Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

29
Mai 13

Publicado na edição de hoje, 29 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Nas pequenas coisas está a grande diferença

Nesta segunda-feira Portugal recebeu a visita do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. Para além das audiências que teve com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e com o Presidente da República, Cavaco Silva, o igualmente ministro das finanças holandês foi recebido por Vítor Gaspar. Do ponto de vista político e para as ambições do Governo na recuperação do equilíbrio das contas públicas, esta visita não podia ter vindo na melhor altura. Não quero com isto defender a forma como este Governo está a encaminhar o processo de recuperação da dívida pública (sobre isso já fui explicito que baste noutros momentos), mas a verdade é que num momento em que se começam a levantar algumas dúvidas sobre o cumprimento das metas do défice para este ano, a presença de Jeroen Dijsselbloem em Portugal permitiu que fosse desbloqueada uma verba de cerca de dois mil milhões de euros, referente à sétima avaliação da "troika" ao programa de ajustamento estrutural português. Além disso, e não menos importante, o Presidente do Eurogrupo admitiu que Portugal possa vir a ter mais tempo, se necessário. Em causa está o cumprimento das metas: em 2012 inicialmente era de 4,5% e passou para os 5%; este ano estava fixada nos 3% e passou para 4,5% (a meta prevista para 2014 é de 4% e em 2015 o défice deve ficar abaixo dos 3% do PIB). Em causa está, mais uma vez, a capacidade ou não deste Governo de cumprir alguma das previsões que fez até agora.

Mas há uma outra realidade para além destes valores e que merecem tão ou mais destaque, apesar de parecer algo insignificante: o que se passou com a conferência de imprensa conjunta de Vítor Gaspar e Jeroen Dijsselbloem. Não houve uma mais que natural e óbvia tradução simultânea; foi exigido que os jornalistas colocassem as questões em inglês (apesar de estarem em Portugal) e ainda achou “deselegante” que um profissional da SIC tivesse perguntado (em inglês, diga-se) ao presidente do Eurogrupo o que ele achava do reajustamento português. Enfim… comecemos por aqui. O que pode levar o ministro das finanças português a achar a pergunta “deselegante” quando a presença em Portugal de Jeroen Dijsselbloem se resumia precisamente a essa realidade? E porque é que Gaspar respondeu ao jornalista da SIC em português (quando a regra imposta era o uso do inglês)? O que tem Vítor Gaspar a esconder, e receio que a Europa descubra, do Eurogrupo? Será que a Europa conhecerá mesmo a realidade do que tem sido o caso do reajustamento das contas públicas em Portugal?

Por outro lado, a atitude e exigência inqualificável do recurso ao inglês numa conferência de imprensa em Portugal só revela que o ministro das finanças não tem a mínima noção do que é a soberania, a independência, a cultura e a identidade de um povo, principalmente quando o que está em causa é aquilo que mais caracteriza um povo e uma nação: a sua língua.

E é nestes pequenos gestos, nestes pequenos detalhes, que se vêem os grandes políticos e aqueles que verdadeiramente se preocupam com o país, com a sua soberania e independência. Bem sei que o ministro Vítor Gaspar é um tecnocrata, um experimentalista, um académico (com todo o respeito que tenho pela academia). Escrever, ler, conferenciar no estrangeiro em inglês é algo que, do ponto de vista técnico, se compreende.

Uma conferência de imprensa oficial, em Portugal, em representação do Governo e do Estado português, é lamentável, no mínimo, que seja feita numa outra língua que não o Português (ou, a bem do rigor e da justiça, ainda o Mirandês). Já para não falar das mínimas exigências técnicas de uma tradução simultânea.

Resta a questão: se o ministro das finanças português for convidado a visitar a Holanda e tiver lugar uma conferência de imprensa, o ministro das finanças holandês também vai exigir que as perguntas sejam efectuadas em português?

É este o retrato de quem nos governa…

(actualização: excerto da conferência com a declaração de "deselegância")

publicado por mparaujo às 08:19

18
Mar 12
É conhecida e divulgada publicamente a opinião do governo no que respeita a uma forma de combate ao desemprego: Emigrar. Quando se esperaria uma aposta e medidas apropriadas para o desenvolvimento e a promoção do empreendedorismo, das PME's, da inovação... eis que a resposta dada é: EMIGRAÇÃO.

Mas sugerir que os seus cidadãos emigrem e depois deixá-los sem qualquer apoio ou ligação a Portugal é o mesmo que, claramente, abandoná-los.
É o que o Governo se prepara para fazer, por exemplo, na Suíça: desinvestir nas raízes, no apoio a quem emigra, na ligação à cultura e identidade nacional, é, de facto, abandonar os seus cidadãos, já por si "desprotegidos" pela distância e por realidades sociais, económicas e culturais bem distintas.

Mas o que o Governo (nomeadamente o Secretário de Estado da juventude e o Primeiro-ministro) também esquece (ou faz por esquecer/esconder) é que a realidade da emigração de hoje, ou das últimas duas décadas, não é a mesma dos anos 60 e 70.
Quem sai do país para procurar novos desafios e oportunidades é muito mais qualificado (ou altamente especializado), mais desprendido dos laços familiares e, por isso, com menos propensão para o regresso (mais facilmente se enquadra noutras identidades nacionais), e não tem a mesma intenção de enviar para o país natal parte dos seus recursos financeiros (deixando de contribuir "fiscalmente").

Em resumo... quando Passos Coelho sugeriu a sugestão de os jovens e menos jovens portugueses emigrarem (principalmente para países integrantes dos PALOP's) aquilo que estava claramente a afirmar era: "bazem" já cá somos muitos, demasiados, e não há lugar para todos!
publicado por mparaujo às 15:53

07
Fev 10
Já é notória, em diversas entidades - Comunicação Social - Entidades Públicas - Diário da República, entre outros, a implementação do novo acordo ortográfico nos novos procedimentos escritos.
Este espaço prefere, radicalmente, a defesa da cultura e da língua portuguesa.
Por isso, de facto, não aplica as regras do novo (des)acordo.
Continuamos em bom português...

publicado por mparaujo às 15:35

09
Jan 09
Quando o jornalismo não é cuidado ou não tem cuidado com as rasteiras linguísticas do Português.
Não teria sido preferível outro título para o Expresso... um talvez com menos probabilidades de leituras paralelas?
"Um ano negro no emprego americano". (fonte: expresso)
Isto em cima da tomada de posse do novo presidente americano, Barack Obama. É "galo".
publicado por mparaujo às 20:16

26
Out 07
Publicado na edição de hoje (26.10.2007) do Diário de Aveiro

Crónicas dos Arcos
A Leitura e a Língua.

Esta semana, no plano nacional e para além do “deve e haver” do Millenium BCP, um dos enfoques relevantes centrou-se nos hábitos de leitura dos portugueses.
Foi amplamente divulgado pela comunicação social e claramente “politizado” pelo Ministério da Educação um estudo que refere os hábitos de leitura dos portugueses.
O universo deste estudo incidiu sobre 7,5 milhões de portugueses residentes no continente. Ou seja, cerca de 2/3 da população portuguesa.
Deste estudo, fica a conclusão de que, nos últimos 10 anos, os portugueses lêem mais. No entanto, este aumento é mais acentuado na leitura de jornais e revistas do que na leitura de livros (aumento de apenas 7%). Embora mais de metade da população portuguesa tenha o hábito de leitura, este é ainda pouco abundante, já que a média dos livros lidos se situa entre duas a cinco obras por ano. São muito poucos os leitores portugueses que lêem anualmente entre 11 a 20 livros.
Além disso, segundo o estudo “A leitura em Portugal”, as bibliotecas domésticas são muito reduzidas, contendo entre 21 a 50 livros (excluindo os escolares), reflexo da maioria dos leitores portugueses serem contidos na aquisição de obras - entre um a cinco livros por ano.
Por outro lado, o referido estudo indica um acréscimo de importância no espaço/tempo dedicado à leitura nos estabelecimentos de ensino. No entanto, os dados analisados revelam que os hábitos e o interesse pela leitura vão diminuindo à medida que a idade escolar vai aumentando.
Sendo dado adquirido que a maioria dos leitores prefere as obras de autores portugueses aos escritores estrangeiros traduzidos, há uma abordagem paralela que é necessário efectuar-se: a valorização e a preservação da língua portuguesa.
É óbvio que a preferência pela leitura de obras de escritores portugueses valorizará e protegerá a língua portuguesa, dando-lhe o relevo, importância e dimensão necessárias. É, no entanto, curioso e importa referir que esta relação entre a língua e a leitura de autores portugueses, não está a ser devidamente acompanhada no ensino, nomeadamente no básico e no secundário, com a desvalorização do “português” e nas falhas na exigência para com uma avaliação cuidada na escrita e na oralidade. Não pode bastar saber escrever e falar. Deve-o ser feito de forma correcta e coerente.
Além disso, para além do função, mesmo que extracurricular, que as escolas e os professores possam desempenhar no incentivo à leitura e consequente preservação e resguardo da língua portuguesa, a família, como pilar educacional, tem que assumir um papel relevante na criação de hábitos de leitura e desenvolvimento cultural dos seus membros. Seja pelo exemplo parental, seja pela própria necessidade que as crianças sentem em ler (segundo os dados, é no início do 2º ciclo do ensino básico que existe maior empatia pela leitura).
Mas o estudo revela outra faceta que importa não descurar.
A preferência pelo tipo de leitura, apontada pela grande maioria dos portugueses, respeita aos jornais e revistas (8 em cada 10 portugueses refere ler jornais ou revistas). Ou seja, uma parte significativa da comunicação social, tem um papel de relevo nos hábitos de leitura e, por consequência, na subsistência e protecção da língua portuguesa.
Mas será assim?!
A crescente mediatização, cada vez mais acentuada, da informação, o desenvolvimento das tecnologias da informação (informática, Internet, telecomunicações), a globalização do espaço e do tempo, a “multi-culturalidade” e a diversidade social, têm transformado um dos aspectos mais importantes da identidade de um povo - a sua língua - numa questão de somenos relevância, como se o desenvolvimento social, económico e político não dependesse igualmente do estado cultural duma nação.
E a comunicação social, hoje, perdeu uma das suas qualidades fundamentais: o exemplo e o espelho da divulgação e resguardo da Língua Portuguesa.
Não deve bastar apenas o cuidado jornalístico em dizer “o quê” (difusão da mensagem informativa). Há que saber cuidar e transmitir, correcta e coerentemente, as mensagens, para que a oralidade e a escrita difundidas não sejam mais um contributo para a deterioração e degradação da Língua Portuguesa.
Por Camões, Almeida Garret, Fernando Pessoa e muitos mais…
publicado por mparaujo às 21:16

21
Out 05
Apostar claramente no ensino do inglês, logo de pequenino (the little torceit the pepineit). Na escola primária.
Porque o português já era... nem vale a pena perder mais tempo!


publicado por mparaujo às 01:00

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