Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

07
Jan 17

mario soares 1974.jpg

O slogan foi o de uma campanha eleitoral presidencial (as presidenciais de 1986): "Soares é fixe!". Curiosamente, a primeira volta foi realizada em janeiro de 1986 (26 de janeiro), há 31 anos.

Morreu o Presidente Mário Soares.

Não há, na história de Portugal ou em qualquer história de uma outra nação, um único político, governante ou presidente, um único que seja, que não tenha cometido os seus erros, que não tenha despoletado numa ou noutra pessoa alguma animosidade ou indiferença.

O que importa avaliar, independentemente da maior ou menor proximidade político-ideológica, é a importância e o impacto que esse político teve ou não nos destinos do país.

No caso concreto do ex-Primeiro ministro e do ex-Presidente da República, para além de um dos fundadores do Partido Socialista, é inquestionável o papel que Mário Soares teve, a vários níveis, na história democrática de Portugal, sendo inequívoco o estatuto de figura de Estado preponderante no desenvolvimento de Portugal. Basta recordar a algumas vozes críticas da direita, nomeadamente e por exemplo, o papel e a proximidade tidos para com o CDS e para com Freitas do Amaral num período político e social extremamente hostil ao partido (recorde-se o cerco ao Palácio de Cristal). Se houver honestidade na análise histórica e política, o CDS tem um legado de gratidão para com Mário Soares, independentemente da questão partidária, da política e da ideologia.

Não sou socialista (poderei eventualmente ter alguma afinidade política a um PS diferente do actual pela defesa do princípio da social-democracia) e é óbvio que Mário Soares, quer como Primeiro-ministro, quer como Presidente da República, cometeu erros e nem sempre achei que tenha agido, politicamente e na governação, da forma mais correcta. Embora no processo que levou às várias independências na ex-colónias em África, entendo que seria, face a um conjunto múltiplo de diversidades e de conjunturas políticas, económicas e sociais, muito difícil, se não impossível, fazer, naquela altura, melhor ou diferente.

A verdade da história política portuguesa é clara e transparente: a Mário Soares, Portugal e os portugueses, devem, mais que a liberdade (mas também), a democracia que hoje vivemos e temos, concretamente pelo papel que teve entre o 25 de Abril de 74 e o 25 de Novembro de 75; a Mário Soares, Portugal e os portugueses, devem a adesão à, então, CEE, processo do qual o PSD e Cavaco Silva puderam politicamente aproveitar; a Mário Soares é inquestionável o reconhecimento do seu papel de estadista e de político de excelência.

Isto é que o fica na e para a história contemporânea política e social de Portugal neste período da democracia.

Levantem-se as vozes que quiserem criticar ou acusar Mário Soares... são pormenores, gotas de água, numa vida cheia de vivência política, partidária, governativa e democrática.

No fim, resta inequivocamente o gesto de gratidão, de reconhecimento: Soares foi mesmo fixe.

mario soares - foto de daniel rocha - publico.jpg

(crédito da última foto: Daniel Rocha - jornal Público)

publicado por mparaujo às 19:23

05
Jan 17

untitled.JPG

Era mais que expectável a escolha de "Geringonça" para a palavra do ano de 2016, no inquérito promovido pela Porto Editora.

Num total de cerca de 28000 votos, perto de 9800 portugueses (representando cerca de 35% dos votos) escolheu a palavra, que entrou no léxico comum português pela mão de Paulo Portas de de Vasco Pulido Valente, tendo definido e marcado o discurso político nacional durante 2016.

Pessoalmente e espelhando o que foi um sentimento generalizado em relação ao ano de 2016 a palavra que melhor espelha o ano que terminou teria sido a expressão anglo-saxónica "RIP" (Rest in Peace - Descansa em Paz).

rip.jpg

publicado por mparaujo às 14:33

31
Jul 16

Faleceu o Professor Moniz Pereira deixando o desporto nacional e a sociedade portuguesa mais pobre, triste e de luto.

A repleta vida desportiva do Prof. Moniz Pereira vai muito para além da clubite...

Apesar de ser apelidado de "Sr. Atletismo" e apesar de ser nesta modalidade que maior projecção teve e conheceu, o seu ecletismo (andebol, basquetebol, futebol, hóquei em patins, ténis de mesa, e, nomeadamente o voleibol) transforma-o na maior referência do desporto português.

Reconhecimento público e do público mas também institucional como comprovam a a condecoração de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (9 de Abril de 1981), Comendador da Ordem da Instrução Pública (26 de Outubro de 1984), Ordem Olímpica (1988) e Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (26 de Março de 1991).

Depois de uma enorme "Maratona" de 95 anos... descanse em Paz. Não o recordaremos... porque nunca o esqueceremos. OBRIGADO.

moniz pereira.jpg

 

 

publicado por mparaujo às 21:44

20
Fev 16

Umberto Eco.jpg

Nada é eterno. Nada é imortal. Mas o mundo ficou mais vazio e a nobreza do pensamento crítico mais pobre.

Podia falar dos livros tão "históricos" como "O nome da rosa" ou o "Pêndulo de Foucault".

Recordarei sempre Umberto Eco pela marca que deixou no meu percurso formativo (semiótica e comunicação), a par do "espaço público" de Jürgen Habermas (comunicação).

Por exemplo, o tratado/ensaio "Kant e o ornitorrinco" ou a recentíssima reflexão jornalística "Número Zero".

Não foi só a cultura mas todo o pensamento crítico que ficou bem mais pobre ou vazio.

publicado por mparaujo às 22:09

07
Jul 15

Um rosto claro e inequívoco da esquerda social.

Uma personalidade forte, guerreira, combativa.

Uma constante preocupação humanitária (por exemplo, Moçambique).

Nunca na sombra, sempre ao lado e, não raras vezes, bem à frente.

Faleceu Maria de Jesus Simões Barroso Soares.

Não tenho legitimidade para mais, a não ser... Respeitosamente, R.I.P.

Maria Barroso.jpg

publicado por mparaujo às 10:25

15
Mai 15

Morreu B.B. King (Riley Ben King - Blues Boy King - B.B. King)
R.I.P. ao Rei do Blues.

A grande lenda do blues morreu, hoje, com 89 anos, e silenciou-se o principal herdeiro do blues do Mississipi e da colossal tradição do Memphis (Tennessee).

Felizmente não foi preciso este triste momento para me lembrar do grande King, já que o "blues de uma só nota" sempre foi, é e será presença constante. A última escolhe recaiu sobre o Riding with the King, álbum de 2000, com Eric Clapton.

Houve, pela história da música e da origem do blues, um pré B.B. King.
Houve, pela mestria, pela criação, pelo preservar da herança, um B.B. King.Não acredito que, depois de hoje, haja alguém que consiga chegar ao trono do Rei do Blues.

The KING is died. Até sempre B.B.

BB King e Eric Clapton.jpg

publicado por mparaujo às 09:35

06
Mai 15

R.I.P. Oscar Mascarenhas.

Nem sempre tivemos posições, conceitos e visões semelhantes. Antes pelo contrário. Foram mais as divergências que as convergências, ao ponto de uma ou outra ter sido pública.

Mas como em tudo na vida (passe o "sarcasmo") as polémicas não tornam as pessoas inimigas ou hostis, antes transformam as diferenças em respeito.

Seria de uma injustiça inqualificável não reconhecer o profissionalismo, o saber, a experiência e a dedicação à causa jornalística patente na vida de Oscar Mascarenhas.

Registe-se o meu tributo público a um grande profissional e docente. Paz à sua alma.

O jornalismo ficou mais pobre... claramente mais vazio.

Oscar Mascarenhas.jpg

publicado por mparaujo às 14:29

23
Abr 15

Faleceu um dos homens que mais lutou e fez por Aveiro, na história desta terra e destas gentes.

Mas há mais, muito mais, na vida para além da política.

E a ligação ao Dr. Girão Pereira era muito mais que isso e desde que me conheço como gente.

Pela primeira vez... faltam-me as palavras. E faltam-me mesmo... por um turbilhão de sentimentos.

Só não me digam "é a vida". Quanto muito... "foi uma vida". Intensa, cheia e dada.

Descanse em paz.

girao pereira.jpg

 

publicado por mparaujo às 09:40

01
Mar 15

Amadeu Ferreira.jpg

Morreu Amadeu Ferreira. A notícia caiu-me como uma "bomba".

Grande impulsionador da segunda língua oficial portuguesa, o mirandês...
Um dos principais impulsionadores da lei que aprovou o Mirandês como língua oficial...
Grande impulsionador da história e da língua que esteve na origem de Portugal...

Traduziu obras como os Lusíadas, a Bíblia, duas publicações do Asterix, a Mensagem de Fernando Pessoa, entre outros.

Tinha a história da língua mirandesa, a sua divulgação e promoção, no coração. Um "coraçon einorme".

A preservação e divulgação da Língua Mirandesa deu-lhe uma coragem e uma capacidade de luta que aplicou para fazer face à doença que o atormentava há algum tempo. Mas nenhum homem é de ferro, por mais lutador que seja.

Além disto tudo, Amadeu Ferreira é o responsável por um dos trabalho académicos que mais prazer me deu fazer e que melhor resultados tive, em Língua e Identidade Cultural. Assim como foi o seu trabalho e papel que me serviram de exemplo pela paixão da identidade cultural que tanto caracteriza e diversifica este país, que tanto me faz admirar a nossa origem e essa região de "por trás os montes".

R.I.P. Amadeu Ferreira

"Até siempre, Porsor"... "paç a la sue alma".

publicado por mparaujo às 21:41

13
Ago 14

Não sei se será muito correcto e fundamentado dizer que há uma comunicação social antes e pós Emídio Rangel. Aliás, porque o próprio 25 de abril, entre muitas coisas, trouxe a liberdade e com ela a liberdade de expressão, de opinião, de informação.

Mas não é de todo exagerado se afirmar que Emídio Rangel foi um dos marcos importantes e uma referência na comunicação social portuguesa.

Fundador da que é hoje uma das emissoras de referência no jornalismo radiofónico - TSF; fundador do primeiro canal de televisão privado em Portugal, algo que, à data, poucos vaticinavam poder acontecer ou que tivesse sucesso, abrindo o caminho a muitas outras apostas nomeadamente ao segundo canal privado - TVI; começou a sua carreira de jornalista na RDP e assumiria ainda o cargo de director-geral da RTP.

Homem de polémicas, irreverências, dizem que de alguns excessos, mas também de grandes virtudes e uma grande paixão pela comunicação social.

Goste-se ou não, Emídio Rangel foi um marco na história da comunicação social portuguesa.

E esta é uma das notícias que nenhum órgão de comunicação social gostaria de dar: a comunicação social ficou mais pobre com o falecimento de Emídio Rangel.

R.I.P. Emídio Rangel.

publicado por mparaujo às 13:55

12
Ago 14

Morreu Robin Williams. Não tem a mínima relevância se suicídio ou outra causa. Robin Williams foi encontrado sem vida em sua casa. Ponto.

Para sempre calou-se a voz que, em cenário de guerra, "acordava" os soldados americanos "perdidos" em terras do sudoeste asiático: "Good Morning Vietname". Ou que se perdeu a irreverência do ensino ou da paixão literária em "Oh Captain, my Captain...".

No fundo... fazia parte daquele grupo em que eram "todos uns bons rapazes".

Dos melhores filmes aos menos conseguidos, mas sempre de forma irrepreensível. Sempre exclente... sempre GRANDE.

Até sempre, Robin Williams. Carpe diem.

publicado por mparaujo às 09:24

24
Abr 14

Há dois anos, neste preciso dia, falecia Miguel Portas.

Na altura devida, com todo o reconhecimento, sem qualquer tipo de constrangimentos ideológicos, foi com pesar que lhe prestei modesta, mas sentida, homenagem: "Respeitosamente... Obrigado, Miguel Portas."

Abril de 74 concedeu-me o direito (mais que o privilégio) da plurailidade, da democracidade, da liberdade, da livre opinião.

Hoje, neste preciso dia, volvidos estes dois anos em que a política ficou mais vazia sem Miguel Portas, o mesmo 25 de Abril de 74, mantém-me o direito a expressar o mesmo sentimento. E, propositadamente, a referência conjunta, porque foi para isto que o 25 de Abril aconteceu: pluralidade, liberdade, democracia, respeito e reconhecimento.

Hoje, a história política portuguesa também perdeu outro dos seus rostos.

Três meses após a Revolução de Abril (Julho de 74) surgia o CDS, por principal vontade de Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta, entre outros. E neste grupo surgia também o nome de João Lopes Porto.

E hoje, 24 de abril, (apesar do facto ter ocorrido ontem - quarta-feira) surge a notícia da sua morte. Voltamos à véspera das comemorações do 25 de Abril. E a história política da democracia portuguesa, infelizmente, repete-se e fica mais pobre.

RIP João Porto.

 

Morreu João Porto, fundador do CDS e antigo ministro das Obras Públicas
(créditos da foto: José Mota - Global Imagens, in JN online)
publicado por mparaujo às 14:43

02
Fev 14

O dia em que é divulgado o falecimento do actor (um dos que me prendia ao ecrã) Philip Seymour Hoffman, é "inundado" com a referência ao óscar de melhor actor principal, conquistado em 2005, pelo papel desempenhado em Capote.
Mas entre uma série de filmes que enaltecem o seu excelente desempenho como actor, fica-me para sempre na memória o seu papel no filme Doubt (A Dúvida - 2008), aliás, muito perto de conquistar o óscar de melhor actor secundário em 2009 (assim, como Meryl Streep esteve quase a conquistar a estatueta dourada pelo papel principal).

R.I.P.
O cinema ficou mais pobre.

publicado por mparaujo às 22:50

07
Jan 14

Começa a ser viral, nas redes socias nacionais (facebook e twitter, pelo menos) a foto que aqui é mostrada.

Uns dizem que é Photoshop, outros dizem que é uma vergonha para o clube (SLB), outros dizem que o que é mostrado não reflecte a verdade (sendo que, neste caso, a verdade significa que não estavam a ser retirados os cachecóis mas sim a serem colocados, a pedido de um grupo de adeptos sportinguistas).
Eu acrescento… é-me completamente indiferente qual a verdade que a imagem pretende demonstrar.
Já não me é indiferente que, independentemente da verdade dos factos, a memória e o falecimento do Eusébio sirva para a intriga, o ataque, a calúnia e a polémica. Isso sim… é VERGONHOSO.
Mas é o país que temos…  e, nestes casos, merecemos.

publicado por mparaujo às 16:49

06
Jan 14

A morte do Eusébio não poderia fugir à regra.
Apesar disso, entre os excessos de algum fanatismo (uns mais descontrolados que outros), entre alguma indiferença, entre os que gostam e os que detestam futebol, entre os que são do clube “A”, “B” ou “C”, nesta caso, houve um consenso alargado sobre o símbolo que foi Eusébio da Silva Ferreira para o desporto nacional, para o futebol e para o país. E basta dar uma espreitadela para as notícias que surgem na imprensa estrangeira, para o que sentiram, nomeadamente, as pessoas ligadas ao futebol por esse mundo fora, para termos uma noção da dimensão futebolística do Eusébio.
Mas é nesta dimensão que, à boa maneira portuguesa, corremos os riscos de sempre: o exagero. Não me refiro à valorização do Eusébio. Essa, goste-se de futebol ou não, penso que está, genericamente, ultrapassada. Eusébio é do povo, de todo o povo, independentemente do tempo e da carreira que fez no Benfica. Será sempre um símbolo do Benfica, da sua história e da grandeza do clube. Mas ultrapassou os relvados do estádio da Luz, vestiu a camisola da selecção, é, foi e será, um símbolo nacional.
E esta dimensão é que traz alguns constrangimentos. Na ânsia de valorização da personalidade, no desejo de homenagear e elevar o Eusébio, muito rapidamente caímos no erro do exagero, no irracional, na descontextualização das comparações, no fanatismo e, ao caso, na clubite. Por exemplo, não fosse Eusébio um ídolo do povo ficaríamos apenas a ouvir (legitimamente) o Hino do Benfica. Mas Eusébio era de Portugal e as vozes dos portugueses rapidamente se lembraram do Hino Nacional e entoaram A Portuguesa.
Mas este foi um episódio de somenos importância no contexto do que foi o dia de ontem e de hoje.
Eusébio merece este estatuto e esta homenagem nacional? Claramente. Só por mera indiferença se pode julgar o contrário (como houve indiferentes ao falecimento do Nobel da Literatura Portuguesa, José Saramago, ou quando do falecimento da fadista Amália Rodrigues).
Mas terá sido a sua memória respeitada? Tenho dúvidas. Não só pelo que já referi quanto às emoções irracionais, aos comentários despropositados (como alguém referir que o "Eusébio está ao nível de Mandela, talvez até um pouco mais acima") ou aos fanatismo (quer pró, quer contra), mas, essencialmente, pela forma como a Comunicação Social “explorou” a morte de Eusébio, em vez de celebrar a “sua vida”. Como referiu Luís Novaes Tito, no blogue “A Barbearia do Sr. Luís”, é importante saber “respeitar a memória dos mortos, principalmente daqueles que, em vida, nos serviram de exemplo”.
Que o País devesse uma sincera homenagem a Eusébio, que parasse durante várias horas para se despedir de um dos seus símbolos nacionais (não o que o Estado Novo tentou aproveitar, mas sim o que o povo quis escolher), tudo seria mais que merecido. Mas com um excessivo número de horas de transmissão dedicados à morte de Eusébio (quase que ininterruptamente), explorando muito mais as emoções, os sentimentalismos, as opiniões de todos e de mais alguns (mesmo que sujeitas às alarvidades do costume, como a citada acima, ou o comentário do Dr. Mário Soares, que pareceu sincero mas inoportuno ou despropositado – para não dizer, infeliz) do que o que foi a vida pessoal e desportiva do Rei Eusébio (e a RTP tinha material mais que suficiente para o fazer com extrema elevação) não me parece que se tenha prestado a devida homenagem pública nesta hora da despedida. A maior parte do tempo usado nas televisões nacionais, por força da necessidade de “ocupar tempo de antena”, foram as repetições, o exagero dos testemunhos e das opiniões, a disputa pelas emoções dos portugueses (mesmo que sinceras). Como escreveu a Estrela Serrano, no seu blogue “Vai e Vem”, “Homenagear Eusébio e outros grandes ídolos mundiais na hora do seu desaparecimento é também ser capaz de encontrar o equilíbrio no tempo, nas palavras e na selecção daqueles que efectivamente tenham algo para dizer que não seja o que qualquer um podia dizer”. Eu diria mais… Homenagear Eusébio seria ser capaz de celebrar muito mais a sua vida do que o momento da sua morte. E menos excesso não significaria menos gratidão. Antes pelo contrário, Seria sinal de maior respeito.
Mas também se reconhece que esta é a Comunicação Social/televisão que o povo quer e sonha. Um povo agarrado a horas sem fio de “Casas dos Segredos”, “Portugal em Festa” e tudo o que tenha sangue, tragédia e lágrimas (para o bem e para o mal).
Eusébio merecia menos, mas melhor. Muito melhor. Acho...

publicado por mparaujo às 16:03

05
Jan 14

seja na vida ou na morte, há coisas que, não tendo explicação racional, não deixam de surpreender pela coincidência dos factos.

Eusébio faleceu hoje, 5 de janeiro de 2014.

Há 37 anos, no dia 5 de janeiro de 1977, Eusébio defrontaria, pela ÚNICA vez em toda a sua carreira, o S.L. Benfica.
Foi no jogo a contar para o campeonato nacional da I Divisão nacional (época 76/77), que colocou frente-a-frente o Beira-Mar (onde jogava, na altura, o Eusébio) e o Benfica. Resultado final 2-2.

A crónica do Mário Varela.

publicado por mparaujo às 21:51

É curioso como os acontecimentos produzem reacções distintas e nos levam ao encontro de outros factos.
Isto a propósito do falecimento, hoje, do Eusébio, um dos maiores vultos do desporto nacional, um verdadeiro embaixador de Portugal.
Mas o confronto com as nossa realidades pessoais, com as nossa vidas, "encobre" outros mistérios, outros momentos, outras vivências que marcam a "nossa" história.

Isto tudo porque, ao procurar a foto do post anterior, sobre a passagem do Eusébio pelo Beira-Mar (época de 1976, se não me falhar a memória) descobri esta imagem de equipa, dessa época.

Na foto podemos recordar, entre outros, Eusébio, Sousa, Manuel José, Víctor Urbano, Manecas, etc ...
Mas há um que, por razões pessoais e muito particulares, se destaca: o guarda-redes José Domingos (que nos "deixou" há alguns anos).
Para quem cresceu junto ao Parque de Aveiro (onde se situa o velhinho estádio Mário Duarte), na zona da "Praceta" não pode ficar indiferente àquela "imagem de azul". Por mim, restam-me as memórias de quem andou comigo ao colo, da amizade, do cuidado, da relação quase familiar.

E foi bom recordar e sentir um bater forte de inúmeras "imagens/memórias" e de muitas saudades...

publicado por mparaujo às 15:27

Morreu o “Pantera Negra, o “King” do futebol nacional, aos 71 anos, muito perto de comemorar o seu 72º aniversário (25 de janeiro).
Um dos maiores vultos da história do desporto português, Eusébio da Silva Ferreira estava para o futebol como a Amália esteve para o Fado.
Marcou um dos períodos mais consideráveis do futebol nacional, fosse no Benfica ou na Selecção Portuguesa. Ajudou a Selecção nacionla a alcançar o terceiro lugar no "polémico" campeonato do Mundo de 1966, em Inglaterra. No Benfica, conquistou 11 campeonatos nacionais, 5 taças de Portugal, 1 Taça dos Campeões Europeus (para além de três finais da competição).
Bem sei que foi nestes dois contextos que o Eusébio foi mais preponderante e aí rezará a sua história desportiva.
Mas ainda me lembro, já em final de carreira activa, da sua passagem pelo Beira-Mar (antes de terminar no União de Lamas e rumar aos Estados Unidos).
Com certeza será um encontro e pêras, lá em “cima” entre a Amália e o Eusébio.
Obrigado, Eusébio e até sempre.

publicado por mparaujo às 13:45

15
Out 13

Publicado na edição de hoje, 15 de outubro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Último monólogo

Na fé e na vida, D. António Marcelino, por razões diversas, foi marcando uma considerável parte do meu percurso de vida. Sucedendo a D. Manuel de Almeida Trindade (de quem resta apenas a imagem de infância), D. António Marcelino foi Bispo a quando da minha passagem pelo seminário, pelo grupo de jovens da Sé, pelos cinco anos no Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, pelos três anos no Movimento Católico de Estudantes. Mas também pela relação familiar e pela presença constante, até bem tarde, no dia-a-dia (por mais espaço que fosse no tempo). A verdade é que D. António Marcelino, mesmo sem me aperceber, esteve sempre presente.

Sem qualquer demérito ou desconsideração por D. Manuel Almeida Trindade ou por D. António Francisco, a verdade é que, pelas razões referidas, pela marca que deixou, pela referência que foi, D. António Marcelino foi (é) o “meu” Bispo. Como, por diversas vezes, pública, a minha ligação com o bispo emérito foi sempre muito forte, com inegável estima, respeito e consideração. Nos bons e maus momentos, nos altos e baixos da vida.

Nem sempre estivemos de acordo, como por exemplo, em relação à “visão” da Igreja no que respeita à vida ou à família, em relação a Bento XVI. Mas, felizmente, foram mais os momentos e as visões comuns: ao papel, ainda por concluir, do Concílio Vaticano II; o mesmo sentimento em relação à missão da Igreja, à sua doutrina social e ao seu papel evangelizador; à sua intervenção política no mundo e nas instituições; à felicidade pela eleição do Papa Francisco. Mas também, sempre olhámos para o mesmo horizonte em relação ao peso da Cúria, à complexidade e meandros da estrutura da Igreja; à rigidez e inflexibilidade do direito canónico (ou da sua aplicação prática), embora aqui reconheça-se uma feliz alteração de convicções após o seu pedido de resignação episcopal. Muitas destas realidades foram publicamente partilhadas (sei que lidas) nos “Monólogos com o meu Bispo – na fé e na vida”.

Muito haveria ainda por partilharmos, mas, acima de tudo, muito (demasiado) ficou por aprender e apreender com a vivência, o crer e o saber do “meu” Bispo. Fica o sentimento do desapontamento do “monólogo” não escrito (seria o décimo segundo) em relação ao seu último texto publicado (18 de setembro), claramente em jeito de despedida, de quem sente o aproximar do juízo final e de partir, de um verdadeiro testemunho pessoal e de/da Fé (“Este amor chama-se Diocese de Aveiro – Ler a realidade social e a própria vida”). Foi neste princípio, nesta concepção da realidade social e da vida, que foi cimentada a minha relação afectiva com D. António Marcelino.

Agora partiu. Os elogios públicos são imensos e mais que merecidos, proferidos por quem “de direito”. Seria de todo abusivo da minha parte estar a sobrepor-me aos mesmos.

Pessoalmente, a Igreja (não apenas a de Aveiro) ficou mais pobre e o céu mais rico. Ninguém é insubstituível mas há, de entre todos, quem nos faça mais falta, por quem a memória e a recordação não terão sossego.

D. António Marcelino tinha como lema na sua nomeação episcopal: “Darei o que é meu e dar-me-ei a mim mesmo pela vossa salvação”. A verdade é que, de facto, deu durante uma vida inteira, concretamente a Diocese de Aveiro e os aveirenses que com ele privaram são disso testemunho. Mas também é verdade que D. António Marcelino recebeu muito da Igreja que “pastorou” e com isso foi igualmente enriquecendo a sua vida.

Para mim, de modo muito pessoal, fica a imagem do “meu” Bispo em cada gesto seu, palavra ou silêncio, espelhados na sua expressão: “a vida também se lê”… já que a morte apenas deixa saudades e vazio. E na “minha casa” morará sempre o meu Bispo.

publicado por mparaujo às 09:34

12
Out 13

vai-se num segundo, em poucas horas, nem é preciso mais que um dia,

Ainda de manhã (ontem) te tinha cumprimentado, junto ao largo Capitão Maia Magalhães. Estavas bem disposto, sorridente... aliás, como sempre te via.

À hora do almoço, de hoje, chegava-me a triste notícia. Partiste... seja lá para onde for.

Descansa em paz. Recodar-nos-emos sempre de ti Zé Lobo.

Até breve, amigo.

publicado por mparaujo às 21:13

19
Out 12

Sei que a "principal" (?) característica de Manuel António Pina era a de escritor: é vasta a sua obra infanto-juveni, são vários as suas obras poéticas, com lagumas incursões na escrita para o teatro e na ficção.

Como poesia não é, propriamente, uma das minhas opções literárias, sempre associei e identifiquei Manuel Pina na comunicação social/jornalismo, nomeadamente pela sua longevidade nas páginas do Jornal de Notícias.

Quando soube da notícia, a meio da tarde, esta foi a minha reacção:

Morreu Manuel António Pina.
Escritor, Jornalista, Cronista
A escrita e o jornalismo não serão mais o que eram com Manuel Pina.
As palavras também não...
R.I.P.

Há uma página do Jornal de Notícias que vai ficar, para sempre, vazia.
Há um espaço na prateleira dos livros que ninguém vai preencher.
Obrigado por tudo...

Por sinal, é grande o reconhecimento da importância cultural e social de Manuel António Pina.
Felizmente que a última página do Jornal de Notícias será sempre olhada com respeito e saudade: "Na TSF, o director do Jornal de Notícias (JN), Manuel Tavares, recordou um «grande amigo e cidadão português» e garantiu que «naquele espaço [na última página do jornal] mais ninguém escreverá»" (fonte: tsf).

Manuel António Pina nasceu no Sabugal a 18 de Novembro de 1943. Licenciou-se em Direito, em Coimbra, mas foi jornalista. Não largou o Jornal de Notícias (JN) durante 30 anos. Repórter, redator, editor, chefe de redação, e assinou, até ao dia 3 de agosto, no JN, da crónica "Por Outras Palavras" (fonte: tsf).

publicado por mparaujo às 22:42

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