Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

14
Fev 17

No dia do ano em que mais se comercializa e banaliza as relações amorosas e, porque não, as de amizade, a realidade devia obrigar-nos, forçar-nos, a parar e a pensar. Principalmente que a relação é muito mais que uma caixa de bombons, uma rosa, um coraçãozinho vermelho ou um balãozinho engraçado. Isto já para não falar nos peluches de toda a forma e feitio ou no esgotar de toda e qualquer sala dos restaurantes e bares.

Já há um ano a Revista Visão tinha publicado este vídeo a propósito da campanha sobre a violência no namoro: "Isto não é Amar. Amar é Respeitar." (não só... mas também).

É altura e o dia para recordar que, segundo a UMAR e os dados recolhidos na altura:
um em cada quatro jovens acredita que a violência no namoro é normal;
9% dos jovens já foram vítimas de violência psicológica;
5% já foram vítimas de violência física;
5% já foram vítimas de violência sexual.

Mas o giro continua a ser o coraçãozinho e o ursinho de peluche.

mw-680.jpg

publicado por mparaujo às 16:30

21
Nov 16

São já 27 os anos que separam o dia 20 de novembro de 1989 do dia celebrado ontem (20 de novembro de 2016).

São já 27 os anos que distam do dia em que as Nações Unidas adoptaram a Convenção dos Direitos das Crianças (20 de novembro de 1989).

Hoje (ontem) é dia de lembrar o que nos relata a UNICEF.

  • seis milhões de crianças continuam a morrer anualmente de causas evitáveis.
  • 50 milhões de crianças foram obrigadas a abandonar as suas casas, das quais 28 milhões estão deslocadas por conflitos ou pela guerra.
  • 250 milhões de crianças vivem em países afectados por conflitos. (Síria, Iraque e norte da Nigéria, a título de exemplo).

crianca alepo.JPG

  • 385 milhões de crianças vivem na pobreza extrema.
  • Mais de 250 milhões de crianças em idade escolar não estão a aprender.
  • Perto de 300 milhões de crianças vivem em zonas com os níveis tóxicos de poluição do ar mais elevados (seis vezes superior aos valores definidos internacionalmente).

crianca africa.JPG

 Mas também Portugal não foge à tragédia dos números.

  • 2,8 milhões de portugueses encontram-se em risco de pobreza, sendo que destes mais de 640 mil serão crianças e jovens.
  • uma em cada quatro crianças portuguesas vive na pobreza.

crianca portugal.JPG

Para além de todos este dados, permanece-me na memória, bem viva, o pequeno sírio Aylan Kurdi numa praia turca e os milhares de crianças que morreram no mar Mediterrâneo.

crianca refugiada.JPG

Isto sem esquecer os milhões de crianças em todo o mundo e dos milhares em Portugal vítimas de abusos, violência, tráfico e escravatura.

crianca escravatura.JPG

publicado por mparaujo às 14:11

02
Jun 15

(declaração de interesses)
Apesar de alguns amargos de boca com a PSP, a par de muitos bons momentos, nada tenho contra a instituição, antes pelo contrário, assim como tenho pessoas por quem guardo estima, amizade e consideração, que são agentes da PSP. Ponto prévio.
Tendo sido um dos muitos que criticou os acontecimentos recentes que ocorreram em Guimarães após o final do jogo de futebol entre o Vitória e o Benfica, não tomei a parte pelo todo e, muito menos, confundi a árvore com a floresta, apesar de achar surreal a nota e as explicações da Direcção Nacional da PSP sobre o caso. Além disso, não julguei sequer a intervenção nos "festejos do Marquês" porque não acho que, face ao contexto, a actuação da PSP, em Lisboa, tenha sido desmedida e desproporcional.

Mas há coisas que são mesmo surreais, lamentando que a Instituição PSP não saiba cuidar, principalmente nos momentos mais indicados, da sua imagem, dos seus princípios e da sua missão... a bem de todos (sociedade) e dos seus profissionais.

Ontem, a propósito do Dia Mundial da Criança, relembrei aqui a importância do papel da UNICEF, da Convenção dos Direitos da Criança, das várias acções urgente humanitárias, das situações de pobreza, de fome, de violação e abusos sexuais, da guerra. Poderia, hoje, lembrar questões como os mais elementares e básicos cuidados de saúde e o acesso à mesma (por exemplo o que se passa com a vacinação gratuita em Portugal), com questões como o ensino e escolaridade, com questões como o direito à adopção e coadopção sem reservas (por exemplo por casais homossexuais), etc., etc,. etc.

Enquanto isso o país, nomeadamente as escolas e os municípios, andou em festa. Não é bom celebrar algo que respeita à criança, ou às crianças, em Festa? Não é um dos seus direitos a liberdade, a felicidade e o brincar? Sem dúvida e nem é isso que me cabe criticar. Mas não deixa de ser importante que, desde pequenino, haja a consciência da realidade diferenciada, do outro, da massa crítica, de apontar o que está/é errado.

Infelizmente, em pleno Dia Mundial da Criança, há quem perspective uma tomada de consciência precoce e pueril para a violência. E logo a própria PSP. Em Portalegre, no festejos municipais do Dia Mundial da Criança, a PSP local resolveu criar com as crianças, bem pequenas, um cenário de confronto e violência, tal como descreve a fotografia (entretanto apagada da página oficial da Câmara Municipal de Portalegre) que correu (e ainda corre) as redes sociais mais diversificadas (como é o caso do blogue Jugular) ou a própria comunicação social (Diário de Notícias ou o Público, como exemplos). Há coisas que dificilmente se apagam.

1_jun_Portalegre.jpg

Haveria mil e uma formas da PSP cuidar da sua imagem de segurança, de serviço ao cidadão e à sociedade. Mas a pior resposta foi dada: criar um cenário onde crianças bem pequenas simulam o arremesso de pedras (mesmo que com folhas de papel... também só faltava cair no extremo do realismo puro) e outras estão prontas para a respectiva carga policial de resposta, em pleno Dia Mundial da Criança, não tem sustentação e justificação válida, não pode haver argumento que a sustente, é um claro atentado aos próprios direitos das crianças.

Houvesse alguém que tivesse tido (PSP e Câmara) o bom-senso de impedir tal "calamidade". Houvesse... mas não houve.

publicado por mparaujo às 14:53

24
Mai 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 24 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Estaremos mais violentos?

Tem sido foco de atenção (em alguns casos, demasiada atenção) mediática e presença na agenda pública os casos de violência que têm assombrado os últimos dias ou as últimas semanas. Deixo, por razões mais que óbvias, o óbvio (passe a redundância semântica) condenável caso do cidadão agredido por um subcomissário da PSP, frente aos filhos e ao seu pai, em Guimarães, no passado domingo. Apenas uma nota: independentemente da revolta, não faz sentido tomar a floresta pela árvore.

O que me prende a atenção tem a ver com o caso de bullying numa escola na Figueira da Foz tão mediatizado. Só quem não frequentou o liceu nos finais da década de 70 e até meados da década de 80 (incluindo colégios internos) pode achar a situação divulgada como novidade: ofensas corporais, agressões psicológicas, humilhações, suicídios, sempre foram realidades do universo escolar. Uns anos com mais ou menos incidências, num ou noutro ambiente ou numa ou outra região com maior preponderância. E não apenas no ensino secundário se nos reportarmos a realidades noticiadas e outras escondidas no universo universitário. Passe a metáfora semântica sempre houve um “caixa de óculos”, “o gordo que só ia à baliza”, “um minorca”, “um beto”, “a fulana dos dentinhos de coelho”, “o machão com mais fama que proveito”, “a que ia com todos”, “os que fumavam e os que não fumavam”, “o marrão”, o “graxista”, “…”. Contextos de agressão (física ou psicológica), de segregação social, de pressão e chantagem fazem parte da história do ensino e da vivência escolar. Não são exclusividade das realidades sociais de hoje. E digo realidades sociais porque aqui se pode incluir, para além do universo escolar, por exemplo, o universo profissional e o corporativo (a título de exemplo: o militar). Tudo isto é aceitável? Não. Tudo isto deve ser minimizado? Não. Estes contextos devem ser criminalizados? Sempre. Mas a verdade é que nada disto é novidade e consequência apenas dos dias de hoje (com tudo o que isso signifique). Há, no entanto, uma diferença: a da dimensão do mediatismo e a facilidade com que são publicitadas e divulgadas. E esta realidade dá, de facto, uma outra dimensão ao problema. Face às novas tecnologias e ao acesso à internet, um contexto de bullying comporta impactos até há poucos anos inimagináveis e não calculáveis, não só pelo efeito que tem sobre a vítima, mas também pela noção de poder que dá ao agressor e pelo efeito multiplicador. No caso do aluno de uma escola da Figueira da Foz, não bastava o condenável ato em si mesmo, para ser ainda mais criticável a gravação e divulgação do vídeo na rede e nas plataformas sociais. Mas o que também se tornou preocupante foi a reação negativa ao episódio: os muitos que rapidamente vieram a público condenar e criticar o inaceitável ato, acabaram, por força do meio, por terem a mesma postura dos agressores, quer em palavras (ameaças, tom das críticas), quer em atos (divulgação do vídeo – republicação – sem a preocupação em encobrir os rostos dos envolvidos, já que se tratava de menores… algo que tem implicações legais). Por outro lado, a própria comunicação social (aí com o cuidado da divulgação ‘limpa’ das imagens) acabou por dar uma “ajuda à festa” pela forma massiva com que tratou o caso.

É óbvio que tudo isto é condenável, que o bullying deve merecer especial cuidado e tratamento. Mas aí é que reside a questão. É que de ambos os lados da “barricada” a única coisa que se conseguiu foi redimensionar o problema para níveis que não favorecem nada o seu combate. Veja-se, por exemplo, o efeito multiplicador no conjunto de notícias que vieram a público na imprensa, nos dias imediatos, de casos semelhantes, como se não tivesse havido um “ontem” (passado) em toda esta realidade.

Curioso é que não vimos os jovens, pais ou encarregados de educação, comunidade escolar, autarquias, governo/Estado (principais organismos e ministérios relacionados com a problemática), comunidades, autarquias, a tomarem medidas, posições públicas e reforço das políticas de combate à agressão, à exclusão e segregação, à violência, ao bullying. Só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja.

Nota final para os acontecimentos no Marquês, no passado domingo. Por alguma razão cada vez há menos gente nos estádios e a ligar ao futebol. Por mais que queiram fazer ver o contrário, o que se passou é futebol. E é-o demasiadas vezes. Se não fosse não acontecia sempre que o futebol envolve dimensão humana e fanatismos clubísticos. E acontece demasiadas vezes.

publicado por mparaujo às 11:16

18
Jan 15

publicado na edição de hoje, 18 de janeiro, do Diário de Aveiro

Debaixo dos Arcos
Limites há… mas escusa de ser ao murro.

Não é um “tropeção”, mesmo que com dificuldade em digerir e em concordar, que me farão recuar na opinião que até agora mantenho do Papa Francisco. A forma como tem lidado com a Cúria e o interior do Vaticano, a forma como tem colocado à discussão alguns tabus e temas polémicos para a Igreja conservadora, a forma como tem lidado com a realidade política e social actual (lembremos as posições sobre a economia, sobre a pobreza, sobre o emprego, ou ainda o seu recente discurso no Parlamento Europeu) à luz de uma clara Doutrina Social da Igreja; serão mais que suficientes para me fazerem ultrapassar as suas mais recentes posições e declarações sobre os últimos acontecimentos em França. Mas também não deixa de ser verdade que as afirmações do Papa Francisco não são tão inocentes como muitos querem fazer crer. Nem mesmo a afirmação que Francisco fez sobre o atentado ao Charlie Hebdo (“matar em nome de Deus é uma aberração"), reforçada pelo sublinhado “"não se pode ofender, fazer guerra e matar em nome da própria religião, ou seja, em nome de Deus”, disfarça o mal-estar que a sequência discursiva tida provocou. A mim, por exemplo, deixou alguma perplexidade. E são duas as expressões do Papa Francisco, e que espero que sejam mais “expressões” que “convicções”, com as quais não posso concordar, nem deixar de criticar. A primeira tem a ver com a afirmação de que a “liberdade de expressão tem limites”. Isso é mais que óbvio e há nas sociedades livres, democráticas, e nos Estados de Direito, mecanismos regulamentares e jurídicos que determinam as respectivas consequências. Mas o que não é aceitável é que seja o Papa (ou o islamismo) a definir esse limite ao determinar que “não podemos provocar, não podemos insultar a fé dos outros, não podemos ridicularizá-la”. Podemos, Francisco. É um direito que assiste a quem não acredita; a quem também se possa sentir ofendido nas suas convicções pelas posições da Igreja (ou de outra religião); a quem acha que, como ateu (por exemplo), existe uma excessiva ligação entre a Religião e o Estado; e, por último (que não em último) pela liberdade de convicções e de crenças (mesmo na ausência destas). A Igreja deve ser espaço para acolher (quem assim o quiser, livremente), não deve nunca impor-se, nem pode impor as suas regras. E tal como se pode criticar a política, nada deve impedir a crítica à religião. Podemos não concordar, recorrer a mecanismos de regulação e judiciais, mas não podemos silenciar e censurar.
A segunda tem a ver com o facto do Papa Francisco ter usado a expressão “se um amigo meu chamar nomes à minha mãe, leva um murro” para justificar a resposta à “ofensa”. Não vale a pena usarmos falsas demagogias ou retóricas, nem colhe a justificação de um momento “mais descontraído” do Papa com os jornalistas. Porque as palavras têm uma força e um impacto próprios, alheadas às responsabilidades de quem as profere. Um murro não é o mesmo que um acto mortal? Não, não é. Mas a violência não pode ser a resposta, nem a solução, tal como não o é a morte. Se alguém chamasse nomes à minha mãe eu “dava a outra face”? Não, não dava (só por estupidez, claro). Mas esse tipo de comportamentos são, quer do ponto de vista social, quer jurídico, reprováveis, condenáveis e criticáveis. Para mais vindo de alguém com a responsabilidade de difundir uma religião de paz e amor. O que seria das nossas sociedades e comunidades se cada um, em função das suas convicções, dos seus estados de alma, dos seus sentimentos de ofensa, desatasse a fazer justiça pelas próprias mãos, a impor as suas “regras”, certezas e crenças? Com estas afirmações o Papa Francisco justificou, pelo menos (já que condenou o acto em si), a acção/reacção dos extremistas e dos terroristas contra o jornal Charlie Hebdo, justificando todo e qualquer acção mortal ou acto de violência (lembremos o caso de Badawi condenado a 1000 chicotadas por criticar o islão) só porque alguém ofendeu alguém, ofendeu a sua religião, esquecendo que matar não é solução, silenciar a vida não é um direito de ninguém nem de nenhuma crença. Alguém devia ter lembrado Francisco que o que sempre esteve em causa, nos acontecimentos em França, para além da liberdade de imprensa, foi a intolerância, a não aceitação da diferença, da liberdade crítica, limitando estes direitos através da morte ou da violência. O “puseram-se a jeito” não determina a justificação e o fim. Dois milhões de pessoas perceberam isso no fim-de-semana passado, e muitas delas, como eu, nem gostam do jornal.

Nem tudo deve ser corrido ao murro e ao pontapé… nem à “bala”.

publicado por mparaujo às 16:28

17
Jan 15

Sou 'Charlie'...

Sou 'Raif Badawi'... (blogger e jornalista da Arábia Saudita condenado a 10 anos de prisão e 1000 chicotadas por criticar o islão)

E também SOU pelas crianças da Nigéria, vítimas às mãos do Boko Haram.

a favor das criancas massacradas na nigeria_cortad

E sublinho, em tudo, este excelente texto do Henrique Monteiro, no Expresso on-line de quarta-feira, 14 janeiro, "As meninas de Boko Haram", do qual destaco: «Nós somos todos Charlie – e bem – mas temos de ser todos aquelas 200 raparigas raptadas e usadas como bombas por uma organização que literalmente quer dizer “a educação não-islâmica é um pecado”, ou no seu nome em árabe, “Jama'atu Ahlis Sunna Lidda'awati wal-Jihad”, pessoas dedicadas aos ensinamentos do Profeta para propagação e jihad.» Ou ainda «Perante o horror não temos resposta. Porque nos recusamos ao “olho por olho, dente por dente” e porque na nossa civilização, que inclui cristãos, muçulmanos, judeus, agnósticos, ateus, budistas, hindus e quem mais quiser entrar – como na manifestação de Paris – não há penas nem leis que cheguem para tamanho mal.»

publicado por mparaujo às 22:41

25
Nov 14

Violência-doméstica 25-11-2014.jpg

O dia de hoje, para além da particularidade do 39º aniversário do 25 de novembro de 75, é marcado pela campanha "Basta que me batas uma vez" do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Apesar da violência não se manifestar apenas na agressão física, como é óbvio. E são múltiplas, infelizmente, as vertentes ou o rostos da violência.


(campanha APAV - "Basta que me batas uma vez")

Sobre o tema, importa recordar e elogiar esta peça publicada no Diário de Notícias no dia 17 de novembro, da autoria da Fernanda Câncio. O título não poderia ser mais sugestivo e elucidativo: "Que é feito da luta das mulheres?". E desenganem-se os ou as que acham que este é um processo exclusivamente das mulheres. Triste será a sociedade enquanto mergulhar nesta dialéctica do género.

A verdade, retomando a interrogação da Fernanda Câncio, é que a luta esmoreceu, como esmoreceram muitas lutas que ficaram por concluir e que vão transformando a sociedade e o mundo actual em reais conflitualidades, exclusões, injustiças e limitações aos mais elementares direitos humanos.

Nesta caso, em particular, os exemplos são, infelizmente, muitos; e as posições, convicções e actuações, mesmo aquelas simples do dia-a-dia, da mentalidade de cada um, do respeito pela dignidade do outro(a), cada vez mais enfraquecidas e alheadas da realidade.

Só a mero título de exemplo:
"Uma em cada três mulheres é vítima de abusos físicos em todo o mundo".
"Portugal foi o país onde mais se agravou a diferença salarial entre mulheres e homens".
"Em seis meses foram assassinadas 24 mulheres e a grande maioria por violência doméstica".
"Boas todos os dias".
"Estatísticas da APAV - Relatório Anual de 2013".

Deixar que esta luta seja da exclusiva responsabilidade feminina é do mais deplorável primarismo.

 

publicado por mparaujo às 15:59

22
Set 14

A guerra traz-nos imagens e realidades cruéis. Facto.

A fome traz-nos imagens e realidades que abominamos e dificilmente compreendemos face aos recursos que existem no mundo e nos países. Facto.

A morte, por mais natural que seja, afigura-se-nos sempre “estúpida”. Facto.

Portugal tem todas as potencialidades para ser um país exportador de serviços de inovação e tecnologia. Facto.

O 25 de Abril de 74 trouxe-nos liberdade, democracia, mais educação, mais saúde, mais emprego (mesmo que a taxa de desemprego esteja a níveis insuportáveis), mais igualdade, mais justiça. Não vale a pena esconder o que era a realidade antes e pós 1974. Facto.

Não consigo entender que em 2014, com tudo o que nos rodeia e nos é proporcionado, cultural e socialmente vivamos, em Portugal, ainda em plena Idade da Pedra.

Factos:

Violência doméstica aumentou 2,3% no primeiro semestre de 2014.

Em seis meses (1º semestre de 2014) 24 mulheres foram mortas e 27 vítimas de tentativa de homicídio (apesar da violência doméstica não ter como vítima exclusiva a mulher)

Tudo isto a juntar a outros dados resultantes de estudos referentes a 2012 e que não vislumbram redução significativa ou, preferencialmente, a sua extinção.

Processos de violência doméstica são arquivados em 80% dos casos.

Violência doméstica presenciada por crianças em 42% dos casos.

Violência doméstica contra idosos aumentou 76% em dois anos.

Tudo isto é estúpido, inaceitável, cruel, abominável… e não são apenas os tempos de crise, de desemprego, de problemas financeiros domésticos e pessoais, que sustentam os actos em si.

Há questões nacionais mais prementes que as primárias no PS ou o regresso do mais degradante lixo televisivo que é a Casa dos Segredos.

publicado por mparaujo às 16:09

03
Ago 14

publicado na edição de hoje, 3 Agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Virado do avesso

A agenda mediática tem um duplo impacto. O primeiro tem a faculdade de focar a opinião pública num assunto/tema relevante no momento. O segundo tem o revés de desviar a atenção sobre outras realidades. Recordando o ditado: foca a árvore e esquece a floresta.

O recente caso do BES tem essa vertente mediática. Sendo certo que o assunto é de relevante importância nacional, pelos seus impactos na instituição, no sistema bancário, na economia nacional e, esperemos que não, nas contas públicas (caso se assista a mais uma intervenção estatal na banca). O que é verdade, no meio de um turbilhão de novidades diárias, é que o caso BES tem criado uma anestesia geral, ou generalizada, ao ponto de muitas outras realidades passarem definitivamente ao lado, ou para segundo plano, da opinião pública: Carlos Moedas indicado para Comissário Europeu; a recente decisão do Tribunal Constitucional sobre a nova taxa sobre as reformas; os valores da taxa de desemprego; o verão que teima em não aparecer; a “pipa de massa” que virá da Europa; as primárias socialistas. Mas há mais… um mundo virado do avesso, em constante conflitualidade, numa “cruzada” desmedida contra a dignidade humana e o valor fundamental da vida. Muitos refugiam-se na desculpa dos danos colaterais, mas o facto é que muitos perderam a vida ou ficaram com ela desfeita.

Enquanto a Rússia, Estados Unidos e União Europeia vão esgotando e esgotando-se na via diplomática (embora com muito pouca diplomacia), o conflito na Ucrânia, em pouco mais de quatro meses, tirou a vida a mais de 1100 pessoas e feriu quase 3500.

Na Faixa de Gaza regressa o fantasma da “guerra dos seis dias”, de 1967. Uma região em permanente conflito, com mais ou menos incidência mas em constante ebulição, sustenta uma contenda religiosa, política, geoestratégica, aparentemente sem fim à vista. E os actuais dias não são melhores. Não consigo tomar partido por uma das partes dada a complexidade da realidade e da história entre sionistas/judeus e palestinianos, mas há verdade que não posso esconder: os recentes ataques israelitas às escolas onde a ONU assegurava a segurança a milhares de palestinianos, entre as quais inúmeras crianças, não são danos colaterais. É algo que não é justificável, não é aceitável. Um acto mórbido, inqualificável e merece ser condenável e criticado.

Ainda na região, passados três anos após a revolta de 2011, regressaram a Tripoli, capital libanesa, novos confrontos entre milícias rivais que já provocaram, em duas semanas, mais de duas centenas de mortes.

Obviamente que estes são os casos mais relevantes, sem esquecermos o que se passa em África, no Afeganistão ou no Iraque. Mas se a morte é, por si só, o espelho mais gritante do principal ataque à dignidade humana - à vida - a violação dos mais elementares direitos humanos não se fica só pela morte.

Continuam sem solução os significativos casos de violação de mulheres na Índia. O flagelo da mutilação genital feminina, socialmente defendida em muitas culturas, nomeadamente em África, com nove casos registados/conhecidos em Portugal e que levou à aprovação na Assembleia da República de legislação a criminalizar esta realidade, ressurgiu recentemente numa denúncia da ONU que revelava que o grupo jihadista denominado “Estado Islâmico” ordenou num recente fatwa (decreto islâmico) que todas as mulheres e crianças, da cidade de Mossul - Iraque, entre os 11 e os 46 anos, se submetam à mutilação genital feminina.

Organizações Não Governamentais (ONGs), a UNICEF e a ONU voltam a chamar a atenção para o flagelo da fome e da sobrevivência na Somália e no Sudão do Sul, pela instabilidade social e pela enorme seca, recordando as cerca de 250 mil vítimas da fome há três anos. Neste momento, cerca de 350 mil pessoas estão no limiar da sobrevivência diária.

Cinicamente, Portugal teve recentemente uma dualidade de critérios e convicções nesta matéria. Vergonhosamente aceitou a adesão da Gunié Equatorial à CPLP, por valores meramente economicistas (petróleo), já que a língua portuguesa nem sequer é falada no país, esquecendo as atrocidades cometidas no país, as constantes violações dos direitos humanos e a aplicação da pena de morte. Mas a par disso, passando despercebida à maioria dos portugueses Portugal assinou a Convenção de Instambul que entrou em vigor na sexta-feira, 1 de agosto, e que pretende promover uma justiça mais eficaz na erradicação da violência contra as mulheres. Não só no plano físico mas também, e importante, no plano psicológico.

Fossem tudo boas notícias e o mundo estaria menos do avesso.

publicado por mparaujo às 11:21

25
Nov 09
Hoje é Dia Internacional para Eliminação da Violência contra Mulheres.

Pôr fim a imperdoáveis, como o uso da violação sexual como arma de guerra, da violência doméstica, do tráfico de mulheres para fins de exploração sexual, dos chamados “crimes de honra” ou de mutilações genitais femininas.

A Mensagem do Secretário-Geral da ONU pode ser lida Aqui.
publicado por mparaujo às 20:33

03
Abr 06
Felizmente que já há algum tempo que a demagogia barroca e floreada do Bloco de Esquerda, mais concretamente do seu metafórico líder - dr. Francisco Louçã, deixou de ter piada e impacto na sociedade (política ou não).
Qualquer crime deve ser punido. E em meu entender severamente.
Não sou a favor da pena de morte (antes pelo contrário), mas nada me move contra a prisão perpétua.
A violência, seja contra quem for e porque motivos forem é absurda e abominável.
No entanto, repito: TODA A VIOLÊNCIA. TODO O CRIME. TODA A MORTE PROVOCADA.
A morte e o crime a ela sujacente não é de direita, nem de esquerda. Não tem qualquer valor se politica, social ou religosamente "correcto". Nada é necessário a este extremo.
Daí que já não me espanta este sentimento de justiça e equidade do Dr. Francisco Louçã.
O assassinato do Padre Max é condenável, não por todas as razões e mais algumas, mas porque é condenável qualquer assassinato.
O que não vi foi o Bloco de Esuqerda tão insurgente e crítico em relação à morte de Sá Carneiro e ADELINO AMARO DA COSTA, nem à violência das FP-25.
É lamentável quando se tem "palas" e não se consegue ver mais além.
publicado por mparaujo às 21:49

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