Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

16
Out 17

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O país não merecia...
As populações, as empresas, as comunidades, os combatentes deste flagelo, não mereciam...
As vítimas e as suas famílias muito menos mereciam...

Foi mau, muito fraquinho, soube rigorosa e objectivamente a nada.

A tragédia, o dantismo, a inferno que se vive desde ontem não precisa de ser comparado a Pedrógão Grande. Não tem que ser comparado. Pedrógão teve o impacto do número de vítimas e a trágica forma como faleceram; o cenário que se vive a norte do Tejo tem uma dimensão enorme, um número de fogos elevadíssimo e um número de vítimas mortais e feridos significativos (porque basta uma morte para qualquer realidade seja trágica).

António Costa limitou-se a falar de um relatório que tem a ver com uma realidade de há quatro meses (projectável no futuro) vivida em Pedrógão...
limitou-se a tentar comprometer a oposição, tendo como argumento o mesmo relatório...
limitou-se a descrever um conjunto de números que não desculpam, por si só, o que se vive (cerca de 500 ocorrências)...
limitou-se a recorrer ao mito político da "mão criminosa"...
limitou-se a um discurso sobre uma estratégia que já se temia e que se afigura completamente errada: o problema não está na agenda ideológica fantasmagórica do Bloco de Esquerda e a psicose do eucalipto e da Celulose: o problema não está na legislação sobre reforma da floresta porque a realidade é muito mais social, demográfica, económica, antroplógica e de ordenamento territorial; o problema não está no combate porque está mais provado o falhanço das políticas implementadas precisamente por António Costa, há cerca de 10 anos, no excesso de foco no combate e desvalorização das políticas territoriais.

Sobre os acontecimentos, sobre as responsabilidades políticas, sobre as consequências e estratégia governativas, ouviu-se muito pouco ou mesmo nada.

O mesmo discurso, a mesma retórica de há quatro meses... mais do mesmo, infelizmente. O Estado falhou com o país, com os portugueses, com as famílias, com as empresas, na protecção, na prevenção, na defesa... Repetidamente.

Se o Estado não é capaz e não serve precisamente para enfrentar os momentos dificíceis e as tragédias, e aí proteger os cidadãos e as comunidades, o Estado não é capaz e não serve para nada. Porque nos momentos fáceis qualquer um sabe governar.

publicado por mparaujo às 20:43

15
Ago 17

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Há um cansaço enorme numa grande parte da população portuguesa...
Há um desespero enorme em muitos portugueses...
Há uma frustração e uma desilusão consideráveis na sociedade e nas comunidades...
Há dor, luto, devastação que não pára, não estanca... que acende e reacende constantemente.

BASTA! É demasiada terra queimada, demasiada floresta devastada, demasiado património desfeito, demasiadas mortes (nem que fosse uma apenas), demasiados feridos, demasiada dor, sofrimento, medo, pânico... demasiado!

E não dá para conter mais. Não sou, de forma alguma, defensor da "caça à bruxa política", da leitura demasiado simplista das "responsabilidades políticas" de quem tutela e de quem governa. Isso é demasiado fácil e é, de facto, querer subjugar a realidade ao jogo da politiquice. Não se faz, não se pode fazer, política com a tragédia, seja ela humana ou apenas material. É uma total falta de respeito pela dignidade humana. Facto.

Mas há um ponto, um momento, em que já não é suportável o silêncio, em que não é possível conter a crítica, em que não é possível permitir confundir ética política com inoperância e ineficácia. E não podemos continuar a aceitar o argumento da ciclicidade dos factos ou da realidade. É verdade que há uma passividade longínqua e transversal a várias governações na gestão dos incêndios florestais de verão. Mas o passado não pode continuar a servir de desculpa até porque, a cada mudança governativa, a cada nova legislatura, tem que corresponder políticas diferentes, acções de governação distintas. Não faz sentido que tudo continue igual. O actual Governo já tinha tido um aviso há precisamente um ano com a tragédia dos fogos na Madeira, tinha tido a oportunidade de redefinir e repensar estratégias e novas políticas. Tudo ficou igual.

Se a realidade deste ano, do após Pedrógão Grande e todo o Pinhal Interior (e já lá vão dois meses), não produz qualquer efeito na gestão política deste grave problema que assola, a cada Verão, o país, cada vida, cada sofrimento, cada perda, cada gesto de solidariedade, perdem todo e qualquer sentido ou respeito. E isso tem que ter uma responsabilidade política que não pode ficar por um "banal" sistema de comunicações falhado ou por uma fútil obsessão ideológica sobre um dos principais instrumentos económicos nacionais (celuloses) ou a diabolização do eucalipto.

É preciso muito mais e não podemos ficar paralisados sob a capa do "não aproveitamento político das tragédias" porque isso não pode significar, mais uma vez, que a responsabilidade se perca no tempo e que a "culpa volte a morrer solteira". Isso é demagogia política.

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publicado por mparaujo às 21:56

18
Jun 17

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Inacreditável. Arrepiante. Doloroso. Trágico. Inimaginável.

Serão poucos os adjectivos que possamos encontrar para o que se está a viver na zona de Pedrógão Grande, Góis, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos.

Quatro frentes activas e descontroladas resultaram em 19 mortes, 21 feridos, habitações destruídas.

Não há memória, nem registo temporal próximo, de uma tragédia destas proporções em casos semelhantes (fogos rurais).

Por Pedrógão Grande, Góis, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos, por todas as suas populações e comunidades, pelas suas gentes, pelos que prontamente acorreram em auxílio... que Deus vos acompanhe.

É demasiadamente doloroso e triste.

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(créditos da foto: Paulo Cunha / EPA)

publicado por mparaujo às 01:11

26
Abr 16

Há pouco mais de uma semana, a 16 de abril, um sismo com a intensidade de 7.8 na escala de Richter abalou a zona oeste do Equador.

As primeiras informações, ainda demasiado prematuras e especulativas, davam contam de cerca de 70 mortos (já por si só um número significativo ao qual se acrescentavam os feridos e desaparecidos).

Mas rapidamente, com as avaliações da tragédia a serem mais precisas e concisas, os números afiguraram-se desbastadores e avassaladores. Uma semana depois o número de mortos subiu para perto dos 700, havendo ainda um registo provisório de 130 desaparecidos e mais de 12 mil feridos. A estes dados acresce ainda uma outra realidade: mais de 26 mil desalojados e um prejuízo a rondar os cerca de 3 bilhões de dólares, segundo as previsões governamentais que estimaram este valor para a recuperação das áreas completamente desbastadas.

Há cerca de 6 anos, em 2010, o Haiti vivia também uma catástrofe e tragédia provocadas pela "fúria" da natureza. Naquele país, sob vigilância militar da NATO e das Nações Unidas, situava-se uma base da ONU. Apesar da diferença significativa do número de vítimas (embora a densidade populacional do Haiti seja 6 vezes superior à do Equador) a verdade é que, tal como na tragédia do Haiti ou nos Tsunamis que avassalam as cotas asiáticas, não surgiram, para além das notícias, nenhuma campanha internacional de ajuda humanitária (apenas apoios avulsos), nenhumas contas bancárias, nem bandeirinhas nas redes sociais.

O mundo esqueceu-se que o Equador, o menor país da OPEP, com graves dificuldades económicas e sociais, também é neste planeta.

A mente humana tem estas contradições e incoerências sem explicação.

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(crédito da foto: Luís Ochoa / AFP)

publicado por mparaujo às 16:12

11
Mar 11
日本人にポルトガルからの抱擁
"Um Abraço para todo o povo Japonês vindo de Portugal"
Tsunami Japão - 11.03.2011
 
publicado por mparaujo às 21:45

22
Fev 10
Eu estive lá em Dezembro de 1995, em data particularmente especial.
Não me lembro, durante 11 dias, de qualquer gota de chuva no Funchal.
Não me lembro de qualquer sinal de tempestade na ilha.
É demasiado trágico.

Politiquices à parte... A MADEIRA PRECISA DE NÓS.

Por exemplo, através da Cáritas (conta - Montepio Geral).

publicado por mparaujo às 20:21

14
Jan 10
Ficar indiferente a esta tragédia, de uma dimensão que muito dificilmente se poderá conceber (apenas a noção do que a comunicação social e as redes sociais conseguem transmitir), só pode revelar egoísmo e estupidez humana.
500 mil mortes e um país completamente de rastos e desbastado, por "força" da natureza.

Eu já contribui.
Acho que uma tragédia desta dimensão e natureza merece o nosso respetio e solidariedade.
Por exemplo... através da Cruz Vermelha.

Pagamento de Serviços
Entidade: 20999
Referência: 999 999 999
Valor: (nem que seja um euro).

(créditos da foto: via rtp - Orlando Barria, EPA)
publicado por mparaujo às 20:32

08
Abr 09
Há coisas que só mesmo lidas eu acredito.
Como é possível, alguém em pleno século XXI, face a uma tragédia como a do sismo em Áquila - Itália em que se registam mais de 250 mortes, inúmeros feridos, desalojados, pessoas desaparecidas e uma cidade completamente destruída, ler isto: Berlusconi pede aos sobreviventes que encarem a situação como "um fim-de-semana no parque de campismo" (fonte: Público).
INACREDITÁVEL E INDISCRITÍVEL.
publicado por mparaujo às 21:54

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