Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

03
Dez 16

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Os últimos dados que o Instituto Nacional de Estatística fornece indicam que em Portugal vivem cerca de 700 mil pessoas portadoras de deficiência, sendo que dessas, a título de exemplo, 170 mil são invisuais, 160 têm dificuldades ou incapacidades motoras e perto de 20 mil sofrem de paralisia cerebral.

Além disso, Portugal é dos países da Europa com menos respostas quer sociais, quer urbanas, quer laborais, quer económicas ou ainda inclusivas, para os cidadãos portadores de deficiência. Mas é muito mais interessante a discussão em torno do jantar da visita oficial do Rei de Espanha, do casaco nas costas da cadeira ou de partido que não aplaudiu o discurso na Assembleia da República. Isso sim... é política interessante.

Nesta data, 3 de dezembro, em que se regista o dia internacional das pessoas com deficiência, não me canso de recordar o excelente trabalho jornalístico e o não menos excelente contributo para a causa social que foi o lançamento do livro "Por acaso..." da jornalista Fátima Araújo. Porque é importante não deixar esquecer.

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publicado por mparaujo às 12:15

26
Set 16

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A notícia tem cerca de um mês e, por lapso meu, não teve, na altura, o devido destaque aqui no Debaixo dos Arcos. De qualquer forma vem sempre a tempo (mesmo que a destempo).

Refere o Jornal de Notícias que o Governo retirou benefícios fiscais (isenção ou redução do pagamento do Imposto de Circulação (IUC) a deficientes com grau de incapacidade acima dos 60%, agravado ainda por algumas interpretações erradas na aplicação da lei por parte da Autoridade Tributária.

Há três notas que merecem referência em relação a esta incompreensível e condenável medida do Governo.

Primeiro, é difícil compreender e aceitar uma insensibilidade significativa por parte do Governo em relação aos cidadãos portadores de deficiência, sendo que um grau de incapacidade acima de 60% deveria merecer um maior cuidado e um maior respeito.

Segundo, um país que não sabe respeitar a deficiência, não sabe respeitar a diferença, muito dificilmente será um país justo, desenvolvido, coeso, por maior que seja o combate às desigualdades salariais e patrimoniais tão em voga nos partidos que suportam o Executivo de António Costa.
Esta realidade faz-me recordar um momento particular vivido em 2014 com a apresentação pública do livro da jornalista Fátima Araújo, "Por acaso..", em terras de Santa Maria da Feira, que retrata as realidades vividas por quatro jovens portadores de Paralisia Cerebral. Realidades que foram recordadas durante o ano de 2015 e que, pelos infelizes motivos, não se pretendem deixar de referenciar ainda hoje (Era bom nunca perder a memória... ; Para que servem os "dias de"... e Nem sei como adjectivar. Só me ocorre: VERGONHA! ).

Terceiro, é igualmente incompreensível esta obsessão governativa pela questão patrimonial que ultrapassa, ou se fixa, numa lógica de radicalismo ideológico, mesmo correndo todos os riscos da incoerência, da injustiça, da falta de pragmatismo ou da ausência da percepção da realidade.
A referida alteração legislativa incide especialmente (fim da isenção ou redução parcial do benefício) sobre os veículos mais poluentes ou de maior cilindrada (classe B). A obsessão ideológica é de tal forma patente que o Governo nem parou para pensar em duas realidades muito concretas: os veículos mais poluentes têm já uma taxa agravada por razões ambientais (aliás, era uma das críticas à decisão de António Costa, enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa de limitar a circulação de determinados automóveis no centro da capital); e a necessidade das famílias com cidadãos portadores de determinadas deficiências terem veículos com determinadas características (peso, dimensão, cilindrada) para poderem fazer face às exigências de transportes (cadeiras, andarilhos, etc.).

É urgente olhar para a diferença com sentido de justiça, de solidariedade, de oportunidades iguais, de inclusão social. Só assim haverá um Portugal mais justo e mais desenvolvido. Há mais vida para além dos défices...

publicado por mparaujo às 11:29

04
Set 16

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Fez esta sexta-feira passada um ano que o mundo olhava para esta foto com um misto de estupefacção, raiva, emoção, inquietude... de dor. Mas simultaneamente com muitas interrogações, críticas, o apontar de responsabilidades ao fundamentalismo religioso e político, ao estado islâmico, à Síria, à União Europeia, aos Estados Unidos.

Mas acima de tudo a imagem do pequeno Aylan Kurdi marcou de forma "explosiva" o momento, apesar de tantas e tantas mortes que o Mediterrâneo tinha já registado.

Infelizmente, a memória é curta ou as pessoas tendem a transformar rapidamente as lágrimas e a revolta em passado.

A verdade é que desde janeiro deste ano até ao passado mês de agosto foram resgatados às águas do Mediterrâneo mais de 270 mil refugiados, estimando-se que tenham perdido a vida cerca de 3165 pessoas das quais 205 são crianças e bebés.

E se o polémico e condenável acordo entre a União Europeia e a Turquia, transformando a vida humana num negócio e reduzindo a condição humana a um mero valor monetário, parece ter reduzido a afluência de refugiados às costas gregas e italianas, também é verdade que criou outro tipo de realidades: o aumento do tráfico humano e de órgãos humanos, das violações e da prostituição infantil, das condições de vida sub-humanas nos campos de refugiados; e, por outro lado, o aumento de refugiados de outros pólos de migração, nomeadamente do norte de África (Eritreia, Somália, Nigéria, Gâmbia, entre outros).

E preocupante é também a incapacidade da ONU, do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, da Rússia, dos Estados Unidos, entre outros, e principalmente da União Europeia para encontrar uma solução eficaz, humanitária, política, para este incontrolado e grave flagelo das dias de hoje. Segundo a organização Save the Children "desde o ano de 2015 terão chegado à Europa mais de 1,2 milhões de refugiados – a maior vaga de migração forçada desde a Segunda Guerra Mundial" (fonte: revista Visão).

A tudo isto acresce a preocupante afirmação do Presidente do Conselho Europeu, Donal Trusk, que afirmou, na presente cimeira dos G20, que «capacidade da UE para acolher refugiados está "próxima dos limites"» (fonte: Diário de Notícias - edição online de 4 de setembro).

Como diz a canção... o mundo gira, mas parece ter deixado de avançar.

publicado por mparaujo às 22:58

14
Ago 16

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 14 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
O fogo das hipocrisias

Só por excepcionalidade temática é que este espaço repete, de forma consecutiva, uma mesma abordagem. Mas numa semana em que o país, muito particularmente a região de Aveiro, vive momentos particularmente preocupantes no que respeita aos incêndios (Águeda, Mealhada, Anadia, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga, Estarreja e Arouca) era inevitável não regressar ao tema, por forma a complementar o que foi referido na edição da passada quarta-feira. Numa constatação factual de que agosto transformou este verão num dos piores cenários dos últimos anos (felizmente com menos vítimas mas como enormes danos ambientais, patrimoniais, e uma dimensão considerável da área ardida e dos recursos utilizados no terreno), importam algumas notas sobre incoerências e irresponsabilidades políticas e cívicas.

1. da incoerência. Nem sempre assim foi noutros anos, mas este cenário dantesco que temo vivido revelou um reconhecimento, uma gratidão, uma onda solidária, para com os BOMBEIROS (sim… em maiúsculas) inquestionável. São de facto uns verdadeiros heróis, com um espírito de serviço e de missão públicos verdadeiramente ímpar. Mas esta onda de reconhecimento público quase que total levanta uma questão: os BOMBEIROS também existem no inverno, nas cheias, num incêndio urbano (habitação), num acidente rodoviário, no simples transporte de doentes. É que eles existem e trabalham todo o ano. E quantos hoje solidariamente doam água, leite e barras energéticas se lembram dos Bombeiros no resto do ano? Quantos são os que não viram a cara ou fecham os vidros dos carros nos habituais e recorrentes peditórios nos cruzamentos ou nos semáforos? Os Bombeiros existem TODO o ano.

2. da irresponsabilidade política. Já não bastava a ciclicidade do flagelo dos incêndios sempre que chega cada verão para a tudo isto somarmos o mediatismo e aproveitamento político que gravita à volta da realidade. Faz bem a oposição (PSD e CSD) em manterem o silêncio crítico já que esta triste realidade não é nova, repetiu-se em cada ciclo legislativo sem que nada mudasse. Mas também faz bem em apontar a responsabilidade ao Governo de António Costa que, ainda há cerca de um mês, referia que estava tudo planeado, preparado e controlado. Nem o Presidente da República deixou de apontar o dedo a tamanha irresponsabilidade política e governativa porque afinal nada mudou. E é pura demagogia e marketing político vir com anúncios governativos de mudança de paradigma na gestão desta realidade porque todos os anos os discursos são os mesmos e todos os anos os resultados iguais: são inúmeros os estudos feitos, os relatórios produzidos, as propostas laboradas, a legislação produzida e existente. Infelizmente o combate (por diversas razões) sempre se sobrepôs à prevenção, às políticas certas de florestação e ordenamento, ao ambiente, à moldura jurídica (que não se esgota tão somente na moldura penal de condenação de eventuais acções criminosas) e legislativa, à fiscalização, à conservação. É pura retórica impetuosa, no “calor” do momento vivido, falar-se numa plataforma interministerial quando ao(s) Governo(s) se exige, permanentemente, uma corresponsabilidade ministerial na gestão do país, principalmente em temas como este que alargam o leque de responsabilidades: ambiente, agricultura e floresta, administração interna, defesa, justiça, entre outros.
Mas há ainda uma nota a realçar. É inaceitável e inqualificável a hipocrisia política do Bloco de Esquerda nesta realidade. O aproveitamento político deplorável não pode deixar de ser referenciado. Basta recuarmos até aos últimos quatro anos para nos lembrarmos do rasgar das vestes e dos pedidos de “cabeça” de governantes sempre que o país chegava a este ciclo. Hoje, quando a realidade em nada difere das anteriores, não há uma crítica, uma acusação, ao Governo, assistindo-se a um lamentável piadético discurso político de solidariedade. Por mais que o BE se esforce é, hoje e neste verão, mais do que claro que é um partido DO governo (e não apenas parlamentar), já não dá para esconder mais, é demasiada incoerência e hipocrisia políticas movidos pela ânsia e sede do poder. Ser ou estar no Governo exige responsabilidade, não é fácil. Outros tempos…

3. da irresponsabilidade da sociedade. Apesar do considerável número de casos conhecidos em que a ignição de um incêndio ocorre por acção criminosa, a maioria dos fogos surge por negligência humana (e um valor muito residual por acção da própria natureza). São vários os dados oficiais que o comprovam. Percebendo-se a revolta e a dor de muita gente, principalmente quando se perdem vidas e bens, não é o, tão desejado por alguns, aumento da moldura penal (de 12 para 25 anos) que irá reduzir o número de actos criminosos. Poderá ser aceitável os 16 anos máximos, mas mais do que isso iria provocar um desequilíbrio na harmonia penal existente face a outros crimes. Não é pelo facto de haver, por exemplo, prisão perpétua (ou os 25 anos de prisão) que diminuem os homicídios. O que é necessária é uma mudança radical nos nossos comportamentos (cigarros no chão, o lixo nas matas após os “piqueniques”, etc.), hábitos e tradições: limpeza do património florestal, cumprimento legal, a ausência de comportamentos de risco como os foguetes nas festas (tão tradicionais e enraizadas nesta época do ano) ou as velas acesas nas “alminhas” à beira das estradas e junto à florestação.

Não basta lamentarmo-nos verão após verão… a responsabilidade é diária, permanente, e cabe a todos.

publicado por mparaujo às 07:59

23
Dez 15

pobreza - eclesia.jpgpublicado na edição de hoje, 23 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Um Natal bem pobre

Chegados a dezembro e ao período natalício, paralelamente à azáfama consumista do Natal, existe nesta época um significativo aumento de causas solidários e de apelos para o envolvimento dos cidadãos com as mesmas. Infelizmente, há, por inúmeras razões, um aproveitamento desonesto e imoral por parte de terceiros e de causas fictícias. Por outro lado, o chamado “espírito natalício” proporciona um significativo aumento das campanhas e das solicitações de apoios, em alguns casos com pouca eficácia já que o excesso provoca algum afastamento e repulsa e alguma banalização. Além disso, apesar da necessidade, é discutível e questionável o aproveitamento comercial de algumas marcas/empresas na promoção e realização de campanhas natalícias, sob a capa da “caridade” ou da solidariedade que mais não fazem do que disfarçar campanhas de marketing e aumento de vendas.

No entanto, numa amálgama de missões e objectivos nobres, solidariedade efectiva, interesses comerciais ou campanhas fraudulentas, há uma realidade factual: os portugueses estão mais pobres e há muitos que precisam, definitivamente, de ajuda.

A necessidade do cumprimento do Programa de Ajustamento, a implementação de medidas de austeridade, a dificuldade que o país foi sentindo na recuperação económica, a dificuldade em concretizar políticas sociais, trouxe fortes impactos para os cidadãos e as famílias. O país saiu do assistencialismo externo, de forma mais ou menos limpa (ainda há muito para explicar), há cerca de um ano. Mas ficaram muitas marcas destes últimos quatro anos… os portugueses ficaram mais pobres. A título de exemplo, não é por acaso que PSD e CDS apresentaram uma proposta de lei que criminalizasse o abandono dos idosos, dando a entender uma eventual percepção da realidade, embora a medida seja incoerente dado que, por exemplo, o crescente abandono de idosos nos hospitais resulta, obviamente, da incapacidade de subsistência das famílias e não por “capricho”. Mas esta é uma pequena (mesmo que grave) circunstância da realidade. Ela é muito mais profunda e grave.

Percorremos o ano de 2015 com cerca de 27% (mais de 1/4) da população portuguesa em risco de pobreza ou exclusão social, sendo que cerca de 11% dos portugueses se encontram em situação de privação material severa (dados provisórios do INE). Em suma, mais de 2,8 milhões de portugueses são atingidos pela pobreza. E nem mesmo a forte emigração dos últimos dois e três anos fez abrandar estes valores (apenas uma ligeira diminuição na ordem dos 10 mil cidadãos, entre 2013 e 2014). Nos últimos cinco anos, os dados provisórios do INE mostram que o risco de pobreza e de exclusão social, em Portugal, aumentou de 24,9% para 27,5% (mais 2,6%).

Num relatório divulgado pela OCDE, no final do primeiro semestre deste ano, referenciava Portugal como o nono país mais pobre e desigual entre os 34 que compõem a lista da OCDE. Em termos numéricos os 10% dos portugueses mais ricos concentravam em si 25,9% da riqueza nacional, enquanto os 10% mais pobres detinha apenas 2,6%.

Em Portugal, a desigualdade de rendimentos agravou-se, o risco de pobreza e de exclusão social aumentou (com incidência nas crianças, mulheres e idosos) mesmo em relação a cidadãos empregados, quem é pobre ficou mais longe de conseguir sair da pobreza. Acresce ainda um aumento no número de inscritos nos centros de emprego no mês passado (cerca de 65 mil).

É certo que muitas dúvidas assolam grande parte dos portugueses no que respeita às inúmeras, excessivas, campanhas solidárias e peditórios em cada esquina das cidades deste país. O excesso vem provocando incertezas quanto à nobreza das acções, bem como a banalização das mesmas.

Mas a realidade é também outra: este é um Natal bem pobre em Portugal e para 2,8 milhões de vizinhos de cada um de nós. Quem sabe… mesmo à nossa frente.

publicado por mparaujo às 09:44

25
Nov 15

Apesar do ano de 2015 (que ainda não terminou) registar um decréscimo no número de mortes (menos 14 que em 2014) que resultaram de violência contra as mulheres (não só a doméstica, entenda-se), 27 mulheres assassinadas são sempre números que envergonham em pleno século XXI ( 2,5 mortes/mês). Bastava uma para a indignação... simplesmente.

A par destes números avançados pelo Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA) acresce ainda 33 vítimas de tentativa de homicídio.

Para além das tipologias mais "visíveis", como a violência física, a violação, a escravidão, a mutilação genital, entre outros, importa lembrar também as tipologias "silenciosas": injúria, difamação, o isolamento, a coação sexual, a violência psicológica e a intimidação, o domínio económico, por exemplo.

dia internacional de luta contra a violencia da mu

publicado por mparaujo às 11:39

21
Out 15

dia nacional da paralisia cerebral.jpgQuando um determinado dia assinala uma ou mais efemérides e causas (sejam elas sociais, humanitárias, científicas, políticas, etc.) questionamo-nos muitas vezes do valor das iniciativas e dos chamados "dias de...". Algumas vezes com alguma razão porque também não deixa de ser um facto que o calendário dos "dias de..." foi, em certa medida, banalizado e desvalorizado.

E a questão mantém-se: para que servem os "dias de..."? A resposta, dentro de algumas complexidade argumentativas, é bastante simples: para que a memória não se apague; para que não caia no esquecimento.

Ontem (sim... foi ontem, as minhas desculpas pela indisponibilidade) foi dia de assinalar o Dia Nacional da Paralisia Cerebral.

Assumo e penitencio-me pela incapacidade pessoal de promover uma especial atenção à realidade de quem tem, no seu dia-a-dia, que viver, aprender a viver e lutar com a doença e enfrentá-la nos vários (imensos) obstáculos com que se depara.

fatima e livro Por acaso.jpgApesar disso, ontem vieram-me à memória os acontecimentos de há um ano, por força da lembrança da Fátima Araújo e do seu contributo para a causa com o trabalho jornalístico depois vertido no livro "Por acaso...".

Lembro-me, como se fosse ontem, de tudo isto e do impacto que teve (e teve) na consciencialização pessoal e pública para uma realidade (obviamente, entre tantas outras) tão obscura na nossa sociedade.

"Por acaso..." da Fátima Araújo. (ou nada é por acaso)
Livro da jornalista Fátima Araújo, "Por acaso..."
Por acaso… estive lá.
Era bom nunca perder a memória...

Obrigado à Associação do Porto de Paralisia Cerebral.
Obrigado à IMOA Clothing for all
Obrigado ao bailarino Rui Reisinho, à socióloga Ana Catarina Correia, aos informáticos José Pedro Gomes e José Rui Silva, e à professora Maria de Fátima Ferreira, por terem lutado, terem dado a volta e terem dado voz à Paralisia Cerebral.

Obviamente.... um enorme beijo e um colossal obrigado à Fátima Araújo pelo trabalho jornalístico, pelo livro "Por acaso..." e pelo empenho demonstrado à causa.

publicado por mparaujo às 09:25

07
Mai 15

homofobia.JPGTendemos com demasiada facilidade a desvalorizar o ridículo e a menosprezar convicções extremistas. Mas a verdade é que, cada vez mais, vão surgindo e vingando na sociedade (e na política) posições extremistas e fundamentalistas, que, essencialmente, atentam à dignidade humana e ao inquestionável direito à diferença. Mais ainda, vão ganhando demasiados adeptos. E isto deveria preocupar.

A título de mero exemplo…

Há poucos dias, em março, foi noticiada a proposta de lei – “Lei da Supressão Sodomita”, apresentada pelo advogado McLaughlin, no Estado da Califórnia, que pretendia implementar sete medidas contra a homossexualidade, entre as quais a execução com um tiro na cabeça. Para as luzes da ribalta, muito por culpa da confrontação política entre o deputado social-democrata Duarte Marques e o ex-líder do BE Francisco Louçã, saltou o nome Pedro Cosme Vieira (dispenso-me a qualquer referência cibernética porque o lixo não merece publicidade). Do anonimato para o viral, ficaram as expressões deste professor universitário do Porto referentes à migração e às tragédias no Mediterrâneo, aos doentes infectados com HIV: “barcos com petralhada”, “afundar os barcos e matar toda a gente” ou “o abate sanitário de todos os infectados (HIV)”. E isto, aqui mesmo, em Portugal em pleno sec.XXI.

Mas não só em Portugal. Em plena campanha eleitoral britânica (as eleições ocorrem hoje) o líder do partido eurocéptico UKIP, Nigel Farage (nas últimas europeias foi a terceira maior força política, em votos) defende a limitação e a expulsão de imigrantes (redução para 90%) e responsabiliza a imigração pelos casos de HIV no Reino Unido (60% dos 7 mil infectados em Inglaterra), dando viva voz à crescente xenofobia e homofobia. Recorde-se ainda a “ameaça” feita à União Europeia, mesmo que demagógica, do ministro da Defesa grego quando afirmou abrir as fronteiras e as portas gregas aos fundamentalistas islâmicos para entrarem na Europa.

E, recentemente, de regresso aos Estado Unidos, surge, de novo, o fundamentalismo religioso (tal como no caso da Lei da Supressão Sodomita) como argumentação para a exclusão social, para a xenofobia e para a homofobia. Uma norte-americana, Sylvia Ann Driskell (segundo a própria, “representante de Deus”) apresentou, formalmente, queixa num Tribunal do Estado do Nebrasca contra todos os homossexuais, imagine-se, do planeta. Tudo isto com a ridícula fundamentação do “pecado, da religião e da moral”.

Independentemente da minha opção e orientação sexual não tenho qualquer direito, moral ou superioridade para julgar quem, por opção e convicção próprias, tem outros rumos e orientações de vida (de regresso à tolerância e liberdade do caso “Charlie”). Mais, como cidadão, defendo por convicção liberal de costumes e princípios, a liberdade de cada um em escolher a sua orientação sexual, sem que isso me dê qualquer direito de julgar ou marginalizar. Por outro lado, como católico (para além da náusea pelo uso e abuso da religião e do nome de deus ou cristo) não conheço nenhum Deus que me ordene matar, marginalizar, inferiorizar, limitar nas liberdades e convicções de cada um. Conheço sim um Deus a quem apenas cabe julgar, e que dá a cada um de nós a liberdade e a independência para fazermos as nossas opções, convicções e princípios de vida.

Mas se há quem se ria e ridicularize estes exemplos de intolerância, de extremismos, de fundamentalismos ou radicalismos, não deixa de ser preocupante o seu crescimento, a sua frequência, a visibilidade pública e o espaço mediático que ocupam, mais ainda o “silêncio falacioso e traiçoeiro” de muitos que, ao lerem estas realidades, interior e silenciosamente, batem palmas e rejubilam de gozo, engrossando fileiras.

publicado por mparaujo às 16:04

31
Mar 15

mente humana.jpgPor mais evoluídos que sejam os processos médico-científicos e a investigação a mente humana permanece, e há-de permanecer, um verdadeiro mistério, uma constante incógnita e enigma.

A tragédia recente, ainda “fresca” na memória de todos nós, da queda do avião da Germanwings nos Alpes franceses é disso um claro exemplo. A capacidade do co-piloto Andreas Lubitz para a dissimulação de eventual depressão e a frieza para levar a cabo o atentado, são o espelho perfeito do mistério da mente humana (reforço a questão do atentado, já que o suicídio afigura-se-me como um acto individual e não o “arrastar” de cerca de centena e meia de inocentes).

Mas há ainda outras realidades psíquicas misteriosas com mais ou menos impactos trágicos. Por exemplo, a capacidade ou a incapacidade para a tolerância, para a aceitação de realidades e convicções diferenciadas, para o valor da inclusão e da igualdade de oportunidades e direitos. Bastaria recordar os acontecimentos, também em França, da tragédia no Charlie Hebdo, se, infelizmente, com mais ou menos regularidade, esta incapacidade não tivesse também consequências trágicas e não se revestissem de actos bárbaros ou de convicções e pensamentos que levem, na prática, a esse destino.
Ainda na semana passada, nos Estados Unidos, terra fértil nos extremos e extremismos, um advogado do Estado da Califórnia apresentou ao gabinete da Procuradora uma proposta de lei - a Lei da Supressão Sodomita – que, entre sete medidas contra a homossexualidade, entre as quais prevê algo como a execução através de um tiro na cabeça (“qualquer pessoa que voluntariamente toque noutra pessoa do mesmo sexo para fins de gratificação sexual deve ser morta com balas na cabeça ou por qualquer outro método conveniente”). Se a proposta é, em si mesma, completamente absurda, abominável, reprovável e criminosa, a sua sustentação, fundamentada num conjunto de pressupostos e convicções, é inaceitável numa sociedade justa e de plenos direitos.
O advogado Matthew Gregory McLaughlin sustenta que a homossexualidade é "um mal monstruoso que Deus todo-poderoso, que dá liberdade e independência, nos ordena a suprimir sob pena de nos destruir". Independentemente da minha opção e orientação sexual não tenho qualquer direito, moral ou superioridade para julgar quem, por opção e convicção próprias, tem outros rumos e orientações de vida (de regresso à tolerância e liberdade do caso “Charlie”). Mais, como cidadão, defendo por convicção liberal de costumes e princípios, a liberdade de cada um em escolher a sua orientação sexual, sem que isso me dê qualquer direito de julgar ou marginalizar.

Por outro lado, como católico, não conheço um Deus todo-poderoso que me ordene matar, marginalizar, inferiorizar, limitar nas liberdades e convicções de cada um. Mais ainda, conheço sim um Deus todo-poderoso, a quem apenas cabe julgar, que, de facto, dá a cada um de nós a liberdade e a independência, não para condenar, mas para fazermos as nossas opções, convicções e princípios de vida.

Mas se pouco me espanta este mistério da intolerância nos norte-americanos, pela (in)cultura, pelos extremismos, fundamentalismos e radicalismos (mesmo que acusem outros, apesar das diferenças serem poucas), o que me assusta verdadeiramente é o “silêncio falacioso e traiçoeiro” de muitos portugueses que, ao lerem esta notícia, interior e silenciosamente batem palmas e rejubilam de gozo. E essa “misteriosa” atitude mental, assusta tanto como alguém que tragicamente leva consigo para a morte centena e meia de inocentes.

publicado por mparaujo às 16:05

05
Mar 15

Vale a pena ver até ao fim... muito. Isto deveria ser eterno.

Sem rótulos... Pelo direito à diferença, pela luta pela igualdade e da inclusão.

 

publicado por mparaujo às 17:57

08
Fev 15

publicado na edição de hoje, 8 de fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Da dignidade da vida e da pessoa

Os últimos dias têm trazido à consciência colectiva duas realidades sobre a vida. A primeira, mais recente, tem a ver com os acontecimentos que vitimaram uma doente com Hepatite C e a questão do tratamento com o medicamento Sofosbuvir, da farmacêutica norte-americana Gilead. A questão só por si, e em si mesma, é complexa, seja do ponto de vista técnico (médico), seja do ponto de vista político-social. As interrogações e as dúvidas são inúmeras. Na vertente técnica (médica), por manifesta e óbvia insuficiência de conhecimento, não faz sentido tecer qualquer consideração. Este não é um caso como os que ocorreram à espera, horas a fio, numa urgência hospitalar, apesar da consternação do desfecho. Mas mesmo no que respeita à vertente político-social, não é, manifestamente, claro que a responsabilidade possa recair (pelo menos na totalidade) sobre o Governo e o Ministério da Saúde, apesar de ser surpreendente que, após todo o impacto que teve o falecimento da doente e as reacções de outros doentes que esperam e desesperam por uma eficaz solução para a sua doença, se tenha conseguido, finalmente, um acordo e um desfecho junto do laboratório. Ao mesmo tempo que se afigura de uma pobreza política a forma como os partidos da oposição “usaram” o tema e o triste acontecimento para atacar o Governo e o ministro da Saúde. Sabendo-se que todo este processo negocial já tem cerca de um ano, a questão é simples: onde andou toda a oposição (PS incluído) e a classe médica durante todo este tempo? Os recursos do Estado, como é óbvio, não são ilimitados, para mais na situação em que se encontra o país. É, por isso, curioso que ninguém se tenha manifestado contra a farmacêutica e a forma como usaram e abusaram da dignidade da vida. E não colhe o princípio da defesa empresarial, do mercado, do binómio custo/receita, porque isso só significa defender o abominável: que a vida é um negócio e um mercado. Não é, não pode ser. A vida humana não tem preço, nunca poderá ter porque o seu valor, esse sim, é ilimitado. Da mesma forma que os partidos da oposição e muita da sociedade se apressaram a acusar a triste e condenável afirmação do Primeiro-ministro que disse que “o Estado deve fazer tudo para salvar vidas, mas que isso não pode ser feito a qualquer custo” (deve sim, Sr. Primeiro-ministro, porque uma vida, uma só que seja, não tem preço, nem custo), teria sido, do ponto de vista ético e moral, muito mais politicamente correcto se as criticas tivessem sido, também, dirigidas à farmacêutica para quem o euro ou o dólar tem muito mais valor que uma vida.

A segunda realidade sobre a vida está relacionada com a dignidade com que ela é vivida e protegida. Portugal vive, nos últimos anos, uma das suas maiores crises económicas da sua história recente. Que o Governo tenha, pela legitimidade democrática, defendido e aplicado um determinado conjunto de medidas e princípios que entendeu e entende mais correctos para ultrapassar a crise, é, apesar de criticável, perfeitamente aceitável. Que o Governo diga que está encontrado o rumo para que sejam, a médio prazo (provavelmente um médio prazo bem esticado), valorizados os sacrifícios violentos a que se sujeitaram milhares e milhares de portugueses, famílias e empresas para “pagar a crise”, é, apesar das dúvidas e incertezas, perfeitamente aceitável. Que o Governo aponte alguns indicadores que indicam uma ou outra melhoria no país, mesmo que a sustentação da sua justificação não seja a mais consistente, é perfeitamente aceitável. Mas o que não se pode aceitar, nem esperar de um Governo que queira ser, politicamente, sério e transparente, frontal com os seus cidadãos, é que se desvirtue a realidade, se queira iludir as pessoas com retóricas e demagogias que em nada condizem com a forma como os portugueses vivem o seu dia-a-dia, fazem as suas (poucas) compras, pagam as suas inúmeras despesas, os seus impostos, a sua saúde, educação, etc. Dizer que hoje estamos melhor que há três anos é o verdadeiro “conto de crianças” (mesmo que possamos estar melhor, aí sim, daqui a alguns anos). Querer desmistificar uma realidade que é desmentida pela vida dos portugueses, das famílias, de instituições e empresas, é atirar “areia para os olhos”, e essa ilusão, os portugueses, viveram na última década e não querem voltar a repetir. E não vale a pena Passos Coelho vir a terreiro dizer que os dados do INE não reflectem a realidade. Ela não mudou no último ano. A verdade, nua e crua, é que a pobreza em Portugal aumentou, em 2013, mais 0,7% que em 2012 e mais 1,4% que em 2010. Estamos mais pobres e mais de dois milhões de portugueses não deixam mentir os dados. O Estado deve fazer tudo para dignificar a Vida e isso não tem preço, nem custo, porque as pessoas valem mais que um número, uma estatística e um “conto infantil”.

publicado por mparaujo às 20:43

11
Nov 14

No sábado, 8 de novembro, a jornalista da RTP, Fátima Araújo, apresentou o seu recente livro “Por acaso…” em terras de Santa Maria da Feira (de onde é natural, ‘por acaso…’) e do qual já aqui dei nota ("Por acaso..." da Fátima Araújo. (ou nada é por acaso) ; Nada acontece por acaso... ; Livro da jornalista Fátima Araújo, "Por acaso...").

Sobre o livro, este é o retrato não ficcionado de uma realidade que a muitos, à maioria, à quase totalidade, dos portugueses passa à margem do seu dia-a-dia, é significativamente indiferente: a deficiência, o ser deficiente, ao caso, a realidade de quem sofre de paralisia cerebral. Ou como, tão bem e com a legítima propriedade intelectual, escreve, no prefácio, o Prof. Doutor João Lobo Antunes, paralisia cerebral ou descoordenação cerebral.

Por outro lado, a autora deste exemplar trabalho vertido em livro, não pode, nem quer (antes pelo contrário) despir a sua identidade profissional. Tal como a Fátima Araújo afirma, na nota introdutória, não por uma vontade justiceira (ao jeito de uma Batwoman ou de um qualquer conto de fadas) mas por um legítimo direito ao exercício da cidadania, cabendo ao jornalista a suprema responsabilidade profissional de espelhar a realidade, de denunciar, de provocar na sociedade massa crítica face à verdade, nua e crua, da complexidade da nossa existência. Neste caso, o exemplo vivencial e determinado de cinco jovens com paralisia cerebral, as suas experiências de vida, as suas determinações, a superação de todo um infinito conjunto de barreiras, dificuldades, entraves, desafios, estão reflectidos num exemplar manifesto de alerta e denúncia, fruto de um trabalho jornalístico que, felizmente, a Fátima Araújo verteu em palavras, dando-lhe uma maior vida, uma maior dimensão, que a realidade das peças jornalísticas (por força do tempo e do espaço) limita.

Mas há mais… se qualquer um de nós está à espera de assistir a uma enfadonha e tradicional apresentação de um livro, desengane-se. Se qualquer um de nós está à espera de ouvir falar de uma realidade, bem presente na sociedade, de forma ficcionada, como em tantas obras que hoje, infelizmente, se publicam “a torto e a direito”, desengane-se. Se qualquer um de nós está à espera de ficar indiferente a este “Por acaso…” e à forma como a Fátima Araújo nos expõe o livro, incomode-se, inquiete-se, desassossegue-se. Nada é ‘por acaso’.

A participação e intervenção dos protagonistas destas verídicas e reais histórias são suficientes para nos fazerem mexer na cadeira; a forma como a Fátima Araújo ultrapassa a fronteira das 134 páginas do seu livro e nos “acusa”, nos incomoda, nos denuncia, nos inquieta e nos alerta para a realidade do dia-a-dia de quem vive com as dificuldades da deficiência, é, no mínimo, desconfortante, incómoda, sensibilizadora (por mais frios e distantes que queiramos ser). Porque, naquele momento, tomamos plena consciência da “deficiência” do nosso viver ‘normal’ (e normalizado), da liberdade que não partilhamos e que não aproveitamos na plenitude; das facilidades e mordomias que assolam a nossa mobilidade, acessibilidade e vivências diárias; da inquietação quando confrontados com o nosso egoísmo pacóvio e indiferença obtusa.

“Por acaso…” incomoda, denuncia e desassossega… felizmente. Que o digam todos quanto encheram (e alguns de pé) o auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira (apesar da chuva e do frio).

Ficam aqui, algumas das datas disponíveis das próximas apresentações do livro da Fátima Araújo. Obrigatória a presença para quem quer e pretende uma sociedade mais inclusiva e justa.

21 de Novembro de 2014, 21h, FNAC do Gaia Shopping, Vila Nova de Gaia;
22 de Novembro de 2014, 18h, Biblioteca Municipal de São João da Madeira, com actuação do grupo de canto Ensemble Vocal;
23 de Novembro de 2014, 17h, FNAC da Rua de Santa Catarina, Porto;
3 de Dezembro de 2014, 18h, Biblioteca Municipal de Espinho;
5 de Dezembro de 2014, 18:30h, Grande Auditório do ISCTE, Lisboa.fatima e livro.jpg

publicado por mparaujo às 16:06

27
Abr 14

publicado na edição de hoje, 27 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

40 anos “depois do adeus”

Por voltas das 23 horas da noite de 24 de abril de 1974 entoava, através da rádio Emissores Associados de Lisboa, uma das músicas vencedora de um festival da canção: E depois do Adeus, de Paulo de Carvalho. Poucos minutos depois da meia-noite, a Rádio Renascença transmitia uma das músicas proibidas pela censura: Grândola Vila Morena, do aveirense Zeca Afonso. Estava lançado o Golpe de Estado que derrubaria os 48 anos de regime ditatorial imposto por Salazar e prolongado por Marcelo Caetano. E naquela madrugada/manhã, junto com os militares, o Povo (todo) saiu à rua para gritar Liberdade. Em 1974, naquele dia, como hábito, levantei-me para, juntamente com a minha irmã, irmos para a escola (sim… não era um sábado, era uma quinta-feira; não estávamos de férias, era abril; não havia futebol na rádio, havia aulas). As notícias, algo confusas e por confirmar, faziam acordar Aveiro com algum naturalidade (apesar da ansiedade crescente) que seria “posta em causa” com o desencadear sucessivo da informação ao longo do dia. Para muitos da minha geração (64-66), o impacto dos acontecimentos e do período conturbado vivido nos anos imediatos só com o evoluir da história ia criando raízes e construindo uma realidade. Aquilo que vivi nesses períodos, com marcas pessoais, com significados e realidades distintas, foi o suficiente para determinar a minha vivência de abril e destes 40 anos volvidos: 74 marca a conquista da Liberdade, 75 estabelece a Democracia (consolidada a 25 de abril de 76 com a Constituição da República Portuguesa). Estas realidades são uma conquista de todos e para todos. E ao fim destes 40 anos há algo que os portugueses ainda não conquistaram: o valor universal (e não “propriedade” de alguns) do 25 de Abril.

A jornalista Fernanda Câncio descreve-o de forma interessante no seu artigo de opinião, no Diário de Notícias, da edição de sexta-feira, 25 de abril: “No fim da estrada” (algo que gostaria de ter escrito a “duas mãos” ou co-assinado).

É um facto que o país atravessa significativas dificuldades, os portugueses são chamados a sacrifícios e a esforços intensos, com situações de pobreza, de desemprego, de desvalorização do valor do trabalho. No entanto, importa recordar, no que têm sido os “altos e baixos” desta construção diária e permanente do país, o que foram os dois processos idênticos de ajuda externa (1977 e 1983). Mas o que se afigura como irrealista e absurdo é comparar (e querer recuar) os dias de hoje com o país pré-25 abril: pobre (metade das habitações não tinha água canalizada, cerca de 40% não tinha instalação sanitária, e cerca de 30% não tinha electricidade), sem escolaridade (33% de analfabetismo), sem acesso universal à saúde e ao ensino (nomeadamente o superior), sem formação (apesar do ridículo da afirmação de Durão barroso sobre o ensino no Estado Novo), com elevada taxa de mortalidade infantil, etc. Mas para além disso, sem liberdade (de expressão, opinião e informação), sem democracia (sem participação livre, com o voto condicionado e limitado), sem pluralidade (é, perfeitamente, despropositado dizer-se que antigamente a política e os políticos eram melhores que hoje). E em relação a estes valores de Abril (as portas que Abril abriu) não faz, hoje, qualquer sentido colocar em causa. Até pela contradição entre afirmar-se que a “democracia e a liberdade faliram” e a própria realidade, quando é a mesma democracia e mesma liberdade que nos permitem manifestarmo-nos (já na próxima semana celebra-se mais um 1º de Maio), criticarmos, descermos a Av. da Liberdade, concentrarmo-nos no Largo do Carmo, elegermos e sermos eleitos (já no próximo mês há eleições livres e democráticas), exercermos o direito cívico de participar na construção da sociedade.

A democracia não é, obviamente, um modelo perfeito e isento de falhas. Mas é, garantidamente, o menos mau de todos os modelos político-sociais. Percorremos 40 anos… parece-me um caminho demasiado longo para que se queira recordar um passado (para além da memória e da história colectivas) e voltar para trás. Se bem que, ao contrário do título do artigo da Fernanda Câncio (“No fim da estrada”), acho que ainda há caminho para percorrer para combater a imaturidade política de muitos portugueses, da indiferença nos momentos de decisão e de participação, no comodismo e conformismo instalados. E este desígnio de Abril ainda falta cumprir.

publicado por mparaujo às 12:05

21
Abr 14
A minha fotografia

A ler os outros... Andrea Diegues.

Pela partilha fui dar de caras com este texto e este testemunho (por razões profissionais) da Andrea.

Dei de caras... engoli em seco... contive o nó na garganta... e fiquei em silêncio. E um silêncio que incomoda cá dentro. E muito.

Sim... porque às vezes o silêncio também compromete, também solidariza, também expressa. Mas também incomoda e tira-nos do conforto, desconsola.

Acima de tudo, o Silêncio também Respeita.

E no mínimo, o que se exige é Respeito. Ao menos, isso.

A Ler: O incómodo silêncio...

publicado por mparaujo às 14:08

23
Mar 14

"A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor". (Luís Montenegro, líder da bancada do PSD, 21.02.2014)

Só neste mês de março, que está prestes a terminar, cinco notas que reforçam o estado da vida dos portugueses e deixa muitas dúvidas sobre o estado do país.

«Mais de 425 mil desempregados sem subsídio em janeiro» (Jornal de Notícias - 05.03.2014)

«Num ano, mais de 52 mil perderam o Rendimento Social de Inserção» (Jornal de Notícias - 05.03.2014)

«Num mês 50 mil crianças e jovens perderam o abono» (Jornal de Notícias - 06.03.2014)

«4500 famílias dependem da Cáritas todos os meses» (Jornal de Notícias - 16.03.2014)

(a título de exemplo) «Cáritas de Coimbra teve aumento de 170% nos pedidos de apoio social em 2013» (Expresso - 20.03.2014)

publicado por mparaujo às 21:39

28
Jan 14

Hoje, 28 de janeiro, é Dia Europeu da Protecção de Dados.

Hoje, 28 de janeiro, Rui Pedro, o jovem que desapareceu de Lousada há 16 anos, faz (sim, “faz”…  no presente) 27 anos.

Relação de factos? Apenas que uma melhor e maior eficácia na protecção de dados pessoais significa uma melhor segurança das pessoas e bens, e um maior respeito pela privacidade e pela intimidade de cada um.

Infelizmente, uma protecção da dignidade da pessoa que teimosamente passa ao lado de muitos dos debates, das preocupações políticas e da sociedade (veja-se os casos da Índia ou a mutilação genital em África, como meros exemplos).

No caso das crianças e jovens, a realidade dos factos torna-se mais marcante e chocante.

São os casos de rapto, de tráfico de órgãos, das redes de prostituição, das violações. Para além de todo o impacto nas famílias é o inqualificável atropelo aos direitos, liberdades e garantias, bem como à protecção da dignidade da pessoa.

O caso do Rui Pedro tem tido uma atenção mais especial (algo que nem sempre acontece noutras situações análogas) muito pelo sacrifício, pelo testemunho, pela coragem, pela força, pelo sofrimento de uma mulher: Filomena, mãe do Rui Pedro (não esquecendo, obviamente, toda aquela família marcada por esta triste e desesperante realidade).

Para além da relação directa com o desaparecimento de Rui Pedro, é ainda relevante o impacto que todo o esforço público em torno deste caso possa ter em relação aos outros inúmeros desaparecimentos, a todo o cuidado com as investigações e acções judiciais relacionadas. Em Portugal estimam-se cerca de 60 casos ainda por resolver. Nem que fosse apenas um.

Que o testemunho de vida desta mãe (e não seria preciso ser-se mãe ou pai para se sentir uma revolta e uma solidariedade enormes) consiga ter os seus frutos e sirva como exemplo para, infelizmente, muitos dos que, vivendo a mesma realidade, não têm a oportunidade de puderem fazer ouvir as suas vozes de angústia.

E 16 anos é muita vida… demasiada vida “perdida”. Demasiado...
Para ver...

publicado por mparaujo às 14:46

23
Jan 14
http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/12/%C3%ADndia1.jpg

Venham os argumentos culturais, históricos, sociais, religiosos…

Venha a complexidade do ser humano, o machismo, o feminismo…

Venham os horrores da guerra, das contestações sociais violentas, das repressões policiais…

Venham as tragédias da natureza, o “azar” dos acidentes, os desaparecimentos, os raptos…

Venha tudo...

Por mais que queiram, nada me conseguirá vergar perante aquele que é o maior crime de todos: o desprezo pela dignidade humana.

Com uma referência rápida, num espaço de pouco mais de um ano, é de “arrepiar” o que se passa na Índia em pleno século XXI.

Tudo começou(?) aqui: “Violação de rapariga gera violentos protestos na Índia” (23.12.2012)

Morre estudante indiana vítima de violação coletiva” (28.12.2012)

Novo caso de violação colectiva na Índia” (13.01.2013)

Polícia e médicos "humilham" crianças indianas que denunciam abusos” (07.02.2013)

Turista suíça violada na Índia diante do marido” (17.03.2013)

Detidos dois suspeitos de violar menina de cinco anos na Índia” (22.04.2013)

Freira raptada e violada durante uma semana na Índia” (16.07.2013)

Novo caso de violação colectiva na Índia. Vítima é fotojornalista” (24.08.2013)

Cinco polícias detidos na Índia por violação de jovem de 17 anos” (20.12.2013)

Turista dinamarquesa violada por oito homens na Índia” (15.01.2014)

Mas se tudo isto não fosse suficiente eis que se chegou ao topo da revolta.

Conselho de aldeia indiana ordena violação colectiva de uma mulher” (23.01.2014).

Por mais que os responsáveis indianos tentem alterar o rumo dos acontecimentos (“Índia aprova lei mais dura contra violações”) tudo parece ser insuficiente. Mesmo para uma ONU, tantas vezes preocupada com a democracia de algumas nações, com as supostas aramas químicas ou de destruição maciça, com o negócio do petróleo e com os jogos geopolíticos, só isto não chega e sabe a muito pouco, muito mesmo: “ONU quer debate sobre penas após violação na Índia”.

Tudo isto é Nojento! Asqueroso! Revoltante! Infame!

Enquanto que por cá vamos discutindo o protocolo da saia da assessora do Presidente da República.

publicado por mparaujo às 16:42

17
Jan 14

Em Maio de 2013 a Assembleia da República aprovou, na generalidade e por maioria dos votos (tangencialmente, mas por maioria) a Proposta de Lei da Co-adopção por casais do mesmo sexo. Na altura houve, naturalmente, lugar à discussão, à troca de opiniões e convicções. Na altura de votar não houve, por parte das direcções dos partidos e das respectivas bancadas parlamentares, o recurso à disciplina de voto. A proposta baixou a um grupo de trabalho parlamentar que, ao longo destes meses, tem vindo a desenvolver um conjunto de desenvolvimentos e a recolher um conjunto de informações que permitam à Assembleia da República todos os dados necessários para que a votação na generalidade corresponda a um exercício legislativo eficaz.

Mas, tal como este Inverno vai produzindo algumas surpresas, também a política portuguesa, ou melhor, também a politiquice portuguesa vai produzindo as suas surrealidades.

Ponto de ordem: é bom que, de uma vez por todas, independentemente do que os processos legislativos possam evoluir ou não, o que está em causa é a co-adopção e NÃO a adopção.

Primeira declaração de interesses: sou católico/apostólico/romano; sou social-democrata e sou, totalmente, a favor da co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo.

Segunda declaração de interesses: hoje, tive vergonha do parlamento que elegi (bancada do PSD).

Terceira declaração de interesses: o meu total aplauso para a posição do CDS e, em particular, para a Deputada social-democrata (e até hoje vice-presidente da bancada parlamentar do PSD) Teresa Leal Coelho. O meu desprezo para quantos alinharam no "carneirismo político" e não votaram em consciência (basta olhar as declarações de voto contrárias ao sentido de voto expresso).

Num artigo publicado no jornal Público, ontem, a deputada socialista Isabel Moreira apontava três razões para recusar a proposta da JSD em referendar a co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo.

Em teoria, e para não cair na mesma tentação do PSD de falta de coerência e de sentido de responsabilidade política e cívica, nada me levaria a me opor à realização de um referendo sobre a matéria. Aliás, como aconteceu, por exemplo, em relação à despenalização do aborto. Mas o que está aqui em causa não é a defesa, simplesmente e por convicção, de uma fundamentação por princípios do referendo.

O que está em causa é o vergonhoso aproveitamento político da proposta da JSD para meros ganhos eleitoralistas por parte do PSD. E curiosamente, quando até se poderia esperar  do CDS (pela sua natura ideológica e dos princípios que o sustentam) uma maior pressão para a aprovação do referendo, eis que o partido de Paulo Portas rompe o estado de graça da coligação (reforçado no último congresso, em Oliveira do Bairro) e assume uma postura política de algum crédito ético, com a abstenção e a liberdade de voto dos seus deputados.

Muitos questionam-se sobre o que terá ganho Passos Coelho com esta cedência à sua “Jota” e que contrapartidas daí advêm. Acho que nem uma coisa, nem outra. Primeiro, porque Passos Coelho mais não fez que o sujo jogo político do aproveitamento de um momento perfeitamente abominável dos deputados “jotas” da Assembleia da República. Segundo, porque das estruturas da juventude, dos vários partidos, não se espera uma rotura com o aparelho partidário em momentos cruciais como os eleitorais. Portanto, não seria por aí que o PSD teria algo a temer.

O que esteve em causa, nesta aprovação do referendo à co-adopção por casais do mesmo sexo (aprovado por maioria, com 103 votos a favor, 92 contra e 26 abstenções) foi mais uma machada na ética política, na responsabilidade parlamentar e no pudor partidário.

E os factos são simples (aliás bem explanados pelo texto da Isabel Moreira e pelo artigo de hoje da Fernanda Câncio, no Diário de Notícias)

1. Onde esteve a JSD e o PSD, em Maio de 2013, quando na aprovação na generalidade da proposta de lei para a co-adopção? É que, em nenhum momento do debate e da discussão pública do tema foi colocada a mera hipótese de se pensar num referendo.

2. Após a aprovação na generalidade a proposta de lei baixou a um grupo de trabalho da Assembleia da República. A constituição do grupo não foi colocada em causa pelo PSD, nem pela JSD.

3. O Grupo de Trabalho da Assembleia da República, responsável pela especificidade da proposta de lei, trabalha há oito meses, com trabalho efectuado, com audições de especialistas (de várias vertentes e com várias posições). Nunca durante este processo se ouviu a palavra Referendo.

4. O que resulta então? Com o aproximar de um processo eleitoral (Europeias), com o aproximar do fim do resgate financeiro ao país e sem se saber, concretamente, como será o futuro, Pedro Passos Coelho encontrou neste inqualificável devaneio político e social da JSD uma forma de: primeiro, empurrar “à la longue” o que considera um problema de “votos”, transferindo para a próxima legislatura (que até pode – e deve – não ser sua) a responsabilidade política e social; segundo, desviar das atenções dos portugueses problemas que lhes tocam mais directamente no seu dia-a-dia (cortes salariais, reformas e pensões, aumentos dos preços, impostos e um “cinzento” pós-troika).

5. Tudo não passou de uma baixa estratégia política, que até o CDS percebeu (atempadamente) e criticou, e que deu origem (que se aplaude) à apresentação de demissão do cargo de vice-presidente da bancada parlamentar social-democrata por parte da Deputada Teresa Leal Coelho, para desviar a atenção dos portugueses sobre o Governo.

Lamentavelmente com uma baixeza política revoltante e que espelha muito bem o carácter político-partidário deste PSD.

E como na crise pagam sempre os mesmos portugueses, infelizmente, aqui, quem paga esta “diarreia” política, são os mais fracos: as crianças.

publicado por mparaujo às 15:00

05
Dez 13

Publicado na edição de hoje, 5 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Caridade ou Solidariedade?

É inquestionável que em Portugal (para não irmos mais longe), face à conjuntura em que vivemos, é demasiado elevado o número de portugueses e famílias com dificuldades de sobrevivência, com problemas de liquidez dos seus orçamentos pessoais e domésticos, com fome, sem emprego, ‘feridas’ na sua dignidade humana. Isto não tem a ver com partidarismos, política ou com compêndios económico-financeiros, apesar da evidente consequência dos seus impactos. É a realidade do dia-a-dia, o que o país real sente e vive, o que as comunidades observam nas suas ruas, em cada esquina ou vão de escada. E também o que espelham as preocupantes estatísticas: o elevado número de desempregados, o fenómeno da emigração, os cerca de 300 mil portugueses que não conseguem alimentar-se, os cerca de 2 milhões de pobres (com rendimentos inferiores a 360 euros mensais) segundo os dados do INE. Esta é a realidade nua e crua. Como resolver este flagelo? Entre estudos, conceitos e convicções ideológicas, há uma responsabilidade que cabe ao Estado e à sociedade. Ao Estado, na medida em que é responsável pelo garante do bem-estar dos seus cidadãos, pela gestão do bem público e pelas políticas que implementa (ou se abstém de implementar). À sociedade, porque é na relação social, no respeito pelos direitos dos outros, que se podem minimizar os impactos de um mundo onde o ter tem, cada vez mais, importância do que o ser.

A dificuldade na avaliação desta realidade prende-se essencialmente com o ‘conflito’ entre as questões da falta de medidas estruturais na sociedade que combatam a pobreza e a exclusão, e o assistencialismo ou a caridade/solidariedade.

Se é verdade que existem inúmeras falhas em alguns processos de solidariedade, quer a nível individual, quer através das inúmeras instituições e entidades; se é ainda verdade que tenho bastante relutância, para não dizer toda, em defender as posições pessoais da presidente da Banco Alimentar contra a Fome; não deixa de ser igualmente verdade que sem o papel e a acção de várias instituições, como, por exemplo, o Banco Alimentar contra a Fome manter-se-ia, infelizmente, a questão: o que seria de milhares de portugueses e de famílias sem o recurso à solidariedade social dos cidadãos e destas entidades? Ou ainda… que alternativas, imediatas e concretas haveria para conter a eventual “explosão de violência” a nível social e político, e que o Papa Francisco alerta na sua recente Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, concretamente na abordagem à doutrina social da Igreja. Doutrina que muitos sectores político-partidários vêm “reforçar” porque interessa ao combate político, mesmo esquecendo que essa é uma realidade da Igreja desde os tempos do Papa Leão XIII (“Rerum Novarum”) nos remotos anos de 1890/91, reforçada (mesmo que inconsistente e erradamente aplicada, na prática) nos documentos conciliares do Vaticano II.

Em plena crise social e económica, os portugueses doaram cerca de 2,8 toneladas de alimentos ao Banco Alimentar. Rapidamente, quer em plena campanha, quer ao serem conhecidos os resultados, várias vozes soltaram brados porque quem beneficiaria com a campanha seriam as grandes superfícies (esses monstros do comércio) e o próprio Estado com o aumento da receita de IVA. Mesmo que esta seja a realidade dos factos, não é no seu todo. Excluindo a manifesta solidariedade dos portugueses para com cerca de meio milhar de cidadãos pobres (e novos pobres), excluídos e marginalizados, muitas das 2.300 instituições que serão apoiadas, não beneficiariam de uma ajuda, de um apoio, de uma solidariedade e fraternidade (em alguns casos, caridade mas não simples caridadezinha) que minimize o sofrimento do dia-a-dia, a frustração da exclusão e da pobreza.

Seria bem pior convivermos com esta triste realidade da pobreza e exclusão sociais, ao mesmo tempo que nada fosse feito para evitar o que seria o escândalo humanitário da destruição, no lixo, do excedente alimentar da rede comercial, porque, cada vez mais, a fome ganha (demasiado) rostos. Não resolve estruturalmente o problema da pobreza ou da exclusão, mas combate o desespero de milhares de portugueses que vivem e sentem esse flagelo no seu dia-a-dia. Às entidades e ao Estado caberá fazerem muito mais do que têm feito.

E aos que sentiram a vontade de serem solidários, resta dizer: Obrigado.

publicado por mparaujo às 09:19

04
Nov 13

Há um Orçamento do Estado para 2014 (aprovado na generalidade) que exige, mais uma vez, um redobrado esforço dos portugueses (com especial incidência para o sector público e para os pensionistas) e do qual já se colocam dúvidas (Comissão Técnica de Acompanhamento Orçamental) quanto à sua exequibilidade e capacidade de atingir os objectivos/metas orçamentais…

Depois há um “Guião da Reforma do Estado” sem qualquer estratégia consistente ou aplicação prática com impactos na sociedade e na reformulação das Funções do Estado…

Há, também, os “milagres da economia”, os anúncios do fim da crise ou os discursos optimistas do pós-Troika…

E depois “Há Isto”… que infelizmente é a realidade, o Portugal profundo, o dia-a-dia dos portugueses no país real: A fome de uns é a fome de todos

publicado por mparaujo às 14:37

17
Out 13

Esta carta de desabafo que a Rita Marrafa de Carvalho escreveu à sua filhota Mariana, está qualquer coisa de extraordinário. Diria mais... está algo do "outro mundo". Quer no espelhar da (triste) realidade do país, quer no "educar" da sua filha.

De "arrepiar a espinha"... (transcreve-se pelo facto de nem todos terem acesso ao facebook).

Mariana,
gostava tanto de ter boas notícias para ti e para o mano.
Gostava de vos dizer que o pai e a mãe, eles próprios, conseguiram uma boa poupança para vos garantir os estudos superiores e as viagens que queriam e precisem de fazer. Mas não é verdade.
Temos um seguro de saúde e não vos falta nada. Já isso basta e é muito mais do que algumas crianças da vossa idade têm, infelizmente.
Mas não sei o que vos diga. Quando eu e o vosso pai decidimos ser "mãe e pai", suspirámos pela saúde dos nossos filhos. E fomos contemplados com uma bênção acrescida: a vossa generosidade, sorriso e ternura.
E aspirámos a um futuro brilhante. Numa escola boa. Com horizontes amplos, num país onde as oportunidades surgiram pela meritocracia. Porque eu e o vosso pai éramos fruto dessa geração. A do esforço e do estudo. A do empenho e da premiação. Enganámo-nos. E não sei como vos dizer o que aí vem...
Porque olhando em volta, vejo os filhos de amigos mais velhos, a iniciarem processos de emigração. Vejo famílias separadas e lágrimas.
E vejo o esforço acrescido, todos os meses, para vos manter numa escola boa que se compadece com os horários difíceis de sermos jornalistas. Vale a pena mas sai-nos do pêlo.
Queria muito levar-te à Eurodisney, como pediste, Mariana. Mas este ano, e não sei quando, não será possível. Mas temo-nos uns aos outros. Tens os teus avós e amigos. Tens quem te quer bem. Acima de tudo, tens a avó Isabel e o Avô Custódio que não te deixarão que te falte nada. Nem ao mano. Que pagaram os arranjos do carro da mãe e todo o teu material e livros escolares.
E tens-me a mim e ao teu pai. Nem que a mãe se morda. Nem que a mãe se esfole. Terás sempre os meus braços e os meus beijos. E os olhos postos num horizonte onde poderás vir a ser feliz. Aqui ou na China. Ou na Austrália. Ou no Brasil. Onde for... Vai para onde cumpram os contratos laborais e onde te apreciem pela boa profissional que virás a ser (tenho a certeza). Não é uma crónica de uma emigração anunciada. É uma declaração de amor de quem te amará a 8 mil quilómetros de distância.
A mãe.

publicado por mparaujo às 14:42

27
Abr 13

Só agora mesmo dei de caras com esta informação publicado no Expresso do dia 17 de abril (há cerca de uma semana), com o título «Cavaco defende que Justiça deve evitar que tempos de crise se convertam em "tempos de cólera"».

Em breves palavras o Presidente da República (à data em visita oficial à Colômbia) expressava a sua esperança em que a Justiça não se alheasse da realidade económica e social que Portugal atravessa.

Como a informação complementar, quer por parte de Cavaco Silva, quer pelo jornal, não vai para além destas afirmações, só me resta dar o benefício da dúvida.

E a dúvida é bem simples: para quem solicitou um parecer de inconstitucionalidade de alguns artigos do OE2013 (e viu três deles confirmados pelo Tribunal Constitucional); depois do resultado daquele órgão supremo da justiça portuguesa não só foi inconsequente com a sua posição como, no recente discurso nas comemorações do 39º aniversário do 25 abril de 74, desresponsabilizou o governo, desvalorizou a democracia e em vez de unir, desuniu.

Espero que estas afirmações não sejam um sublinhar das posições do Governo em relação ao papel e decisão do Tribunal Constitucional. porque então, pioro que o seu discurso, é mesmo o seu ausente sentido de Estado.

publicado por mparaujo às 21:38

05
Mar 13

 

Uma das maiores e principais (e piores) consequências das medidas que têm sido implementadas para a recuperação financeira e económica do país, fruto do memorando de entendimento de ajuda externa (BCE - UE - FMI) e também como resultado da concepção política do Governo, é, acima de qualquer outra circunstância, o elevado valor da taxa de desemprego. Taxa esta que, não expressando a realidade (apenas valores contabilizados nos centros de emprego), ronda já os 17,6%.

Esta preocupante realidade comporta em si outras consequências: deterioração social, insegurança, instabilidade familiar, quebra no consumo e consequentemente rotura da economia interna, aumento dos encargos com as prestações sociais do estado, diminuição das contribuições fiscais do trabalhador e das entidades empregadoras.

Mas acima de tudo a pior consequência da falta de emprego é a sensação que gera no desempregado de uma grande frustração, de incapacidade, de inutilidade, de desespero, de exclusão social. Ao ponto dos resultados poderem ser vários, já que a escassez de oferta é, mês após mês, cada vez maior, face ao número de empresas que encerram portas: surgem as depressões, os suicídios, o desespero.

E é este "desespero" que leva, em muitos casos, a actos irreflectidos, impensáveis em condições normais, e que a Fernanda Câncio retrata num extenso mas irrepreensível trabalho de investigação publicado na edição de ontem (4 de março) do Diário de Notícias, sob o título: "O incrível e maravilhoso mercado do desemprego".

A ler, a reler... e a não perder.

Vale mesmo a pena. Porque o jornalismo (e nomeadamente o de investigação) não tem apenas como "missão" informar, noticiar. Também deve "formar", quer pelo conhecimento, quer pelo sentido crítico.

Clicar na imagem para aceder à digitalização do texto.

(actualização)
O trabalho de investigação da Fernanda Câncio e publicado no DN do dia 4 de março também pode ser lido na versão online do Dinheiro Vivo: "Empresas lucram com falsas ofertas de emprego para desempregados".
publicado por mparaujo às 21:13

25
Nov 12

Publicado na edição de hoje, 25 de novembro, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

Do ir ao acolher…

Portugal, por conhecidas razões históricas e culturais, foi uma nação de aventureiros, de exploradores, de descobridores de novas terras e paragens. Fomos “donos” de metade do mundo e mais um “desvio” que soubemos surripiar aos vizinhos espanhóis, apesar de hoje haver quem ande preocupado com Olivença. O país viveria processos complexos de alianças, invasões, guerras internas, muitas mutações políticas, substituição da monarquia pela república, etc.

Portugal, por conhecidas razões sociais, económicas e políticas foi, nomeadamente no final da década de 50 e nas décadas de 60 e 70 um país de “novos aventureiros”. Procurava-se no centro da Europa (França, Suíça, Alemanha), na América do Sul e do Norte (Brasil, Venezuela, Estados Unidos e Canadá), oportunidades de vida e de bem-estar que o país não proporcionava. Deixava-se a família para trás, passavam-se fronteiras a “monte”, fugia-se ao serviço militar, procurava-se acolhimento num tio, num primo, num vizinho que já estava “instalado”. Mas, no grosso modo, voltava-se… mais tarde ou mais cedo, voltava-se. Assim como regressariam muitos dos que tinham procurado em terras africanas um novo sentido de “pátria”. E Portugal viveria, na viragem dos anos 70 para os anos 80 um estigma social muito forte com o “retorno” de muitos cidadãos e as respectivas famílias, na maior parte dos casos em condições difíceis de integração, de readaptação, de empregabilidade e subsistência. De uma forma ainda pouco clara, Portugal vivia os primeiros impactos do processo de Imigração, num país claramente vocacionado para Emigrar. Com aqueles que retornavam ao país vinham também muitos cidadãos angolanos, cabo-verdianos, guineenses, são-tomenses, que aproveitaram a oportunidade e as circunstâncias para fugirem da complexidade social, política e da guerra que se faziam sentir nos seus países.

Mas seria na segunda metade dos anos 90 e início do ano 2000 que se daria o “boom” da Imigração como o número de estrangeiros a residirem no país aumentaria cerca de 70%, quando Portugal “explodia” com a entrada dos inúmeros fundos e apoios comunitários, e o país aparecia com algum desenvolvimento e crescimento (apesar de hoje pagarmos a factura da não estruturação e não sustentabilidade). Aí surgiriam outras realidades sociais para as quais a maioria dos portugueses e as próprias comunidades não estavam preparadas: as redes de tráfico humano, as extorsões, as explorações, os guetos, o racismo e a xenofobia “polidas” e disfarçadas. Houve também uma preocupação de adaptação de contextos legais e jurídicos a esta nova realidade, acrescida da recente livre circulação de bens e pessoas no espaço Schengen, ainda muito recente. De tal forma que, recordo-me perfeitamente, as discussões jurídicas, éticas e deontológicas que existiam no seio do jornalismo em torno de coisas como saber se deveria ser referenciada a nacionalidade dos cidadãos descritos numa determinada peça jornalística, com o risco de se criarem “chavões e imagens” que rotulariam determinadas circunstâncias. E se fizermos um ligeiro recuo na memória desses tempos, era extremamente fácil associarem-se realidades, crimes e factos a determinados países: prostituição à América do Sul, construção civil a países do Leste, obras públicas a países africanos.

Sendo certo que o processo migratório (emigratório e imigratório) nos dias de hoje, pelas circunstâncias de uma maior globalização, da extensão geográfica da crise financeira e económica, das qualificações e habilitações de quem migra, não deixa de ser ainda uma realidade que a ilusão, o sonho, o desconhecido, as redes, a exploração, a incerteza, são contextos bem presentes nesta complexa experiência vivencial de deixar tudo e partir para outras terras, outras culturas, outras existências.

Foi isto que foi debatido, nesta sexta-feira, no Complexo Pedagógico da Universidade de Aveiro, promovido pelo Centro Social da Vera Cruz, de uma forma muito rica, face às experiências de vida que se testemunharam, no seguimento da apresentação e exibição prévia do vídeo “Na Teia da Vida”, num projecto que teve o “suor e lágrimas” de rostos como a Dra. Emília Carvalho, a Dra. Paula Hipólito, o Rui Santos, o Prof. Carlos Rocha (Jackas), mas essencialmente todos os imigrantes, formandos no projecto IMI’Art, que protagonizaram ou montaram todo o filme.

Convite que aceitei com muita honra para moderar o debate que contou com a preciosa presença da investigadora Maria João Guia, onde foram abordadas as razões da emigração, os processos de imigração, a complexidade da inclusão social e comunitária, o racismo, a xenofobia, a indiferença, a culturalidade, o enriquecimento das comunidades. Mas também as responsabilidades que seguramente envolvem, a partir de hoje, em Aveiro, as entidades envolvidas no processo (Centro Social, Câmara Municipal, Associações de Imigrantes) e cada um individualmente por forma a tornar Aveiro um exemplo socialmente inclusivo.

Um projecto que terá de ter um desafio muito grande em não deixar esmorecer toda a experiência vivida neste processo e que culminou com a realização do vídeo, por exemplo com acções muito concretas junto da comunidade escolar.

publicado por mparaujo às 16:40

28
Out 12

Depois do "mitigar" do Ministro Vítor Gaspar, a terminologia que marca o léxico político actual é "Refundar". Isto porque o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho resolveu que esta seria a melhor forma para reconhecer que tudo falhou até agora e, sem dar a mão à palmatória (o que significaria dar razão ao PS), pretende agora "refundar" o acordo com a Troika e reestruturar o Estado. Mesmo que a sensação que fica é que nem há, por parte do Governo, a percepção do que isso signifique.

 

Mas o que importaria verdadeiramente a Portugal e o que se esperava do Governo (de qualquer um que fosse) era que, nestes tempso de crise, se aproveitassem todas as oportunidades para "Repensar Portugal".

E é esse a actual presença na mesinha de cabeceira.

"Repensar Portugal - Apontamentos político-económicos" de António Marques-Mendes (a quem agradeço a dedicatória e deferência da oferta).

O livro prentende ser uma reflexão sobre o Portugal de hoje, com abordagens sociais, políticas e, por razões profissionais do autor, económicas. Isto, tal como refere o Dr. Amadeu Lopes Sabino no prefácio, "encontramo-nos numa encruzilhada do tempo", acrescentado eu que tudo merece e deve ser "repensado", questionado e redefinido. Principalmente, nalgumas áreas (valores) que o livro destaca: o capitalismo; as ideologias; a política e a democracia; a economia; a justiça; a própria sociedade.

E ao contrário do título do prefácio (mesmo não o criticando) acho que o importante não é tanto "imaginar o futuro". Será mesmo repensar o presente para precaver e preparar um melhor futuro.

A Ler...

 

 


publicado por mparaujo às 21:38

21
Jul 12

Há alturas em que a vida é madrasta... por natureza ou porque não sabemos "cuidar" dela.

Há alturas em que são mais os motivos de desânimo do que a vontade de rir, por mais optimistas e alegres que sejamos.

Há alturas em que deixamos de acreditar face às decepções e ao rumo dos acontecimentos.

Mas também há alturas em que alguém, um facto, um pequeno pormenor, uma grande notícia, um enorme gesto, nos fazem acreditar, sorrir, achar que valeu a pena sofrer, lutar e todos os sacrifícios... porque como diz o ditado: "a esperança é sempre a última a morrer".

Graças à luta e preserverança (sempre com um sorriso) da Carla e do Miguel, graças ao esforço de alguns amigos e de muitas participações, graças à empresa Thyssen, a Mariana vai ter a tão desejada cadeira elevatória ("o nosso objectivo foi alcançado: a Mariana já tem uma cadeira!").

Não podia ter recebido melhor notícia. Valeu o esforço, a dedicação e uma responsabilidade social empresarial que funcionou (e bem).

 

De forma muito pessoal e particular aqui fica o meu comentário no "Unidos com a Mariana"

Mariana, Carla e Miguel. Hoje não podia ter tido melhor notícia. Acreditem que nada me fez sorrir e chorar tanto ao mesmo tempo como o facto de saber que já conseguiram a cadeira. É tão bom... valeu o vosso esforço e a vossa dedicação. Um enorme beijo e abraço.
A vida não pode ser sempre "madrasta". E vocês merecem tanto....

Esta foi uma verdadeira causa... E hoje foi um enorme dia!

 

publicado por mparaujo às 20:14

06
Mai 12

Publicado na edição de hoje, 6.05.2012, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré
Num Pingo Doce perto de si… (revisto e aumentado)
A semana ficou claramente marcada pela campanha levada a cabo pelo Pingo Doce, no dia 1 de Maio. Curiosamente, no 1º de Maio, feriado e data em que se celebra, internacionalmente, o Dia do Trabalhador.
E aqui reside a primeira questão a abordar: a legitimidade (não estou a dizer legalidade) e ética (moral) para que todas as grandes superfícies – Pingo Doce, Continente, Jumbo, Modelo, Lidl, etc., etc. - abram as portas no Dia do Trabalhor (feriado). Embora esta questão levante mais dúvidas que certezas: porque não se insurgem os arautos críticos também contra as centenas de empregados de cafés ou restaurantes, de postos de combustíveis, de quiosques de jornais, de televisões, rádio e jornais, …, que também trabalham neste dia?! Não são também trabalhadores?! Não há também a relação patrão-trabalhador, sempre conflituosa do ponto de vista ideológica (mesmo que em teoria)?! A verdade é que não havendo a imposição legal para esse impedimento, também começa a ser notório o excesso de demagogia política e a incapacidade discursiva por parte dos sindicatos e de alguns partidos políticos para a importância de determinadas vivências e realidades (caso do 1º de Maio ou até mesmo do 25 de Abril).
Esta é o primeiro facto. Excepção feita para os serviços mínimos, a realidade mostra que são cada vez mais os que, desvalorizando este Dia do Trabalhador, optam por trabalhar (nalguns acasos por evidente falta de escolha e alternativa, noutros por notória opção pessoal).
Quanto ao resto, e a partir do momento em que os factos acima descritos não são relevantes, a campanha do Pingo Doce foi uma excelente acção de marketing, de reposição de stocks, de promoção e de benefício para os consumidores e para muitas famílias. Querer desvirtuar os factos com argumentos paralelos é o próprio reconhecimento desse valor. É claro que o volume de vendas compensou o valor promocional e a despesa com IVA devido pelo valor real dos produtos. Além disso, a diminuição de clientes nos dias seguintes foi compensada com o afluxo de muitos dos consumidores da concorrência (para além de que nem todos os cliente do Pingo Doce aderiram à campanha). Aliás, não é nada difícil qualquer família (na maioria dos casos) gastar mais de 100 euros em compras mensais num hipermercado. Só quem não as faz é que ficará admirado.
A verdade é que foi uma excelente visão da realidade do país, do perfil médio do consumidor português, do próprio dia escolhido (não só por ser feriado, mas pelo tipo de feriado – e aqui é que começa a falhar o sindicalismo e a política – mas também por ser uma realidade que é nos primeiros dias de cada mês que se verifica um maior consumo). Para além disto, tecnicamente, a campanha não é mais, nem menos, do que muitos sectores comerciais fazem às sextas-feiras, com descontos em talões ou em cartões. Aliás, imediatamente copiada por outras áreas comerciais, similares ou não.
No entanto, há, infelizmente, uma outra realidade. Em vez das vozes criticas questionarem o valor da campanha, quando não criticam que se passem noites ao relento, horas intermináveis em filas, para gastar, muitas vezes o que não se tem, num bilhete de um concerto (a título de exemplo), de criticarem o impacto da medida em muitos orçamentos familiares (e de pequenos e tradicionais comércios) com a “demagógica bandeira” do capitalismo para depois exibirem os últimos ipads ou iphones 4G, era preferível que parássemos para reflectir no facto desta campanha ter demonstrado e colocado a “nú” a realidade de um país empobrecido, em evidentes dificuldades, onde qualquer "migalha" é sempre bem-vinda e arrebatadamente aproveitada. E a verdade é que esta é que devia ter sido a bandeira da crítica e de toda a análise dos acontecimentos: os cidadãos, as famílias, estão mais pobres, têm mais dificuldades, sentem algum desespero.
E além disso, a campanha demonstrou ainda outro factor preocupante: a falta de civismo, a falta de respeito, a falta de consciência de muitos portugueses. Imagine-se o que seria tudo isto num cenário de clara recessão ou racionamento de bens, ou até mesmo num cenário de catástrofe. Isto sim, preocupa.
Tudo o resto é politiquice e demagogia pseudo-ideológica... até porque ninguém foi obrigado a ir ao Pingo Doce. Uns foram porque quiseram, outros, se calhar imensos, foram porque precisaram.
Nota final como declaração de interesses: sou tão cliente do Pingo Doce, como sou do Continente, por exemplo. Este tipo de consumo faça-o, normal e habitualmente, no Jumbo mais perto de mim.

Uma boa semana…

publicado por mparaujo às 18:11

25
Dez 11
Nestes tempos que se avizinham não faz sentido as demagogias e as retóricas da "treta".

A crise toca a todos, mesmo que diferenciadamente, e é com todos (governo, privados e cidadãos) que Portugal tem de contar. Não apenas com alguns (os mais sacrificados) ou com a responsabilidade de poucos (os políticos).
É importante que também os portugueses se sintam envolvidos, responsabilizados e motivados para ultrapassar todos os obstáculos (duros e difíceis). O esforço tem e deve ser cada vez mais participado e colectivo.
Portugal tem de ser de todos e para todos.

E há que ter coragem, esperança e saber acreditar no nosso valor.
Alguns profissionais da SIC já o tinham, de forma excelente, apresentado e divulgado, neste vídeo -->; aqui.

Apesar da vertente comercial e publicitária, também a Coca-Cola vem alertar para esse sentimento de valorização do que é nosso, da nossa capacidade de lutar e de conquistar.
Muito bom...

publicado por mparaujo às 22:09

25
Nov 11
Contra todo o tipo de violência... e também contra esta:
25 de Novembro - Dia Internacional da Luta contra a Violência à Mulher

publicado por mparaujo às 14:53

19
Nov 11
Dia Mundial da Prevenção a Violência Doméstica Contra Crianças e Adolescentes

Altura para recordar (curiosamente numa fase de início do julgamento) os Rui Pedro deste país e as Maddie de todo o mundo.

Altura para pensar, reflectir sobre o papel das crianças e doas adolescentes nos dias de hoje, o papel dos educadores, a importância dos processos educacionais, as liberdades, o sentido de responsabilidade.
Por todos...


publicado por mparaujo às 23:38

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