Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

25
Nov 16

violencia contra a mulher.jpg%20largeEm pleno século XXI ainda vivemos, em algumas áreas, em contextos e realidade perfeitamente medievais. E nem é preciso insurgirmo-nos contra determinadas culturas e realidades, basta-nos o que se passa na sociedade e nas famílias em contextos sociais ocidentais.

O dia 25 de novembro regista o empenho internacional no combate à violência, real e ainda existente, contra as mulheres. Problemática que ultrapassa a significativa dimensão da violência doméstica.

Segundo a UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) e com base num relatório e estudo do Observatório das Mulheres Assassinadas, em doze anos (desde 2004), pouco mais que a última década, foram assassinadas cerca de 450 mulheres, tendo-se registado ainda mais de 500 casos de tentativas de homicídio. Com uma nota especial para, segundo a mesma fonte, o facto de 83% dos crimes (incluindo os tentados) "a relação entre a vítima e o homicida ser uma relação de intimidade" (vivência familiar, namoro ou relações passadas).

Em 2015, no nosso país, 29 mulheres morrem vítimas de violência e o Ministério Público revela dados estatísticos que informam o registo de mais de 26500 denúncias de casos de violência doméstica.

umar.jpg

(créditos da foto: Adelino Meireles / Global Imagens)
(Homenagem, pela UMAR, a todas as mulheres vítimas de homicídio por violência de género, na Avenida dos Aliados, Porto - 2016)

publicado por mparaujo às 11:57

25
Nov 15

Apesar do ano de 2015 (que ainda não terminou) registar um decréscimo no número de mortes (menos 14 que em 2014) que resultaram de violência contra as mulheres (não só a doméstica, entenda-se), 27 mulheres assassinadas são sempre números que envergonham em pleno século XXI ( 2,5 mortes/mês). Bastava uma para a indignação... simplesmente.

A par destes números avançados pelo Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA) acresce ainda 33 vítimas de tentativa de homicídio.

Para além das tipologias mais "visíveis", como a violência física, a violação, a escravidão, a mutilação genital, entre outros, importa lembrar também as tipologias "silenciosas": injúria, difamação, o isolamento, a coação sexual, a violência psicológica e a intimidação, o domínio económico, por exemplo.

dia internacional de luta contra a violencia da mu

publicado por mparaujo às 11:39

02
Dez 14

ceu guerra no xx congresso ps.jpgAinda a propósito do XX Congresso do PS, após a primeira análise que aqui foi feita “O Não à direita. O Talvez à esquerda... E longe de Évora”.

Se por um lado António Costa se preocupou em manter fora do secretariado nacional qualquer oposição, deixando para a Comissão Nacional os 30% da facção Seguro, foi inesperada a forma como o actual líder socialista escolheu os seus pares mais próximos para a direcção do partido. Muitas caras novas, deixou de fora os históricos, deixou de fora rostos marcadamente de facção (fossem de António José Seguro ou de José Sócrates), apostou em gente da sua confiança e numa ou outra promessa política socialista, como o mediático deputado João Galamba. Por outro lado, de forma politicamente inteligente, António Costa afastou do Congresso todo o peso do caso judicial que envolve o ex primeiro-ministro socialista José Sócrates, quer nas ausências a quaisquer referências à sua prisão ou a qualquer política governativa dos seus dois mandatos legislativos bem recentes. Algo, aliás, que os próprios congressistas e socialistas convidados entenderam e aceitaram cumprir na “perfeição”, deixando a exclusividade do espírito do Congresso ao confronto político com o Governo.

Aqui chegado, António Costa virou baterias, armas e bagagens, contra o Governo, Pedro Passos Coelho, PSD e CDS. As críticas, sob a forma de “casos de vida”, envolveram a maioria das medidas e acções governativas nos últimos três anos, sem uma referência significativa à Troika ou adiando para a primavera de 2015 as sua propostas programáticas para o futuro de Portugal. Apesar da sensação de vazio e de vacatura do discurso é, goste-se ou não, uma estratégia política que o final de 2015 revelará eficaz ou não. Até lá fica a interrogação se o declaradamente explícito Não a um entendimento à direita e uma Talvez abertura à esquerda (com quem o PS tem fortes divergências quanto à dívida, a algum Estado social e empresarial, à União Europeia, à NATO, sem esquecer a rasteira que a esquerda lhe pregou em 2011, já para não me remeter a longínquos conflitos na era PREC) se manterão para além dos resultados eleitorais de 2015.

Mas nesta narrativa crítica à actuação do Governo surgiu ainda um momento inesperado no Congresso e que é de difícil compreensão (para não dizer, aceitação) por parecer demasiadamente populista, eleitoralista, que, a eventualidade da emoção discursiva (e de improviso), por si só, poderá não justificar.
É certo que são conhecidos os movimentos femininos (muito para além do feminismo) que lutam e trabalham pela igualdade de género e em defesa das mulheres; são conhecidas as lutas que o PS trava, através de militantes e deputados seus, por essas causas (como exemplos); é certo que a “esquerda” tem, por natura, uma forma marcadamente mais pública e activa na defesa dos direitos, igualdades e dignidade humanos. Mas… estas realidades não são, não podem, nem devem ser, “propriedade política” de alguns, de uma parte apenas. Mais… muito menos devem ser confundidas com as circunstâncias discursivas ou narrativas dos momentos. António Costa não deveria ter tido o direito de se “apropriar politicamente” (já que de acto político se tratava o discurso de encerramento do Congresso do PS) de uma causa, de uma luta, de um sofrimento, que não é exclusivo do PS mas sim de todos e, principalmente, do respeito que vítimas e familiares merecem: a violência doméstica e as suas vítimas, mortais (ao caso concreto, as 34 mulheres vítimas mortais em casos de violência doméstica). Ficou mal na “fotografia” o líder socialista.

Permito-me, mesmo com a ousadia da “libertinagem” de usurpação de “palavras alheias”, reproduzir aqui um comentário da Fernanda Câncio, no Jugular, a propósito do tema: «muito comovente ouvir recitar, por céu guerra no congresso do ps, o nome das mulheres assassinadas este ano. mas estou tão cansada de momentos simbólicos sem consequência, de ramos de flores e poemas marejados de lágrimas q só sublinham a indiferença e a continuação do costume do resto do tempo. (…) olho para a prática legislativa e vejo o ps a defender q o assédio sexual, q é a evidência quotidiana da violência e da menorização das mulheres, da certificação d q o espaço público é masculino e q as mulheres nele se devem aventurar sempre a medo e sob ameaça (...), 'ñ tem dignidade penal'. as mulheres são mortas, e tantas, porque vivemos num país q as desconsidera quotidianamente, (…).a morte não tem remédio. é na vida que temos de reparar, e agir. porque só isso pode evitar a morte, real e simbólica, das mulheres».

publicado por mparaujo às 17:07

25
Nov 14

Violência-doméstica 25-11-2014.jpg

O dia de hoje, para além da particularidade do 39º aniversário do 25 de novembro de 75, é marcado pela campanha "Basta que me batas uma vez" do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Apesar da violência não se manifestar apenas na agressão física, como é óbvio. E são múltiplas, infelizmente, as vertentes ou o rostos da violência.


(campanha APAV - "Basta que me batas uma vez")

Sobre o tema, importa recordar e elogiar esta peça publicada no Diário de Notícias no dia 17 de novembro, da autoria da Fernanda Câncio. O título não poderia ser mais sugestivo e elucidativo: "Que é feito da luta das mulheres?". E desenganem-se os ou as que acham que este é um processo exclusivamente das mulheres. Triste será a sociedade enquanto mergulhar nesta dialéctica do género.

A verdade, retomando a interrogação da Fernanda Câncio, é que a luta esmoreceu, como esmoreceram muitas lutas que ficaram por concluir e que vão transformando a sociedade e o mundo actual em reais conflitualidades, exclusões, injustiças e limitações aos mais elementares direitos humanos.

Nesta caso, em particular, os exemplos são, infelizmente, muitos; e as posições, convicções e actuações, mesmo aquelas simples do dia-a-dia, da mentalidade de cada um, do respeito pela dignidade do outro(a), cada vez mais enfraquecidas e alheadas da realidade.

Só a mero título de exemplo:
"Uma em cada três mulheres é vítima de abusos físicos em todo o mundo".
"Portugal foi o país onde mais se agravou a diferença salarial entre mulheres e homens".
"Em seis meses foram assassinadas 24 mulheres e a grande maioria por violência doméstica".
"Boas todos os dias".
"Estatísticas da APAV - Relatório Anual de 2013".

Deixar que esta luta seja da exclusiva responsabilidade feminina é do mais deplorável primarismo.

 

publicado por mparaujo às 15:59

22
Set 14

A guerra traz-nos imagens e realidades cruéis. Facto.

A fome traz-nos imagens e realidades que abominamos e dificilmente compreendemos face aos recursos que existem no mundo e nos países. Facto.

A morte, por mais natural que seja, afigura-se-nos sempre “estúpida”. Facto.

Portugal tem todas as potencialidades para ser um país exportador de serviços de inovação e tecnologia. Facto.

O 25 de Abril de 74 trouxe-nos liberdade, democracia, mais educação, mais saúde, mais emprego (mesmo que a taxa de desemprego esteja a níveis insuportáveis), mais igualdade, mais justiça. Não vale a pena esconder o que era a realidade antes e pós 1974. Facto.

Não consigo entender que em 2014, com tudo o que nos rodeia e nos é proporcionado, cultural e socialmente vivamos, em Portugal, ainda em plena Idade da Pedra.

Factos:

Violência doméstica aumentou 2,3% no primeiro semestre de 2014.

Em seis meses (1º semestre de 2014) 24 mulheres foram mortas e 27 vítimas de tentativa de homicídio (apesar da violência doméstica não ter como vítima exclusiva a mulher)

Tudo isto a juntar a outros dados resultantes de estudos referentes a 2012 e que não vislumbram redução significativa ou, preferencialmente, a sua extinção.

Processos de violência doméstica são arquivados em 80% dos casos.

Violência doméstica presenciada por crianças em 42% dos casos.

Violência doméstica contra idosos aumentou 76% em dois anos.

Tudo isto é estúpido, inaceitável, cruel, abominável… e não são apenas os tempos de crise, de desemprego, de problemas financeiros domésticos e pessoais, que sustentam os actos em si.

Há questões nacionais mais prementes que as primárias no PS ou o regresso do mais degradante lixo televisivo que é a Casa dos Segredos.

publicado por mparaujo às 16:09

03
Ago 14

publicado na edição de hoje, 3 Agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Virado do avesso

A agenda mediática tem um duplo impacto. O primeiro tem a faculdade de focar a opinião pública num assunto/tema relevante no momento. O segundo tem o revés de desviar a atenção sobre outras realidades. Recordando o ditado: foca a árvore e esquece a floresta.

O recente caso do BES tem essa vertente mediática. Sendo certo que o assunto é de relevante importância nacional, pelos seus impactos na instituição, no sistema bancário, na economia nacional e, esperemos que não, nas contas públicas (caso se assista a mais uma intervenção estatal na banca). O que é verdade, no meio de um turbilhão de novidades diárias, é que o caso BES tem criado uma anestesia geral, ou generalizada, ao ponto de muitas outras realidades passarem definitivamente ao lado, ou para segundo plano, da opinião pública: Carlos Moedas indicado para Comissário Europeu; a recente decisão do Tribunal Constitucional sobre a nova taxa sobre as reformas; os valores da taxa de desemprego; o verão que teima em não aparecer; a “pipa de massa” que virá da Europa; as primárias socialistas. Mas há mais… um mundo virado do avesso, em constante conflitualidade, numa “cruzada” desmedida contra a dignidade humana e o valor fundamental da vida. Muitos refugiam-se na desculpa dos danos colaterais, mas o facto é que muitos perderam a vida ou ficaram com ela desfeita.

Enquanto a Rússia, Estados Unidos e União Europeia vão esgotando e esgotando-se na via diplomática (embora com muito pouca diplomacia), o conflito na Ucrânia, em pouco mais de quatro meses, tirou a vida a mais de 1100 pessoas e feriu quase 3500.

Na Faixa de Gaza regressa o fantasma da “guerra dos seis dias”, de 1967. Uma região em permanente conflito, com mais ou menos incidência mas em constante ebulição, sustenta uma contenda religiosa, política, geoestratégica, aparentemente sem fim à vista. E os actuais dias não são melhores. Não consigo tomar partido por uma das partes dada a complexidade da realidade e da história entre sionistas/judeus e palestinianos, mas há verdade que não posso esconder: os recentes ataques israelitas às escolas onde a ONU assegurava a segurança a milhares de palestinianos, entre as quais inúmeras crianças, não são danos colaterais. É algo que não é justificável, não é aceitável. Um acto mórbido, inqualificável e merece ser condenável e criticado.

Ainda na região, passados três anos após a revolta de 2011, regressaram a Tripoli, capital libanesa, novos confrontos entre milícias rivais que já provocaram, em duas semanas, mais de duas centenas de mortes.

Obviamente que estes são os casos mais relevantes, sem esquecermos o que se passa em África, no Afeganistão ou no Iraque. Mas se a morte é, por si só, o espelho mais gritante do principal ataque à dignidade humana - à vida - a violação dos mais elementares direitos humanos não se fica só pela morte.

Continuam sem solução os significativos casos de violação de mulheres na Índia. O flagelo da mutilação genital feminina, socialmente defendida em muitas culturas, nomeadamente em África, com nove casos registados/conhecidos em Portugal e que levou à aprovação na Assembleia da República de legislação a criminalizar esta realidade, ressurgiu recentemente numa denúncia da ONU que revelava que o grupo jihadista denominado “Estado Islâmico” ordenou num recente fatwa (decreto islâmico) que todas as mulheres e crianças, da cidade de Mossul - Iraque, entre os 11 e os 46 anos, se submetam à mutilação genital feminina.

Organizações Não Governamentais (ONGs), a UNICEF e a ONU voltam a chamar a atenção para o flagelo da fome e da sobrevivência na Somália e no Sudão do Sul, pela instabilidade social e pela enorme seca, recordando as cerca de 250 mil vítimas da fome há três anos. Neste momento, cerca de 350 mil pessoas estão no limiar da sobrevivência diária.

Cinicamente, Portugal teve recentemente uma dualidade de critérios e convicções nesta matéria. Vergonhosamente aceitou a adesão da Gunié Equatorial à CPLP, por valores meramente economicistas (petróleo), já que a língua portuguesa nem sequer é falada no país, esquecendo as atrocidades cometidas no país, as constantes violações dos direitos humanos e a aplicação da pena de morte. Mas a par disso, passando despercebida à maioria dos portugueses Portugal assinou a Convenção de Instambul que entrou em vigor na sexta-feira, 1 de agosto, e que pretende promover uma justiça mais eficaz na erradicação da violência contra as mulheres. Não só no plano físico mas também, e importante, no plano psicológico.

Fossem tudo boas notícias e o mundo estaria menos do avesso.

publicado por mparaujo às 11:21

25
Nov 13

ainda pelas liberdades...

Hoje (também) é Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Como a maior parte das datas/efemérides não deixa de ter um valor simbólico. A questão prende-se com a dimensão desse simbolismo.
É uma clara chamada de atenção pelo forma como são "atropelados" os mais elemenatres direitos humanos, ao caso contra as Mulheres.

Entretanto, no Twitter, falava-se sobre isto (com raiva, mágoa e revolta)

"Mutilação genital feminina existe em Portugal, mas desconhece-se dimensão" - Jornal de Notícias de 14 de Outubro de 2011.

"Mutilação genital permanece inalterada em muitos países" - Jornal de Notícias (julho de 2013)

Outros destaques...

"Este ano 33 mulheres foram assassinadas em Portugal" (jornal Público)

"A violência de género" (primeira parte do editorial do Diário de Notícias)

"16 dias a lutar contra a violência contra as mulheres" - Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU para as mulheres (Diário de Notícias)

"É preciso mais sensibilização para a violência de género" (Diário de Notícias) - Teresa Morais, secretária de Estado da igualdade

publicado por mparaujo às 16:30

25
Nov 11
Contra todo o tipo de violência... e também contra esta:
25 de Novembro - Dia Internacional da Luta contra a Violência à Mulher

publicado por mparaujo às 14:53

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