Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

15
Mar 17

manuais-escolares-1024x765.jpg

publicado na edição de hoje, 15 de março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Mercantilização do ensino

A educação era uma bandeira e uma paixão nas anteriores governações socialistas, como por exemplo, no governo de António Guterres. Na actual governação a educação foi “cavalo de batalha” frente ao ensino privado, mais por força ideológica e imposição do Bloco de Esquerda do que propriamente por vontade programática do PS. Actualmente, o descontentamento face às reformas prometidas e não cumpridas tem aumentado e criado algum desconforto junto da comunidade escolar. A este propósito vieram a público duas circunstâncias recentes que merecem nota de destaque, aliás, por falta de oportunidade já deviam ter sido, aqui, referenciadas. Primeiro, a notícia, divulgada ontem pelo jornal i que dava nota da polémica entre o ministério da Educação e as escolas quanto às ausências das reformas curriculares para o próximo ano lectivo. E este facto leva-me a recordar a excelente reportagem que a TVI apresentou em meados de Janeiro, com a assinatura da jornalista Alexandra Borges, sob o título “Negócio dos Manuais Escolares” e que no passado domingo teve novos desenvolvimentos com o exemplo da gratuidade e da reutilização dos manuais escolares nos Açores.

As duas grandes reportagens, exemplos do que pode e deve ser o jornalismo de investigação (a relevância do tema, a apresentação dos factos e da sua veracidade, os exemplos e entrevistas e o direito ao contraditório), levantam interessantes questões sobre um dos temas mais polémicos na educação e que toca ao universo escolar e a milhares de famílias nem que seja uma vez por ano (Setembro). Sobre a qualidade do trabalho jornalístico que a Alexandra Borges apresentou não restam dúvidas. Aliás, se a investigação jornalística não tivesse sido tão assertiva não teria havido lugar a significativa contestação por parte de professores, escolas e editoras, porque, como diz, e bem, a sabedoria popular «quem não se sente não é filho de boa gente», com ou sem razão. A reportagem teve o condão de alertar, de incomodar, de suscitar massa crítica, de revelar publicamente o que corresponde o pesadelo anual de muitas famílias em cada início dum ano escolar no que respeita aos manuais escolares. Bem como o outro lado da moeda (a oposição à actual realidade) espelhado no exemplo das práticas aplicadas na Região Autónoma dos Açores, se bem que não se afigura propriamente fácil replicar o processo para uma escala nacional. No entanto, esta questão das reformas curriculares e dos manuais escolares suscita-me outra reflexão: a questão da responsabilidade governativa e política.

Tendo em conta as abordagens apresentadas na reportagem da TVI da jornalista Alexandra Borges, havendo uma óbvia mercantilização e um claro negócio sombrio neste processo dos manuais escolares, não podemos deixar de responsabilizar o Governo (e muitos governos anteriores) e o ministério da Educação pela situação e realidade descritas.

Podemos (e eventualmente devemos) criticar a posição das editoras mas não podemos, igualmente, deixar de recordar o carácter privado e económico do âmbito da sua actuação (comércio). O que já não é admissível é a forma como o Governo (ou os governos), por inércia, desresponsabilização, falta de capacidade política, pactua e é conivente com a realidade.

E não seria muito difícil, houvesse vontade e coragem política, para além da necessária reforma do sistema de ensino actual, alterar o estado da arte. Por um lado, a criação de comissões multidisciplinares, na esfera do ministério, que fossem responsáveis pela reforma e definição curriculares, bem como pela elaboração de manuais únicos, iguais para todas as escolas do país. Manuais esses que deveriam ser impressos e distribuídos (comercializados) pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, retirando do “mercado livreiro e editorial” a mercantilização e o negócio pouco claro de todo o processo.

Desta forma retirava-se o pesadelo anual do deitar ao “lixo” centenas de euros em manuais que não servem para os anos seguintes; acabava o pesadelo das alterações fictícias anuais que levam a escusadas e dispensáveis edições novas; haveria a capacidade para uma diminuição considerável no preço dos manuais e, consequentemente, dos próprios apoios sociais escolares do Estado; haveria uma maior equidade na aprendizagem e no exercício da docência em todo o país; haveria uma melhor selecção de manuais mais condizentes com as reformas curriculares e as políticas e princípios pedagógicos do ministério; entre outros. O que o país, as escolas, os professores, as famílias e, principalmente, os alunos dispensam é este paralelo assobiar para o lado do Governo e do Ministério da Educação face a esta realidade. Este governo e muitos outros para trás.

(adenda ao texto: as três peças de investigação jornalística da Alexandra Borges - repórter TVI - podem ser revistas aquiaqui e aqui)

publicado por mparaujo às 10:11

15
Abr 15

urgencias hospitalares.jpgSe há coisa que a maioria dos portugueses aprendeu, nestes 40 anos de democracia, foi saber distinguir, no discurso político e governativo, as falsas promessas, os irrealismos, as desculpas esfarrapadas e a tentativa de fazerem de nós parvos. Não... não o somos, nem muito menos estúpidos.

E a maioria dos cidadãos, por força do volume e velocidade da informação, da pluralidade, qualidade e diversidade, apurou o seu sentido crítico.

Quem não aprendeu a ter cuidado com o discurso, com a sua veracidade e transparência, com a coerência e com a realidade, foram os políticos e os governantes.

Face à reportagem da TVI sobre as urgências hospitalares, recentemente transmitida na rubrica "Repórter TVI", esperava-se, por parte do Governo e da Tutela, um maior cuidado e recato nas declarações posteriores.

Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que questionasse os critérios jornalísticos... criticável, mas aceitável.
Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que assumisse as dificuldades da gestão governativa de um sector extremamente complexo e com uma máquina pesada... aceitável e desejável.
Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que accionasse os mecanismos e as estruturas do sistema para avaliar e minimizar os impactos negativos do caos das urgências hospitalares... desejável e coerente.Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que, no limite dos limites, até pudesse questionar a veracidade das imagens... apesar de eventual irrealismo.

Mas o que não podemos aceitar, de todo, é que o Secretário de Estado da Saúde, Leal da Cunha, face à reportagem da TVI, venha com um discurso inqualificável e de um total desrespeito pelos profissionais, pelo sistema e, acima de tudo, pelos doentes e familiares. Afirmações como "os doentes estavam bem instalados/acamados", "o sistema funciona perfeitamente", "as instalações são as adequadas" (aspas minhas), etc., só revoltam quem as ouve, mesmo que não tenha tido experiências vivenciadas nas urgências, e só tinham um único impacto prático: a demissão.

Não nos façam de parvos...

publicado por mparaujo às 11:55

12
Mar 14
Televisões recusam cobrir campanha e fazer debates

Já tinha acontecido nas útlimas eleições autárquicas, em setembro de 2013.

Volta a ser tema polémico e controverso.
Maioria e PS preparam-se para alterar a legislação que regula a cobertura jornalística das campanhas eleitorais. Isto a apenas dois meses de distância do próximo acto eleitoral: eleições europeias.

Em causa estão eventuais princípios constitucionais de equidade em confronto com a liberdade de informação e a independência editorial, embora com algumas diferenças de aplicação entre a proposta do PSD-CDS e a do PS, nomeadamente no que diz respeito a distinções entre períodos de pré-campanha e campanha leitorais.

De qualquer forma, as três direcções de informação - RTP, SIC e TVI já vieram denunciar a eventual alteração à lei e a sua não exequibilidade ou a sua inviabilidade operacional e jornalística. Isto expresso num comunicado conjunto que levará a procedimentos jornalísitcos idênticos aos das eleições autárquicas de 2013.

publicado por mparaujo às 16:34

09
Ago 12

É sabido que, nos dias de hoje, o tempo (timing) em comunicação social (e noutros processos comunicacionais) é algo extremamente importante. A informação/notícia ou é divulgada num preciso momento ou, de forma muito impetuosa, perde qualquer impacto, relevância ou efeito prático.
Certo é, também, que esta pressão do tempo e do mediático leva a que a necessidade de mais competência, rigor, maior concentração e profissionalismo, seja permanente. De outra forma, como diz o ditado, "depressa e bem há pouco quem".
E foi isso que aconteceu, por cerca de uns míseros minutos, na passada terça-feira, na TVI, por ocasião da divulgação da chave do euromilhões (190 milhões de euros em jogo). Algo completamente impensável e inacreditável. A chave era anunciada totalmente desfasada da extracção dos números que eram apresentados e visionados. Portugal (muito de Portugal) estava incrédulo e suspenso...
E poder-se-á dizer: os erros acontecem.  É um facto, mas "pagam-se" caro em função da responsabilidade e da dimensão dos factos.
Para além de uma imagem institucional e de rigor profissional da TVI deitada por água abaixo, foi igualmente posta em causa a imagem da Santa Casa da Misericórdia e da credibilidade do processo do jogo, conforme se pôde constatar, por exemplo, pelas reacções, no dia e seguinte, no twitter.
E não só... mais grave ainda, pelo facto do acontecimento (triste e lamentável) poder ter tido repercussões mais graves do que estas:

"Português da Lourinhã foi milionário por segundos" (fonte: renascença online).
Tal como diz o ditado: "depressa e bem há pouco quem"...

publicado por mparaujo às 10:44

05
Jun 12
O Prémio Jornalismo Contra a Indiferença, promovido pela AMI destina-se a destacar um trabalho jornalístico que represente um testemunho e uma contribuição válida para que a indiferença dos poderes de opinião pública não permitam cobrir com um manto de silêncio situações intoleráveis, do ponto de vista humano, social, económico ou outro, em qualquer parte do mundo (fonte... site oficial da AMI).
A XIV edição do Prémio AMI - Jornalismo Contra a Indiferença já tem vencedores (dois):
“Nas Asas do Desejo” (TVI) de Alexandra Borges, com imagem de João Franco, edição de Miguel Freitas e grafismo de Ricardo Rodrigues (o direito à sexualidade na deficiência)
e
“Os Novos Portugueses” (Público) de Susana Moreira Marques (retrato da multiculturalidade da segunda geração de imigrantes em Portugal).

O Júri do Prémio AMI – Jornalismo Contra a Indiferença premiou ainda, com menções honrosas, os trabalhos:
“Da Minha Ilha Não se Vê o Mar” (SIC) de Carlos Rico, com imagem de José Caldelas, edição de António Soares e grafismo de Isabel Cruz;
“Vermelho da Cor do Céu” (TSF) de Ana Catarina Santos, com sonoplastia de Luís Borges;
“Os Novos, os Velhos, os Problemas Deles e uma Boa Ideia” (SIC) de Miriam Alves, com imagem de José Eduardo Zuzarte, edição de Ricardo Tenreiro e grafismo de Patrícia Reis.
publicado por mparaujo às 23:04

24
Mai 12

No seguimento do post "Palavra contra Palavra" não podia estar mais de acordo com a visão sobre este processo por parte da jornalista/comentadora Fernanda Câncio, no programa 25ª hora na madrugada do dia 23 de maio, na TVI24.

 (clicar para aceder ao vídeo)

Interessante é verificar as recentes posições quer do jornal Público (agora com consenso nas posições, depois de notórias divergências iniciais - conselho de redacção - jornalista - editora de política e directores), quer por parte do Ministro-adjunto. É que ambos acusam o outro com as respectivas versões, mas nenhum avançou com qualquer processo judicial por crime (grave) penal: difamação ou devassa da vida privada. Muito esquisito...

 

Alguma "avalanche" de informação sobre o caso (em actualização)

Duas versões contraditórias: Palavra contra Palavra (fonte RTP)

Versão do Jornal Público

"Directora do PÚBLICO reitera na ERC que Relvas pressionou o jornal" (público)

"Público reafirma na ERC as pressões de Miguel Relvas" (rtp)

"Miguel Relvas garante que nunca pressionou jornalistas do Público para travar notícias sobre o caso das secretas" (rtp)

"Público: Diretora do jornal reitera pressão de Miguel Relvas" (tsf)

"Relvas «disse que ia revelar dados privados»" (tvi24)

"Directora do Público reitera pressão de Miguel Relvas" (i)

Versão do Ministro Relvas / Governo

"Relvas nega ameaças a jornalista e diz na ERC que se sentiu pressionado" (público)

"Público reafirma na ERC as pressões de Miguel Relvas" (rtp)

"Relvas nega ter exercido pressões sobre jornalistas" (rtp)

"Relvas sentiu-se pressionado por urgência de perguntas do Público" (tsf)

"Miguel Relvas nega ameaças ao «Público»" (tvi24)

"Não houve da minha parte qualquer pressão" (tvi24)

"Relvas: "Fui eu que me senti pressionado"" (negócios)

Posição da ERC

"ERC deve decidir em duas semanas, mas pode fazer mais perguntas por escrito" (público)

publicado por mparaujo às 23:56

A "CAUSA" foi até à TVI...

Presença da Carla (e da Mariana), do Armando e do Vitor Branco no programa "A Tarde é Sua" da TVI, no dia 23 de maio.

"A Tarde é Sua: Concerto solidário"... Unidos com a Mariana.

E eu que tinha tanta vontade de estar lá no sábado...

publicado por mparaujo às 23:54

22
Fev 12
É certo que a Comunicação Social vive um momentos de indefinição, de readaptação a novas realidades e desafios, vive algum inconstância, tem graves crises existenciais (a todos os níveis: estruturais, laborais, profissionais, de sustentabilidade), há mau e deficiente jornalismo, e não é isenta de erros (uns mais graves que outros).
Veja-se o caso da notícia da Lusa em relação à demissão do treinador do Sporting, Domingos Paciência ao invocar "fonte anónima" ou "fonte próxima" ou ainda "fonte confidencial" (recurso tantas vezes banalizado pelo excesso e "uso e abuso" - ler com especial atenção: Estrela Serrano em “Cozinhar notícias" ).
Também o rigor informativo, quando não cuidado pode levantar dúvidas quanto à intenção da informação veiculada, está muitas vezes arredado das páginas dos jornais e revistas, das televisões ou dos microfones das rádios. O exemplo é referenciado e criticado pelo Francisco Silva, no artigo 58, em "#presstitutes".
No caso da TVI é reconhecido o esforço e o mérito por relançar a informação como uma "bandeira" do canal mais visto em Portugal. De certa forma, tentando equilibrar com a questionável programação.
Seja na TVI seja na TVI24, a informação tem merecido especial atenção e vai conquistando o seu lugar. Mesmo que, em muitos casos, vá balançando entre o interessante/excelente e algo que nos faz crer que estamos a folhear a edição do dia do Correio da Manhã.

E a problemática e controvérsia existe não pelo acto do jornalista/repórter de imagem da TVI, não por ser um órgão de comunicação social português, nem pelo facto de estar envolvido o Ministro das Finanças de Portugal (um dos três países europeus resgatados). Mas sim porque esteve envolvido o Ministro das Finanças..... Alemão!!!! Sim... desse intocável, imaculado e supremo país europeu que, apesar da exclusão das armas e da guerra, controla a Europa através da moeda. E "controla" é, claramente, um eufemismo...
Percebe-se por tudo isto, e louva-se,  a posição da TVI sobre o caso: "Conversa entre ministros: nota editorial".

Cabe ainda esta notícia do Expresso onde se coloca a questão: Escutar é legítimo ou não?, com destaque para o comentário de Eduardo Cintra Torres e Joaquim Vieira (já que não concordo com o depoimento de Carla Baptista e, neste caso, a opinião de Estrela Serrano sai fora do âmbito abordado - comunicação social - já que aborda a parte política).
publicado por mparaujo às 00:18

07
Jan 12

Um novo blogue sobre comunicação social, com destaque na coluna da direita.

Jornalistas que escrevem sobre jornalismo, notícias e o mundo dos media.

Produzido e realizado pela equipa "Breaking News" da TVI24
publicado por mparaujo às 17:44

30
Nov 11
É sabido que a Comunicação Social atravessa momentos conturbados, mais por força da componente (excessiva, diga-se) da sustentabilidade financeira, do que propriamente a profissional (embora esta seja também criticável).
É o caso da eventual privatização ou concessão da RTP e a redefinição de serviço público, são os encerramentos de vários órgãos de comunicação (jornais, revistas e rádios, principalmente), são as situações laborais, clara e regularmente, colocadas em causa.

Mas a surpresa vem do lado da TVI, Porto Canal e, curiosamente, Júlio Magalhães... Juca (para os amigos e colegas) estará de malas aviadas para o norte e o recente canal portista.



De facto... a Comunicação Social precisa, urgentemente, de se consolidar, de se repensar, de uma análise e reflexão profunda. Mas sempre... urgente.
publicado por mparaujo às 21:52

09
Set 09
O Jornalista Júlio Magalhães (entre colegas conhecido por "Juca") é o novo director de informação da TVI.
Depois da polémica (ainda não encerrada) do final do Jornal de Sexta e que envolveu a jornalista Manuela Moura Guedes, a Direcção de Informação, liderada por João Maia Abreu tinha apresentado o seu pedido de demissão, em bloco.

Júlio Magalhães exercia as suas funções de responsável pela Direcção de Informação da TVI no Porto.
publicado por mparaujo às 22:41

05
Set 09
Não sei propriamente se a “poeira” já assentou (ou se assentará tão cedo).
No entanto, é, para mim, a altura para abordar o “caso” TVI/Jornal de Sexta.
Primeiro, importa uma declaração de princípios: não sou espectador assíduo da TVI, tenho, como licenciado em comunicação, outras referências no jornalismo que não Manuela Moura Guedes, e não sou socialista. Para que conste…
É, para mim e por força de formação, um dado inquestionável: a importância que a Comunicação Social desempenha no desenvolvimento das sociedades, no processo de construção social (socialização), na edificação da história, na defesa da verdade e vigilância dos valores democráticos e do pluralismo, no contributo para a difusão do conhecimento.
Não há democracia sem o respeito pela liberdade de expressão, opinião e informação. Não há verdadeira democracia sem o respeito pela Comunicação Social.
Não sei, porque posso correr todos os riscos acrescidos de especulação, se houve interferência directa ou não na decisão da Prisa/Media Capital… sinceramente, apesar do momento eleitoral que vivemos e de não ser, nem por sombras, socialista, pouco me interessa, para o caso.
Pelo entendimento que tenho e do que sei sobre a legislação portuguesa aplicável à Comunicação Social, um dado é certo: a ingerência da Administração da TVI num processo informativo (e nos respectivos órgãos: Direcção de Informação e Redacção) é ilegal.
Mas esse é um procedimento legal que caberá a Entidade Reguladora agir, se assim o entender e decidir.
Mais grave que isso… é a questão ética, o valor da liberdade de informação e a realidade dos Órgãos de Comunicação Social, hoje.
Hoje, o poder económico exerce uma inegável, mas questionável e infeliz, pressão e domínio sobre o político e sobre a informação. Por mais valores éticos e deontológicos, por mais auto-regulação que o jornalismo queira assumir, na prática a realidade é outra: dinheiro, receitas e audiências.
O que é um facto é que, mais uma vez, a Comunicação Social e a Liberdade de Imprensa serve de “arma de arremesso” sem ser pela sua missão informativa.
A Comunicação Social tem que ser independente, isenta e livre. Deve expor tudo (dentro dos princípios legais e deontológicos) para que a sociedade se informe e evolua… goste-se ou não!
Não pode, nem deve e é de extrema gravidade que seja o poder político ou o poder económico a decidirem o que é “mau jornalismo”, o que é ”mau profissionalismo” o que deve ser ou não divulgado em termos informativos. Isto não é liberdade, não é democracia, não é pluralismo: é “asfixia” informativa.
Se Manuela Moura Guedes é má profissional, deveria ter sido, há mais tempo, despedida ou nem integrada na TVI. Se o Jornal Nacional de Sexta é um mau exercício de informação, haveria, há mais tempo, que o substituir.
As razões para a alteração e anulação do programa são do mais surrealista e graves do ponto de vista do jornalismo e da liberdade e direito (dever) de informar.
Quem deve julgar (excepto as questões judiciais) é a própria comunicação social e o público. Que curiosamente, agora percebo que ninguém gostava, ninguém via: mas ninguém fala noutra coisa. Ou seja… muita gente não era indiferente àquele serviço informativo.
Um “à parte”, em jeito de conclusão…
Este caso não é, nem por sombras, igual ao de Marcelo Rebelo de Sousa. O que não significa que não seja igualmente condenável. Toda e qualquer interferência é condenável.
Mas aí tratava-se de um político, comentador e de uma relação interna partidária.
Não estava em causa o jornalismo, a Comunicação Social ou a informação veiculada.
Por fim… consequências políticas só as haverá se as interferências externas se confirmarem ou se aparecerem (porque não me parece que o caso acabe tão depressa).
publicado por mparaujo às 21:50

04
Set 09
A ler Aqui, Aqui e Aqui (tudo via "Enguia Fresca")... E a preparar a minha "modesta" opinião e visão sobre o caso... Acho grave, claro.
Mas... mais logo ou Sábado!
publicado por mparaujo às 00:17

05
Ago 09
José Eduardo Moniz está de saída da TVI.
Ao fim de onze anos a liderar o projecto, segundo palavras do próprio, há outro projecto e convite feito.
Do meu ponto de vista, mesmo não sendo fã da TVI, entendo que a Estação Independente não vai ser a mesma sem o "seu" Director-Geral.
Ninguém é insubstituível. Mas... Com a saída de José Eduardo Moniz, a TVI não será a mesma. Não tenho dúvidas.
publicado por mparaujo às 22:15

27
Jun 09
A PT, já há alguns anos, conseguiu desmistificar e alterar a sua imagem e identidade empresariais, no sentido de se mostrar como uma empresa competitiva, de referência e de excelência. Conseguiu-o, à custa de uma comunicação e marketing muito forte.
De repente, por uma questão, meramente, política (e de ética, também), o Governo descredibiliza e anula uma imagem de marca e de referência: a PT é a mais prejudicada no processo.
A ver vamos, até que ponto, este processo significa o princípio do fim da imagem governativa. Em Setembro, logo se verá...
publicado por mparaujo às 16:18

24
Jun 09
Mudam-se os tempos, mudam-se os ditados, perdem-se as tradições (e os valores).
Antigamente: "Se não os consegues vencer, junta-te a eles".
Hoje: "Se não os consegues vencer... compra-os" (e controla-os).
A PT passa a "testa de ferro do governo", com a pretensão de aquisição de capital da TVI (Media Capital).
É conhecida a incompatibilidade de Sócrates com a TVI (e é sabido como tudo o que contraria o Sr. Primeiro Ministro é contra-poder, forças ocultas, difamação - mesmo que sejam factos, notícias, direito e dever de informar).
São conhecidos os recentes episódios (caricatos) da Entidade Reguladora da Comunicação face à informação da TVI.
Portanto... para que não haja mais chatices, o melhor é mesmo COMPRAR para controlar (como se já não bastasse a Televisão Pública do Estado, vulgo RTP).
publicado por mparaujo às 23:35

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