Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

20
Abr 17

18012920_120332000202346987_1650877677_o.jpg

Uma morte, em contexto de saúde (internamento, urgências, tratamento hospitalar, entre outros), não é, infelizmente, caso esporádico e único ou raro, independentemente dos factores que a originam.

Para além do lamento agregado a qualquer perda da vida, seja em que circunstâncias for, todo o mediatismo em torno da morte da jovem de 17 anos vítima de uma pneumonia bilateral - sarampo, para o qual a jovem não estava imune (vacinada), serviu para nada ou muito pouco.

Ou melhor... serviu para acusações infundadas, extemporâneas, injustas, dirigidas, em primeira instância, aos pais, sem o mínimo de respeito pela dor que sentiam (e devem sentir).

Foram lançadas "toneladas de pedras" a criticar e a condenar os pais pelo facto da jovem não estar vacinada, ao ponto de haver quem os ligasse a movimentos e convicções anti-vacinas, às medicinas alternativas ou aos movimentos relacionados com as ditas alimentações "saudáveis e vegetarianas". Tudo, sem o mínimo de precisão, de rigor e de verdade.

Sabe-se que a jovem que tomou outras vacinas enquanto bebé foi desaconselhada pela pediatra a não continuar com o programa nacional de vacinação, nomeadamente com a segunda dose da vacina do sarampo, por ter sofrido uma reacção alérgica à vacina. Aliás, segundo é público, o seu estado foi notoriamente agravado por vários problemas de saúde que a tornaram mais debilitada e mais indefesa.

Mas mais grave ainda foi o mediatismo e o alarmismo criado em torno da situação que, até à data, com cerca de 20 casos de sarampo confirmados (mais 18 por avaliar) se confina apenas a um surto longe de qualquer epidemia.

Hoje Portugal tem uma taxa de vacinação na ordem dos 96%. Para a Direcção-Geral de Saúde as cerca de 10 a 15 mil crianças não vacinadas são um número que não causa qualquer tipo de preocupação ou que não tem grande expressão. Apesar dos 20 ou 21 casos comprovados apenas o desta jovem se tornou problemático e teve um final que se lamenta mas que teve igualmente um conjunto de circunstâncias muito particulares.

Por isso, é pena que se tenha debatido o assunto sobre um cenário irrealista, meramente mediático.

Em vez de se ter explorado ou continuar a explorar o descontextualizado conflito entre "medicina convencional" e "medicina alternativa", o confronto entre pais pró-vacinação e anti-vacinação (inaceitavelmente a comunicação social abordou, maioritariamente, a questão do ponto de vista das mães esquecendo, sem justificação cabal, o papel e a responsabilidade do pai, como se estas coisas da saúde, do arrumar o quarto, do tomar banho, do estudar, coubesse apenas ao "mau feito" maternal) perdeu-se quase tudo do que seria fundamental e essencial.

Por exemplo, em vez de se crucificar, sem razão, os pais em praça pública, era muito melhor discutir-se qual a resposta imunológica que o Programa Nacional de Vacinação dá hoje.
Por exemplo, em vez de se explorar o confronto "dogmático" entre os que são "pró" e os que são "contra" a vacinação era importante percebermos se faz sentido o Governo (e os órgãos políticos) pensar a questão da obrigatoriedade da vacinação.
Por exemplo, faria igualmente sentido discutir-se o que faz mais sentido: a liberdade de escolha pessoal ou a responsabilidade colectiva na defesa da saúde pública. Importa destacar que há entre os 21 casos diagnosticados casos de sarampo em profissionais da saúde não vacinados.
Por exemplo, em vez de colocar no mesmo prato da balança medicina tradicional/convencional e medicina alternativa, o que se afigura como incomparável, nem sequer confrontável (ou, como tantas vezes projectado pela comunicação social, o debate em torno da vacinação vs a alternativa da chamada alimentação saudável e/ou vegetariana... o que quase se assemelha a comparar astrofísica ou astronomia com bolas de , búzios, cartas e signos) era preferível a discussão sobre a evidência científica da vacinação.
cristais

Por último, em vez do alarido, do alarmismo injustificado, do facilitismo na crítica e na acusação, tinha sido uma excelente oportunidade para que se pudesse ter feito uma excelente campanha de sensibilização para a importância da vacinação.

Foi demasiado barulho em cima da lamentável perda de vida de uma jovem de 17 anos que esteve (por contágio de uma bebé de alguns meses que não pode ser vacinada por estar em estado febril) no lugar errado, à hora errada.

publicado por mparaujo às 19:18

05
Jan 17

É frequente ouvirmos quem se queixe do direito português e do universo judicial pelo facto de ser relativamente fácil o recurso à difamação e à acusação sem provas (boato) através do anonimato, a título meramente exemplificativo. Sobre o acusado é que recai a prova de inocência e não sobre quem acusa. Isto de forma muito linear e, obviamente, simplicista. Mas é a percepção do comum dos mortais sobre a justiça em Portugal.

Mas podíamos ir ainda mais longe nesta realidade. Face ao que são hoje os mecanismos comunicacionais, a globalização da rede de informação e de socialização virtual, acusar e difamar é um processo demasiado básico e simples no dia-a-dia. Exemplos? Não chegava este espaço, nem tempo.

untitled.JPG

É inquestionável que uma das funções e um dos papéis institucionais de um Bastonário de determinada ordem Profissional seja o de olhar e revelar o "estado de alma" do sector profissional correspondente à sua Ordem. Olhar, analisar, criticar, denunciar e, também, promover ou louvar. Até aqui... "a Leste nada de novo".

A questão está para além desse contexto.

O princípio tem que ser o da transparência, da verdade e da clareza, seja das intenções, seja dos factos ou dos anúncios públicos.

Recentemente, a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, veio afirmar e denunciar publicamente (em "praça pública"e através da comunicação social) que «há doentes sem comida e medicação nos hospitais». A denúncia tinha sido concretizada num programa da SIC, na noite do dia 12 de dezembro, num debate sobre o Serviço Nacional de Saúde. Na SIC a Bastonária dos Enfermeiros afirmou que «faltam pessoas para dar de comer a estes doentes e portanto, infelizmente, chegam-nos relatos de doentes que estão em observação e que não comem há dois dias. Ou há serviços que estão com uma afluência tão grande que não há ninguém para trazer os medicamentos. Isto é próprio de um país de terceiro mundo» (sic... fonte Jornal de Notícias).

As declarações e a denúncia em concreto são naturalmente de um gravidade significativa, têm impacto na sociedade e carecem de responsabilização política e na gestão do serviço de saúde.

Só que a atitude da Bastonária da Ordem dos Enfermeiros é, no mínimo, criticável e condenável. E já não é novidade...

1. Em vez do alarmismo adjacente a uma afirmação pública desta natureza teria sido mais sensato e, porque não dizê-lo, ético se tal fosse transmitido directamente à tutela: ao ministro da Saúde.

2. Mas tendo, apesar de tudo, a legitimidade e o direito da livre opinião e expressão a Bastonária dos Enfermeiros não podia ter ficado por aqui. Afirmar simplesmente o que referiu, sem concretizar, sem referir factos ou provas, sem dizer, claramente, quando, quem e onde, fica tudo isto sujeito ao arbítrio da opinião pública, à natural e legitima sensação de mera demagogia, difamação ou populismo, e de uma enorme irresponsabilidade cívica. E neste caso concreto razão tem o ministro da Saúde para ter afirmado que as denúncias feitas por Ana Rita Cavaco "foram de uma grande intensidade dramática". Tão somente isso.

Aliás... "intensidade dramática" repetida e reiterada na Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República. E se a sua intenção de formular queixa no Ministério Público sobre esses eventuais factos se concretizar só espelha que as afirmações públicas serviram apenas para fazer recair sobre si os holofotes (cada vez mais fáceis) do mediatismo e do populismo.

Mesmo que sejam verdadeiras as denúncias proferidas, Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros foi eticamente irresponsável e esteve muito mal no seu papel.

publicado por mparaujo às 15:08

23
Dez 15

hospital de S_Jose - Lisboa.jpgO nº 1, do artigo 64º, da Constituição da República Portuguesa (VII Revisão Constitucional - 2005) reza assim: "Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover."

Recentemente, a opinião pública foi confrontada com a tragédia (seja qual for a idade e as circunstâncias, a morte é sempre trágica) de uma morte de  um jovem de 29 anos ocorrida no Hospital de S.José, em Lisboa. Para evitar muito mais ruído do que aquele que a própria opinião pública já produziu perante o acontecimento fica o registo da carta escrita pela namorada do jovem falecido, publicada no jornal Expresso (versão online), e que aqui se dá nota para esclarecimento dos factos ocorridos.

À parte...

Julgo ser demasiado fácil e apelativo (do ponto de vista político) responsabilizar e chamar à causa o ex-ministro da Saúde, Paulo Macedo. Fácil porque são reconhecidas todas as polémicas da sua gestão, nomeadamente com a implementação de cortes orçamentais e estruturais no sector da saúde. Poderia e deveria ser um debate  e uma análise importante e urgente a fazer-se, não pelo momento, mas pela questão em si mesma. Por exemplo, se os cortes na saúde foram necessários; se os cortes tiveram impactos directos nas gestões hospitalares e, se sim, quais; se havia alternativas face à necessidade de redução de custos imposta pela austeridade; se a saúde deveria ter ficado de fora do processo de austeridade; que SNS queremos para Portugal; a relação entre a saúde pública e a privada (envolvendo, claramente, os seus profissionais); entre outras.

Mas a acusação política ao ex-Governo e ao ex-Governante é demasiado fácil porque redutora e parcial.

Há neste processo, como infelizmente em tantos outros que não são tornados públicos e nos quais os familiares nem se apercebem da realidade e dos acontecimentos, muitas outras questões.

Por imperativo ético e de respeito (pelos meus familiares e amigos da área da saúde... e são, felizmente, alguns) importa que não se veja a floresta apenas por uma árvore e não se meta tudo no mesmo saco (assim, curto e grosso). Há bons e maus médicos, há bons e maus professores, há bons e maus jornalistas, há bons e maus gestores, há bons e maus funcionários públicos, há bons e maus pescadores, há bons e maus calceteiros, há bons e maus sapateiros, há bons e maus... Não vale a pena generalizações ou, até mesmo, bafientas comparações. Não vale a pena.

O que vale a pena, principalmente quando está anunciado a abertura de um inquérito pelo Ministério Público, é dar resposta a um outro conjunto de questões e dúvidas que ultrapassam a vertente política.

Por exemplo, a eficácia da gestão do hospital, dos seus recurso financeiros e técnicos; estando, segundo se afigura, em causa a vida do jovem porque não foi transferido para outra unidade hospitalar com neurocirurgia; apesar de não haver equipa de neurocirurgia no fim-de-semana não haveria recurso à chamada extraordinária da equipa já que de uma urgência (em todo o seu sentido) se tratava; etc; etc.

Por último, é questionável e criticável o sentido de oportunidade da posição demissionária da ARS de Lisboa e da Administração do S. José. As eventuais faltas de meios e de recursos não são novidade no sector hospitalar. Foi preciso morrer um jovem para que houvesse uma tomada de posição pública? Porque não se evitou antecipando a posição? A convivência com a falta de meios e de recursos, com os cortes, foi demasiado prolongada para, de um dia para o outro, deixar de se ter alguma conivência.

É que agora, perante a triste e lamentável factualidade, esta posição demissionária afigura-se como uma tentativa de sacudir responsabilidades e de "lavar as mãos".

E este caso não parece ser apenas uma questão monetária e de austeridade.

publicado por mparaujo às 16:56

30
Nov 15

urgencias hospitalares 01.jpgO jornal Público deu ontem eco de um estudo da OCDE que referia, para a década de 2001 a 2011, que em Portugal 70 em cada 100 portugueses recorrem às urgências hospitalares, tendo-se registando uma diminuição em 2012 e 2013 para, no ano de 2014, voltar a verificar-se um aumento. Sendo que a média indicada no estudo é de 31 atendimentos por 100 habitantes.

Entre os 21 países referenciados no estudo da OCDE, Portugal apresenta-se como o país onde se regista o maior recurso às urgências hospitalares. No estudo, dá-se ainda nota de que Portugal é excepção na tipologia de acesso às urgências onde 80% dos atendimentos são devido a doença, enquanto nos outros países a principal razão prende-se com acidentes ou ferimentos.

É certo que há diferenças consideráveis e substanciais entre os sistemas de saúde dos 21 países referenciados no estudo, como por exemplo os Estados Unidos, países da América do Sul ou até mesmo entre países europeus.
Mas a questão que importa destacar é a forma como Portugal tratou e trata o seu sistema de saúde. Não tem nada de extraordinário quer o número apresentado, quer a tipologia de recurso às urgências hospitalares (doença). É bom recordar a quantidade de centros de saúde que encerraram as suas portas, o fim dos SAP e a reestruturaçãod a rede hospitalar.

Não há alternativas eficazes e consistentes em Portugal que retirem a opção dos portugueses ao (único) recurso às urgências hospitalares para tudo e qualquer coisa, independentemente da sua "urgência" e gravidade.

publicado por mparaujo às 17:07

15
Abr 15

urgencias hospitalares.jpgSe há coisa que a maioria dos portugueses aprendeu, nestes 40 anos de democracia, foi saber distinguir, no discurso político e governativo, as falsas promessas, os irrealismos, as desculpas esfarrapadas e a tentativa de fazerem de nós parvos. Não... não o somos, nem muito menos estúpidos.

E a maioria dos cidadãos, por força do volume e velocidade da informação, da pluralidade, qualidade e diversidade, apurou o seu sentido crítico.

Quem não aprendeu a ter cuidado com o discurso, com a sua veracidade e transparência, com a coerência e com a realidade, foram os políticos e os governantes.

Face à reportagem da TVI sobre as urgências hospitalares, recentemente transmitida na rubrica "Repórter TVI", esperava-se, por parte do Governo e da Tutela, um maior cuidado e recato nas declarações posteriores.

Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que questionasse os critérios jornalísticos... criticável, mas aceitável.
Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que assumisse as dificuldades da gestão governativa de um sector extremamente complexo e com uma máquina pesada... aceitável e desejável.
Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que accionasse os mecanismos e as estruturas do sistema para avaliar e minimizar os impactos negativos do caos das urgências hospitalares... desejável e coerente.Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que, no limite dos limites, até pudesse questionar a veracidade das imagens... apesar de eventual irrealismo.

Mas o que não podemos aceitar, de todo, é que o Secretário de Estado da Saúde, Leal da Cunha, face à reportagem da TVI, venha com um discurso inqualificável e de um total desrespeito pelos profissionais, pelo sistema e, acima de tudo, pelos doentes e familiares. Afirmações como "os doentes estavam bem instalados/acamados", "o sistema funciona perfeitamente", "as instalações são as adequadas" (aspas minhas), etc., só revoltam quem as ouve, mesmo que não tenha tido experiências vivenciadas nas urgências, e só tinham um único impacto prático: a demissão.

Não nos façam de parvos...

publicado por mparaujo às 11:55

08
Fev 15

publicado na edição de hoje, 8 de fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Da dignidade da vida e da pessoa

Os últimos dias têm trazido à consciência colectiva duas realidades sobre a vida. A primeira, mais recente, tem a ver com os acontecimentos que vitimaram uma doente com Hepatite C e a questão do tratamento com o medicamento Sofosbuvir, da farmacêutica norte-americana Gilead. A questão só por si, e em si mesma, é complexa, seja do ponto de vista técnico (médico), seja do ponto de vista político-social. As interrogações e as dúvidas são inúmeras. Na vertente técnica (médica), por manifesta e óbvia insuficiência de conhecimento, não faz sentido tecer qualquer consideração. Este não é um caso como os que ocorreram à espera, horas a fio, numa urgência hospitalar, apesar da consternação do desfecho. Mas mesmo no que respeita à vertente político-social, não é, manifestamente, claro que a responsabilidade possa recair (pelo menos na totalidade) sobre o Governo e o Ministério da Saúde, apesar de ser surpreendente que, após todo o impacto que teve o falecimento da doente e as reacções de outros doentes que esperam e desesperam por uma eficaz solução para a sua doença, se tenha conseguido, finalmente, um acordo e um desfecho junto do laboratório. Ao mesmo tempo que se afigura de uma pobreza política a forma como os partidos da oposição “usaram” o tema e o triste acontecimento para atacar o Governo e o ministro da Saúde. Sabendo-se que todo este processo negocial já tem cerca de um ano, a questão é simples: onde andou toda a oposição (PS incluído) e a classe médica durante todo este tempo? Os recursos do Estado, como é óbvio, não são ilimitados, para mais na situação em que se encontra o país. É, por isso, curioso que ninguém se tenha manifestado contra a farmacêutica e a forma como usaram e abusaram da dignidade da vida. E não colhe o princípio da defesa empresarial, do mercado, do binómio custo/receita, porque isso só significa defender o abominável: que a vida é um negócio e um mercado. Não é, não pode ser. A vida humana não tem preço, nunca poderá ter porque o seu valor, esse sim, é ilimitado. Da mesma forma que os partidos da oposição e muita da sociedade se apressaram a acusar a triste e condenável afirmação do Primeiro-ministro que disse que “o Estado deve fazer tudo para salvar vidas, mas que isso não pode ser feito a qualquer custo” (deve sim, Sr. Primeiro-ministro, porque uma vida, uma só que seja, não tem preço, nem custo), teria sido, do ponto de vista ético e moral, muito mais politicamente correcto se as criticas tivessem sido, também, dirigidas à farmacêutica para quem o euro ou o dólar tem muito mais valor que uma vida.

A segunda realidade sobre a vida está relacionada com a dignidade com que ela é vivida e protegida. Portugal vive, nos últimos anos, uma das suas maiores crises económicas da sua história recente. Que o Governo tenha, pela legitimidade democrática, defendido e aplicado um determinado conjunto de medidas e princípios que entendeu e entende mais correctos para ultrapassar a crise, é, apesar de criticável, perfeitamente aceitável. Que o Governo diga que está encontrado o rumo para que sejam, a médio prazo (provavelmente um médio prazo bem esticado), valorizados os sacrifícios violentos a que se sujeitaram milhares e milhares de portugueses, famílias e empresas para “pagar a crise”, é, apesar das dúvidas e incertezas, perfeitamente aceitável. Que o Governo aponte alguns indicadores que indicam uma ou outra melhoria no país, mesmo que a sustentação da sua justificação não seja a mais consistente, é perfeitamente aceitável. Mas o que não se pode aceitar, nem esperar de um Governo que queira ser, politicamente, sério e transparente, frontal com os seus cidadãos, é que se desvirtue a realidade, se queira iludir as pessoas com retóricas e demagogias que em nada condizem com a forma como os portugueses vivem o seu dia-a-dia, fazem as suas (poucas) compras, pagam as suas inúmeras despesas, os seus impostos, a sua saúde, educação, etc. Dizer que hoje estamos melhor que há três anos é o verdadeiro “conto de crianças” (mesmo que possamos estar melhor, aí sim, daqui a alguns anos). Querer desmistificar uma realidade que é desmentida pela vida dos portugueses, das famílias, de instituições e empresas, é atirar “areia para os olhos”, e essa ilusão, os portugueses, viveram na última década e não querem voltar a repetir. E não vale a pena Passos Coelho vir a terreiro dizer que os dados do INE não reflectem a realidade. Ela não mudou no último ano. A verdade, nua e crua, é que a pobreza em Portugal aumentou, em 2013, mais 0,7% que em 2012 e mais 1,4% que em 2010. Estamos mais pobres e mais de dois milhões de portugueses não deixam mentir os dados. O Estado deve fazer tudo para dignificar a Vida e isso não tem preço, nem custo, porque as pessoas valem mais que um número, uma estatística e um “conto infantil”.

publicado por mparaujo às 20:43

28
Jan 15

publicado na edição de hoje, 28 de janeiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Saúde em ‘coma induzido’.

Não vale a pena tentarmos iludir a realidade e os factos. A saúde está mal em Portugal. E a amálgama de circunstâncias, de contextos, de episódios é tal que, neste momento, afigura-se complexo isolar acontecimentos e factos. Não me refiro à infelicidade do número de mortes que, por meras circunstâncias médico-biológicas, normalmente ocorrem nos picos do inverno. Isso é a lei da vida, a incapacidade do organismo humano vencer a natureza. Mas não é honesto, nem legítimo, que sob essa perspectiva se pretenda camuflar outros elementos, outros dados e outras realidades preocupantes e inaceitáveis em pleno século XXI. Um acto médico é, em si mesmo, um episódio de risco, com elevada dependência da condição humana (seja pelo paciente, seja pelo profissional). Há que saber, em todas as circunstâncias, perceber esta dimensão. Daí que, por exemplo, a morte numa urgência seja algo inerente ao risco profissional e ao acto médico, apesar da tragédia e da irreversibilidade. Mas nem todas as mortes numa urgência hospitalar estão circunscritas a esta realidade, não sendo, por isso, aceitável que, com a frieza dos números e das estatísticas, se escondam acontecimentos que estão para além do exercício da medicina. Não é, nem pode ser encarado no mesmo contexto um falecimento no decurso de um acto médico com alguém que morre por estar há quatro, seis ou nove horas à espera, numa maca ou numa cadeira de um corredor de um serviço de urgência, para ser tratado. Em pouco mais de um mês… nove casos no país.

Olhemos, como o fazemos em outras circunstâncias, para os chamados países economicamente desenvolvidos e sustentáveis, por exemplo, do norte da Europa. Na base de uma economia forte e produtiva, estruturada em regimes laborais, fiscais e financeiros, eficazes, estão dois pilares sociais bem solidificados, aos quais se apontam muito poucas falhas: educação e saúde.
Em Portugal, se a educação é aquilo que sabemos e se conhece, a saúde, essa, entrou em coma.

O risco da “dieta do Estado”, apesar do necessário emagrecimento da coisa pública, tem os seus custos quando as reformas que se implementam apenas procuram a mera redução de custos (muito para além da Troika) sem que daí resulte maior eficácia e eficiência na prestação dos serviços públicos essenciais. A forma como o país abandonou os cuidados primários, por exemplo, ao nível dos Centros de Saúde e dos respectivos serviços de urgência simples; a forma como se mapearam e concentraram os centros hospitalares, perdendo-se proximidade e respostas médicas mais descentralizadas para as populações; a forma como se desinvestiu em várias regiões do país, para se (re)investir num reduzido número de pontos geográficos (Lisboa, Porto, Coimbra); tem tido, claramente, impactos muito fortes na vida dos cidadãos e no estado da saúde. Mas não se culpe apenas e tão só o Estado (Governo) pela forma como tem descuidado e destruído o Serviço Nacional de Saúde. A força do interesse privado na política da saúde nacional tem sido foco de conflitualidade e de impacto no SNS (veja-se o caso recente das suspeitas no Centro Hospitalar do Baixo Vouga com as cirurgias ‘fantasma’), sem esquecermos que as próprias estruturas dos profissionais da saúde não podem, nem devem, sacudir responsabilidades e serem apenas parte das ‘vítimas’ do actual estado.

Quando a manipulação dos números dos factos servem para definir novas estratégias e políticas, podemos estar perante o mundo da retórica política, das ideologias, da engenharia estatística. Quando os números e os factos têm impacto na vida (literalmente) das pessoas, quando pessoas perdem a vida perante realidades que interessa manipular, isso já não é política, não é gestão, não é matemática… é Imoralidade.

publicado por mparaujo às 10:47

06
Nov 14

bytes e bites.jpgFoi, durante os mandatos de José Sócrates, uma das principais bandeiras governativas neste país: o avanço das tecnologias, da informação, a infoinclusão, os simplex's, etc.

Ao fim destes anos, em pleno século XXI, e como não bastasse a crise económico-financeira que nos tem arrastado para o fundo, eis que Portugal se encontra literalmente suspenso por "bytes" e "bites" informáticos e algorítmicos.

A despoletar este 'boom' surge à cabeça o Ministério da Justiça e o caos instalado pelo Citius, sendo que em relação a este processo emerge agora a suspeita de influência directa por parte de dois funcionários.

Depois, veio a polémica, ainda por resolver, da colocação dos professores e de todo o imbróglio gerado pelo sistema informático de colocações. Aliás, algo que inexplicavelmente, até mesmo politicamente inaceitável, e que parece ainda estar para durar, mesmo que isso signifique que cerca de 2500 alunos estejam sem aulas e por preencher 200 horários completos ou 249 incompletos. Ou que signifique, sem que daí se retirem quaisquer responsabilidades governativas, por mais caricata que seja a situação mas que não mereça qualquer riso ou sorriso, que uma falha no sistema coloque, erradamente, cerca de 40 docentes em vagas que não existiam. Mas o que importa é que a seguir se peça desculpa publicamente.

Por último, como se tal não fosse mau de mais para ser verdade, eis que nem o Ministério da Saúde se encontra "informaticamente saudável". O início desta semana e mês de novembro provoca a maior das perplexidades perante as afirmações do ministro Paulo Macedo sobre "eventuais ou supostos ataques informáticos que colocam em causa o normal acesso ao sistema de saúde".

Se calhar o melhor é mesmo o país regressar aos tempos remotos da velha máquina de escrever HCESAR, dos longos e intermináveis arquivos em papel, ou, qui ça, às mensagens via "pombo-correio". Assim, como assim... era mais fácil encontrar responsabilidades.

publicado por mparaujo às 14:54

21
Out 14

O sector da saúde em Portugal está há alguns anos doente e a precisar urgentemente de cuidados paliativos, antes que entre, definitivamente, em coma.

São os recursos financeiros que sofrem cortes em áreas da responsabilidade do Estado (colocando em causa o próprio SNS), a má gestão de algumas unidades, a falta de equipamentos e profissionais em muitos locais, os encerramentos e concentração de valências hospitalares, a subvalorização das Unidades de Saúde Familiares, os custos da actividade médica (intervenções, cirurgias, exames, medicamentos), etc., etc.

Felizmente, só quem não teve o azar de recorrer aos cuidados médicos, mesmo os mais elementares, poderá estranhar a realidade.

Mas a para disto tudo há ainda a questão dos lobbys na saúde: os interesses do sector privado da área, a indústria farmacêutica, o peso das farmácias, e há ainda… o próprio lobby dos médicos. Ou melhor, com todo o respeito e mais algum que tenho por todos eles, a bem da verdade… o lobby do Bastonário da Ordem.

Se bem que, neste caso, os médicos tenham muita responsabilidade, porque foram eles que o elegeram. Sem querer tecer qualquer tipo de juízo de valor sobre as capacidades técnicas e científicas do Bastonário da Ordem dos Médicos, já não se pode ficar indiferente à forma como José Manuel Silva exerce o seu papel de Bastonário de um dos mais importantes sectores da sociedade portuguesa.

A responsabilidade da gestão da saúde não cabe directamente à Ordem dos Médicos, sendo certo que se entende como uma das suas principais funções ser parceira activa e permanente para a sustentação do Sistema de Saúde em Portugal. Mas com tantos e tantos problemas, alguns directamente relacionados e ligados com a classe, como é que é possível que o Bastonário da Ordem dos Médicos venha perder tempo com uma questão de gestão de recursos humanos mais que básica e elementar em qualquer organização, e teça uma infeliz e triste comparação entre o investimento num normal procedimento de RH e o valor e papel da actividade e função de um médico. E como se a actividade de um profissional da saúde num Hospital ou num Centro de Saúde estivesse, ou alguma vez fosse, condicionada por um mero “relógio de ponto”.

publicado por mparaujo às 15:36

30
Set 14

Há uma expressão muito comum na opinião pública dirigida aos profissionais do jornalismo televisivo: “é um dos rostos da televisão”. Há, naturalmente, leituras distintas sobre o que está subjacente a esta definição.

Pessoalmente, quando a uso, pretendo tão somente, destacar o brio, o valor, a capacidade e a responsabilidade profissionais da(o) jornalista, aliado à consideração e respeito pela pessoa. É o caso da jornalista Fátima Araújo, da RTP. É, não sei se entre muitos ou poucos (pouco importa), do ponto de vista pessoal, “um dos rostos da televisão”.

Seria abusivo, cansativo e extenso, o rol de adjectivos que poderia usar (nem que tivesse de recorrer ao dicionário) para descrever a Fátima Araújo. Dispenso-me… não é preciso, Há realidades que nos “saltam à vista”.

De forma muito resumida (por necessidade), a jornalista com 17 anos de actividade (iniciou a sua carreira em 1997, tendo passado pela TSF, Renascença, JN, e desde 2001 na RTP) tem um relevante percurso de vida como profissional, como profissional premiada (em 2008, foi distinguida com uma menção honrosa do “Prémio Justiça e Comunicação, Francisco Sousa Tavares”) e como docente. Tem pavor a andar de avião, apesar de uma das suas paixões ser viajar (mais de 32 países visitados, está quase a dar a volta ao mundo); tem como sonho transformar a quinta do castelo da cidade onde nasceu (Santa Maria da Feira) num parque temático medieval e construir um hotel de charme medieval (à atenção do euromilhões e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa); é apaixonada por pintura (também pinta, ou melhor, diz que “faz nódoas com os afectos”), escultura, fotografia, design de Interiores e arquitectura; … mas é na escrita que encontra um importante espaço de realização pessoal. E escreve muito… para além dos recados à família (diz), escreve sobre pessoas e as suas histórias, crónicas de viagens, desabafos pessoais, poemas, letras de canções, … . Só que nunca publicou. Ou melhor, o “nunca” não corresponde à verdade.

Transpondo para o papel uma das suas facetas pessoais mais determinantes - o valor humano e diginidade humana – a Fátima Araújo não se limitou a produzir um excelente trabalho jornalístico sobre a “Paralisia Cerebral”. Nem todos o conseguiriam fazer tão bem, mas, com certeza, alguns o fariam. A Fátima Araújo foi mais longe.

Do trabalho jornalístico sobre cinco jovens portugueses com Paralisia Cerebral e que são exemplos de empreendedorismo profissional e social, de auto-superação e de desmistificação de preconceitos da sociedade em relação aos deficientes, surgiu um livro (e publicado): “Por acaso…”, com prefácio do neurocirurgião João Lobo Antunes, editado pela Apuro Edições.

Neste livro, Fátima Araújo aborda questões relacionadas com os projectos em que esses cinco jovens portugueses com Paralisia Cerebral (um bailarino; uma socióloga; dois informáticos e uma professora) estão envolvidos, questões relacionadas com os seus afectos, as suas relações pessoais e a sua sexualidade, questões associadas à sua fé e à forma como a prática desportiva é determinante para a sua auto-aceitação e superação.

O livro “Por acaso…”, vertido de uma forte determinação pessoal, surge no âmbito de um projecto solidário que juntou a Jornalista, a Associação do Porto de Paralisia Cerebral e a empresa IMOA CLOTHING FOR ALL, de São João da Madeira, recém-criada, e que preenche uma lacuna social dando resposta a problemas negligenciados pela indústria do vestuário, ao apostar na inovação e no empreendedorismo social, criando roupa com especificidades adaptadas às necessidades dos deficientes, acamados e doentes com necessidades especiais.

Finalmente… a Fátima Araújo não se limitou a escrever: Publicou.

O livro "Por acaso..." vai ser lançado e apresentado nodia 20 de Outubro - Dia Nacional da Paralisia Cerebral - às 19 horas, na Casa da Música, no Porto. Apresentação essa integrada na cerimónia oficial de comemoração do Dia Nacional da Paralisia Cerebral, organizada pela Associação do Porto de Paralisia Cerebral, durante a qual actuarão o pianista Mário Laginha e o fadista Camané.

Importa ainda destacar que parte das receitas da venda do livro revertem a favor da Associação do Porto de Paralisia Cerebral.

Merece, por todas as razões e mais algumas, um espaço de destaque na biblioteca doméstica de cada um de nós.

publicado por mparaujo às 14:56

04
Set 14

A Organização Mundial de Saúde (OMS) está em perfeito estado de alerta, agravado pelo reconhecimento do descontrolo da recente epidemia do Vírus do Ébola.

Localizada, mas duvidosamente restritamente localizada, a epidemia que teve origem na África Ocidental (Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria) já vitimou mais de 1900 pessoas e contaminou cerca de 3500 pessoas.

Apesar da perspectiva das autoridades e da OMS para o controlo da epidemia nos próximos nove meses, a verdade é que se suspeita de um descontrolo da área geográfica da doença. São já conhecidos casos pontuais no Senegal, Nigéria e República Democrática do Congo, bem como as suspeitas no Brasil e na Europa.

A verdade é que o número de vítimas tem aumentado, registando-se, no final de agosto, cerca de 100 mortos por dia.

Em pleno século XXI temos coisas a mais e ciência a menos.

publicado por mparaujo às 19:00

13
Abr 14

Ainda há quem queira tapar o sol com a peneira e teime na demagogia do "país muito melhor que em...(data x)".

Nem as pessoas, nem o país... nem a saúde... nem quem a ela, infelizmente, tem de recorrer... nem o IPO de Lisboa ("Falta de batas obrigou a cancelar cirurgias no IPO").

Triste... muito triste e grave, claro.

publicado por mparaujo às 00:48

23
Fev 14

publicado na edição de hoje, 23 fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Uma região doente

Veio a público, na passada terça-feira, um ranking que mede o impacto e o valor da “marca do município”. Entre os 308 municípios que compõem o mapa administrativo nacional, Aveiro posiciona-se me sexto lugar, tendo à sua frente os municípios de Lisboa, Porto, Braga, Oeiras e Coimbra. Nos três itens de avaliação, o município aveirense foi classificado como a sexta região com melhor capacidade de atrair investimento, o décimo sexto ao nível da atracção turística e o décimo segundo em qualidade de vida. Os parâmetros que dão origem aos resultados (globais e parciais) estão relacionados, por exemplo, com a taxa de desemprego, o número de hospitais, o valor do salário médio, a taxa de criminalidade ou a oferta turística (por exemplo, dormidas), entre outros.

Um sexto lugar, entre os 308 municípios, é um facto que merece o nosso contentamento e júbilo, para além de ser um dado que deva ser aproveitado politica e socialmente. Mesmo que números sejam números, valem o que valem, e, muitas vezes, “escondem” uma outra realidade. Aquela realidade que os aveirenses vivem no dia-a-dia. É gratificante que Aveiro esteja acima da média no que respeita aos valores da empregabilidade, bem como o dado do valor do salário médio pago que significa uma interessante capacidade empresarial para a valorização do trabalho, mesmo que a produção industrial esteja confinada, essencialmente, ao parque industrial de Cacia e o restante tecido económico se delimite aos serviços (com todo o risco de volatilidade inerentes). Além disso, apesar de acontecimentos pontuais ou limitados a zonas específicas (como a Praça do Peixe), Aveiro ainda é, de facto, um município onde a criminalidade está longe dos valores e da realidade nacional. É ainda relevante o impacto que o sector académico, nomeadamente a Universidade de Aveiro, tem no município, mesmo que haja ainda um percurso significativo a percorrer na relação entre o poder político, empresarial e académico.

Mas há dois dados que merecem especial atenção. Aveiro tem “apenas” uma praia costeira, S. Jacinto, embora tenha um património natural e ambiental invejável: o rio, a Ria, as marinhas, a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, aos quais podemos juntar a gastronomia, a cultura e o património histórico. Apesar do décimo sexto lugar na classificação global na área do Turismo, é evidente que falta muito que explorar nas potencialidades existentes para a captação de turistas, com óbvios impactos na economia local e regional.

Por último, mas mais significativo é o valor atribuído ao “Viver” (12º lugar). Neste aspecto, surgem inúmeras dúvidas e interrogações face a este valor quando comparado com a realidade municipal. Ou então, o panorama nacional da qualidade de vida nos municípios é, deveras, preocupante. Numa primeira análise, basta olharmos para áreas como a acessibilidade (o estado das vias, o trânsito na E.N.109, os pórticos que circundam a cidade ou a ausência das ligações rodoviária a Águeda ou ferroviária a Salamanca, a título de exemplo); a mobilidade (a falta de promoção do projecto BUGA, a deficiência dos transportes públicos ou a diferenciação entre o serviço da CP suburbanos do Porto e regional de Coimbra, e, ainda, a linha do Vouga); a ausência de um novo espaço verde urbano, um novo parque, já aqui defendido na recuperação e um projecto antigo para a zona a nascente da cidade (entre o cruzamento de S. Bernardo e o pavilhão do Galitos). Mas acima de tudo, tendo em conta que um dos parâmetros é a área da saúde, é legítimo questionar a posição de Aveiro face aos recentes dados que revelam um sistema caótico na prestação destes cuidados elementares para o bem-estar das populações. Os problemas estruturais do Hospital Infante D. Pedro (já aqui apontados e que mereceram a aposta num novo complexo hospitalar em Aveiro) ou da distribuição da oferta de saúde pelo Centro Hospitalar do Baixo Vouga (Águeda, Estarreja e a inclusão de Anadia) não são recentes, mas continuam a preocupar: já em finais de 2013 eram preocupantes e graves os problemas de resposta da urgência hospitalar, nomeadamente na escassez de recursos e meios humanos, que originaram a intervenção da tutela e da Ordem dos Médicos. Mas para além desta realidade, é muito mais significativo e confrangedor saber que o Centro Hospitalar do Baixo Vouga não dá uma resposta cabal e eficaz aos cuidados médicos da sua região, isentando, obviamente, os seus profissionais face às condições em que exercem as suas funções. O encerramento das consultas de Hematologia colocou em risco a vida de vários doentes que esperaram cerca de dois anos por uma primeira consulta que deveria ocorre num espaço de uma semana, sendo este um exemplo das dificuldades sentidas na resposta aos cuidados de saúde, em várias áreas, do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, quer por razões estruturais, quer organizacionais.

É importante que os responsáveis políticos e do sector olhem de outra forma para a saúde de Aveiro.

publicado por mparaujo às 11:44

15
Dez 13

Publicado na edição de hoje, 15 dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Pode parecer utopia

… mas sonhar não custa (e ainda não paga impostos), mesmo que a transposição do sonho para a realidade possa parecer surreal. Mas factos, são factos; números representam, muitas vezes, a triste (ou a cruel) realidade que vivemos.

Recentemente, o Hospital de Aveiro, ou, para sermos mais correctos e precisos, o Centro Hospitalar do Baixo Vouga, tem sido notícia, não propriamente pelas melhores razões. Embora caiba aqui o parêntesis para assinalar o alargamento de serviços na área oftalmológica, o melhoramento da Unidade de Cuidados Intermédios Neonatais e o projecto de enfermagem “Cuidar de Quem Cuida” que venceu o primeiro dos três prémios do concurso Cuidar’13, lançado pela Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros.

Mas infelizmente são mais os títulos e as referências negativas do que estas excelentes notícias. Para além do conflito entre autarquias (Águeda e Estarreja) e a administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, confinado à desvalorização do Hospital de Águeda e ao encerramento do de Estarreja, têm sido reveladas, publicamente, as dificuldades porque passa o Hospital de Aveiro, quer na sua organização, estrutura, incapacidade de contratação de empresas ou profissionais de saúde, nos serviços e especialidades a prestar, na impossibilidade de resposta do serviço de urgências, na sobrelotação de muitas especialidades e internamentos, … E quem paga? Acredito que não seja nada fácil, nem motivador, para os profissionais que ali exercem a sua profissão/missão nestas condições de trabalho, mas, claramente, são os doentes e as famílias quem mais sente e sofre. Mas há mais… o Centro Hospitalar do Baixo Vouga padece de outro mal: falta-lhe a capacidade de ganhar dimensão e peso regional (e, porque não, nacional). E isso só se conseguirá com a construção de um novo Hospital Central. E começa aqui o “sonho” e a “utopia”. Não por manifesta incapacidade técnica ou porque o país vive momentos de extrema dificuldade financeira. Mas, nitidamente, porque, à boa maneira portuguesa, não se encontram sinergias, vontades comuns, ou porque falha o sentido do bem comum/público.

Esta não é a primeira vez que o afirmo e não me importo de o voltar a fazer, mesmo que pareça irreal ou descabido. Mas a realidade é esta: a autarquia aveirense tem o problema do antigo estádio e do novo para resolver, com a situação financeira grave que atravessa; a administração do hospital e os seus profissionais sentem a dificuldade de prestação de serviços de qualidade aos cidadãos (infelizmente, não são assim tão raros nos doentes os impactos e as consequências desta realidade); paralelamente há ainda a realidade actual do Beira Mar. Regresso ao ano de 2006… implusão do estádio; aproveitamento das infra-estruturas para a construção do novo hospital; rentabilização financeira (imobiliária) dos terrenos do antigo estádio e do actual hospital; construção de uma novo estádio (mais pequeno, cerca de 10 mil lugares) na baixa de Vilar, junto do Parque de Feiras, criando atractividade (pela maior proximidade à cidade) e a gestão conjunta dos dois espaços, com novas infra-estruturas complementares (comercias ou lúdicas).

Resultado… a Câmara poderia beneficiar em relação ao “elefante branco” e aos encargos que tem com o Estádio, o Beira Mar ganharia melhores condições e maior rentabilidade, Aveiro ganharia um novo e moderno hospital central.

No fundo, Aveiro e os Aveirenses ganhariam muito mais, garantidamente. Sonhar não custa.

publicado por mparaujo às 14:16

27
Set 12

O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida emitiu, no passado dia 21 de setembro, o parecer 64/CNECV/2012 sobre um Modelo de Deliberação para Financiamento do Custo dos Medicamentos.

Este parecer foi solicitado pelo Ministro da Saúde, do actual Governo, para fundamentação ética para o financiamento de três grupos de fármacos: retrovirais para doentes VIH+, medicamentos oncológicos e medicamentos biológicos em doentes com artrite reumatoide.

Quando começamos a ler o documento (ver aqui) tudo nos parece perfeitamente aceitável e louvável, pela forma como o Conselho retrata o princípio da equidade e da justiça na saúde e no respectivo acesso pelos cidadãos.

O que deveras se torna constrangedor, e até mesmo assustador, é a forma fria e "cirúrgica" (para usar terminologia apropriada) como o Conselho nacional de Ética para as Ciências da Vida condiciona o seu parecer de forma a transformar a Saúde, o bem da saúde, como meros métodos de cálculo, de investigação, de modelagem de gestão, e, principalmente, condiciona a vida e a saúde a cálculos financeiros e princípios de gestão empresarial.

São vidas, é a saúde dos cidadãos que está em causa... a diferença entre a saúde e a doença, entre a vida e a morte, entre a ética e a injustiça, não pode estar configurada a um mero saldo contabilístico ou financeiro.

Pela nossa saúde...

publicado por mparaujo às 22:21

12
Ago 12

Publicado na edição de hoje, 12 agosto, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

A semana em resumo…

Apesar de ser verão, embora com uma inconstância climática inexplicável, esta época tem-se mostrado mais “really season” do que propriamente “silly season”. Assim, esta semana, no essencial, resume-se desta forma.

1. Saúde. Sempre ouvi dizer, desde de tenra idade, que “com a saúde não se brinca”. E se o sector tem atravessado reformas profundas, fortes reestruturações, cortes e novos processos de sustentabilidade, face às imposições da ajuda externa, a verdade é que não tem sido pacífica e serena a aplicação das medidas e das políticas do governo, mesmo que se note uma evolução significativa em relação à contenção de despesas. Só que têm havido danos colaterais relevantes: menos benefícios, um maior distanciamento dos serviços de saúde e das populações, entre outros. E entre esses outros estão as farmácias, com o sector à beira de um colapso preocupante. Muitas vezes substituindo o papel social do Estado, servem de “financiamento” aos mais carenciados, suportando uma factura que se tornou, passe a redundância, insuportável. Segundo os dados da Associação Nacional de Farmácias – ANF, desde 2010 a rentabilidade das vendas nas farmácias baixou 100% e a rentabilidade nas vendas caiu quase 200%, enquanto a margem bruta caiu 26%. Por outro lado, a ANF acusa o governo de reduzir os preços e margens dos medicamentos no sector privado e de não ter o mesmo tratamento em relação aos medicamentos hospitalares. Mas a verdade é que, em primeiro lugar, deve estar a saúde e o bem-estar dos cidadãos e não os benefícios de um sector comercial. A saúde não deve ser um comércio. Entre Governo e Farmácias há que encontrar soluções nestes tempos difíceis para todos, porque com a saúde não se brinca.

2. Economia. Para o Governo, a economia tem sido o seu “calcanhar de Aquiles”, uma das incapacidades mais evidentes para encontrar soluções abrangentes e sólidas. Apesar da excelente “lufada de ar fresco” que são as exportações a subirem, neste segundo trimestre, 6,8% em relação ao ano passado. E se poderia ser igualmente positivo, para a balança, o facto das importações caírem cerca de 8,3%, a verdade é que este facto não resulta de um aumento de produtividade interna, mas sim do baixo consumo e da fraca actividade produtiva interna, como reflectem os números divulgados esta semana e que indicam o número de empresas que declarou ou lhe foi imposta um processo de falência aumentou 46,7% no primeiro semestre deste anos e comparativamente com o mesmo período de 2011. São mais de 500 empresas a fecharem portas por mês, num total apurado de 3.183 entidades. A sustentar esta realidade, esta semana três significativos projectos de investimento colapsaram, mesmo antes de se iniciarem, deitando por terra a capacidade de gerarem mais de oito mil postos de trabalho estimados, ou pelo menos cerca de 4500 empregos directos. Em causa estão as desistências de projectos como a exploração das minas de ferro em Torre de Moncorvo, um investimento superior a mil milhões de euros sem contabilizar o desenvolvimento regional e local do nordeste transmontano; o Governo rescindiu, por incumprimento de obrigações por parte do investidor, um contrato com a RPP Solar, no valor de 1.052 milhões de euros, destinados à construção de fábricas de painéis fotovoltaicos, em Abrantes; e, por último, o anúncio do processo de insolvência dos promotores do maior complexo turístico para a zona do Alqueva (cada vez mais necessitada empreendedorismo), denominado Roncão d’El Rei (liderado por José Roquette), e que previa um investimento de cerca de mil milhões de euros. Estes factos fazem ainda recordar, a título de exemplo (muitos mais haveria), o processo em finais do ano passado do abandono da produção de baterias eléctricas, em Cacia/Aveiro, da Nissan-Renault, num investimento de 56 milhões de euros e 200 empregos.

3. Dieta orçamental. Ao fim de mais de um ano de gestão dos destinos nacionais e com a próxima visita e avaliação da comissão da Troika já a “bater à porta” o Governo apressa-se a desenvolver medias e políticas que promovam o “emagrecimento” das despesas do Estado, desta vez, felizmente, pelo lado dos desperdícios e do despesismo das contas públicas. Não deixa de estar igualmente presente a necessidade de se encontrarem alternativas aos cortes dos subsídios face à decisão do tribunal Constitucional que, de forma incompreensível e contraditória, só terá qualquer valor em 2013.

Daí que o Governo tenha iniciado processos de privatização (TAP, por exemplo) ou de venda de património entendido como dispensável ao Estado (caso do Pavilhão Atlântico), a renegociação de parecerias público-privadas como é o caso da rede viária e a redução do número de fundações e respectivos apoios. Mesmo sendo medidas que comportam o valor de não fazerem incidir sempre no lado dos cidadãos o custo da austeridade e das reformas (impostos, menos apoios, menos deduções e benefícios, menos salário), o que importa destacar é que, infelizmente, o Estado não se consegue desprender das pressões, do poder económico, e não se consegue impor pela legitimidade do seu peso político. Isto é, por exemplo no caso da rede viária, os benefícios e os lucros mantém-se no lado do privado, ficando o Estado com os riscos do investimento e da sustentabilidade da parceria. Porque, em relação às poupanças que foram anunciadas (caso do Pinhal Novo ou da AE transmontana), a redução dos custos tem a ver com aspectos relacionados com a manutenção e com a diminuição de intervenções, o que resulta sempre numa menor qualidade de serviço prestado ao cidadão (qualidade, segurança). No caso das fundações, são sempre as ligadas ao elo mais fraca (privados, autarquias, etc) que acabam por sofrer as maiores medidas. Num processo que não se afigura de todo pacífico, a redução da despesa passa mais, numa primeira análise, pelas fundações que não estão directamente ligadas ao Estado, como se este fosse o fiel depositário do princípio e dos valores que sustentam as “Fundações”.

Uma boa semana.

publicado por mparaujo às 13:13

09
Nov 11
O Movimento "Pedal Aveiro" é um conceito e projecto de mobilidade ciclável da responsabilidade da Câmara Municipal de Aveiro, em conjunto com outros parceiros sociais da comunidade aveirense, por exemplo a Universidade de Aveiro ou o Hospital Distrital Infante D. Pedro.

Em actividade desde Junho deste ano, realizou em Setembro uma iniciativa de lançamento do projecto denominada "Rota dos Mercados".

Desta vez, o Movimento "Pedal Aveiro" associa-se ao Hospital de Aveiro e à Universidade de Aveiro para, juntos, promoverem um ciclotour urbano para alertar a comunidade aveirense para uma das doenças mais marcantes deste século: A Diabetes. 

Pedalar "Contra a Diabetes" é a iniciativa que terá lugar no próximo dia 13 de Novembro, com partida marcada às 10.30 em frente ao Hospital Infante D. Pedro.


inscrição (gratuita) através do email movimentopedalaveiro@gmail.com.
publicado por mparaujo às 22:31

18
Out 11
Por isso é que me parece cada vez mais consistente a necessidade de uma austeridade (mesmo que com outras medidas) que coloque as contas públicas na ordem e desenvolva a economia nacional.
E a razão é simples... embora para muitos a memória seja, cada vez mais, selectiva e tenda a esquecer rapidamente cada passado mais recente!

Como é que um país pode ser tão displicente e negligente com o bem público, com a ética, com a moral e com o profissionalismo?
Como é que alguém ainda pode defender o indefensável, por exemplo o Serviço Nacional de Saúde?!

Três factos mais que preocupantes, merecedores de profundo repúdio e indignação:



(fonte: Diário de Notícias online) 
publicado por mparaujo às 23:09

13
Jun 11
Consulta Médica após sintoma das vertigens e tonturas... Check! (agora mesmo)
Análises (paletas e resmas)... Amanhã!
Redução da quantidade de cafeína... até vai doer! (vou trepar paredes).
Medicação (digestão)... Check!
Consulta da "sentença"... dia 27 de Julho!

Pior notícia... DIETA! (ainda estive para perguntar se antes ou depois das refeições, mas contive-me... pfffff)

Vertigens! Após uns exercícios... decisão: "bebe menos" (é o que dá o médico conhecer-nos desde jovens)... resposta minha: "mas Dr. P******, eu não bebi"... devolução da resposta: "bebe ainda menos". OK!
publicado por mparaujo às 14:37

19
Jan 11
A vida prega-nos partidas... muitas partidas. Umas boas, outras nem por isso!
Desde o dia 14... Infelizmente e pelas piores razões (e um enorme susto), estive aqui (na UCIGE - Unidade de Cuidados Intensivos de Gastroentreologia). Uma grande equipa (clínica e de enfermagem - Obrigado!)

Regressado a casa... com repouso mas com muita vontade de Regressar aqui, no twitter e no facebook.
A todos os que telefonaram, perguntaram, se preocuparam, escreveram... MUITO OBRIGADO.
É imensooooo ter tantos amigos (e bons).
publicado por mparaujo às 20:15

11
Out 10
Uma reportagem de Ana Leal. Um excelente reportagem... (aguarda-se por disponibilidade do vídeo).
Já imaginou se, de um dia para o outro, ficasse a saber que tem uma doença terminal e que essa mesma doença lhe iria provocar sofrimento até ao fim?
Em Portugal, a eutanásia e o suicídio assistido são proibidos e, por isso, são considerados crime de homicídio. O debate impõe-se numa altura em que se sabe que 39% dos médicos oncologistas defendem a legalização da eutanásia. É um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto que associa o facto à ineficácia dos cuidados paliativos em Portugal.
Morrer com dignidade é ainda uma miragem. Morre-se sozinho, longe de casa. Outros ficam à espera de uma vaga numa das 20 unidades de internamento de cuidados paliativos. Seriam necessárias pelo menos 100.
Para os que podem pagar, a alternativa é morrer em países como a Suíça, onde o suicídio assistido é permitido. Sabe-se que há já, pelo menos, sete portugueses inscritos na associação "Dignitas", uma associação Suíça que pratica o suicídio assistido com cidadãos estrangeiros.
"O Céu Visto da Terra" traz-nos depoimentos lúcidos, corajosos de quem quer apenas morrer com dignidade. Uma reportagem da jornalista Ana Leal, com imagem de Júlio Barulho e montagem de Pedro Cordeiro, emitida neste dia 11 de Outubro, em Repórter TVI. (fonte: TVI on-line)
publicado por mparaujo às 23:16

06
Out 09
Deixando, de momento, a política de parte... mesmo a 5 dias da hora H autárquica.

Já tinha referido que a questão da Gripe A (H1N1) tem contornos de alarmismo exagerado, de mediatismo excessivo. Algo, aliás à qual a Comunicação Social não tem sido alheia.

A melhor forma de sustentar esta argumentação é ler a opinião da Ordem dos Médicos Espanhola e a Ordem dos Médicos Portugueses.

A questão da Gripe A tem uma vantagem... levar os cidadãos a terem melhores cuidados de higiene. Algo que deveria acontecer sempre e em qualquer ocasião.
publicado por mparaujo às 21:55

11
Ago 09
Ninguém, no seu perfeito juízo, quererá menosprezar a Gripe A. Não pela gravidade em si, mas pelo facto de não existir imunidade a este novo vírus (regista-se que uma gripe sazonal provoca mais vitimas).
As medidas de informação e prevenção deveriam ser repetidas em diversos momentos. Os cuidados apresentados (lavara as mãos, o uso dos lenços, etc) deverias ser repetidos e divulgados noutras circunstâncias... por uma questão de saúde pública.
No entanto, a gravidade está na falta de imunidade das populações e da semelhança com os sintomas de outros tipos de gripe.
Acresce o problema de expansão e de problemas de resposta ao nível das instituições de saúde.
Por outro lado, ainda não consegui perceber a lógica dos dados divulgados pela Comunicação Social. A forma como divulgam os casos é, meramente, alarmante. Porque não informam correctamente.
Não é correcto dizer que "mais 76 pessoas infectadas em Portugal, sobe para 683 número total de casos" (vários órgãos de CS). Porque se é verdade que se registaram 683 casos de gripe A desde Maio, a verdade é que não são esses os casos existentes, à data - o número real. A maioria (quase totalidade) está curada, tiveram poucos dias de tratamento e os casos muito graves sãoapenas dois (os doentes internados no S. João - Porto).
Se a informação se centrasse mais na prevenção, na divulgação dos cuidados necessários, no "não" alarmismo, talvez esta "estupidez colectiva" fosse desnecessária. (TSF - TSF - JN)
publicado por mparaujo às 22:20

08
Jul 09
1979 - 2009.
O Serviço Nacional de Saúde, comemora este ano (com data de referência para 15 de Setembro, segundo a Ministra da Saúde - bem perto das eleições, só por coincidência) o seu trigésimo aniversário.
Fundado ou criado por um socialista, é curioso que é num "reinado" socialista que se assiste à sua degradação e descaracterização.
publicado por mparaujo às 21:59

01
Mar 09
Não "Vitalizações"... essas pertencem ao PS para a Europa.
São mesmo revitalizações, de voltar a vigorar e dinamizar.
Aveiro pretende voltar a ser a capital da bicicleta como factor de mobilidade saudável e sustentada.
LifeCyle - Aveiro, projecto europeu de mobilidade saudável com recurso à bicicleta, no quotidiano dos cidadãos.
publicado por mparaujo às 16:21

14
Dez 08
Já cairam de uma maca.
Já se faleceu por razões "estranhas" e pouco cuidadas.
E agora ISTO.

O que mais falta acontecer no Hospital de Aveiro?!
publicado por mparaujo às 20:41

19
Mar 08

Líder do PSD fala em ausência de política de saúde. Luís Filipe Menezes: "Depois de ministro a mais, temos agora ministra a menos". 17.03.2008 - Lusa

Mesmo que não se goste das reformas aplicadas na saúde, temos demagogia pura no líder da oposição. Em vez de propostas alternativas, temos deduções populares: "preso por ter e por não ter".

publicado por mparaujo às 19:51

11
Fev 08
Não... não é futebol.
O Presidente do INEM foi demitido.
A entrada em cena da nova ministra da saúde já fez as suas baixas.
Conforme pode ser constatado Aqui - Aqui e Aqui.
Que consequências?
Que responsabilidades tem o INEM na reforma da Saúde?
Porque é que o INEM tem que pagar uma factura que não é a sua?
Paga o Justo (o presidente do INEM) pelo Pecador (a política desastrosa do Min. Saúde).
Mais grave...
Lamenta-se o timing, precisamente em plena reforma do sistema nacional de saúde (errado ou não).
publicado por mparaujo às 22:38

30
Jan 08
O Governo foi reciclado. José Sócrates resolveu aceitar (impor) a demissão do Ministro da Saúde e da Ministra da Cultura.
Se a cultura ainda é, em Portugal, um caso de elite e algo que pertence a círculos restritos, a saúde já é algo que diz respeito a todos, seja qual for o ponto cardinal, a idade, o sexo, a religião e a profissão.
Mas desenganemo-nos…
Há duas questões que são relevantes.
Facto 1: a política da reforma a saúde não é coerente, nem beneficia as populações (ou pelo menos uma grande parte dela).
Facto 2: O Ministro Correia de Campos apresentou a sua demissão.
Facto 3: O governo foi remodelado.
A pouco mais de um ano das eleições faz algum sentido?
Ou melhor… Faz algum sentido remodelar qualquer governo?
Das duas três…
Ou o ministro era o verdadeiro protagonista da política adoptada, que deveria ser do governo e não pessoal (o que enfraquece o Primeiro-Ministro), ou o Ministro tornou-se vítima da falta de coragem do Primeiro-Ministro que não assumiu a sua responsabilidade governativa. Ninguém pode conceber que o Primeiro-Ministro não seja o responsável por determinar as políticas dos vários ministérios.
Mas a verdadeira conclusão que se pode tirar de uma remodelação é a de que o governo estava fragilizado. Aliás é essa a conclusão que podemos tirar das palavras do Vice-Presidente da bancada parlamentar socialista Vitalino Canas: o governo sai reforçado. Ou seja, o governo não estava fortalecido (estava fragilizado) e reforçou-se com a remodelação. Do género, retirar da cesta a fruta tocada ou podre.
E desenganemo-nos igualmente se alguém pense que, a tão pouco tempo das eleições, a política da saúde vai mudar. Quanto muito a nova ministra irá empatar e tentar arrefecer os ânimos até 2009.
publicado por mparaujo às 18:12

25
Jan 08
Publicado na edição de ontem (24.01.08) do Diário de Aveiro.

Crónicas dos Arcos
À nossa saúde!


Facto: a adversidade bateu à porta de uma família de Anadia, originada pelo falecimento de um bebé de apenas dois meses.
Aqui deveria terminar esta crónica. Nada justifica que se faça aproveitamento da infelicidade dos outros para justificar as nossas posições e convicções.
Ou melhor. Nada… a não ser o desespero, a insegurança, a revolta!
Não sei se, em alguma circunstância, alguém poderá afirmar que a vida daquele bebé poderia ser mantida se a urgência do Hospital de Anadia não tivesse sido encerrada. Mas também não é tolerável querer-se condicionar a legitimidade de sustentar a dúvida do contrário. Até porque, pasme-se, o bebé foi assistido às portas do Hospital de Anadia, perante uma plateia de “curiosos” no exterior e de pessoal do sector da saúde “colado” às janelas, observando de forma impotente ao esforço inglório dos colegas dentro da ambulância.
E isto não é uma questão de aproveitamento político. É uma contestação de factos.
Hoje, em Portugal, nasce-se e morre-se à beira de uma estrada, no interior de uma ambulância.
Esta é a imagem de insegurança e de perda de qualidade de vida que as populações vão sentindo, cada vez mais. Ou pelo menos uma grande parte delas.
Até por uma questão de justiça e equidade.
Não se pode pedir a um cidadão do interior desertificado e desestruturado que se sinta tão português como alguém dos grandes centros urbanos, para as quais basta percorrer meia dúzia de quarteirões para ter acesso a todo e qualquer cuidado de saúde.
O resto do país é paisagem… pelo menos aquela que ainda vale a pena contemplar.
Na saúde, as pessoas (ao contrário de um dos grandes lemas da campanha eleitoral do actual governo) são meros dados estatísticos, são números. No ensino o reflexo é idêntico. Na relação estado - cidadão, idem “aspas, aspas”.
Este também é um aproveitamento político. Deste modo, pelo lado governamental. O não assumir responsabilidades, o não saber reconhecer os erros estratégicos e políticos que sustentam reformas sem estruturação eficiente, apenas assentes numa lógica estatística e economicista.

Para continuar a ler AQUI.
publicado por mparaujo às 20:47

pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

27 seguidores

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
12

20

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


Visitas aos Arcos
Siga-me
links