Ibérica... e em força.

Logo agora que estamos no Mundial do Brasil 2014...

upssssssssss... pois é. Até aí Portugal e Espanha com arranques e destinos comuns, às mãos de uma Alemanha e uma Holanda que sempre nos atormentaram e numa América do Sul que já nos agradou muito mais (à alma, aos cofres, às gentes e ao império)

Mau presságio.

publicado por mparaujo às 10:01

19
Fev 14

Já por diversas vezes aqui aludi à questão da emigração e aos seus impactos na vida pessoal, familiar e no próprio país.

Foram vários os exemplos: “O que esconde 15,3% de desemprego?”; “Surreal: 25 minutos de enorme alarvidade!”; “Do ir ao acolher...”; “Há razões que a razão desconhece”, entre outros.

É indiscutível que o processo de emigração, na sua maioria, é um triste e infeliz regresso ao passado (década de 60). Salvo raras excepções que se prendem com oportunidades políticas, académicas ou de gestão empresarial, os portugueses emigram porque precisam, por mera necessidade, por não encontrarem em Portugal oportunidades de vida e de trabalho.

Sendo certo que um elevado número dos actuais emigrantes portugueses são jovens (e jovens com habilitações) a realidade emigratória não escolhe idades, mesmo que, para os mais “velhos”, as oportunidades e a facilidade de emigrar seja mais condicionada.

Aliás, o “Dinheiro Vivo” na edição de ontem (18-02-2014) traz um interessante trabalho sobre a temática, sob o título “Emigrar. Que fazer à vida familiar?”.

O jornal Público, num excelente trabalho do jornalista Paulo Moura, faz um retrato muito realista do processo da emigração dos menos jovens: “Ei-los que partem pelo direito ao último terço da vida”.

De repente, as redes sociais (e até a imprensa – p. ex. o jornal Público) voltaram à temática da emigração. Tudo a propósito das declarações, e da intenção confirmada, do Fernando Tordo de emigrar para o Brasil (aliás, para onde já foi).

A opção do Fernando Tordo é perfeitamente compreensível e não me merece qualquer reparo, se não a tristeza por ver partir mais um português inconformado com o país. E por me rever na fundamentação da sua opção, lamentando não ter a mesma oportunidade ou coragem.

Para além disso, a divulgação viral do texto do filho do Fernando Tordo, João Tordo, no seu blogue, “Carta ao pai”, veio reacender esta problemática, reflexo da austeridade e das exigências políticas da estratégia para a recuperação económica do país.

Tenho na família (entre primos, tios e cunhada) gente que emigrou há vários anos (demasiados anos, até). Infelizmente, sei o que é o “quebrar” esses laços. Mesmo assim, não consigo colocar-me na pele de quem vê o pai partir, como diz o João Tordo, algo, a determinada altura da vida, contra-natura (passe a expressão).

Mas o que mais estranho, neste contexto, é o aproveitamento político da decisão pessoal do Fernando Tordo em emigrar. A esquerda (por exemplo, Louçã e Catarina Martins) fez logo eco de revolta, as redes sociais indignaram-se com o país por não saber preservar os seus valores culturais. É indiscutível (goste-se ou não) o peso que o Fernando Tordo teve na música portuguesa. Um país que mal soube valorizá-lo, acarinhá-lo, não deixar vazios muitos dos seus espectáculos, promover o seu trabalho, de repente, estranhamente, tornou-se seu “fã incondicional”, onde já todos conhecem a sua obra, as suas músicas, os seus textos, as suas intervenções (também) políticas e sociais. Enfim…

Dói ao João Tordo, dói à família, é pena para muitos portugueses… mas, acredito, um alívio para o Fernando Tordo e para muitos dos que emigram, apesar de todos os riscos e sacrifícios.

publicado por mparaujo às 15:15

05
Fev 14

A discussão da agenda política (jurídica e económica, acrescente-se) nestes dias tem-se centrado sobre a colecção dos 85 quadros da autoria do escultor e pintor surrealista catalão Joan Miró e que fazem parte do património do BPN.

Subscrevo integralmente as posições assumidas por Henrique Monteiro (“Deixem lá os Mirós...”) ou pelo Daniel Oliveira (“Não se vendam os quadros de Miró... baratos”). É insuspeito porque raramente concordo com os dois.

Acrescentado, de forma muito sumário, uma ou outra realidade/questão.

Primeiro, sublinhar o facto de que, repentinamente, surge um movimento social de arautos defensores da cultura (sejam políticos, ex-governantes, comentadores, ou cidadãos), emocionalmente preocupados por um espólio artístico de uma entidade bancária (privada há data em que foram adquiridos e nacionalizada após o “caso BPN”) e que já existia há alguns anos sem que ninguém se importasse ou se incomodasse com tal facto. Mesmo que a tão “valiosa” obra estivasse arrumadinha na penumbra de uma cave e isso não afectasse consciências e morais culturais.

Mais… por muito peso e valor artístico e cultural que se reconheça na obra de Miró, a verdade é que me parece perfeitamente surreal (no mínimo) que se faça desta questão um desígnio nacional. Miró não é património nacional (como felizmente temos tanta obra perdida com a assinatura portuguesa) nem identitário da cultura portuguesa. A arte, tal como o podem sustentar as galerias e o negócio complementar, é, sempre foi e sempre será, vendável e transaccionável. Não vejo porque razão não o será esta colecção na posse do BPN/Estado.

Mais ainda… é “soberbo” verificarmos que, de repente, entre intelectuais, políticos, artistas, cidadãos comuns, surjam mais de 9000 assinaturas contra a venda das referidas obras, mesmo que muitos não saibam quem é Miró (ou quem foi); quais são as obras em causa; onde estavam; quando e como foram adquiridas e para que servirão. Sim, porque não me parece nada razoável e racional que alguém pense que em Portugal se irá rentabilizar um investimento na ordem dos 80 milhões de euros (pagos pelo erário público à custa dos impostos dos que gostam e não gostam de Miró ou do surrealismo) com exposição pública permanente. Chega de ilusões. Isso faz-me recordar (e recuar pouco mais de um mês) a questão do Panteão Nacional: todos dão palpites e comentam, mas desses mesmos, raros são os que já visitaram o Panteão; raros são os que sabem quantos existem (sim, há mais que um Panteão Nacional… dois, precisamente); onde ficam (sim, não é apenas em Lisboa); e quem são os seus ilustres “inquilinos” portugueses (já agora, são 10, faltando transladar mais quatro personalidades, já contando com Eusébio).

Mais ainda… é interessante saber que muitos dos que se insurgem tão ferozmente contra a venda das obras sejam muitos dos que se insurgiram contra o facto do Estado, no anterior mandato socialista e no actual mandato de Passos Coelho, ter gasto um valor significativo (a que muitos chamaram de “roubo nacional”) dos impostos dos portugueses para “salvar”, por interesses públicos duvidosos, um banco privado, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com o BPP.

Por mim… a arte é negociável. Vendam-se os Mirós, de forma justa, claro.

publicado por mparaujo às 14:57

12
Jan 14

Afinal, João César das Neves parece ter razão quanto ao seu "elogio da emigração".

Mesmo que, em 2013, cerca de 150 mil portugueses tenham deixado o país, forçados a procurar para além fronteiras melhores oportunidades de vida (emprego, valorização profissional, melhores recursos económicos). Mesmo que, ao contrário do que afirma César das Neves, emigrar não é bom para ninguém (em norma): nem para o país, nem para as famílias, nem para que tem que deixar a sua terra. O país empobrece, envelhece, perde a sua massa crítica, perde o investimento feito na formação e nas habilitações, perde os mais habilitados porque não tem capacidade de oferecer condições de trabalho aos jovens, à investigação e ao empreendedorismo.

Mas há um dado que César das Neves tem razão: infelizmente tem. É na emigração que surgem as melhos oportunidades (já que as mesmas não existem no país). Se são para os mais capazes, fica ao critério de cada um. Mas basta ver-mos os recentes exemplos do ex-Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira ("Álvaro Santos Pereira vai para a OCDE") e o social-democrata José Arnaut ("José Luís Arnaut nomeado para alto cargo no Goldman Sachs").

publicado por mparaujo às 16:47

20
Nov 13

Uma vergonha... uma desgraça de "marketing"...
e pior a emenda que o soneto, a desculpa esfarrapada.

"Pepsi pede desculpa a Ronaldo após campanha polémica". (jornal Público)
Se a Suécia tivesse sido apurada para o Mundial a Pepsi retirava a campanha?!
Viva a Coca-Cola...

ou melhor "Viva a ÁGUA DO LUSO" (entenda-se... todas as águas nacionais, as cervejas portuguesas e os nossos chás e sumos de fruta).

publicado por mparaujo às 09:31

29
Mai 13

Publicado na edição de hoje, 29 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Nas pequenas coisas está a grande diferença

Nesta segunda-feira Portugal recebeu a visita do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. Para além das audiências que teve com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e com o Presidente da República, Cavaco Silva, o igualmente ministro das finanças holandês foi recebido por Vítor Gaspar. Do ponto de vista político e para as ambições do Governo na recuperação do equilíbrio das contas públicas, esta visita não podia ter vindo na melhor altura. Não quero com isto defender a forma como este Governo está a encaminhar o processo de recuperação da dívida pública (sobre isso já fui explicito que baste noutros momentos), mas a verdade é que num momento em que se começam a levantar algumas dúvidas sobre o cumprimento das metas do défice para este ano, a presença de Jeroen Dijsselbloem em Portugal permitiu que fosse desbloqueada uma verba de cerca de dois mil milhões de euros, referente à sétima avaliação da "troika" ao programa de ajustamento estrutural português. Além disso, e não menos importante, o Presidente do Eurogrupo admitiu que Portugal possa vir a ter mais tempo, se necessário. Em causa está o cumprimento das metas: em 2012 inicialmente era de 4,5% e passou para os 5%; este ano estava fixada nos 3% e passou para 4,5% (a meta prevista para 2014 é de 4% e em 2015 o défice deve ficar abaixo dos 3% do PIB). Em causa está, mais uma vez, a capacidade ou não deste Governo de cumprir alguma das previsões que fez até agora.

Mas há uma outra realidade para além destes valores e que merecem tão ou mais destaque, apesar de parecer algo insignificante: o que se passou com a conferência de imprensa conjunta de Vítor Gaspar e Jeroen Dijsselbloem. Não houve uma mais que natural e óbvia tradução simultânea; foi exigido que os jornalistas colocassem as questões em inglês (apesar de estarem em Portugal) e ainda achou “deselegante” que um profissional da SIC tivesse perguntado (em inglês, diga-se) ao presidente do Eurogrupo o que ele achava do reajustamento português. Enfim… comecemos por aqui. O que pode levar o ministro das finanças português a achar a pergunta “deselegante” quando a presença em Portugal de Jeroen Dijsselbloem se resumia precisamente a essa realidade? E porque é que Gaspar respondeu ao jornalista da SIC em português (quando a regra imposta era o uso do inglês)? O que tem Vítor Gaspar a esconder, e receio que a Europa descubra, do Eurogrupo? Será que a Europa conhecerá mesmo a realidade do que tem sido o caso do reajustamento das contas públicas em Portugal?

Por outro lado, a atitude e exigência inqualificável do recurso ao inglês numa conferência de imprensa em Portugal só revela que o ministro das finanças não tem a mínima noção do que é a soberania, a independência, a cultura e a identidade de um povo, principalmente quando o que está em causa é aquilo que mais caracteriza um povo e uma nação: a sua língua.

E é nestes pequenos gestos, nestes pequenos detalhes, que se vêem os grandes políticos e aqueles que verdadeiramente se preocupam com o país, com a sua soberania e independência. Bem sei que o ministro Vítor Gaspar é um tecnocrata, um experimentalista, um académico (com todo o respeito que tenho pela academia). Escrever, ler, conferenciar no estrangeiro em inglês é algo que, do ponto de vista técnico, se compreende.

Uma conferência de imprensa oficial, em Portugal, em representação do Governo e do Estado português, é lamentável, no mínimo, que seja feita numa outra língua que não o Português (ou, a bem do rigor e da justiça, ainda o Mirandês). Já para não falar das mínimas exigências técnicas de uma tradução simultânea.

Resta a questão: se o ministro das finanças português for convidado a visitar a Holanda e tiver lugar uma conferência de imprensa, o ministro das finanças holandês também vai exigir que as perguntas sejam efectuadas em português?

É este o retrato de quem nos governa…

(actualização: excerto da conferência com a declaração de "deselegância")

publicado por mparaujo às 08:19

12
Fev 13

Ou então é Carnaval...

Há algo que este país tem que o individualiza de todos os outros. Só não consigo perceber é muito bem o quê.

Portugal tem apenas um pista/estância de ski localizada na Serra da Estrela (Torre). Seja do ponto de vista desportivo ou de lazer, seja pelo turismo, só faz sentido a Serra da Estrela (Torre) com neve e a nevar.

Daí que não se perceba que seja precisamente quando cai neve que fica condicionado ou impossibilitado o acesso à Serra da Estrela (Torre). Um verdadeiro paradoxo.

O que seriam os Alpes, o que seria a Suíça, a Suécia, a Noruega, ..., sem as acessibilidades turísticas próprias de zonas com neve?

Enfim...

(créditos da foto: Nelson Garrido / Público)
publicado por mparaujo às 15:59

04
Dez 12

A história pode ser distorcida, escamoteada, disfarçada, falseada ou encoberta… mas com uma certeza: a história nunca pode ser travada. Sejam quais forem os pressupostos a realidade é só uma: a democracia portuguesa, há 32 anos foi, evidentemente, abalada.

Dia 4 de Dezembro de 1980

Passados estes 32 anos do acontecimento político de Camarate há uma outra realidade. O sonho de Sá Carneiro, legítimo para qualquer político, seja qual for a sua ideologia e partidarite, de um governo, uma maioria e um presidente, teve finalmente a sua concretização no processo eleitoral de 2011.

Infelizmente, nunca Sá Carneiro esperaria que poucos meses depois (nem precisámos de esperar este ano e meio de governação) não só um Primeiro-ministro conseguiria tão facilmente destruir esse sonho, como destruir um partido, uma ideologia e empurrar um país para o abismo.

Imagino as voltas no túmulo… Resta avivar memórias!

publicado por mparaujo às 11:23

15
Jul 12

Publicado na edição de hoje, 15 de julho, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré
Esta é a Nação…
Esta semana que terminou foi profícua em “casos”, muitos casos, apesar das tentativas de denominar alguns de “não casos”. Obviamente que nem todos têm a mesma de importância e peso político ou social. Mas pela relevância significativa não podemos deixar de referir o debate parlamentar do Estado da Nação que teve lugar na passada quarta-feira, após o primeiro ano de governação.
Da discussão parlamentar há muito pouco a destacar, retirando o confronto ideológico e de concepção da economia e do estado social dos partidos mais à esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português), o apoio das bancadas que sustentam o governo, e a indefinição e incapacidade do PS em se manifestar como alternativa e em apresentar propostas concretas e viáveis, fruto do seu compromisso com o memorando (por mais tentativas que se façam para um “inadmissível” distanciamento político).
Mas apesar disso, o facto de se discutir o estado em que se encontra o país não deixa de merecer cuidada atenção.
Num ano, Portugal conseguiu obter, sucessivamente, nota positiva nas avaliações efectuadas pela Troika (por quatro vezes, aguardando-se a quinta avaliação externa que terá lugar já no próximo mês). Estes objectivos foram conseguidos, quase que exclusivamente, à custa dos sacrifícios e medidas impostas aos cidadãos “tributáveis”, com impacto nos seus rendimentos laborais, nos impostos, na redução de benefícios fiscais e das prestações sociais, na diminuição de serviços sociais como na educação, saúde e justiça. Mas se numa fase inicial, face à realidade do país, ao estado das contas públicas e da economia nacional, os cidadãos (na sua maioria) entenderam que as medidas aplicadas eram necessárias e poderiam levar à recuperação do país, a verdade é que foram mais as consequências negativas do que as “melhorias”: aumento exponencial do desemprego, baixo consumo interno, economia estagnada, encerramento diário de inúmeras empresas, incapacidade das famílias fazerem face aos seus compromissos financeiros, necessidade crescente de emigração. Por outro lado, o governo, passado pouco mais de um ano de gestão, não conseguiu estruturar a divida pública, racionalizar os meios da administração do estado e local, terminar com os interesses instalados (sector energético, peso da banca, transportes, obras públicas), não há uma reorganização do sector empresarial do Estado, não apresentou uma perspectiva de resolução do impacto das Parcerias Público-privadas, não há um projecto estruturado, integral e global para o desenvolvimento da economia e para a estagnação do desemprego. Salva-se o impacto de alguma valorização das exportações e da retoma da credibilidade junto dos mercados externos.
Mas mesmo esta deixa algumas dúvidas. A verdade é que começa a pairar sobre o governo a dúvida no cumprimento mas mestas orçamentais e dos objectivos de recuperação financeira e económica do país. Mesmo que o primeiro-Ministro afirme que, para já, não está na perspectiva do governo a aplicação de mais medidas de austeridade, a verdade é que o resultado da próxima avaliação da Troika vai ditar muito do que possa ser o futuro da governação. Para além disso, a crise na vizinha Espanha irá condicionar em larga escala e de forma muito premente a economia nacional. E não poderemos esquecer a abertura política (em dito popular “o virar do feitiço contra o feiticeiro”) que o recente acórdão do Tribunal Constitucional concedeu ao governo no que respeita aos subsídios de férias e de natal. No essencial (e mesmo correndo o risco de uma análise muito linear) a verdade é que a fundamentação do acórdão não incide propriamente sobre a inconstitucionalidade, ou não, da medida do corte. Mas sim sobre a defesa do princípio constitucional da equidade. Na prática, o que o Tribunal Constitucional veio promover foi a possibilidade “constitucional” do alargamento, no próximo ano, da medida dos cortes salariais para todos os cidadãos tributáveis. Aguardemos pelo próximo Orçamento do Estado.
E aguardemos igualmente o que os próximos meses ditarão em termos de execução orçamental e aplicação das medidas do memorando de ajuda externa.
A perspectiva não é, de todo, animadora. Portugal, em 2014, corre o risco de incumprimento, da necessidade de aplicação de mais medidas de sacrifício e austeridade e da perda da confiança e credibilidade externa com a obrigatoriedade de renegociação da dívida e do compromisso com a Troika, o que implica o aumento da despesa com mais juros e mais dívida.

Uma boa semana… e boas férias (mesmo que para muitos sejam “não subsidiadas”).

publicado por mparaujo às 18:14

10
Jun 12

A minha opinião sobre a participação da selecção nacional no Euro2012... razões para mais dúvidas que certezas.

Publicado hoje no Record online - Opinião - Escrevem os Leitores...

 

 (clicar na imagem para aceder ao texto)

publicado por mparaujo às 17:48

07
Jun 12

A minha opinião sobre a participação da selecção nacional no Euro2012... razões para mais dúvidas que certezas.

Publicado hoje no Record online - Opinião - Escrevem os Leitores...

 

 

 (clicar na imagem para aceder ao texto)

publicado por mparaujo às 21:56

14
Mai 12

 

 

Eduardo Lourenço foi distinguido, aos 81 anos, com o Prémio Fernando Pessoa 2011.

O júri presidido por Pinto Balsemão, e composto por Fernando Faria de Oliveira, António Barreto, Clara Ferreira Alves, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Mário Soares, entre outros, nomearam o filósofo português pelo seu testemunho intelectual, cultural, ético e cívico em defesa e promoção da identidade portuguesa: a sua cultura, a sua história, a sua presença no mundo, e o acreditar permanente na capacidade deste povo em superar barreiras e dificuldades.

Habituei-me (e aprendi a gostar) de Eduardo Lourenço aquando da minha formação, principalmente através de um "cadeirão" que dava pelo nome de "Língua e Identidade Cultural". Por exemplo, com obras como "Nós e a Europa ou as duas razões" (Imprensa Nacional, 1988) ou "A Europa Desencantada" (Gradiva, 1994), já para não falar no mítico e eterno "Labirinto da Saudade" (D.Quixote, 1992).

Daí que estrenhe que, após deixar de fazer parte integrante do juri do prémio instituido pelo jornal Expresso (em1993), tenham sido necessários quase mais vinte anos para destacar, de forma inequívoca e legitima, todo o saber e experiência de Eduardo Lourenço.

Finalmente... o dia chegou.

Eduardo Lourenço, recebeu hoje, das mãos do Presidente da república, o tão merecido galardão.

Portugal precisa de vozes como a de Eduardo Lourenço. E de obras como as suas...

Eu agradeço.

publicado por mparaujo às 21:23

01
Fev 12

A tarde foi invadida por uma notícia no JN digital para a qual todos os adjectivos que se conhecem não são minimamente suficientes para a qualificar. Não do ponto de vista jornalístico, mas sim pelos factos descritos ou narrados.
Quando nos deparamos com um título como este “Multado por tapar um buraco na estrada” (JN - 01.02.2012), numa primeira análise tudo do mais humorístico surge nas nossas mentes: desde o buraco das contas da Madeira e de Alberto João Jardim até ao menos indicado para mentes mais fechadas.

Mas quando nos deparamos com o corpo da notícia, só nos assola uma vontade de gritar bem alto que este país não existe, não há qualquer sentido do ridículo, do absurdo, do irreal, do sensato.
Os factos são muito simples e fáceis de descrever: um cidadão, em Azambuja, tapou um buraco de cerca de um metro quadrado existente num caminho agrícola (de terra batida) que serve várias propriedades, por sugestão e pedido dos vizinhos, com resíduos de construção (fragmentos de tijolos, pedras, material cerâmico). Foi autuado pela GNR com o fundamento de ter tido uma conduta "negligente" e "censurável" e condenado, pela Inspecção Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território, ao pagamento de coima no valor de 20 mil euros – eu repito VINTE MIL EUROS – por “Contra ordenação ambiental muito grave”.

Isto que poderia muito bem ser uma anedota do mais humorística que se pudesse imaginar é, afinal, uma triste realidade.
Um cidadão prestou um serviço à comunidade, coisa que as autoridades e as entidades públicas não o fizeram.
Uma força de segurança e vigilância como a GNR, de facto, não tem muito mais que fazer neste país onde a segurança cada vez mais se torna débil do que andar atrás de quem “tapa buracos” inofensivamente (aliás o relatório refere a ausência de dolo no acto).
Como é que depois desta verdadeira comédia querem que se acredite no país, no ridículo de um país que tem atitudes destas?! Como é que se acredita no Estado e na Justiça?!
Venham as Troika’s que vierem… seja lá quem nos governe (interna e externamente)… apliquem-se as medidas de austeridade para salvar as contas… tomem-se as políticas de desenvolvimento económico que se quiserem implementar… este país NÃO EXISTE. Tornou-se (há muitooooo) uma Comédia e uma Vergonha.
Sim o Governo poderá ter razão… mais vale EMIGRAR.
publicado por mparaujo às 22:40

25
Dez 11
Nestes tempos que se avizinham não faz sentido as demagogias e as retóricas da "treta".

A crise toca a todos, mesmo que diferenciadamente, e é com todos (governo, privados e cidadãos) que Portugal tem de contar. Não apenas com alguns (os mais sacrificados) ou com a responsabilidade de poucos (os políticos).
É importante que também os portugueses se sintam envolvidos, responsabilizados e motivados para ultrapassar todos os obstáculos (duros e difíceis). O esforço tem e deve ser cada vez mais participado e colectivo.
Portugal tem de ser de todos e para todos.

E há que ter coragem, esperança e saber acreditar no nosso valor.
Alguns profissionais da SIC já o tinham, de forma excelente, apresentado e divulgado, neste vídeo -->; aqui.

Apesar da vertente comercial e publicitária, também a Coca-Cola vem alertar para esse sentimento de valorização do que é nosso, da nossa capacidade de lutar e de conquistar.
Muito bom...

publicado por mparaujo às 22:09

25
Nov 11
25 de Abril de 1974 - A Liberdade
Por um processo revolucionário que teve na sua essência o descontentamento no seio das Forças Armadas (após a madrugada de 24 de Abril aproveitado para a vertente política), o movimento militar permitiu a instauração da Liberdade em Portugal após 41 anos ditatoriais (Salazar e Marcelo Caetano).

25 de Novembro de 1975 - A Democracia
Após um Verão de 1975 extremamente "quente" e agitado (onde se incluiram as primeiras eleições após o derrube do regime) a Democracia é inplementada, de novo com a ajuda da "contra-revolução" militar.
Um "novo" 25 de Abril...

Para memória...
- O 25 de Novembro de 1975 (revista militar)




publicado por mparaujo às 15:51

30
Out 11
Uma das imagens deste Governo de Passos Coelho e Paulo Portas (PSD/CDS), goste-se ou não do seu trabalho na gestão dos desígnios nacionais, é a transparência e o "falar verdade" sem fugir à realidade factual. Mesmo que se questionem os processos comunicacionais que deixam muito a desejar no que respeita à forma como são explicadas e justificadas as medidas e políticas aplicadas. Principalmente porque sempre que há uma declaração, uma conferência de imprensa, uma entrevista ou um debate, permanecem e restam, nos cidadãos, mais dúvidas (às vezes, demasiadas) do que certezas quanto à sustentação das iniciativas do Governo, bem como aos resultados futuros.
E estas dúvidas e incertezas começam a desaparecer, infelizmente não pela clareza das explicações ou das posições do Governo, mas pela falta de impacto concreto das políticas e medidas do Executivo PSD/CDS.

Tanta certeza e realismo no arranque deste mandato (o que levou a que a maioria dos cidadãos aceitassem as medidas de austeridade impostas, com alguma resignação), tem-se transformado, a pouco e pouco, em decepção e desilusão, e, nalguns casos, em "traição".

O ministro das Finanças, Vitor Gaspar, e do próprio Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, referiram, por várias ocasiões, que em 2014 (ano a seguir ao tempo de duração do programa de financiamento a Portugal) o país encontrará o momento de viragem para sair da crise. Hoje o discurso é diferente: "Aperto do cinto vai continuar por mais alguns anos" (jornal Público); "a austeridade em Portugal vai continuar por mais alguns anos" (jornal I); "Passos diz que «aperto do cinto» vai continuar por mais alguns anos" (TSF).
Por outro lado, os cidadãos começam a ter alguma dificuldade em aceitar certezas quando se torna evidente que o que hoje é verdade, amanhã poderá ser mentira. Foi garantido que o imposto suplementar aplicado no subsídio de Natal de 2011 era uma medida temporária e que vigoraria apenas neste ano. A apresentação da proposta de Orçamento de Estado para 2012 trouxe outra "verdade". Serão retidos os 13º e 14º meses de vencimentos (subsídios de férias e natal), anunciados com a mesma certeza de serem temporários em 2012 e 2013. Pois a verdade é que tendem a ser temporariamente definitivos, ao contrário do que proclamado: "Passos diz que cortes nos subsídios são temporários até 2014, mas admite passagem a 12 vencimentos" (jornal Público).
E apesar de todos os elogios europeus e internacionais expressos por várias entidades e personalidades que, entre os adjectivos, apresentam o esforço português como um caso de eventual sucesso, o receio de falharmos cresce dia após dia, face à incerteza do futuro e ao impacto das políticas adoptadas, mesmo o acordo celebrado entre as partes (Portugal, BCE, FMI). Afinal Portugal pode precisar de mais fundos de funanciamento externo - "Portugal poderá precisar de mais 25 mil milhões de euros da troika" (jornal I) - e sente-se na eventualidade de negociar alguns termos do memorando de acordo com a Troika, apesar de todas as negações do Governo e contrariando muitas vozes que tinham alvitrado a hipótese: "Portugal vai propor ajustamentos ao memorando em Novembro".

Todas estas políticas de austeridade começam a ter um sabor a nada, a frustração e a desilusão... porque não são capazes de gerar confiança no futuro, de alterar o rumo dos acontecimentos, de melhorar a economia e o desenvolvimento do país.
É o mesmo que "trabalhar para aquecer" ou de "tapar o sol com a peneira".

publicado por mparaujo às 00:20

20
Set 11

Os factos apurados na Madeira são graves, prejudicam a recuperação e as medidas de combate ao défice das contas públicas, distorcem e criam dúvidas sobre a imagem do país no exterior e nossa capacidade de sair deste “buraco” financeiro. As razões percebem-se, mesmo que não justifiquem os actos: a insularidade, a necessidade de desenvolvimento para garantir melhor qualidade de vida e melhor turismo, … Daí ao crime, vai uma enorme distância porque, até prova em contrário, é fácil provar o interesse público (mesmo que criticáveis os meios). Mas este não é apenas um problema da Madeira, apesar dos números em causa. É um problema geral das contas públicas, da gestão do erário público, da ética política. Foi um problema de governos sucessivos, de décadas… necessidade de sobrevivência política à custa do “betão”, da obra feita e visível (física). Uma questão de ausência de mecanismos e de valorização do controlo e fiscalização.

Da entrevista do Primeiro-ministro à RTP, nesta noite, destaque para cinco aspectos relevantes: não participação na campanha das eleições regionais da Madeira e condenação dos actos de gestão de Alberto João Jardim; o não aumento da taxa mais elevada do IVA e o cumprimento do estipulado no memorando de entendimento com a ajuda externa; a implementação de medidas e políticas de redução do despesismo do Estado já para o Orçamento de 2012; a reestruturação do tecido empresarial do Estado e o processo de privatizações em estudo; e, por fim, não menos importante, dado a relevância que teve na discussão eleitoral e na sociedade portuguesa, a alteração da prioridade na mobilidade e acessibilidade com relevo para a importância do transporte ferroviário: passar do TGV comercial (passageiros) para o das mercadorias, muito mais importante para o país e muito mais sustentável.

Direcção-Geral do Orçamento divulgou hoje que o défice melhorou dois mil milhões de euros e que a Segurança Social tem um saldo mais positivo que em 2010: um excedente de 734 milhões de euros.
publicado por mparaujo às 23:12

28
Jun 11
Depois do acordo de coligação entre o PSD e o CDS, quer ao nível parlamentar, quer ao nível governativo.


Depois da eleição da Presidente da Assembleia da Repúblico - Assunção Esteves, após caso "harakiri" político Fernando Nobre.

Depois da formação e tomada de posse dos 11 Ministros, a que se seguiu a tomada de posse dos 36 Secretários de Estado.


Temos agora para aprovação, após ter sido apresentado ao Presidente da República, o Programa do XIX Governo Constitucional: ler aqui.

Comentários muito em breve...
publicado por mparaujo às 23:44

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