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02
Abr 17

Brexit.jpg

publicado na edição de hoje, 2 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Brexit consumado. E agora?

Bem a propósito, “e vem-nos à memória uma frase batida: hoje é o primeiro dia do resto da tua vida”.

A expressão repetida ao longo da música “O primeiro Dia” de Sérgio Godinho não podia espelhar melhor a realidade da actual conjuntura política que a União Europeia atravessa no seguimento do referendo de há um ano (24 de março de 2016) que ditou o Brexit do Reino Unido e o anúncio, esta semana, de Theresa May de accionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa que marca o início do processo de saída do Reino Unido da União Europeia. É pois o primeiro dia do resto da vida dos ingleses, escoceses, galeses e irlandeses, mas também da própria União Europeia.

São muitas as vozes que questionam a opção tomada pelos britânicos (passe a incorrecção) no ano passado - aliás, até os próprios muito por força do sentido do voto no referendo de 2016 - e muitas outras vozes se reservam quanto aos impactos sociais, políticos e económicos internos com origem nesta saída do Reino Unido da União Europeia. Outros há que mantêm as suas análises e perspectivas no pressuposto de que o Reino Unido só terá a perder com o Brexit consumado. Importa recordar que o Reino Unido não fazia parte da Zona Euro, o que por si só implica um conjunto de circunstâncias e regras diferenciadas dos restantes Estados-membros, e a sua presença na União Europeia sempre se pautou por alguns antagonismos, nomeadamente políticos (ainda do tempo da Sra. Thatcher).

Pessoalmente, acho que quem está e acabará por perder mais com todo o processo é a própria União Europeia. A ela cabe uma grande parte da responsabilidade pelo resultado do referendo de março de 2016. A fraqueza do Estado Social Europeu, o surgimento de um conjunto significativo de desequilíbrios e desigualdades no seio da Europa, a incapacidade das instituições europeias (nomeadamente o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e o Banco Central) de darem expressão ao adn da criação da comunidade dos países da Europa com base na solidariedade entre todos, foram determinantes. Mas não é de todo displicente na análise do referendo que ditou o Brexit o impacto que teve a forma inenarrável como a União Europeia foi incapaz de tratar do grave problema humanitário dos refugiados, quer nas suas relações internas (os países “porta de entrada mediterrânica, como a Itália, Grécia e Espanha, por um lado, e, por outro, os países “receptores privilegiados” como a Áustria, Alemanha, França, Holanda e Bélgica, e o próprio Reino Unido, sem esquecer países como a Roménia, Bulgária ou a Hungria), quer na sua relação com a arqui-inimiga Turquia e o criticável acordo celebrado.

Enquanto a União Europeia se prepara agora para encetar o processo de transição da saída do Reino Unido da comunidade e celebrar com os ingleses um conjunto significativo de acordos económicos, jurídicos e políticos; enquanto a União Europeia se preocupa em ganhar posição de supremacia e força perante a decisão de Theresa May, a verdade é que a própria União Europeia deveria estar mais preocupada consigo mesma, com o seu futuro e com os impactos negativos do Brexit que são demasiado relevantes por muito que nos alegremos com os sucessivos falsos sucessos eleitorais recentes. Para muitos as derrotas dos extremismos (nomeadamente os ditos de direita) e dos populismos, como recentemente na Holanda ou no final do ano na Áustria, escondem uma realidade que muitos não querem ver: as referidas derrotas não escondem um aumento eleitoral e de representatividade ideológica e social.

O processo do Brexit que agora se inicia é uma excelente oportunidade para a Europa reflectir sobre o seu presente e perspectivar o futuro, se é que o mesmo ainda terá consistência, no sentido de reforçar e recuperar o que foi e esteve na base da sua criação. E deixar-se de continuar a marcar o seu destino fatídico, nomeadamente a viver uma realidade (conjuntura) que não interessa à comunidade, uma falta gritante de solidariedade e igualdade entre os Estados-membros, uma defesa dos valores humanistas e sociais que fundaram a comunidade, uma consistência económico-financeira que valorize os interesses comuns, uma coerência e afirmação política que transponha a Europa para o mapa geopolítico e geoestratégico internacional.

Teremos mais Brexits enquanto continuarmos a ouvir afirmações como as do ainda presidente do Eurogrupo ou do Presidente da Comissão que afirmou, na passada semana, que perspectiva uma Europa não a duas mas a várias velocidades.

Está ditado o destino europeu e não é por culpa (apenas) do Brexit.

publicado por mparaujo às 12:39

03
Out 09
À segunda (a primeira foi em Junho de 2008), 67.1 por cento dos eleitores irlandeses votaram “sim”, em relação ao Tratado de Lisboa.
Segundo as notícias veiculadas pela Comunicação Social, houve muitos eleitores que mudaram de voto (do Não para o Sim) e muitos que se abstiveram no primeiro referendo, votaram agora a favor.
Face a este resultados, José Sócrates veio congratular-se (ao mesmo tempo que se sente aliviado), pela Europa e por ele próprio (modéstia à parte).
Só que José Sócrates esqueceu-se de dois pormenores, verdadeiramente relevantes:
1. Que se congratulou por um resultado derivado de um referendo (neste caso, dois). Algo que ele próprio tratou de "abolir" em Portugal.
2. Que a Irlanda iria votar sempre SIM, nem que para tal fosse necessário realizar centenas de referendos. Além disso, é conhecida a "chantagem" europeia e os condicionalismo que envolveram esta eleição (garantia de lugares e fundos comunitários). Ou seja, a UE "comprou" esta eleição.

Congratulação de quê?!!

Actualização
Excelente este editorial de José Manuel Fernandes no Público de 04.10.2009
publicado por mparaujo às 21:56

29
Abr 08
A Direcção da Associação de Estudantes do ISCIA (Instituto Superior de Ciências da Informação e Comunicação, em Aveiro) tem o prazer de o(a) convidar a estar presente na Segunda Tertúlia Académica do ISCIA, no próximo dia 30 de Abril, 21:00 Hm, no Bar do Teatro Aveirense.
“O TRATADO DE LISBOA. Que implicações para Portugal?”.
Convidados:
o Dr. Francisco Assis (Eurodeputado pelo Partido Socialista)
o Dr. Pedro Jordão (Presidente do CINT e Docente do ISCIA)
o Mestre Manuel Monteiro (Presidente do PND e ex-Docente do ISCIA)
o Dra. Pedro Guerreiro (Eurodeputado pelo PCP)
Mais informação Aqui.

publicado por mparaujo às 09:38

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