Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

01
Set 15

A leitura e a partilha dos textos vem a propósito do artigo do Debaixo dos Arcos da edição de domingo passado do Diário de Aveiro: "Uma Europa sem rumo".

Felizmente, cada dia que passa há uma maior consciencialização para o drama dos refugiados e migrantes que todos os dias chegam às portas desta Europa. Para além das posições politicamente corajosas de Angela Merkel, contra tanto cepticismo dos seus pares europeus, e tanto extremismo e radicalismo de posições da sociedade, encontramos textos que, pelo menos, têm o condão de manter viva a memória e a consciência colectiva.

joao miguel tavares.jpgJoão Miguel Tavares (na edição do Público de hoje, dia 1 de setembro) - "Que fizeste ao teu irmão?" foca a gravidade da indiferença da sociedade (e dos políticos) perante a tragédia humanitária, acrescentando uma memória histórica dos anos da II Grande Guerra lembrando, e muito bem, Schindler e Aristides Sousa Mendes.

rui tavares.jpgRui Tavares, também no Público um dia antes, "Mundo Cívico", centra-se na responsabilidade social, cívica e humanitária de cada um de nós, das instituições e dos Estados. Sendo certo que nunca será possível salvarmos todo o Mundo e toda a gente, é sempre possível, por mais pequeno que seja o gesto e a medida, salvar um pouco do Mundo e algumas pessoas. Neste caso, uma mãe e uma criança que sejam.

Obrigado aos dois.

publicado por mparaujo às 15:13

01
Out 14

Na edição de segunda-feira do Observador, num trabalho assinado pela jornalista Rita Dinis, existe a referência à disponibilidade de alguns partidos/movimentos da Esquerda para dialogarem com António Costa, após este ter vencido as primárias socialistas de domingo passado e afirmar-se, convictamente, como alternativa ao governo de Pedro Passos Coelho. Pelos argumentos apresentados quer por Daniel Oliveira (Fórum Manifesto), quer por Rui Tavares (Livre), não será muito difícil extrapolar os mesmos fundamentos e as mesmas condições para eventuais idênticas posições do BE e do PCP.

Só que esta disponibilidade para o diálogo tem um "preço" (condição): "ou vira à esquerda ou governa ao centro (bloco central". A decisão está nas mãos de António Costa, que, há cerca de dois ou três meses, afirmava que tinha a convicção de conquistar uma maioria ou que o PS não tinha receio em governar sozinho.

Mas o que os partidos à esquerda do PS têm é outro problema: a memória curta. O PS, António Costa, os seus apoiantes, à ala socrática, não esqueceu ainda o cenário político de 2011, quando a tal esquerda toda disponível pactuou com a direita, fazendo cair o governo de José Sócrates e dando o "poder" ao PSD e ao CDS.

Esta tal esquerda parece ter esquecido esse colossal pequeno pormenor.

Eu não acredito que António Costa e o PS tenham esquecido.

publicado por mparaujo às 18:08

16
Nov 13

Depois do "aviso" (Eurodeputado Rui Tavares defende a criação de novo partido à esquerda - jornal i) do eurodeputado Rui Tavares chegou o dia da concretização. Está criado o novo partido "à esquerda" (ou no "centro da esquerda").

O Partido "LIVRE" assenta no "libertarismo de esquerda, no ecologismo político, no socialismo democrático e no projeto democrático europeu".

Pode-se ler na "proposta de declaração de princípios" do LIVRE que "o nosso [do partido] lugar é no meio da esquerda. Entendemos como nosso dever a procura e a realização de convergências abertas, claras e transparentes, para criar uma maioria progressista capaz de criar uma alternativa política em Portugal e na Europa".
Não me parece que este seja um espaço "vazio" ou disponível na esquerda, porque isso significa um maior "extremismo" à esquerda do PCP e do BE e um "encostar" do Partido Socialista à direita. O que levará a questionar se os outros três partidos estarão dispostos a serem colocados no novos posicionamentos.

Ainda sobre esta nova realidade política nacional importa retomar o que aqui escrevi na altura: "Mais “um” à Esquerda".

publicado por mparaujo às 19:55

06
Nov 13

publicado na edição de hoje, 6 de Novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Mais “um” à Esquerda

Há quem se queixe, por inúmeras vezes e distintas razões, que a Esquerda em Portugal não consegue encontrar mecanismos e plataformas de entendimento e consenso. Aliás, surgem na esquerda ideológica portuguesa mais fricções, divisões, movimentos e partidos do que na esfera partidária à direita. Realidade recentemente “engrossada” pela divisão no Bloco de Esquerda e pelo surgimento do Movimento Alternativa Socialista, a título de exemplo. Por isso, também não será de estranhar a falta de consenso, em determinadas matérias, entre Governo/maioria e Oposição, ao contrário do que pensa o Presidente da República (totalmente alheado do país).

Uma das “vozes” atentas a esta realidade da esquerda é o eurodeputado Rui Tavares (até há pouco tempo ligado ao Bloco de Esquerda). Importa uma primeira declaração de “princípios”: não comungando da mesma visão da sociedade e do mundo, não comungando dos mesmos princípios ideológicos, a verdade é que reconheço em Rui Tavares qualidades que, dificilmente encontro no universo da grande maioria dos nossos políticos: inteligência, dedicação política, capacidade crítica e considerável bom-senso, apesar de raramente coincidirem os nossos pontos de vista.

Não vou colocar em causa, ou avaliar, a legitimidade de qualquer grupo de cidadãos de criarem um partido político. Com regras estipuladas e perfeitamente definidas é algo que a Constituição prevê e permite num estado de direito e democrático como o nosso. Foram vários os múltiplos exemplos no pós 25 de Abril e, na história mais recente, com o PRD, a Nova Democracia e o MEP, por exemplo. Embora ache que a ideia de Rui Tavares em criar uma nova plataforma partidária possa parecer um contrassenso em relação aos fundamentos que defende para o novo espaço partidário à esquerda e, por outro lado, a “proliferação” de partidos no espectro da esquerda portuguesa só favorecerá a direita (mas isso será, obviamente, um problema da esquerda que a direita agradece).

Mas há um aspecto nesta “decisão” e perspectiva de Rui Tavares que importa reflectir. A legitimidade que sustenta a criação de um novo partido, fundamentada no descontentamento com o rumo da esquerda, coloca um importante aviso ao sistema partidário português. Que nada tem a ver com o deslumbramento dos inúmeros movimentos independentes que surgiram nas eleições autárquicas. Estes estiveram relacionados, quase que exclusivamente, com uma resposta aos problemas que os aparelhos partidários, nomeadamente no PSD, CDS e PS, criaram na escolha dos candidatos e das respectivas listas.

Voltando à questão do novo partido e do descontentamento que o sustenta, o que espelha, na argumentação de Rui Tavares para a criação de um novo partido à esquerda, é a incapacidade dos actuais partidos em promoveram a pluralidade, em defenderem alternativas programáticas dentro do mesmo espectro ideológico, em permitirem e saberem conviver com a discordância e opiniões diferentes, em serem verdadeiramente democráticos, e, principalmente, em não saberem aproveitar a cultura política de muitos dos seus militantes, o que os torna (aos partidos) nos principais responsáveis pela imagem política que transmitem e pela desvalorização (e habilitações) da função e do papel do político e do esvaziamento de muita “massa crítica”.

Isto é que deveria preocupar, seriamente, os partidos políticos (à esquerda, centro ou direita) com esta ideia, legítima, do eurodeputado Rui Tavares (ou de outras que possam surgir).

publicado por mparaujo às 08:27

pesquisar neste blog
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

27 seguidores

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
12

18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


Visitas aos Arcos
Siga-me
links